Ys Origin (Sony Playstation 4)

Actualmente, sempre que vou começar a jogar uma nova série, prefiro começar pelo primeiro jogo que foi lançado. No entanto, até uns anos atrás, preferia antes começar pelo jogo que decorria primeiro na cronologia da história da série. E quando peguei mais a sério nos Ys algures em 2011, decidi então começar pelo Origin, que joguei a sua versão PC quando ainda não tinha sido lançada oficialmente por cá, pelo que usei um patch de tradução feito por fãs. Ora em 2012 a XSeed, que já tinha localizado muitos jogos da saga noutros sistemas, localiza oficialmente este Ys Origin para PC com um lançamento em formato digital. Mais tarde em 2017 a dotEmu relança o mesmo jogo para uma série de outras plataformas, incluindo esta versão para a PS4 que vos trago cá hoje. O meu exemplar foi comprado algures em Novembro por cerca de 30€ no ebay e decidi rejogá-lo, desta vez numa playthrough mais ligeira em easy para reavivar a minha memória.

Jogo ocm caixa

Ora e como o nome indica, esta é uma prequela do primeiro jogo, decorrendo 700 anos antes do mesmo. Ys, que se lê em português literalmente como “ise”, refere-se a uma ilha que, através da magia das deusas Feena e Reah, se ergueu nos céus de forma a salvar a sua população de um ataque demoníaco que tinha acontecido na superfície anos antes. E a civilização daquela ilha foi prosperando até que, certo dia as deusas desaparecem, levando consigo a black pearl, um artefacto mágico extremamente poderoso. Então são formadas equipas de busca compostas por cavaleiros, feiticeiros e sacerdotes que partem para a superfície em busca das suas deusas, acabando por explorar uma misteriosa torre de 25 andares que entretanto se tinha erguido.

A jogabilidade é a de um action RPG com intensos combates e muitos obstáculos para ultrapassar nos cenários

Este é então um RPG de acção, onde inicialmente poderemos optar por jogar por entre duas personagens distintas. Yunica Tovah, uma aspirante a cavaleiro sem quaisquer poderes mágicos mas detentora de uma força física invejável, ou Hugo Fact, um jovem e prodigioso feiticeiro, mas que detém motivações algo misteriosas por detrás. A história vai tendo pequenas diferenças que se prendem pelos diferentes backgrounds que ambas as personagens têm, mas no fim de contas acaba por ser essencialmente a mesma. O que difere mais em ambas as personagens é as suas mecânicas de jogo, pois Yunica possui ataques físicos de curto alcance, enquanto Hugo consegue atingir inimigos de mais longe com os seus projécteis mágicos, na verdade jogando com Hugo o jogo quase que parece um shmup! Independentemente da personagem que escolhemos, à medida que vamos avançando no jogo iremos também adquirir novas habilidades que nos vão dar uma maior variedade de mecânicas de jogo no combate. Alguns inimigos são especialmente susceptíveis a alguns destes novos golpes, incluindo os bosses, pelo que a experimentação e preserverança é a chave do sucesso. Quando completamos o jogo com ambas as personagens desbloqueamos uma terceira personagem jogável, que possui uma jogabilidade com ataques ainda de menor alcance. Visto que iremos jogar com um dos supostos vilões a narrativa é-nos apresentada com um maior foco nos maus da fita e esta é considerada pela Falcom como a versão canónica dos eventos deste jogo.

Para facilitar a exploração, as estátuas que vamos desbloqueando ao longo do jogo servem também de pontos de teletransporte

Mas o que mais difere este Ys dos restantes que joguei até agora (parei no Oath in Felghana), é o facto de jogarmos apenas naquela grande torre de 25 andares, em vez de explorar o continente. É verdade que a torre vai tendo temas diferentes, desde andares submersos em água, outros cheios de lava, outros com temática do deserto e por aí fora, mas acaba por não haver uma grande variedade de cenários em relação a outros jogos da série. O progresso pode ser salvo ao interagir com estátuas das deusas Feena ou Reah que vamos desbloqueando ao longo do jogo e as estátuas vão tendo também outros papéis importantes: São a única forma de regenerar os nossos pontos de vida (o que também acontece sempre que subimos de nível) e também servem como uma espécie de loja onde poderemos melhorar os stats das armaduras e botas que vamos encontrando, bem como melhorar certas características de cada personagem, como o menor tempo de recuperação de mana ou da barra de boost, maior resistência a efeitos adversos como envenenamento, confusão e afins. Ao explorar a dungeon e todos os seus recantos, iremos não só encontrar uma série de itens necessários ao progresso no jogo como chaves ou outros acessórios, mas também outros itens que nos permitirão melhorar a nossa arma ou incrementar a barra de vida.

