Final Fantasy III (Nintendo DS)

21953_frontO lançamento original do Final Fantasy III (sem contra com a versão americana do FF VI) foi um dos RPGs mais bem recebidos pelo público japonês na época. No entanto, por algum motivo o jogo nunca tinha sido relançado ao contrário de todos os outros pré-Final Fantasy VII, com relançamentos em sistemas como a Wonderswan color, Playstation ou Gameboy Advance, pelo que o joguei originalmente a versão fan translated de Famicom, no emulador. Felizmente com o lançamento da DS tudo mudou, pois a Square Enix não só finalmente trouxe o jogo de forma oficial para o ocidente, como foi um remake completo em 3D, aproveitando da melhor forma o hardware da Nintendo DS.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada variada
Jogo completo com caixa, manuais e papelada variada

Tal como os primeiros Final Fantasy, a história anda à volta de cristais mágicos. Inicialmente controlamos Luneth, um jovem órfão que entra acidentalmente numa misteriosa caverna, onde um grande cristal lhe diz que o mundo corre um grande perigo e que é um dos escolhidos para o salvar. Não demoramos muito a encontrar outros 3 jovens que integram a nossa party. Na versão original da Famicom, começamos o jogo com a party complete logo de raíz. De resto, no geral, a história é simples, mas cativante, com as coisas a escalar de tal forma que acabamos por descobrir um mundo inteiramente novo para explorar na segunda metade da aventura.

Nem sempre o duplo ecrã é utilizado da melhor forma, apesar do mapa ser uma coisa útil
Nem sempre o duplo ecrã é utilizado da melhor forma, apesar do mapa ser uma coisa útil

Originalmente, Final Fantasy III foi o primeiro jogo da série a implementar o sistema de job change, que basicamente nos permitia trocar as classes das personagens sempre que nos desse na gana, pelo que sistema de evolução de experiência conta com os níveis de experiência da personagem e do job em si. Cada classe naturalmente que possui os seus diferentes atributos, permitindo o uso de diferentes armas, armaduras, magias e habilidades como é o caso do steal da classe thief. No caso das magias, tal como nos primeiros Final Fantasy, as mesmas são encaradas como uma espécie de equipamento, pois podem ser compradas nas lojas, ao contrário de serem aprendidas com a experiência. Trocar de jobs tem também algumas penalizações, no original apenas poderíamos trocar de classes se tivéssemos CP (capacity points) suficientes, aqui no remake teremos uma série de batalhas onde os nossos stat points são prejudicados, a chamada “Job Transition Phase”. Este é também o primeiro Final Fantasy a introduzir as summons, de resto é um jogo com batalhas aleatórias e completamente por turnos, pois o Active Time Battle apenas foi introduzido no Final Fantasy IV em diante.

Como não poderia deixar de ser, a Square Enix adicionou uma série e cutscenes todas catitas
Como não poderia deixar de ser, a Square Enix adicionou uma série e cutscenes todas catitas

No que diz respeito aos melhoramentos do jogo neste remake, para além dos audiovisuais que referirei mais à frente, a história foi expandida, com cada personagem a possuir backgrounds mais detalhados e o jogo a introduzir também mais sidequests. Algumas das side quests fazem também uso do sistema de mail dos Moogles, o Mognet, que nos permite enviar mensagens para personagens e outros jogadores, através do sistema wi-fi da Nintendo DS, embora eu não tenha experimentado isso. De resto, obviamente que a maior diferença entre ambas as versões está nos visuais. O jogo transitou de um ambiente gráfico 2D 8bit para um 3D que faz lembrar de certa forma os RPGs da era 32Bit, embora com menos detalhe gráfico nas cidades e dungeons. As personagens em si parecem-me muito bem caracterizadas. E também tal como outros remakes de Final Fantasies que sairam para consolas como a PS1 ou PSP, aqui também foram incluidas diversas cutscenes em CG. As músicas também são excelentes e a qualidade instrumental está muito boa, quase que parece CD audio!

Tendo em conta as limitações da plataforma, graficamente este é um jogo bastante sólido.
Tendo em conta as limitações da plataforma, graficamente este é um jogo bastante sólido.

