Battlefield 3 Premium (PC)

Este é um artigo que poderia (e deveria) ter sido escrito algures em 2012 ou 2013, altura em que jogava este Battlefield 3 muito frequentemente. No entanto, até muito recentemente apenas possuía uma versão unicamente digital, que me tinha sido oferecida como prémio ao ter participado num concurso de um fórum que frequentava nessa altura. Como gostei tanto do jogo, sempre quis arranjar a sua edição física e teimosamente nunca cheguei a escrever este artigo, quando o tinha fresco na memória. No mês passado lá consegui comprar a versão física a um particular por menos de 5€ e, após o ter jogado mais umas horas para melhor relembrar o jogo, cá vamos então a isto.

Jogo com caixa e papelada

Devo primeiro dizer que este foi o primeiro Battlefield que joguei (sim, mesmo antes do Battlefield 2 Modern Combat para a PS2) pois foi o primeiro Battlefield da série principal a ter toda uma campanha single player, enquanto os restantes estavam focados principalmente na sua vertente multiplayer, ou eram jogos com a sua origem em consolas, como foi o caso de Battlefield Bad Company. Mas após ter jogado a campanha até ao final, lá fui experimentar a vertente multiplayer e confesso que fiquei agarrado por uns bons meses ao jogo. Mas comecemos primeiro pelo que acontece se jogarmos sozinhos.

A campanha é curtinha, mas intensa. Gostei bastante!

A campanha é contada na sua maioria como narração de acontecimentos que decorreram no passado, maioritariamente na perspectiva do Sargento Blackburn, que está a ser questionado por agências de inteligência norte-americanas. Ocasionalmente controlamos também militares de outras unidades cujas missões estão relacionadas com a mesma campanha geral, como pilotos de aviões, de tanques ou mesmo uma unidade de elite russa em plena capital Francesa. A maior parte do jogo decorre no Irão, tanto na sua capital Teerão como nos seus arredores, onde as forças norte-americanas combatem um movimento revolucionário no país árabe, com ligações a grupos terroristas. Eventualmente lá teremos de evitar duas detonações nucleares, uma em Paris e outra em Nova Iorque. Numa nota meramente pessoal, gostei especialmente de rejogar a missão em Paris, pois teremos de nos infiltrar nos escritórios da Euronext para evitar um atentado terrorista com armas nucleares. Eu já trabalhei nessa empresa e conheço bem o seu escritório actual em Paris e, embora nada tenha a ver com o representado no jogo, não deixou de ser uma missão que me trouxe uma certa nostalgia também. De resto, a meu ver a campanha apenas peca por ser demasiado curta, mas gostei da narrativa e das missões no geral que nos foram apresentadas. Dá para ter uma ideia da versatibilidade que teremos ao jogar o modo multiplayer, as suas diferentes armas e veículos que poderemos vir a controlar.

Já disse que o jogo é graficamente muito bom?

De resto, antes de entrarmos no multiplayer competitivo a sério, devo também referir que este Battlefield possui também um modo cooperativo, onde teremos uma série de missões adicionais que poderíamos jogar com algum amigo. Algo que já tinhamos visto no Call of Duty antes! Mas lá está, é mesmo no multiplayer competitivo que este Battlefield 3 ganhou, justamente, toda a sua boa fama. A série já era conhecida pelos seus mapas grandes com capacidade para muitos jogadores em simultâneo, bem como a utilização de veículos para além de combates de infantaria. Isso está novamente aqui tudo presente, com alguns mapas com capacidade para até 64 jogadores em simultâneo, no PC. Para além do Battlefield 3, apenas tinha experimentado um pouco do Battlefield 1942, pelo que não sei o quanto deste jogo foi uma evolução do que já implementaram antes, ou algo inteiramente novo.

