Metroid Prime (Nintendo Gamecube)

Metroid Prime

O jogo que trago cá hoje é um dos meus preferidos da geração passada e como tal requer um escrita bem cuidada. Juntamente de The Legend of Zelda, Metroid é a minha série preferida da Nintendo, se bem que nem sempre a série mereceu toda a atenção por parte da Big N. Por exemplo, em 2011 a série fez 25 anos juntamente de Zelda e o acontecimento passou completamente em branco, algo que não aconteceu com Zelda e Mario um ou outro ano antes. Após o brilhante sidescroller Super Metroid lançado para a SNES em 1994, a série entrou num período de dormência durante 8 anos até que em 2002 sairam 2 jogos diferentes para as consolas da Nintendo da época: Metroid Fusion – um sidescroller clássico para a Gameboy Advance e Metroid Prime, um Metroid completamente inovador para a séria, totalmente em 3D e jogado na primeira pessoa. A minha cópia foi comprada no lançamento do jogo em solo europeu, algures em Março de 2003, tendo-me custado na altura algo em torno de 60€. Foi dos poucos jogos desde a geração passada que comprei a full-price, mas valeu cada cêntimo.

Metroid Prime GCN
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

A empresa por detrás desta obra prima era o então desconhecido estúdio Retro Studios, formado por ex funcionários da Iguana Entertainment em exclusivo para desenvolver software para a Nintendo. A Retro Studios estava inicialmente a trabalhar em 4 jogos para a GameCube, jogos esses que não despertaram muito interesse da Nintendo. Após verem uma demo de um possível first person shooter que o estúdio estava a desenvolver, a ideia de entregar a franchise Metroid a um estúdio estrangeiro como a Retro e logo em transformar um Metroid num jogo 3D e jogado em primeira pessoa partiu da própria Nintendo. E que bela decisão que tomaram! Infelizmente as deadlines impostas pela Nintendo para a conclusão do projecto levaram ao cancelamento dos outros projectos da Retro Studios da altura, entre os quais o Raven Blade que me pareceu estar muito interessante. Esta nova abordagem à série Metroid chocou muitos fãs e impressionou outros tantos. Eu fui dos que ficaram bastante impressionados quando vi as imagens do jogo pela primeira vez, algures em 2000/2002. A beleza do jogo e dos cenários impressionaram-me imenso.

A história do jogo decorre após os acontecimentos do primeiro jogo da série, com Samus Aran a percorrer o espaço e receber um pedido de socorro vindo de uma estação espacial dos vilões Space Pirates, situada em órbita do planeta Tallon IV. Chegando lá, a Samus toda equipada com o seu arsenal, armadura e gadgets, descobre que a estação espacial servia de centro de investigação biológica, com os próprios space pirates a serem vítimas das suas próprias criações. Após um combate com o primeiro boss, a estação espacial está prestes a ser destruída e Samus acaba por perder todos os seus upgrades e segue para a superfície de Tallon IV para desvendar os seus mistérios e o que raio os Space Pirates lá andam a fazer. E assim começa mais uma aventura épica na saga Metroid.

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Samus vai à neve

A jogabilidade é bastante intuitiva. O jogo decorre numa perspectiva de primeira pessoa, com a disposição de botões um pouco diferente dos FPS da época. Temos o analógico esquerdo para controlar o movimento de Samus Aran, botão A para disparar, e os botões faciais restantes para saltar, transformar em morph ball, etc. Para se mirar, ao invés de se utilizar o segundo  analógico, é utilizado o botão R em conjunto com o analógico esquerdo. Obviamente que isso dificultaria a possibilidade de se movimentar e mirar ao mesmo tempo, mas com o botão L podemos fazer lock-on aos inimigos, facilitando e muito a vida. Ainda assim, mesmo com lock-on, não temos a vida totalmente facilitada pois há inimigos em que temos de lhes procurar os seus pontos fracos, não basta disparar à toa. Outra das grandes novidades neste Metroid Prime são os diferentes visores que podemos utilizar. Para além do visor normal, mais tarde poderemos encontrar um visor térmico e de raios-x, para melhor visualizar alguns inimigos ou detalhes que de outra forma não os conseguiríamos ver. Para além desses existe também o scan visor que nos permite adquirir informações dos inimigos, logs dos Space Pirates ou dos antigos Chozo. À medida que o jogo se vai desenrolando vamos obtendo cada vez mais power-ups, bem como novas armas e armaduras. O que é realmente impressionante é que mesmo numa perspectiva 3D e em primeira-pessoa conseguiram manter todas as essências originais dos Metroid em sidescroller, sejam os ambientes inóspitos e o sentimento de solidão, seja pelo elevado nível de exploração e backtracking, com imensos power-ups escondidos pelo mundo dentro, bem como elementos de jogos de plataformas. Tal como nos jogos anteriores, aqui não há o conceito de “níveis”. Neste jogo temos vastas áreas do planeta Tallon IV para explorarmos livremente, embora várias dessas áreas apenas lhes conseguiremos aceder mais tarde, com os items certos, e após derrotar um ou outro boss. Há bosses em Metroid Prime, vários, e são sem dúvida o melhor desafio do jogo.

