Gain Ground (Sega Master System)

Gain Ground é um jogo que foi desenvolvido pela Sega originalmente para as arcades no final da década de 80. Era um jogo de acção numa perspectiva top-down, mas com alguns elementos de estratégia que nos faziam pensar um pouco, para além de ser necessário os habituais reflexos rápidos. Naturalmente que conversões para as suas consolas não se fizeram esperar e foi o que acabou por acontecer, tanto na Mega Drive, como na Master System, versão que cá trago hoje. A minha cópia foi comprada algures durante o mês de Março, numa Cash Converters de Lisboa, por 5,5€.

Jogo em caixa

O conceito por detrás do Gain Ground é que este era originalmente um concurso entre guerreiros humanos e andróides, onde os humanos teriam de percorrer um grande labirinto, defrontando um pequeno exército de andróides pelo caminho. Acontece que o computador que controlava todo o concurso descontrolou-se, atacou uma série de pessoas e agora os guerreiros humanos terão de percorrer um labirinto ainda mais mortal e por fim, destruir o computador central.

É impressionante a variedade de personagens e armas com que podemos vir a jogar

A piada do Gain Ground é que o “labirinto” se extende ao longo de diferentes fases da história humana, começando na pré-história onde combatemos homens das cavernas, passando pelo período medieval, moderno e futurista, cheio de robots e armas laser. Por outro lado, também controlamos guerreiros de todas essas épocas, cada um com diferentes armas, desde lanças, arco e flecha, passando por metralhadoras, granadas e bazookas. Para passar cada nível, temos de completar pelo menos um de dois objectivos: destruir todos os inimigos no ecrã, ou levar todos os guerreiros que controlamos em segurança até à saída. Isto nem sempre é tarefa fácil pois basta sofrer um ataque para perdermos uma personagem.

No final de cada “mundo” temos um confronto contra um boss, mesmo como manda a lei

Por outro lado, ao longo dos níveis vamos vendo novas armas espalhadas pelo chão. É importante que as apanhemos, pois estas acabam por desbloquear novas personagens que usam essas mesmas armas. Desde guerreiros Vikings, a ninjas munidos de Shurikens, feiticeiros com poderes mágicos ou guerreiros do futuro equipados com armas bastante potentes. Portanto este é um jogo que exige alguma paciência, evitar ao máximo sermos atingidos pelos inimigos e procurar sempre que possível apanhar estes power ups adicionais. É mesmo importante ir guardando um grande número de guerreiros de reserva, pois o último boss possui mísseis teleguiados que não nos conseguimos mesmo esquivar, pelo que vamos perder muitas vidas ali.

Este último boss é uma treta! Impossível não levar dano!

Tecnicamente esta é uma versão mais limitada tendo em conta o original da arcade ou mesmo a versão Mega Drive. Ainda assim não deixa de ser impressionante, para uma consola de 8bits, haver tanta variedade de personagens à escolha e as diferentes armas que poderão ter equipadas. Graficamente os níveis vão sendo distintos entre si, representando diferentes fases da evolução humana, desde planícies do tempo da pré-história, passando por castelos, fortalezas, trincheiras ou bases militares modernas e futuristas. As músicas sinceramente não acho que sejam lá grande coisa, excepto as da última fase, do futuro, que gostei muito mais.

Portanto, o conceito deste Gain Ground é interessante, mas naturalmente a Master System não é a consola que possui uma melhor adaptação do jogo. A Mega Drive ou mesmo a PC-Engine possuem versões tecnicamente superiores, mas o conteúdo exclusivo da versão Master System acaba também por ser uma adição interessante.

Sakura Angels (PC)

Continuando pelas rapidinhas e pela série Sakura, o segundo jogo da franchise é o Sakura Angels e tal como o seu predecessor é uma visual novel de contornos algo eróticos, mas nunca de forma explícita. Apesar de não ser um excelente jogo, está uns furos acima do seu predecessor, como iremos ver em seguida. E tal como todos os outros jogos da série que tenho na minha conta steam, este veio para cá através de um indie bundle comprado muito barato.