Cada classe possui habilidades única para suporte dos nossos companheiros

Basicamente teremos vários modos de jogo diferentes, alguns são bastante simples como é o caso dos mapas em team deathmatch, mas o que gostava mesmo de jogar era o modo Conquest. Aqui geralmente tínhamos mapas gigantes e três ou mais pontos de interesse espalhados pelo mapa, onde, em equipa, teríamos de conquistar e defendê-los o máximo de tempo possível. Mas sendo mapas grandes e com a possibilidade de usar vários tipos de veículos (desde jipes para transportar tropas, tanques, helicópteros ou mesmo caças), sempre houve um grande foco no trabalho de equipa. Poderíamos ser muito bons a dar headshots nos adversários, mas se não trabalhássemos para atacar e/ou defender objectivos não adiantava de nada! Para isso, cada soldado base pode pertencer a uma classe, todas com características e funções distintas entre si. Por um lado temos os Assault, que usam assault rifles e carregam medkits, que podem ser largados ao pé das nossas tropas, bem como são os únicos que conseguem reanimar colegas de equipa que tenham sido abatidos. A classe de suporte usa metralhadoras mais “a sério”, bem como carregam packs de munições que podem ser largados junto das nossas tropas. Os engineers conseguem reparar veículos e sabotar os dos adversários, bem como equipar armas explosivas como bazookas. Por fim temos os recon, os infames snipers que conseguem também localizar tropas inimigas, fazendo-as aparecer no radar da nossa equipa.

As expansões trazem imensos mapas, armas e veículos novos

Naturalmente que à medida que vamos participando em combates, vamos também ganhando pontos de experiência nas classes que tivermos seleccionado, bem como as armas usadas. Isto permite-nos não só ir ganhando novas customizações para as armas em questão, como diferentes miras, supressores de ruído, lanternas e afins, como novas armas ou outro tipo de equipamentos para as classes em questão. Por exemplo, nos recon podemos eventualmente desbloquear um drone que sobrevoa uma determinada região e mostra as posições dos inimigos no mapa.

Os veículos que podemos utilizar resumem-se principalmente a jipes para transporte de pessoas, tanques que são bastante divertidos de controlar e claro, os helicópteros e caças, que já possuem mecânicas de jogo completamente diferentes e sinceramente nunca me habituei muito bem aos aviões no multiplayer. Já os helicópteros, com algum treino já os conseguia manobrar melhor. Nas expansões que foram sendo lançadas posteriormente, trouxeram muitos outros veículos adicionais, mas confesso que já não perdi tanto tempo com elas. Jà que refiro as expansões, este Battlefield 3 possui nada mais nada menos que 5 expansões diferentes: a Back to Karkand, Close Quarters, Armored Kill, Aftermath e Endgame. Estas adicionam principalmente novos mapas, veículos, armas e até diferentes modos de jogo. Algumas são mais temáticas, por exemplo a Back to Karkand inclui mapas redesenhados do Battlefield 2, a Close Quarters está mais focada em mapas mais pequenos para infantaria, já a Armored Kill está mais focada nos veículos blindados. Aftermath adiciona uma série de mapas de cidades em ruínas após um terramoto, e por fim o EndGame adiciona mais uma série de veículos, incluindo uma moto, bem como o regresso do modo de jogo Capture the Flag.

É impossível ficar indiferente a todos os momentos de caos que conseguimos presenciar num confronto online

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo era realmente excelente, pois foi desenvolvido sobre o então mais recente motor gráfico da DICE, o Frostbite 2. Para além de gráficos super realistas para a época, com cenários e texturas muito bem detalhadas, bonitos efeitos especiais como luz e explosões, permitia também destruir muitas superfícies, se usássemos uma metralhadora pesada, era perfeitamente possível destruir blocos de cimento e respectivos abrigos dos nossos adversários. Claro que o mesmo princípio também se aplica a nós! Com esta destruição, as zonas de combate ficam muito facilmente envolvidas em nuvens de poeira, o que também pode ser usado a nosso favor. Mas para além do detalhe gráfico em si, das coisas que mais gostei no jogo foi mesmo o design apelativo das indicações que nos vão surgindo no ecrã. De resto, a nível de audio também é um jogo muito competente. As armas possuem sons que as distinguem bem entre si, e vamos ouvindo muitas indicações por rádio, parece mesmo que estamos num campo de batalha. O voice acting do modo campanha também não é mau de todo.

