Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Depois do sucesso do primeiro Leisure Suit Larry, Al Lowe e a Sierra não perderam muito tempo para colocarem cá fora uma sequela. Usando um motor gráfico mais recente (a primeira versão do SCI), esta sequela é um jogo mais linear, no entanto bem maior, com muitos mais locais para visitar. O meu exemplar digital, tal como os outros jogos da série, veio na compilação Leisure Suit Larry’s Greatest Hits and Misses que foi comprada no GOG algures em 2013 por menos de 2.5€.
Depois da noite incrível que Larry protagonizou no final do primeiro jogo, a sua aventura começa precisamente na casa de Eve, onde acaba por ser expulso da vida da sua primeira conquista amorosa. Ao vaguear por Los Angeles, acabamos por nos ver envolvidos numa série de eventos bizarros: Larry finge ser o vencedor da lotaria e, enquanto está prestes a ser entrevistado pela estação televisiva local, vê-se agarrado a participar por engano num programa de encontros amorosos, onde, incrivelmente, acaba por ganhar uma viagem num cruzeiro pelos trópicos com a jovem concorrente. Pelo meio vê-se também envolvido, acidentalmente como sempre, no meio de uma conspiração de um vilão à lá James Bond que possui uma base secreta numa ilha tropical, onde naturalmente acabaremos por tropeçar e teremos também à perna inúmeros agentes do KGB à nossa procura.
Como habitual vamos tendo sempre uma narrativa bem humorada
Portanto, sendo este um jogo mais linear, tem no entanto vários pontos sem retorno, o que nos pode levar a avançar na história sem ter coleccionado alguns itens importantes antes, algo que iremos certamente sentir a sua falta mais tarde pois o que não faltam aqui são diferentes cenários de game over. Seja pela falta de algum item específico, seja por não usarmos alguns itens em certos momentos chave (o protector solar é muito importante!), ou se caírmos nalguma armadilha do KGB entretanto, ou simplesmente se formos desastrados em certos momentos do jogo. Tal como o seu predecessor, o interface é todo feito através de comandos que teremos de escrever, pelo que por vezes lá existam algumas falhas de vocabulário. Mover Larry é feito através das setas do teclado, e neste jogo teremos algumas ocasiões onde teremos de mover Larry por caminhos perigosos, como escapar de areia movediça, ou atravessar um perigoso desfiladeiro. Por todas estas razões é muito importante ir gravando o progresso no jogo em vários pontos, seja para voltarmos a uma zona atrás no jogo para procurar algum objecto que tenha ficado esquecido, ou para escapar de alguma armadilha do KGB, por exemplo.
Este segundo jogo está repleto de armadilhas e mortes bizarras! Façam saves frequentes e em slots diferentes
A nível audiovisual, sinceramente prefiro o primeiro Larry. Aqui já jogamos num motor gráfico novo, que apesar de possuir sprites, cenários e animações mais detalhadas, ainda é um motor gráfico com tecnologia EGA com 16 cores em simultâneo. Ou seja, com tão poucas cores disponíveis, sinceramente acho que os visuais mais simples e limpos do primeiro jogo tenham envelhecido melhor. Basta verem screenshots dos ecrãs na selva para terem uma ideia melhor do que estou a tentar dizer. Por outro lado, no som, já temos mais músicas e efeitos sonoros ao longo do jogo, embora ainda existam muitos momentos absolutamente silenciosos.
Esta fase foi muito chata!
Portanto este Leisure Suit Larry é mais uma aventura gráfica repleta de situações caricatas e bom humor. É também um jogo mais linear que o seu predecessor, porém é maior, com uma maior variedade de localizações distintas a explorar. No entanto, exige uma jogabilidade ainda mais cuidada, pois teremos imensas armadilhas e alguns puzzles não muito lógicos, muitas vezes exigindo itens que podemos ter deixado passar despercebidos em áreas anteriores às quais já não poderemos regressar. Uma vez mais, múltiplos saves são absolutamente recomendados, caso não queiram consultar nenhum guia.