Por isso, considero este Final Fantasy III da DS como uma entrada muito sólida no extenso catálogo de jogos e reedições da saga Final Fantasy. Em vez de fazerem umas conversões moderadas como as dos dois primeiros Final Fantasy na PS1, aqui a Square Enix esmerou-se em refazer tudo de raiz. Mas claro, isso não os impediu de relançar esta mesma versão em outras plataformas mais tarde. Começaram nas plataformas móveis com conversões para iOS, Android e até Windows Phone, culminando num relançamento em formato físico para a PSP e uma outra conversão para o Steam, há poucos anos atrás. Felizmente na DS esta engine foi reaproveitada para mais um remake, desta vez do Final Fantasy IV, embora considere-o um pouco redundante pela compilação que lançaram mais tarde na PSP. Mas isso seria assunto para um outro artigo.

Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates (Nintendo DS)

FF CC Ring of FatesO Final Fantasy Crystal Chronicles foi o jogo que marcou o regresso da Squaresoft (já na altura com o nome de Square Enix) de volta às plataformas da Nintendo, após uma separação algo litigiosa que resultou no lançamento de Final Fantasy VII na concorrente Sony Playstation. E este Crystal Chronicles era um action RPG algo simples, mas com um charme muito peculiar e que sempre me agradou, sendo para mim um dos jogos de peso da Nintendo Gamecube. A Square Enix decidiu então pegar nesse título e criar uma série de novos jogos baseados no mesmo universo, mantendo-se sempre nas consolas da Nintendo. Este meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás, tendo-me custado 5€.

Final Fantasy Crystal Chronicles Ring of Fates -Nintendo DS
Jogo com caixa, manual e papelada

No Crystal Chronicles original, o mundo estava infestado de Miasma, uma substância tóxica que afectava todas as populações. A única maneira de sobreviverem era com recurso aos cristais mágicos, que serviam de escudo e impediam o Miasma de entrar nas aldeias e cidades. Mas todos os anos era necessário sair numa expedição para procurar Myrhh de forma a recarregar as energias do cristal. Neste Ring of Fates, a narrativa decorre muito antes desses acontecimentos, com o mundo a ser ainda um local normal. Os protagonistas são os irmãos gémeos Yuri e Chelinka, que se vêm envolvidos numa conspiração por parte de um culto religioso em ursupar o reino de Rebena Te Ra e usar os cristais mágicos para poderes nefastos.

Os Mogs continuam a ser presença obrigatória na série
Os Mogs continuam a ser presença obrigatória na série

E enquanto o original era um jogo que podia ser jogado sozinho, mas também poderia ser jogado cooperativamente com recurso ao cabo de ligação da Gamecube à Gameboy Advance, nesta prequela para a Nintendo DS a Square Enix decidiu separar a vertente single player e multiplayer com diferentes histórias, com o jogo a seguir uma abordagem de “cumprir quests” nessa vertente. De resto as mecânicas base de jogo mantêm-se muito semelhantes entre si e com o primeiro Crystal Chronicles. Existem na mesma as 4 raças distintas de humanóides, mas os seus atributos mudaram um pouco. Temos então os Clavats, aquela raça que mais se assemelha aos humanos normais, outrora com atributos razoáveis em todos os campos, mas agora com predominância em ataques físicos, os Selkies, arqueiros das florestas com a agilidade como ponto forte, os Yukes que se mantêm como os feiticeiros do jogo e por fim os Lilties, outrora fortes guerreiros como os anões, mas neste jogo a ganhar o papel de alquemistas. Os ataques mágicos continuam a assentar em combinações de diferentes tipos de magicites, com os ataques a serem desencadeados ao arrastar o alvo para a área em questão. A nossa party, que vem a ter uma personagem de cada raça no modo história principal partilha também de uma pool de magicites, e diversos itens como poções que podem ser arrastados com a stylus para a personagem em questão.

De resto é também um jogo com alguma ênfase no equipamento que podemos comprar, com as personagens a mudarem o seu aspecto cada vez que alteremos uma armadura, capacete e afins. Para além do mais, devo dizer que o modo multiplayer também me surpreendeu bastante, pois a Square Enix deu-se ao trabalho de fazer uma coisa com pés e cabeça, ao criar uma espécie de história paralela. Aqui até 4 amigos poderiam criar a sua personagem e jogar em conjunto, embora também seja possível jogar este modo de jogo adicional sozinho.