Sim, este é um jogo onde temos de estudar trigonometria avançada para prever a trajectória das balas e outros projécteis que disparamos

Portanto este Battlefield 3 foi um jogo que na altura me marcou bastante pela positiva. Não sou de me prender durante muito tempo a modos multiplayer visto ter um grande backlog de jogos pela frente, mas este Battlefield 3 acabou mesmo por me agarrar vários meses a fio. Tenho algumas das suas sequelas que planeio jogar em breve, mas não estou à espera de voltar a prender-me tanto tempo na sua vertente multiplayer. Veremos!

PGA Tour Golf (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma rapidinha a um jogo de desporto (este mês conto em fazer isto várias vezes), desta vez para a adaptação para a Mega Drive do primeiro PGA Tour Golf produzido pela Electronic Arts. Mas depois de ter escrito algo sobre o PGA Tour Golf III, torna-se um bocado mais ingrato ter de abordar este jogo inicial. O meu exemplar veio num bundle de vários jogos de Mega Drive que comprei no flea market de Janeiro, ficou-me a 7/8€.

Jogo com caixa e manual

Ora a série PGA Tour Golf começou no MS-DOS e isso nota-se bastante nesta adaptação, a começar pelos menus que parecem mesmo saídos de um software para PC, e com suporte ao rato, o que não acontece na versão Mega Drive. Acabam por não ser tão intuitivos para uma consola, mas também com um pouco de práctica vai-se lá. E aqui podemos participar numa série de diferentes eventos de golf, desde modos de treino até ao grande modo torneio. Aqui, dispomos de vários circuitos de golf (supostamente todos licenciados) onde teremos de completar todos os seus 18 buracos, ao longo de 4 rondas. Aqui vamos competindo contra dezenas de outros jogadores e a ideia é mesmo a de tentar usar o mínimo de tacadas possível em cada buraco.

Os menus e o seu número reduzido de cores parecem mesmo retirtados de um jogo MSDOS EGA.

A jogabilidade básica é a mesma de sempre, onde antes de darmos cada tacada temos uma barra de energia que se vai movendo gradualmente, tendo nós de pressionar um botão para definir a potência da nossa tacada e em seguida para definir a sua direcção. Naturalmente existem níveis óptimos para cada uma destas acções, pelo que o ideal é definir a potência e direcção o mais próximo possível desses valores. Depois este é um simulador, pelo que contem também com factores externos como o vento e a possibilidade de usar diferentes tipos de taco para cada terreno e/ou para cada distância ao buraco. Não percebo nada disto, o jogo vai-nos mudando o tipo de taco automaticamente em cada jogada, pelo que tenho mantido os tacos que o jogo escolhe para mim. Quando estamos próximos do buraco, podemos activar uma espécie de mapa com curvas de superfície, para que possamos ter uma ideia das curvaturas que nos esperam.

Antes de cada buraco temos sempre um conselho de alguém.

De resto, a nível audiovisual, para além dos menus que já referi acima, mesmo a nível gráfico continua a senação que estamos a jogar um jogo antigo de MS-DOS, quanto mais não seja pelas cores que me parecem muito próximas de um sistema EGA. De resto o jogo até que possui alguns detalhes interessantes, como os comentários de outros profissionais de golf antes de cada buraco, ou dos comentadores desportivos que vão comentando a performance dos competidores em prova. Os gráficos em si são simples, mas detalhados quanto baste, embora naturalmente que na sua sequela estejam um pouco mais aprimorados. Músicas e afins, geralmente apenas ocorrem em menus ou nas transições de buracos.

O CPU vai escolhendo qual o melhor taco (à partida) para cada jogada. Ainda bem pois não queria ter esse trabalho.

Portanto este parece-me ser um jogo de golf bastante sólido para quem for fã do género, embora na Mega Drive existam muitas mais alternativas mais recentes, principalmente da própria Electronic Arts.

