PUSHSTART #38

E já está mais uma vez disponível à distância de um clique mais uma edição da revista gratuita de videojogos PUSHSTART. Nesta edição, da minha parte podem contar com uma antevisão ao Blackguards, um RPG estratégico por turnos vindo de nada mais nada menos que a Daedalic, um estúdio famoso pelos seus jogos de aventura, umas pequenas impressões sobre vários jogos da Wii U, entre os quais o excelente Super Mario Bros 3D World, a análise ao jogo infantil da PS3 Invizimals the Lost World, uma outra ao clássico Metroid Fusion, e ainda uns bitaites sobre o Micromachines 2 da Mega Drive

Podem descarregar a revista aqui.

Nesta edição:

– Preview: PS4 – Primeiras impressões; Evento WiiU; Blackguards

– Reviews: The Legend of Zelda – A Link Between Worlds; Tearaway; Invizimals – The Alliance; Battlefield 4; Ratchet and Clank – Nexus; FIFA 14; Invizimals – The Lost Kingdom; Assassin’s Creed IV – Black Flag; Shin Megami Tensei Devil Survivor Overclocked; Batman Arkham Origins; Star Wars Pinball; Phoenix Wright Ace Attorney – Dual Destinies; Plants vs Zombies 2; AiRace Speed; Mario Party – Island Tour; Lumen; Proteus; Pikmin; Metroid Fusion;

– Opinião: A era do barril acabou?

– 4X4: Micromachines 2: Turbo Tournament

– Tecnologia: Targus Apr. Multimédia AMP09EU

– Visão: Desenvolvimento de jogos – Free That Fish

– Gamer em Tempos de Crise: The Kingdom of Loathing; Cuper Crate Box; Cave Story

Still Life (PC)

Still Life é uma sequela de Post Mortem e tal como esse jogo é também uma aventura point and click, desta vez mais tradicional pois é passada na terceira pessoa. E mais uma vez é um jogo de detectives com uma história bem mais adulta, não existindo quaisquer pudores com linguagem, gore ou nudez. Mais uma vez é um jogo produzido pela malta francesa da Microids, o mesmo estúdio que trouxe outros bons jogos como a série Dracula ou Syberia. E tal como o Post Mortem, este jogo chegou-me à conta do steam por intermédio de um bundle qualquer que sinceramente já nem me recordo qual foi. Acho que terá sido algo da Indie Gala.

Still Life PCStill Life abre com uma excelente cutscene ao som de Dies Irae de Mozart, mostrando vários assassinatos violentos perpretados por um misterioso assassino, vestido com roupas vitorianas e uma máscara que lhe cobre todo o rosto. Após essa abertura somos levados até a um prédio manhoso em plena Chicago nos dias de hoje, onde jogamos com Victoria McPherson, neta de Gustave McPherson do Post Mortem. Ora Victoria é uma agente do FBI e está actualmente a investigar uma série de assassinatos de um serial killer que vai actualmente na sua 5a vítima. Todas as vítimas são mulheres de profissão duvidosa e morrem afogadas, com alguma violência à mistura que tem vindo a aumentar. Enquanto Victoria investiga esses crimes, vai lendo também o diário do seu avô Gustave que conta as suas aventuras em Praga nos anos 30, onde se sucederam crimes muito semelhantes. Assim sendo vamos alternando de capítulo para capítulo, ou jogamos com Victoria ou Gustave e depressa vamos vendo como as duas ondas de crimes estão ligadas, bem como vamos sabendo um pouco mais do que foi acontecendo com Gustave ao longo dos tempos.

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Vários dos puzzles são coisas muito lógicas.

Mas o que mudou mais neste jogo face ao antecessor foi sem dúvida a jogabilidade, que agora está mais tradicional, pelo menos na questão da movimentação. Agora é na terceira pessoa, ao longo de vários cenários onde apenas precisamos de clicar com o rato na posição que queiramos que a nossa personagem se desloque. Infelizmente acho que complicaram um pouco o sistema de inventário. Para se utilizar um item temos de nos deslocar até uma posição em que apareça no ecrã um íconezinho com uma mão. Aí basta abrir o inventário e seleccionar o objecto para se usar, que a personagem irá logo utilizar de forma automática. Os tradicionais puzzles também não ficaram de fora e tal como o Post Mortem, ou são coisas bastante lógicas em que temos de interagir com uma série de objectos, como por exemplo como recolher impressões digitais de um objecto, ou são puzzles bem mais frustrantes. Um bom exemplo são as variantes dos sliding puzzles que eu tanto odeio, ou o puzzle para se destrancar uma porta utilizando um lockpick.

