Mega Man Zero Collection (Nintendo DS)

A série Mega Man é uma daquelas que um dia gostaria de detalhar com mais atenção. Desde o primeiro jogo lançado em 1987 para a NES, a série foi evoluindo em múltiplas outras subséries ao longo dos anos culminando em dezenas e dezenas de títulos diferentes. Se bem que há cerca de 10/15 anos atrás o ritmo de novos lançamentos tem abrandado ou mesmo estagnado, talvez pela Capcom ter exagerado um pouco nos seus lançamentos, mas nos últimos anos vamos vendo um ressurgimento gradual de certas séries clássicas dentro do universo Mega Man, incluindo várias compilações (digitais) das séries mais bem conceituadas. Este Zero Collection é então uma compilação física para a Nintendo DS de todos os Mega Man Zero que haviam sido lançados anteriormente para a Gameboy Advance. O meu exemplar foi comprado a um outro coleccionador algures no início do Verão deste ano, tendo-me custado 10€ e é a versão norte-americana.

Jogo com caixa, manual e papelada

Sendo esta uma compilação e visto que será algo difícil para mim encontrar os 4 lançamentos originais para a GBA por um valor relativamente baixo, vou aproveitar este artigo para abordar separadamente cada jogo da série. O primeiro Mega Man Zero foi lançado originalmente em 2002 para a Gameboy Advance, decorrendo cerca de 100 anos após os últimos desenvolvimentos da saga Megaman X. Tem como protagonista o andróide Zero, que tinha sido introduzido precisamente na série anterior, tendo sido ressuscitado por um grupo de outros andróides, aqui chamados de Reploids que formam um movimento de resistência ao grupo Neo Arcadia. Esse grupo, supostamente liderado pelo Mega Man X, havia lançado uma campanha de terror contra todos os outros reploids, assumindo que todos fossem mavericks – basicamente robots maus.

Zero é como se fosse um ninja, super ágil e equipado de uma espada mortal

O jogo em si é uma evolução das mecânicas de jogo dos Mega Man X. Temos a base da resistência que podemos explorar livremente, e inclusivamente falar com outros NPCs, algo necessário até para desbloquear novos power ups. Mas o resto do jogo é à base de missões, algumas delas onde até temos alguma liberdade de escolher qual a ordem que as queremos jogar. Aqui temos também alguns elementos RPG, pois inicialmente Zero está equipado do seu sabre e pistola, mas posteriormente poderá desbloquear novas armas. E quanto mais as usarmos, as armas vão subindo de nível, adquirindo novas habilidades. Podemos ainda equipar as armas com factores elementais como fogo ou electricidade, sendo que há bosses que são resistentes (ou até imunes) a alguns elementos, mas em contrapartida são fracos perante outros). Para além disso, ao longo do jogo poderemos encontrar uma série de Cyber Elfs, estes são pequenas criaturas cibernéticas que podem ser equipadas na nossa personagem, conferindo-lhe algumas novas habilidades temporárias ou permanentes. Coisas como aumentar a nossa barra de energia, tornar todos os inimigos mais lentos, são algumas das habilidades introduzidas por estas pequenas criaturas, que por sua vez têm de ser alimentadas pelos cristais de energia que vamos encontrando. De resto, para além deste piscar de olho aos RPGs, Mega Man Zero é na sua essência um sidescroller 2D, bastante frenético até porque Zero é um andróide bem ágil, podendo saltar entre paredes e fazer slides pelo chão, o que resulta numa jogabilidade bastante rápida se assim o entendermos.

Tal como nos Megaman X, a narrativa é bem elaborada ao longo de várias cutscenes

A nível audiovisual, tanto este jogo como toda a série, é bastante consistente, exibindo gráficos 2D bastante detalhados, com óptimas animações (principalmente quando cortamos os robots inimigos ao meio, algo que foi até censurado nos lançamentos ocidentais). Os níveis vão sendo algo variados, desde grandes instalações futuristas, passando até por cidades em ruínas (o tema da série é algo pós-apocalíptico) ou desertos. As músicas são também bastante agradáveis e com um ritmo acelerado, o que se adequa perfeitamente ao estilo de jogo.

