Sonic the Hedgehog 4 Episode 1 (PC)

Desde que a série Sonic the Hedgehog entrou com força nos videojogos em 3D, com resultados muitas vezes insatisfatórios, os fãs há muito que ansiavam por uma verdadeira sequela em 2D, tal como os clássicos da Mega Drive. Enquanto isso não acontecia (não contando claro com os jogos nas portáteis), vários fãs foram desenvolvendo fan-games, alguns deles com uma excelente qualidade e que acabaram inclusivamente por ser cancelados pela própria Sega devido a problemas de copyright. Mas com tanta demanda por um jogo do Sonic num 2D de alta definição, a Sega lá acedeu e o resultado foi este Sonic 4 que para já conta com apenas 2 episódios. O Episode 1 foi comprado algures durante o ano passado numa das várias steam sales, com um desconto de 75% ou maior, pelo que me acabou por ficar bastante barato.

Sonic the Hedgehog 4 - Episode I - PC

Sonic 4 tenta então regressar às raizes dos clássicos da era 16-bit, com uma jogabilidade inteiramente em 2D, sem amigos idiotas do Sonic e com um level design e audiovisuais semelhantes aos clássicos da Mega Drive. Claro que isto causou muito hype no seio dos fãs e assim se iniciou mais um infame Sonic Cycle. Isto porque após terem surgido bastantes leaks do jogo que mostraram imensos defeitos na jogabilidade, como uma física terrível ou a falta de algumas animações, os ânimos serenaram bastante. Felizmente essas fugas de informação serviram para que algumas coisas fossem melhoradas, no entanto a física ainda não está perfeita, os originais de Mega Drive têm controlos mais coesos e acima de tudo este jogo possui o hover attack que pessoalmente acho um erro.

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Os primeiros níveis são sempre bem bonitinhos, agradáveis e sem grandes desafios pela frente

Este Sonic 4 Episode 1 possui 4 zonas distintas, mais uma final, todas elas inspiradas pelos clássicos. Cada zona está dividida em 3 níveis, mais um com um boss. O primeiro é a Splash Hill Zone, naturalmente uma zona inspirada na clássica Green Hill, com a paisagem verdejante e os loops que nos remetem logo para os primeiros minutos do Sonic 1. Segue-se a Casino Street, com as inspirações da Casino Night do Sonic 2, com os elementos de pinball e slot machines, mas também com a Carnival Night do Sonic 3, com a temática festiva. A terceira zona é a mais aborrecida na minha opinião, misturando elementos da Labyrinth e Hidrocity Zones do Sonic 1 e 3 respectivamente. É a zona  das “ruínas ancestrais”, com as infames secções subaquáticas e outras mais de aventura à Indiana Jones, onde podemos andar em minecarts ou fugir de/rebolar com gigantescas rochas esféricas. A última zona, chamada Mad Gear é mais industrial, sendo nitidamente inspirada na Metropolis Zone do Sonic 2, com todas as roldanas gigantes e tubos que podemos entrar. Por fim temos o último nível, mais uma vez passado numa base espacial (E.G.G. Station) onde voltamos a defrontar todos os bosses anteriores mais o final, inspirado no “Mech” gigante do Sonic 2.

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Na Casino Street conseguimos ganhar muitas vidas, se tivermos sorte com estas pseudo slot machines

O que também não poderia faltar é a colecção das 7 esmeraldas caóticas. E também tal como é feito nos clássicos, temos de as apanhar nos níveis de bónus. Para tal, temos de chegar ao final de cada nível com 50 anéis no mínimo, e quando cruzamos a meta, temos de entrar num anel gigante que surge no ecrã, caso tenhamos os tais 50 anéis no mínimo. E os níveis de bónus são semelhantes aos do primeiro Sonic, onde temos de guiar o ouriço azul que vai deslizando por um labirinto. Mas em vez de controlar Sonic, giramos o próprio labirinto, onde para além de apanhar um determinado número de anéis que nos abram passagens, temos também de ter muito cuidado em não tocar em painéis que nos expulsam do nível de bónus, ou não deixar o tempo limite expirar.

