Dirge of Cerberus Final Fantasy VII (Sony Playstation 2)

Dirge of Cerberus - Final Fantasy VIICreio que foi por volta de 2004 que a Square-Enix anunciou a série “Compilation of Final Fantasy VII”, que consistiu em expandir o universo do primeiro jogo e filme com mais filmes e jogos. Um desses já foi analisado cá, o Crisis Core da PSP. O outro jogo relevante é mesmo este Dirge of Cerberus, que usa o Vincent Valentine como protagonista é ao contrário do esperado, é um shooter, mas com alguns elementos de RPG. Creio que o jogo me entrou na colecção algures em 2011, 2012. Já não faço a mínima ideia de onde o comprei nem a que preço, mas conhecendo os meus critérios, não terá custado mais de 10€ certamente.

Dirge of Cerberus - Final Fantasy VII - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, manual e papelada

Tal como referi acima, o jogo decorre 3 anos após o Final Fantasy VII e 2 anos após o filme Advent Children, que por acaso nunca vi. Quando joguei o FF VII sempre achei que o Vincent era uma personagem misteriosa e com um passado que nunca foi muito bem descortinado. Mas isso mudou com este jogo, onde poderemos descobrir o passado de Vincent e a sua relação com Lucrecia, a rapariga aprisionada num cristal. Essencialmente a história aborda um outro conflito à escala global, onde uma organização militar ultra-secreta ainda fundada pela Shinra, os Deepground, planeiam acordar um ser poderoso chamado Omega, com a capacidade para destruir o mundo. Não adoram estes nihilistas? A ajudar o Vincent está a organização World Regenesis Organization (WRO), liderada por Reeve, a pessoa que controlava o gato robótico Cait Sith no FF VII. Pelo meio da aventura também vamos poder interagir com diversas caras conhecidas como Yuffie, Cid, Tifa, Barret e claro, Cloud.

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Ao longo dos níveis vamos também encontrar sub-missões com objectivos opcionais que influenciarão a nossa pontuação final

A jogabilidade mistura conceitos de shooter na  terceira pessoa com uma perspectiva over-the-shoulder à lá Resident Evil 4, os ataques melee de Devil May Cry (apenas só um cheirinho), e elementos de RPG. À medida em que vamos progredindo no jogo iremos encontrar diferentes armas, acessórios e materia. Das armas existem 3 tipos distintos, a arma inicial que é uma mistura entre revólver e shotgun, metralhadoras e rifles. Para cada arma podemos equipar um de 3 tipos de canos – normal, pequenos e grandes. Os grandes aumentam a precisão de tiro, mas restringem os movimentos de Vincent devido ao seu maior peso. Podemos equipar também acessórios que tanto podem ser uma mira telescópica especialmente útil na rifle, outros que anulam o peso do cano das armas, nos aumentem a defesa ou eliminem o tempo de reload, por exemplo. Para além disso ainda podemos descobrir e equipar algumas materias, que tal como no jogo original servem para equipar ataques mágicos. Esses projécteis mágicos variam consoante o elemento utilizado e tanto podem afectar um único inimigo como um grupo que esteja próximo.

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Ao gastar um Limit Break tomamos temporariamente a forma desta “besta”

Como temos níveis, health, magic points e stats diversos, é natural que ganhemos experiência com cada combate. Mas aqui a experiência é atribuida de uma maneira diferente. No final de cada nível (sim, o jogo está dividido em vários níveis lineares) a nossa performance é avaliada nos mais variados campos, desde inimigos derrotados, precisão no gatilho ou mesmo como nos safamos na execução de algumas missões/objectivos opcionais. No final dessa avaliação são-nos oferecidos uma série de pontos de experiência, aos quais podemos utilizar para evoluir Vincent, ou transformá-los em Gil (unidade monetária) para comprar novos items ou fazer upgrade ao esquipamento que já tivermos em mãos. Uma outra habilidade que podemos utilizar são os limit break, que durante um certo intervalo de tempo transformam Vincent na sua forma bestial de Galian, ficando assim bem mais poderoso durante esse tempo. Lá para a recta final do jogo existem mais surpresas deste género, mas prefiro deixar isso para quem jogar o descobrir.