Alguns antagonistas irão marcar a sua presença em vários jogos

Um ano depois, a Capcom lançou a sequela Mega Man Zero 2. A nível audiovisual mantém os mesmos padrões elevados do primeiro jogo, já no que diz respeito à jogabilidade, algumas coisas foram alteradas. Uma das armas extra é a nova Chain Rod, um gancho que para além de servir para o ataque, permite-nos balancear-nos pelos tectos como no Bionic Commando, ou até arrastar blocos gigantes para nos ajudar no platforming. Se concluirmos cada missão com um ranking de A ou S (os mais altos) também poderemos herdar algumas habilidades dos bosses que defrontamos, as EX Skills. O uso de Cyber Elves também está aqui presente e tal como o anterior, a nível audiovisual este é um jogo excelente, com níveis muito bem detalhados, assim como os bosses. As músicas também se mantêm numa toada bem mais rock, algo que me agrada, naturalmente.

Os bosses são tipicamente grandes e bem animados

E eis que em 2004 recebemos o terceiro jogo da saga. Tal como os seus predecessores, é um excelente jogo de acção/plataformas, onde mais uma vez defrontamos um vilão que quer dominar o mundo, sejam humanos ou outros reploids. A nível de jogabilidade é muito semelhante ao seu antecessor, na medida em que teremos várias armas diferentes para usar, diferentes habilidades para desbloquear dos bosses que defrontamos, e Zero continua a ser um robot muito ágil. Desta vez no entanto não precisamos de treinar as nossas armas, visto que elas já estão no nível de experiência máximo.O corpo de Zero pode agora ser customizado quando encontrarmos chips para esse efeito, que nos permitem customizar a cabeça, corpo e pernas. Aqui são também introduzidos os Secret Disks, centenas de disquetes espalhadas pelos níveis (ou obtidas a derrotar os inimigos normais) que se traduzem em Cyber Elves, chips de customização para o corpo de Zero, cápsulas de energia ou pura e simplesmente coleccionáveis.

À medida que novos títulos iam saindo, mais Zero poderia ser customizável

De resto, aparentemente este Mega Man Zero 3 possui também algumas interacções com a série Battle Network, mas não estou bem por dentro do que seja. Por fim, uma vez mais estamos presentes a um jogo com excelentes gráficos 2D, seja no detalhe dos níveis, seja nas animações dos inimigos e principalmente os bosses. Também tal como os restantes, as músicas são mais rock.

Por fim temos o Mega Man Zero 4, lançado originalmente em 2005, uma vez mais um ano após o lançamento anterior. Esta sequela sofreu muitas mudaças, princalmente na gestão dos Cyber Elves  sendo que agora só temos um que por sua vez tem de ser evoluido à base de Energy Crystals. O buster e o sabre continuam presentes, mas a arma adicional é o Zero Knuckle, que permite, entre outras coisas, roubar armas dos inimigos. No que diz respeito à customização de Zero, temos uma vez mais vários chips que podemos equipar e que podem conferir a Zero várias habilidades, desde maior poder de ataque, uma maior barra de vida, ou outras coisas ainda mais úteis como a capacidade de realizar saltos duplos. Para isso temos no entanto de apanhar peças dos adversários derrotados e combiná-las para o efeito, possuindo assim um sistema de crafting.

O sistema de controlo meteorológico pode-nos facilitar ou dificultar a progressão nos níveis. Por exemplo, neste nível se nevar temos um caminho livre por cima de espinhos.

Para além disso os próprios níveis também podem ser customizados, nomeadamente as suas condições metereológicas, que podem ou não tornar um nível mais fácil, ou abrir outras passagens que seriam previamente inacessíveis. Por exemplo, num dos níveis temos de entrar dentro de um canhão solar. Se mudarmos a meteorologia para tempo nublado, o canhão irá disparar menos vezes, tornando o progresso mais fácil. Por outro lado, para adquirirmos as EX-Skills dos bosses que derrotarmos, teremos de completar os níveis nas condições meteorológicas mais desfavoráveis. De resto, uma vez mais a nível audiovisual estamos presentes em mais um jogo com um 2D bem competente e boas músicas também.