Graficamente é um jogo bastante colorido, embora infelizmente não utilizaram a sprite clássica do Sonic 1 ou 2, por exemplo. Essa sprite aparece apenas nos ecrãs de loading, infelizmente. Ainda assim, o jogo está repleto de badnicks clássicos que quem jogou os clássicos da Mega Drive irá imediatamente reconhecer. As músicas também são bem agradáveis e tentam emular a qualidade de som da Mega Drive, embora tenham mais qualidade que o chiptune que emulam. Mas o que interessa são mesmo as melodias e essas parecem-me mesmo adequadas a um jogo revivalista como este.

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Exemplo de um nível de bónus, já com a esperalda à vista. Se tocarmos num dos pontos de exclamação o nível termina ali.

Apesar de não ser um jogo perfeito, a jogabilidade ainda não está no ponto e alguns níveis podiam ter um pouco mais de polimento (os puzzles com as tochas foram chatinhos), creio que este Sonic 4 foi uma boa tentativa por parte da Sega de agradar aos fãs da velha guarda da série que tanto ansiavam por algo deste género. Como coleccionador que sou, tenho pena que a Sega tenha também adoptado esta estratégia episódica e apenas digital para promover este Sonic 4. O facto de também não haverem notícias de um Episode 3 não é bom sinal. Gostava de ver o Episode I, II e um eventual III numa compilação física, mas como ainda estou à espera de ver uma colectânea física com os Panzer Dragoon bem que posso esperar sentado.

Dynamite Cop (Sega Dreamcast)

Dynamite CopRecentemente escrevi sobre o beat ‘em up em 3D da Saturn chamado Die Hard Arcade. E nesse artigo referi que o jogo saiu no Japão como Dynamite Deka, com a ligação à franchise Die Hard a ver-se apenas nas versões ocidentais. E no sistema arcade Model 2 da Sega o Dynamite Deka viu uma sequela (Dynamite Deka 2), conhecida no ocidente como Dynamite Cop, nome que acabou por chegar também à Dreamcast como um jogo de primeira geração. A minha cópia deste jogo chegou-me à colecção no verão de 2013, tendo sido comprada por uma quantia entre os 5 e 6€ a um particular.

Dynamite Cop - Sega Dreamcast
Jogo com caixa e manual

A história por detrás deste Dynamite Cop é exactamente a mesma de Die Hard Arcade excepto numa coisa. Em vez de ser passada num arranha-céus à lá Nakatomi Plaza, desta vez passa-se num navio tomado de assalto por piratas modernos, tornando todos os passaggeiros reféns, incluindo mais uma vez a filha do presidente. O vilão é mais uma vez o velhote Wolf Hongo e os seus capangas cada vez mais bizarros.

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Só por este cast se vê logo que este é um jogo “bem disposto”

Quem jogou Die Hard Arcade, irá-se sentir completamente em casa neste Dynamite Cop. A jogabilidade é muito, mas mesmo muito semelhante. Mais uma vez dispomos de imensas armas que podemos utilizar, desde armas no verdadeiro sentido da palavra como facas, revólveres, metralhadoras até lança rockets capazes de gerar uma mini explosão nuclear (mas no entanto o jogador não é afectado), bem como os mais variadíssimos objectos do meio ambiente. Desde vassouras, cadeiras, canos, até comida como carcaças de animais numa cozinha, a variedade é realmente grande e a diversão que isso implica também o é. Existem inicialmente 3 lutadores diferentes com os quais podemos jogar, 2 rapazes e uma mulher, cada qual com os seus próprios golpes e combos. Esses golpes também são uma delícia de se executarem, especialmente aqueles em que os atiramos ao chão e ainda lhes partimos uns quantos ossos. E depois ainda podemos pegar nos corpos e usar como arma!