Co-produzido pela Cryo Interactive e pela Arxel Tribe, ambas empresas com bastante experiência em jogos de aventura, este Ring: The Legend of the Nibelungen é uma ambiciosa, porém bastante bizarra adaptação da popular ópera de Wagner com um nome semelhante. Esta que por sua vez conta a lenda do Anel dos Nibelungen e uma série de tramas envolvendo deuses da mitologia germânica. O meu exemplar foi comprado há uns valentes anos atrás, numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado uns 5€.
Versão big box em CD-ROM, com 6 discos, manual, papelada e uma disquete que aparentemente possui um “manual interactivo”. Nunca cheguei a confirmar o seu conteúdo, visto actuamlente não ter nenhum PC com drive de disquetes à mão.
Ora tal como referi acima, este jogo é uma adaptação da ópera The Ring of the Nibelungen do compositor Richard Wagner, que conta a história de um anel poderoso, forjado por Alberich, um anão tirano, que irá despoletar uma série de confrontos entre os deuses e outros heróis mortais, como é o caso de Siegfried. Mas ao contrário da ópera de Wagner, aqui a história possui um grande twist, ao introduzir várias influências de ficção científica, com naves espaciais e afins. Aliás, nós encarnamos num humano chamado Ish, um dos últimos sobreviventes da raça humana, muito no futuro, após o planeta ter sido dizimado por outras civilizações alienígenas. Guiados por Erda, uma deusa, somos convidados a vivenciar a história do anel de Nibelungen ao encarnar em diversos portagonistas ao longo de quatro capítulos.
Os mundos que exploramos e as personagens com as quais interagimos possuem um design muito peculiar
Poderemos jogar qualquer um destes capítulos na ordem que bem entendermos, até podemos se quisermos abandonar um capítulo a qualquer momento e explorar outro, mas é recomendado que os joguemos por uma certa ordem, para melhor compreender a história. Podemos então encarnar em Alberich e acompanhá-lo na sua viagem para criar o tal malfadado anel, ou no deus do fogo Loge, que, a mando de Wotan, o chefe dos deuses, viaja ao mundo de Alberich para o derrotar e roubar o seu anel. Ou poderemos encarnar no filho mortal de Wotan, Siegmund, anos mais tarde, e vingar a morte da sua mãe e irmã. Por fim poderemos também encarnar na valquíria Brunhild, no seu exílio após ter desobedecido a Wotan num dos capítulos anteriores.
Para construir forjar o anel, Alberich teve de ultrapassar muitos obstáculos e tentações
No que diz respeito a mecânicas de jogo, este é um jogo de aventura na primeira pessoa com mecânicas idênticas a jogos clássicos como Myst ou Atlantis, este também da Cryo. Ou seja, teremos lindíssimos (para a altura) cenários com gráficos pré-renderizados, embora aqui possamos olhar livremente em 360º à nossa volta. O ponteiro do rato irá assumir diferentes formas quando podemos interagir com alguém ou algum objecto, ou quando nos podemos mover nalguma direcção específica. Como muitos jogos de aventura deste género, cada vez que nos tentamos mover de um local para outro, é acompanhado de um pequeno clip de vídeo que regista essa deslocação. Ou seja, traduzido em miúdos de 1999, isto resulta numa aventura divida ao longo de 6 CDs. Naturalmente também teremos de resolver alguns puzzles bem como coleccionar objectos para os resolver. Muitos destes puzzles são tão bizarros quanto o jogo em si!
A qualquer momento podemos consultar o nosso inventário e usar os itens que vamos amealhando, bem como habilidades específicas de cada personagem
No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo possui um design muito singular, ao misturar mitologia germânica com ficção científica, com naves espaciais, pranchas voadoras, titãs representados como mechas, entre outras escolhas bizarras, a comear pela caracterização de muitas das suas personagens. As músicas, tal como faria sentido que assim fosse, são todas excertos da mesma ópera de Wagner, o que sinceramente me agrada bastante! Já no que diz respeito ao voice acting, apesar deste ter sido criticado em muitas reviews, sinceramente eu gostei. Primeiro porque temos a Charlotte Rampling a dar a voz a Erda, num inglês calmo e perfeito. Por outro lado temos intrerpretações bastante bizarras e exageradas noutras personagens, mas a meu ver fazem todo o sentido, pois é mesmo suposto serem exclamações teatrais.