World Cup Italia ’90 (Sega Mega Drive)

Vamos ficar com mais uma super rapidinha a um jogo desportivo, que já por cá analisei algo superficialmente na compilação Mega Games I. Mas não mudo uma vírgula do que lá escrevi: é um jogo um bocado mau, tanto na sua jogabilidade como nos seus audiovisuais, no entanto não deixa de ter um valor nostálgico para mim, pois foi dos primeiros jogos que alguma vez joguei numa consola.

Jogo com caixa e manual

O meu exemplar foi comprado no mês passado no flea market do Porto por 7€. É daqueles que nunca mais me lembrei de comprar ao longo de todos estes anos, pois tinha mesmo a ideia que já o tinha na colecção. E cá ficou, mais caro do que queria, mas também veio num bundle considerável com outros jogos melhorzinhos.

Blue Stinger (Sega Dreamcast)

Sendo eu um grande SEGA fanboy na minha infância e adolescência, acompanhei com grande expectativa o lançamento da Sega Dreamcast, tanto no Japão, como nos EUA e claro, por cá no nosso continente. E a Dreamcast, quando finalmente foi lançada cá em 1999, até que possuía um catálogo de jogos de lançamento interessante, sendo que este Blue Stinger, produzido pela Climax (Landstalker, Dark Saviors, etc) sempre foi um dos que me despertou mais interesse, embora nunca tenha tido a oportunidade de o jogar antes. O meu exemplar foi comprado a um particular por uns 16/17€ salvo erro, algures em Maio do ano passado.

Jogo com caixa e manual

Por esta altura o género dos survival horrors era um dos mais populares da indústria, muito por culpa de jogos como Resident Evil e Silent Hill. E este Blue Stinger tenta replicar as mecânicas de jogo base desse tipo de jogos, onde teremos de enfrentar vários monstros, resolver alguns puzzles e procurar uma série de chaves ou cartões para abrir certas portas. Mas nunca chega a ser um jogo minimamente assustador, e a parte do survival, bom, jogando com paciência, raramente ficaremos sem munições. Mas já lá vamos.

Ocasionalmente teremos alguns puzzles para resolver, como habitual neste tipo de jogos.

Este Blue Stinger coloca-nos principalmente no controlo de Eliot, um agente da ESER (Emergency Sea Evacuation and Rescue) que estava a gozar as suas merecidas férias num barco ao largo de uma ilha. Essa ilha era ocupada por uma grande corporação, a Kimra, onde para além de todos os seus laboratórios scretos, também possuiam uma pequena cidade com todas as sua comodidades, onde viviam todos os funcionários da Kimra. A certa altura cai um objecto estranho do céu, atingindo precisamente o centro da ilha, causando uma grande explosão e uma barreira de energia que a circulou, isolando a ilha do mundo exterior. Eliot foi apanhado nesta confusão e acaba por acordar já na ilha, esta agora repleta de monstros e humanos mutantes. Portanto para além de lutar pela nossa sobrevivência, vamos também acabar por investigar o que aconteceu ao certo por lá. Mas Eliot não está sozinho, desde cedo que somos acompanhados por Dogs, um capitão de um navio que abastece a ilha e com uma personalidade muito peculiar.

