Medal of Honor: European Assault (Nintendo GameCube)

Medal of Honor European AssaultContinuando com a 2ª Guerra Mundial como tema, tempo agora de revisitar o terceiro FPS da saga Medal Of Honor para as consolas da geração passada. Lançado em 2005 para Xbox, PS2 e Gamecube, este Medal of Honor tenta recuperar do fracasso que foi o Rising Sun, incorporando uma série de novas funcionalidades que irei relatar ao longo do artigo. A minha cópia foi comprada no ebay no ano passado, não me recordo quanto custou, mas sei que foi barato. Estranhamente é o único Medal of Honor que me chegou em condições a casa.

Medal of Honor European Assault GCN
Jogo completo com caixa e manual

Como o próprio nome indica, a Electronic Arts abandonou a guerra no pacífico introduzida nos 2 jogos anteriores da série (Rising Sun para consolas, Pacific Assault para PC) para voltar ao teatro de guerra em torno do velho continente (mais umas missõezinhas no norte de África), e ainda bem! Como disse no artigo anterior, a guerra no pacífico nunca me disse assim grande coisa. Novidades existem várias notáveis de se mencionar. A campanha single-player apresenta várias missões em 4 diferentes campos de batalha: França, Norte de África, União Soviética e Bélgica. Cada missão tem um certo número de objectivos principais (obrigatórios) e um outro número de objecivos secundários, alguns deles secretos. Essa introdução de objectivos ocultos permitiu uma maior abrangência nos mapas. Os mapas são mais abertos e é encorajada a sua exploração. Poderemos encontrar algumas antiaéreas para destruir, uns documentos secretos para encontrar etc. Um dos ojectivos secundários que é constante em todas as missões é derrotar um mini-boss, sempre um oficial Nazi. Esse mini boss está sempre acompanhado de uma série de outros soldados alemães, o que representa um bom desafio. O gajo demora bastante a morrer e não tem problemas nenhuns em encher o jogador de balas. Durante as missões temos à disposição um radar que indica a direcção dos objectivos principais a cumprir, bem como dos vários objectivos secundários que vão sendo descobertos. Completar os objectivos secundários não é obrigatório, mas é bastante encorajado, visto que em primeiro lugar aumenta consideravelmente a duração da campanha e somos recompensados por o fazer. O facto de os níveis serem mais abertos não quer dizer que não existam alguns momentos épicos préconcebidos como tem sido habitual na série, porque eles existem sim.

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Ecrã de apresentação dos objectivos antes de iniciar uma missão.

Uma outra grande novidade neste jogo é a hipótese de podermos controlar um pequeno esquadrão de 3 pessoas para nos ajudarem nas missões. Podemos mandá-los limpar uma sala, no nosso lugar, ou ficar a defender um ponto enquanto que o jogador vai tratar de outro assunto qualquer, ou então no caso default, deixar o esquadrão seguir-nos e ir batalhando ao mesmo ritmo que o jogador. A ideia não é má, a execução é que não é a melhor. A inteligência artificial destes soldados deixa um pouco a desejar, eles não são muito bons em procurar abrigo e expõe-se demasiado ao fogo inimigo. Não é obrigatório que todos eles cheguem vivos ao final de cada missão, mas somos recompensados por um medkit por cada soldado que sobreviva. Os nossos soldados possuem uma barra de energia, que pode ser restaurada utilizando um dos nossos medkits, adicionando assim um toque extra de estratégia. Infelizmente o botão para curar membros do esquadrão é o mesmo botão para recarregar a arma, o que às vezes pode dar problema e acabarmos por gastar o nosso último medkit num gajo qualquer, em vez de recarregarmos a nossa arma.

