FIFA 2005 (Nokia N-Gage)

Vamos agora para algo completamente diferente e que já há algum tempo gostaria de trazer cá: o telemóvel/consola Nokia N-Gage. Lançado no último trimestre de 2003, o N-Gage é um híbrido entre um smartphone da Nokia com SO Symbian da série S-60 e com a capacidade de correr videojogos, não só aqueles mais típicos e baseados em Java que qualquer smartphone da época corria, mas também videojogos dedicados e lançados num formato físico na forma dos cartões de memória MMC, um formato muito em voga nessa época também. Tecnologicamente era um modelo impressionante, com jogos a apresentar gráficos 3D bastante avançados para uma consola portátil da época. No entanto, não deixa de ser um telefone, pelo que jogar videojogos com os botões minúsculos do teclado numérico não é a melhor ideia de todas. E nem vou entrar pelas falhas de design do primeiro modelo, posteriormente endereçadas no sucessor QD. O meu exemplar é precisamente um N-Gage QD, que foi comprado a um amigo algures em 2016/2017 por 40€. A parte curiosa é que este foi um prémio não reclamado de um concurso que acabou depois por ficar esquecido nos escritórios da empresa que o sorteou. Um deles lá veio parar às minhas mãos, tendo vindo com o FIFA 2005 e um Tomb Raider também selado.

N-Gage edição com FIFA 2005 de oferta, onde infelizmente apenas traz o manual e cartão MMC com o jogo. A caixinha do jogo cabia perfeitamente!

Irei aproveitar este artigo para escrever um pouco sobre o FIFA 2005 no N-Gage. No entanto devo dizer que apesar de ter tentado jogá-lo no hardware original, o meu N-Gage está com problemas pois mesmo depois de uma noite inteira a carregar a bateria, o telemóvel simplesmente não liga. Apesar de já ter planeado em jogos mais complexos jogá-los através de emulação, simplesmente queria ter uma melhor noção do quão confortável o N-Gage seria para jogar e o FIFA 2005 seria o candidato perfeito para tal. Não sendo possível, acabei então por experimentar o emulador EKA2L1 que emula toda uma série de telemóves Symbian, incluindo o N-Gage.

No modo carreira podemos optar por deixar o CPU simular a partida ou jogá-la nós próprios

E vamos começar precisamente pelos controlos. O direccional é usado para controlar o jogador seleccionado no momento, como seria natural. E sinceramente não gostei muito da maneira como o d-pad responde ao toque, mas como não consegui jogar no N-Gage isto é apenas especulação da minha parte. As acções durante o jogo estão mapeadas para o teclado numérico e as acções principais estão mapeadas para os botões 5 e 7, que no próprio N-Gage têm um relevo diferente das restantes teclas, o que acredito que ajude e para jogos simples que não exijam muitos botões de acção, isso até ajude a simplificar os controlos. Neste caso, se tivermos na posse da bola, o botão 5 remata e o 7 passa, com os botões 6 e 8 a servirem para outros tipos de passe. Não estando na posse de bola, o botão 5 serve para tentar roubar a bola ao adversário e o 7 para alternar de jogador que controlamos. Os botões 6 e 8 servem uma vez mais para acções secundárias e em qualquer um dos casos o botão 4 serve para correr, onde teremos também de ter atenção à fadiga dos jogadores. No emulador o mapping dos botões por defeito é dado para as setas e o teclado numérico, mas a ordem dos números no telemóvel é contrária à dos teclados numéricos, pelo que se recomenda também alterar a sua ordem para uma melhor aproximação ao original.

Visualmente o jogo não difere muito da sua versão GBA, embora os gráficos sejam mais nítidos aqui.

Já no que diz respeito aos modos de jogo, bom mesmo sendo este um jogo portátil, o que não falta aqui é conteúdo. Para além das partidas amigáveis, temos também a hipótese de participar em diversas competições no formato campeonato ou taça, tanto de clubes como de selecções nacionais. Existe um grande número de equipas aqui disponível, todas devidamente licenciadas e com plantéis que acredito que tenham sido o mais fiéis possível para aquela temporada. Para além desses dois modos de jogo temos também um modo challenge, onde somos convidados a ultrapassar certos desafios como ultrapassar uma desvantagem já com poucos minutos de sobra para o final da partida e temos também um modo “carreira”, onde teoricamente estamos no papel de um treinador e ao longo de várias temporadas vamos ter uma série de objectivos mínimos para ultrapassar como terminar numa certa posição da tabela e à medida que os atingimos, poderemos também melhorar a qualidade da equipa. Temos também a hipótese de jogar ou não as partidas nós próprios. Para além de tudo isto o jogo tinha também uma vertente multiplayer com recurso à tecnologia bluetooth.