Portanto devo dizer que achei este Ring muito interessante. Não é um jogo perfeito, longe disso, e de certa forma até entendo algumas das críticas que recebeu. Mas é um título muito ambicioso para a sua era, e leva-nos numa viagem muito bizarra, mas também cativante. A Arxel ainda desenvolveu a sequela Ring 2 que aparentemente possui mecânicas de jogo inteiramente diferentes e recebeu ainda críticas piores, mas estou curioso com a conclusão desta história, pelo que se um dia o apanhar ao desbarato, irei certamente aproveitar.
Depois de ter cá trazido o Softporn Adventure, não resisti em voltar a jogar o primeiro Leisure Suit Larry novamente. Já tinha jogado a sua versão original há muitos anos atrás, mas por acaso nunca tinha experimentado o seu primeiro remake, lançado originalmente em 1991 num novo motor gráfico em VGA. Ambas as versões vieram incluidas na compilação Leisure Suit Larry’s Greatest Hits and Misses cujo meu exemplar foi comprado digitalmente no GOG.com algures em 2013 por menos de 2.5€.
Ora e aqui temos então a primeira aventura de Larry, um “jovem” de 38/40 anos, dependendo da versão em questão, e virgem. Desesperado por perder a sua virgindade, decide passar uma noite na cidade de Lost Wages, uma paródia de Las Vegas, sendo que se não conseguir perder a virgindade até ao início do dia, Larry irá-se suicidar. E isto de facto é um cenário possível de acontecer, pois na versão original poderemos consultar as horas e se amanhecer sem Larry perder a sua virgindade, ele dá um tiro na cabeça (agora onde é que ele foi buscar aquela pistola que tinha dado tanto jeito??). Se requesitarmos os serviços de uma prostituta que encontramos cedo no jogo, o relógio pára de contar e podemos pelo menos prevenir essa morte (assumindo que tenhamos feito sexo seguro e deitado fora o persevativo depois do acto). Tal como no Softporn Adventure, o jogo possui mais ou menos a mesma história, os mesmos locais para visitar e puzzles para resolver. Isto inclui portanto o bar manhoso com uma prostituta no primeiro andar, uma discoteca, casino com hotel (onde poderemos inclusivamente jogar em slot machines ou blackjack para ir amealhando algum dinheiro), uma capela de casamentos rápidos ou uma loja de conveniência. Ora no Softporn Adventure o nosso movimento estava restrito às direcções que nos eram indicadas no texto, aqui podemos mover Larry livremente, quer recorrendo às teclas do teclado, quer recorrendo ao rato ao clicar nos locais onde queremos levar Larry. Mas se tentarmos sair fora das zonas que podemos visitar, coisas más acontecem, pelo que teremos de usar na mesma o serviço de táxis para nos deslocarmos entre os vários locais.
Apesar de visualmente menos apelativos, sempre gostei do charme destes gráficos pixel art
Na versão original de Larry, que usa o velhinho motor gráfico AGI (adventure game interpreter), todas as acções para além do movimento, devem ser indicadas através de palavras chave, tal como nas aventuras de texto da velha guarda. Frases como OPEN DOOR, LOOK GIRL, TAKE/GIVE OBJECT e por aí fora. Já o remake usava o novo motor gráfico SCI (Sierra’s Creative Interpreter), com visuais bem mais coloridos e uma interface 100% controlada pelo rato, através de ícones distintos que representam movimento, observar, tocar, falar, cheirar/provar ou mesmo um ícone para desapertar as calças. Portanto esta nova engine já é um verdadeiro point and click. Também podemos consultar o inventário e usar várias destas acções, incluindo seleccionar um objecto para usar no jogo em si, com um cursor próprio. Ocasionalmente poderemos ter de escrever algo no teclado também, mas o grosso das acções são mesmo usadas representando o rato. A primeira versão possui ainda alguns extras interessantes, como uma espécie de “ecrãs de pânico” com bom humor, mostrando uma calculadora com a simples operação de 2+2, ou gráficos e estatísticas genéricas, possivelmente para esconder o jogo dos patrões ou familiares.