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Os loadings são practicamente inexistentes, sendo inteligentemente mascarados com a abertura das portas

Graficamente o jogo está muito bem conseguido. Para um produto de 2002/2003 não havia nada muito melhor no mercado, e não me estou a referir apenas à GameCube. Os cenários estão muito bem detalhados, bem como os inimigos. Mas mais do que o detalhe, o que sempre me impressionou, desde que vi as primeiras imagens e o primeiro trailer, foi mesmo a própria beleza dos cenários, que estão extremamente bem pensados e conseguidos. Desde ruínas em desertos, para bases tecnológicas, locais de exploração de minas, cenários na neve, etc. O mundo de Tallon IV é realmente soberbo. Para além disso existe uma notável atenção ao detalhe. Os efeitos sonoros também estão bem conseguidos, não tenho realmente nada a apontar neste campo. Como é um jogo solitário, não existem diálogos, pelo que não vale a pena falar de voice-actings. As músicas estão muito bem conseguidas, principalmente tendo em conta que estamos a falar de músicas MIDI e não com a qualidade de um CD Audio. Para além de músicas novas, existem vários remixes de temas já velhos conhecidos, remisturados precisamente pelo seu compositor original.

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Um exemplo dos vários logs que podemos obter usando o scan visor.

Metroid Prime é mais um excelente exemplo de uma transição de 2D para 3D com bastante sucesso, sendo na minha opinião um dos melhores jogos lançados na geração passada. Para o pessoal ávido em desbloquear tudo o que um jogo oferece, Metroid Prime é um prato cheio, com imensos items escondidos e logs para descobrir, o que desbloqueia várias galerias  de arte, bem como outros níveis de dificuldade. Para quem possuir um Metroid Fusion para GBA e respectivo cabo de ligação, existe a possibilidade de se desbloquear o Metroid original da NES para se jogar em Metroid Prime. É um jogo na minha opinião recomendadíssimo. Hoje em dia encontra-se facilmente a baixos preços, bem como a versão relançada em 2009 para a Nintendo Wii, aproveitando os motion controls.

Yakuza 2 (Sony Playstation 2)

Yakuza 2 PS2

Yakuza foi um dos jogos da PS2 que mais gozo me deu a jogar. Numa altura em que a SEGA passava por uns tempos algo conturbados pelo lançamento de vários jogos maus/medianos, a série Yakuza foi uma lufada de ar fresco, e uma das séries mais interessantes que a Sega produziu nos últimos 15 anos. Os jogos no ocidente têm passado um pouco ao lado do geral da população “gamer” ocidental, mas como já mencionei antes é um jogo e um conceito que me agradam bastante. A minha cópia foi comprada salvo erro na loja Portuense TVGames, por 9€, sendo que está num estado impecável, nem parecia usado.