Esta compilação inclui alguns extras, como um easy mode ou artwork desbloqueável.

Portanto, esta colectânea para a Nintendo DS é uma óptima maneira de jogar a excelente quadrilogia dos Megaman Zero, excelentes jogos de acção/platforming, que culminaram posteriormente na série Megaman ZX. Esta compilação possui ainda alguns extras como um Easy Mode para todos os jogos presentes (antes só o Mega Man Zero possuia tal feature) e uma galeria de arte desbloqueável. Ainda assim, visto que tanto os originais desta colectânea, como esta própria colectânea não sejam tão acessíveis assim no mercado retro, a Capcom decidiu recentemente lançar uma outra compilação (em formato digital) que inclui também os  Megaman ZX e ZX Advent e pode ser encarada como uma alternativa séria.

Elite Beat Agents (Nintendo DS)

Confesso que não sou um grande fã de jogos de ritmo/musicais, mas este Elite Beat Agents é mesmo algo de especial. A sua origem está num jogo completamente japonês (Osu! Tatakae! Ouendan) mas cujo conceito pegou moda e a iNiS, em parceria com a Nintendo, decidiu refazer o jogo com temáticas mais ocidentais, surgindo este Elite Beat Agents. No entanto, continua um jogo muito anime e bastante cómico, pelo que também me acabou por agradar. O meu exemplar foi comprado no mês de Abril, na Porto Alternativo de Cabeceiras de Basto, custou-me 7.5€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Mas em que é que consiste este Elite Beat Agents afinal? Encarnamos num trio de 3 agentes especiais, os tais Elite Beat Agents, cujas missões consistem em incentivar pessoas a ultrapassar as suas adversidades com as nossas coreografias. Sim, isto é tudo muito bizarro e é isso que torna o jogo especial. Logo na primeira missão temos uma jovem adolescente que se preparava para pedir ao seu namorado para avançar a sua relação para o próximo nível, quando surge uma vizinha que lhe pede para tomar conta das suas 3 pestinhas, não lhe dando qualquer hipótese de recusa. Como Elite Beat Agents temos de os motivar a ultrapassar os obstáculos e acalmar os diabretes, ao dançar ao som de algumas músicas pop/rock. Outras missões são ainda mais bizarras, como motivar o Leonardo da Vinci a convencer a Mona Lisa a deixar pintar o seu retrato, ou um pobre taxista que gosta de meter o prego a fundo nas suas viagens, que após ter sido avisado pela polícia que o prenderiam se o apanhassem em excesso de velocidade mais uma vez… e entra uma grávida no taxi que o obriga a carregar no pedal!

Temos um mapa mundo para explorar, de onde podemos escolher qual missão podemos jogar.

A nível de jogabilidade, as mecânicas de jogo são relativamente simples na sua essência. À medida que as músicas vão tocando, temos de ajudar os Elite Beat Agents a fazerem as suas coreografias sem cometer grandes erros. E isso traduz-se nos círculos coloridos e numerados que vão aparecendo no ecrã, sendo que os temos de tocar com a stylus pela sua ordem numérica e, acima de tudo, no momento certo para não se quebrar o ritmo. Para além disso por vezes aparecem algumas linhas coloridas que temos de as contornar de uma ponta à outra, uma vez mais respeitando o ritmo. Mas se por um lado é relativamente simples perceber qual o ritmo que temos de respeitar ao tocar nos círulos numerados, até porque estes são rodeadas de outras circunferências que vão diminuindo de tamanho, sendo que o momento certo para as atingir é quando essa circunferência exterior toca no círculo. As linhas também devem ser preenchidas com uma certa velocidade, mas sinceramente nunca consegui perceber ao certo qual a velocidade ideal em cada música. Estes círculos e linhas que temos de tocar ou preencher servem para fazer alguns combos e, quanto melhor a nossa performance, mais pontos conseguimos amealhar. Para além disso por vezes aparece uma espécie de roleta que temos de rodopiar bem rápido durante alguns segundos, mas estas já não têm muito que saber.