O que também nao faltam são bosses à velha guarda, onde teremos de memorizar os seus padrões de ataque e aproveitar as aberturas

E este é também um jogo cheio de extras, para além da tal terceira personagem que apenas é desbloqueada quando terminarmos o jogo com a Yunica e Hugo. Vamos desbloqueando também modos de jogo adicionais como o Time Attack com online leaderboards ou o Arena, que é uma espécie de survival. Mas os extras não se ficam por aqui! Os pontos que vamos amealhando no modo arena podem ser usados numa loja para comprar mais extras, incluindo versões EX de cada uma das personagens e que podem ser usadas no jogo normal, bem como o próprio Adol Christin, a personagem principal da série Ys que surgiu nos jogos seguintes, embora este possa apenas ser utilizado no modo Arena.

Explorar todos os recantos da torre pode-nos recompensar com importantes upgrades que nos darão muito jeito nos confrontos mais exigentes

Graficamente temos de considerar que este é um jogo lançado originalmente em 2006 e que usa o motor gráfico do Ys VI: The Ark of Napishtim, lançado originalmente em 2003. Portanto não esperem por gráficos bonitinhos, mas sinceramente acho que cumprem bem o seu papel. O jogo é todo renderizado em 3D poligonal, excepto as personagens e inimigos, que são sprites em 2D muito bem detalhadas. Já os bosses, que curiosamente parecem ser inspirados em bosses do Ys I e II, são também apresentados em 3D poligonal. Já no que diz respeito à banda sonora, tradicionalmente a série Ys possui músicas muito boas, sempre foi um dos seus pontos mais fortes! E as músicas aqui não são nada más, gosto particularmente daquelas com uma toada mais rock, mas devo dizer que como um todo a banda sonora ficou um pouco abaixo de outros Ys.

Portanto este Ys Origin é um óptimo RPG de acção. É relativamente curto, mas isso é compensado pela maior dificuldade comparando com outros jogos da série. A menos que o joguem em easy como fiz desta vez, claro. E todos os desbloqueáveis também lhe aumentam a jogabilidade! Desta vez fiz questão em terminar o jogo com todas as personagens e de facto entende-se o porquê da história da terceira personagem ser considerada a canónica. Para os fãs de Ys, vale a pena!

Bomberman: Panic Bomber (PC-Engine CD)

Vamos voltar às rapidinhas, para mais um Bomberman da PC-Engine. Um dos muitos Bomberman produzidos para este sistema foi este Panic Bomber para a PC-Engine CD, que mais tarde acabou por ser relançado numa série de outras plataformas. E este Panic Bomber é um puzzle game algo à imagem de outros títulos como Tetris e Puyo Puyo, mas naturalmente com algumas mecânicas de jogo relacionadas com bombas e explosões, não fosse este um Bomberman! O meu exemplar foi comprado num bundle que mandei vir do Japão algures em Dezembro do ano passado.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e um registration card que não ficou na foto

É engraçado que apesar de o jogo estar em japonês, a Hudson teve o cuidado de incluir algumas palavras em inglês no menu principal. O modo história, para além de caracteres nipónicos possui a palavra inglesa STORY e a última opção é um HOW TO PLAY que, apesar de ser totalmente narrado em japonês, os exemplos que são mostrados no ecrã dá para ter uma boa ideia das mecânicas de jogo. Os outros modos de jogo são um multiplayer (que aparentemente suportava até 5 jogadores em simultâneo) e uma espécie de modo challenge que também não cheguei a abordar.

Até parece que a Hudson adivinhou que os estrangeiros iam querer saber jogar isto!

