Golden Axe (Sega Master System)

A versão Mega Drive do Golden Axe a par do Revenge of Shinobi e Streets of Rage, é dos jogos que mais joguei com amigos meus quando era criança e naturalmente dos que me despertam um maior sentimento de nostalgia. Esse jogo, que teve as suas origens nas arcadas, acabou por ter sido convertido para uma grande panóplia de diferentes sistemas incluindo alguns concorrentes da própria Sega na altura. A Master System acabou também por receber uma conversão, mas infelizmente o resultado não foi de todo o melhor. O meu exemplar veio cá parar através de uma troca que fiz com um amigo neste mês de Novembro.

Jogo com caixa e manual

Então o que tem esta versão de tão mau perante a original? Não existe qualquer multiplayer, apenas podemos controlar o Ax-Battler (aqui chamado de Tarik), se bem que ao menos podemos escolher qual o tipo de magias que queremos utilizar, ou seja, apesar de controlarmos o bárbaro, poderemos escolher usar antes as magias da Tyris ou Gilius. Os níveis também são bem mais curtos perante o original e se por um lado as sprites até que são grandinhas e bem detalhadas, isso acaba por ter um grande custo: na sua performance. As sprites têm poucos frames de animação e o jogo acaba por perder muita fluidez por isso. Ao menos as músicas até que ficaram ok, tendo em conta que o velhinho PSG sempre foi o calcanhar de Aquiles da Master System.

Ao menos esta versão possui alguma arte não vista noutras versões. O Conan manada cumprimentos

Portanto este Golden Axe para a Master System, apesar de até ser bonitinho em screenshots, acaba por ser uma conversão que deixa muito a desejar, tanto pela falta do multiplayer, personagens jogáveis, mas acima de tudo pela sua performance atroz. O Streets of Rage, lançado vários anos depois na Master System, acaba por ser uma conversão mais capaz, apesar de também não ter suporte a multiplayer.

Police Quest 3: The Kindred (PC)

Vamos voltar às aventuras gráficas da Sierra para mais um jogo da série Police Quest. Tal como os outros até agora, este também teve o ex-polícia Jim Walls como produtor e narra mais uma aventura na pele do detective Sonny Bonds. Também tal como os outros jogos desta série que cá trouxe até agora o meu exemplar foi comprado num humble bundle inteiramente dedicado à Sierra algures neste ano, tendo ficado a um preço muito apelativo pela grande quantidade de jogos que incluiu.

Tal como referido acima, encarnamos uma vez mais no detective Sonny Bonds que se vê forçado a passar uns tempos novamente como polícia de trânsito ao substituir alguém nas suas férias. Quer isto dizer, infelizmente, que teremos novamente muitas cenas de patrulhamento e condução de veículos, algo que tinha sido aligeirado no jogo anterior. E de facto os momentos iniciais do jogo colocam-nos a patrulhar as ruas de Lytton, mandar encostar condutores prevaricadores e passar multas. Até que Marie, a mulher de Sonny Bonds, é vítima de um assalto violento que a deixa em coma. Nessa altura Sonny volta ao seu posto normal de detective de homicídios e iremos investigar este caso mais a fundo.

Com suporte a maiores resoluções e cores VGA foi possível criarem um jogo ainda mais realista visualmente

No que diz respeito à jogabilidade, vamos começar uma vez mais pelo que gostei menos: os segmentos de condução. Aqui temos uma visão do interior do carro de Bonds, e à direita vemos uma pequena janela do carro em andamento. Uma vez mais, tal como no remake do Police Quest 1, apenas precisamos do rato para conduzir. Ao clicar acima do carro faz com que este acelere, enquanto ao clicar abaixo faz com que abrande. Clicando nos lados faz com que o carro mude de faixa ou mesmo de direcção, quando nos aproximamos de uma intersecção. Podemos também, com os ponteiros do rato, clicar nalguns pontos do cenário, nomeadamente o botão para accionar as sirenes ou accionar um GPS primitivo que nos mostra um mapa básico de Lytton e a nossa posição actual. Uma vez mais, procurar um mapa na internet é altamente recomendado.