O jogo é extremamente bem humorado com as suas histórias bizarras

À medida que vamos jogando cada capítulo, a nossa performance, se for boa, não só nos serve para amealhar mais pontos, mas também para definir qual o “final” da história de cada capítulo. Tipicamente temos 3 sequências musicais dentro de cada capítulo, sendo que cada uma representa um desafio diferente da história que estamos a acompanhar. Por exemplo, no caso da babysitter, cada cutscene envolve uma das 3 crianças e o que o jovem casal de namorados tenta fazer para os acalmar. Se ultrapassarmos os 3 desafios, a história desse capítulo termina da melhor forma. Se só conseguirmos ultrapassar pelo menos um desafio, o final é assim-assim. Se não conseguirmos ultrapassar nenhum, temos um falhanço no final. Para além disso, ao longo de cada capítulo, temos também uma espécie de barra de energia a ter em conta, que está dividida entre a cor amarela e vermelha. Enquanto vamos acertando nas “notas” e ritmos e fazendo alguns combos, o medidor vai-se mantendo na zona amarela, o que é bom. Mas ao meter água, rapidamente podemos baixar para a zona vermelha e se “esvaziarmos” essa barra, terminamos o capítulo mais cedo e somos convidados a tentar novamente noutra oportunidade. De resto, e ainda na jogabilidade, supostamente tínhamos aqui vários modos multiplayer, tanto competitivos como cooperativos mas não os cheguei a experimentar.

Os números dizem-nos a ordem pela qual devemos interagir com o que nos aparece no ecrã. As circunferências exteriores dizem-nos quando

No que diz respeito aos audiovisuais, esse é sem dúvida um dos pontos mais fortes deste jogo. As suas cutscenes, especialmente as de introdução a um novo capítulo/missão são bastante cómicas (excepto numa missão onde que envolve uma promessa que um pai fez à sua pequena filha). Todas as personagens possuem um quê de cómico e percebe-se bem o porquê do jogo ter feito furor. Quando a acção começa mesmo, os ecrãs da DS dividem-se. No ecrã inferior, é onde estão os Elite Beat Agents a fazerem as suas coreografias e vão surgindo no ecrã os círculos e linhas com que temos de interagir. Ao mesmo tempo, no ecrã superior, vemos os protagonistas de cada missão a fazer parvoíces, o que pode ser (e é!) bastante distractivo. Entre cada desafio há mesmo uma pausa na acção no ecrã inferior, com a história a desenrolar-se no ecrã superior e segundos antes de termos de voltar à acção, surgem no ecrã superior umas setinhas a chamar-nos a atenção que o desafio vai recomeçar. No que diz respeito às músicas, estas são uma mistura entre temas de pop e rock de bandas e artistas conhecidos, mas tocados/cantados por outros protagonistas. Aposto que foi ideia da Nintendo para não ter de pagar mais royalties.

Mas a banda sonora em si possui temas de David Bowie, Jamiroquai, Avril Lavigne, Sum 41, e outros artistas mais de rock clássico que pessoalmente me agradam mais, como é o caso dos Roling Stones ou os Deep Purple (nunca imaginei a Highway Star a ser coreografada). Mesmo não sendo as versões originais, as covers são bem interpretadas e na maior parte das vezes os ritmos que somos levados a seguir adequam-se bem às músicas que vamos ouvindo.

Por vezes o ecrã de cima é algo distractivo pela parvoíce que se vai passando

Portanto, no final de contas devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este Elite Beat Agents. É sem dúvida um jogo muito bem humorado e as suas mecânicas de jogo adequam-se perfeitamente à Nintendo DS. É um jogo que possui um pequeno culto de fãs à sua volta e sinceramente não se percebe muito bem como não saiu mais nenhuma sequela para a Nintendo 3DS, apenas o Japão acabou por receber um Oendan 2, que é um jogo um pouco diferente, e ainda para a Nintendo DS.

