Star Wars: Knights of the Old Republic (PC)

Já há algum tempo que não pegava num western RPG e nesta semana de férias que tive aproveitei finalmente para o fazer. E à terceira foi de vez, foi desta que terminei o Star Wars: Knights of the Old Republic, da Bioware. A primeira vez que lhe peguei foi não muito depois de o jogo ter saído para as lojas, creio que ainda durante o ano de 2004. Não tinham passado tantos anos assim desde que comecei a gostar de RPGs, pelo que a possibilidade de jogar um RPG no universo Star Wars era algo que me fascinava. Mas pouco depois de o começar apercebi-me de algo que os RPGs ocidentais fazem muito bem: a não linearidade na sua progressão e as múltiplas escolhas que nos levam a caminhos diferentes. Ora como eu sempre estive habituado à linearidade que caracterizava os JRPGs, estes novos conceitos eram selvagens demais para mim nessa altura e acabei por encostar o jogo. Tentei novamente começá-lo no ano passado mas encontrei alguns problemas técnicos ao tentar corrê-lo numa máquina mais recente e depois de os resolver, outras prioridades meteram-se no caminho. Esta semana pensei seriamente em começar o Cyberpunk 2077, mas depois lembrei-me que ainda tinha este Star Wars instalado no disco, pelo que foi mesmo desta. O meu exemplar já foi comprado há cerca de 10 ou mais anos atrás, não me recordo onde nem quanto custou, mas foi muito barato.

Jogo com caixa, manual e vários discos

A história deste jogo leva-nos uns 4000 anos antes dos eventos dos filmes, onde os Sith, liderados pelo Darth Malak, iniciam uma nova guerra contra a República. Nós encarnamos numa personagem anónima e como é normal em jogos deste género, começamos a aventura precisamente a construir a nossa personagem, tanto esteticamente, como escolhendo quais as classes, stats e skills associadas. Uma vez construida a nossa personagem, somos levados para a acção: descobrimos que viajamos numa nave da república e que a mesma está a ser invadida por forças dos Sith. Ao combatê-los, iremos encontrar outros sobreviventes e eventualmente entrar num veículo salva-vidas, que se acaba por despenhar num planeta próximo. A nossa missão passa então a ser a de salvar Bastila, uma poderosa Jedi que se encontrava na mesma nave connosco. Uma vez salva, iremos acabar por percorrer a Galáxia em busca de uma tecnologia antiga que nos possa dar vantagem para combater esta nova ameaça dos Sith.

Bastila. A Jedi que temos de salvar no início do jogo. Quaisquer semelhanças com a princesa Leia são mera coincidência.

O sistema de combate é bastante interessante, na medida em que vamos poder trazer connosco dois NPCs para nos auxiliar no mesmo (à medida que vamos avançando no jogo iremos desbloquear muitos mais) e o combate propriamente dito tem a flexibilidade de se tornar totalmente por turnos, ou em tempo real. Nas opções por defeito, a acção pausa sempre que estamos prestes a entrar num combate e aí poderemos decidir, para cada personagem da nossa party, quais as primeiras acções que queremos que cada desempenhe, seja diferentes tipos de ataque a algum inimigo em específico, utilizar itens ou poderes da Força. Uma vez escolhidas as acções iniciais basta pressionar a tecla de espaço para a acção se começar a desenrolar e qualquer momento poderemos voltar a pausar a acção para melhor posicionar as nossas personagens ou escolher as suas acções específicas. Os NPCs que nos acompanham também podem ser customizados para tomarem algumas acções de forma automática, mas confesso que não perdi muito tempo com isso. Já no que diz respeito aos poderes da Força, iremos ter vários Jedi que nos acompanham e a nossa própria personagem também se irá transformar num, pelo que estes poderes serão parte integral da jogabilidade e da evolução das nossas personagens Jedi.

Este andróide é hilariante. Perfeito para quem quiser seguir os caminhos dos Sith na sua aventura.