O cliché habitual nestes jogos é o protagonista ser um jovem rapaz, ainda na adolescência, que se vê subitamente rodeado de raparigas voluptuosas e em constante flirting. A desculpa para tal é que vai mudando e aqui o nosso protagonista corre o risco de ser atacado por forças das Trevas sem sabermos o porquê inicialmente. Felizmente que terá duas jovens guardiãs que o juraram proteger! Felizmente a história não é tão infantil quanto no primeiro jogo. E se no anterior a mesma se passava num mundo fantasioso muito semelhante ao Japão feudal, esta decorre nos tempos modernos, pelo que os cenários a explorar são mais urbanos e claro, não poderia faltar a típica escola secundária.

De resto esta é uma visual novel tradicional, mas desta vez temos mais alguma liberdade de escolhas, podendo alcançar 3 finais ligeiramente diferentes, pelo que teremos de rejogar pelo menos 3 partidas distintas para desbloquear todas as imagens. Ainda bem que temos a funcionalidade de avançar o texto de diálogos que já tenhamos lido anteriormente!

Como vai ser habitual nesta série, há sempre jovens voluptuosas. Pena que a história nunca seja nada de jeito…

Outra das novidades está no voice acting das meninas e em Japonês, algo que foi adicionado como uma actualização do jogo. Provavelmente esta era também uma funcionalidade que existiu no Sakura Spirit, mas eu não reparei: ao clicar na tecla “v” podemos activar ou desactivar a narração automática do texto que aparece no ecrã, o que é uma funcionalidade interessante. De resto as músicas continuam agradáveis, em especial aquelas que tocam quando há confrontos, pois têm uma toada mais hard-rock que me agrada bastante.

Sakura Spirit (PC)

Continuando pelas rapidinhas, hoje trago-vos cá mais um indie, o Sakura Spirits. Este é o primeiro de uma franchise que começou algures em 2014, e que se resume a uma série de visual novels com muitas raparigas voluptuosas e alguns contornos eróticos, embora pelo menos neste jogo não exista nudez completa ou cenas explícitas. O meu exemplar foi comprado num indie bundle por um preço muito reduzido.

Neste jogo tomamos o papel de um jovem adolescente que, prestes a entrar numa importante competição de Judo, resolve visitar um misterioso templo perdido na floresta, de forma a pedir sorte para a competição. Lá dentro encontra a presença de um espírito que o transporta para um outro mundo, repleto de outras “espíritas” e raparigas voluptuosas, onde teremos de as ajudar com os seus pequenos problemas, antes de regressar à terra.

Infelizmente a história é demasiado infantil para o meu gosto. É tudo muito cutxi cutxi

E basicamente é isso, esta é uma visual novel muito simples, onde ao longo de todo o jogo temos apenas 1 escolha para fazer, de resto é tudo muito linear, é só ler o texto e clicar no rato. E infelizmente a história é muito infantil, confesso que já não tenho muita paciência para estas coisas. Ao menos os backgrounds estão muito bem desenhados e a música é agradável.

Abrams Battle Tank (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, mas desta vez voltando à Mega Drive, hoje trago-vos cá mais um simulador militar, tendo sido lançado em simultâneo com o 688 Attack Sub, que por sua vez também também foram ambos lançados originalmente para o PC, com o selo da Electronic Arts. A Sega of America lá achou que a Mega Drive precisava de mais simuladores militares e lá fez um acordo com a EA para trazer ambos os jogos para a sua consola. O meu exemplar foi comprado em Outubro de 2016, na Cash Converters de Belfast na Irlanda do Norte. Já não me recordo ao certo quanto custou mas foi abaixo das 3 libras.

Jogo com caixa e manual

Tendo sido um jogo desenvolvido em plena guerra fria, naturalmente que nos coloca num conflito com a União Soviética que despoletou a terceira guerra mundial ao invadir a Alemanha ocidental. Ao longo do jogo iremos participar em 8 missões com diferentes objectivos tais como destruir alguns locais chave como pontes ou bases militares inimigas, servir de escolta a comboios de mercadorias, ou missões de pura defesa onde temos de proteger a nossa base militar de ataques inimigos. As missões são atribuidas de uma forma aleatória por cada vez que iniciamos o jogo, a menos que queiramos jogar apenas uma missão específica, aí já poderemos escolher uma série de parâmetros como a dificuldade ou o facto de jogarmos à noite ou dia. Se escolhermos jogar a campanha toda de uma só vez, todos esses atributos são escolhidos aleatóriamente entre missões. E é bom que sejamos óptimos jogadores, pois não podemos gravar o nosso percurso entre missões. Basta falhar uma que teremos de recomeçar do zero.