Mario vs Donkey Kong: Minis March Again (Nintendo DS)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá trago agora é um lançamento até agora exlusivo no digital, tendo sido lançado originalmente no serviço DSiware, introduzido aquando do lançamento da Nintendo DSi. É uma sequela directa do Mario vs Donkey Kong 2 que tinha saído para a Nintendo DS poucos anos antes. O meu exemplar foi comprado algures em 2010, na verdade este foi um dos primeiros jogos que joguei na minha Nintendo DS, pois “comprei-o” resgatando os pontos que tinha no clube Nintendo.

Na sua essência, este jogo herda muitas das mecânicas do seu predecessor, misturando de forma brilhante puzzles e plataformas do universo Mario e Donkey Kong. Mais uma vez controlamos apenas os Mini-Marios, onde teremos de os guiar em segurança através de uma multitude de inimigos e obstáculos, até à saída do nível. No entanto temos aqui algumas diferenças fundamentais: desta vez não conseguimos controlar os mini-marios como no jogo anterior, apenas os “acordamos” e depois nunca mais os conseguimos parar. Conseguimos é manipular alguns blocos para construir escadas e plataformas, ou carregar nalguns botões para alterar o sentido de correias automáticas, por exemplo. A outra grande diferença é que temos de garantir que os Mini-Marios chegam à saída todos mais ou menos ao mesmo tempo. Se por um lado tínhamos alguns pontos adicionais se conseguíssemos fazer isso no jogo anterior, aqui é mesmo um factor obrigatório.

Estes blocos cor-de-rosa podem ser recolocados livremente ao longo do quadriculado rosa, seja para servirem de plataformas ou obstáculos aos Minimarios e inimigos

De resto os obstáculos são idênticos ao último jogo, com os botões que abrem ou fecham portas, paredes e outros blocos magnéticos, molas que nos fazem saltar alto, tubos e escadas que subimos ou descemos sempre que passemos por um. Portanto teremos de pensar muito bem antes de começar o tempo, pois tal como no jogo anterior, se apanharmos todos os itens nos níveis e chegar à sua saída em bom tempo, somos recompensados com medalhas de ouro, que mais uma vez nos vão desbloquear novos níveis, mas já lá vamos.

À medida que vamos avançando, novos obstáculos e mecânicas de jogo vão sendo introduzidas.

Inicialmente temos apenas um conjunto de 4 mundos, cada um deles respectivo a um andar com vários níveis. Estes mundos seguem as temáticas dos seus predecessores, com níveis temáticos como a fábrica de brinquedos, o castelo da Peach ou as selvas de Donkey Kong. Em cada um destes níveis temos letras para coleccionar que soletram MINIMARIO. Se as apanharmos todas, desbloqueamos um nível bónus nesse mundo. Para além disso temos o habitual boss que mais uma vez seguem as mecânicas do seu predecessor, onde temos um canhão e temos de disparar mini-marios de forma a causar dano ao Donkey Kong. Chegando ao fim destes 4 mundos temos apenas cerca de 40% de jogo completo. Somos convidados a rejogar esses 4 mundos através dos níveis “Plus”, que como devem calcular possuem um grau de dificuldade maior, até porque nesses níveis todos os mini-marios do ecrã começam a mexer-se em simultâneo, enquanto que nos outros podemos “acordá-los” quando bem quisermos. Depois temos o mundo “Rooftop” cujos níveis vão sendo desbloqueados à medida que vamos completando os níveis anteriores, bem como o “Basement”, estes sim, onde teremos de completar cada um dos níveis anteriores com uma estrela dourada.

Para além disso temos também um editor de níveis, onde vamos ganhando mais peças para juntar à medida em que vamos progredindo no jogo principal. Tal como o seu predecessor, também poderíamos partilhar as nossas criações na internet, mas sinceramente foi algo que nem cheguei a experimentar.