À medida que vamos avançando no jogo iremos também encontrar, comprar/vender e até melhorar muito equipamento que poderá ser utilizado pelas nossas personagens, dependendo claro da classe de cada uma. E claro, certas aptidões podem ser úteis em determinadas situações. Há personagens com maior aptidão para desbloquear certos mecanismos electrónicos, como portas ou baús que escondem tesouros que nos poderemos apropriar. Mas outras personagens podem simplesmente destruir esses obstáculos. De resto, à medida em que exploramos dungeons poderemos encontrar certos terminais que, depois de interagidos, nos permitem activar/desactivar armadilhas para evitar certos combates. Alguns andróides podem também serem reparados e reprogramados para nos ajudarem a explorar alguns locais, por exemplo.

Visualmente o jogo está muito bom para o ano de 2003. Os cenários são bastante distintos entre si e todas as customizações que fazemos às personagens se reflectem no seu aspecto.

Confesso que já não sou um grande fã de Star Wars (Dune mudou isso por completo), mas até achei a história deste jogo bastante interessante. Muitas quests, sejam elas mandatórias ou não para a progressão do jogo, possuem diferentes maneiras de serem executadas e as escolhas que vamos fazendo aqui e ali vão ditando se vamos pender para o lado bom ou mau da Força e claro, existem finais e progressões da história distintas para cada um dos caminhos que vamos escolhendo. Tipicamente para pontuar no lado negro da força teremos de usar violência, intimidação, ou corrupção, enquanto que no lado bom teremos de ser muito mais pacifistas e diplomatas, embora nem sempre seja possível fugir ao combate (e ainda bem!). Por exemplo, por vezes pedem-nos para ajudar pessoas numa situação complicada e podemos chegar lá e matá-los a todos, ou então ajudar de facto o que pode ser um pouco mais complicado, mas perfeitamente possível. No entanto, tirando o julgamento de um certo velhote, as escolhas que teremos pela frente são muito “preto e branco” e não os tons de cinzento que outras séries (por exemplo The Witcher) nos trazem. De resto, todas as personagens que nos acompanham possuem histórias interessantes e à medida que os vamos conhecendo e explorando novos planetas iremos também desbloquear algumas sidequests alusivas ao passado de cada um.

As escolhas que vamos fazendo vão-nos levar para o lado bom ou mau da força, o que por sua vez nos pode também levar a finais distintos.

A nível audiovisual sinceramente acho este um jogo bem conseguido tendo em conta que é um lançamento de 2003. Existe uma boa variedade de cenários a explorar e inúmeras raças com as quais vamos interagir, muitas delas com dialectos próprios. E é aqui onde o jogo mais me impressionou. Todos os diálogos possuem voice acting, seja em inglês, seja num de muitos dialéctos alienígenas que iremos ouvir. A banda sonora é boa e repleta de músicas mais orquestrais como a série Star Wars nos habituou. No que diz respeito às personagens em si que vamos encontrando, até que existe alguma variedade nas mesmas, mas sendo este um RPG algo vasto, vamos acabar por interagir com personagens com caras muito semelhantes entre si. De resto bons gráficos para um jogo de 2003, embora eu tenha tido bastantes problemas em o conseguir correr numa máquina recente. Supostamente o motor gráfico do jogo não se dá bem com placas gráficas AMD, o que é uma pena. Mesmo depois de resolver alguns problemas iniciais, assim que aterrei no planeta de Dantooine comecei a ter vários artefactos gráficos em cenários mais abertos que me levavam ao jogo a ir abaixo frequentemente. Tive então de ressuscitar o meu velhinho portátil de 2011 para o conseguir terminar, já que este possui uma gráfica integrada com chipset nvidia. Até existe uma comunidade considerável para mods e patches e provavelmente alguns até me poderiam resolver alguns problemas, mas quis uma experiência o mais próximo possível do original, pelo que acabei por não instalar quaisquer packs de texturas novas e afins.

