Uncharted 3: Drake’s Deception (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Voltando à série Uncharted, ficamos agora com o terceiro título, o que fecha a trilogia original na Playstation 3. Mas tal como os dois jogos anteriores, em vez de jogar as suas versões originais, aproveitei e joguei também a sua versão remasterizada na Playstation 4, cujo exemplar comprei algures em Abril por 15€. Já a minha versão PS3 foi comprada na Game do Maia Shopping algures em 2011 ou 2012, junto com a minha Playstation 3, num pack que incluía o Uncharted 3, Gran Turismo 5 e no caso da Game, ainda ofereceram um comando extra da linha branca deles.

Jogo com caixa e manual

Neste terceiro jogo Nathan Drake vai uma vez mais no encalço de um outro mistério deixado por Sir Francis Drake há centenas de anos atrás, que nos levará a visitar não só locais na Europa, como a cidade de Londres ou um castelo abandonado no interior de França, mas também ao médio oriente. E desta vez não temos um grupo de mercenários na mesma corrida pelo tesouro, mas sim uma sociedade secreta britânica, liderada por alguém ligado ao passado de Nathan e do seu mentor Victor Sullivan. Este Uncharted 3 é então o primeiro jogo onde exploramos um pouco mais do passado de Nathan, algo que foi ainda mais explorado no Uncharted 4.

Colectânea Nathan Drake Collection para a PS4, no seu lançamento original, com papelada e sem manual como habitual em jogos PS4

No que diz respeito à jogabilidade, uma vez mais convém referir que me foquei na versão remaster para a PS4, que acabou por nivelar de certa forma os controlos e mecânicas de jogo no geral por entre os 3 jogos. Mas mesmo assim, reparei que o Uncharted 3 trazia algumas novidades, como um melhor sistema de combate corpo-a-corpo, ou a possibilidade de atirar granadas inimigas de volta, algo que foi muito benvindo, embora por vezes se tenha tornado algo frustrante. Isto porque quando estamos em modo cover, ou seja, colado a uma parede ou muro, temos de descolar primeiro e atirar a granada de volta, caso contrário não funciona. E se tivermos o azar do inimigo ter atirado a granada para perto de armas ou munições, por vezes o Nathan acaba antes por pegar nas munições, acabando por ficar esturricado no processo.

Este é o primeiro jogo onde exploramos um pouco mais do passado de Nathan, nomeadamente o seu primeiro encontro com Sully

De resto as mecânicas de jogo são semelhantes aos anteriores, com o jogo a possuir um excelente balanço entre mecânicas de exploração de cenários e platforming, mas também com intensos tiroteios e mecânicas de jogo cover-based. Os inimigos pareceram-me ser ainda mais rápidos, esponjas de balas e agressivos nesta versão, o que foi um desafio agradável. Excepto claro quando enfrentamos os Djinn, que para mim foram os segmentos de jogo mais frustrantes. Felizmente que não temos tantos assim! E sim, também temos alguns puzzles para resolver, desta vez um nadinha mais desafiantes que antes, e o detalhe do scrapbook continua muito engraçado.

Para além de terem pistas para nos ajudarem nalguns puzzles, o scrapbook também tem alguns momentos bem humorados

Graficamente o Uncharted 3 foi mais um jogo excelente na Playstation 3 e a versão remaster trouxe ainda mais algum detalhe gráfico e melhor performance na PS4. Tinha gostado muito dos anteriores, principalmente da atenção ao detalhe do Uncharted 2, mas aqui a Naughty Dog apresentou cenários ainda mais variados e como sempre muito bem detalhados. Começamos a aventura num pub inglês, sendo depois levados para o underground londrino, mas vamos também explorar um castelo abandonado no meio de uma densa floresta francesa, bem como outras áreas como a cidade de Cartagena, na Colômbia, algures nos anos 80, uma pequena cidade no médio oriente, uma espécie de sucata de navios controlada por piratas, e claro, o deserto, tal como ilustrado na capa do jogo. Tal como os seus predecessores, este Uncharted 3 prima também pela excelente narrativa, com um óptimo voice acting, mas também pelo pacing com que a aventura se vai desenrolando. Lá está, tal como os anteriores, esperem por um excelente balanço entre aventura, exploração, e segmentos repletos de acção como intensos tiroteios ou perseguições.