Ao longo de toda a aventura iremos presenciar imensas situações caricatas
A nível audiovisual, ambas as versões são bastante distintas. O lançamento original, usa gráficos EGA, que são bastante limitados na sua resolução ou número de cores em simultâneo no ecrã, enquanto o primeiro remake já suporta sistemas VGA, com gráficos bem mais coloridos e detalhados, bem como mais música e efeitos sonoros no geral. Apesar deste remake ser em dúvida o jogo mais bonito dos dois, acho que acabo por prefirir o feeling do pixel art do original, em detrimento aos gráficos mais coloridos e cartoon do remake. Já no som, é inegável que a versão VGA é também superior, embora o tema título do jogo seja incrivelmente viciante na sua encarnação original também!
A versão VGA mantém a mesma história, mas com gráficos bem mais coloridos e melhores músicas e som
Portanto este primeiro Leisure Suit Larry é um jogo super divertido, repleto de bom humor e alguns puzzles simples, mas interessantes! É certo que a história é uma adaptação do Softporn Adventure, mas poucas foram as pessoas que o jogaram comparando com os Larries. Fiquei com vontade de ir jogando os restantes jogos da série, pelo que esperem por mais alguns artigos em breve. Convém também referir que esta primeira aventura de Larry recebeu um outro remake bem mais recente, lançado em 2018. A ver se o apanho em promoção um dia destes!
Ora cá está um JRPG que foi tão criticado após o seu lançamento (aparentemente até responsáveis da NIS, Nippon Ichi Software, pediram desculpa pela sua péssima qualidade), que o seu preço acabou por cair a pique. Lembro-me de o ver novo na FNAC há uns valentes anos a ser despachado por algo entre os 7 e os 10€ e eu na altura acabei por não aproveitar, mas vim a comprá-lo mais tarde numa Cash Converters a um preço semelhante. E é verdade que é um jogo muito pouco polido e com imenso potencial desperdiçado, mas também já joguei muito pior.
Jogo com caixa e manual
Começando pela história, esta é mediocre. Basicamente somos levados para o mundo de Junovald, governado pelos deuses Formival e Meitilia. Formival é o responsável por trazer vida ao mundo, enquanto Meitilia é a deusa da morte. Tudo estava bem, o balanço entre vida e morte estava equilibrado, mas um dos deuses decidiu tramar alguma e quebrou o balanço. Certamente pensaríamos que Meitilia estava por detrás disso, mas não, foi Formival, o deus da vida que quebrou esse equilibrio, ao ressuscitar as almas de quem morre, muitas vezes em monstros e demónios e lançando aquele mundo num caos de várias guerras e conflitos. Para tentar restaurar o equilíbrio natural entre vida e morte, e para defrontar as forças de Formival, as nações de Junovald apoiam-se nos talentos de 2 tipos de guerreiros, os Blades e os Sealers. Os primeiros são guerreiros de elite, enquanto os sealers têm o poder de destruir almas, evitando que sejam ressuscitadas. Pois bem, nós vamos acabar por controlar ambos, nomeadamente o blade Nine, e a sealer Aisha, mas com a particularidade de ambos serem almas distintas que partilham o mesmo corpo físico. É que coisas acontecem logo no início do jogo e Nine acaba por ser assassinado durante um ataque surpresa, mas Aisha consegue ressuscitá-lo recorrendo a um feitiço proibido, com ambas as almas a partilharem o mesmo corpo. Sinceramente até achei este conceito bastante original e interessante, mas a narrativa acaba por ser mesmo muito medíocre e a história não evolui grande coisa.