Mas então e que consiste o jogo? É um daqueles puzzle games onde temos de juntar blocos coloridos que vão caindo do topo do ecrã e sempre que fizermos uma linha horizontal, vertical ou diagonal de pelo menos 3 blocos de cor idêntica, os blocos desaparecem e ganhamos pontos. Pontos extra para combos que eventualmente consigamos fazer! Por um lado faz-me lembrar o Dr. Mario por a área de jogo ser em forma de uma garrafa, mas em vez dos blocos coloridos virem em conjuntos de 2 na forma de medicamentos, aqui vêm em conjuntos de 3, formando um pequeno L, ou seja, não são 3 blocos em linha como no Columns. Podemos ir rodando a forma como os blocos estão distribuídos e à medida que vamos ganhando pontos o nosso ecrã vai-se enchendo também de bombas apagadas. Ocasionalmente um dos blocos que vamos controlar é uma bomba acesa que explode nos 4 pontos cardinais, como num Bomberman clássico. Se essa explosão apanhar alguma das bombas inactivas que temos espalhadas no jogo, essas também explodem, limpando uma parte do nosso ecrã e enchendo o ecrã do adversário de lixo que terá de limpar manualmente. Naturalmente também nos acontecerá o mesmo e perde o primeiro que não conseguir dar vazão aos blocos no ecrã. Tal como Puyo Puyo, é um jogo viciante, mesmo que tivesse apenas as mecânicas básicas de juntar blocos coloridos!

Rapidamente as coisas podem ficar caóticas, se conseguirmos encher o ecrã do aoso adversário com blocos de “bomberman queimado” o que acontece quando conseguirmos rebentar umas quantas bombas do nosso lado!

A nível audiovisual é um jogo bem colorido mas tirando o facto de vir com uma banda sonora em CD Audio, sinceramente é um jogo que poderia perfeitamente ter saído no formato normal de cartucho, pois não temos nenhumas cutscenes em FMV que justificassem todo o espaço de armazenamento que um CD oferecia. Temos algumas samples de vozes digitalizadas, principalmente no tutorial, mas isso poderia facilmente ser substituído por caixas de texto se fosse necessário. E as músicas de todos os Bomberman da PC-Engine que já tenha jogado são excelentes, quer fossem em chiptune, quer fossem em CD-Audio e este jogo não é excepção. Contem então com um jogo muito colorido e com boas músicas!

Where in the World is Carmen Sandiego? (Sega Mega Drive)

Não fazia ideia que a personagem de Carmen Sandiego era assim tão famosa para ter despoletado inclusivamente uma série televisiva produzida pela Netflix em 2019. Criada originalmente em 1985 pela Broderbund para computadores, Where in the World is Carmen Sandiego é uma aventura onde teremos de perseguir uma série de bandidos, culminando com a apreensão da sua líder, a própria glamorosa Carmen Sandiego. Mas o jogo acabou por se tornar também num conhecido título educativo devido aos conhecimentos de geografia que nos obrigavam a ter. Com o seu sucesso, naturalmente que despoletou muitas sequelas e conversões, incluindo esta versão para a Mega Drive publicada pela Electronic Arts. O meu exemplar veio através de uma troca que fiz com um amigo algures em Dezembro passado.

Jogo com caixa e manual. Já a mini enciclopédia nem vê-la.

O conceito do jogo até que é original, mas peca um pouco pela sua repetividade. Basicamente encarnamos no papel de um detective que vai ter de investigar casos policiais onde artifactos valiosos vão sendo roubados em diversas partes do globo. Munido de uma base de dados que detalha todos os criminosos conhecidos da VILE (Villains’ International League of Evil), como o seu sexo, cor de cabelo, veículo que habitualmente conduzem e outros atributos como os seus passatempos ou se possuem alguma tatuagem, jóia ou anel que os identifique. Começamos cada caso na cena do crime onde tipicamente nos dizem o sexo do suspeito e depois teremos de investigar alguns edifícios locais e questionar testemunhas se nos dão mais detalhes dos suspeitos. Estas tipicamente poderão indicar alguma das características do bandido que está presente na tal base de dados, ou alguma pista sobre qual o seu próximo paradeiro, como o facto de ter viajado nalgum veículo com uma bandeira com determinadas cores, o facto de ter cambiado dinheiro para uma moeda específica, ou simplesmente o desejo dessa pessoa visitar algum lugar icónico no mundo. Com essas pistas vamos poder seguir o seu paradeiro ao local seguinte onde continuamos este processo. Eventualmente teremos pistas suficientes para identificar a identidade do bandido, que devemos aproveitar para emitir um mandado de captura e, quando finalmente o conseguirmos localizar, o mesmo acaba por ser preso e recomeçamos todo o processo num outro caso.