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Continuo a preferir de longe a personagem do Gustave. Pena que no próximo jogo já não joguemos com ele.

A narrativa deste jogo é bastante adulta. Tal como referi acima eles não têm muitos pudores em abordar temas polémicos como a prostituição, mortes violentas e várias profanidades. No entanto, ao contrário do jogo anterior as coisas aqui são completamente lineares, o que até se compreende visto o jogo estar dividido em capítulos e alternar entre 2 storylines. Mas o que não gostei que tenha mudado foi o esquema de interrogatório, pois aqui já não controlamos as perguntas/respostas a escolher. Basta clicar no botão esquerdo do rato para se falar sobre assuntos necessários à história, e com o botão direito para meter alguma conversa “de chacha”. Ainda assim, a maneira como a história vai sendo contada agradou-me bastante porém o voice acting é muito inconsistente. Em algumas personagens acho que ficou bem representado, mas em várias outras nada mesmo.

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A primeira vítima que investigamos com a Victoria

Graficamente falando é um jogo normal, nada que impressione muito. No entanto continuo a gostar muito mais dos visuais da aventura de Gustave do que propriamente os da actualidade. Infelizmente é um jogo mal optimizado para PCs, tal como o seu antecessor. Embora a resolução nativa já seja maiorzinha, o jogo continua a suportar uma resolução apenas, nem dá sequer a opção de jogar em modo janela, o que para mim é um pouco incomodativo. Já a música está muito bem conseguida como é habitual, sendo tensa e ambiental quando o deve ser, alegre ou mais agressiva noutras alturas. Nada a apontar aqui, e para um jogo que abre com uma Dies Irae em conjunto daquela CG, já é dizer muito.

Concluindo este pequeno artigo, acho Still Life um bom jogo de aventura, que sem dúvida marca ponto pela sua história mais madura, e o trabalho de “detective” que vamos desempenhando. Tem alguns problemas, nomeadamente  a interface não muito boa com o jogador, e alguns actores representarem mal as suas personagens. Tirando isso, para quem gosta de jogos de aventura, Still Life é mais uma boa opção.

Street Fighter II (Super Nintendo)

Street Fighter II

Não estou a ver nenhum jogo que tenha sido mais influente para o género de jogos de luta 1 vs 1 que o Street Fighter II o foi. Com os seus gráficos excelentes para a época, personagens carismáticas, uma jogabilidade fluída e repleta de golpes especiais, Street Fighter II estava literalmente a anos-luz de distância de outros jogos do género, mesmo da sua prequela. SF II teve um enorme sucesso nas arcades por esse mundo fora, fundando de vez o movimento de jogos de luta 2D que rapidamente recebeu imensos “clones” de outras empresas que tentaram capitalizar sobre o seu sucesso. Este jogo que aqui trago é precisamente a primeira conversão do mesmo para uma consola caseira e embora tenha algumas perdas face à versão arcade, não deixou de ser um enorme sucesso também. Especialmente nesta guerra dos 16-bit, já que a Mega Drive teve de esperar cerca de mais 2 anos até receber a sua primeira versão deste jogo. E a minha cópia foi adquirida no mesmo bundle que comprei a um colega de trabalho, tendo-me ficado a um preço muito reduzido. Infelizmente falta-lhe a caixa.

Street Fighter II - Super Nintendo
Jogo com manual que para mal dos meus pecados está todo em alemão.

A história que está por detrás do jogo é o cliché do costume, cliché esse que acho que até começou mesmo com este jogo. Lutadores de todo o mundo entram num super torneio de artes marciais, mas logo vamos descobrir que existem conspirações por detrás, vilões que tentam dominar o mundo, heróis que os tentam impedir, ou simplesmente quem esteja lá porque quer andar à pancada. Mas isso são detalhes que apenas quem tenha o manual ou veja as cutscenes finais é que se apercebe, pois quem joga este tipo de jogos, geralmente está-se marimbando para a história, o que conta é mesmo a pancadaria e diversão.