Para não variar, o touch screen serve para funções de menus
Para não variar, o touch screen serve para funções de menus

A nível gráfico acho que é um jogo muito bem conseguido para a Nintendo DS. Esta portátil tem um potencial bastante limitado no que diz respeito aos gráficos em 3D, mas a Square Enix apresentou aqui um motor gráfico bastante robusto, permitindo personagens e cenários bem detalhados. O Crystal Chronicles original tinha um charme muito característico a nível gráfico, principalmente com a direcção de arte utilizada e conseguiram replicar muito bem aqui essa experiência. As músicas também são competentes, assim como o voice acting que vai dando o ar da sua graça aqui e ali. No geral, acho que a narrativa está muito boa para um RPG mais ligeiro como este e devo dizer que este Ring of Fates me parece um jogo bem mais sólido que o seu sucessor, o Echoes of Time, um outro action RPG híbrido, lançado em simultâneo para a Nintendo DS e a Wii, partilhando do mesmo motor gráfico em ambas as versões. Mas isso é conversa para um outro artigo, a partir do momento em que adicione esse jogo à minha colecção. No fim de contas, este é um action RPG com um balanço muito positivo para mim.

Dragon Quest Monsters Joker 2 (Nintendo DS)

DQMJ2Nas minhas últimas viagens Porto-Lisboa tenho levado sempre a minha Nintendo DS comigo. E a razão é muito simples, para jogar o DQ Monsters Joker 2. Já há algum tempinho tinha jogado a sua prequela e apesar de até ter gostado do jogo, ainda achava que haveria ali muita margem de manobra para evolução. E felizmente a Square-Enix também achou o mesmo e esta sequela é melhor em todos os aspectos. Este meu exemplar foi comprado já há uns bons tempos nem me lembro bem onde nem quanto me custou. Creio que foi na Worten do Maiashopping por 7.5€, ou então usado na Game do mesmo centro comercial por 5€.

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Jogo completo com caixa, manual e imensa papelada como é habitual

A começar pela história, a deste jogo, apesar de não ter ligações directas com o primeiro (sim, poderemos encontrar o Incarnus do primeiro DQMJ em conteúdo bónus), acaba por ser bem diferente. Aqui mais uma vez controlamos um jovem rapaz anónimo cujo maior sonho é o de se tornar num pokémon trainer, errr, digo monster scout de renome. E começamos precisamente por nos infiltrar num dirigível que levava meia dúzia de pessoas precisamente a um desses torneios. A meio da viagem somos descobertos e o capitão do dirigível, que outrora quando era mais novo fazia exactamente a mesma coisa, acaba por simpatizar connosco e permite-nos manter a bordo com uma condição: iremos auxiliar a tripulação durante a viagem. Mas a viagem essa fica-se a meio pois ao atravessar uma ilha aparentemente deserta, alguma coisa acontece e despenhamo-nos, onde recuperamos os sentidos no dia seguinte, apenas com o mecânico de serviço à vista que nos ajuda a procurar os restantes passageiros e tripulação. E eis que visitamos a primeira região do jogo quando descobrimos um enorme monstro, um titã gigantesco que acaba por devorar um dos nossos amigos!

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Mais uma vez os monstros que já tenhamos capturado aparecem com um visto no ecrã

E o restante do jogo vai ser passado precisamente a procurar as restantes pessoas, ao explorar diversas regiões onde em cada uma teremos um titã que a guarda. Esses titãs também não estão lá por acaso e serão uma das chaves dos mistérios que iremos desvendar na ilha, para além de procurar maneira de escapar de lá, claro. E sim, como este é um Dragon Quest Monsters, teremos muitos monstros para capturar, treinar e se quisermos, fundir para ganharmos monstros mais poderosos que herdam as melhores skills dos seus “pais”. As restantes mecânicas de jogo mantêm-se idênticas ao seu predecessor ou seja, poderemos formar uma party com 3 monstros com mais outros 3 que ficam de backup e que podem ser trocados a qualquer momento no jogo. Os restantes vão para um sistema de armazenamento e só na nossa base é que os poderemos ir buscar. Felizmente feitiços como o Zoom podem ser novamente utilizados, aquelas viagens no DQMJ1 eram um bocadinho chatas.

O que gostei mais deste jogo face à sua sequela foi precisamente a história que me pareceu mais empolgante, até pelos Titãs que nas primeiras regiões teremos forçosamente de fugir, mas depois lá seremos obrigados a enfrentar os restantes. Teremos também várias regiões para explorar e uma vez mais existem ciclos de noite e dia que trazem diferentes monstros às paisagens. Mas para além da noite e dia, as condições climatéricas também acrescentam algo novo. Se visitarmos algum sítio já previamente explorado numa altura em que esteja a chover bastante, acabamos por conseguir aceder a pequenas regiões que de outra forma seriam inacessíveis, seja a água a limpar caminhos previamente obstruídos, ou levantar placas de madeira que nos permitem atravessar pequenos penhascos.