Portanto até que gostei bastante deste Knights of the Old Republic, apesar dos problemas técnicos que enfrentei ao tentar corrê-lo num sistema mais recente. O jogo foi originalmente lançado também para a primeira Xbox, cujas consolas suas sucessoras o correm também através de retro compatibilidade e em Novembro de 2021 sai também uma versão para a Nintendo Switch, pelo que poderão ter também essas versões em consideração. Também em 2021 foi anunciado um remake para a PS5 (e posteriormente para outros sistemas), mas aparentemente existem graves problemas no seu desenvolvimento pelo que actualmente não se sabe bem se isso algum dia se irá materializar. De resto temos também uma sequela, esta já desenvolvida pela Obsidian e supostamente, apesar de partilhar o mesmo motor gráfico, é nativamente mais compatível com sistemas recentes devido a um relançamento digital em 2015. Veremos!

The Curse of Monkey Island (PC)

Depois do final algo confuso do Monkey Island 2 e o facto de uma eventual sequela ter demorado tanto a se materializar, não é de admirar que muitos fãs pensassem que esta série não fosse ter mais nenhum seguimento. E na verdade foram quase 7 anos de espera e nesse período a indústria dos videojogos muito avançou. A proliferação do formato CD-ROM como meio principal de distribuição de videojogos fez com que as restrições de capacidade de cartuchos ou no caso dos computadores, disquetes, fossem uma coisa do passado e no caso das aventuras gráficas, se bem que estas já estariam a entrar num certo declínio, fez com que as empresas conseguissem apresentar mundos com muito mais detalhe, voice acting e sequências cinemáticas. A Sierra capitalizou muito bem essa tecnologia nas suas principais séries e a LucasArts também o fez, com lançamentos como Full Throttle ou The Dig. Mas eis que finalmente já no último trimestre de 1997 sai mais um Monkey Island e sim, a LucasArts conseguiu fazer algo muito especial. O meu exemplar foi comprado no ebay algures em Novembro do ano passado por cerca de 14€.

Jogo com a sua jewel case e 2 discos.

A história leva-nos a encarnar uma vez mais no pirata mais incompetente e sarcástico de todos os tempos, Guybrush Threepwood. Ele estava a vaguear no oceano a bordo de um carrinho de choque, mas sem entender muito bem o que lhe tinha acontecido. As correntes do oceano levam-no no entanto a chegar à Plunder Island, onde o pirata LeChuck estava em plena batalha para conquistar o coração de Elaine, interesse amoroso de ambos. Coisas acontecem, Guybrush é feito prisioneiro por LeChuck mas rapidamente nos desenvencilhamos da situação e derrotamos uma vez mais o capitão. Pelo meio Guybrush rouba a LeChuck um anel com diamante gigante e decide oferecê-lo a Loraine, pendindo-a em casamento. Para seu azar no entanto o anel era amaldiçoado e Elaine é transformada numa estátua de ouro maciça que entretanto é também roubada por outros piratas e LeChuck renasce novamente, agora com uma barba flamejante. O resto do jogo será então passado não só a tentar recuperar Elaine mas também quebrar a sua maldição e claro, derrotar uma vez mais LeChuck.

Logo na cutscene inicial nos apercebemos que o brilhante sentido de humor está intacto.