Um castelo abandonado no meio de uma floresta Europeia foi um dos cenários que mais gostei de explorar. Pena pelo incêndio no final…

Portanto devo dizer que fiquei mais uma vez agradavelmente surpreendido com este Uncharted 3. É verdade que não muda muita coisa nas mecânicas de jogo base, mas quando o original é tão bom, também não convém mudar muito. E enquanto a Naughty Dog conseguir incutir o mesmo nível de qualidade na narrativa, apresentação audiovisual, e acção digna de filmes de Hollywood, não vejo nenhum motivo para mudar. A versão PS3 trazia também uma vertente multiplayer que não cheguei a experimentar, pelo que não vale a pena referi-la, até porque os servidores já fecharam há algum tempo. A versão remastered, que tanto pode ser jogada nesta compilação bem como num lançamento standalone, não traz o modo multiplayer mas, tal como as outras versões remastered, traz novos níveis de dificuldade, um modo de jogo dedicado aos speedrunners e mais alguns trophies.

Psycho-Pass: Mandatory Happiness (Sony Playstation 4)

Mais uma rapidinha a uma visual novel, desta vez para a PS4. Tal como o Xblaze: Code Embryo, este jogo também o comprei um pouco às cegas, mas desta vez infelizmente acabou por me desiludir bastante. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado online no site da NIS Europe algures durante o mês de Maio, tendo-me custado 8 libras.

Jogo com caixa e folheto publicitário do anime

Baseado no anime do mesmo nome, o jogo decorre no futuro, num Japão completamente isolado do mundo exterior. De forma a proteger os seus habitantes, o país está repleto de sistemas informáticos que estão constantemente a monitorizar os seus cidadãos e recolher dados biométricos que testam a sua sanidade mental e um coeficiente criminal. Se este for suficientemente alto, os cidadãos são considerados potenciais criminosos e serão apreendidos pelas autoridades, preferencialmente antes de cometer qualquer crime. Um pouco como no Minority Report! Nós iremos encarnar num de 2 detectives locais e ir desvendando alguns crimes, que por sua vez estarão ligados entre si e terão uma grande conspiração por detrás. Ora com esta sinopse, e com o visual mais maduro dos design das personagens, eu estava à espera de uma aventura mais negra e cyberpunk, o que acaba por não ser bem o que acontece. Apesar de serem tocados nalguns pontos sempre interessantes, principalmente porque estamos a caminhas a passos largos para uma vida em constante vigilância pelo Big Brother, a história acaba por ser mais ligeira do que eu esperava.

Antes de começar a aventura, temos de escolher qual o protagonista que queremos controlar

Mas o que mais me desiludiu, e tendo em conta que o jogo foi desenvolvido pelos mesmos criadores do Steins;Gate, é o facto de pouca coisa mudar na história mediante as diferentes ramificações que vamos explorando. Na minha primeira playthrough até gostei bastante, e ao longo do jogo teremos imensas escolhas para fazer que nos irão levar ultimamente a diversos finais distintos. Mas, apesar de introduzirem alguns textos e/ou cenas extra pelo meio (e claro, o final), o fio condutor da história principal permanece sempre o mesmo. Mesmo tendo em conta que podemos jogar com 2 personagens diferentes, a história também acaba por ser a mesma, mas com alguns pontos de vista distintos. Para além disso, quando exploro as diferentes ramificações em visual novels, costumo usar e abusar da funcionalidade de skip, que nos permite avançar texto que já tenhamos lido em playthroughs anteriores. Mas infelizmente, e principalmente no último capítulo, o skip nem sempre funciona, mesmo que 90% do texto que vamos ler seja idêntico a outras ramificações. É certo que nas opções podemos activar o force skip, que avança qualquer texto, tenha sido já lido ou não. Mas como eu quis ler as diferenças, isto acabou por tornar o jogo bem mais longo do que eu pretendia!

Visualmente a arte até que é bastante apelativa, embora eu estivesse à espera de algo mais dark.

De resto, para além da história que possui imensos finais distintos para alcançar, também temos um puzzle game para ir jogando quando nos apetecer. É daqueles típicos onde temos de juntar blocos da mesma cor e os pontos que vamos ganhando servem para “comprar” algum conteúdo de bónus assim que os desbloquearmos na aventura principal, nomeadamente alguns ficheiros de audio e sketches da arte do jogo. Ainda gastei umas valentes horas aqui também, só mesmo para conseguir desbloquear tudo o que o jogo tem para oferecer.

Ao longo do jogo teremos várias escolhas para fazer, que irão abrir diferentes ramificações na história e contribuir para um final específico.