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Os quick time events e replays estilosos regressaram

Existem mais algumas diferenças face ao primeiro jogo. Na movimentação, o Die Hard Arcade, apesar de podemos movimentar as personagens num espaço 3D, as mesmas apenas se podiam virar à esquerda ou direita, como nos clássicos dos 16-bit. Aqui já se podem virar nos vários sentidos, fazendo com que a hit detection tenha de ser mais precisa. Depois para além dos objectos que podemos utilizar como armas e outros para regenerar a vida, existem uns outros com um P de powerup. Ao coleccionar uns quantos destes itens ficamos temporariamente mais fortes e mais rápidos. Outra diferença engraçada é as nossas personagens perderem alguma roupa consoante o dano que vão sofrendo.

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Tranquilizer Gun, o jogo clássico que podemos desbloquear

Outra diferença é a maneira como podemos começar o jogo. Para nos infiltrarmos no navio, podemos escolher 1 de 3 maneiras: de páraquedas, scuba-diving, ou aproximar-nos do navio por um pequeno barco. Estas 3 possibilidades (ou missões) resultam em diferentes rotas que são levadas ao longo do jogo, embora partilhem algumas salas em comum, como as dos bosses. Apesar de ser um jogo curto, o facto de existirem estas 3 diferentes rotas acabam por oferecer um maior factor de “replayability“, bem como existirem outros extras a serem desbloqueados, como personagens extra ou novos modos de jogo. Ao completarem-se essas 3 missões, desbloqueamos outras 3, sendo versões bem mais complicadas das primeiras. Dispomos também de um modo versus para 2 jogadores e um survival mode onde tempos de aguentar com uma wave de 100 inimigos.

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As três personagens com as quais podemos jogar de início

Mas de resto, ainda há algumas semelhanças com Die Hard Arcade que devem ser referidas: Entre cada sala, há um pequeno “action stage“, onde temos uns curtos quick-time-events, geralmente com a nossa personagem a correr por um corredor, prestes a cruzar-se com um bandido. Se o botão requirido for pressionado na altura certa, damos um mega golpe no infeliz e seguimos a nossa vida. Se falharmos, então para além de levarmos dano, geralmente teremos de lutar numa sala extra. Por fim resta-me referir também o sistema de continues. No Die Hard Arcade podiamos jogar um jogo do período triássico das Arcades, nesse caso o Periscope da Sega, de forma a amealhar continues. Neste Dynamite Cop podemos fazer o mesmo, desta vez o jogo escolhido foi o Tranquilizer Gun.

Visualmente não é o melhor jogo de sempre numa Dreamcast, pois é uma conversão directa de um jogo saído para a Model 2, um sistema arcade excelente na altura em que saiu, mas já obsoleto aquando do lançamento da DC. Ainda assim é um jogo bastante colorido e detalhado quanto baste para ser agradável aos olhos. No entanto, notam-se que nas cutscenes em CG, foram utilizados modelos poligonais muito mais detalhados que os visíveis no jogo normal. Mas o que é realmente agradável é mesmo o espírito bem humorado presente em todos os inimigos, muitos deles vestidos de forma ridícula. Afinal não é em todos os jogos que temos como um boss um cozinheiro, ou inimigos mascarados de tubarões. O trabalho no audio é competente, as falas são simples, mas tendo em conta que é um jogo arcade e uma sátira aos filmes de acção de Hollywood parece-me enquadrar-se bem. O mesmo pode ser dito das músicas que apesar de não serem tão memoráveis quanto outros clássicos como Daytona USA ou Sega Rally, mantém a mesma identidade que a Sega nos habituou.

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Os cenários vão sendo bastante variados e com muita interactividade

No geral acho este Dynamite Cop um óptimo beat ‘em up, tendo sido lançado numa altura em que o género já não tinha a mesma importância que no início da década de 90. É um jogo curtinho, mas a Sega ainda tentou colmatar essa falha ao incluir outros modos de jogo, o minijogo Tranquilizer Gun, personagens secretas para desbloquear e vários coleccionáveis que se traduzem em imagens para o “Gallery Mode”. Quem gostou de Die Hard Arcade, sabe perfeitamente o que esperar deste Dynamite Cop.