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Os colossos que temos de enfrentar ou fugir são uma das novidades mais interessantes deste jogo

E sim, como todos os Dragon Quest modernos que se prezem, depois de terminarmos a história principal o jogo não termina. Teremos ainda várias dungeons adicionais para explorar, com novos bosses, alguns torneios e sidequests ainda por frequentar e também a possibilidade de defrontar e capturar os titãs de cada região. Existe também um modo online onde poderemos juntar a nossa equipa e lutar contra amigos e desconhecidos, mas nunca cheguei sequer a experimentar.

A nível gráfico é dos melhores jogos 3D que a Nintendo DS produziu. Todos sabemos que a DS é uma consola limitada nesse aspecto, mas mesmo assim a nível de modelos poligonais para as personagens, monstros e especialmente bosses acaba por ser bastante detalhado, assim como os cenários e suas texturas. As músicas e efeitos sonoros já todos sabemos. Se já jogaram um Dragon Quest sabem perfeitamente o que esperar neste aspecto: aquelas músicas magistrais e efeitos sonoros bem característicos.

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As cutscenes utilizam o motor gráfico do jogo que chega perfeitamente para o efeito.

É um óptimo RPG para uma portátil e da série Dragon Quest Monsters acaba por ser um dos melhorzinhos mesmo, mas também sou suspeito pois nunca gostei muito das versões Gameboy / Color. Existe ainda no Japão uma versão “Professional” deste mesmo jogo que acrescenta uma série de novos monstros e outro conteúdo extra, mas a barreira da linguagem é sempre algo a ter em conta.

Dragon Quest Monsters Joker (Nintendo DS)

DQ Monsters JokerMais um RPG da DS aqui no tasco, desta vez um que está fresquinho na memória pois terminei-o há uns poucos de dias atrás. Eu adoro a série principal do Dragon Quest, são RPGs com uma fórmula bem clássica e consistente ao longo de todos os seus lançamentos, mas é o Dragon Quest VIII que a meu ver se destaca. Com o sucesso da série a Enix foi-se aventurando em vários spin offs, com esta série Dragon Quest Monsters a surgir já nos finais dos anos 90. Esta série tem a peculiaridade de recrutarmos os monstrinhos e usá-los para lutar contra outros, e sim, apesar de eu acreditar-me a 100% a série ter sido criada a pensar em Pokémon, a habilidade de recrutar monstros para a nossa party já existia noutros RPGs da série principal. Este meu exemplar em concreto foi comprado na antiga Game do Maiashopping há uns anos atrás por 5€.

Dragon Quest Monsters Joker - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada diversa

Mas sou sincero, joguei todos os DQ Monsters anteriores a este através de emulação e o único que gostei um pouco foi o Caravan Heart, que tinha sido lançado para a Gameboy Advance e ficou-se apenas pelo Japão. Aqui neste Joker a Square-Enix decidiu mudar um pouco a fórmula e felizmente gostei bem mais! O nosso herói é um jovem rapaz com um penteado todo espigado (tal como Akira Toriyama muito gosta de fazer) e começamos a aventura numa base de uma organização secreta chamada de CELL. O que se faz ali não sei, mas aparentemente somos um rufia e o nosso pai é o chefe da organização, não se dá bem connosco e a maneira que tem de se “ver livre de nós” é incumbir-nos de uma missão muito especial: viajar até à ilha de Domus e participar no torneio do Monster Scout, onde teríamos de montar a nossa própria equipa vencedora de monstrinhos e lutar contra outros scouts. E ainda bem já que esse era o sonho da nossa personagem. Mas antes de passar para o torneio propriamente dito, o organizador do mesmo pede a todos os aplicantes que procurem 10 cristais de Darkonium de forma a conseguirem avançar para a série final. Isso leva-nos a explorar todas as outras ilhas naquele arquipélago em busca dos cristais e logo na primeira que visitamos encontramos Incarnus, uma misteriosa criatura bastante fragilizada. Após o ajudarmos ele decide pertencer à nossa “equipa” e explorar as restantes ilhas, pois Incarnus tem também a sua própria missão.