A nível audiovisual, é um jogo que me deixa com uma opinião dividida. Os visuais são muito clean, futuristas e bem desenhados. Embora eu estava à espera de uma aventura mais noir, não posso dizer que não tenha gostado da direcção artística. Mas confesso que estava à espera de ver mais algumas animações no ecrã. Para além de expressões faciais, as personagens ficam estáticas no ecrã e nem sequer temos qualquer cutscene, o que é estranho pois o jogo é baseado num anime. O Xblaze que cá trouxe recentemente continua na linha da frente nesse campo! No que diz respeito ao som, nada a apontar ao voice acting que está totalmente em japonês tal como é suposto. As músicas são bastante diversificadas entre si, com algum rock, electrónica ou mesmo uns temas mais dark jazz que me agradaram bastante!

Portanto este Psycho-Pass Mandatory Happiness é uma visual novel que acaba por me desiludir, principalmente por ter sido desenvolvida pela mesma empresa que nos trouxe o Steins;Gate. Apesar de termos imensas escolhas para fazer (a começar por 2 personagens jogáveis) e vários finais para alcançar, a narrativa nunca diverge tanto quanto isso, o que torna o trabalho de alcançar os restantes finais mais frustrante sem necessidade.

Super Princess Peach (Nintendo DS)

Este Super Princess Peach é um daqueles jogos que já tinha terminado há anos atrás. Quando comprei a minha DS, das primeiras compras de follow up que fiz foi arranjar um flashcart, pois usei bastante esta portátil da Nintendo nas viagens que fazia de e para a faculdade e, quando arranjei trabalho em Lisboa, nas viagens Porto-Lisboa também. Como no passado mês de Maio lá arranjei um exemplar, que foi comprado na CeX por cerca de 10€ (pois tinha algumas coisas para troca), lá foi tempo de fazer load do meu save antigo e refrescar algumas memórias.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ora este é mais um jogo de plataformas 2D dentro do universo Mario. E depois de Luigi e Yoshi terem tido o seu momento de fama, a Nintendo lá decidiu desenvolver um jogo com a princesa Peach como principal protagonista. Invertendo os papéis, desta vez caberá à Peach resgatar Mario (e Luigi) das garras do Bowser! Para a auxiliar teremos uma espécie de guarda-chuva mágico que, em conjunto com o controlo das emoções de Peach, traz algumas novidades na jogabilidade que melhor diferenciam este jogo dos platformers tradicionais de Mario.

Neste jogo os papéis inverteram-se e será Peach a salvar o dia

Para atacar os inimigos, temos de lhes atingir com o guarda-chuva. Mas em vez de um sistema de power ups, teremos logo de imediato à nossa disposição, no ecrã inferior da Nintendo DS, a possibilidade de alternar entre várias estados emocionais de Peach. Quando Peach está radiante, pode flutuar pelo ar, bem como rodopiar sobre si mesma, criando um tornardo que poderá servir para ultrapassar alguns obstáculos. Quando está infeliz, Peach torna-se num chafariz de lágrimas, que, por exemplo logo no primeiro mundo, pode fazer crescer algumas plantas. Neste estado, Peach também corre bastante rápido. Por outro lado, a Peach furiosa é bastante lenta, pesada, e envolta em chamas, que pode ser usado para, por exemplo, queimar pontes de madeira, abrindo assim novos caminhos. Por fim sobra-nos outro estado emocional que, quando activado, deixa Peach envolta num escudo que a protege de sofrer dano. Todos estes diferentes estados de espírito e suas habilidades vão usando uma barra de energia, que poderá ser restabelecida ao apanhar uns power ups azuis, ou ao absorver os inimigos com o guarda-chuva. Os power ups que restam são os corações que servem para restaurar a barra de vida.

Quando alguma coisa nova aparece, teremos alguns blocos que servem de tutoriais

Para além disto, há um grande foco na exploração de cada nível. De forma a defrontar o boss final, somos encorajados e encontrar 3 Toads escondidos em cada nível. Para além disso, poderemos descobrir músicas e peças de diferentes puzzles que poderemos posteriormente tentar completar. Teremos 8 mundos distintos para explorar, culminando como habitual no Castelo de Bowser e uma vez derrotado, somos convidados a jogar todos níveis novamente, não só para descobrir mais segredos, mas também para desbloquear 3 níveis extra em cada mundo. Para além disso, as moedas que vamos apanhando podem ser posteriormente usadas numa loja para comprar novas habilidades ou extensões da barra de vida e/ou de energia. Como se isto não bastasse, teremos também mini-jogos (e novos níveis) para ir desbloqueando! Estes são jogos onde teremos de usar as especificações da Nintendo DS, nomeadamente o seu touchscreen e/ou o seu microfone.