Podemos comprar esta T-Shirt e se o Dogs a vestir, torna-se num mestre de Sumo

E o primeiro facto interessante deste Blue Stinger é mesmo a possibilidade de irmos alternando entre jogar com Eliot ou Dogs, sendo que ambos possuem algumas características que os diferenciam. Eliot é mais ágil, podendo nadar e equipar tanto armas de fogo como armas brancas para combates corpo a corpo, como por exemplo um taco de basebol, ou um machado ou até um sabre de luz à Star Wars. Já o Dogs é mais gordinho, não nada, nem usa armas brancas mas sim outras de fogo mais pesadas como uma rail gun ou uma metralhadora pesada. Pode no entanto vestir t-shirts que lhe o tornam num mestre de artes marciais, como uma t-shirt a dizer Karate, ou outra a dizer Wrestling, por exemplo! Só aqui já dá para ter uma ideia que não é um jogo para ser levado muito a sério. Agora muitos dos itens consumíveis que usamos, como armas, munições, comida ou bebida que nos regeneram (ou até extendem) a nossa barra de vida, podem não só serem encontrados ao longo dos cenários, bem como comprados em máquinas de vending que vamos encontrando um pouco por todo o lado. Portanto é importante irmos encontrando dinheiro para gastar nestas máquinas de vending, pelo que quem tiver paciência consegue-se ir abastecendo bem ao longo de toda a aventura. Isto porque para amealhar dinheiro podemos não só usar cartões de crédito que vamos encontrando (se bem que temos de adivinhar o seu pin) mas também apanhar as moedas que são cuspidas pelos mutantes humanos assim que os derrotarmos. Ora sempre que entramos e saimos na mesma sala, os monstros humanóides voltam à vida e mais uma vez carregadinhos de mais dinheiro, pelo que podemos ir repetindo este processo as vezes que forem necessárias para ir juntando mais dinheiro.

Podemos alternar entre ambas as personagens livremente

De resto, os controlos são relativamente simples, tendo em conta que estamos a falar de um jogo de acção em 3D, mas para uma consola que dispõe apenas de um analógico. Então a câmara prega-nos por vezes algumas partidas, visto que não a podemos controlar enquanto jogamos normalmente. Quando estivermos parados é possível alternar para uma perspectiva de primeira pessoa e olhar para os cenários livremente em 360º, mas não é a mesma coisa até porque não podemos fazer mais nada assim. Curiosamente a versão japonesa deste jogo possui ângulos de câmara fixos à lá Resident Evil clássicos, mesmo sem ter gráficos pré-renderizados.

Vamos tendo vários monstros diferentes para combater, mas nunca chega a ser um jogo propriamente assustador.

No que diz respeito aos gráficos, bom, estamos perante um jogo de lançamento da Dreamcast. Ou seja, em 1999 garantidamente que não havia nada melhor graficamente, tanto na Playstation 1, quanto na Nintendo 64. Mas mesmo assim não é um jogo que tenha envelhecido propriamente bem. As personagens possuem pouco detalhe poligonal e parecem feitos de plasticina! Mas ainda assim, nota-se perfeitamente que houve um esforço por parte da Climax em deixar tudo o mais realista possível, princpalmente quando exploramos o que resta da cidade construída para os funcionários de Kimra. O jogo decorre em plena época natalícia, embora seja nos trópicos pelo que é um bocado estranho ver motivos de Natal em pleno bom tempo. Ainda asssim, as lojas, os cinemas e outros sítios vão possuindo algumas texturas interessantes, inúmeras publicidades e luzinhas. Até um club de strip a Kimra construiu para os seus funcionários, e claro que o iremos explorar também. Mas no som, bom… as músicas são muito operáticas e épicas… o problema é que as vamos ouvindo vezes sem conta, mesmo quando tal não se justifica. Quando visitamos a zona da cidade, a música é ridicularmente alegre, quase que de fanfarra, o que mais uma vez se acaba por ser algo bizarro e chato.

Graficamente é um jogo onde até tiveram uma interessante atenção ao detalhe

Já no que diz respeito ao voice acting, é engraçado que todas as versões, incluindo a japonesa, possuem o mesmo voice acting em inglês. A qualidade dos actores sinceramente não é má de todo, já presenciei muito, muito pior e em jogos mais recentes que este. Mas a narrativa… bem, essa é tão surreal que só por isso já faz todo o jogo valer a pena. Desde as piadas más que vão mandando ocasionalmente, passando por algumas cenas muito bizarras, como o Dogs a insistir com o Eliot para tomarem um banho de água quente numa sauna, ou do nada, depois de Eliot ser infectado (desculpem o spoiler), urinar para um lago e sair um jacto verde das suas calças.