Eventualmente desbloqueamos os mini Toads, Peach e DK. Era bom que tivessem diferentes habilidades entre si, mas não é o caso.

No que diz respeito ao audiovisuais, não há muito a relatar, pois o jogo usa o mesmo motor gráfico da sua prequela, os visuais são muito similares e o mesmo pode ser dito das músicas que são os habituais (e agradáveis) remixes de músicas familiares do universo Nintendo.

Portanto este é mais um excelente jogo de puzzle e plataformas, para quem for fã da série já deve saber bem com o que contar aqui. O serviço DSiWare já há muito que foi descontinuado na Nintendo DS, mas creio que o jogo ainda está disponível na eShop para a Nintendo 3DS. Se estão interessados, fica a dica!

Mario vs. Donkey Kong 2: March of the Minis (Nintendo DS)

Vamos continuar pelas portáteis da Nintendo, desta vez com o Mario vs Donkey Kong 2, desenvolvido para a Nintendo DS. Esta série, que tem as suas origens no Donkey Kong da velhinha Gameboy, continua a explorar a rivalidade de Mario e Donkey Kong, algo que perdura desde o início da década de 80 com o jogo arcade de mesmo nome. É uma série que mistura de forma muito interessante os conceitos de plataforma e puzzle e aqui os Minis, que tinham sido introduzidos no jogo anterior para a GBA, ganham novamente papel de destaque. O meu exemplar foi comprado há coisa de 2 meses atrás, custando-me 7€ a um particular.

Jogo completo com manual e papelada

A história é uma vez mais muito simples, decorrendo na cerimónia de abertura do Mini-Mario Amusement Park, que conta com a presença de Pauline, a primeira “dama em apuros” da história da Nintendo. Acontece que Mario e Donkey Kong presenteiam Pauline com um brinquedo em miniatura da sua pessoa e Pauline acaba por escolher o brinquedo do Mario. Isto faz com que Donkey Kong se encha de ciúmes, pegue na Pauline e saia disparado a correr com ela às costas para o topo do edifício. Impossibilitado de ir atrás de Donkey Kong, Mario terá de controlar os seus mini-Marios à distância, atravessando 9 salas (níveis) por cada andar do prédio (mundos) até chegarmos ao topo e defrontarmos Donkey Kong pela última vez.

Desta vez não controlamos o Mario mas sim os seus bonecos apenas. Temos
é de os guiar como nos Lemmings para a saída do nível, podendo também manipular os cenários.

Portanto, ao contrário do jogo anterior onde controlávamos directamente Mario que tinha de salvar todos os mini-Marios e encaminhá-los à saída de cada nível, agora usamos o touch screen da Nintendo DS para controlar os mini-Marios espalhados em cada nível, bem como poderemos controlar alguns dos obstáculos como chamar elevadores, alterar a direcção em que correias automáticas circulam, entre outros. Antes de começarmos cada nível temos a liberdade de movimentar a câmara (com o D-Pad ou botões faciais) o tempo que quisermos, pois o jogo só começa a contabilizar o tempo do nível a partir do momento em que começamos a interagir com o cenário ou com algum mini-Mario. Com a stylus podemos controlar a direcção em que queremos que os mini-Marios andem, fazê-los saltar e/ou entrar em tubos, ou forçar a sua paragem, ao simplesmente tocar-lhes com a stylus.

A maioria dos bosses já tem mecânicas de jogo algo diferentes e que até me fazem lembrar jogos como Bust-A-Move

Claro que em cada nível temos inimigos e obstáculos que teremos de evitar para que todos os mini-marios sobrevivam, sendo que à medida que vamos progredindo no jogo, novos conceitos são-nos apresentados, como as superfícies magnetizadas, que deixam os bonecos caminharem sobre paredes ou tectos. O objectivo de cada nível é encaminhar cada mini-mario disponível no nível para a saída, sendo que no final a nossa performance é avaliada em vários factores, incluindo o tempo que demoramos a resolver o puzzle. Mas se quisermos completar o jogo a 100% temos de nos esforçar para ganhar uma medalha de ouro em cada nível. Para isso é necessário que: todos os mini-Marios cheguem à saída e com pouco tempo de disância entre cada um e que, pelo menos um dos mini-Marios nunca tenha sido parado por nós, ou seja, tenha estado sempre em movimento ao longo de todo o nível. Visto que teremos vários mini-Marios em cada nível para encaminhar, com muitos inimigos e obstáculos, e cada nível possui uma área de jogo maior que o ecrã da Nintendo DS, isto obriga-nos a reflexos rápidos e a um planeamento muito cuidadoso antes de iniciar cada nível.