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O cast original de lutadores

O jogo consiste então numa série de combates 1 contra 1, onde para derrotar o adversário temos de esgotar a sua barra de vida, na base da pancada claro está. Os combates são decidos numa regra do “melhor de três”, pelo que basta vencer 2 combates em seguida para se defrontar o adversário seguinte. Ainda assim é possível empatar um determinado round por KO duplo, jogando assim um round extra com morte súbita. Esta primeira conversão do jogo segue a primeira versão arcade na medida em que temos apenas 8 lutadores disponíveis para jogar (Ryu, Ken, Chun-Li, E. Honda, Blanka, Dhalsim, Zangief e Guile), com os bosses Sagat, Bison, Balrog e Vega de fora (nem vale a pena falar na confusão que fizeram com estes nomes!). Para além dos combates existem também alguns mini-jogos intercalados, onde temos de destruir certas coisas dentro de um determinado tempo. Claro que o mais famoso é mesmo aquele em que temos de destruir um carro o mais rapidamente possível e para mim é uma ideia de génio por parte da Capcom em incluir esses bónus para quebrar um pouco o stress. Ou não.

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Nas opções podemos alterar o nível de dificuldade, a configuração dos botões, entre outros

O jogo utiliza um esquema de 6 botões faciais para os golpes, sendo 3 deles para murros e os outros 3 para pontapés, variando entre eles a intensidade dos golpes. A piada estava sem dúvida nos golpes especiais que cada lutador tinha, e descobri-los sozinho era mesmo uma aventura. Na altura não havia internet, o máximo seriam as secções de “truques e dicas” das revistas que nem toda a gente comprava. Quem não se lembra da primeira vez que conseguiu fazer um hadouken com o Ryu ou Ken? Ou dos nomes que inventávamos aos golpes? Os lutadores são bastante distintos entre si (excepto claro para a dupla Ryu/Ken), com alguns clichés (Ryu, Guile e Zangief a protagonizarem os esteriótipos japonês, norte americano e soviético respectivamente) e outros bastante originais, como Blanka e o misterioso monge Dhalsim com a sua enorme elasticidade corporal.

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Estes ecrãs foram tendo muito engrish ao longo dos anos, especialmente nas arcadas

Para além da vertente “single player“, temos também um versus para 2 jogadores. Ao contrário do jogo original para Arcade, aqui é possível ambos os jogadores escolherem a mesma personagem para jogar, onde a segunda fica com uma cor diferente nas suas roupas. Isto foi uma feature que apenas saiu no primeiro update ao jogo nas Arcades, a Champion Edition. Mas apesar desta ser uma boa conversão, naturalmente por limitações técnicas a versão arcade apresenta gráficos superiores e mais voice samples. Ainda assim não deixa de ser um bom port. As arenas continuam cheias de detalhes e são um clássico absoluto do género. Lembro-me perfeitamente das tardes em que passava a jogar este jogo na SNES da escola e quando era a minha vez de esperar, ficava a apreciar todos os detalhes como o público a apoiar no fundo, os chineses a andar de bicicleta no cenário da Chun Li, ou mesmo nunca ter percebido ao certo do que se tratava o cenário do E. Honda. Os efeitos sonoros, apesar de não estarem todos presentes da versão arcade são também bastante nostálgicos, assim como as músicas do jogo. Algumas como a do Guile fazem na minha opinião parte do panteão musical dos videojogos.

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O jogo na arcade tinha esta arena à noite. No entanto apesar de simples, sempre foi uma das minhas preferidas.

Concluindo, acho Street Fighter II um clássico absoluto da história dos videojogos, e foi certamente um jogo que revolucionou toda a indústria. Esta versão para SNES não se porta nada mal, embora tenha sido logo ultrapassada quando um ano depois chegou à SNES a versão Street Fighter II Turbo, que inclui os updates Champion Edition e Hyper Fighting. O primeiro inclui os 4 bosses como personagens jogáveis logo de início, já o segundo traz tudo o que o CE tem mais o tal modo “turbo”, onde realmente se nota uma maior fluidez nos combates. O SF II Turbo é então para mim a versão definitiva do Street Fighter II clássico (não estou a contar com o Super SF II pois esse já tem bastantes mudanças para estar noutro patamar), mas caso se cruzem com esta versão a um bom preço, não deixa de ser um excelente jogo para se ter na colecção.