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Graficamente é um jogo bonito embora com as limitações da DS

Mas chega de histórias, joguem por vocês mesmos. As mecânicas de jogo são muito parecidas aos Dragon Quest normais, pelo que as batalhas são por turnos, embora não sejam de encontros aleatórios, pois os monstros são visíveis no ecrã e só entramos em batalha se lhes tocarmos. Depois dentro de cada batalha podemos atacar, usar itens ou magia, defender, fugir, enfim, o normal. Felizmente que também podemos configurar uns presets de comportamentos e o combate acaba por se tornar automático a cada turno, com as personagens a tomar as decisões de acordo com o que prédefinimos, como usar muita ou pouca magia, atacar de forma cautelosa ou não se preocupar minimamente com a defesa. Por fim temos uma opção inteiramente nova, o Scout. É esta que nos permite capturar os monstros que encontramos. É essencialmente um ataque normal onde tentamos impressionar a criatura alvo da nossa força. Em cada golpe vai subindo um valor de percentagem no ecrã, e quanto mais próximo ficar dos 100% mais hipóteses temos de capturar a criatura. Mas para isso também temos de ter em conta o “rating” da criatura em questão e das que temos na nossa party. As mais fraquinhas têm um rating de F, com a escala a subir até ao A e depois os supra-sumos dos S e X. Se tentarmos capturar um monstro que tenha um rating superior aos dos nossos monstros, vamos ter uma vida difícil ao tentar capturá-lo.

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Felizmente é muito fácil saber se já temos um certo monstro ou não, aparece um visto no seu ícone no ecrã de baixo!

É uma maneira mais cómoda de tentar apanhar os monstros, lembro-me que no primeiro DQ Monsters teríamos de usar isco para os amansar, aqui é menos uma coisa para nos preocupar. De resto podemos ter 3 monstros na nossa equipa, outros 3 de backup que podem ser substituidos a qualquer altura (excepto em combate), e temos também a possibilidade de fundir criaturas de forma a obter outras mais poderosas, mas sinceramente não cheguei a explorar muito esta possibilidade. De resto temos várias ilhas para explorar, cada qual com as suas cavernas e dungeons diversas, algumas com ligeiros puzzles para resolver, no entanto o jogo pareceu-me um pouco curto. Sim, é certo que temos muito grinding para fazer e muitas horas perdidas a criar e evoluir a nossa equipa, mas coisas palpáveis como locais a explorar pareceu-me curtinho. Claro que depois da história principal temos imenso conteúdo extra para fazer, mas a maioria envolvia muitas tarefas chatas e decidi avançar para o jogo seguinte.

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo bem competente para a Nintendo DS. De todos os jogos 3D desta consola, os Dragon Quest Monster Jokers que para aqui foram lançados possuem do melhor 3D disponível na portátil da Nintendo, cujo hardware não dá para muito mais. As personagens são bem detalhadas e coloridas, tanto que ouvi o meu pai a perguntar-me “estás a ver desenhos animados nessa televisão de dois ecrãs?”, e os cenários também, embora as texturas sejam de baixa resolução, assim como os backgrounds. As músicas continuam excelentes, com muitas melodias bem familiares a quem já conhece o mundo de Dragon Quest há algum tempo.

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Para além de cada monstro ter as suas habilidades próprias, também podem equipar armas

Apesar de não ser um Dragon Quest “a sério”, este Monsters Joker acabou por ser bem interessante e uma óptima companhia nas minhas viagens entre Porto e Lisboa. Com excelentes gráficos 3D para uma Nintendo DS, um sistema de batalhas bem conhecido e simples e as possibilidades de customização de monstros existentes, é de facto um óptimo jogo. Não é perfeito, achei que poderia ter mais áreas a visitar ou uma história um pouco melhor (ainda assim é melhor que os outros DQ Monsters até a essa altura, na minha opinião), mas mesmo assim gostei bastante. Já comecei a sua sequela e para já estou a gostar ainda mais, mas isso será assunto para um outro artigo.

Legend of Kage 2 (Nintendo DS)

Legend of Kage 2Continuando com as consolas da Nintendo, o próximo jogo que escreverei é uma sequela a um jogo há muito esquecido que, mesmo sendo um dos jogos que eu mais gostava de jogar na minha famiclone, o Legend of Kage original não deixava de ser um jogo algo obscuro do catálogo da NES e condenado ao esquecimento, após tantos anos sem se ouvir falar mais nele. E foi precisamente isso que me surpreendeu quando soube que a Taito estaria a fazer uma sequela para este jogo. Nos dias de hoje, com a indústria dos videojogos a apostar cada vez mais em sequelas a jogos million sellers, o espaço para IPs novas tem vindo a reduzir-se e ainda mais para IPs há muito esquecidas. Felizmente não foi esse o caso do Legend of Kage e apesar do duplo ecrã da Nintendo DS, este parece-me a sequela que a SNES há muito teria merecido. O jogo entrou na minha coleção há uns meses atrás, após ter sido comprado por 5€ numa das últimas promoções da Fnac. Foi na do Norteshopping se a memória não me falha.