Uma das novidades desta versão é a possibilidade de manipularmos as repetições e gravá-las se desejarmos

Já no que diz respeito aos audiovisuais o jogo creio que partilha do mesmo motor gráfico e assets da versão Game Boy Advance, tendo no entanto visuais um pouco mais detalhados que na portátil da Nintendo. Existem no entanto jogos de N-Gage graficamente bem mais impressionantes que este. Esta versão possui no entanto a desvantagem do ecrã do N-Gage ter uma predominância vertical e tendo em conta que a câmara do jogo é horizontal acaba por nos roubar alguma visão de jogo útil. É verdade que temos um mapa no ecrã inferior esquerdo com as posições de todos os jogadores em campo, mas honestamente nunca consegui perder tempo para olhar para tal gráfico com atenção. Já no som este parece-me ser um jogo bem competente, com as partidas a serem acompanhadas dos cânticos e protestos dos adeptos, assim como os ruídos dos pontapés na bola e apitos dos árbitros. Fora das partidas o jogo tem uma série de músicas licenciadas de vários artistas e que me parecem aqui serem tocadas na íntegra. É uma banda sonora bem mais extensa do que eu esperaria encontrar num videojogo portátil de 2004/2005, embora se note bem que as músicas foram bastante comprimidas para ocuparem o mínimo de espaço possível.

Portanto sinceramente este FIFA 2005 parece-me ser um jogo de futebol bem competente para uma portátil daquela época, embora ainda tenha algumas reservas nos controlos, já que infelizmente não o consegui experimentar no hardware original. É que as teclas 5 e 7 terem maior destaque faz todo o sentido até por uma questão de ergonomia, mas para acções mais complexas, como por exemplo correr e depois entrar de carrinho para roubar uma bola, vão-nos obrigar a pressionar a tecla 4 e posteriormente a 8, o que não é muito viável num teclado numérico daquele tamanho.

Technoclash (Sega Mega Drive)

Vamos voltar à Mega Drive para um dos exclusivos que a Electronic Arts lançou neste sistema e que sinceramente eu até considero um jogo bem interessante e com algumas boas ideias, mas a sua execução poderia ser melhor. O meu exemplar chegou à colecção através de um amigo meu algures em Setembro passado e creio que me custou uns 20€.

Jogo com caixa e manual

O jogo coloca-nos no papel de Ronaan, um dos manda-chuvas do reino de Inner Realm, um mundo fantasioso onde a magia prevalece e a sua população possui fortes convicções anti tecnológicas. Mas eis que a certo dia um portal se abre vindo da Terra, onde uma série de soldados e máquinas invadem aquele mundo e levam a Life Staff, um valioso artefacto. Cabe-nos então a nós viajar para a terra e recuperá-lo, onde iremos também eventualmente descobrir quem esteve por detrás de tal ataque.

A história até que é interessante, pena que não tenham apostado numa arte melhor a acompanhar os diálogos

E este é um jogo de acção interessante onde através de uma série de níveis deveremos cumprir vários objectivos, desde o de eliminar todos os inimigos presentes, passando por coleccionar uma série de chaves ou destruir vários objectos-chave como geradores, por exemplo. Ronaan terá todo um arsenal de diferentes feitiços à sua disposição e as mecânicas de jogo têm o que se lhe diga. Devo começar então por avisar que este é um título que suporta os comandos de 6 botões da Mega Drive e deveremos mesmo utilizá-los caso os tenhamos para facilitar um pouco mais os controlos. O botão A serve para atacar fisicamente com o bastão mágico que dispomos, enquanto que o botão B serve para disparar o feitiço ofensivo actualmente equipado. O C serve para equipar um outro feitiço ofensivo, onde para isso deveremos manter o botão C pressionado, que nos abre, no canto inferior esquerdo do ecrã, uma matriz de 3×3 com as iniciais de todos os feitiços que dispomos no momento, devendo seleccionar o novo feitiço com o direccional e só depois largar o botão C. Para além de feitiços ofensivos, teremos também acesso a feitiços de suporte como curar, levitar, teletransportar para a base (início do nível) ou temporariamente invencível. Num comando de 6 botões, esses feitiços ficam automaticamente mapeados para os botões mode, X, Y e Z, já num comando de 3 botões teremos de utilizar várias combinações de botões para os activar. Pressionar start leva-nos a um menu de pausa onde também poderemos fazer todas estas acções.