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Não tendo visto o Advent Children, não consegui deixar de gostar ver as conhecidas personagens em “alta definição”

Mediante o grau de dificuldade podemos também seleccionar se quisermos algum auto-aim, ou um auto-aim mais completo ainda. Esse auto-aim completo deixa o jogo bem mais fácil, então se utilizarmos uma rifle, o CPU aponta-nos para um inimigo ainda sem sequer o vermos. De resto o jogo tem uma boa quantidade de extras. Ao terminarmos o jogo pela primeira vez desbloqueamos uma série de missões extra, que podem ser acedíveis através de um menu próprio para esse conteúdo bónus. Essas missões são desafios, como derrotar uma série de inimigos, muitas vezes com restrições de tempo ou de armas, ou missões como encontrar items, por exemplo. Ainda vão sendo bastantes missões e existem algumas que apenas podem ser desbloqueadas ao destruir umas pequenas cápsulas que podemos encontrar ao longo do jogo. Na verdade existe muito outro conteúdo bónus que apenas lhe podemos ter acesso ao destruir essas cápsulazinhas, que como são pequenas, acabam por passar por muitas vezes despercebidas. Ao destruí-las todas vamos completando também várias galerias com artwork, banda sonora e clips de vídeo.

Tecnicamente falando, os controlos são bons e o jogo é fluído quanto baste. Tenho pena que não tenham desenvolvido melhor a parte melee do combate e o jogo apresenta também alguns problemas de câmara, mas nada de especial. Graficamente é um bom jogo, tendo em conta que corre numa Playstation 2. As personagens principais estão bem destalhadas e para quem gostar do artwork das personagens mais “maduras” da Squaresoft certamente irá encontrar traços familiares neste jogo. E tal como todos os “big budget” da Squaresoft, o jogo está repleto de imensas cutscenes em CG com uma qualidade excelente, bem como outras que utilizam mesmo o próprio motor gráfico do jogo. E a juntar ao pequeno problema com a câmara, vem aqui a minha primeira queixa “mais a sério” deste jogo. Em muitas alturas passamos bem mais tempo a ver cutscenes do que a jogar. Eu gosto de cutscenes em jogos, mas devido a outro problema eu ia perdendo a paciência por várias vezes. E esse problema é algo que passa meramente pelo meu gosto pessoal: os diálogos “emo” que muitos jogos da Square têm desde há muito tempo. O voice acting é perfeitamente ok, mas os diálogos em si por vezes dão cabo de mim. Mas isso sou só eu. Por fim, as músicas vão sendo variadas, e para quem gostar de J-Rock, ouvirá alguns temas neste jogo.

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Sempre gostei do artwork destes jogos da Square e este Dirge of Cerberus não é excepção

No fim de contas, eu até acho que este jogo não é mau de todo. Apesar de não reinventar a roda e ser completamente linear, a jogabilidade é divertida e o jogo possui conteúdo extra que lhe dá mais algum tempo de vida. Como referi, o maior problema para mim está mesmo nos diálogos chatos que tornam as cutscenes bem longas e difíceis de suportar. Mas isso é standard da vertente Squaresoft da Square-Enix e portanto, para os fãs da empresa, certamente isso não será problema.

Play Action Football (Nintendo Gameboy)

Play Action FootballQuando comecei com este blogue, já há mais de 3 anos atrás (como o tempo corre depressa), uma das minhas mensagens iniciais era a de que iriam haver jogos com “análises” muito curtinhas, pois nem todos os jogos da minha colecção são interessantes para mim e simplesmente vieram cá parar. E como tenciono escrever algo de todos os jogos que possuo, então é bom que comece a “despachar” alguns. Este Play Action Football é um desses exemplos porque 1 – não gosto de futebol americano; 2 – nem sequer sei as regras de como isso se joga. Este jogo veio parar à minha colecção pois fez parte de um bundle Gameboy que arranjei por intermédio de um colega de trabalho.

Play Action Football - Nintendo Gameboy
Jogo, apenas cartucho, na sua versão norte-americana

Este Play Action Football apresenta 2 modos de jogo para singleplayer e outros 2 modos de jogo para um multiplayer para 2 jogadores, onde é necessário 1 cabo de ligação entre as duas gameboys e 2 cópias do jogo. Nestas últimas temos o tradicional modo versus onde uma pessoa joga contra outra e um modo mais cooperativo, onde ambos os jogadores jogam contra o CPU. Na vertente singleplayer do jogo temos a opção de jogar apenas uma partida contra o computador, ou todas as playoffs até ao superbowl final. A partir daí podemos escolher 4 níveis de dificuldade e uma entre 8 equipas disponíveis. A jogabilidade em si nem comento, nunca consegui passar da primeira jogada num jogo deste género.

