Human Sports Festival (PC Engine CD)

Vamos voltar à PC Engine CD para mais uma rapidinha a um jogo de desporto, o que neste caso até é a uma compilação. E como irei mencionar em seguida, esta até é uma compilação curiosa na medida em que traz duas versões modificadas de jogos que já haviam sido lançados antes na PC Engine, e um jogo inteiramente novo. O meu exemplar foi comprado num lote algures em Outubro de 2022 a um particular por um preço bastante razoável.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Antes de abordar cada um dos jogos em si, convém também referir como os mesmos nos são apresentados nesta compilação. Depois de uma pequena cut-scene introdutória, somos levados para o ecrã título. Ao pressionar no run somos levados a um outro ecrã, com uma menina em estilo anime a falar em japonês connosco. O que diz? Presumo que seja alguma introdução à compilação em si. Depois desse discurso lá podemos escolher jogar o Fine Shot Golf (o tal único jogo inteiramente novo desta compilação), Formation Soccer: Human Cup ’92 ou Final Match Tennis Ladies. Escolhendo cada um destes leva-nos a outro ecrã com outra menina anime a falar e onde poderemos escolher finalmente jogar esse jogo, ver algumas instruções ou dicas de como jogar o mesmo (embora esteja tudo em japonês) ou voltar atrás. No menu inicial podemos também aceder a uma secção “Human Information” com mais texto (em japonês) sobre alguns lançamentos adicionais da Human para os sistemas PC Engine.

Cada jogo desta compilação é precedido por uma apresentação em voz do mesmo (inteiramente em japonês)

Começando então pelo Fine Shot Golf, temos aqui vários modos de jogo: stroke, match, tournament e um modo de treino onde poderemos practicar cada um dos 18 buracos ou jogadas específicas. No que diz respeito à jogabilidade, antes de cada tacada podemos escolher que taco usar, definir a direcção da mesma, em seguida a postura e depois lá teremos de definir a potência e precisão. Temos na mesma o habitual medidor de potência, mas as coisas são um pouco diferentes desta vez. Basicamente podemos ajustar alguns dos níveis do medidor, começando por mover a linha de baixo, que está nativamente no “ponto rebuçado”, ou seja, uma tacada sem efeitos de spin na bola. Em seguida definimos a potência, que pode vir de um máximo de 120 até ao zero. Uma vez definidos os limites, o cursor começa então a descer, desde a potência indicada, até ao limite que definimos em baixo e aí teremos na mesma de ter a precisão necessária para acertar na bola no limite definido. Ou seja, a potência fica definida para o limite superior, já o inferior podemos ter uma referência caso queiramos ter mais ou menos spin na bola.

Um jogo de golf bem interessante!

A nível visual este jogo está bem conseguido, sendo que apesar de não ter gráficos incríveis, são bem coloridos e temos toda a informação disponível no ecrã, desde indicação do vento, distância ao buraco, e um mapa detalhado do buraco na parte esquerda do ecrã. Um detalhe interessante é no caso dos buracos com corpos de água, ocasionalmente vemos no seu reflexo as nuvens do céu. Nada de especial a apontar aos efeitos de som e as ocasionais vozes em japonês. As músicas são agradáveis mas nada de especial, fazem mesmo lembrar música de elevador. Mas sim, este é de longe o jogo graficamente mais polido aqui presente nesta compilação.

Este Formation Soccer é exactamente o mesmo que o seu predecessor, excepto nas equipas disponíveis

Seguimos então para o Formation Soccer: Human Cup ’92, que é nada mais nada menos que uma nova versão do Formation Soccer: Human Cup ’90 que já cá trouxe no passado. É literamente o mesmo jogo (sim, com todos os defeitos), mas com um leque de 16 equipas nacionais diferentes (incluindo a Alemanha ocidental, que nesta altura há muito que já tinha sido unificada).

O Final Match Tennis Ladies é a mesma coisa que o Final Match Tennis mas apenas com tenistas femininas.