No touchscreen poderemos alternar livremente entre os diversos estados de espíirito de Peach, cada um com diferentes habilidades

Graficamente é um jogo bastante colorido, embora sinceramente não tenha assim tanto detalhe gráfico quanto isso. Tirando um ou outro pormenor, era um jogo que facilmente poderia ser jogado numa Gameboy Advance. Iremos atravessar florestas, um vulcão, a típica mansão labiríntica e repleta de Boos entre outros locais típicos do Mushroom Kingdom. Por outro lado devo dizer que gostei bastante das músicas! São tipicamente muito alegres, mas também com melodias muito viciantes! Um detalhe interessante aqui é o facto das músicas mudarem enquanto vamos alternando por entre os diferentes estados de espírito da Peach, mas mantêm sempre a mesma melodia!

Portanto este Super Princess Peach acaba por ser um jogo de plataformas 2D bem sólido como a Nintendo sempre fez bem. Mas ao contrário dos Yoshi’s Island, Donkey Kong Country, Luigi’s Mansion e afins, parece que este Super Princess Peach não teve tanto sucesso quanto isso, pois, pelo menos até agora, a Nintendo não voltou a revisitar esta ideia.

Call of Duty: Black Ops (PC)

Produzido pela Treyarch, que já nos tinha trazido no passado o Call of Duty World At War, e sendo lançado uma vez mais no meio da série Modern Warfare da Infinity Ward, a Treyarch decidiu desta vez apresentar-nos um jogo que decorre em plena Guerra Fria nos anos 60. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, creio que na Game do Maia Shopping e se bem me recordo custou-me uns 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A  história centra-se à volta de Alex Mason, um operativo norte-americano da CIA, que está a ser interrogado e vamos revivendo várias das missões secretas em que participou entre 1961 e 1968, a começar por uma tentativa falhada de assassinato do Fidel Castro em Havana, onde acabou por ser feito prisioneiro e enviado para uma prisão soviética. As restantes missões irão-nos revelar como Mason conseguiu escapar-se da prisão Soviética, bem como outras missões que nos colocarão no encalço de uns certos alvos Soviéticos que estão a preparar um ataque de larga escala nos Estados Unidos. Iremos então visitar vários teatros de guerra como o Vietname, Laos, Hong Kong, mas também algumas localizações no União Soviética. Sinceramente gostei bastante da campanha. Acho o período da Guerra Fria um período muito interessante da nossa história moderna, e todo o conceito de espionagem, contra-informação e os sleeper agents estão aqui bem representados.

O nosso arsenal é bastante vasto. Uma shotgun com cartuchos incendiários? Sim por favor!

Tal como muitos outros Call of Duty modernos, teremos um grande arsenal de armas de diferentes exércitos que poderemos vir a usar, embora apenas possamos carregar com 2 armas de cada vez, mais granadas e ocasionalmente teremos também de usar outro tipo de equipamentos, como os “marcadores” de alvos para artilharia. Vamos tendo missões variadas, umas com um maior foco em abordagens furtivas, outras grandes perseguições de veículos, ou mesmo uma missão onde pilotamos um BlackBird para a estratosfera e estamos a suportar uma missão de infiltração na superfície. Ocasionalmente também vamos tendo outros momentos interessantes, por exemplo adorei quando descemos um rio de barco, a destruir imensas estruturas do exército vietnamita, ao som de Sympathy for the Devil dos Rolling Stones, foi um momento muito Apocalypse Now! De resto, para além da curta campanha o jogo trouxe uma vez mais o seu modo Zombies, que já tinha sido introduzido no World At War, também da Treyarch. Este é um modo de jogo cooperativo, onde teremos de defender uma base de ataques zombies cada vez mais numerosos e agressivos. Sinceramente não perdi muito tempo com isto, até porque não tinha ninguém com quem jogar. O modo multiplayer competitivo também foi algo que não experimentei, mas tradicionalmente os Call of Duty são muito fortes nesse aspecto, ao introduzir vários modos de jogo, pontos de experiência que nos irão desbloquear novas armas e a possibilidade de as customizar ao nosso gosto.