Yakuza 2 PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história do jogo, sem entrar em grandes spoilers, tanto de Yakuza 1 como do 2, ocorre um ano depois dos acontecimentos do primeiro jogo, onde um determinado acontecimento provoca uma guerra entre o enfraquecido clã de Tojo devido aos acontecimentos de Yakuza 1 e a poderosa Omi Alliance, de Osaka, para além da existência de um suspeito grupo Coreano a atrapalhar os planos. Mais uma vez, o honrado ex-Yakuza Kiryu Kazuma se dispõe a ajudar o seu antigo clã e ir ao fundo dos problemas, contando com a ajuda de personagens antigas do primeiro jogo como o detective Date, bem como novas pessoas como a polícia Kaoru Sayama, de Osaka. Devo dizer que nos capítulos finais a história se estava a tornar bastante previsível, mas o capítulo final foi realmente impressionante para mim. A jogabilidade também se manteve practicamente intacta face ao primeiro jogo. Yakuza 2, tal como o primeiro é um híbrido entre um sand-box game, um beat ‘em up à antiga e um RPG. Isto pois o jogo decorre em (mais do que) uma área urbana, onde somos practicamene livres de fazer o que quisermos, seja prosseguir com a história, passear pela cidade e fazer side-missions, jogar mini-jogos, visitar lojas e restaurantes, engatar meninas, entre outros. Tem elementos de RPG como batalhas aleatórias onde ganhamos pontos de experiência que poderão ser usados para ganhar novas habilidades, bem como dinheiro que pode servir para comprar novas armas, equipamento ou outros items. A parte do beat ‘em up refere-se ao sistema de batalha.

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Mais porrada!

Pelo que me lembro, apenas o sistema de batalha viu algumas mudanças desde o primeiro jogo, embora Kiryu continue um pouco inflexível nos seus combos, à semelhança do que acontecia em Phantasy Star Online. Os botões quadrado e triângulo servem para golpear, enquanto o círculo é usado para agarrar e atirar inimigos ou armas/objectos. As batalhas são limitadas a um cenário limitado da rua/localidade onde nos encontramos, onde poderemos utilizar à vontade todos os objectos que encontramos para a pancadaria. A novidade está nas heat-actions, uns golpes mais cinemáticos e “brutais” que podemos realizar quando carregarmos a barra de energia “heat” acima de um determinado limite. As heat actions embora já estivessem presentes no primeiro jogo, aqui estão presentes num muito maior número, com uma interacção dos cenários bem maior, e também é possível ir enchendo mais rapidamente a barra de heat usando o botão L2. No fim do combate ganhamos experiência (que é maior consoante o número de heat actions utilizadas), experiência essa que podemos usar para subir de nível 3 diferentes categorias: Mind, Skill e Body. Mind dá bónus nas heat bar e actions, enquanto Body aumenta a barra de energia de Kiryu e adquire novas técnicas defensivas, já aumentar a Skill faz com que Kiryu aprenda novos golpes que possa usar em batalha.

O jogo para além deter uma óptima história (tal como o primeiro) tem imensa coisa para além do objectivo principal que podemos fazer. As side-missions são a primeira coisa que nos vem à memória, onde a sua maior parte se resume a ajudar pessoas a livrarem-se de encrenqueiros Yakuza, mas também existem várias outras onde nem temos de levantar um dedo. Para além disso existem vários outros divertimentos onde podemos passar algum tempo. Desde massagens, engatar raparigas em “hostess bars“, jogar jogos de Casino como Blackjack e Roulette, bem como outros como mini-Golf, basebol, a paródia a Virtua Fighter (embora lembre mais Virtual ON) YF6, bem como jogos tradicionais como Shoji e Mahjongg. A oferta é certamente maior que no primeiro jogo, e ainda podemos gerir o nosso próprio “hostess bar“, onde temos de contratar miúdas, gerir a decoração do bar, avaliar a sua performance, etc. Para além disso em Yakuza 2 Kazuma pode ser ele próprio um “host“, trabalhar num host bar onde recebe outras meninas com o objectivo de as “conquistar” e lhes extorquir o máximo de dinheiro possível. Este último mini-jogo é um pouco cómico pois nem todas as clientes são propriamente bonitas e o Kazuma tem de agir mesmo fora do seu carácter normal.

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Bowling também é outro dos mini-jogos disponíveis.