O último jogo desta compilação é então o Final Match Tennis Ladies. Mais um relançamento de um jogo da Human (Final Match Tennis) mas com apenas tenistas femininas como protagonistas. O jogo em si permite-nos competir em partidas de 1 para 1 ou 2 para 2, seja com multiplayer com até um máximo de 4 jogadores. No que diz respeito aos modos de jogo temos o Exhibition (partida amigável) ou World Tour, que nos levará a participar numa série de torneios. O lançamento original trazia também um modo de treino que nesta versão está oculto e apenas acessível através de um código de batota que nos obriga a ter um multi-tap que suporte 5 jogadores. É um jogo de ténis bastante jogável e competente nos seus controlos, pelo que um dia tentarei fazer-lhe uma análise um pouco mais aprofundada, assim que comprar o Final Match Tennis original, quando me aparecer a um preço baixo. Um outro detalhe interessante a referir aqui é que existe um patch de tradução para inglês apenas deste jogo, que requer uma rom PCE extraída a partir da ISO deste CD.

Portanto esta é uma compilação algo estranha. Isto porque apenas um dos jogos aqui incluídos é verdadeiramente original, o Fine Shot Golf. Os restantes dois são ligeiras modificações de jogos que a Human já havia lançado antes. Talvez a Human quisesse dar a impressão de serem jogos novos e assim puxar um pouco mais no preço desta compilação? Ao menos o Fine Shot Golf é bastante competente e tira bem partido das capacidades CD. Os restantes dois jogos são Hucard, tanto que existem ROMs a circular dos mesmos a funcionar nesse formato.

Winds of Thunder (PC Engine CD)

Vamos voltar à PC Engine CD para um dos imensos shmups que fazem parte da biblioteca destes ecossistema da NEC/Hudson, embora este seja possivelmente um dos melhores. É uma espécie de sequela do Gate of Thunder, pois ambos foram desenvolvidos pela mesma equipa da Red e são ambos shmups horizontais. É também conhecido por Lords of Thunder, nome do seu lançamento ocidental da Turbo CD e também na Mega CD, embora essa versão seja um pouco diferente. O meu exemplar foi comprado a um particular na vinted algures no passado mês de Dezembro. Não é um jogo barato infelizmente, mas como tinha lá algum saldo disponível na plataforma, o rombo nas finanças não foi grande.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Ao contrário do Gate of Thunder que tinha uma temática de ficção científica, aqui somos transportados para um mundo fantasioso, onde controlamos Landis, um guerreiro super poderoso que pretende travar o regresso de Zaggart, uma criatura demoníaca que outrora havia conquistado aquele mundo. Na verdade a história não interssa muito neste tipo de jogos, o que não podia ser mais verdade no caso deste Winds/Lords of Thunder, mal começamos a jogar!

Ao contrário do seu predecessor, este título segue uma temática de fantasia que sinceramente acaba por resultar muito bem

A nível de controlos as coisas não poderiam ser mais simples com um dos botões faciais a ser usado para disparar a nossa arma primária e o outro para usar as bombas capazes de causar dano em vários inimigos em simultâneo. E a primeira coisa que reparamos é que antes de começar o jogo podemos escolher não só o nível onde queremos começar, mas também que armadura queremos equipar. Pois sim, podemos jogar os 6 níveis iniciais pela ordem pela qual bem entendermos, com o último nível a ser desbloqueados apenas quando terminarmos todos os restantes. As armaduras vêm nos sabores dos quatro elementos (Água, Fogo, Ar e Terra) onde mediante a nossa escolha os padrões de disparo e as bombas são completamente diferentes. Para além disto, Landis está também munido de uma poderosa espada, que é usada automaticamente quando atacamos muito próximo de algum inimigo. A espada é sem dúvida bem mais poderosa que as nossas armas, mas para a usar temos de nos colocar em risco devido ao seu curto alcance.

O jogo é completamente não linear, deixando-nos jogar os níveis pela ordem que bem entendermos, excepto o último que apenas fica disponível assim que completarmos todos os outros.

Como é normal neste tipo de jogos, à medida que vamos jogando podemos também apanhar toda uma série de power ups ao destruir inimigos. Os mais comuns são cristais coloridos que servem de unidade monetária. Isto porque antes de começar cada nível, para além de escolher a armadura a equipar, somos também levados para uma loja onde poderemos utilizar esses créditos para comprar itens adicionais desde escudos que nos protejam de dano, bombas extra, continues ou regenerar as nossas barras de vida e “poder”. Se bem que estes últimos são também itens que podem surgir normalmente durante o jogo e convém também referir que quanto maior a nossa barra de poder, mais poderosos serão os nossos ataques! Isto torna as armaduras de água e fogo especialmente poderosas, na minha opinião. Por exemplo, a de água é a única que nos permite disparar em simultâneo para a esquerda e direita!