Temos de prestar atenção constante à nossa barra de vida e às munições disponíveis do feitiço actualmente seleccionado

Todos os feitiços necessitam de munições para poderem ser utilizados, munições essas que são largadas pelos inimigos assim que os derrotamos, ou podem também estar escondidas nalguns locais de cada nível. A única excepção é a do feitiço ofensivo básico, cujas munições apenas servem para o seu rapid-fire, podendo ser utilizado normalmente em qualquer circunstância. Outras mecânicas a ter em conta é o facto de podermos activar o Indar, uma ave mágica que nos acompanha e que poderemos controlar para sobrevoar o nível e identificar a localização de inimigos ou objectivos. O Indar pode ser activado tanto com a combinação de A+Start ou através do menu de pausa também. Para além disso, poderemos também escolher um de dois guarda-costas disponíveis para nos acompanhar: Farrg ou Chazz. O primeiro é mais forte fisicamente e ataca com uma bazooka, enquanto Chazz é também um feiticeiro, sendo portanto mais frágil mas com ataques mágicos mais fortes. O comportamento destes guarda-costas pode também ser alterado entre guard, offensive ou shadow (neste último eles apenas nos seguem sem atacar qualquer inimigo) e tal como nós deveremos ter também em atenção à sua barra de vida.

Se não quisermos mudar de feitiços on the fly, podemos fazê-lo também no ecrã de pausa.

Apesar dos controlos que requerem uma curva de aprendizagem considerável (que seria bem maior no caso dos comandos de 3 botões), o jogo rapidamente se mostra ser também consideravelmente desafiante. Os inimigos são numerosos, persistentes e várias vezes com respawn, alternar entre feitiços ofensivos recorrendo ao botão C, ou usar a habilidade do pássaro não pausam a acção, pelo que corremos o risco de sofrer dano constantemente e perder uma vida. O facto de alguns níveis serem algo labirínticos e confusos (o último nível então…) pode tornar as coisas ainda mais frustrantes. Usar o feitiço de teletransporte pode e deve ser utilizado em alturas de maior aperto, pois leva-nos de volta à base, o que faz com que recuperemos vida (e a do nosso companheiro também), assim como poderemos mudar de guarda-costas, se um deles nos parecer mais eficiente para os inimigos em questão. Teletransportar para a base leva-nos de novo ao início do nível no entanto, o que para os níveis mais complexos pode também ser algo chato para fazer o caminho todo novamente. E o jogo não tem nenhum sistema de save, apenas passwords.

As munições têm as iniciais dos feitiços a que correspondem. As de cor laranja são para o nosso companheiro

No que diz respeito aos audiovisuais este não é o jogo de Mega Drive mais bonito que alguma vez irão jogar. Os gráficos são algo simples, embora os níveis até sejam bastante diversificados entre si: vamos atravessar Las Vegas, sucatas, desertos e bases militares/tecnológicas, até aos últimos níveis que nos levam de volta ao Inner Realm. A acompanhar a história vamos tendo pequenos diálogos com direito a retratos dos protagonistas, mas nada de especial. O final do jogo surpreendeu-me pela positiva, no entanto, indicando uma potencial sequela que nunca se materializou. A banda sonora não é nada de especial, assim como os efeitos sonoros. Este é portanto mais um jogo que utiliza o driver de som GEMS, largamente utilizado por estúdios norte-americanos e que muito contribuiu para a fama do som da Mega Drive não ser lá grande coisa.

Portanto este Technoclash é um jogo super interessante nas suas ideias. Os mundos de tecnologia e magia que colidem entre si, os diferentes feitiços que podemos usar ou mesmo os guarda-costas são tudo boas ideias mas infelizmente a sua execução não é a melhor, resultando num jogo bastante frustrante. Abençoados save states!