Rise of the Triad (PC)

rottRise of the Triad é um FPS da velha guarda lançado pela Apogee, que contou com Tom Hall (uma das mentes criativas dos clássicos seminais do género Wolfenstein 3D e Doom) na sua equipa de desenvolvimento. Sempre achei que foi um jogo que passou debaixo do radar de muita gente, mas certamente não terá passado ao lado de todos, pois saiu neste ano para PC também, uma espécie de remake/reboot que infelizmente ainda não tive a oportunidade de experimentar. De qualquer das formas este jogo aqui foi comprado no mês passado na feira da Ladra em Lisboa, pela módica quantia de 1€. É uma versão que pelos vistos saiu no Jornal de Notícias há uns valentes anos atrás, não é a edição retail normal, mas também serve.

Rise of the Triad - PC
Jogo com caixa jewel case e instruções de instalação no inlay

A primeira curiosidade deste jogo é que estava para ser uma sequela do clássico Wolfenstein 3D, não é por acaso que é utilizado o mesmo motor gráfico (embora com muitos melhoramentos), e a presença de armas como a metralhadora MP40 ou o revólver Walther PP, ou mesmo algumas fardas que lembram uniformes nazis foram mantidas no jogo. No entanto, por algum motivo decidiram que o jogo decorresse nos tempos modernos, onde podemos encarnar num de vários elementos de um esquadrão de elite chamado H.U.N.T.. Ora esses meninos foram para a ilha de San Nicolas, no Oceano Pacífico, relativamente perto de Los Angeles, para investigar as actividades de um culto obscuro. Quando lá chegam descobrem que planeiam destruir a cidade de LA e o resto não é difícil de adivinhar.

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Podemos jogar com 1 de 5 personagens diferentes, cada com os seus “stats”

Apesar de ROTT ser um jogo linear, em que temos de ir do ponto A ao ponto B, procurando  pelo meio chaves que nos abram outras secções e matando tudo o que mexa, tem várias peculiaridades. Em primeiro lugar, pelo extenso arsenal à nossa disposição porém, este é dos primeiros FPS que nos limita o inventário. Podemos carregar apenas 4 armas, sendo as 3 primeiras um revólver, 2 revólveres ao mesmo tempo ou a metralhadora MP40, todas estas armas com munição infinita. O último slot é reservado aos vários tipos de armas mais “pesadas” ou mesmo mágicas, capazes de dizimar com mais facilidade grupos de inimigos. E dessas armas pesadas temos diversos tipos de rocket launchers, como heat seekers, os drunk missiles que disparam 5 de cada vez, ou outros que após tocarem no chão geram uma enorme parede de chamas. Power-ups é coisa que também não falta, desde variados tipos de armaduras e outros que tanto podem ser benéficos (mercury mode para voar, god e dog para invencibilidade) como nos podem atrapalhar e bastante a vida – cogumelos alucinogéneos ou o elastomode, que practicamente nos transforma numa bola de pinball, dificultando bastante a movimentação. E a atenção dada a estes power-ups é impressionante. Por exemplo, no god mode assumimos literalmente o papel de um deus, cuja única arma é a sua mão divina, que dispara bolas de energia teleguiadas que literalmente vaporizam os inimigos. Em dog mode, passamos a ser um cão também invencível, que ladra e morde, matando os inimigos com um só hit também.

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Sim, algumas armas são mesmo propositadamente ridículas

Para além do mais o jogo herda elementos de platforming, desde as tais plataformas onde podemos saltar, ou mesmo os “ankhs” que podemos colectar e a cada 100 ganhamos mais uma vida. É uma decisão estranha, pois podemos também fazer save e load a qualquer momento do jogo. Ainda assim, ROTT possui mais algumas peculiaridades: os inimigos são bem mais matreiros, alguns fingem-se mortos para nos emboscar posteriormente, outros ainda nos conseguem roubar as armas. O modo “campanha” é o tradicional, um conjunto de níveis com alguns bosses intercalados. Os níveis são bastante largos e repletos de armadilhas, objectos que podemos destruir e passagens secretas para explorar. Infelizmente, ao serem bastante largos e labirínticos podemos passar um bom tempo a vaguear pelos mesmos sem nos recordarmos onde estava aquela chave, ou a porta que ainda não tinhamos explorado.

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O mapa apesar de não ser tão funcional assim, é extremamente útil em níveis mais avançados

Mas ROTT tinha também expandido as vertentes multiplayer face aos seus rivais: desde o tradicional deathmatch e variantes, um modo “hunt” onde como o nome indica, há um jogador que toma o papel de presa e os restantes de caçador, um capture the flag, entre outros. Devo dizer também que para além de ROTT suportar até 11 jogadores em simultâneo, o que era muito bom para a altura, tem também um bom nível de customização destas partidas multiplayer, para além de ser o primeiro jogo da Apogee/3DRealms a suportar a característica “Remote Ridicule”, que consistia em enviar clips de voz para os outros jogadores, ou mesmo suportando microfones. Claro que isto só deveria resultar bem em LANs, tendo em conta as capacidades de rede da altura.

