Battlefield 1 (PC)

Lançado em 2016, 100 anos após a primeira guerra mundial, este Battlefield 1 é um first person shooter que retrata precisamente várias frentes de guerra desse grande conflito. Apesar de não ter sido o primeiro first person shooter a abordar esse tema, muito menos o primeiro videojogo, é provavelmente a primeira grande produção a fazê-lo. De resto, tal como tenho vindo a fazer com os últimos Battlefield que cá tenho trazido, este artigo irá-se focar apenas na vertente singleplayer. Já não consigo precisar quando e onde comprei o meu exemplar, mas certamente não terá custado mais de 15€.

Jogo com caixa, papelada e 5 discos

E esta campanha é composta por 6 capítulos distintos, protagonizados por diferentes soldados em múltiplas frentes de guerra. O primeiro capítulo, que serve de prólogo a todos os horrores que os soldados enfrentaram nos combates de trincheiras, leva-nos precisamente a encarnar num conjunto de diferentes soldados norte-americanos durante uma feroz batalha em solo francês. O jogo avisa-nos, não somos supostos sobreviver muito tempo, e durante esse prólogo iremos precisamente encarnar em diversos soldados que encabeçam uma ofensiva contra posições alemãs. O capítulo seguinte coloca-nos no papel de um soldado britânico, onde teremos de controlar um tanque e tentar alcançar a cidade francesa de Cambrais, passando por várias posições ocupadas por alemães, no entanto. O terceiro capítulo coloca-nos no papel de um piloto americano que se infiltra na força aérea britânica, pelo que iremos participar numa série de batalhas aéreas, incluindo um confronto épico contra vários zepellins alemães. O quarto capítulo já decorre nas montanhas italianas, onde teríamos de enfrentar as forças do Império Austro-Hungaro. O soldado que controlamos possui uma armadura quase medieval, pelo que ele próprio é também uma espécie de tanque humano, isto pelo menos nos primeiros níveis. O quinto capítulo já nos leva para a frente de guerra de Gallipoli no mediterrâneo, onde controlamos um soldado australiano. Por fim, o último capítulo já nos leva para a frentede guerra do médio oriente, onde controlamos uma guerreira feminina, liderada pelo famoso “Lawrence of Arabia”, onde iremos confrontar os soldados do império Otomano no deserto e arranjar forma de destruir um comboio blindado.

O terror dos combates de trincheiras das frentes oeste é apenas um dos vários palcos de guerra que poderemos explorar

Portanto vamos participar em várias frentes de guerra, com combates em trincheiras, travessias da terra de ninguém, combates mais urbanos, bem como algum combate de veículos. Tal como o Battlefield Hardline, no entanto, há aqui também um certo foco numa jogabilidade furtiva, principalmente quando estamos sozinhos e o nosso objectivo é o de explorar/invadir ou simplesmente atravessar zonas inimigas. Nessas alturas poderemos usar o botão Q para identificar e “tagar” soldados, veículos ou armas fixas inimigas que ficarão sempre assinaladas no mapa. Se procurarmos bem poderemos inclusivamente encontrar algumas armas silenciosas ou até, tal como no Hardline, atirar cápsulas de balas para o chão para chamar a atenção de alguns inimigos, de forma a que os consigamos contornar sem ser identificados, ou assassiná-los de surpresa. Podem então contar com uma grande variedade de armas, desde diferentes tipos de revólveres, espingardas, caçadeiras ou já umas quantas metralhadoras. Muito deste equipamento até que achei bastante surpreendente já existir na primeira guerra mundial, como lança rockets, os soldados blindados ou mesmo o facto de os aviões já possuírem alguns mísseis primitivos. Apesar de haver alguma fantasia à mistura, aparentemente a maioria deste equipamento (senão todo) de facto existiu e foi utilizado nessa guerra.

Um dos capítulos leva-nos a controlar um soldado de elite do exército italiano, um homem blindado, munido de uma metralhadora pesada

Graficamente achei o jogo muito bem feito e como já referi anteriormente acho mesmo que o motor gráfico Frostbite 3 foi dos mais poderosos da geração passada. O jogo possui um excelente nível de detalhe gráfico e de física também, pois poderemos destruir edifícios e estruturas se tivermos armas de fogo poderosas o suficiente. A narrativa também é interessante, mostrando diferentes palcos da grande guerra (embora muita coisa poderia ainda ser abordada), e nota-se perfeitamente que, ao contrário da segunda guerra mundial onde os objectivos eram bem definidos por parte das forças aliadas: derrotar regimes governados por tiranos, aqui, principalmente nas batalhas em solo europeu, continua a haver aquela incerteza do porquê de toda aquela carnificina.