Need for Speed Underground 2 (Nintendo Gameboy Advance)

Quando o primeiro Need for Speed Underground sai em 2003, joguei-o bastante no PC, creio que até o terei eventualmente terminado (senão estive muito próximo disso). Movido pela fama de filmes como Fast and Furious, a Electronic Arts decidiu revitalizar a série Need for Speed para toda essa cultura de corridas urbanas ilegais, onde a customização dos carros ganhava um grande destaque. Foi um grande sucesso e a EA não perdeu tempo em lançar no ano seguinte uma sequela directa, mas confesso que essa já acabei por não jogar. Entretanto recentemente tive a oportunidade de comprar a versão GBA deste segundo NFS Underground e eu não estava muito interessado em fazê-lo, mas depois de ver os ecrãs de jogo na parte traseira da caixa lá deixei a curiosidade levar o melhor de mim. Custou-me cerca de 9€ numa Cash Converters.

Jogo com caixa, manual e papelada

Isto porque visualmente o jogo é impressionante, se jogado no ecrã pequeno de uma Game Boy Advance, claro. Ao contrário de muitos outros jogos de corrida deste sistema, que possuem visuais similares aos jogos de corrida da era das consolas 16-bit, este Need For Speed Underground 2 para GBA apresenta gráficos em 3D poligonal que, embora sejam bastante primitivos e pixelizados particularmente se os jogarmos em emulação ou num ecrã maior como por exemplo através do GBA Player da Game Cube, se jogados no próprio sistema até acabam por resultar surpreendentemente bem. Bom, na verdade há algumas limitações que irei mencionar em seguida, mas o primeiro impacto é agradável. Esta versão GBA foi produzida por um estúdio chamado Pocketeers que tratou de conversões GBA de vários outros Need for Speed, todos usando o mesmo motor gráfico, incluindo o primeiro Underground, o Porsche Unleashed e o Most Wanted.

Um dos primeiros carros que temos acesso é este saudoso Golf GTI

O jogo apresenta-nos diversas opções logo no ecrã inicial. A primeira opção Race Now é uma espécie de Quick Race que não nos traz qualquer recompensa. O Go Underground leva-nos ao principal modo de jogo que detalharei em seguida, os Mini Games permitem-nos practicar alguns mini jogos que ocasionalmente nos surgirão no modo de jogo principal e a garagem, onde poderemos comprar novos carros e customizar/melhorar os carros que já tenhamos na nossa posse. Existe também um modo multiplayer que não cheguei a experimentar. Dentro do Go Underground poderemos competir em 3 categorias distintas: circuit, drag ou drifting. A primeira leva-nos a uma série de corridas urbanas onde teremos de chegar em primeiro lugar, ou ocasionalmente teremos também alguns desafios time trial onde o objectivo é o de completar um certo número de voltas dentro de um tempo limite. O drag racing são provas mais técnicas, onde ao longo de várias rectas teremos chegar primeiro que os nossos oponentes e este é o modo de jogo onde nos obrigam a competir com mudanças manuais, pois para ter sucesso teremos mesmo de engatar as mudanças nas rotações certas, bem como usar os turbos dos nitros de forma inteligente, se os tivermos equipados no carro. Os drifts são outras provas técnicas onde, dentro de um tempo limite e em circuitos sem qualquer trânsito, teremos de percorrer uma série de voltas e fazer um número mínimo de pontos. Como é que pontuamos? Ao apertar o travão de mão e fazer com que o carro resvale ao fazer curvas.

Os circuitos são todos urbanos e ocasionalmente com alguns atalhos que poderemos aproveitar

Em qualquer um destes modos de jogo iremos desbloquear o desafio seguinte à medida que completamos com sucesso o desafio anterior, sendo também recompensado com pontos que podem posteriormente serem utilizados na garagem, quer para comprar novos carros, quer para os customizar seja com novas peças mecânicas, melhoramentos aerodinâmicos no exterior do carro, ou simplesmente novas pinturas e vinis. À medida que vamos avançando novos carros e categorias de customização vão sendo desbloqueadas e ocasionalmente teremos também certos minijogos para completar, que nos podem desbloquear certas customizações de bónus. Se não conseguirmos ultrapassar algum destes desafios, os mesmos podem ser tentados novamente dentro da categoria “Bonus” no ecrã de selecção de corridas.