E este é, tal como esperado, mais uma aventura gráfica do estilo point and click com as habituais mecânicas de jogo deste género: o rato é usado para nos movimentarmos pelos cenários, interagir com personagens e objectos, combinar objectos com outros objectos e por aí fora. A interface foi no entanto simplificada quando comparada com os títulos anteriores. Pressionando o botão esquerdo do rato em qualquer local faz com que Guybrush se movimente para lá, já se passarmos o cursor por alguma personagem ou objecto interactivo, surge no fundo do ecrã uma legenda que os identifique. Clicando no mesmo botão e mantendo-o pressionado faz no entanto surgir um pequeno menu que nos permite seleccionar uma de 3 opções: observar, tocar/interagir ou falar. O botão direito do rato serve para chamar o inventário, onde poderemos seleccionar o mesmo tipo de opções com os objectos lá guardados. Uma novidade aqui introduzida é um nível de dificuldade que poderemos escolher no início do jogo. Não que seja possível morrer neste jogo, mas no nível de dificuldade mais avançado (Mega Monkey) os puzzles são bem mais complexos e com soluções mirabolantes. Por exemplo, a certo ponto temos de encontrar um objecto de ouro e o dono de um “restaurante” tem um dente de ouro. Parte da solução passa por lhe oferecer uma pastilha elástica que lhe faz desprender o dente, rebentar um balão de pastilha elástica com o dente lá solto, apanhar o dente e sair. Na dificuldade mais elevada, toda a solução é bem, bem mais complexa, mas sinceramente preferi-o jogar assim.

Apesar de por vezes estaramos em situações apertadas, não é possível morrer pelo que teremos todo o tempo do mundo para fazer algumas experiências. As soluções dos puzzles é que por vezes são demasiado fora da caixa, o que não é necessariamente mau.

Vamos então ter toda uma série de puzzles elaborados para resolver ao longo do jogo, incluindo um duelo de banjos mas um dos maiores destaques é no entanto o regresso de um puzzle brilhante do primeiro jogo: as lutas de insultos entre piratas! As mecânicas funcionam da mesma forma de antes: há uma luta de espadas e cada insulto proferido terá de ter uma resposta à altura, a diferença agora é que os insultos e respostas têm de rimar, pois as batalhas quase parecem retiradas de um musical. Esses confrontos contra outros piratas são no entanto precedidos de batalhas navais, sendo esses segmentos de acção com uma jogabilidade que não é assim tão boa quanto isso. À medida que vamos combatendo piratas, ganhamos os seus tesouros que podem posteriormente serem usados para comprar melhores canhões e assim enfrentar piratas mais poderosos.

Referências a outras obras da Lucasarts não são assim tão incomuns. E sim, quero muito jogar o Grim Fandango também

Claro que tudo isto é acompanhado de um trabalho audiovisual excelente. Os gráficos e animações parecem retirados de um desenho animado, tal é a sua qualidade. O voice acting é excelente e a banda sonora também. Tudo isto enriquece as personagens, que tal como tem sido habitual nesta série são bastante carismáticas e por vezes bizarras. Os canibais vegetarianos marcam o seu regresso, assim como o irritante vendedor Stan, que agora se torna num mediador de seguros de vida. Mas claro que teremos mais personagens novas notáveis, como a caveira falante Murray, ou o trio de ex-piratas, agora barbeiros, que tentamos recrutar para a nossa tripulação. O bom humor é uma constante e este continua a ser daqueles jogos que nos dá mesmo vontade de explorar todas as linhas de diálogo só mesmo para ver onde é que a conversa nos vai levar.

É impossível não esboçar um sorriso ou soltar mesmo uma gargalhada perante o carisma de certas personagens ou o ridículo de outras situações

Portanto devo dizer que adorei este terceiro Monkey Island e, apesar de Ron Gilbert já não ter estado envolvido no projecto, quem o liderou fez um excelente trabalho. É mais uma aventura gráfica repleta de personagens bizarras e carismáticas, situações ridículas e sempre com muito bom humor. E claro, os visuais 2D de alta definição (para a época) resultaram muitíssimo bem. Em seguida veio o Escape from Monkey Island (cerca de 3 anos depois) e aí já cometeram o erro de apostar em visuais 3D, mas veremos se no resto é uma boa aposta ou não.

Monkey Island 2: LeChuck’s Revenge Special Edition (PC)

Depois de ter terminado o primeiro Monkey Island e o ter achado um jogo excelente, foi tempo de pegar na sua primeira sequela. Tal como a versão do primeiro Monkey Island que cá trouxe, esta é também a Special Edition que veio incluído na colectânea Monkey Island: Special Edition Collection, cujo meu exemplar foi comprado no ebay algures no passado Dezembro por menos de 30€. Ao contrário do primeiro remake, este acaba no entanto por ser bem melhor conseguido, como irei detalhar mais à frente.