O sistema de batalha é interessante e se for explorado em nosso proveito, pode-nos facilitar imenso todo o grinding
A jogabilidade, principalmente a dos combates, também é interessante mas infelizmente mais uma vez ficou ali muito potencial desperdiçado. Quando estamos fora de combate, podemos alternar entre a forma física de Nine ou Aisha, sendo que forma de Aisha vamos regenerando os pontos de vida, enquanto que na forma de Nine regeneramos os pontos de mana. Tanto numa forma como noutra poderemos também aceder ao menu e usar itens ou magias, como regenerativas, ou outras úteis como run ou float, que nos premitem andar bem mais rápido ou flutuar durante algum tempo. Agora o problema aqui é que cada personagem possui um set de magias distintas, mas quando abrimos o menu das mesmas, vemos as magias de ambas as personagens, mas apenas podemos executar as da personagem que estamos a encarnar no momento! Era um problema de fácil solução, digo eu…
Mas passando para o sistema de combate, este é um RPG com combates por turnos, embora os combates não sejam aleatórios, pois os inimigos estão visíveis enquanto navegamos pelo mundo. Temos um turno para os inimigos e um turno para nós, onde aqui já conseguimos controlar Nine e Aisha separadamente, e onde poderemos seleccionar as magias de cada um isoladamente, sem confusões. Mas o foco do jogo está precisamente no sistema de stamping e seus combos. Os ataques físicos são stamp attacks, onde poderemos definir que zonas do corpo dos adversários queremos atingir e por qual ordem, sendo que cada zona do corpo seleccionada consumimos um Chain Point, cuja reserva é tipicamente muito mais reduzida quando comparada com a barra de vida ou de mana. Ora à medida que vamos atacando (e acertando!) nas diferentes partes do corpo dos adversários, estas ficam marcadas por alguns turnos (número visível no ecrã), sendo que depois poderemos activar as stamp magic, ou seja, magias ofensivas que irão atingir todas as zonas previamente marcadas. Ora isto vai resultando numa grande sequência de pontos de dano!
Os inimigos estão todos visíveis nas zonas que exploramos, excepto aqueles que temos de desmascarar com o feitiço True Sight
Para além disso, se acertarmos nas partes do corpo dos inimigos por uma certa ordem, para além de darmos mais dano, o jogo vai também activando um sistema de combos que irá resultar num multiplicador de pontos de experiência no final da batalha. É certo que adivinhar as fraquezas de cada inimigo deveria ser um sistema de tentativa erro, mas a informação está toda na internet. Então por cada inimigo novo, podemos memorizar a ordem pela qual atacamos as suas partes do corpo com o botão L1 e posteriormente basta chamá-las com o botão R1 nos combates seguintes. Facilmente conseguimos chegar a combos de 999 pontos bónus, o que nos vai dando boosts de experiência astronómicos, tornando o jogo muito fácil do início ao fim. À medida que vamos subindo de nível, os inimigos vão-nos dando cada vez menos (ou nenhuma!) experiência, pelo que os multiplicadores deixam de fazer sentido até conseguirmos encontrar inimigos mais fortes na zona seguinte. Mas tirando o facto de podermos explorar este sistema para tirar muita vantagem a nosso proveito, mais uma vez há aqui coisas que não fazem muito sentido, como por exemplo muitas das magias ofensivas que vamos desbloqueando. É que tirando as magias elementais de fogo, gelo e electricidade, todas as outras que experimentei não funcionaram uma única vez. Depois de ter investigado na internet, aparentemente essas magias foram feitas para funcionar apenas num ou noutro tipo de inimigos, que tipicamente aparecem numa zona e depois nunca mais. Mais um desleixo da Hitmaker!