Wrestlemania The Arcade Game (Super Nintendo)

Wrestlemania - The Arcade Game - SNESNão sou fã de wrestling. Talvez tenha sido um pouco quando andava na escola primária e a RTP transmitia alguns combates ao Sábado, bem como umas séries animadas com o Hulk Hogan. Mas mais do que isso nunca fui. E como tal os videojogos baseados em wrestling também nunca foram a minha praia, pelo que este será um artigo mais rápido. Este Wrestlemania The Arcade Game foi un jogo lançado originalmente nas arcades, produzido pela Midway, a mesma empresa que nos trouxe Mortal Kombat. E tal como Mortal Kombat está repleto de lutadores digitalizados e as versões caseiras deste jogo sairam para uma panóplia de diferentes sistemas. A minha versão veio junto com um bundle SNES que comprei a um colega de trabalho, tendo-me ficado barato no total. Está completo e relativamente em bom estado tendo em conta que estamos a falar de caixas SNES.

Wrestlemania The Arcade Game - Super Nintendo
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Sendo uma conversão de um jogo arcade, a jogabilidade também é algo diferente dos restantes jogos de wrestling existentes no mercado, com golpes completamente irrealistas, como o Undertaker invocar demónios, por exemplo. No entanto os golpes standard de wrestling também são possíveis de fazer, bem como os “malabarismos” do costume, como balancear-se em cordas, subir para cima dos “postes” e saltar em cima de um oponente que esteja no chão, ou mesmo mandá-los para fora do ringue. O original da arcade possui 8 lutadores diferentes, a versão SNES possui apenas 6, não se compreendendo muito bem o motivo.

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Take it out of the ring!

Existem 4 modos de jogo diferentes, 2 em single-player, dois em multi-player. Os primeiros consistem em dois campeonatos distintos. No Intercontinental Title, começamos com uma série de combates 1 contra 1, passando por alguns combates em 1 contra 2 e finalizando com um combate mais épico de 1 contra 3. No World Wrestling Federation Title começamos o campeonato logo em combates de 1 contra 2, passando para 1 contra 3 e culminando num combate Battle Royale. Já nos modos de jogo para 2 jogadores podemos optar entre Head to Head e Cooperative. O primeiro é um modo versus standard, já no segundo cooperamos em tag-team em combates contra um oponente bastante forte controlado por CPU. Caso vençamos todos os combates, no final teremos de combater um contra o outro.

Graficamente é um jogo bem competente para a SNES. É normal que não esteja no mesmo patamar do original da arcade, mas para quem jogou os Mortal Kombats na SNES já dá para ter uma ideia do aspecto gráfico que irá encontrar neste jogo, visto os lutadores serem também digitalizados. As músicas sinceramente não gostei assim tanto, o chip sonoro da SNES não é o mais adequado para músicas mais rockeiras. No entanto os samples de voz pareceram-me estar bons.

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Sendo um jogo arcade, a Midway tomou a liberdade de javardar um pouco. Embora os “combates” reais também o sejam…

Este é realmente um artigo curto pois como referi anteriormente Wrestling não é mesmo a minha praia. No entanto, sendo um jogo arcade, até poderá ser mais jogável a quem não é fã de wrestling, seja pelo sistema de combos ou mesmo pelos golpes especiais. Para quem quiser um jogo de wrestling puro e duro, então existem outras propostas na SNES, com o selo da WWF e não só.

Star Wars Jedi Knight II: Jedi Outcast (Nintendo Gamecube)

Star Wars Jedi OutcastJedi Outcast é o terceiro capítulo da saga de Kyle Katarn, personagem do universo expandido de Star Wars na qual já encarnamos anteriormente em Dark Forces e Jedi Knight. Ao contrário dos jogos anteriores, este Jedi Outcast não é apenas um first person shooter, pois também pode ser jogado na terceira pessoa quando utilizamos o light-saber, resultando em combates visualmente mais apelativos. É um jogo lançado originalmente pela Raven para o PC, que utiliza o motor gráfico id Tech 3 (Quake III Arena). A conversão para Xbox e GC ficou a cargo da Vicarious Visions com a publicação da Activision. Infelizmente a versão GC ficou algo aquém das restantes, conforme irei mencionar com mais detalhe mais à frente. A minha cópia deste jogo foi comprada algures no ano passado na Porto Alternativo da Maia, tendo-me custado algo entre os 4 e 5€. Está completa e em bom estado.