Legend of Kage 2 - Nintendo DS
Jogo com caixa, papelada e manual

Não sei bem se este Kage 2 é uma sequela ou um remake do original, mas ambos começam com o mesmo tema: o rapto de uma princesa por ninjas com más intenções. Mas aqui a história é dada um tratamento mais completo, começando-nos por colocar no papel de um ninja masculino, Kage, ou feminino, a Chihiro. Ambas as personagens têm diferentes backgrounds, mas a história principal mantém-se idêntica. A princesa Kirihime foi raptada por forças demoníacas e a razão pela qual houve esse rapto é o facto de a princesa ter alguns poderes especiais que nunca foram muito bem explicados. Resumindo, os maus da fita precisam dos poderes dela para poderem dominar o Japão e o mundo e seremos nós a atravessarmo-nos nos seus caminhos.

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Combinando as gems que encontramos ao longo do jogo podemos desbloquear vários tipos de Ninjutsu

O Legend of Kage original não era nada de especial para ser sincero. Mas eu adorava jogá-lo pelos seus saltos gigantes e poder disparar shurikens em todas as direcções e esquartejar todos os ninjas que se metessem à nossa frente, bem como saltitar graciosamente de árvore em árvore. E essa “verticalidade” dos níveis mantém-se, mas desta vez dotaram os ninjas de muitos movimentos extra. Kage apresenta a mesma jogabilidade básica, tendo uma espada e shurikens. Já Chihiro é mais fraquinha fisicamente, mas tem armas que lhe permitem atacar vários inimigos ao mesmo tempo. De resto vamos desbloqueando imensas skills, como saltar cada vez mais alto ou novas combos para executar ou mesmo Ninjutsus para construir e utilizar. Outras habilidades que se tornaram standard em outros jogos de ninjas estão também aqui presentes, como correr e saltar em paredes, agarrar-se a tectos ou deslizar pelo ar. Infelizmente os controlos não são tão precisos como gostaria, por vezes os saltos não saem exactamente da maneira que queremos, havendo também algum delay entre saltar e atacar. Felizmente não existem abismos sem fundo neste jogo.

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Os 2 ecrãs da DS adaptam-se muito bem à verticalidade exigida pelo jogo

Os níveis são bem grandinhos e embora não seja necessário explorá-los todos a 100%, seja pela sua verticalidade, sejam pelos imensos inimigos que vão fazendo respawn, mas a exploração é algo encorajado nem que seja para encontrar powerups escondidos que nos permitirão depois desbloquear novas habilidades mágicas de Ninjutsu. No final de cada nível temos sempre um ou mais combates contra bosses, e essas lutas são bem mais complicadas que os níveis propriamente ditos. Se não fossem o bosses desafiantes, este era um jogo em que se conseguiria terminar em pouco tempo. Ainda assim, o facto de a história ser ligeiramente diferente entre Kage e Chihiro, bem como o conteúdo bónus que vamos desbloqueando ao terminar o jogo em várias dificuldades ou no boss rush mode são incentivos a jogar este Legend of Kage 2 mais que uma vez.

Graficamente não é dos jogos 2D mais bonitos da Nintendo DS. Aliás, se não fosse o facto de a acção ocupar 2 ecrãs (o que é excelente tendo em conta a verticalidade dos saltos que damos), eu diria até que este é um jogo de SNES. O estilo das músicas e mesmo o grau de detalhe de todas as sprites me parece retirado da consola 16bit da Nintendo e certamente que ficaria bem nessa consola. Não quero com isso dizer que é um mau jogo a nível gráfico, simplesmente que já vi melhor. O artwork dos cenários de um Japão feudal agradaram-me, apenas tenho pena por não ter havido uma maior variedade em alguns dos cenários.

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Entre cada nível e antes de cada boss temos acesso a cutscenes com diálogos para prosseguir com a história

Este Legend of Kage 2 não é uma hidden-gem nem um must-have da consola, no entanto não deixa de ser um bom jogo cujo lançamento me surpreendeu bastante visto o jogo original ser bastante antigo e ter-se ficado na obscuridade. Gostava de ter visto mais sequelas deste género nos tempos que correm.