Também poderemos conduzir alguns veículos como estes tanques algo primitivos que foram introduzidos precisamente neste conflito

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Battlefield 1, e uma vez mais aviso que apenas me estou a referir à campanha singleplayer. Sei bem que o forte da série Battlefield sempre foram os modos multiplayer (e estou certo que haverá muito bom conteúdo para explorar aqui) mas tenho muito mais jogos para jogar. Ainda assim, gostava que a DICE voltasse a explorar este conflito pois muitos outros palcos de guerra poderiam ter sido explorados, como todas as frentes leste a solo europeu.

The Legendary Axe (Turbografx-16)

Continuando pela PC-Engine / Turbografx-16, mas agora com um jogo bem melhor, este The Legendary Axe, produzido pela Victor Entertainment, foi um dos títulos de lançamento da consola no mercado norte-americano. E muitos norte-americanos referem que este sim, deveria ser o jogo incluído com a consola no seu lançamento, ao invés do Keith Courage, que sinceramente ainda não joguei. Nós, Europeus, recebemos a Turbografx com o Blazing Lazers, que também foi uma óptima escolha. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Janeiro, tendo-me custado pouco mais de 20€.

Jogo com caixa e manual embutido na caixa

Este The Legendary Axe é um jogo de acção 2D sidescroller onde controlamos um guerreiro bárbaro, Gogan. É uma espécie de clone do Rastan portanto, mas a meu ver joga-se muito melhor. O objectivo é então o de Gogan salvar a sua amiga Flare que se preparava para servir de sacrifício humano por parte de um poderoso culto que tomou controlo da sua terra.

Ao longo dos níveis vamos encontrar vários mini bosses, inimigos mais poderosos que os demais que ainda vão demorar um pouco a derrotar

A jogabilidade é super simples, com um botão para saltar e o outro para atacar com o seu machado. Temos uma barra de vida algo generosa e à medida que vamos avançando no jogo poderemos encontrar vários itens que poderemos coleccionar. Uns são meras pedras preciosas que nos aumentam a pontuação. Outros são esferas vermelhas que nos vão regenerando a barra de vida, mas poderemos também encontrar vidas extra, asas que melhoram a agilidade dos nossos ataques ou, mais importante que todos, há uns power ups dourados que melhoram o nosso poder de ataque. Temos 4 para coleccionar ao longo de 6 níveis e por cada item desses que coleccionemos, há uma barra de energia que vai sendo expandida. Com essa barra no máximo, os nossos ataques dão mais dano, com a mesma a ser regenerada automaticamente a cada ataque. Quanto maior for a barra de energia, mais poderosos os nossos ataques são, mas também mais tempo a mesma demora a ser restabelecida, pelo que quando enfrentarmos os inimigos mais poderosos teremos de ter isso em conta. De resto é um jogo algo linear, embora possua alguns caminhos alternativos que nos levem a becos sem saída, mas com itens de bónus para coleccionar. A notável excepção vai no entanto para o quinto nível, que é um autêntico labirinto dividido por várias salas, muitas delas com mais que uma saída, pelo que teremos de ter alguma preserverança até encontrar o caminho certo.

Graficamente é um jogo interessante, bastante colorido mas por vezes ainda se nota bem que é um título que transita entre as gerações 8 e 16bit.

A nível audiovisual, nota-se bem que este é um jogo do início de vida da Turbografx-16, pois ainda está ali num híbrido entre um jogo tipicamente 8bit, mas muito mais rico em cor e algum detalhe gráfico que já antecipa o que a geração das 16bit seria capaz. Os cenários vão variando entre selvas, florestas, cavernas, montanhas ou ruínas/edifícios em pedra. As músicas são agradáveis, mas é engraçado que em algumas não consigo deixar de notar algumas semelhanças com o som que a Master System é capaz de produzir, como é o caso das músicas das cavernas. Essas parecem-me que utilizam apenas o PSG e nenhuma das funcionalidades PCM que a PC-Engine/TG16 também traz de raiz, daí me ter lembrado a Master System.

Eventualmente vamos encontrar power ups que nos permitam ter uma barra de energia (no topo do ecrã) que pode ser expandida até 4 unidades. Sempre que esteja no máximo, os nossos ataques dão muito mais dano

Portanto este The Legendary Axe até que se revelou uma excelente surpresa. É um jogo de acção 2D bastante sólido que, apesar de ir buscar muito da moda dos guerreiros bárbaros que vimos nos anos 80, tal como aconteceu com Golden Axe ou Rastan, acaba por se controlar muito melhor que este último, por exemplo. A Victor produziu uma sequela que chegou dois anos depois (1990) também a este sistema. Estou curioso em jogá-la um dia destes, a ver se a arranjo.