Embora toda esta diversidade seja uma coisa boa, para alguém que viva obcecado em obter 100% de todo o conteúdo dos seus jogos Yakuza 2 é um jogo sádico. Eu completei todas as side-missions no Yakuza 1 e pretendia fazer o mesmo com este jogo. O problema é que: Existem algumas missões que são bastante frustrantes, tais como as missões que envolvem os mini-jogos de basebol e mini-Golf, mas essas ainda as consegui completar, ao fim de várias horas de frustração. A missão que envolve as Pachi-Slot Machines também é muito entediante e levou-me quase 3h a completar, as missões de Shoji consegui completá-las ao fazer “batota” usando um programa de Shoji no PC, visto que não percebo bolha desse jogo oriental. A missão de Mahjongg nem lhe toquei. Tal como o jogo anterior, existem vários bosses secretos que poderemos lutar caso completemos todas as side-missions. A Sega foi boazinha em não contar com aquelas missões frustrantes que mencionei anteriormente para podermos defrontar estes bosses secretos, mas ao fim de quase 60h de jogo e eu já no capítulo final, reparei que, para desbloquear uma missão perto do fim, teria de ter descoberto todas as heat-actions disponíveis no jogo (bem mais de 100 no total), coisa que já seria impossível pois algumas delas surgem apenas numa ou noutra batalha. Como tal, para quem for perfeccionista, este jogo é daqueles que tem de ser jogado com um guia ao lado, para não se perder detalhe nenhum. Fica para a próxima.

O post já vai longo, mas ainda terei de falar na parte mais técnica. Graficamente o jogo é pouco melhor que o jogo anterior, o que se compreende face ao hardware da PS2.  As cut-scenes são na sua maioria  renderizadas com o próprio motor gráfico do jogo, embora de vez em quando se vejam as personagens com bem mais detalhe, mas ainda assim não com a qualidade de umas CGs. Mas o que interessa em Yakuza é a atenção ao detalhe, e a representação de Karumocho – fortemente inspirada na red-light district da baixa de Tóquio, com vários edifícios reais. Para além de Karumocho, Yakuza 2 tem também mais 2 áreas, localizadas algures em Osaka – Sotenbori e Sinseicho, embora estas duas sejam mais pequenas e sem aquelas pequenas ruas e vielas existentes em Karumocho que me agradam. Tal como no primeiro jogo existem 2 diferentes tipos de câmara. No modo “aventura” onde andamos a vaguear pelas cidades a câmara é fixa, onde nós apenas podemos controlar o zoom. Já nas batalhas a câmara pode ser controlada usando o segundo analógico. É pena que a câmara esteja fixa no modo aventura, pois os diferentes ângulos que surgem quando atravessamos um cruzamento, por exemplo, acaba por atrapalhar um pouco e confunde o jogador. Sonoramente o jogo está muito bom. A banda sonora é variada e o voice-acting é excelente. Felizmente não traduziram as vozes do jogo original para inglês, tal como fizeram na prequela, tendo utilizado legendas em inglês. O lip-sync nas cut-scenes é perfeito, excepto nas versões PAL em 50Hz. Mais uma vez a conversão para território europeu foi algo mal feita, e para as televisões que suportem 60Hz, a Sega permite jogar este jogo nesse modo e recomendo vivamente que o façam. A acção é bem mais fluída e mais importante, o lip-sync nas cut-scenes não apresenta nenhum atraso, em 50Hz a voz chega ligeiramente primeiro do que a parte visual.

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Um exemplo das várias Heat Actions que poderemos desencadear

Yakuza 2 é um jogo já lançado bem no final do tempo “útil” de vida da PS2 (2006 no Japão, 2008 no ocidente) pelo que terá passado despercebido a muito boa gente. Tal como a sua prequela é um jogo que me agrada bastante, mas ainda assim tem alguns pequenos defeitos que poderiam ser melhorados, seja a câmara fixa quando se passeia na cidade, ou a rigidez das batalhas. Apresenta várias novidades no que diz respeito a conteúdo extra, mas na minha opinião a Sega deveria ter sido muito menos sádica no que diz respeito a completar 100% do jogo. Ainda assim, para quem gostar de porrada, tiver alguma admiração pelo submundo dos Yakuza, as suas tradições e costumes, e gostar de uma boa história, Yakuza 2 tal como o primeiro é uma óptima escolha.

