Leisure Suite Larry: Magna Cum Laude (PC)

Depois do fantástico Leisure Suit Larry 7: Love For Sail, Al Lowe e companhia já tinha uma boa ideia do que quereria fazer com o novo jogo da saga. Entretanto, na indústria, coisas maiores aconteceram: a Sierra foi adquirida por um grupo maior, que acabou por ser acusado num dos maiores escândalos de fraude do seu tempo. Como fallout, a Sierra foi uma das empresas que sofreu, ao ter de despedir muita gente e Al Lowe foi um dos que abandonou a empresa. E com ele a sua sequela, até porque o mercado para os jogos de aventura point and click já era cada vez menor. Anos mais tarde, e mais uma série de compras, fusões, restruturações e afins, o que sobrava da Sierra acabou por ficar a pertencer à Vivendi, que decidiram então fazer uma nova sequela do Leisure Suit Larry. Com o foco nas consolas (embora naturalmente uma versão para o PC também foi lançada), e como o mercado dos jogos de aventura tradicionais era ainda um mercado de nicho, decidiram então fazer um jogo que sai completamente fora do que a série nos tinha habituado até então. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, não sei precisar quando ao certo, nem quanto custou, mas tenho a ideia de ter sido comprado na extinta Game do Maia Shopping, eles iam tendo sempre uma série de jogos de PC interessantes a preços bem convidativos.

Jogo com caixa e 4 CDs. Manual nem vê-lo e sinceramente não sei se é suposto pois não me recordo se o comprei novo ou usado, mas pelo que vi em anúncios de ebay parece ser mesmo assim.

Este Magna Cum Laude começa por se diferenciar do seu legado precisamente ao introduzir uma nova personagem, o jovem Larry Lovage, sobrinho de Larry Laffer, ao focar-se nas suas aventuras em tempos de faculdade. Tal como o seu tio, Lovage é um grande pervertido, mas também algo impopular. E depois de nos termos apercebido que o mais recente dating show universitário está a preparar-se para gravar uma edição naquele campus universitário, Larry decide tentar a sorte e participar. Para progredir no programa, Larry terá de adquirir uma série de objectos de afecto de várias raparigas, pelo que, tal como o seu tio, teremos de correr mundos e fundos para as tentar engatar, o que resulta na maioria das vezes, em situações hilariantes e humilhantes para Larry.

Os diálogos são muito engraçados, mas porque temos de jogar este mini jogo estúpido? Era muito melhor se pudéssemos escolher as respostas que queríamos dar…

A primeira fase do engate é sempre a da conversa com uma miúda nova. E enquanto Larry vai inventando histórias mirabulantes para a manter interessada, nós temos de estar atento a um mini-jogo que decorre no ecrã de baixo. Basicamente controlamos um espermatozóide num segmento de scrolling horizontal onde teremos de tocar nos corações verdes que vão surgindo, para aumentar o interesse da rapariga em nós mas também evitar os objectos de cor vermelha, que fazem precisamente o efeito contrário. Não seria bem mais agradável se tivessemos diálogos dinâmicos onde poderíamos escolher as nossas respostas? Depois a miúda lá nos pede alguma coisa mais, que irá resultar noutro mini jogo diferente, desde misturar bebidas alcoólicas, que é tipicamente uma sequência de quick time events onde teremos de pressionar os botões que vão surgindo no ecrã, ou saltos num trampolim, onde teremos umas mecânicas de jogo semelhantes aos jogos rítmicos, pois teremos de também pressionar uma série de botões no timing certo para ir fazendo uma coreografia enquanto saltamos. Ou jogar um jogo tipicamente universitário de atirar moedas para dentro de um copo, mas infelizmente com os piores controlos de sempre. Ou outros mini jogos onde teremos de fugir de alguém, enquanto vamos coleccionando uma série de tokens pelo caminho. Existem mais exemplos de outros mini jogos, mas nenhum é propriamente interessante.

Para engatar uma miúda teremos de vencer uma série de diferentes desafios, que são tipicamente vários mini jogos distintos

E teremos 15 raparigas para conquistar, onde teremos de meter conversa com elas (enquanto jogamos o tal jogo do espermatozóide), vencer um desafio que elas nos acabam por propor (outro mini jogo), mais outra sessão de conversa e tipicamente mais outro desafio, o que sinceramente acaba por se tornar algo aborrecido, o que é pena. Digo isto porque sinceramente até gostei dos diálogos e sentido de humor. Este Magna Cum Laude é mais obsceno, e com um sentido de humor que faz lembrar bastante os filmes American Pie, até porque os protagonistas são todos jovens universitários. Mas ser obrigado a jogar uma série de mini jogos chatos só para avançar na história acaba por ser uma desilusão. Temos também de estar atentos à nossa economia, pois por vezes teremos de comprar coisas em máquinas de vending e em algumas lojas peculiares, quanto mais não sejam novas roupas e acessórios, o que será um requisito para podermos sequer conseguir falar com algumas raparigas. Para isso poderemos explorar os cenários em busca de dinheiro escondido, mas também jogar alguns mini jogos (outra vez) a troco de alguns trocos. Ou tirar fotografias aleatórias e trocá-las por dinheiro numa certa discoteca, e claro, se as fotografias forem mais quentes ou escandalosas, valem mais. Para além de conquistar as miúdas, teremos também algumas side quests opcionais (que claro, envolvem o mesmo tipo de desafios da história principal). E para além de dinheiro, podemos também encontrar os secret tokens, que são uma unidade monetária em lojas mais shady, onde poderemos comprar, entre outros, imagens das miúdas nuas que vamos conquistando.

O Quarters, com os piores controlos de sempre

Graficamente é um jogo minimamente competente, tendo em conta que, apesar de ser de 2004, ainda foi desenvolvido a pensar principalmente em consolas como a PS2 e Xbox. Os gráficos são algo cartoony, o que sinceramente me agrada, e para além da universidade e seu campus, como dormitórios e fraternidades estudantis, também vamos poder explorar as zonas urbanas à sua volta, onde se incluem um clube de strip (tinha de ser!) ou um bar muito manhoso chamado Leftys Too. Mas o Leftys Too não é a única referência aos Larry clássicos, pois Larry Laffer vai aparecendo ocasionalmente na história como mentor de Larry Lovage e outros detalhes, como o ecrã título de Larry 4: The Missing Floppies, o tal jogo que nunca aconteceu, a surgir no PC de Larry Lovage. Ao menos a High Voltage Software ainda foi prestando este tipo de homenagens aos Larry clássicos! De resto o voice acting é bem competente e bem humorado.

Pelo menos no PC, a versão Europeia não vem com qualquer censura, daí ter Uncut no nome.

Portanto este Magna Cum Laude é uma desilusão por um lado, mas por outro também me fez esboçar uns quantos sorrisos. Apesar de ser bem mais vulgar e obsceno que os Larry clássicos, tem na mesma um excelente sentido de humor. Pena mesmo que a jogabilidade não seja nada de especial, ao forçar-nos constantemente a jogar uma série de mini jogos aborrecidos para poder prosseguir na história. Mas o legado de Larry Lovage não se fica por aqui, embora o seu segundo título, Box Office Bust, possua ainda críticas muito piores. Veremos como se comporta pois será um dos próximos jogos que irei jogar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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