Still Life (PC)

Still Life é uma sequela de Post Mortem e tal como esse jogo é também uma aventura point and click, desta vez mais tradicional pois é passada na terceira pessoa. E mais uma vez é um jogo de detectives com uma história bem mais adulta, não existindo quaisquer pudores com linguagem, gore ou nudez. Mais uma vez é um jogo produzido pela malta francesa da Microids, o mesmo estúdio que trouxe outros bons jogos como a série Dracula ou Syberia. E tal como o Post Mortem, este jogo chegou-me à conta do steam por intermédio de um bundle qualquer que sinceramente já nem me recordo qual foi. Acho que terá sido algo da Indie Gala.

Still Life PCStill Life abre com uma excelente cutscene ao som de Dies Irae de Mozart, mostrando vários assassinatos violentos perpretados por um misterioso assassino, vestido com roupas vitorianas e uma máscara que lhe cobre todo o rosto. Após essa abertura somos levados até a um prédio manhoso em plena Chicago nos dias de hoje, onde jogamos com Victoria McPherson, neta de Gustave McPherson do Post Mortem. Ora Victoria é uma agente do FBI e está actualmente a investigar uma série de assassinatos de um serial killer que vai actualmente na sua 5a vítima. Todas as vítimas são mulheres de profissão duvidosa e morrem afogadas, com alguma violência à mistura que tem vindo a aumentar. Enquanto Victoria investiga esses crimes, vai lendo também o diário do seu avô Gustave que conta as suas aventuras em Praga nos anos 30, onde se sucederam crimes muito semelhantes. Assim sendo vamos alternando de capítulo para capítulo, ou jogamos com Victoria ou Gustave e depressa vamos vendo como as duas ondas de crimes estão ligadas, bem como vamos sabendo um pouco mais do que foi acontecendo com Gustave ao longo dos tempos.

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Vários dos puzzles são coisas muito lógicas.

Mas o que mudou mais neste jogo face ao antecessor foi sem dúvida a jogabilidade, que agora está mais tradicional, pelo menos na questão da movimentação. Agora é na terceira pessoa, ao longo de vários cenários onde apenas precisamos de clicar com o rato na posição que queiramos que a nossa personagem se desloque. Infelizmente acho que complicaram um pouco o sistema de inventário. Para se utilizar um item temos de nos deslocar até uma posição em que apareça no ecrã um íconezinho com uma mão. Aí basta abrir o inventário e seleccionar o objecto para se usar, que a personagem irá logo utilizar de forma automática. Os tradicionais puzzles também não ficaram de fora e tal como o Post Mortem, ou são coisas bastante lógicas em que temos de interagir com uma série de objectos, como por exemplo como recolher impressões digitais de um objecto, ou são puzzles bem mais frustrantes. Um bom exemplo são as variantes dos sliding puzzles que eu tanto odeio, ou o puzzle para se destrancar uma porta utilizando um lockpick.

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Continuo a preferir de longe a personagem do Gustave. Pena que no próximo jogo já não joguemos com ele.

A narrativa deste jogo é bastante adulta. Tal como referi acima eles não têm muitos pudores em abordar temas polémicos como a prostituição, mortes violentas e várias profanidades. No entanto, ao contrário do jogo anterior as coisas aqui são completamente lineares, o que até se compreende visto o jogo estar dividido em capítulos e alternar entre 2 storylines. Mas o que não gostei que tenha mudado foi o esquema de interrogatório, pois aqui já não controlamos as perguntas/respostas a escolher. Basta clicar no botão esquerdo do rato para se falar sobre assuntos necessários à história, e com o botão direito para meter alguma conversa “de chacha”. Ainda assim, a maneira como a história vai sendo contada agradou-me bastante porém o voice acting é muito inconsistente. Em algumas personagens acho que ficou bem representado, mas em várias outras nada mesmo.

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A primeira vítima que investigamos com a Victoria

Graficamente falando é um jogo normal, nada que impressione muito. No entanto continuo a gostar muito mais dos visuais da aventura de Gustave do que propriamente os da actualidade. Infelizmente é um jogo mal optimizado para PCs, tal como o seu antecessor. Embora a resolução nativa já seja maiorzinha, o jogo continua a suportar uma resolução apenas, nem dá sequer a opção de jogar em modo janela, o que para mim é um pouco incomodativo. Já a música está muito bem conseguida como é habitual, sendo tensa e ambiental quando o deve ser, alegre ou mais agressiva noutras alturas. Nada a apontar aqui, e para um jogo que abre com uma Dies Irae em conjunto daquela CG, já é dizer muito.

Concluindo este pequeno artigo, acho Still Life um bom jogo de aventura, que sem dúvida marca ponto pela sua história mais madura, e o trabalho de “detective” que vamos desempenhando. Tem alguns problemas, nomeadamente  a interface não muito boa com o jogador, e alguns actores representarem mal as suas personagens. Tirando isso, para quem gosta de jogos de aventura, Still Life é mais uma boa opção.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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