Star Wars Jedi Knight: Dark Forces II + Mysteries of the Sith (PC)

Star Wars Jedi Knight Dark Forces IIDe volta aos first  person shooters que para quem for um leitor assíduo deste blog sabe que desde há muitos anos se tornou num dos meus géneros predilectos. O universo Star Wars é um universo bastante rico, que basicamente se enquadra com todos os géneros de videojogos existentes – e que acabou por ser explorado ao longo dos anos. Contudo no género dos FPS este não é o primeiro jogo a fazê-lo, tal feito se atribui à sua prequela lançada um ou dois anos anteriormente. Enquanto que o primeiro jogo ainda era “pseudo-3D” à moda dos velhinhos Doom e Duke Nukem 3D, este Jedi Knight já lançado em 1997 já é um jogo completamente em 3D e que mantém um certo balanço entre a jogabilidade old-school dos FPS da velha-guarda e várias inovações que mencionarei lá para a frente. A minha cópia foi adquirida na loja portuense TVGames, custou-me algo entre os 2 e os 3 euros, não me recordo. É uma edição que traz também a expansão Mysteries of the Sith. Foi um bom negócio, pena que seja uma reedição que apenas traz um manual digital.

Star Wars Jedi Knight Dark Forces II PC
Jogo e expansão completos com papelada e caixa

A história do jogo, à semelhança da sua prequela, segue as aventuras do Jedi mercenário Kyle Katarn, desta feita com a aventura a começar com Kyle a saber que o seu pai fora assassinado por um Dark Jedi, de nome Jerec. Quando tenta saber mais, Kyle descobre que o seu pai era um guardião do “Valley of the Jedi”, um local de sepulcro de Jedis falecidos, que de certa forma armazenava os seus poderes. Jerec e os seus companheiros também Dark Jedis procuram apropriar-se deste poder para controlarem o Universo – todos nós sabemos do que a casa gasta, quando estamos a falar do Império. O jogo tem a vertente single-player e multiplayer. No jogo a solo, a experiência é em parte da velha guarda na medida em que é um jogo relativamente linear, sendo dividido por vários níveis. No entanto, o clima cinematográfico, a exploração exaustiva dos níveis e respectivas resoluções de puzzles, o uso de vários objectos e diferentes poderes que poderemos adquirir, oferecem alguma não-linearidade, bem como também algumas funcionalidades visionárias do futuro, tal como a criação de objectivos a atingir ao longo dos níveis.

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Os punhos, como quase em todos os FPS, são inúteis.

O arsenal de Kyle é vasto, com diversas pistolas de variados tipos de raios laser, granadas e outros projécteis, para além do icónico lightsaber. O inventário de items à disposição vai desde items restaurativos passando por visores infra-vermelhos e lanternas. Convém também mencionar que muitas das armas têm um modo secundário de disparo. Ao longo do jogo vamos também adquirindo vários poderes Jedi que são bastante úteis (alguns mesmo necessários para a progressão no jogo), estando estes divididos em neutral, light e dark. Os poderes neutros apenas melhoram a “física” do Kyle, permitindo-lhe saltar bastante alto, correr rapidamente, etc. Os Dark são poderes violentos tais como disparar raios ou sufocar inimigos, enquanto que os poderes Light são mais usados para defesa pessoal, como ficar invulnerável durante um curto espaço de tempo, cegar os inimigos, recuperar energia, entre outros. Os poderes são adquiridos no final de cada nível, onde nos são atribuidas algumas “estrelas” de acordo com a nossa performance (número de locais secretos descobertos), que são posteriormente utilizadas na escolha dos poderes que queremos obter e melhorar. Esta dualidade traz 2 finais diferentes, o Light e o Dark. O número de poderes de um lado e de outro que escolhermos e o facto de assassinarmos ou não os vários NPCs que vão surgindo no jogo é que definem qual dos finais teremos. O jogo tem também um modo multiplayer, mas limita-se aos clássicos Capture the Flag e Deathmatch.