Tipicamente devemos aproveitar os bosses para conseguir multiplicadores de 999 pontos bónus e ganhar milhares de pontos de experiência no final
Mas ainda no sistema de combate, apesar de aqui podermos controlar Nine e Aisha separadamente, ambos continuam a partilhar o mesmo corpo, pelo que a barra de vida, mana e chain points é comum a ambos. Ou seja, se um sofrer pontos de dano, ambos são afectados. Para além disso, se um for envenenado, paralizado ou sofrer outra alteração de estado qualquer, ambos são uma vez mais afectados, o que pode dificultar um pouco as coisas se não explorarem o sistema de combate para tornarem as vossas personagens overpowered ao longo de todo o jogo. E convém também referir que uma vez derrotados os inimigos, a batalha ainda não terminou. É esta a altura de usar as habilidades especiais de Nine ou Aisha, com Aisha a poder selar as almas dos inimigos derrotados, absorvendo alguns pontos de vida no processo. Já Nine pode absorver pontos de magia, mas isto não derrota os inimigos completamente, pelo contrário acelera o seu processo de ressuscitamento, caso Aisha não os sele atempadamente.
As áreas que iremos explorar vão-se tornando algo labirínticas na segunda metade do jogo, mas nada de muito confuso
Já no que diz respeito aos audiovisuais, vamos por partes e começar pelo som. A banda sonora parece-me variada e com algumas músicas bem agradáveis até. Temos voice acting em inglês em todas as cutscenes e apesar deste até ser minimamente decente, com Nine a ser uma personagem bastante sarcástica, a verdade é que a narrativa no geral é muito pobre, pelo que os talentos dos actores também nunca são propriamente aproveitados. Gostaria de ter a possibilidade de ouvir o voice acting em japonês, mas aparentemente a versão japonesa nem voice acting tem pelo que li por aí (corrijam-me se estiver errado), o que acaba por ser um ponto positivo para esta versão ocidental. Agora o problema é que os volumes estão completamente desregulados e apesar de ser possível ajustar o volume de vozes, músicas e efeitos sonoros nas opções, na verdade mesmo sem mexer em nada vamos ter volumes distintos para as mesmas coisas em diferentes partes do jogo. Logo a começar na cutscene inicial de apresentação que está num volume bem mais baixo do que todo o restante jogo. Mais um sinal de desleixo!
A história vai sendo ilustrada com uma série de imagens estáticas desenhadas e pintadas à mão
Agora a nível gráfico… bom… quase que me atrevo a dizer que já vi jogos de PS2 mais bonitos. Na verdade não deve ser bem assim, mas sinceramente é o que parece. Os mundos possuem tão pouco detalhe gráfico, texturas tão manhosas e inimigos com tão poucos polígonos e detalhe que sinceramente é a impressão que dá. E para além disso o próprio mundo é um local desinteressante para explorar, não temos grandes NPCs para interagir, nem cidades ou outras lojas para explorar… Depois todas as cutscenes são também muito pobres na sua apresentação. Não há cá clips em CG, nem sequer com o motor gráfico do jogo, mas sim uma série de ilustrações estáticas das personagens intervenientes na história. São tipicamente ilustrações muito genéricas apenas com os seus retratos, mas ocasionalmente lá aparecem algumas outras ilustrações com mais algum contexto. É verdade que são desenhos pintados à mão e tal, mas a nível de apresentação esperava mais algum esforço. E mesmo assim, embora isto já seja meramente uma questão de gostos pessoais, nos ecrãs de loading vamos vendo algumas ilustrações de artistas convidados e devo dizer que acho algumas destas ilustrações bem superiores face às do artista principal.
Portanto este Last Rebellion acaba por ser um jogo que até tem algumas ideias interessantes, como o seu sistema de batalha, ou o facto de controlarmos 2 personagens distintas que habitam no mesmo corpo. Mas o seu enorme desleixo na apresentação, ou nalguns detalhes das suas mecânicas de jogo, fazem plena justiça a todas as críticas que recebeu. Mas não é propriamente um jogo injogável, até que é um RPG bastante curto e bem simples de terminar a 100%, pelo que se o apanharem baratinho, dêem-lhe uma oportunidade, mas não esperem nenhuma obra prima.