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Os gráficos fantásticos deste jogo.

Visualmente é um jogo muito pobrezinho. Os gráficos durante as partidas são demasiado simples e sem o mínimo de detalhe, basicamente vemos uns pontos pretos ou brancos, mediante a equipa em questão, a correr de um lado para o outro. Parece que existe algum artwork adicional em jogadas mais espectaculares, mas pessoalmente não cheguei lá. A música também não é nada de especial, mas acho que é mesmo o mal menor deste jogo. No fim de contas, apesar de não ter planos de me ver livre deste jogo, também não é algo que me fascine minimamente, simplesmente apareceu na colecção e assim vai ficar.

1953 – KGB Unleashed (PC)

Voltando a mais uma rapidinha indie, a um jogo em que terminei em pouco mais de 2 horas. 1953 – KGB Unleashed é uma aventura gráfica na primeira pessoa, passada num bunker no subterrâneo de Moscovo, precisamente no ano de 1953, em pleno clima de guerra fria entre a União Soviética e os Estados Unidos. Pelo nome pensei que se fosse tratar de uma aventura gráfica que envolvesse teorias de conspiração e espionagem dessa época, algo pelo qual sempre tive algum fascínio. Infelizmente não foi esse o caso. O jogo deu entrada na minha colecção há coisa de um mês, onde o ganhei num sorteio.

1953 - KGB UnleashedA aventura começa connosco a acordar num bunker aparentemente abandonado e sem memórias do que fomos lá fazer. Ao consultar o nosso inventário inicial, onde apenas possuimos um documento, conseguimos ver que o personagem se cham Gleb Ivanovich Nikolayev e é um engenheiro de comunicações. Sem saber mais, tentamos sair da sala em que estamos e à medida em que vamos explorando o bunker, vamo-nos apercebendo das experiências paranormais que estavam lá a fazer, na sua maioria através dos inúmeros relatórios e documentação militar que vamos descobrindo. Os puzzles em si tanto podem ser relativamente simples, como concertar um gerador eléctrico ou destrancar portas, como podem ser bem mais complicados, exigindo ao jogador que leia com muita atenção os textos que tem ao seu dispor, que por vezes conseguem ser muito densos.

De resto as mecânicas de jogo são muito semelhantes à do Myst e jogos similares, onde exploramos o bunker inteiramente na primeira pessoa e, apesar de nos podermos virar a 360º com o rato, apenas podemos avançar clicando no rato em várias partes do ecrã, que nos levam na direcção que queiramos ir. Os puzzles exigem sempre objectos, pelo que também temos de recolher imensos desses itens, como manda a praxe neste tipo de jogos.

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Os gráficos apesar de estarem numa baixa resolução, estão bem detalhados

Graficamente é um jogo bonitinho, apesar de não ser nada de extraordinário, os cenários prérenderizados e estáticos estão muito bem representados e dão-nos mesmo a sensação de estarmos num bunker soviético. As músicas vão sendo mais ambiente, embora tenha gostado bastante daquela parte em que temos de sintonizar um rádio para abrir uma passagem secreta. Muitas emissões em onda curta, e muitas estações creio que estalinistas, mas não consegui perceber nada do que vinha a ser dito. Infelizmente o voice acting, apesar de simples pois ao longo de todo o jogo deveremos ouvir umas 3 vozes diferentes excepto quando andamos a brincar no rádio, e todas essas vozes são num inglês bem americano. Preferia que fosse mesmo russo a acompanhar as respectivas legendas, mas ouvir um sotaque americano parece-me completamente despropositado. Ao menos arranjavam alguém com naturalidade russa para ao menos dar um sotaque.

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Este é um dos documentos que podemos encontrar e ler. Alguns são bem extensos, mas também têm pistas importantes para os puzzles que lhe seguem

Infelizmente, quando o jogo estava a ficar bem interessante, as coisas acabam abruptamente. Apesar de ter alguns puzzles mais exigentes (restituir o sistema de circulação de ar foi um puzzle complicado), o jogo acaba por ser muito curto, e o final completamente inesperado não me fez sentido nenhum. É pena. Ainda assim para os fãs de jogos de aventura, se o conseguirem arranjar num bundle indie jeitoso a baixo preço, é uma opção a considerar.