Star Wars Jedi Knight 2 - Jedi Outcast - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O jogo decorre algum tempo após os acontecimentos narrados em Jedi Knight e a sua expansão Misteries of the Sith. O Império caiu tal como visto no Episode VI, mas algumas réstias de Sith Lords e Stormtroopers ainda se encontram espalhados pelos confins da galáxia. Após ter subumbido temporariamente ao lado negro da Força, Kyle Katarn decide entregar o seu sabre de luz a Luke Skywalker, bem como abandonar por completo os seus poderes de Jedi, retornando à sua vida de “simples mercenário”, mas ainda ao serviço da Nova República. E o jogo começa com uma dessas missões em que Kyle e a sua companheira Jan vão investigar uma antiga base imperial, encontrando-a em plena actividade e repleta de Stormtroopers. A trama vai-se desenrolando, colocando Kyle em confronto com um Dark Jedi chamado Desann que está por detrás de um misterioso plano para restaurar o Império ao poder. Desann é muito poderoso para Kyle, obrigando-o a retornar ao Valley of the Jedi para recuperar os seus poderes e à Jedi Academy de Luke Skywalker para reaver o seu sabre de luz.

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Algumas armas dos primeiros jogos da série marcam aqui o seu regresso. Ouvir o “pew-pew” é sempre agradável.

Tal como no Jedi Knight, a jogabilidade é relativamente complexa. No nosso arsenal existem imensas armas futuristas com vários tipos de projécteis laser, desde revólveres, metralhadoras, lança-granadas de energia e mesmo uma sniper rifle. Existem também vários tipos de explosivos ao nosso dispor. Para além disso, a partir de uma certa parte da história desbloqueamos um sabre de luz, com o qual podemos ter intensos combates melee inclusivamente com outros Jedis. Existem também uma série de itens com diferentes funcionalidades que podemos obter, desde binóculos, visores nocturnos a sentry turrets que podemos colocar em locais estratégicos. Como se não bastasse para aumentar o inventário, ainda podemos também contar com vários poderes especiais, podendo estes serem neutros como a capacidade de saltar mais alto e correr mais rápido, “Light” como a regeneração de vida, ou “Dark”, como lançar raios eléctricos sobre os inimigos. Visto Kyle ter passado pelos dois lados da Força, podemos utilizar todos estes poderes, ao invés de optar por um caminho ou outro, como é feito em muitos outros jogos da série. Ora isto se fosse num PC não deveria haver grande problema em mapear directamente cada uma destas armas, items ou poderes. Já no comando da Gamecube, com os poucos botões disponíveis a coisa torna-se mais complicada. Todas estas operações de troca de arma/poderes/itens são realizadas com os 4 botões do D-Pad, e escolher uma destas coisas no meio de imensas, tudo feito “on-the-fly” torna tudo mais complicado.

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O combate com os lightsabers poderia ser um pouco mais refinado, o que acabou por acontecer no Jedi Academy.

No entanto o jogo possui duas jogabilidades distintas. Como first person shooter, à parte destes problemas de “inventário”, Jedi Outcast comporta-se bem, embora a precisão dos controlos também pudesse ser melhor (especialmente o C-Stick). Quando entramos para os combates melee com os sabres de luz na terceira pessoa, então os controlos mais uma vez não são propriamente os melhores. Isto porque podemos desempenhar uma série de golpes especiais, mas temos de utilizar mais uma vez o gatilho para “atacar”, enquanto que utilizar os botões faciais me pareceria bem mais apropriado. De resto, e tal como os jogos anteriores, este Jedi Outcast apresenta níveis bem grandinhos, labirínticos e complexos o quanto baste, onde apesar de termos à disposição um ecrã com os objectivos presentes em cada nível, acabamos por perder muito tempo a vaguear de um lado para o outro até encontrarmos o que devemos fazer. Ainda assim prefiro este estilo de jogo que os objectivos marcados num mapa e na própria HUD em jogos com corredores lineares à lá Call of Duty.