Antes de cada nível podemos também comprar uma série de power ups, pelo que ir matando inimigos e apanhar os cristais coloridos que largam é importante!

Já no que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo excelente. Os cenários são bastante diversificados entre si, atravessando florestas, cavernas, zonas repletas de gelo, castelos, etc. E mesmo durante cada nível há sempre coisas interessantes a acontecer, sejam os cenários a mudar, seja algum obstáculo ou inimigo algo surpreendente a surgir do nada. E graficamente é também um óptimo jogo, com os níveis muito bem detalhados, repletos de bonitos efeitos gráficos como parallax scrolling e claro, bosses gigantes e com um design artístico fantástico. A acompanhar toda esta acção está uma das melhores bandas sonoras de sempre. Sim, são guitarradas de heavy metal, com riffs e solos bem orelhudos! Se conhecem as bandas sonoras da série Guilty Gear esperem pelo mesmo estilo e nível de qualidade neste jogo! E claro, sendo este um jogo em CD, as músicas são todas em CD Audio. Para além disso ocasionalmente temos algumas cut-scenes muito bem detalhadas e animadas, sob a pena de a versão ocidental deste jogo ter cortado os seus diálogos.

O que dizer do design dos bosses? São excelentes!

Portanto este Winds/Lords of Thunder é um excelente shmup na biblioteca da PC Engine. A sua acção frenética, aliada a uma boa jogabilidade, excelentes gráficos e uma banda sonora de bradar aos céus tornam este jogo um grande clássico. Em 1995 acaba por sair uma conversão para a Mega CD que traz algumas diferenças a nível gráfico e de jogabilidade, embora seja também uma óptima versão. A grande diferença da versão Mega CD é a banda sonora ter sido toda regravada e bem mais produzida, soando agora bem mais limpa. As músicas são as mesmas, mas na PC Engine o som é bem mais cru.

Galaxy Fräulein Yuna (PC Engine CD)

Continuando por exclusivos nipónicos, vamos agora voltar à PC Engine CD para um jogo da Hudson e Red que tira todo o partido das capacidades deste sistema, em particular da memória extra que a tecnologia Super CD-ROM² inclui. É que este é uma aventura gráfica / visual novel repleta de vozes, animações e gráficos coloridos e bem detalhados. Para um lançamento de 1992 é impressionante e sim, felizmente existe uma tradução feita por fãs que eu aproveitei. O meu exemplar foi comprado na vinted a um particular algures em Janeiro de 2022, já não me recordo quanto custou ao certo, mas foi barato.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

A história leva-nos a controlar a jovem Yuna Kagurazaka, que havia recentemente vencido um concurso de “beleza galáctica” ou algo do género, tornando-se então bastante popular pelo universo fora. A certa altura Yuna é visitada por Elner, um pequeno robot algo semelhante a uma fada que lhe diz que ela é a salvadora do Universo, que estava prestes a ser invadido pelas forças das trevas. Elner confere-lhe também alguns poderes e uma armadura toda sci-fi, pelo que lá teremos então de salvar o universo. E por salvar o universo entenda-se explorar vários planetas e combater várias outras adolescentes da mesma idade da Yuna que teriam sido corrompidas pelos poderes das trevas.

Esta é uma visual novel / aventura bastante simples na sua história e exploração

O jogo é então, na sua maioria, uma aventura gráfica / visual novel, onde, tal como em títulos como o Snatcher, vamos poder explorar vários locais e interagir com diversas pessoas com base num menu com várias acções que poderemos tomar em cada situação. Tipicamente essas resumem-se a “observar”, “falar” ou “mover”, se bem que em situações específicas vamos tendo outras acções que poderemos tomar. É uma aventura simples onde muitas vezes apenas conseguimos avançar para o ecrã seguinte enquanto não exaustamos todas as opções. Mas para além da exploração vamos tendo toda uma série de combates contra as restantes fraulein. E estes combates são travados como se um RPG por turnos se tratasse, onde poderemos atacar de diversas formas (incluindo através do insulto!) ou defender entre turnos. Tipicamente os nossos ataques causam sempre mais dano que os dos nossos oponentes, portanto creio que seja difícil perder esses combates também.