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Existem vários perigos e armadilhas nos próprios níveis, que tanto nos podem atingir a nós como aos inimigos

Falando nos pontos mais técnicos, é notório que ROTT utiliza uma versão mais avançada do motor gráfico do Wolfenstein 3D, pois apesar dos níveis serem largos, consistem na mesma em paredes com ângulos de 90º e “tectos” ao mesmo nível, apesar de existirem algumas zonas que sirvam de plataformas ou “level over level“. Para além disso, existem níveis exteriores com imagens de fundo, tal como foi implementado no Doom. Os inimigos apesar de não existirem em grandes variedades, sempre me pareceram melhor detalhados que os do Doom. ROTT era também um jogo bastante violento, onde nas opções podemos inclusive regular o nível de gore, desde nenhum sangue, até explosões sangrentas onde vemos vísceras a voar por todos os lados. Os efeitos sonoros estão OK para a época, assim como as músicas em MIDI. Não são tão nostálgicas como as de Doom, mas cumprem bem o seu papel.

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O jogo está cheio de mensagens com humor negro

No fim de contas, o enorme nível de violência de ROTT para a sua altura, culminando com um ritmo de jogo bastante rápido, todas aquelas armas e powerups insanos, tornam Rise of the Triad num FPS que por um lado não se leva muito a sério, mas é bastante agradável de se jogar em períodos relativamente curtos. Quando tentamos levar uma maratona de ROTT, os seus níveis muito “quadrados”, grandes e labirínticos já podem tornar a coisa um bocado mais chata. Pelo menos este “feeling arcade“, gore e humor negro pareceram-me tomados em conta no remake/reboot que foi lançado neste ano e ainda não tive a oportunidade de jogar. Mas não deverá estar para muito tarde.

Star Wars Rogue Squadron III: Rebel Strike (Nintendo Gamecube)

Star Wars Rogue Squadron IIIHá uns dias atrás escrevi sobre o Rogue Squadron II, um dos jogos de lançamento da consola cúbica da Nintendo. Visualmente era um jogo impressionante, e a sua jogabilidade fluída fizeram-no um óptimo jogo, ainda mais tendo em conta que era um jogo de lançamento. No entanto em 2003 a Level 5 volta à carga com este Rebel Strike, e embora apresentem um jogo visualmente ainda mais impressionante, quiseram inovar ao incluir uma série de missões ou segmentos em que conduzimos veículos terrestres ou andamos mesmo a pé. Infelizmente, como irei referir em seguida, a sua implementação não foi a melhor. Este jogo chegou-me às mãos já não me recordo bem quando, penso que ainda no próprio ano de 2003, tendo sido comprado por algo em torno dos 30€ a um particular.

Star Wars Rogue Squadron III Rebel Strike - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Tal como os anteriores, este jogo assenta na trilogia original dos filmes, nomeadamente os episódios IV, V e VI), embora se foque mais a partir do final de “A New Hope”, com a primeira Deathstar destruída. Ao longo do jogo iremos mais uma vez revisitar algumas batalhas icónicas da saga, ou outros segmentos inteiramente novos, previamente existentes apenas nos livros. Existem essencialmente 2 séries de missões que podemos desempenhar, numas encarnamos no papel de Luke Skywalker, em missões como o treino em Dagobah com Yoda, ou o resgate de Leia no fosso de Sarlacc. No outro pilar temos missões com o seu companheiro Wedge. Ainda há um 3º pilar de missões que vão buscar outras cenas carismáticas dos filmes, como resgate de Leia na primeira Death Star, a perseguição em speeder bikes em Endor, ou o roubo de AT-STs por Han Solo, como se viu no último filme.