Mas também temos alguns momentos awkward deliciosos

Portanto, este Blue Stinger, apesar dos seus problemas de câmara e acting dignos de um filme de série B, até que se nota bem que a Climax se esforçou bastante para fazer uma obra prima. E apesar do jogo não ter envelhecido tão bem quanto isso, na verdade para mim até se revelou numa surpresa interessante.

SNK vs Capcom Card Fighters DS (Nintendo DS)

O primeiro crossover entre a Capcom e a SNK não foi o popular jogo de luta com personagens das duas empresas, mas sim um jogo de trading card para a Neo Geo Pocket, algo semelhante no seu conceito ao Pokémon Trading Card Game para a Gameboy Color. Aqui o crossover estava mesmo nas cartas usadas, que tinham por protagonistas precisamente as principais personagens de ambas as empresas. À boa moda dos Pokémon, esse jogo foi disponibilizado em 2 versões, uma mais focada na Capcom, outra na SNK. Dois anos mais tarde, em 2001 e já com a plataforma Neo Geo Pocket (Color) em pleno declínio, foi lançada uma sequela em exclusivo no Japão. Depois todos sabemos o período conturbado que a SNK passou nos anos seguintes e só em 2006/07 é que voltamos a receber um título novo desta série, exclusivamente para a Nintendo DS. O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters ao desbarato, algures em Novembro de 2016.

Jogo com caixa, manual e papelada

Enquanto que os originais possuiam uma história com algumas parecenças com a série Pokémon, na medida em que protagonizavamos uma criança que ia viajando pelo seu país, enfrentando vários oponentes, incluindo o campeão local, para conseguir entrar no principal torneio de cartas da região e enfrentar os oponentes mais fortes. Nada de muito excitante mas sempre dava para entreter. Aqui infelizmente simplificaram ainda mais as coisas. Encarnamos uma vez mais numa criança/jovem adolescente que se preparava para participar num grande torneio numa torre, mas coisas acontecem, todas as pessoas na torre, à excepção do protagonista foram hipnotizadas para se tornarem agressivas e teremos de os vencer a todos em combates de cartas à medida que vamos subindo na torre, defrontando também os vilões responsáveis por toda a confusão. Portanto aqui não há grande variedade de cenários e infelizmente os diálogos também são muito simples (e até algo estúpidos). As coisas não começam lá muito bem então!

Em cada andar na torre, apenas nos podemos deslocar nos pontos ilustrados no ecrã inferior

Entretanto, como Trading Card Game acho que o sistema até que é bastante sólido. Sinceramente já não me recordo bem das mecânicas de jogo dos primeiros jogos da Neo Geo Pocket, pois já os joguei (através de emulação) há mais de 15 anos seguramente, mas aqui as mecânicas são muito parecidas com as de Magic: The Gathering, para quem as conhecer. Possuímos 3 tipos de cartas distintas, as Character Cards, que tal como as criaturas standard de MTG apenas as podemos lançar no nosso turno, ficando bloqueadas sem poder atacar ou defender até ao nosso turno seguinte. Possuimos também as Action Cards, que tal como os Sorcery de MTG podemos apenas jogar no nosso turno, sendo estas cartas de suporte com habilidades distintas como regenerar os pontos de vida das nossas Character Cards ou alterar os seus atributos. Por fim temos os counters, também cartas de suporte mas que apenas os podemos jogar no turno dos nossos oponentes. Estas permitem-nos, por exemplo, desbloquear todas as cartas de Character que temos no tabuleiro, sejam cartas que tenhamos lançado no turno anterior, ou outras que tenhamos usado para atacar. Ou seja, tal como o MTG, as criaturas que usarem para atacar no nosso turno, não podem ser usadas para defender dos ataques do nosso oponente no turno seguinte. E claro, o objectivo é o de reduzir a vida do nosso oponente a zero.