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Um exemplo de uma cutscene em FMV

Passando para a parte visual, o jogo tinha bons gráficos para a altura em que foi lançado, 1997, apostando num visual inteiramente poligonal, abandonando de vez as sprites de outros FPS. Mas o que realmente gostei foram das cutscenes gravadas com actores reais, tal como feito na famosa série Wing Commander. Apesar de a história não ser a mais empolgante de todo o sempre, as cutscenes cumprem bem o seu papel e tendo em conta os recursos, estão bem conseguidas. Mas melhor que as cutscenes é mesmo a banda sonora. Star Wars tem possivelmente a melhor banda sonora de toda a história do cinema, e não deixa de ser épico ouvir as músicas clássicas em todo o seu esplendor enquanto limpamos o sebo a uns quantos stormtroopers, ou num duelo de light sabers com um Dark Jedi. Infelizmente, sendo um jogo já com bastantes anos, não é trivial a sua correcta utilização em sistemas operativos modernos, mas existem vários sites disponíveis que ajudam nesta questão.

A expansão Mysteries of the Sith foi lançada no ano seguinte, contendo 14 níveis de uma nova história e mais uns quantos novos mapas para o multiplayer. A história decorre alguns anos após o final “bom” de Jedi Knight, onde Kyle Katarn já atingiu o grau de Jedi Master e conta com a sua aprendiz Mara Jade, outrora membro do Império. Tal como todas as expansões de FPS da velha guarda, esta é mais difícil do que o jogo original, que já trazia alguns mapas bem grandinhos e confusos quanto baste. Fizeram também algumas melhorias ao motor gráfico, adicionando mais alguns efeitos de luzes, para além de a Inteligência Artificial dos inimigos e NPCs ser superior. A apresentação cinemática viu-se reduzida, pois não repetiram as cutscenes em full motion video do jogo original, substituindo-as por sequências processadas pela própria engine do jogo.

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Ah sim, também se pode jogar em 3a pessoa.

Jedi Knight Dark Forces II é um FPS clássico do PC. Se não fossem os problemas que existem em corrê-lo nas máquinas actuais seria um jogo um pouco mais apelativo para ser jogado nos dias de hoje. Ainda assim, apesar de ser ultrapassado em vários quesitos, não deixou de ser um jogo inovador na altura em que foi lançado, e para os fãs de Star Wars ainda proporcionará uma experiência divertida.

Super Monaco G.P. (Sega Master System)

sega-master-system-super-monaco-gpJá há algum tempo que não trazia cá algo da Sega Master System, portanto vamos hoje para um jogo mais old-school. A série começou no final da década de 70, inícios dos anos 80 com o jogo Arcade Monaco G.P., tendo sido lançado em 1989 o hit nas arcadas Super Monaco G.P., um jogo de corrida inteiramente baseado no circuito do Mónaco, com gráficos detalhados e uma boa sensação de velocidade. Tendo sido um sucesso, várias conversões para plataformas caseiras foram lançadas, incluindo a Sega Master System que é a versão que trago cá hoje. A minha cópia foi adquirida algures no ano passado na loja portuense Pressplay Porto. Está em bom estado, considerando que é um jogo antigo, e na altura custou-me algo em torno dos 5€, salvo erro.

Super Monaco G.P. - Sega Master System
Jogo com caixa e manual multilingue

Ao contrário da versão Arcade que tem apenas o circuito do Mónaco, as versões para as consolas caseiras da Sega incluem os cerca de 16 circuitos do campeonato mundial de Fórmula 1 da altura, incluindo o “nosso” velhinho circuito do Estoril. Uma coisa que não gosto neste jogo é o facto de jogarmos sempre em split-screen, mesmo quando apenas jogamos sozinhos. Existem 2 modos de jogo, que poderão ser jogados com um ou 2 jogadores – Grand Prix e VS Battle. Grand Prix como o próprio nome indica refere-se ao campeonato de F-1. Após introduzirmos o nosso nome, somos convidados a escolher o veículo, bem como algumas suas peças tais como motor, pneus, mudanças automáticas ou manuais, que influenciarão a performance do carro em cada pista. Antes de correr a corrida “a valer”, podemos fazer uma test lap previamente para testar os componentes escolhidos. Foi uma boa inclusão no jogo. VS Battle é uma corrida num circuito aleatório, com a possibilidade de escolhermos o número de voltas possíveis por cada “batalha”, bem como o número de “batalhas” que queremos jogar. Tal como referi anteriormente também este modo pode ser jogado contra o computador ou contra um amigo.

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Split screen, mesmo em single player. Meh.