Vamos para uma rapidinha aquela que é a primeira aventura de texto que cá trago no blogue. Apesar de gostar de jogos de aventura, confesso que nunca perdi muito tempo em aventuras de texto precisamente por serem demasiado simples visualmente mas é inegável a sua importância para os jogos de aventura modernos. Este Softporn Adventure, publicado pela empresa que mais tarde se viria a chamar de Sierra Online, responsável pelo lançamento de inúmeros clássicos como King’s Quest, Leisure Suit Larry ou mesmo a série Phantasmagoria, foi lançado originalmente em 1981 para o sistema Apple II. Aliás, o primeiro Leisure Suit Larry é na verdade um remake deste Softporn Adventure, mas para o novo engine de aventuras gráficas que a Sierra tinha desenvolvido com o lançamento de séries como King’s Quest, Space Quest ou Police Quest. Eventualmente este Softporn Adventure recebeu uma conversão para MS-DOS que acabou também por ser incluida na compilação Leisure Suit Larry’s Greatest Hits and Misses em 1994. E foi precisamente essa compilação que comprei no GOG.com, tendo-me custado 2,49€ algures em 2013. O Softporn Adventure foi desbloqueado para todos os donos da compilação no GOG.com algum tempo depois.
Curiosamente, as 3 mulheres da capa eram funcionárias da Sierra, incluindo a sua fundadora Roberta Williams, à direita
Portanto, para quem já tinha terminado o primeiro Leisure Suit Larry há uns valentes anos atrás, ler de novo practicamente a mesma história não foi uma grande surpresa. Basicamente a personagem que encarnamos (ainda anónima neste primeiro jogo), passa uma noite em Las Vegas, onde o nosso objectivo é o de engatar 3 mulheres até ao final da noite. Começamos a aventura num bar muito manhoso com uma prostituta no andar de cima. Após pagar 2000 dólares ao pimp, lá podemos dar uma voltinha. Mas hey, se não usarmos protecção chegamos apanhamos uma DST e é game over. Portanto, também como habitual em muitos point and clicks da Sierra nas décadas de 80 e 90, teremos muitas situações de vida ou morte caso tomemos uma decisão errada, pelo que é boa ideia ir gravando o nosso progresso em saves diferentes. Portanto lá teremos de explorar outras áreas do jogo como uma discoteca, um casino ou um hotel, observando tudo à nossa volta e ir coleccionando alguns itens que nos irão ajudar a progredir no jogo. Teremos muito backtracking para fazer se quisermos pontuar com as 3 mulheres! E dinheiro, vamos precisar de muito dinheiro, apesar de começarmos a aventura com 2500 dólares no bolso. Para viajar entre áreas temos de apanhar um táxi onde cada viagem custa 100 dólares, e ocasionalmente teremos muitas outras despesas pela frente, pelo que teremos de ir ao casino e tentar ganhar dinheiro, seja ao jogar em slot machines ou black jack. Este último é o que compensa mais, mas convém irmos gravando o progresso sempre que ganhamos alguma coisa.
O jogo possui um dicionário de vários verbos, mas nem todos são conhecidos.
De resto a nível de mecânicas de jogo propriamente ditas, temos de ler atentamente os textos que nos são apresentados sempre que entramos numa nova localização ou interagimos com alguém. No topo do ecrã temos a indicação da localização onde estamos no momento, o que está à nossa vista (objectos e pessoas) bem como as direcções onde por poderemos. Todas as acções são dadas através de comandos como “LOOK GIRL”, “TAKE <OBJECT> “, “GIVE <OBJECT>” e por aí fora. Temos um inventário de itens que poderemos carregar e depois de interagir com outros objectos ou pessoas temos de estar atentos à parte superior do ecrã, pois poderemos ter novos itens para inspeccionar ou usar.
De resto, a nível audiovisual é um jogo bastante simples, pois tudo é texto. Existem algumas text adventures que vão tendo algumas imagens estáticas a acompanhar a aventura, mas ainda não era o caso desta, esta é mesmo old school. Nem música ou efeitos sonoros há, também se houvesse seria tudo em pc speaker certamente. Portanto este Softporn Adventure acaba por ser um memento interessante, principalmente para os fãs de Leisure Suit Larry, que por acaso é série que recomecei a jogar, pelo que esperem por alguns artigos da mesma em breve.