Francos era a antiga moeda da França. Mas também o é nalgumas das suas excolónias, pelo que deveremos interrogar o máximo de personagens possível para ter a certeza do próximo passo

O problema é que temos um tempo limite para apanhar o bandido e todas as acções que tomamos, seja visitar algum edifício ou viajar para um país, levam algumas horas e podemos exceder o tempo limite de captura, pelo que devemos prestar atenção às pistas que nos são indicadas e viajar sempre para os locais certos. São 30 casos ao todo que teremos de investigar até finalmente prendermos a Carmen Sandiego e terminar o jogo, o que torna as coisas um pouco repetitivas pois as mecânicas de jogo são sempre as mesmas. O outro problema é que os dados geográficos nem sempre estão correctos para a realidade actual. Há muito que países como a Itália ou Grécia já não usam a lira ou dracmas como unidade monetária, por exemplo. Aliás, o jogo era originalmente vendido com um pequeno livro tipo enciclopédia que tinha muitas das curiosidades e factos sobre todos os países que são aqui abordados. Ainda assim, sendo um jogo mais virado para um público jovem, os desafios não são nada de muito desafiante e sempre temos a internet para ajudar.

Quando tivermos a certeza do próximo destino que os bandidos tomaram, é persegui-los pelo globo!

Já no que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo simples e com uma interface bastante intuitiva. O ecrã está dividido em duas partes, onde o ecrã esquerdo mostra algumas fotos digitalizadas do local que visitamos, já o direito é onde é apresentado todo o texto e no fundo temos quatro ícones que nos permitem efectuar acções distintas: a de consultar a base de dados da Interpol e eventualmente lançar o mandato de captura, a de visitar edifícios na cidade actual para questionar testemunhas, e um outro ícone com um avião onde poderemos viajar para outros países. Sempre que viajamos para um país, se acertamos no destino e estamos no encalço do bandido, vão sendo mostradas algumas animações que os mostram a andar de forma sorrateira, ou a escaparem-se de forma espectacular como num balão ou asa-delta, muito como num desenho animado. Assim que os capturarmos, temos direito a pequenas cutscenes do mesmo estilo cómico. As fotografias são de baixa resolução e detalhe devido às limitações da Mega Drive, mas não deixam de serem 100% esclarecedoras quanto ao país/cidade que visitamos. Já no que diz respeito às músicas e efeitos sonoros, estes vão sendo muito discretos. As músicas são apenas pequenas melodias que tocam ocasionalmente.

Vamos poder consultar os perfis de todos os criminosos da VILE e usar as pistas dadas por testemunhas para os identificar

Portanto devo dizer que até fiquei agradavelmente surpreendido com este jogo. É verdade que é extremamente repetitivo, mas a sua fórmula resulta muito bem como um videojogo educativo e é fácil entender o porquê do nome Carmen Sandiego ter tido um sucesso considerável nas décadas de 80 e 90.

Crysis (PC)

Depois do Far Cry, que já na altura tinha impressionado pelas grandes áreas de jogo renderizadas sempre com bons gráficos, a Crytek começou a trabalhar num novo projecto e numa nova versão do seu motor de jogo. Lançado então para o PC em 2007 (e só 4 anos depois é que chegou às consolas), este Crysis é mais um first person shooter que é em parte uma evolução dos conceitos que a Crytek tinha introduzido no seu jogo anterior. Mas mais que isto eles foram completamente overkill na questão dos gráficos que para além de serem belíssimos para 2007, necessitavam também de máquinas bem poderosas para o correr com boa performance e qualidade. Foi durante muitos anos um dos principais benchmarks com que se testaram placas gráficas! O meu exemplar foi comprado em Setembro de 2012 na extinta GAME do Maiashopping, tendo-me custado cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual

Ora neste jogo encarnamos num soldado de um esquadrão muito especial, todos eles equipados com fatos todos high tech e que lhes conferem uma série de habilidades sobrehumanas, que mais tarde irei detalhar. Ora eles são então destacados para uma ilha algures perto das Filipinas, numa operação que à partida seria simples: a de resgatar um grupo de cientistas norte-americanos que foram raptados por um batalhão do exército Norte-Coreano, que entretanto havia invadido a ilha por motivos aparentemente desconhecidos. Mas como não podia deixar de ser as coisas não correm bem como o esperado e afinal aquela ilha tem mais do que se lhe diga.