A jogabilidade é simples, pois o comando da Master System apenas possui 2 botões faciais. O botão direccional para virar o carro, botão 1 para acelerar e 2 para travar. Simples e eficaz. Quando se usa mudanças manuais a coisa complica um pouco. Usamos o botão 1 para acelerar e com esse botão pressionado usamos o botão 2 ao mesmo tempo para meter uma mudança acima, fazendo o contrário para mudar uma mudança abaixo. Não é o esquema mais intuitivo, mas tendo em conta o comando da Master System melhor só se se usasse os direccionais verticais para o efeito. A nível gráfico é um jogo simples, e para uma máquina 8-bit, apresenta os visuais standard da altura, embora Out-Run tenha saido uns 2 anos antes para a mesma consola e considero que os gráficos são melhores. Se compararmos com um Road Rash que saiu em 1993 então nem vale a pena. A nível de som é que mais uma vez a versão Master System deixa algo a desejar. As músicas até que são agradáveis, mas os efeitos sonoros… paciência.

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Ecrã de selecção da transmissão - quanto maior o número de mudanças, maior a aceleração que se consegue

Super Monaco G.P. para a Master System é um jogo competente de Formula 1 para a Sega Master System, contudo a sua sequela é melhor. Ainda assim, não é um jogo que recomende a toda a gente, apenas para coleccionadores e entusiastas da Master System. Apesar de ser uma conversão de um jogo algo histórico da Sega na década de 80, a conversão para Mega Drive é bastante superior. Mas nem sempre os jogos convertidos da Mega Drive para a Master System são inferiores aos “originais” e provavelmente o próximo jogo que falarei nesta consola irá encaixar nessa categoria. A conversão para Game Gear na minha opinião também é superior a esta, apesar de as 2 plataformas serem equivalentes, muito devido a não existir split-screen. As conversões para computadores da época como Amiga e Atari ST também me pareceram boas conversões, pelo que vi.

Final Fantasy IV: The Complete Collection (Sony Playstation Portable)

Final-Fantasy-IV-Complete-Collection-Collectors-EditionUma das razões que me levou a comprar uma PSP há uns meses atrás foi precisamente a biblioteca da PSP ter uma muito interessante colecção de JRPGs. Uns ports/remakes de clássicos de NES/SNES/PS1, bem como vários outros originais. O Final Fantasy IV foi dos jogos da série que mais conversões recebeu, sendo esta colectânea para a PSP talvez a versão definitiva do jogo, tendo em conta que a Nintendo DS também tem um remake em 3D muito interessante. A minha cópia foi comprada em Dezembro do ano passado, numa GAME no Maiashopping. É a edição de coleccionador, repleta de pequenos mimos e custou-me cerca de 20€.

Final Fantasy IV PSP
Jogo completo com caixa de cartão, caixa normal, cartões com artwork, um paninho e restante papelada

Este jogo é uma colectânea do Final Fantasy IV original (com algumas melhorias que irei descrever mais tarde), bem como um agregado dos vários capítulos da sequela “The After Years” tendo sido lançados originalmente para telemóveis japoneses e posteriormente para o serviço WiiWare da Nintendo, juntamente de um capítulo “Interlude” que serve de ponte para as duas histórias. Visto que já analisei anteriormente o Final Fantasy IV Advance, não vou perder tempo neste artigo em falar da história e jogabilidade do jogo original, vou-me focar mais nas diferenças que esta conversão tem, bem como falar nas sequelas “Interlude” e “The After Years”, até porque a própria conversão do Final Fantasy IV é baseada na versão para Gameboy Advance. Desde o início que temos a oportunidade de jogar qualquer um dos 3 jogos à disposição. O Interlude tal como o nome indica é apenas um interlúdio entre os 2 jogos principais, sendo um jogo pequeno e facilmente se completa ao fim de 2, 3 horas de jogo. Nesta história temos algumas dicas do que irá acontecer no jogo seguinte, com as preparações do plano “maligno” a ser posto em práctica no outro jogo, bem como a introdução de algumas novas personagens. The After Years decorre uns 17 anos após o jogo original, e é um jogo passado em vários episódios, onde vemos perspectivas diferentes da mesma história e somos introduzidos a uma série de novas personagens: Ceodore, o filho de Cecil e Rosa, Ursula, filha de Yang, os feiticeiros Porom e Polom já crescidos e com direito a aprendizes, entre vários outros. A história de “The After Years” começa com uma vilã misteriosa roubar os Eidolons de Rydia e a invadir as populações para coleccionar os seus cristais, inclusivamente usando as forças armadas de Baron para o fazer. A história até tem o seu potencial, mas o jogo sendo estruturado em diferentes capítulos que contam a perspectiva das diferentes personagens acaba por tornar a narrativa um pouco quebrada, se é que me faço entender. O jogo desta forma também se torna demasiado linear, com muito pouco por onde explorar, sabemos sempre que é para ir de A a B a C e muda o capítulo. Jogando os capítulos das diferentes personagens teremos o capítulo final, onde todas as personagens se juntam para concluir a história, e aí realmente já temos uma liberdade de exploração maior, mas acaba por ser tarde demais.