Jogo com caixa e manual

Edit: Recentemente comprei também na vinted uma compilação que traz nada mais nada menos que 10 aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, incluindo uma versão DOS (floppy disk) do Monkey Island 2 original. É um lançamento exclusivo do mercado holandês (apesar de os jogos em si estarem em inglês). É também apenas a jewel case de um pacote maior em big box, mas mesmo assim achei que seria uma boa compra visto todos estes jogos da Lucasarts terem preços proibitivos actualmente.

Compilação com muitas aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, exclusiva para o mercado holandês. Infelizmente, tirando o Sam and Max que é o único jogo do segundo CD, todas as outras versões aqui disponíveis parecem ser as de disquete.

O segundo videojogo desta saga decorre uns anos após os acontecimentos do primeiro Monkey Island, onde Guybrush Threepwood derrota o espectro do capitão LeChuck e torna-se finalmente um pirata de sucesso. Ou então não. A sua nova aventura é a de procurar o tesouro escondido de um outro pirata, mas como Guybrush continua algo fanfarrão e trapalhão, acaba por ficar preso na ilha de Scabb. Ilha essa que é controlada por um lacaio de LeChuck (Largo LaGrande) e que aterroriza a população daquela ilha, ao impor um embargo de quaisquer embarcações que lá possam chegar ou partir. A nossa primeira tarefa será mesmo a de lidar com Largo LaGrande e posteriormente poderemos explorar duas outras ilhas adicionais em busca de 4 pedaços do mapa que nos guiarão ao tal afamado tesouro. Pelo meio e de forma inadvertida, acabamos também por possibilitar que o pirata LeChuck ressuscite, agora como um zombie.

Tal como no remake do primeiro jogo poderemos transitar de forma rápida e limpa para a versão clássica, desta vez levando também o voice acting se assim o desejarmos

Tal como no seu antecessor o jogo está dividido em vários actos, onde o segundo (o tal onde teremos de encontrar as quatro peças do mapa do tesouro) é sem dúvida o mais longo, que nos obriga a resolver inúmeros puzzles que por sua vez irão abranger deslocações constantes às 3 ilhas. E este é uma aventura gráfica do estilo point and click onde se jogado no modo clássico possui uma interface semelhante à do primeiro jogo, com as acções disponíveis e o inventário sempre visíveis num menu na parte inferior do ecrã. Jogando no modo moderno, ao clicar com o botão esquerdo do rato irá fazer sempre com que nos desloquemos para o local clicado, enquanto que clicando com o botão direito do rato surge uma espécie de um menu radial que nos permite seleccionar qual a acção pretendida, acções essas que são dinamicamente diferentes consoante o contexto do objecto/personagem/local clicado. É um sistema que acaba por resultar bem melhor do que o introduzido no remake do primeiro jogo.

Uma vez mais, a atenção da Lucasarts ao detalhe é impressionante. Leiam a descrição deste póster várias vezes ao longo do jogo para terem uma ideia.

A narrativa continua excelente e bem trabalhada, com várias personagens novas a serem introduzidas, mas também o regresso de outras caras conhecidas que continuam com um charme único, como é o caso do chato do Stan, agora vendedor de caixões usados (e o seu puzzle associado é hilariante!), o eterno naufragado Herman Toothrot, ou a governadora Elaine. E apesar de o jogo ter os seus bons momentos e os habituais puzzles bizarros, sinceramente continuo a preferir o primeiro Monkey Island, que acho que conseguiu ser ainda mais original (todo o processo para aprender a lutar com a espada é simplesmente brilhante). No entanto tenho de dar o braço a torcer para a fase final. O puzzle que brinca com a música Dem Bones (que curiosamente só vim a conhecer no ano passado devido à brilhante versão dos Macabre) está muito bem implementado e a sequência final como um todo foi bastante surpreendente. Agora consigo entender a dor dos fãs que tiveram de esperar uns 7 anos por um novo Monkey Island!