Tal como no MTG, vamos ter cartas de suporte, algumas que devem ser jogadas no nosso turno apenas como é o caso das Action Cards

Agora, para usar todas estas cartas e suas habilidades precisamos de mana, ou como o jogo lhe chama, force. Tal como o MTG temos manas de diferentes elementos/cores mas não usamos terrenos para ir amealhando e gerindo a nossa pool de mana, aqui já entram mecânicas de jogo diferentes de MTG. Começamos cada partida com 3 manas de cor branca/neutra e, nos turnos seguintes vamos ganhando uma mana neutra eoutras consoante o número de cartas de criatura que tenhamos no tabuleiro, sendo que as manas que ganhamos são de acordo com as “cores” das cartas que temos em jogo. Mas claro, existem muitas cartas com custos altos, pelo que podemos também ganhar mana de outras formas. A primeira é a de descartar cartas que tenhamos na mão, ganhando uma força correspondente à cor da carta descartada. Outra forma é a de “trancar” criaturas que tenhamos em jogo – ou seja não poderão atacar ou defender até ao nosso turno seguinte – sendo que estas libertam uma quantidade variável de mana de carta para carta.

As cartas que usemos para atacar, tipicamente não podem ser usadas para bloquear no turno do adversário.

As cartas de criaturas possuem também outras habilidades especiais que podem ser usadas com recurso a mana, claro, com efeitos diversos, desde regenerar pontos de vida de criaturas, modificar-lhe os seus stats, obrigar o oponente a descartar cartas, entre outros, inclusivamente regenerar alguma da nossa mana. Existem ainda outras mecânicas de jogo que podemos ter em conta como a possibilidade de “back-up”, ou seja, para regenerar alguns pontos de vida de alguma  criatura que tenhamos em jogo. Para isso teremos de pagar um pequeno custo de mana e descartar uma carta da mesma cor que tenhamos em mão. Existem ainda outras mecânicas que devemos ter em conta, mas creio que já me alonguei bastante neste tema.

No que diz respeito à parte gráfica, bom, o facto de o jogo decorrer apenas numa torre não lhe dá grande variedade nos cenários. Para além disso, nem sequer nos podemos mover livremente pela torre, sendo obrigados a seleccionar os pontos de interesse no ecrã de baixo da Nintendo DS, com a personagem a deslocar-se automaticamente para lá no ecrã superior. Sinceramente até que gostei do artwork das cartas, estando mais fiel ao artwork original das personagens. Nos primeiros jogos desta série na Neo Geo Pocket, as cartas possuíam um design muito super deformed. Mas se por um lado até que gostei do design das cartas, por outro o dos protagonistas do jogo nem por isso. O facto de os diálogos também serem horríveis creio que não ajuda nada! Já no que diz respeito às músicas, nada a apontar. Não são músicas propriamente memoráveis, mas eram agradáveis e variadas quanto baste.

Mas antes de terminar, convém também mencionar algo muito importante. Pelo que pesquisei na internet, não é claro para mim se este é um bug que afecta também as versões europeias do jogo, mas a primeira versão norte-americana possui um bug gritante que impede as pessoas de chegarem ao fim do mesmo. Isto porque, após a primeira vez que chegamos ao topo da torre e defrontamos os bosses finais, somos convidados a jogar uma segunda volta e percorrer a torre novamente para alcançar o verdadeiro final do jogo. Ora nesta segunda volta há uma personagem que, quando começamos a dialogar com a mesma, o jogo encrava completamente. Tendo em conta que precisamos de falar e combater com todos os NPCs para progredir no jogo, este bug não nos deixa mesmo chegar ao fim. Isto é um bug muito grave que só prova que não houve o mínimo de QA, pois o primeiro teste que deveriam fazer era precisamente chegar ao fim do jogo! Ora tal como referi acima, não tenho a certeza se as versões europeias foram afectadas. As norte-americanas foram certamente e a SNK Playmore acabou por as substituir por uma versão corrigida. No meu caso, sinceramente não tive paciência para jogar a segunda volta, para além disso estava a jogar num flashcart pela comodidade adicional. Mas fica o aviso.