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Vista do "world map". Uma junção do mode7 da velha guarda com sprites de melhor qualidade

The After Years inclui algumas diferenças na jogabilidade face ao jogo original. Em primeiro lugar as novas habilidades “Band”, que são uns golpes especiais praticados por um par de personagens. Estes golpes podem ser descobertos ao tentar “emparelhar” as personagens nas batalhas, bem como alguns são adquiridos ao decorrer da história, onde as personagens vão criando alguns laços fortes, aprendendo dessa forma as novas técnicas. As batalhas são muito influenciadas pelas diferentes fases lunares (lua cheia, quarto crescente, etc) em que cada fase favorece uma característica e prejudica outra, por exemplo magia negra mais forte e magia branca mais fraca. Estas fases lunares vão-se alterando ao fim de 30 minutos de jogo, ou sempre que se passa uma noite em Inns ou tendas, e são um contributo muito grande para a estratégia das batalhas, onde certos bosses tornam-se bastante difíceis com a lua errada. Uma coisa para a qual eu já não tenho muita paciência é o grinding elevado que este jogo oferece. Já não me agrada nada dar meia dúzia de passos numa caverna e encontrar uma batalha, coisa que infelizmente acontece frequentemente neste jogo.

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As batalhas possuem agora sprites bem mais definidas, bem como bonitos efeitos gráficos para as magias e afins

Graficamente os 3 jogos mantêm a essência do jogo original, com os seus gráficos 2D, o mapa em mode7, mas porém com as sprites dos inimigos e personagens completamente redesenhadas, com muito mais detalhe. O remake em 3D para a DS é bastante apetecível, na minha opinião, incluindo voice acting e diversas cut-scenes usando o motor gráfico do jogo tornam a versão da DS do Final Fantasy IV numa excelente conversão. Aqui, embora contenha os filmes em CG incluídos na versão DS, esta compilação é um pouco mais “old-school” e não ponho grandes problemas com isso. No que diz respeito ao som temos a hipótese de alternar entre a banda sonora original e a composta para o FF IV da Nintendo DS. Não há muito a dizer sobre isto, são músicas icónicas na série. De resto o jogo inclui vários extras, como um bestiário completo bem como várias imagens de artwork (algum inédito) que são desbloqueadas à medida em que se vão jogando os jogos. Infelizmente essas imagens vêm numa resolução muito pequena, acabando por não se tirar muito partido da beleza dos desenhos que nos são apresentados. Felizmente parte desse artwork vem na edição de coleccionador, nos vários cartões incluídos nessa edição. Eu não sou um fanboy da Square-Enix, até acho que nos últimos anos os seus jogos (principalmente do lado da Square) têm vindo a perder alguma da qualidade e “misticismo” de tempos passados, mas há que dar a mão à palmatória: de vez em quando eles sabem presentear bem os seus fãs.

Assim sendo, tempo de finalizar este post. Esta compilação, juntamente com o remake do FF IV para a Nintendo DS são as versões definitivas (até ver) do universo de Final Fantasy IV a adquirir. Principalmente tendo em conta o agora reduzido preço, algo que na WiiWare os capítulos de “The After Years” eram adquiridos separadamente, acabando por ficar um produto mais caro. Se conseguirem apanhar a edição especial, ainda melhor!