Para além de todo o texto, vamos tendo algumas batalhas por turnos que mais parecem um anime!

Mas onde o jogo impressiona mesmo é na sua qualidade visual. Isto porque o mesmo está repleto de cutscenes animadas e diálogos com vozes, para além de termos a possibilidade de visitar diversos planetas bastante distintos entre si, o que resulta numa grande variedade de cenários que nos são apresentados. Até tem uma cut-scene de abertura como se um anime se tratasse! As batalhas também são graficamente bem animadas e detalhadas e não posso deixar de dar os meus parabéns à equipa que trabalhou na tradução não oficial deste jogo. Isto porque o jogo possui imensas cut-scenes com voz apenas (sem legendas) e tendo em conta as limitações técnicas da PC Engine, conseguir fazer um hack para adicionar legendas nesses trechos é um feito que não está ao nível de muitos. De resto, nada de especial a apontar às vozes que me parecem bem competentes para um jogo de 1992. A banda sonora é também composta de vários temas agradáveis e, como o jogo tem imensos clipes de voz, a maior parte da banda sonora é composta por músicas chiptune para economizar espaço no CD. A PC Engine tem um bom chip de som, portanto nada se perdeu!

O jogo está repleto de cutscenes muito bem detalhadas e que foram cuidadosamente traduzidas, com legendas adicionadas

Portanto este primeiro Yuna é um título que apesar de ser bastante simples na sua história e mecânicas de jogo, não deixou de ser bastante agradável de se jogar, quanto mais não seja por todos os “luxos” que o mesmo tem na sua apresentação. Apesar deste Yuna ter sido uma propriedade intelectual criada especialmente pensada para videojogos, ainda teve um sucesso considerável no Japão, com várias sequelas e relançamentos a surgirem para diversos sistemas, assim como animes ou CDs de música. O Galaxy Fraulein Yuna foi traduzido para inglês pela mesma equipa e planeio jogá-lo em breve!

Energy (PC Engine)

Vamos voltar à PC Engine para um jogo que não é lá muito bom mas que recebeu recentemente um patch de tradução desenvolvido por fãs e onde para além de terem traduzido o texto do jogo para inglês, fizeram também algumas pequenas melhorias ao jogo em si, o que é sempre interessante. Uma das pessoas envolvidas nesse projecto traduziu também o Honey in the Sky que é mais um exemplo de um patch de tradução com melhorias na jogabilidade. O meu exemplar foi comprado num lote a um particular algures em Julho deste ano. Foi um jogo barato, mas como eu já tinha comprado vários jogos de PC-Engine/Turbografx à mesma pessoa, o vendedor lá me decidiu antes oferecer um exemplar selado em vez do usado que eu tinha escolhido inicialmente.

Jogo com caixa, manual embutido com a capa e papelada

O jogo em si é francamente mau e repleto de problemas. Foi uma conversão de um título lançado originalmente em PCs nipónicos da família PC-88 e que até tinha algumas influências de Metroid, na medida em que precisávamos de revisitar áreas antigas depois de apanhar alguns itens que nos permitissem avançar mais no jogo. Não sei se o original PC-88 teria algum problema, mas algo terá corrido muito mal na conversão deste jogo para a PC Engine… logo a começar pela sua cut-scene inicial que demora imenso tempo a transitar entre ecrãs e não pode de forma alguma ser avançada. Tendo em conta que o jogo possui apenas uma vida, zero continues e sem qualquer forma de gravar o nosso progresso, se perdermos lá teremos de a ver novamente. Uma das melhorias do patch de tradução é precisamente tornar essa cut-scene mais rápida e a mesma a poder ser avançada livremente. A história? Essa coloca-nos no papel de uma espécie de super herói com poderes psíquicos e que travará uma luta contra um exército de mutantes/extraterrestres que invadiu e destruiu a cidade de Tóquio.

Na versão original temos de esperar imenso tempo que os diálogos da cut-scene inicial avancem. Tendo em conta que o jogo não tem vidas extra nem continues, quando perdemos teremos de ver tudo novamente.