O regresso dos segmentos de condução não foram necessariamente benvindos de volta

De resto é um jogo de aventura point and click, agora com uma interface que usa o rato a 100%, podendo alternar o cursor do rato para diferentes acções como andar, interagir, observar ou falar. O protocolo policial está uma vez mais em foco pois teremos de abordar certas situações da forma correcta, caso contrário é game over. Também teremos de recolher provas em cenas de crime, interrogar testemunhas, usar a base de dados policial para obter pistas sobre outros casos e suspeitos e até construir um retrato robot com base no testemunho de alguém.

Um dos puzzles que teremos de resolver é o de criar um retrato robot de um dos suspeitos

Graficamente este jogo já usa uma nova versão do motor SCI, agora para além de suporte a uma interface completamente point and click, também suporta mairores resoluções e um esquema de cores mais rico, permitido pelo standard VGA. Para além disso, a Sierra insistiu num visual mais realista, o que é particularmente notório nalgumas cenas com actores reais digitalizados. As músicas quando entram em acção também continuam com um feeling muito policial, o que se adequa perfeitamente à série e não seria de estranhar, até porque o seu compositor é o mesmo de Miami Vice.

Tal como no remake do primeiro Police Quest temos aqui uma interface completamente point and click

Portanto este Police Quest 3 é um jogo de aventura gráfica sólido, mas que infelizmente traz de volta os segmentos de patrulhamento e condução “realista” pela cidade de Lytton. A preocupação nos procedimentos policiais continua em altas, pelo que não se sintam envergonhados se necessitarem de consultar um guia, pois o jogo assume mesmo que tenhamos de ler todos os manuais policiais que vinham incluídos com a edição física do jogo. A narrativa desta aventura não é tão directa quanto no jogo anterior, aqui vamos tendo algumas pistas esporádicas e aparentemente não relacionadas entre si e só na segunda metade é que a narrativa começa a afunilar-se na caça dos verdadeiros culpados.

Primal Rage (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma super rapidinha, desta vez na Mega Drive e uma nova abordagem ao Primal Rage, que já cá trouxe a versão SNES no passado. E apesar do jogo não ter sido propriamente um grande clássico, foi um daqueles títulos lançados no seguimento do Mortal Kombat, sendo um jogo de luta bastante violento e desenvolvido originalmente com sprites pré-renderizadas. A sua versão arcade era então um jogo bem bonito e violento, cujas adaptações para as consolas da época vieram sempre com algumas limitações, particularmente as versões 8 e 16bit. O meu exemplar foi comprado em Novembro numa CeX, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa e manuais

A versão Mega Drive, apesar de não possuir a censura de uma das fatalities que existe na versão Super Nintendo, acaba por ser uma conversão que fica muito aquém das expectativas. Graficamente, tanto as personagens como os cenários não possuem tanto detalhe visual devido às limitações impostas pelo hardware da Mega Drive. Os lutadores perderam muitos frames de animação, sendo esta versão também menos fluída que a da SNES. Para além disso, aparentemente esta conversão foi baseada numa versão mais antiga do original, faltando-lhe alguns combos e fatalities. De resto, tirando estes inconvenientes, é practicamente a mesma coisa que a versão SNES, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais detalhes.

Speedball (Sega Master System)

Vamos voltar à Master System para mais uma rapidinha, desta vez a um jogo desportivo futurista. Speedball foi produzido originalmente em 1988 pelos britânicos The Bitmap Brothers para computadores como o Commodore Amiga e Atari ST, tendo sido posteriormente convertido para uma série de sistemas, incluindo esta versão para a Master System. O meu exemplar veio cá parar à colecção no passado mês de Novembro, através de uma troca que fiz com um amigo.