Algumas personagens regressam como é o caso do chato do Stan. Mas aqui vamo-nos poder vingar de uma forma hilariante!

No que diz respeito aos audiovisuais, esta Special Edition permite-nos, tal como no remake do primeiro jogo, alternar livremente e em tempo real entre a nova versão e a clássica, com tanto os visuais como a música a mudar entre de uma forma bastante limpa. O lançamento original possui um grafismo muito bom para quem gosta de pixel art, como é o meu caso, com cenários muito bem detalhados, assim como as personagens e suas animações. Os visuais no remake estão melhores do que os introduzidos no primeiro jogo, com cenários lindíssimos e pintados à mão e a arte das personagens está agora muito superior ao que fizeram com o primeiro jogo. As músicas foram também regravadas com instrumentos reais, soando ainda melhor e introduziram também voice acting que se mantém muito competente. Desta vez, no entanto a Lucasarts fez magia e poderemos inclusivamente ouvir o voice acting quando transitamos para o modo clássico.

Um dos conteúdos extra aqui incluídos é um modo de comentário por parte dos criadores originais

Portanto estamos aqui perante mais uma excelente aventura gráfica, apesar de eu ter gostado um pouco mais do primeiro jogo. No entanto, o bom humor e uma narrativa animada continuam a reinar. No que diz respeito ao remake a Lucasarts fez um trabalho muito melhor do que no primeiro jogo, ao usar melhor arte para as personagens e cenários e introduzir o voice acting no modo clássico também. Para além disso, os fãs poderão desbloquear uma galeria de arte repleta de material da produção do jogo, assim como um modo “comentário” com os seus criadores. A maneira como esta aventura termina deixa-me no entanto bastante curioso para o The Curse of Monkey Island, que deverei jogar em breve.

The Secret of Monkey Island Special Edition (PC)

Finalmente lá me decidi a jogar este grande clássico das aventuras gráficas. Produzido originalmente pela Lucasarts em 1990, o The Secret of Monkey Island é uma aventura gráfica 2D do estilo point and click, com uma narrativa muito bem humorada e repleta de personagens memoráveis. Foi um jogo de grande sucesso dentro do seu género, com múltiplas versões a serem lançadas incluindo microcomputadores como o Atari ST, Commodore Amiga ou até o nipónico FM Towns. A Mega CD foi a única consola a receber uma conversão deste jogo, embora essa versão se tenha ficado unicamente por solo norte-americano. Anos mais tarde a Lucasarts decide criar remakes dos dois primeiros jogos, lançando-os na compilação Monkey Island: Special Edition Collection e foi essa a versão que joguei pois é a única que tenho actualmente na colecção. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Dezembro no ebay por cerca de 30€. Lembro-me de ver este jogo a 10 ou 15€ novo na extinta Game e esperar que baixasse para os 3/5€, como muitos outros jogos de PC que por lá comprei, mas infelizmente a certo ponto o jogo desapareceu ou a loja fechou e nunca mais me lembrei do mesmo.

Colectânea que traz os remakes dos primeiros dois jogos da série

Edit: Recentemente comprei também na vinted uma compilação que traz nada mais nada menos que 10 aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, incluindo uma versão DOS (floppy disk) do Monkey Island original. É um lançamento exclusivo do mercado holandês (apesar de os jogos em si estarem em inglês). É também apenas a jewel case de um pacote maior em big box, mas mesmo assim achei que seria uma boa compra visto todos estes jogos da Lucasarts terem preços proibitivos actualmente.

Compilação com muitas aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, exclusiva para o mercado holandês. Infelizmente, tirando o Sam and Max que é o único jogo do segundo CD, todas as outras versões aqui disponíveis parecem ser as de disquete.