Ao pressionar a tecla C temos acesso a um menu de customização das armas que carregamos, se bem que nem todos os upgrades estão disponíveis de início

Podemos dividir este Crysis em duas metades. A primeira metade, tirando o facto das tais habilidades novas, acaba por ser muito semelhante ao primeiro Far Cry pois uma vez mais temos uma vasta parte da ilha para explorar. Não que este seja um jogo verdadeiramente open world, pois para além de ocasionalmente termos alguns objectivos secundários que poderemos ou não cumprir, o jogo em si é bastante linear. Simplesmente temos é de percorrer vários quilómetros a pé ou com veículos, atravessando selvas, praias paradisíacas ou algumas aldeias pelo meio. Os locais onde o grosso de cada missão se passa estão repletos de inimigos, mas é habitual cruzarmo-nos com algumas patrulhas mais pequenas pelo meio. Devido às habilidades que temos acesso, o jogo tanto nos dá a opção de usar abordagens mais agressivas ou furtivas, mas em zonas onde há mais concentração de inimigos eu recomendaria mesmo uma abordagem mais furtiva.

O jogo apresenta um sistema de ciclos de dia e noite enquanto vamos explorando a ilha

Mas então quais são as tais habilidades que teremos acesso? Ora a qualquer momento no jogo podemos seleccionar diferentes funcionalidades do nosso fato, que por sua vez consomem energia quando estão em uso. Temos uma habilidade que nos dá mais força, não só nos golpes físicos, mas também reduz o coice das armas de fogo, aumentando assim a sua precisão ou mesmo podendo saltar bem mais alto. Por outro lado podemos activar a habilidade de armadura que é capaz de deflectir o dano sofrido por armas de fogo. Para maior furtividade podemos activar também uma camuflagem que nos deixam temporariamente invisíveis e por fim podemos também activar uma outra habilidade que nos deixa mover (e correr) bem mais rapidamente. Mas todas estas habilidades usam energia, pelo que teremos de as usar com a devida atenção, pois a energia recupera algo lentamente quando as deixamos de usar. De resto vamos tendo acesso também a um arsenal relativamente complexo de diferentes armas e o jogo até que é algo generoso na quantidade de armas que podemos equipar. Desde os nossos punhos e uma pistola, podemos equipar também mais duas armas de fogo como assault rifles, metralhadoras, sniper rifles, shotguns, entre outras. Podemos ainda equipar mais duas armas de explosivos como um lança rockets ou explosivos C4, bem como granadas. E um outro detalhe interessante, mesmo que não consigamos carregar todas as armas em simultâneo, o jogo deixa-nos armazenar todo o tipo de munições, mesmo de armas que não tenhamos no momento connosco!

Eventualmente teremos mesmo de conduzir alguns veículos, como tanques ou mesmo um VTOL

A segunda metade do jogo é quando se revela o que os cientistas e o exército Norte Coreano estavam realmente ali a fazer. Não querendo spoilar mas não tenho grande hipóteses (é um jogo de 2007!), mas aquela ilha tinha, no interior de uma montanha, uma espécie de colónia de seres extra-terrestres que estavam lá adormecidos há milhares de anos. Então eles acordam e começam a causar o caos tanto com as forças Norte-Coreanas, como com as Norte-Americanas que entretanto chegaram. E a partir daí o jogo torna-se bem mais linear e com menos áreas abertas, onde a furtividade já não interessa para nada.

Estes são os fatos cheios de tecnologia que usamos durante o jogo

Mas vamos passar para os audiovisuais. Para os padrões de 2007, este jogo estava realmente muito à frente do que se tinha visto até então no PC. Não foi por acaso que o jogo apenas recebeu conversões para a Xbox 360 e PS3 só quatro anos depois! Temos então gráficos muito avançados para a época, com cenários muito bem detalhados, particularmente o detalhe de toda a vegetação! As personagens, principalmente as mais importantes, estão também muito bem modeladas, não só com modelos poligonais repletos de polígonos, mas com texturas com muito bom detalhe também. Mas todo esse poderio gráfico jogado nas especificações máximas tinha um custo: apenas máquinas de elite conseguiam correr o Crysis com os gráficos todos no máximo e com boa performance. Tanto que o Crysis foi a prova dos nove em muitos testes de benchmarking nas placas gráficas, mesmo em muitos anos que se seguiram ao seu lançamento! De resto, nada de especial a apontar à música e efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel. Já o voice acting é algo mediano, assim como a narrativa como um todo.