The Basement Collection (PC)

Vamos lá voltar às análises aos indie, e desta vez trago aqui uma interessante compilação de vários destes jogos. The Basement Collection é uma colectânea de trabalhos mais antigos de Edmund McMillen, uma das mentes por detrás do fantástico Super Meat Boy, e que contribuiu com artwork para muitos outros jogos indie, como o The Binding of Isaac. Esta compilação entrou na minha colecção steam já no ano passado se a memória não me falha, tendo sido adquirida num dos muitos bons humble bundles que nos foram sendo apresentados.

The Basement Collection - PCInicialmente dispomos de sete jogos para jogar, todos eles baseados em flash, já tendo sido lançados anteriormente em sites como o Newgrounds, no entanto incluem vários extras como níveis adicionais ou editores de níveis. Desses jogos temos o Aether, um dos jogos com uma mensagem mais pessoal. A personagem principal é um rapaz que tem de crescer, para isso viaja pelo espaço até outros planetas, onde descobre outras pessoas deprimidas com a vida, por variadas razões. Ao resolver os puzzles nesses planetas as suas “dúvidas existenciais” também vão desvanescendo. O Time Fcuk é provavelmente o jogo que mais gostei da compilação e é um puzzler bem desafiante. É um jogo que tanto faz lembrar o Portal como a jogabilidade trial-and-error de um Meat Boy. Basicamente temos de encontrar a saída de cada nível, e para isso temos de ir alternando entre vários “planos de existência”. Pensem no jogo como se fosse passado em várias camadas de papel e temos de alternar entre elas, evitando obstáculos e manipulando também a gravidade. O Spewer foi um jogo que eu não me consegui mesmo habituar. Nele controlamos uma estranha criatura ao longo de vários níveis de platforming, mas ao invés de saltar, temos de usar um mega-vómito como sistema de propulsão. Temos é uma reserva limitada de vómito, e muitas vezes temos de voltar a ingerir o que mandamos boca fora para os saltos seguintes. Yac.

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Time Fcuk é dos jogos mais mindfuck que já joguei

Grey Matter é outro jogo bem estranho. É uma espécie de shooter, onde não atiramos nos inimigos. Temos no entanto de os “atropelar”, evitando ser atingido pelos tiros deles. No entanto, ao destruirmos um inimigo, forma-se uma linha até ao próximo inimigo que destruímos e por aí em diante até formar um triângulo. Nessa altura, tudo o que estiver dentro do triângulo é também destruído e podemos recomeçar o processo. O Meat Boy dispensa quaisquer apresentações e pode ser visto como um protótipo ao Super Meat Boy lançado mais tarde. Coil é outro jogo bem bizarro, sendo uma história interactiva com controlos que vão variando à medida em que vamos progredindo no jogo. É mais um jogo abstracto em que me parece que vamos assistindo ao percurso de uma vida, supostamente conta a origem do Dr. Fetus, o vilão do Super Meat Boy. É um jogo engraçado na medida em que vamos estando completamente perdidos do que temos de fazer em cada fase do jogo, mas assim que descobrimos o que é pretendido, então tudo faz sentido. Por fim temos o Triachnid, mais um jogo fora do comum onde controlamos individualmente as 3 patas de uma aranha e temos de a guiar ao longo dos vários desafios.

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Spewer é um jogo bem desafiante. Eu pelo menos não consegui atinar com ele.

Para além dos jogos temos imensos extras, alguns já vêm desbloqueados de início, outros teremos de os desbloquear chegando ao final dos jogos. Nesses extras temos muitos sketches, artwork, vídeos, fotos, protótipos, entrevistas ao Edmund McMillen e trechos que não chegaram a sair no filme Indie Game: The Movie. Outras coisas como uma banda sonora, comic books, ou mesmo o mini-jogo Abusive Video Game Manipulation, que é desbloqueado ao chegar ao final de Coil. Como se ainda não bastasse, escondidos nas pastas do Steam estão outros jogos bem mais antigos, que sinceramente não cheguei a experimentar: Clubby the Seal, Dumpling e os  Weltling 1 e 2. Como podemos ver, existe imenso conteúdo a desbloquear, mas visto a natureza “hardcore” de muitos jogos, como o Meat Boy ou o Spewer, não será tarefa fácil.