E o jogo coloca-nos no papel de Guybrush Threepwood, um jovem aspirante a pirata que visita à ilha de Mêlée Island em busca de uma oportunidade. Eventualmente lá teremos de falar com “três importantes piratas” que nos obrigam a completar três desafios para sermos considerados piratas: derrotar a melhor espadachim da ilha, roubar um objecto valioso da mansão da governadora e claro, descobrir um tesouro escondido. Depois de completarmos os três objectivos algo acontece: o capitão pirata fantasma LeChuck e sua tripulação espectral invadem a ilha e raptam a governadora, levando-a para a misteriosa Monkey Island. Naturalmente que teremos também de arranjar forma de lá chegar e arruinar os seus planos!

É incrível, mas não há cá NPCs fracos. É fácil vermos que estamos perante um jogo com um bom sentido de humor quando o vigia da cidade é meio cego

Ora este é uma aventura gráfica do estilo point and click, tal como referi acima. Na incarnação original toda a interface era feita pelo rato onde na parte inferior do ecrã teríamos disponíveis uma série de verbos como caminhar, observar, falar, apanhar entre outros, assim como o inventário. Então o grosso da jogabilidade traduzia-se em seleccionar o verbo apropriado e com o ponteiro do rato clicar onde o quiséssemos aplicar, incluindo os próprios objectos do inventário. O remake possui uma funcionalidade de alternar em tempo real para o jogo original e a sua versão moderna. Nesta última a interface foi ligeiramente modificada com acções pré-determinadas a surgirem no canto inferior esquerdo e direito do ecrã (traduzindo-se para os botões esquerdo e direito do rato) e estas acções mudam consoante a zona onde passamos o cursor do rato. Por exemplo, passando o rato por uma porta, tipicamente a acção do botão esquerdo é “caminhar para a porta”, enquanto que a do lado direito é “abrir porta”. Para seleccionar outras acções podemos alternar entre as mesmas com a scrolling wheel, pressionar a tecla V para mostrar uma janela com todos os verbos disponíveis ou simplesmente pressionar as suas teclas de atalho como O de Open, P de Pick up, L de Look e por aí fora.

Alguns dos puzzles são bastante bizarros, outros algo frustrantes, mas outros ainda bem originais, como este “mapa do tesouro”.

Este jogo tem também a particularidade de ir um pouco contra a tendência das aventuras da Sierra, onde poderíamos morrer ao mínimo erro. Aqui as situações onde podemos morrer e obrigatoriamente recarregar o nosso último save são mínimas e não muito fáceis de obter, pelo que poderemos jogar um pouco mais descansados. Tem no entanto alguns puzzles fora do comum e por vezes irritantes, como quando precisamos de assaltar um cofre, ou transportar grog pela cidade para libertar um prisioneiro. A ideia é que o grog (bebida alcoólica preferida destes piratas) é altamente corrosivo e poderá então ser usado para dissolver a fechadura da cela. Mas para isso teremos de o transportar em canecas que rapidamente também se dissolvem. A solução é caminhar rapidamente pela cidade e verter o líquido de caneca em caneca, o que é um pouco atabalhoado de se fazer com esta nova interface. Outros puzzles são incrivelmente originais. Para nos tornarmos piratas teremos de derrotar um mestre espadachim. Naturalmente temos zero habilidade para isso então precisamos primeiro de treinar o combate. O nosso treinador, depois de uma aula básica de luta com espadas diz-nos que a chave para o sucesso é insultar o oponente e responder adequadamente aos insultos que nos lançam. Um exemplo que nos dá: se um pirata nos diz “you fight like a dairy farmer” (tu lutas como um produtor de leite) a nossa resposta deverá ser “How appropriate. You fight like a cow” (Que apropriado. Tu lutas como uma vaca). A partir dessa altura iremos passar a encontrar vários piratas a passearem-se pela ilha. Quando estes se cruzam connosco a ideia será precisamente a de treinarmos estes insultos e as suas respostas, com muitos trocadilhos e punchlines deliciosos. Quando já soubermos de insultos suficientes e suas respostas, lá somos convidados a enfrentar o mestre.