Kickball (PC-Engine)

Continuando pelas rapidinhas e agora para mais um jogo de desporto da PC-Engine, este Kickball, publicado pela NCS/Masaya foi um jogo que me surpreendeu pela negativa pelo que irei comentar a seguir. Tal como a maior parte dos outros jogos de desporto desta consola que trouxe recentemente/vou trazer no futuro, este veio num lote de 15 jogos que importei directamente do Japão algures no passado mês de dezembro a um preço muito convidativo, cerca de 5€ já a contar com portes e alfândega.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Este Kickball era então, dos jogos de desporto daquele lote, o que me despertava maior curiosidade pois pela sua capa pensei que fosse um jogo de futebol meio maluco, ou um híbrido de jogo de futebol e do jogo do “mata”, que é muito popular no Japão também. Mas não, este é na sua essência um jogo de baseball, mas com elementos de futebol e do tal jogo do mata. Basicamente pensem que estão numa partida de baseball, mas em vez de o batedor usar um taco, usa os seus pés para pontapear a bola o mais longe possível. Para além disso, enquanto os jogadores da equipa que deu o pontapé se vão movimentando entre as bases, a equipa adversária, assim que tiver a bola em sua posse, pode atirá-la a “matar” para esses mesmos corredores, evitando que eles alcancem a base seguinte.

As equipas são completamente bizarras!

Basicamente podemos jogar partidas de um ou 2 jogadores, onde poderemos escolher uma de 7 equipas bastante bizarras. Para terem uma ideia, temos equipas de focas, polvos gigantes, lutadores de sumo, gajos bombados e carecas, entre outras personagens. Cada equipa tem um poder especial no momento de atirar a bola de forma a dificultar a vida a quem tiver de a pontapear. Por outro lado, quem estiver a pontapear também o poderá fazer com bastante força de tal forma que atordoe por breves momentos quem apanhar a bola a seguir, o que poderá facilitar a transição entre bases. Agora como fazer isso é que sinceramente nunca entendi, pois o google lens não foi de grande ajuda a traduzir o manual.

O jogo até que possui algumas animações bastante cómicas, o que assenta bem perante toda a bizarrice

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado. As personagens super bizarras também vão tendo algumas animações cómicas que resultam bem num jogo que aparenta ser sempre bem humorado. As músicas também são agradáveis, pena mesmo é que eu continuo sem entender muito bem o que tenho de fazer num jogo de baseball, e por muitos floreados que o jogo tenha, não deixa de ser um jogo de baseball na sua génese.

Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas mas apontando agora as baterias para a Game Gear, vamos ficar com uma das iterações 8bit do reskin de Puyo Puyo com personagens do universo Sonic the Hedgehog, nomeadamente com as personagens de uma das séries de animações do ouriço que me lembro de dar na TV portuguesa nos anos 90. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de um amigo meu já no final do mês passado de Fevereiro.

Cartucho solto

E Puyo Puyo é uma série de jogos puzzle onde teremos de juntar uma série de slimes coloridas (aqui neste jogo chamadas de feijões) que descem no ecrã aos pares e cada vez que consigamos juntar conjuntos de 4 ou mais puyos da mesma cor, estes desaparecem e fazem com que os puyos que eventualmente estivessem acima de si desçam, potenciando eventuais combos. Combos esses que darão muito jeito pois fazem com que mandemos “lixo” para o nosso oponente, que são na verdade puyos transparentes que apenas desaparecem caso algum conjunto de puyos que lhes sejam adjacentes desapareça também. Naturalmente o nosso oponente também poderá fazer o mesmo.

No modo história teremos todos estes opontentes para enfrentar

Esta versão da Game Gear possui dois modos de jogo distintos. O principal é o Scenario Mode onde iremos defrontar vários dos robots do Dr. Robotnik e que apareciam nessa série de animação, até que enfrentaremos o próprio Robotnik também. O segundo modo de jogo é um Puzzle Mode, que nos apresenta uma série de desafios onde o ecrã já se encontra parcialmente preenchido com alguns puyos e que teremos de ultrapassar no menor número de jogadas possível. Por exemplo, limpar o ecrã de todos os puyos de uma cor, conseguir obter uma série de combos, entre outros. No que diz respeito ao multiplayer, esta versão Game Gear tem um modo para dois jogadores que obriga ao uso de um cabo de ligação para duas Game Gears e que naturalmente não cheguei a experimentar.