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Exemplo de artwork que podemos ver e/ou desbloquear

Graficamente todos estes jogos (tirando o Meat Boy e o Time Fcuk com o seu look bem mais retro) têm o aspecto típico de jogos flash da velha guarda. E para quem gosta do artwork bizarro de Edmund certamente irá gostar dos visuais apresentados em todos os jogos. As músicas são também muito variadas, sendo completamente diferentes entre si consoante o jogo em questão.

Acho que este The Basement Collection vale precisamente pela oportunidade que nos dá ao explorar a mente de uma das pessoas mais criativas da cena indie. Todos os jogos são completamente distintos entre si, e tanto temos as coisas da “Nintendo hard way of living“, como podemos ver videojogos, ou conceitos de videojogos bem mais abstractos e artísticos, o que a meu ver ilustram perfeitamente as 2 vertentes que mais me interessam na cultura indie gaming.

The Need For Speed (Sega Saturn)

Need for SpeedThe Need for Speed, ou como lhe podemos chamar pelo seu nome completo “Road & Track Presents: The Need for Speed”, é o primeiro capítulo da famosa série de jogos de corrida da Electronic Arts. Como muitos dos primeiros jogos 3D da Electronic Arts nesse período dos anos 90, este jogo saiu originalmente para a mal amada 3DO, com conversões a sairem posteriormente para a Saturn, Playstation e PC. A minha cópia chegou-me às mãos após ter sido comprada há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, por 5€. Como todos os jogos da EA para a Saturn, vem com uma caixa bem grossa e um manual a condizer.

The Need for Speed - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Este é mais um artigo em jeito de “rapidinha”, pois também nunca joguei este Need for Speed assim tanto a fundo. Na biblioteca de jogos de corrida da Saturn, sempre preferi os jogos da Sega desse segmento. Mas adiante, este NFS é um jogo não tão arcade como os restantes jogos da época, e permite-nos estar ao volante de vários maquinões da época, como o Dodge Viper ou o Lamborghini Diablo. O jogo apresenta vários modos de jogo, desde o single race para quem quiser jogar uma partida rápida, até ao modo Tournament, onde temos de chegar em primeiro lugar em todos os circuitos para vencer este modo de jogo e também desbloquear um circuito bónus em Las Vegas. Existe também um Time Attack, mais voltado para as provas em contra-relógio, mas o que marca realmente a diferença em Need for Speed, é o Head 2 Head mode, que tanto pode ser jogado contra o CPU ou em multiplayer local. Este modo de jogo é um duelo entre 2 carros que, se for jogado num dos circuitos “abertos”, concorremos com tráfico local e polícias que vão patrulhando a estrada. Isso obviamente que resulta em perseguições policiais e se nos deixarmos apanhar levamos com uma multa. Na segunda multa somos logo desclassificados da corrida, o que tenho a ideia que acontece apenas na terceira multa noutras versões.

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As pistas decorrem em diferentes paisagens e climas, onde podemos escolher também o período do dia em que correr

No que diz respeito ao audiovisual é um jogo razoável. Isto porque é uma conversão do original da consola 3DO, um produto inferior tecnologicamente. Os cenários têm uma coisa boa, a sua draw distance é bem grandinha se comparada a muitos outros jogos de corrida da época, mas claro que isso está a custo de um detalhe menor nos cenários no geral. Os carros vistos de fora também não têm grande detalhe, parecem paralelipípedos com rodas, mas se passarmos para o interior, então é de admirar o trabalho feito com os interiores dos carros, que me parecem bem realistas e não era algo assim tanto comum de se ver nos jogos de corrida da época. Felizmente a banda sonora eu achei-a muito boa. Toda ela é composta pela dupla de artistas Jeff Dyck & Saki Kaskas, e tanto tem música electrónica, como outras bem mais a abrir e cheias de guitarradas como eu gosto.

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O interior dos carros dão um toque mais realista à coisa

Apesar dos seus visuais datados, acho que este Need For Speed não é um mau jogo a ter-se no catálogo da Saturn. Claro que a versão PC que saiu mais tarde para o Windows 95 é muito superior, mas ainda assim não achei nada mau o jogo, dá perfeitamente para nos divertirmos, e no fundo isso é o que interessa.