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É possível jogar os modos multiplayer sozinho contra bots

Para além da campanha single-player, a versão GC possui também um modesto modo multiplayer. Digo modesto pois naturalmente a versão PC é muito superior nesse aspecto. Embora esta conversão para a GC até apresente um número considerável de diferentes modos de jogo, apenas 2 jogadores podem jogar ao mesmo tempo em split-screen, apesar de ser também possível popular os mapas de bots. Existem diversos modos de jogo, alguns variantes dos habituais deathmatch, team deathmatch e capture the flag, outros como um modo de torneio (embora apenas 2 jogadores possam jogar de cada vez) e um “Jedi Master”. Neste modo de jogo um lightsaber é guardado aleatoriamente num mapa e quando um jogador o encontra, ele torna-se o Jedi Master. Neste momento todos os outros jogadores devem tentar matá-lo, podendo tornar-se no Jedi Master em seguida. O bónus de ser-se Jedi Master é de ter mais pontos por cada frag. No multiplayer existem ainda outros poderes Jedi que podemos utilizar, como team heal, por exemplo. Para além do mais à medida em que vamos progredindo no jogo normal, vamos desbloquear uma série de personagens que podem ser utilizadas no multiplayer, personagens essas com as suas vantagens e desvantagens.

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Talvez motivado pela pouca capacidade de armazenamento dos discos da Gamecube, a qualidade das cutscenes também está um pouco abaixo das versões PC/Xbox

No audiovisual infelizmente esta conversão para a GC tem algumas falhas. É perfeitamente natural que a versão PC corra numa resolução maior, bem como apresente texturas e modelos poligonais mais bem trabalhados. No entanto esta versão GC para além dessas “falhas” perfeitamente naturais, possui alguns problemas de framerate, bem como as próprias cutscenes não têm a mesma qualidade que nas versões PC/Xbox. Por outro lado, os efeitos sonoros, voice acting e música orquestral estão excelentes, como é esperado de um bom jogo Star Wars.

Jedi Outcast é um bom jogo, uma óptima continuação das aventuras de Kyle Katarn, obrigatório para todos os fãs de Star Wars. Algumas mecânicas de jogo poderiam ser mais aperfeiçoadas, mas no geral a Raven fez um bom trabalho. No entanto, a optarem por uma versão, naturalmente que recomendo a versão PC pelas razões óbvias de performance.

Tekken 2 (Sony Playstation)

Tekken 2 - PS1Da era das consolas 32bit, o que mais nostálgico me traz é sem dúvida as adaptações caseiras de vários jogos arcade em 3D, como Daytona USA, Virtua Fighter, Ridge Racer ou Time Crisis. E de facto nessa altura não haviam gigantes maiores das arcades que a Sega e a Namco. A Sega ia suportando a Saturn da maneira que podia com as suas conversões dos maiores hits, na Playstation era a Namco a grande referência do género. Tekken é o grande concorrente de Virtua Fighter no mercado dos jogos de pancadaria 1 contra 1 em 3D e Tekken 2 é uma boa evolução face à sua prequela. O jogo entrou na minha colecção algures no ano passado, tendo sido comprado a um particular por um valor não superior a 6€ salvo erro.

Tekken 2 - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual, versão Platinum

A história é o cliché do costume nestes jogos de luta que ninguém leva a sério. Ou melhor, pelo menos eu certamente que não dou importância. Essencialmente Tekken 2 decorre na segunda edição do torneio King of the Iron Fist, onde se oferece um prémio de um trilião de dólares ao vencedor. Mas como a entidade organizadora é a Mishima Zaibatsu, uma poderosíssima empresa japonesa envolvida em imensas actividades ilícitas, é porque há marosca por detrás. E mais uma vez o grande conflito está entre Kazuya e o seu pai Heihachi Mishima, novamente a lutar pelo controlo da empresa. Os outros lutadores também vão tendo os seus próprios motivos para participar no evento e como sempre há bons e maus da fita. Mas no fim de contas o que interessa é andar à pancada e vencer todos os combates…