Jogo com caixa

Speedball é, como já referi acima, um jogo de desporto futurista. Mas mais que isso é também um jogo violento pois podemos e devemos andar também à batatada com os nossos oponentes. De resto, a bola (de metal) é passada através das mãos pelos diversos jogadores e a ideia é marcar golo ao introduzi-la na baliza adversária. No final do jogo, vence quem tiver mais golos marcados. As arenas são fechadas, pelo que é possível tabelar a bola nas suas paredes, existindo porém um túnel no centro do campo, que liga os lados esquerdo e direito ou seja, se atirarmos a bola pelo túnel esquerdo, ela irá aparecer com a mesma direcção no túnel direito. Também há algumas estruturas espalhadas pelo campo que deflectem a trajectória da bola, mas que não interferem com o movimento dos jogadores. Isto é o básico dos básicos da jogabilidade. A nível de controlos as coisas também são simples, quando temos o controlo da bola temos um botão para passar, outro para rematar. Quando não estamos no controlo da bola, o botão de passe tanto serve para atacar algum oponente, como para saltar e tentar apanhar a bola caso a mesma em circulação. Infelizmente não temos maneira de alternar o controlo entre jogadores quando não estamos em posse de bola.

Temos 3 modos de jogo distintos, se bem que o demo não deveria contar

E o jogo oferece-nos três modos de jogo distintos: Temos o Demo que é nada mais nada menos que ver duas equipas controladas pelo CPU, o versus para 2 jogadores e o modo de 1 jogador que é practicamente o mesmo que um modo de campeonato. Isto porque apesar de apenas podermos seleccionar uma de três equipas disponíveis, teremos de defrontar muitas mais, com a dificuldade a aumentar em cada confronto. O vencedor de cada partida é definido num esquema de “melhor de 3”, antes de avançarmos para o oponente seguinte. E como a dificuldade vai aumentando, teremos também de ter em conta uma série de power ups que vão surgindo na arena e usá-los para o nosso proveito. Alguns destes power ups são de efeito imediato, que podem ter efeitos tão diversos como regenerar os nossos níveis de fadiga ou piorar os dos oponentes, abrandar a equipa oponente, tornar a nossa invencível durante alguns segundos, tornar a bola numa arma de arremesso que irá atordoar os adversários que toque, entre outros. Também vamos poder coleccionar tokens que podem posteriormente ser usados no final das partidas para tentar ganhar vantagem através de maneiras mais ilícitas, seja ao extender o tempo de jogo, subornar o árbitro para nos atribuir um golo, ou o treinador adversário para que a equipa oponente jogue de forma mais fraca. Através deste método poderemos também melhorar os atributos da nossa equipa, ou piorar os das oponentes. E sim, este jogo sujo faz mesmo parte, e acho um conceito bastante original.

Não sei porquê mas estamos limitados a escolher uma de 3 equipas apenas

Agora a nível de performance, bom confesso que nunca joguei a versão original, mas tanto o Commodore Amiga 500 como o Atari ST são sistemas bem mais poderosos que a Master System pelo que acredito que esta conversão tenha sofrido um pouco. Isto porque a movimentação dos jogadores é um bocado clunky, estava à espera que fosse mais rápida. A nível gráfico é também um jogo muito simples, onde o seu ecrã título é sem dúvida o ponto mais atractivo. As arenas e equipas são muito idênticas entre si, há pouca variedade nos visuais e a música, bom essa apenas existe no ecrã título, tudo o resto são os sons do jogo e que sinceramente nem são nada de especial.

O pontapé de saída é dado por uma máquina que dispara a bola numa direcção aleatória

Portanto este Speedball até achei um jogo bastante interessante e original no seu conceito, porém a sua implementação para a Master System não me parece de todo ser a melhor. A opinião geral é que a sequela Speedball II é um jogo francamente superior, pelo que estou curioso para ver também como se saiu na Master System, se bem que também temos uma versão Mega Drive, mas essa ainda não arranjei. De resto convém também mencionar uma curiosidade interessante: esta versão da Master System foi lançada originalmente pela Image Works em 1991, enquanto a Virgin acabou por o relançar (com uma imagem nova) em 1992.