Para disparar temos de estar na vista do artilheiro onde podemos mirar com maior precisão os nossos alvos.

Para sermos bem sucedidos neste jogo convém mesmo termos o seu manual, pois para além de explicar os controlos e todos os diferentes menus e opções que teremos à nossa escolha, temos também mais algum detalhe de cada uma das missões, incluindo a localização dos objectivos, o que nos ajuda bastante! No jogo em si poderemos ver um mapa da região, mas nenhum dos objectivos. Depois também temos explicações sobre cada tipo de munições que podemos seleccionar, qual o seu alcance e pontos fracos e fortes no geral. Ou informações dos veículos militares que vamos encontrando, sejam norte-americanos ou não. Isto porque o sistema de detecção de alvos também nos permite destruir tanques norte-americanos, e isso resulta sempre num game over no final da missão.

Os gráficos são em 3D poligonal, mas muito básicos

De resto a jogabilidade até que é interessante por todas estas possibilidades que o jogo nos oferece. Para além do que já foi referido, podemos ainda usar visão térmica para ajudar no caso de missões nocturnas, ou largar bombas de fumo para nos protegermos temporariamente do fogo inimigo. Só é mesmo pena alguns detalhes, como o facto de não podermos gravar o progresso no jogo, ou o mesmo ser tão dependente do manual: os mapas poderiam ter marcado alguns objectivos, quanto mais não fossem as nossas bases! Isto porque podemos sempre voltar à nossa base e reparar o tanque de todo o dano que tenha sofrido, bem como reabastecer o tanque de combustível ou munições.

A vista de comandante permite-nos visualizar a nossa posição num mapa, mas era bom que desse para assinalar outras posições no mesmo.

A nível gráfico, este é um jogo que tenta apresentar gráficos em 3D poligonal, o que consegue fazer, mas com resultados muito básicos, com polígonos muito rudimentares e texturas ainda mais simples. No entanto para uma Mega Drive não se poderia pedir muito mais e é difícil imaginar este jogo de outra forma que não em 3D. Nada contra os efeitos sonoros que também são bastante simples, mas cumprem bem o seu papel. Ah, e se ouvirem ruídos em código morse, está na hora de ligar o rádio do tanque, podem ser boas notícias.

Finding Teddy (PC)

Voltando às rapidinhas para os indies no PC, o jogo que cá vos trago agora é o Finding Teddy, um interessante, porém muito curto, jogo de aventura produzido pelo pequeno estúdio francês chamado Storybird. O meu exemplar foi comprado nalgum indie bundle por uma bagatela.

A história é simples, uma menina dormia sossegada no seu quarto, quando subitamente a porta do seu guarda-vestidos se abre e vemos gigantes patas de aranha a roubarem o seu ursinho de dormir. A menina acorda, vai espreitar o guarda-vestidos e é transportada para um mundo fantasioso onde teremos de recuperar o ursinho das garras da tarântula gigante.

Aqui a criança pode morrer de mil e uma maneiras, mas felizmente que recomeçamos o jogo imediatamente antes das nossas más decisões

Aqui o jogo assume mecânicas próximas à dos point and click clássicos em 2D, mas há muito menos diálogo. Na verdade, os poucos diálogos que vão havendo existem na forma de melodias. Cada letra do abecedário está associado a uma nota musical e por vezes teremos de comunicar ao soletrar palavras como H-E-L-P ou H-A-P-P-Y. Por vezes as expressões a usar são-nos passadas por outras personagens ou por pistas nos cenários. Depois lá teremos de explorar aquele mundo estranho e fantasioso, evitando os seus perigos como as inúmeras criaturas que nos querem comer, ou coleccionando objectos de forma a progredir no jogo.

Não parece mas cada uma das notas representa uma letra do abecedário

De resto o que realmente marca neste jogo são mesmo o seus bonitos gráficos, pois transparecem um certo misticismo muito próprio de jogos como Ico ou Shadow of the Collossus, mas com um grafismo 2D, repleto de belíssimos detalhes em pixel art. A banda sonora é também completamente minimalista, o que nos acaba por deixar mais envolvidos em todo o ambiente misterioso e fantasioso que o jogo nos proporciona.

No fim de contas, só é mesmo pena ser um jogo bastante curto, pelo que recomendo vivamente que o experimentem.