Visualmente está um jogo incrível para uma GBA

Visualmente já referi que à primeira vista o jogo é bastante interessante porque a Pocketeers conseguiu criar um motor de jogo capaz de apresentar gráficos num 3D poligonal que apesar de primitivo, não deixa de ser impressionante se jogado no ecrã pequeno da portátil. E é um jogo bem mais fluído do que qualquer título da SNES que tenha utilizado a tecnologia Super FX, por exemplo. No entanto tem as suas limitações, particularmente ao desenhar os cenários e veículos à distância. Estes últimos podem-se reduzir a um número muito pequeno de pixeis e os cenários à distância também ficam bastante imperceptíveis, o que pode (e vai!) atrapalhar-nos um pouco ao fazer curvas apertadas que não estávamos a contar até ser tarde demais. A nível de efeitos sonoros não tenho nada a apontar e as músicas têm um rock genérico que apesar de serem agradáveis, não são propriamente memoráveis também.

Ocasionalmente teremos também de nos desviar de outros carros, excepto nas provas de drift onde estamos sozinhos

Portanto esta versão GBA do Need for Speed 2 deve ser encarada mais como uma curiosidade do ponto de vista tecnológico pela forma como conseguiram condensar muitas das mecânicas e visuais das versões originais nesta versão portátil e num sistema tecnicamente muito inferior às consolas da época. Tal como referi acima, a EA ainda apostou nesta Pocketeers para trabalhar na versão GBA do sucessor deste jogo, o Need for Speed Most Wanted que acredito que tenha uma performance similar à deste jogo.

General Chaos (Sega Mega Drive)

Vamos agora ficar com um interessante jogo da Mega Drive que conheci inicialmente através da emulação, algures no ano longínquo de 1999. Apesar de na altura não entender nada do que estava ali a fazer, o aspecto cartoon do jogo e alguns momentos de bom humor nas animações das personagens sempre me fizeram gostar minimamente dele. Fast forward para 2023, onde depois de anos à procura de uma edição normal (e completa) deste jogo a um preço sub-10€, lá me decidi antes a comprar este relançamento EA Classics, que acaba por ser bem mais comum. Veio de um amigo meu no passado mês de Setembro e custou-me precisamente 10€. Um dia que encontre a edição normal a um preço semelhante ou inferior lá tratarei de a substituir.

Jogo com caixa, manual e papelada na sua versão EA Classics

Mas em que é que consiste este jogo mesmo? Bom, é nada mais nada menos que um jogo de estratégia/acção em tempo real, onde numa série de batalhas iremos controlar pequenos esquadrões de 5 soldados distintos (ou uma dupla de comandos) que terão de derrotar um esquadrão inimigo e eventualmente destruir/proteger algum objectivo adicional como uma central eléctrica ou um tanque de guerra, por exemplo. A história é simples: depois de dois irmãos inseparáveis (Chaos e Havoc) e ávidos fãs de guerra e estratégias militares se terem zangado algures na sua adolescência, estes acabam por crescer separadamente, continuam a evoluir nos seus estudos militares e eventualmente chegam a ditadores (e comandantes supremos) de duas nações vizinhas. A guerra estala, mas como rapidamente chegou a um impasse, ambos os generais decidiram então mudar a sua estratégia: em vez de enormes batalhas, usar apenas pequenos esquadrões de assalto para resolver este eterno conflito.

Um dos aspectos muito positivos do jogo é a inclusão de um modo tutorial

Mas como é que um jogo de “estratégia” destes funciona mesmo? Bom, antes demais convém conhecermos que tipos de soldados podemos controlar. Temos soldados com metralhadoras que são de longe os mais balanceados, temos tipos que atiram granadas ou barras de dinamite, e embora a última cause bem mais dano que a primeira, as dinamites têm um alcance e taxa de fogo menores. Temos também soldados munidos de bazucas ou outros com lança-chamas. As bazucas são algo lentas a serem reutilizadas, mas são a arma com maior alcance. Por outro lado o lança chamas é super poderoso, mas é a arma de menor alcance de todas, obrigando-nos a colocar esses soldados bem próximos do fogo inimigo. Em cada batalha que iremos defrontar poderemos escolher um esquadrão de 5 destas classes de soldados, ou uma dupla de comandos.

