Ring: The Legend of the Nibelungen (PC)

Co-produzido pela Cryo Interactive e pela Arxel Tribe, ambas empresas com bastante experiência em jogos de aventura, este Ring: The Legend of the Nibelungen é uma ambiciosa, porém bastante bizarra adaptação da popular ópera de Wagner com um nome semelhante. Esta que por sua vez conta a lenda do Anel dos Nibelungen e uma série de tramas envolvendo deuses da mitologia germânica. O meu exemplar foi comprado há uns valentes anos atrás, numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado uns 5€.

Versão big box em CD-ROM, com 6 discos, manual, papelada e uma disquete que aparentemente possui um “manual interactivo”. Nunca cheguei a confirmar o seu conteúdo, visto actuamlente não ter nenhum PC com drive de disquetes à mão.

Ora tal como referi acima, este jogo é uma adaptação da ópera The Ring of the Nibelungen do compositor Richard Wagner, que conta a história de um anel poderoso, forjado por Alberich, um anão tirano, que irá despoletar uma série de confrontos entre os deuses e outros heróis mortais, como é o caso de Siegfried. Mas ao contrário da ópera de Wagner, aqui a história possui um grande twist, ao introduzir várias influências de ficção científica, com naves espaciais e afins. Aliás, nós encarnamos num humano chamado Ish, um dos últimos sobreviventes da raça humana, muito no futuro, após o planeta ter sido dizimado por outras civilizações alienígenas. Guiados por Erda, uma deusa, somos convidados a vivenciar a história do anel de Nibelungen ao encarnar em diversos portagonistas ao longo de quatro capítulos.

Os mundos que exploramos e as personagens com as quais interagimos possuem um design muito peculiar

Poderemos jogar qualquer um destes capítulos na ordem que bem entendermos, até podemos se quisermos abandonar um capítulo a qualquer momento e explorar outro, mas é recomendado que os joguemos por uma certa ordem, para melhor compreender a história. Podemos então encarnar em Alberich e acompanhá-lo na sua viagem para criar o tal malfadado anel, ou no deus do fogo Loge, que, a mando de Wotan, o chefe dos deuses, viaja ao mundo de Alberich para o derrotar e roubar o seu anel. Ou poderemos encarnar no filho mortal de Wotan, Siegmund, anos mais tarde, e vingar a morte da sua mãe e irmã. Por fim poderemos também encarnar na valquíria Brunhild, no seu exílio após ter desobedecido a Wotan num dos capítulos anteriores.

Para construir forjar o anel, Alberich teve de ultrapassar muitos obstáculos e tentações

No que diz respeito a mecânicas de jogo, este é um jogo de aventura na primeira pessoa com mecânicas idênticas a jogos clássicos como Myst ou Atlantis, este também da Cryo. Ou seja, teremos lindíssimos (para a altura) cenários com gráficos pré-renderizados, embora aqui possamos olhar livremente em 360º à nossa volta. O ponteiro do rato irá assumir diferentes formas quando podemos interagir com alguém ou algum objecto, ou quando nos podemos mover nalguma direcção específica. Como muitos jogos de aventura deste género, cada vez que nos tentamos mover de um local para outro, é acompanhado de um pequeno clip de vídeo que regista essa deslocação. Ou seja, traduzido em miúdos de 1999, isto resulta numa aventura divida ao longo de 6 CDs. Naturalmente também teremos de resolver alguns puzzles bem como coleccionar objectos para os resolver. Muitos destes puzzles são tão bizarros quanto o jogo em si!

A qualquer momento podemos consultar o nosso inventário e usar os itens que vamos amealhando, bem como habilidades específicas de cada personagem

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo possui um design muito singular, ao misturar mitologia germânica com ficção científica, com naves espaciais, pranchas voadoras, titãs representados como mechas, entre outras escolhas bizarras, a comear pela caracterização de muitas das suas personagens. As músicas, tal como faria sentido que assim fosse, são todas excertos da mesma ópera de Wagner, o que sinceramente me agrada bastante! Já no que diz respeito ao voice acting, apesar deste ter sido criticado em muitas reviews, sinceramente eu gostei. Primeiro porque temos a Charlotte Rampling a dar a voz a Erda, num inglês calmo e perfeito. Por outro lado temos intrerpretações bastante bizarras e exageradas noutras personagens, mas a meu ver fazem todo o sentido, pois é mesmo suposto serem exclamações teatrais.

Portanto devo dizer que achei este Ring muito interessante. Não é um jogo perfeito, longe disso, e de certa forma até entendo algumas das críticas que recebeu. Mas é um título muito ambicioso para a sua era, e leva-nos numa viagem muito bizarra, mas também cativante. A Arxel ainda desenvolveu a sequela Ring 2 que aparentemente possui mecânicas de jogo inteiramente diferentes e recebeu ainda críticas piores, mas estou curioso com a conclusão desta história, pelo que se um dia o apanhar ao desbarato, irei certamente aproveitar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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Uma resposta a Ring: The Legend of the Nibelungen (PC)

  1. Helinux diz:

    Sinceramente eu não conhecia esse jogo!!!! valeu!!!!

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