Os controlos seriam consideravelmente simples também, tendo em conta que o direccional controla a nossa personagem, um botão salta e o outro ataca. Mas se saltarem e atacarem em pleno ar vão ver que o movimento dos saltos dá ali uma travadinha sempre que o fazemos, o jogo não tem qualquer animação da personagem parada, pelo que imaginem que se começamos a andar da esquerda para a direita e pararmos o movimento, é possível que o nosso boneco fique com as pernas abertas no ecrã, como se estivesse a correr. São pequenos detalhes como este que dá para ver a pouca qualidade que o jogo tem. Tendo em conta que foi um lançamento originalmente lançado em computadores nipónicos de 8bit, o jogo não tem scrolling, com os ecrãs a transitarem entre si sempre que cheguemos à sua extremidade. No entanto essa transição é também incrivelmente lenta! Alguns destes problemas como o scrolling entre ecrãs acabaram por ser corrigidos no patch de tradução, mas outros como as portas demorarem eternamente a destrancar ou o movimento algo errático da nossa personagem permaneceram inalterados infelizmente.

Os inimigos surgem muitas vezes em locais inapropriados, pelo que sofrer dano é uma constante

Tal como referi acima, o jogo tem alguns elementos de metroidvania e até um pouco de RPG, na medida em que muitas vezes teremos de interagir com NPCs que nos vão recompensando com alguns itens, habilidades ou power ups que nos permitirão avançar no jogo. Muitos desses podem ser seleccionados no ecrã de inventário e alguns itens, como os diferentes upgrades dos nossos ataques podem ser utilizados directamente, outros para serem activados obrigam-nos a usar ambos os botões faciais em simultâneo. De resto este é um jogo bastante desafiante pois temos apenas uma vida, nenhuma maneira de gravar o nosso progresso do jogo e é muito fácil sofrer dano. Isto porque muitas vezes os inimigos fazem respawn no mesmo local onde estamos e o facto de os saltos não serem grande coisa também não ajuda. Um outro bug incrivelmente irritante é o facto de os bosses continuarem a atacar-nos por alguns longos segundos mesmo depois de terem sido derrotados! Não é por acaso que o jogo tem má fama.

Existem salas onde somos obrigados a derrotar todos os inimigos no ecrã para avançar. A parte chata é que as portas apenas se abrem vários segundos depois de limparmos o ecrã

A nível audiovisual as coisas não ficam muito melhores pois é um jogo sem grande detalhe gráfico. A Master System tem jogos similares bem mais conseguidos nesse departamento, como por exemplo o Psychic World, mas por outro lado a música até que é bastante boa!

Portanto estamos aqui perante um jogo que é francamente mau devido a todos os problemas na jogabilidade que esta versão PC Engine introduz. O patch de tradução ainda dá alguma ajuda a resolver alguns destes problemas, mas nem todos. Ainda assim, se todos esses bugs fossem resolvidos o resultado final seria na mesma um jogo algo mediano, para ser sincero e precisei de recorrer algumas vezes a um walkthrough para entender o que era suposto fazer a seguir.

Cotton: Fantastic Night Dreams (PC Engine CD)

Vamos agora voltar à PC Engine CD para mais um dos muitos shmups da biblioteca destes sistemas da NEC/Hudson, nomeadamente para este Cotton: Fantastic Night Dreams que acaba também por ser o primeiro jogo da série Cotton, conhecida pelos seus shmups do estilo “cute ‘em up“, devido às suas personagens serem tipicamente “fofinhas”. O meu exemplar veio de um lote que comprei a um particular algures no final de 2021. Foi um lote carote, mas todo ele com bons jogos de PC Engine, tendo-me ficado cada um a 60€. No caso deste Cotton, era um óptimo preço!

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

A história leva-nos a controlar uma bruxa muito gulosa chamada Cotton que acaba por encontrar uma fada algures numa floresta. Ora esta fada precisa de alguém que salve o seu reino que foi invadido por forças do mal, mas a Cotton não está muito interessada em ajudar-lhe. Isto pelo menos até a fada lhe dizer que poderá ter um doce gigante de recompensa e Cotton já nem precisa de ouvir mais nada! A história é simples, mas tem a vantagem de ser acompanhada por algumas cut-scenes interessantes e bem detalhadas entre os níveis!