Quem toma a iniciativa de ataque pode escolher em que território será a próxima batalha

Como controlamos esta gente então? Bom, no caso de um esquadrão completo de 5 soldados, temos de seleccionar cada unidade individualmente e, com recurso a um cursor teremos de as movimentar e ordenar para atacar alguns alvos em específico. O cursor é movido com o direccional, o botão C vai “rodando” o soldado que controlamos no momento e o botão B serve para indicar ao soldado seleccionado para se dirigir ao local indicado pelo cursor, enquanto que o botão A serve para indicar para atacar. Caso controlemos apenas uma dupla de comandos, então as coisas mudam um pouco de figura. Por um lado o controlo é bem mais simplificado, não havendo cá cursores. Usamos o botão C na mesma para alternar o controlo de um soldado ou outro e o A para atacar, movimentando o soldado seleccionado directamente com o d-pad. O botão B serve no entanto para chamar o outro companheiro para junto do soldado actualmente seleccionado. Existem no entanto mais uns quantos tópicos a ter em conta: sempre que dois soldados inimigos se aproximam, poderá dar-se uma luta corpo a corpo entre ambos, com os botões faciais a servirem para desferir socos, pontapés ou bloquear. Sempre que uma unidade nossa seja abatida, geralmente teremos a hipótese de a salvar ao chamar um médico (levar o cursor até ao soldado caído e pressionar A). Temos no entanto um número limite de vezes que poderemos chamar médicos em cada batalha e no caso das bazucas ou lança chamas existe também uma chance que essas armas causem dano letal, impossibilitando a chamada de um médico.

É verdade que existe toda uma estratégia que temos de ter em conta, mas na verdade rapidamente as coisas escalam para o caos completo

E como vamos progredindo no jogo? Bom, se o jogarmos sozinhos, este está dividido em três campanhas, sendo cada uma uma guerra entre as nações de Moronica (do Chaos) ou Viceria (do Havoc). A primeira batalha de cada campanha dá-se sempre num terreno algures na fronteira entre ambas as nações e as batalhas seguintes vão prosseguindo pelo território adentro dos derrotados, até que a sua capital possa ser atacada. O nosso objectivo é o de, naturalmente, chegar e conquistar a capital do país vizinho e tipicamente, quando somos nós que temos a iniciativa e passamos ao ataque, temos a hipótese de escolher um de 3 diferentes campos de batalha distintos. Ocasionalmente poderemos perder algumas batalhas (e isso vai acontecer), mas logo que consigamos defender a nossa capital temos sempre a hipótese de recuperar.

Ocasionalmente, tropas inimigas que estejam muito próximas entre si originam pequenos confrontos corpo a corpo onde poderemos controlar o nosso soldado na porrada

Ora uma vez explicado os conceitos base do jogo, vamos ao que gostei nele. É impossível não apreciar os visuais cartoon que caricaturam e parodiam a natureza violentíssima da guerra. Temos alguns pequenos detalhes hilariantes, como as animações das metralhadoras a encravar, os lança chamas dispararem bolhas de sabão caso o soldado que o carregue tenha atravessado algum rio/lago recentemente, ou os combates corpo a corpo que por vezes podem ser interrompidos por uma das partes sacar de uma pistola e enfiar um balázio no adversário. Outro detalhe muito importante é que apesar das mecânicas serem complicadas de entender no início, o jogo possui um tutorial que explica todos os básicos. Apesar de não o ter experimentado, existe toda uma série de modos multiplayer que tanto podem ser competitivos como cooperativos (no caso de dois jogadores), bem como é também possível jogar com até 4 pessoas em simultâneo, recorrendo ao multitap lançado pela própria EA. E o multiplayer entre amigos deve ser mesmo bastante divertido!

Os esquadrões vão sendo algo variados nos tipos de tropas que podemos levar para cada missão

Agora o que não gostei: as músicas têm naturalmente temas militares, mas estas apenas existem entre batalhas, já durante os confrontos ouvimos apenas os efeitos sonoros. Apesar de todas as boas ideias, um comando de Mega Drive não é de todo o meio mais adequado para controlar um jogo deste género. É que apesar de facto existir toda uma componente estratégica associada, como tentar proteger certas tropas atrás de cobertura, enquanto poderemos mandar outras flanquear certas posições inimigas, rapidamente a acção se degenera num caos completo e com estes controlos por vezes é difícil de reagir rapidamente. E depois parece que há toda um certo factor de sorte e aleatoriedade nalguns eventos, como certas tropas morrerem instantaneamente (se forem atingidas por bazuca ou lança chamas), ou os combates corpo a corpo por vezes terminarem num balázio injusto. É giro ver isso uma vez ou outra, mas quando nos acontece a nós com alguma frequência já não achamos tanta piada assim.