Ocasionalmente teremos de controlar alguns veículos. Felizmente os helicópteros são bem mais fáceis de controlar que no Battlefield

A nível audiovisual, este Black Ops é um jogo que usa um motor gráfico já algo antigo, sendo derivado do próprio World At War. Portanto não esperem por um jogo que possua muita geometria nos cenários e modelos com muitos polígonos, mas ainda assim é um jogo que cumpre bem o seu papel. Os níveis vão sendo algo variados entre si, desde uma cidade de Havana desvastada pela guerra no início da década de 60, passando por vários níveis na Ásia, uns nas selvas de Laos e Vietname, outros mais urbanos como em Hong Kong. Outros níveis na Sibéria em instalações militares Soviéticas ou mesmo a cena do escape da prisão Soviética vão-nos levando ao longo de cenários algo distintos entre si. E sendo um jogo que se passa durante a década de 60, vamos ver imensa tecnologia retro espalhada ao longo dos seus vários níveis. O voice acting e o som no geral é bem competente, já a música possui até algumas músicas de artistas licenciados, como os já referidos Rolling Stones ou Creedence Clearwater Revival, bem como alguns artistas mais modernos nos seus modos multiplayer.

O jogo possui também os seus segredos, como este mini jogo escondido

Portanto este Call of Duty Black Ops, tenho de o analisar apenas pela sua campanha single-player, visto que não perdi tempo com os seus modos multiplayer, que seriam certamente os modos de jogo onde a sua comunidade de jogadores torrou mais tempo. E devo dizer que gostei bastante da sua campanha, mesmo sendo bastante curta. Mas tendo em conta que apenas tinha pago 10€ pelo jogo novo, acho que foi um valor mais que justo tendo em conta o que tirei do jogo. Estou curioso em ver como a Treyarch evoluiu este arco da história nas suas sequelas, mas o próximo Call of Duty que jogarei será mais um jogo da Infinity Ward, o Modern Warfare 3.

Leisure Suite Larry: Magna Cum Laude (PC)

Depois do fantástico Leisure Suit Larry 7: Love For Sail, Al Lowe e companhia já tinha uma boa ideia do que quereria fazer com o novo jogo da saga. Entretanto, na indústria, coisas maiores aconteceram: a Sierra foi adquirida por um grupo maior, que acabou por ser acusado num dos maiores escândalos de fraude do seu tempo. Como fallout, a Sierra foi uma das empresas que sofreu, ao ter de despedir muita gente e Al Lowe foi um dos que abandonou a empresa. E com ele a sua sequela, até porque o mercado para os jogos de aventura point and click já era cada vez menor. Anos mais tarde, e mais uma série de compras, fusões, restruturações e afins, o que sobrava da Sierra acabou por ficar a pertencer à Vivendi, que decidiram então fazer uma nova sequela do Leisure Suit Larry. Com o foco nas consolas (embora naturalmente uma versão para o PC também foi lançada), e como o mercado dos jogos de aventura tradicionais era ainda um mercado de nicho, decidiram então fazer um jogo que sai completamente fora do que a série nos tinha habituado até então. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, não sei precisar quando ao certo, nem quanto custou, mas tenho a ideia de ter sido comprado na extinta Game do Maia Shopping, eles iam tendo sempre uma série de jogos de PC interessantes a preços bem convidativos.

Jogo com caixa e 4 CDs. Manual nem vê-lo e sinceramente não sei se é suposto pois não me recordo se o comprei novo ou usado, mas pelo que vi em anúncios de ebay parece ser mesmo assim.

Este Magna Cum Laude começa por se diferenciar do seu legado precisamente ao introduzir uma nova personagem, o jovem Larry Lovage, sobrinho de Larry Laffer, ao focar-se nas suas aventuras em tempos de faculdade. Tal como o seu tio, Lovage é um grande pervertido, mas também algo impopular. E depois de nos termos apercebido que o mais recente dating show universitário está a preparar-se para gravar uma edição naquele campus universitário, Larry decide tentar a sorte e participar. Para progredir no programa, Larry terá de adquirir uma série de objectos de afecto de várias raparigas, pelo que, tal como o seu tio, teremos de correr mundos e fundos para as tentar engatar, o que resulta na maioria das vezes, em situações hilariantes e humilhantes para Larry.