Se ganharmos uma medalha de ouro em cada nível, no final do jogo desbloqueamos uma série de níveis adicionais. Para além disso, nos níveis normais temos também algumas letras para apanhar, que no final soletram a palavra MINIMARIO. Se as apanharmos todas em cada nível, nesse mundo desbloqueamos um nível de bónus que é uma espécie de “Wack-A-Mole” onde teremos de tocar com a stylus nos Shyguys que vão surgindo no ecrã. Depois lá enfrentamos o boss daquele mundo, que é naturalmente um confronto com o Donkey Kong. Aqui as mecânicas de jogo são algo diferentes, pois temos um canhão rotativo (que faz lembrar o Bust-A-Move) onde teremos de disparar os mini-Marios de forma a atingir o Donkey Kong uma série de vezes. Para além de tudo isto, temos ainda um modo de edição de níveis que sinceramente não cheguei a experimentar, mas aparentemente poderiam ser partilhados com amigos via online.

Temos também algumas pequenas cutscenes em CG que têm bastante qualidade para uma Nintendo DS.

Graficamente é um jogo colorido e com cenários 2D bem detalhados, como já estaríamos à espera num jogo Mario. Muitos dos mundos temáticos vão buscar influências às séries Mario e Donkey Kong, com as selvas, cavernas e castelos com lava que teremos de explorar, tendo ainda algumas secções novas como os níveis mais industriais. Ocasionalmente também temos algumas cutscenes em CG que possuem uma qualidade excelente para uma Nintendo DS. As músicas são igualmente agradáveis, sendo na sua maioria remixes de melodias bem conhecidas para os fãs da Nintendo.

Portanto no fim de contas esta é mais uma entrada sólida nesta série, que mistura muito bem os conceitos de platforming e de puzzle, obrigando-nos a pensar e ter reflexos rápidos, especialmente se quisermos ter o melhor resultado possível no final de cada nível. Mas este Mario vs Donkey Kong 2 não se ficou por aqui, pois pouco tempo depois tivemos, de forma exclusivamente digital, o Mario vs. Donkey Kong: Minis March Again! que por acaso foi dos primeiros jogos que experimentei na minha Nintendo DS. Mas isso será assunto para outro artigo a ser publicado em breve.

Castlevania Portrait of Ruin (Nintendo DS)

Portrait of Ruin é o segundo Castlevania para a Nintendo DS, que herda as mecânicas de jogo base introduzidas no Symphony of the Night, ou seja, misturando conceitos de action RPG com os de exploração e backtracking típicos de um Metroid. Mas ao contrário dos  últimos dois lançamentos da série (Aria of Sorrow e Dawn of Sorrow), o soul system foi descartado, dando origem a novas mecânicas de jogo. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi adquirido algures no verão de 2017, através de uma troca feita com um coleccionador privado.

Jogo completo com caixa e manual

Este jogo decorre algures na Europa no ano de 1944, ou seja, em plena Segunda Guerra Mundial. Acaba também por ser uma sequela directa do Castlevania The New Generation para a Mega Drive, pois um dos protagonistas é Jonathan Morris, filho de John Morris, um dos heróis desse jogo. A acompanhar Jonathan está a jovem Charlotte Aulin, especialista em magia. Ambos decidem explorar o castelo de Dracula, agora controlado pelo vampiro Brauner e suas filhas Stella e Loretta, que curiosamente não tentam ressuscitar o Drácula, mas sim herdar o seu poder.