Cotton é um jogo bem desafiante. Este nível em particular é de arrancar cabelos com tanta coisa no ecrã

A jogabilidade é algo complexa neste jogo, mas vamos começar pelos controlos que são consideravelmente simples: o botão II serve para disparar os projécteis principais, enquanto que o botão I serve para disparar bombas para o solo. Tipicamente temos sempre pelo menos uma fada que nos acompanha (servindo de satélite/option) e que nos dá algum poder de fogo adicional, mas mantendo o botão I pressionado faz com que mandemos as fadas para a frente para causar dano nalgum inimigo (um pouco como no R-Type e o seu satélite). Por outro lado, se mantivermos o botão II pressionado poderemos lançar um ataque mágico, se tivermos “munições” – cristais mágicos – para tal. Pressionando os botões I e II em simultâneo também nos permite usar uma manobra defensiva que gasta magia.

Os bosses tipicamente são grandes e bem detalhados

Para além de imensos inimigos que teremos de destruir, vamos ter também vários power ups que poderemos apanhar. Os mais comuns são os cristais coloridos que vão surgindo em vários tamanhos. Mas tal como no Twinbee, estes podem ser disparados consecutivamente fazendo com que os mesmos mudem de cor e mediante a cor com que os apanhemos dão-nos diferentes recompensas. Por exemplo, vermelhos ou azuis dão-nos cristais mágicos para as habilidades especiais, sendo que a cor corresponde a ataques de fogo ou electricidade. Os cristais amarelos aumentam-nos principalmente a pontuação, enquanto que os laranja nos dão mais pontos de experiência. Sim, pontos de experiência que eventualmente fazem com que Cotton suba de nível e os seus ataques normais causem mais dano. Para além dos cristais podemos também apanhar itens que nos melhorem o poder de fogo das nossas bombas, assim como fadas extra. De resto este é um jogo bem desafiante pela quantidade de inimigos e projécteis que por vezes teremos de enfrentar. E claro, perder uma vida faz com que percamos todos os upgrades das bombas e alguma da experiência que tenhamos eventualmente amealhado, o que torna todo o processo de voltar a evoluir a Cotton bastante demorado. Abençoados save states! E convém também mencionar que o jogo dá uma de Ghouls ‘n Ghosts pois obriga-nos a jogá-lo uma vez mais numa dificuldade ainda mais elevada para alcançar o final verdadeiro (entenda-se, ver créditos).

Entre níveis vamos tendo acesso a algumas cut-scenes bem humoradas e bem detalhadas. A versão japonesa tem voice acting e dá para colocar as legendas em inglês também!

Já no que diz respeito aos audiovisuais este até que é um jogo interessante, mas por vezes algo inconsistente. Gosto do facto de apesar deste ser primariamente um shmup horizontal, por vezes temos segmentos com scrolling vertical ou até diagonal! Os inimigos são engraçados, apesar de não terem tanto detalhe quanto isso. Já os cenários vão sendo bastante distintos entre si, atravessando florestas, montanhas, cavernas e castelos, mas se por um lado ocasionalmente temos alguns bonitos efeitos gráficos ou parallax scrolling (que no caso da PC Engine é sempre impressionante visto o sistema não os suportar nativamente), outras vezes vamos tendo vários segmentos que acabam por ser bastante simples a nível de detalhe. E entre níveis vamos tendo direito a várias cut-scenes algo cómicas e bem animadas que vão avançando com a história. A música é toda ela em formato CD Audio e apesar dos seus temas algo festivos, é agradável de se ouvir. Existem no entanto algumas diferenças entre a versão PC Engine CD e a Turbo CD (norte-americana), pois nesta versão japonesa todas as cut-scenes são narradas com voz, enquanto que na versão norte-americana isso não acontece. No entanto esta versão japonesa possui linguagem em inglês que pode ser alterada nas opções, sendo por isso, a meu ver, a melhor versão!

No final de cada nível podemos amealhar mais uns quantos pontos. E quantos mais pontos, mais vidas extra podemos ganhar!

Portanto estamos aqui perante um agradável, porém bastante desafiante shmup que possui algumas mecânicas de jogo interessantes, embora penalizem bastante o jogador quando este perde alguma vida. Esta é no entanto uma sólida conversão do original arcade de 1991, que acaba também por receber conversões para sistemas como o X68000 (que presumo que seja arcade perfect) e a própria Playstation, já em 1999. Curiosamente existe também uma adaptação para a Neo Geo Pocket Color, embora com muito menos detalhe como seria de esperar. Mais recentemente um remake intitulado de Cotton Reboot acabou por ser lançado para os sistemas modernos, com alguns lançamentos físicos também.