Os diálogos são muito engraçados, mas porque temos de jogar este mini jogo estúpido? Era muito melhor se pudéssemos escolher as respostas que queríamos dar…

A primeira fase do engate é sempre a da conversa com uma miúda nova. E enquanto Larry vai inventando histórias mirabulantes para a manter interessada, nós temos de estar atento a um mini-jogo que decorre no ecrã de baixo. Basicamente controlamos um espermatozóide num segmento de scrolling horizontal onde teremos de tocar nos corações verdes que vão surgindo, para aumentar o interesse da rapariga em nós mas também evitar os objectos de cor vermelha, que fazem precisamente o efeito contrário. Não seria bem mais agradável se tivessemos diálogos dinâmicos onde poderíamos escolher as nossas respostas? Depois a miúda lá nos pede alguma coisa mais, que irá resultar noutro mini jogo diferente, desde misturar bebidas alcoólicas, que é tipicamente uma sequência de quick time events onde teremos de pressionar os botões que vão surgindo no ecrã, ou saltos num trampolim, onde teremos umas mecânicas de jogo semelhantes aos jogos rítmicos, pois teremos de também pressionar uma série de botões no timing certo para ir fazendo uma coreografia enquanto saltamos. Ou jogar um jogo tipicamente universitário de atirar moedas para dentro de um copo, mas infelizmente com os piores controlos de sempre. Ou outros mini jogos onde teremos de fugir de alguém, enquanto vamos coleccionando uma série de tokens pelo caminho. Existem mais exemplos de outros mini jogos, mas nenhum é propriamente interessante.

Para engatar uma miúda teremos de vencer uma série de diferentes desafios, que são tipicamente vários mini jogos distintos

E teremos 15 raparigas para conquistar, onde teremos de meter conversa com elas (enquanto jogamos o tal jogo do espermatozóide), vencer um desafio que elas nos acabam por propor (outro mini jogo), mais outra sessão de conversa e tipicamente mais outro desafio, o que sinceramente acaba por se tornar algo aborrecido, o que é pena. Digo isto porque sinceramente até gostei dos diálogos e sentido de humor. Este Magna Cum Laude é mais obsceno, e com um sentido de humor que faz lembrar bastante os filmes American Pie, até porque os protagonistas são todos jovens universitários. Mas ser obrigado a jogar uma série de mini jogos chatos só para avançar na história acaba por ser uma desilusão. Temos também de estar atentos à nossa economia, pois por vezes teremos de comprar coisas em máquinas de vending e em algumas lojas peculiares, quanto mais não sejam novas roupas e acessórios, o que será um requisito para podermos sequer conseguir falar com algumas raparigas. Para isso poderemos explorar os cenários em busca de dinheiro escondido, mas também jogar alguns mini jogos (outra vez) a troco de alguns trocos. Ou tirar fotografias aleatórias e trocá-las por dinheiro numa certa discoteca, e claro, se as fotografias forem mais quentes ou escandalosas, valem mais. Para além de conquistar as miúdas, teremos também algumas side quests opcionais (que claro, envolvem o mesmo tipo de desafios da história principal). E para além de dinheiro, podemos também encontrar os secret tokens, que são uma unidade monetária em lojas mais shady, onde poderemos comprar, entre outros, imagens das miúdas nuas que vamos conquistando.

O Quarters, com os piores controlos de sempre

Graficamente é um jogo minimamente competente, tendo em conta que, apesar de ser de 2004, ainda foi desenvolvido a pensar principalmente em consolas como a PS2 e Xbox. Os gráficos são algo cartoony, o que sinceramente me agrada, e para além da universidade e seu campus, como dormitórios e fraternidades estudantis, também vamos poder explorar as zonas urbanas à sua volta, onde se incluem um clube de strip (tinha de ser!) ou um bar muito manhoso chamado Leftys Too. Mas o Leftys Too não é a única referência aos Larry clássicos, pois Larry Laffer vai aparecendo ocasionalmente na história como mentor de Larry Lovage e outros detalhes, como o ecrã título de Larry 4: The Missing Floppies, o tal jogo que nunca aconteceu, a surgir no PC de Larry Lovage. Ao menos a High Voltage Software ainda foi prestando este tipo de homenagens aos Larry clássicos! De resto o voice acting é bem competente e bem humorado.

Pelo menos no PC, a versão Europeia não vem com qualquer censura, daí ter Uncut no nome.

Portanto este Magna Cum Laude é uma desilusão por um lado, mas por outro também me fez esboçar uns quantos sorrisos. Apesar de ser bem mais vulgar e obsceno que os Larry clássicos, tem na mesma um excelente sentido de humor. Pena mesmo que a jogabilidade não seja nada de especial, ao forçar-nos constantemente a jogar uma série de mini jogos aborrecidos para poder prosseguir na história. Mas o legado de Larry Lovage não se fica por aqui, embora o seu segundo título, Box Office Bust, possua ainda críticas muito piores. Veremos como se comporta pois será um dos próximos jogos que irei jogar.