Elite Beat Agents (Nintendo DS)

Confesso que não sou um grande fã de jogos de ritmo/musicais, mas este Elite Beat Agents é mesmo algo de especial. A sua origem está num jogo completamente japonês (Osu! Tatakae! Ouendan) mas cujo conceito pegou moda e a iNiS, em parceria com a Nintendo, decidiu refazer o jogo com temáticas mais ocidentais, surgindo este Elite Beat Agents. No entanto, continua um jogo muito anime e bastante cómico, pelo que também me acabou por agradar. O meu exemplar foi comprado no mês de Abril, na Porto Alternativo de Cabeceiras de Basto, custou-me 7.5€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Mas em que é que consiste este Elite Beat Agents afinal? Encarnamos num trio de 3 agentes especiais, os tais Elite Beat Agents, cujas missões consistem em incentivar pessoas a ultrapassar as suas adversidades com as nossas coreografias. Sim, isto é tudo muito bizarro e é isso que torna o jogo especial. Logo na primeira missão temos uma jovem adolescente que se preparava para pedir ao seu namorado para avançar a sua relação para o próximo nível, quando surge uma vizinha que lhe pede para tomar conta das suas 3 pestinhas, não lhe dando qualquer hipótese de recusa. Como Elite Beat Agents temos de os motivar a ultrapassar os obstáculos e acalmar os diabretes, ao dançar ao som de algumas músicas pop/rock. Outras missões são ainda mais bizarras, como motivar o Leonardo da Vinci a convencer a Mona Lisa a deixar pintar o seu retrato, ou um pobre taxista que gosta de meter o prego a fundo nas suas viagens, que após ter sido avisado pela polícia que o prenderiam se o apanhassem em excesso de velocidade mais uma vez… e entra uma grávida no taxi que o obriga a carregar no pedal!

Temos um mapa mundo para explorar, de onde podemos escolher qual missão podemos jogar.

A nível de jogabilidade, as mecânicas de jogo são relativamente simples na sua essência. À medida que as músicas vão tocando, temos de ajudar os Elite Beat Agents a fazerem as suas coreografias sem cometer grandes erros. E isso traduz-se nos círculos coloridos e numerados que vão aparecendo no ecrã, sendo que os temos de tocar com a stylus pela sua ordem numérica e, acima de tudo, no momento certo para não se quebrar o ritmo. Para além disso por vezes aparecem algumas linhas coloridas que temos de as contornar de uma ponta à outra, uma vez mais respeitando o ritmo. Mas se por um lado é relativamente simples perceber qual o ritmo que temos de respeitar ao tocar nos círulos numerados, até porque estes são rodeadas de outras circunferências que vão diminuindo de tamanho, sendo que o momento certo para as atingir é quando essa circunferência exterior toca no círculo. As linhas também devem ser preenchidas com uma certa velocidade, mas sinceramente nunca consegui perceber ao certo qual a velocidade ideal em cada música. Estes círculos e linhas que temos de tocar ou preencher servem para fazer alguns combos e, quanto melhor a nossa performance, mais pontos conseguimos amealhar. Para além disso por vezes aparece uma espécie de roleta que temos de rodopiar bem rápido durante alguns segundos, mas estas já não têm muito que saber.

O jogo é extremamente bem humorado com as suas histórias bizarras

À medida que vamos jogando cada capítulo, a nossa performance, se for boa, não só nos serve para amealhar mais pontos, mas também para definir qual o “final” da história de cada capítulo. Tipicamente temos 3 sequências musicais dentro de cada capítulo, sendo que cada uma representa um desafio diferente da história que estamos a acompanhar. Por exemplo, no caso da babysitter, cada cutscene envolve uma das 3 crianças e o que o jovem casal de namorados tenta fazer para os acalmar. Se ultrapassarmos os 3 desafios, a história desse capítulo termina da melhor forma. Se só conseguirmos ultrapassar pelo menos um desafio, o final é assim-assim. Se não conseguirmos ultrapassar nenhum, temos um falhanço no final. Para além disso, ao longo de cada capítulo, temos também uma espécie de barra de energia a ter em conta, que está dividida entre a cor amarela e vermelha. Enquanto vamos acertando nas “notas” e ritmos e fazendo alguns combos, o medidor vai-se mantendo na zona amarela, o que é bom. Mas ao meter água, rapidamente podemos baixar para a zona vermelha e se “esvaziarmos” essa barra, terminamos o capítulo mais cedo e somos convidados a tentar novamente noutra oportunidade. De resto, e ainda na jogabilidade, supostamente tínhamos aqui vários modos multiplayer, tanto competitivos como cooperativos mas não os cheguei a experimentar.

Os números dizem-nos a ordem pela qual devemos interagir com o que nos aparece no ecrã. As circunferências exteriores dizem-nos quando

No que diz respeito aos audiovisuais, esse é sem dúvida um dos pontos mais fortes deste jogo. As suas cutscenes, especialmente as de introdução a um novo capítulo/missão são bastante cómicas (excepto numa missão onde que envolve uma promessa que um pai fez à sua pequena filha). Todas as personagens possuem um quê de cómico e percebe-se bem o porquê do jogo ter feito furor. Quando a acção começa mesmo, os ecrãs da DS dividem-se. No ecrã inferior, é onde estão os Elite Beat Agents a fazerem as suas coreografias e vão surgindo no ecrã os círculos e linhas com que temos de interagir. Ao mesmo tempo, no ecrã superior, vemos os protagonistas de cada missão a fazer parvoíces, o que pode ser (e é!) bastante distractivo. Entre cada desafio há mesmo uma pausa na acção no ecrã inferior, com a história a desenrolar-se no ecrã superior e segundos antes de termos de voltar à acção, surgem no ecrã superior umas setinhas a chamar-nos a atenção que o desafio vai recomeçar. No que diz respeito às músicas, estas são uma mistura entre temas de pop e rock de bandas e artistas conhecidos, mas tocados/cantados por outros protagonistas. Aposto que foi ideia da Nintendo para não ter de pagar mais royalties.

Mas a banda sonora em si possui temas de David Bowie, Jamiroquai, Avril Lavigne, Sum 41, e outros artistas mais de rock clássico que pessoalmente me agradam mais, como é o caso dos Roling Stones ou os Deep Purple (nunca imaginei a Highway Star a ser coreografada). Mesmo não sendo as versões originais, as covers são bem interpretadas e na maior parte das vezes os ritmos que somos levados a seguir adequam-se bem às músicas que vamos ouvindo.

Por vezes o ecrã de cima é algo distractivo pela parvoíce que se vai passando

Portanto, no final de contas devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este Elite Beat Agents. É sem dúvida um jogo muito bem humorado e as suas mecânicas de jogo adequam-se perfeitamente à Nintendo DS. É um jogo que possui um pequeno culto de fãs à sua volta e sinceramente não se percebe muito bem como não saiu mais nenhuma sequela para a Nintendo 3DS, apenas o Japão acabou por receber um Oendan 2, que é um jogo um pouco diferente, e ainda para a Nintendo DS.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em DS, Nintendo com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.