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Inicialmente estas são as personagens que podemos escolher

Este Tekken 2 é um jogo que traz bem mais conteúdo para além da versão arcade do que a sua prequela. Para além do modo arcade, temos também um Practice Mode cujo nome é auto-explanatório. Outros modos de jogo como o Survival, Team Battle, Time Attack ou o tradicional Versus para 2 jogadores também estão presentes, sendo actualmente modos de jogo frequentemente presentes nos jogos de luta, mas na altura deste Tekken 2 se calhar nem por isso. O Survival mode é o modo de sobrevivência, onde o jogador tem de sobreviver a combates seguidos, onde no final de cada combate a vida apenas se regenera um bocadinho. A ideia está em sobreviver o máximo de combates possível. Team Battle permite jogar em combates de equipas até 8 lutadores, com a vida de cada lutador a manter-se de round em round. Time Attack é semelhante à versão arcade, mas com um objectivo de se obter os melhores tempos possíveis.

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Apesar de o jogo ser em 3D, as arenas apresentam um background fixo

De resto a jogabilidade de Tekken mantém-se fiel a si mesma, com cada um dos 4 botões faciais a corresponder a um ataque de cada membro (pontapé esquerdo, direito e por aí fora). Claro que existem botões para bloqueio ou agarrar e atirar o adversário, conjungando-se em vários combos e golpes especiais como não poderia deixar de ser. Tal como no jogo anterior, existem imensos lutadores que podem ser desbloqueados. O boss final de cada lutador no modo arcade, é o Devil (Kazuya), mas antes disso lutamos sempre contra um sub-boss, geralmente rival directo da personagem em questão (Anna, rival de Nina ou Kunimitsu, rival de Yoshimitsu), sendo que desbloqueamos esse lutador no final. Desta vez, apesar de herdarem muitos golpes dos rivais, estes bosses têm também alguns golpes especiais próprios. Para além desses sub-bosses ainda existem mais uns quantos lutadores especiais que podemos desbloquear, pelo que pelo menos no quesito “extras”, o Tekken 2 é uma boa aposta.

Tal como Virtua Fighter 2 o foi para a Sega Saturn, este Tekken 2 é um jogo que é uma boa evolução gráfica do seu antecessor. O jogo continua com arenas com backgrounds fixos, ao contrário dos Virtua Fighter nas Arcades, que tiravam o melhor partido possível das placas Model da Sega. Os lutadores de Tekken 2 estão bem melhor detalhados que no primeiro jogo, embora no geral acho que Virtua  Fighter 2 é um jogo muito mais bem conseguido, quer no aspecto gráfico em bruto, quer na própria estética no geral. As músicas também são no seu geral músicas mais electrónicas, sempre com uma toada “dance music” que sinceramente não me agrada. Já não me agradou no Tekken original, neste a Namco decidiu ir pelo mesmo caminho. Óbvio que as músicas do jogo não são todas assim, há algumas com influências mais tradicionais, mas eu prefiro de longe as bandas sonoras mais rockeiras que a Sega sempre fez muito bem.

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Antes de conhecer melhor a série, sempre achei que o Heihachi fosse dos bons da fita

Sinceramente prefiro Virtua Fighter a Tekken. Para além de a jogabilidade ser mais complexa e difícil de “masterizar“, mesmo as próprias personagens me parecem muito mais realistas e credíveis. Ainda assim, acho Tekken um rival de peso e pelo menos em conteúdo extra e segredos, é um jogo muito mais completo que Virtua Fighter. A Sega lançou um Virtua Fighter Kids, que era essencialmente um Virtua Fighter 2 com as personagens representadas no estilo “super deformed”, com aquelas mega-cabeçorras. Tekken 2 tem um cheat code que torna qualquer lutador nessa forma, e tem ainda um outro que torna o nosso lutador num aglomerado de vectores, essencialmente o modelo poligonal sem qualquer preenchimento. Tekken 2 é assim um jogo bem mais completo, mas pessoalmente achei o Tekken 3 algo ainda bem mais impressionante para a máquina 32bit da Sony.