Tal como no Dawn of Sorrow também temos uma ou outra cutscene em full motion video para ver

Ao contrário do Castlevania da Mega Drive, onde poderíamos controlar John Morris ou Eric Lecarde, aqui acabamos mesmo por controlar ambas as personagens em simultâneo, podendo alternar entre ambas livremente. Tal como referido acima, Charlotte é quem possui mais afinidade com magias, pelo que Jonathan acaba por ser a personagem mais forte em ataques físicos. Ao explorar o mapa poderemos encontrar itens que nos conferem habilidades para cada uma das personagens e que podem ser equipados livremente. Coisas como o duplo salto, ou a capacidade de nos transformarmos num animal como um sapo que se consegue esgueirar por espaços apertados, ou uma coruja que consegue voar livremente pelo mapa. Podemos também controlar cada personagem individualmente, algo que por vezes é necessário para resolver alguns puzzles. Para além disso, existem também habilidades como poderosos ataques conjuntos – as Dual Crush, ideais para “limpar” uma sala de inimigos, ou para causar dano considerável nalgum boss.

Os Dual Crushs são golpes poderosos, que usam uma grande parte da barra de magia, mas dão resultados

Outra novidade aqui implementada é o sistema de side quests que podemos cumprir, aumentando assim a longevidade do jogo. Para além disso, depois de terminar o jogo, e por terminar leia-se obter o final verdadeiro, teremos também modos de jogo adicionais para explorar. Um deles é o Sisters Mode, onde controlamos Stella e Loretta, servindo de prólogo à aventura principal. Aqui os controlos são diferentes, usando as capacidades de touch screen da DS para causar dano aos inimigos. Outros modos de jogo podem também ser desbloqueados como o Ritcher mode, onde controlamos  a dupla Ritcher Belmont e Maria Renard, uma vez mais com as suas habilidades a serem diferentes. Por fim, ou quase, podemos desbloquear também o Old Axe Armor mode, onde jogamos com o inimigo de mesmo nome.

Ainda na vertente single player podemos também experimentar o Boss Rush que, conforme o nome indica é uma prova de fogo, colocando-nos a enfrentar todos os bosses do jogo sequencialmente, sendo recompensados quanto mais rápido formos. No multiplayer, que sinceramente não testei, tínhamos o Shop Mode que nos permitia comprar/vender itens e um Co-Op mode. Este sim, muito mais interessante e era uma versão cooperativa para 2 jogadores do Boss Rush.

Como habitual, os bosses estão muito bons!

A nível de audiovisuais, esta é também uma entrada sólida na série Castlevania. O motor gráfico é o mesmo, pelo que esperem na mesma por cenários bem detalhados, assim como os inimigos embora as sprites sejam relativamente pequenas, o que é normal tendo em conta o hardware. Nota-se aqui e ali alguns gráficos poligonais, mas sinceramente prefiro que se mantenham pelas sprites em 2D. Para além do óptimo detalhe, há também uma maior variedade de cenários, pois uma das mecânicas chave do jogo é a de atravessar portais na forma de pinturas que nos levam para cenários inteiramente diferentes, como pirâmides egípcias ou cidades vitorianas. Por outro lado, embora ache os visuais muito bons, a escolha de arte acaba por mais uma vez recair numa vertente mais anime vulgar, ao contrário da arte mais sombria típica da série, entre o Symphony of the Night até ao Aria of Sorrow. No que diz respeito aos efeitos sonoros e música no geral, estes continuam excelentes, não tenho nada a apontar!

Devido ao sistema de portais, iremos explorar cenários inéditos na série, como pirâmides egípcias

No fim de contas este Castlevania é mais uma sólida entrada na franchise, que, pelo menos no seu modo de jogo principal, abandona alguns gimmicks que recorriam ao touch screen, tornando-se numa experiência mais tradicional. Introduz no entanto as mecânicas de alternar entre 2 personagens, bem como a de explorar cenários variados, pelo que acaba por se tornar também numa entrada refrescante na série.