Apesar de alguma da arte das novas personagens, particularmente a de Guybrush, ser horrível, felizmente poderemos alernar para o jogo antigo em tempo real a qualquer momento

No que diz respeito ao aspecto gráfico, vamos fazer aqui um pequeno enquadramento: a versão original deste jogo sai apenas com suporte a gráficas EGA (16 cores em simultâneo no ecrã), sendo posteriormente lançada uma versão VGA mais colorida e os retratos ampliados das personagens com quem vamos dialogando são agora mais realistas. Posteriormente essa versão é relançada em formato CD, com uma nova banda sonora em CD audio a acompanhar. Qualquer uma dessas versões possuía lindíssimos gráficos em pixel art e boas animações. Este remake de 2019 coloca-nos com visuais actualizados e se por um lado os cenários, agora que parecem retirados de pinturas, até que estão muito bem conseguidos, por outro as personagens ficaram a meu ver muito piores. Tal como já referi acima podemos alternar livremente em tempo real entre a versão moderna e clássica, sendo que para além dos gráficos mudarem, a banda sonora também, o que é outro detalhe interessante. Ainda assim, a única razão que me levou a não usar a vista clássica constantemente é o facto de o remake incluir, pela primeira vez, voice acting. Aparentemente muitos dos actores que deram a voz nas sequelas foram aqui utilizados e o resultado é muito bom.

Sem dúvida que o voice acting é a adição mais importante deste remake. Isto torna o Stan especialmente chato, o que é delicioso

Portanto este é uma excelente aventura gráfica, com alguns puzzles hilariantes, outros extremamente originais, um excelente sentido de humor e repleto de personagens super carismáticas, como o vigia cego, a tribo de canibais vegetarianos, ou o chato do vendedor de barcos usados. A narrativa é por vezes tão bizarra que só temos vontade de clicar nas repostas erradas nos diálogos só para ver onde é que a conversa vai! Este remake peca pelos visuais das personagens não ser tão bom quanto o original e a nova interface não ser a mais adequada para resolver alguns dos puzzles. No entanto, o voice acting e a possibilidade de alternar entre a versão moderna e clássica a qualquer momento são pontos muito fortes. Ansioso por jogar a sequela!

Star Wars: Rogue Squadron (Nintendo 64)

Tempo para mais uma rapidinha, agora para a Nintendo 64 e um dos seus clássicos. Não que o jogo não mereça um artigo com mais conteúdo, mas já cá trouxe a versão PC no passado, pelo que recomendo que lhe dêm uma vista de olhos. Este meu exemplar da Nintendo 64 foi comprado a um particular neste passado mês de Setembro e custou-me 10€. Está completo e é material new old stock.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Ora a nível de conteúdo, pelo que me apercebi, não há grandes diferenças entre a versão Nintendo 64 e PC, todos os níveis parecem-me estar presentes em ambas as versões. A versão Nintendo 64 é no entanto mais modesta no que diz respeito aos gráficos, correndo num frame-rate muito inferior ao de PC e numa resolução também menor. Mas ainda assim não deixa de ser um título impressionante para a Nintendo 64, tanto pela complexidade de alguns níveis, como pela quantidade de vozes que a Factor 5 conseguiu meter no cartucho. O estúdio alemão desenvolveu um algoritmo de compressão muito eficiente que lhes permitiu colocar imensas vozes no cartucho, algo que foi licenciado e posteriormente utilizado noutros títulos da Nintendo 64, como os Pokémon Stadium ou mesmo o milagre do Resident Evil 2. A Factor 5 foi também responsável pelo tecnicamente impressionante Star Wars: Episode I: Battle for Naboo, mas isso será tema para um outro artigo, quando o conseguir arranjar.