Portanto este Crysis é um FPS agradável de jogar precisamente pelas suas diferentes mecânicas de jogo que introduziu. E graficamente, consegui perceber o porquê de um jogo lançado em 2007 ter tido realmente tanto impacto na questão gráfica! Foi recentemente lançado em 2020 um remaster para uma série de outros sistemas, incluindo uma surpreendente versão para a Nintendo Switch, mas aparentemente esse remaster não traz muito de novo.

Eikan wa Kimi ni: Koukou Yakyuu Zenkoku Taikai (PC-Engine CD)

Se eu já achei o Kore Ga Pro Yakyuu ’89 um jogo aborrecido por três motivos: ser um jogo de baseball, ser um jogo de simulação onde tomamos apenas o papel de treinador e o terceiro ser relativo à barreira da linguagem, que tendo o jogo totalmente em japonês também não ajuda nada. Então o que dizer de um outro jogo de management de baseball, mas que teve as suas origens em computadores nipónicos, sendo por isso muito mais complexo? Bom, é por essas razões que o artigo de hoje será mais uma rapidinha. O meu exemplar veio de um bundle de vários jogos de PC-Engine que importei do Japão no passado mês de Dezembro, foi um conjunto de 7 jogos bem barato, tendo-me custado pouco mais de 20€, mas todas as restantes despesas de transporte e desalfandegamento ficaram muito mais caras, o que me deixou bastante frustrado.

Jogo com caixa, manual e livro de estatísticas

Aqui tomamos uma vez mais o papel de treinador, não de um clube qualquer da liga japonesa, mas sim de uma equipa de baseball da escola secundária. Aparentemente existem cerca de 4000 escolas que podemos representar – naturalmente não faço ideia se são reais ou não, mas tendo em conta que o jogo inclui um grande livro de estatísticas para além do manual, eu diria então que sim. Mas o primeiro impacto que temos aqui é mesmo a barreira da linguagem. Logo nos primeiros ecrãs eu não fazia ideia do que estava a escolher, se teria de escrever o meu nome, ou se já estaria a seleccionar alguma escola para quem representar. Depois lá fui bombardeado com perguntas em que não fazia ideia do que estava a responder e depois lá teria um menu onde poderíamos começar a trabalhar, mas mesmo esse não é nada amigável. E basicamente aqui teremos de definir uma série de treinos consoante as necessidades da equipa que estamos a treinar. Desde treinos 100% físicos como fortalecimento muscular, ou outros mais técnicos como treinar lançamentos, bastonadas e por aí fora. Eventualmente lá vemos a equipa a jogar em competição mas, tal como no Kore Ga Pro Yakyuu somos meros espectadores, embora possamos tomar algumas decisões técnicas.

Aqui teremos de definir agendas de treino consoante as necessidades da equipa e dos jogadores individuais

A nível gráfico é um jogo simples. Por um lado é muito pesado em texto e menus atrás de menus, o que seria de esperar visto ser um jogo de simulação, mas durante os treinos ou durante as partidas lá vemos alguns gráficos. Tanto num caso como no outro as sprites são minúsculas mas sinceramente até achei piada que assim fossem. E sendo este um jogo em CD-Rom, esperem por músicas de qualidade CD audio, bem como algumas vozes digitalizadas. Não sou o maior fã desta banda sonora, pois pelo pouco que descobri tanto vamos tendo melodias calmas em piano durante a parte de management, uma música mais enérgica durante os treinos e uma outra muito mais festiva durante as partidas, até parece tirada do circo!

Este é um jogo muito pesado em texto e menus, e estando totalmente em japonês não será uma barreira fácil

Portanto este é mais um jogo que não é para mim. Continuo a não ser apreciador de baseball, muito menos quando temos um papel de treinador. Se eu não entendo o desporto, não faço ideia do melhor que seria para a equipa. E ainda com toda esta barreira linguística… não dá mesmo! Felizmente, até à data, não tenho mais jogos de baseball para comentar!