A jogabilidade é simples, porém viciante e é dos jogos que se adequam perfeitamente a portáteis

Graficamente é naturalmente um jogo muito mais simples que a sua versão Mega Drive. Ainda assim, sendo um puzzle game não é necessário grande detalhe gráfico e a Game Gear sendo uma portátil a cores já representa uma boa vantagem em relação à Game Boy clássica onde os Puyos teriam de ser representados em diferentes tonalidades de cinzento. Já no que diz respeito às músicas, bom a banda sonora não é muito extensa e devo dizer que também não é das mais agradáveis.

Para além do modo história, o modo puzzle oferece-nos uma série de desafios adicionais

Portanto este Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine para a Game Gear é um óptimo puzzle game para quem estiver cansado do Columns. A Game Gear, no Japão, ainda recebeu ainda mais uns quantos outros jogos Puyo Puyo que infelizmente nunca chegaram a sair no ocidente, o que é pena.

Super Volleyball (PC-Engine)

Vamos voltar às rapidinhas a jogos de desporto da PC-Engine, agora com um jogo de voleibol. Super Volleyball teve as suas origens como um jogo arcade da Videosystem lançado em 1989, tendo posteriormente recebido conversões para a PC-Engine / Turbografx-16 em 1990 e para a Mega Drive em 1991 embora esta última nunca tenha cá chegado à Europa. O meu exemplar é a versão japonesa da PC-Engine e foi comprada algures em Dezembro num lote considerável de jogos, infelizmente a maioria de desporto, mas que mesmo assim me ficou a cerca de 5€ por jogo, já a contar com portes e alfândega. Edit: arranjei recentemente uma versão Turbografx-16 nacional, pelo que acabei por acrescentar a esta na colecção.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Este é então um jogo de volleyball com uma perspectiva vista de lado e que muito me fez lembrar o Hyper V-Ball da Super Nintendo, também produzido pela Videosystem. A diferença é que, pelo menos na altura em que o joguei através de emulação há cerca de 20 anos atrás, tinha gostado bastante do jogo. Já este jogo aqui da PC-Engine, infelizmente não foi o caso. Mas vamos começar pelo básico. Podemos escolher modos de jogo para um ou para dois jogadores, onde no primeiro caso poderemos jogar partidas individuais ou uma espécie de campeonato do mundo onde teremos de escolher uma de 8 selecções nacionais e defrontar as restante sete. Existe também uma opção para observar o CPU a jogar entre si e uma outra para criar a nossa própria equipa, embora não tenha perdido tempo com isso, confesso.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e um manual adicional em português.

Os controlos são relativamente simples. O botão I é o principal botão de acção, sendo usado para servir, passar a bola entre os nossos colegas de equipa e atirá-la para a área adversária, enquanto o botão II serve para bloquear os “remates” da equipa adversária. Existem no entanto diferentes combinações de botões para os serviços, bem como algumas técnicas mais avançadas para os spikes, mas infelizmente não consegui arranjar uma versão digitalizada do manual norte-americano, pelo que não consigo dar mais detalhes. Em todos os momentos nós podemos controlar o posicionamento jogador que fica numa posição mais de retaguarda com o d-pad e a maior dificuldade que tive foi precisamente perceber qual a melhor localização que deveria tomar para receber as jogadas adversárias. A maior parte das vezes não estava bem posicionado e lá perdia mais uns quantos pontos. Mesmo a atacar ou bloquear por vezes há também um certo timing que devemos ter em atenção e por vezes já não reagia a tempo. Por exemplo, quando estamos a preparar o serviço ou o spike e atiramos a bola pelo ar, durante breves momentos esta fica vermelha e é a indicação que o jogo nos dá que deveremos atacar a bola nessa altura.

Uma das opções que poderemos customizar é a duração de cada set

A nível audiovisual é um jogo super simples, embora as personagens até que têm um bom detalhe e animações. As músicas só existem no ecrã título, menus e entre partidas, existindo também um ou outro jingle quando alguma equipa pontua. São músicas agradáveis, mas durante as partidas apenas iremos ouvir o ruído dos jogadores a interagirem com a bola, os apitos do pavilhão desportivo e algumas reacções do público. É um jogo super simples visualmente.

Em cima, a roxo, vemos a posição dos receivers, que podem ser controlados a qualquer momento com o d-pad, mesmo que a câmara oculte a sua posição

Portanto devo dizer que este Super Volleyball acabou por ser uma desilusão, porque eu lembro-me de ter jogado uma das suas sequelas há muitos anos atrás (o tal Hyper V-Ball da Super Nintendo) e não ter tido grandes problemas com a jogabilidade como tive neste jogo da PC-Engine. Mas também pode ser a memória a pregar-me partidas…