Police Quest II: The Vengeance (PC)

No seguimento do primeiro Police Quest e seu remake, aproveitei também para jogar a sua sequela. Tal como o Larry II, este jogo usa também o motor gráfico SCI0, que suportava uma maior resolução, mas ainda um número limitado de cores devido ao standard EGA nos PCs. Felizmente as cenas de condução foram simplificadas bastante, o que me levou a gostar bem mais deste jogo! O meu exemplar foi comprado num Humble Bundle algures em Maio deste ano por um valor bem baixo tendo em conta a quantidade de jogos que trouxe incluidos.

E este segundo jogo coloca-nos uma vez mais no papel de Sonny Bonds que tinha começado a sua carreira por ser um polícia de trânsito, tendo sido depois promovido para detective na área dos narcóticos, ainda durante o primeiro jogo. Nesta nova aventura Sonny Bonds é agora um detective na área dos homicídios e eventualmente descobrimos que Death Angel, o barão da droga que aprisionamos no primeiro jogo, acabou por conseguir fugir da cadeia e planeia vingar-se de todos os que contribuiram para a sua prisão. Sinceramente achei a narrativa deste jogo bem mais apelativa!

Felizmente que desta vez as secções de condução estão todas automatizadas!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas ainda são as de um jogo de aventura gráfica, mas com suporte ao rato muito limitado, pois ainda teremos de escrever comandos para desencadear as acções pretendidas. Ou seja, ainda teremos aqueles momentos um pouco frustrantes em que não sabemos bem que palavras usar, ou teremos de estar numa localização pixel-perfect para o comando ser válido. Mas felizmente todas as secções de condução foram agora simplificadas, pois basta entrar no carro e escrever drive mais a localização pretendida. A restante jogabilidade e puzzles ainda se baseiam muito na correcta utilização dos protocolos policiais, mas já não os achei tão aborrecidos quanto no primeiro jogo. É verdade que continuamos com muitas maneiras de perder o jogo, afinal isto é uma aventura gráfica da Sierra, mas achei a história como um todo e os seus desafios bem mais interessantes. Uma coisa que me esqueci de mencionar no artigo anterior é que os primeiros 3 Police Quest foram produzidos por Jim Walls, um ex-polícia, logo a história foi baseada nalguns factos reais e daí o jogo ter também um grande foco em realismo para a época. O mesmo acontece nesta sequela.

Continuam a haver muitas formas de game over, e teremos de continuar a seguir o protocolo policial, especialmente nos confrontos armados e análise forense

Graficamente é um jogo que corre num novo motor gráfico, que suporta maiores resoluções, logo mais detalhe no ecrã. Ao contrário da série Larry, esta Police Quest sempre quis ter uns visuais mais sérios e realistas e este novo motor de jogo permite-lhes isso, embora ainda com a limitação de poucas cores no ecrã devido ao standard EGA que na época ainda era o topo de gama nos PC. Mas apesar de eu não ter desgostado de todo do aspecto mais realista deste Police Quest II (por outro lado não gostei nada da versão realista do Larry) continuo a apreciar mais o primeiro jogo por ter visuais mais minimalistas e com um pixel art mais cativante na minha opinião. Por outro lado este lançamento já suportava algumas placas de som e as músicas têm todas um feeling muito à Miami Vice, que sinceramente apreciei bastante.

Com o novo motor gráfico os visuais são mais realistas embora ainda com poucas cores. Sinceramente continuo a preferir o look mais minimalista do primeiro jogo!

Portanto devo dizer que gostei bem mais deste segundo Police Quest em relação ao primeiro, principalmente por terem descartado as secções de patrulhamento e pela história ser mais interessante como um todo. A ver como evoluiu a série no Police Quest III, que teve ainda a produção a cargo do ex-polícia Jim Walls.