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Mais uma vez antes de começar a aventura propriamente dita, temos uma sessão de treino em Tatooine

O jogo divide-se então em 2 ou se quisermos, 3 vertentes diferentes de jogabilidade. A primeira é os combates aéreos que a série fazia tão bem, e nesse ponto nada mudou desde o Rogue Squadron II, pois não convém alterar o que ja funciona bem. Em adição ao combate aéreo, podemos desta vez combater utilizando veîculos terrestres, desde os rapidíssimos speeder bikes, passando pelos AT-STs, onde as mecânicas são essencialmente as mesmas. Para além de disparar os lasers do costume, as naves costumam ter também modos secundários de fogo, alguns essenciais para certas missões. Depois é também possível dar ordens ao esquadrão que nos acompanha nas missões, desde auxiliar a destruir os TIEs que nos atrapalham, fugir, ou voar na formação. Mas é no combate a pé que houve grandes mudanças. Nos segmentos em que temos de andar a pé, a jogabilidade consiste basicamente em movimentar a personagem pelo mapa, disparando para tudo o que mexa e ocasionalmente executar algumas interacções, desde disparar turrets, a lançar granadas para dentro de AT-ATs na batalha de Hoth. Infelizmente é aqui que as coisas ficam algo más. Os controlos estão mal implementados, pois apesar de ser possível fazer lock-on nos inimigos, é impossível fazer strafing e os movimentos estão muito atabalhoados, assim como as suas próprias animações. No nível em que é preciso fazer algum platforming, esses maus controlos ainda se acentuam mais. É pena, dá a entender que o jogo ficou algo inacabado neste aspecto.

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Podemos escolher jogar missões ao longo de 3 pilares, cada um correspondendo a uma “campanha” diferente.

De resto o jogo continua repleto de segredos. Tal como no anterior, existem diversos power-ups espalhados ao longo das missões, que conferem upgrades a armas, escudos ou o targetting computer, que mais uma vez está aqui implementado. Para além do mais no final de cada missão somos mais uma vez avaliados com base na nossa performance, podendo ser recompensado com diferentes medalhas que se traduzem em pontos. Esse pontos podem mais uma vez desbloquear conteúdo extra, desde novos veículos, as tais missões bónus, um documentário making-off, modo comentário dos produtores, ou mesmo 2 jogos arcade: nada mais nada menos que os próprios Star Wars e Empire Strikes Back com os seus gráficos vectoriais.

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Tal como no jogo anterior, temos um narrador que faz um briefing das missões e também dos veículos seleccionados

No entanto o jogo ainda possui mais uns quantos modos de jogo multiplayer para 2 jogadores que ,tanto pode ser cooperativo, como competitivo. No competitivo temos variantes do deathmatch e capture the flag em combates aéreos, ou o Rampage em que temos de destruir o máximo possível num determinado intervalo de tempo. Existem também alguns modos especiais, como corridas a 2 em speeder bikes pelas florestas de Endor, ou mesmo voar pelos corredores da Death Star. O modo cooperativo consiste nada mais nada menos que jogar o Rogue Squadron II com mais um amigo. O jogo está lá quase na sua totalidade, faltando apenas 2 missões. Belo “presente” da Level 5.

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É perfeitamente possível jogar “à Rambo” nas missões pedestres, até porque se pode restabelecer a energia com powerups

Graficamente o jogo continua impressionante, desde o aspecto dos menus, repletos de cenas clássicas dos filmes a passar em background, passando pelos gráficos do jogo em si. As naves estão bastante detalhadas, assim como os seus cockpit mais uma vez. Andar de speeder em plena floresta de Endor foi uma experiência visual muito agradável, assim como todas as batalhas com fantásticas paisagens do espaço sideral. Ainda assim, nas secções em que se anda a pé, nota-se uma quebra na qualidade visual, com texturas bem mais simples. As cutscenes são também muitas vezes substituidas por clipes retirados dos próprios filmes, o que para mim é mesmo bastante nostálgico. Também é bastante notório haver bem mais naves inimigas no ecrã, o que resulta em batalhas mais frenéticas. O voice acting por sua vez continua excelente, assim como os efeitos sonoros no geral, que nos remetem de imediato para a atmosfera dos filmes. Claro está, o mesmo pode-se dizer da épica música que acompanha esta aventura.

Como conclusão, acho que Rebel Strike é mais um bom jogo no catálogo da Gamecube. Infelizmente parece-me um produto algo inacabado, pois se por um lado temos excelentes batalhas aéreas em outros veículos, as secções em que se anda a pé mereciam sem dúvida um maior polimento. Ainda assim, por outro lado, não se pode dizer que a Factor 5 não tenham tentado. Os diferentes modos multiplayer competitivo, e incluir mimos como o Rogue Squadron II em co-op, ou todos os outros extras. Mas o que me causa realmente pena é o facto de após Lair na PS3, a Factor 5 teve de fechar portas.