Portanto este General Chaos é, no mínimo, um jogo curioso e divertido de se experimentar. A dificuldade começa a ficar algo desiquilibrada particularmente na terceira campanha, onde o CPU começa a ser bastante cruel connosco, mas isto jogado com amigos deve ser bem divertido!

John Madden Football 92 (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma rapidinha a um jogo de futebol americnao, um desporto que apesar de conhecer os seus conceitos básicos e até os achar interessantes devido a toda a estratégia por detrás das jogadas, traduzir isto para um videojogos sempre foi para mim bastante aborrecido. E eu deveria escrever algo sobre esta série desde o seu primeiro jogo e ir iterando pelos anos seguintes de forma sequencial, mas sinceramente não são jogos que eu procure activamente. Se os encontrar por acaso a um preço atractivo compro, caso contrário deixo passar. E foi o que aconteceu com este Madden 92 que veio de uma feira de velharias há umas semanas atrás.

Jogo com caixa e manual

Foi apenas com o Madden NFL 94 que a Electronic Arts adquiriu a licença das equipas oficiais que participavam na competição, pelo que este ainda utiliza equipas e jogadores genéricos. Aumenta no entanto o número de equipas participantes das 16 do primeiro jogo para as 28, aparentemente o número certo de equipas que competiam. No que diz respeito aos modos de jogo podemos jogar campeonatos completos, partidas de pré-epoca que aparentemente são mais relaxadas no que diz respeito a algumas regras de jogo ou outro tipo de competições como morte súbita ou playoff.

Visualmente o jogo tem um aspecto bem limpo e animado. Não é de estranhar o facto desta série ter tido tanto sucesso

Quando começamos uma partida, se estivermos a atacar, o objectivo é o de conquistar o máximo de campo possível ao adversário. Para isso começamos por escolher qual a táctica, ou seja, qual a jogada a utilizar naquele lance e uma vez isso decidido, passamos a controlar o quarterback que tem a missão de passar a bola a um dos seus colegas que se tente desmarcar. Para isso podemos ver 3 janelas com a câmara aproximada em 3 desses potenciais receptores do passe e, convenientemente com os botões A, B ou C escolhemos para quem passar a bola. Depois do passe, o receptor tem também algum controlo limitado, pois este tenta deslocar-se para o alvo assinalado no ecrã, onde a bola (ovo) irá cair, mas podemos controlá-lo com o direccional e inclusivamente usar os botões faciais para que este salte ou mergulhe e tente apanhar a bola. Caso joguemos à defesa também começamos por escolher a formação e táctica para defender e posterioremente usamos os botões faciais para importunar os oponentes e tentar roubar-lhes a bola. E é isto ao longo de muitos, muitos minutos só para uma única partida. Entendo um pouco do fascínio que os norte-americanos têm com este desporto, mas não é de todo para mim.

A mítica ambulância que causa mais estragos do que resolve

No que diz respeito aos audiovisuais este é uma vez mais um jogo com uma boa atenção ao detalhe. As sprites dos jogadores estão bem detalhadas e animadas, o jogo está repleto de vozes digitalizadas com os intervenientes a vociferar números e expressões que para mim nada dizem. Entre partidas o jogo mantém aquela abordagem típica dos videojogos desportivos da EA da época, com os menus a simularem uma transmissão de uma estação televisiva (a EASN), inclusivamente com os comentários ocasionais do próprio John Madden. Músicas apenas existem nessas fases transitórias, já durante as partidas apenas ouvimos o ruído do público, os jogadores a gritarem uns com os outros e pouco mais. Um detalhe interessante é o das lesões dos jogadores: sempre que um se lesiona surge uma ambulância no ecrã. Até aqui tudo bem, mas o detalhe delicioso é que essa ambulância atropela todos os outros jogadores que se atravessem no seu caminho!

E pronto, é isto, Madden 92. Mais do mesmo, mas com mais equipas face ao seu predecessor. Este é o segundo jogo desta série a sair numa Mega Drive, mas irei certamente perder mais algum tempo a analisar o seu antecessor, caso o apanhe um dia destes, até porque o mesmo tem uma certa história por detrás.