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Os nossos amigos à nossa volta enquanto rebentamos com qualquer coisa

Quanto a save, este Medal of Honor não tem um autosave durante as missões, sendo que apenas se pode gravar o progresso do jogo no final de cada missão. No entanto, para evitar recomeçar uma missão do início sempre que se morre, existem espalhados pelo mapa alguns preciosos power-ups de “vidas” com o nome de “Revive Unit“. Como à moda antiga, ao morrer no campo de batalha somos miraculosamente ressuscitados no mesmo ponto. Quando se esgotarem as vidas, então teremos forçosamente de recomeçar desde o último save. Ainda falando de novidades, este jogo apresenta uma barra de adrenalina. Ao fim de dar alguns head-shots e sobreviver ileso de algum fogo inimigo, a barra fica cheia e poderemos usar um poder especial à lá Matrix, onde a acção fica toda em câmara lenta (excepto o jogador que ainda assim se movimenta mais rápido que os adversários), e os nossos tiros ficam mais poderosos. Contudo tudo o que é bom acaba depressa…

Basicamente as novidades são essas. No quesito gráfico, pessoalmente foi o Medal of Honor que mais me agradou para a GameCube. Apesar de não haver grande detalhe e variedade nos modelos dos soldados (excepto os miniboss que se destacam pela positiva), bem como alguns edifícios e veículos, as armas estão mais detalhadas. Mas o que mais me deixou satisfeito foi a aplicação de gloom lighting nos cenários. Para 2005 era algo ainda novidade nas consolas correntes.

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A arma que mais gozo me deu

Quanto ao som continua excelente, como tem sido apanágio da série, contribuindo bastante para a imersão do jogador na acção. A nível de jogabilidade, ainda são mantidos +/- o mesmo esquema de controlo nos 2 jogos anteriores, com o uso do D-Pad para comandar tropas ou usar alguns power ups. Quanto à vertente multiplayer, Medal of Honor European Assault é uma edição mais uniforme entre as 3 plataformas, com a exclusão do modo online. Enquanto que para os donos de PS2 e Xbox isso possa ter sido uma grande falha, infelizmente para os donos de Gamecube era algo que já era habitual, apesar de a consola poder desempenhar esse papel. O multiplayer cinge-se então ao já conhecido split-screen até 4 jogadores, sendo que desta vez são incluídos vários modos de jogo, desde os velhinhos Deathmatch e Team Deathmatch, passando por Capture de Flag e várias variantes desse modo: King of the Hill, Getaway, entre outros modos de jogo.

Finalizando, este foi o Medal of Honor que mais gozo me deu jogar na Gamecube, embora considere que o Frontline teria mais potencial com uma engine mais trabalhada. Gostei das novidades que introduziram, principalmente os objectivos secundários escondidos, que obrigavam a uma maior exploração do mapa. A apresentação geral do jogo na minha opinião também está muito boa. Ainda me falta mais um Medal of Honor presente na minha colecção para falar, o Vanguard para PS2. Mas como ainda não o acabei, provavelmente devo escrever sobre um outro jogo qualquer na próxima vez e só depois nesse último Medal of Honor. Até lá.

Medal of Honor Frontline (Nintendo GameCube)

Após uns tempos atribulados com trabalhos académicos, um festival underground de 3 dias de metal extremo e uma ou outra noite de Queima das Fitas, não tenho tido muito tempo para gerir aqui o tasco, mas acredito que melhores dias virão. Irei fazer uma série de posts sobre os jogos Medal of Honor da minha colecção, cobrindo os 3 da Nintendo GameCube e mais um outro de uma outra consola recém chegado à colecção.

Wolfenstein 3D, considerado o avô dos First Person Shooters, tinha como temática a Segunda Guerra Mundial. Depois, com lançamentos como Doom, Duke Nukem, Quake, Hexen, esta temática nunca mais foi abordada. Até que no ano de 1999 sai Medal of Honor para a Playstation, um FPS que atingiu um elevado sucesso, gerando várias sequelas e outras séries concorrentes, como “Call of Duty” e “Brothers In Arms”. Em 2002 sairam para o mercado 2 Medal of Honor diferentes, Medal of Honor Allied Assault para PC e Medal of Honor Frontline para as consolas de mesa existentes no mercado. A versão PS2 foi a primeira a sair, com versões para Xbox e GameCube a sairem poucos meses depois.

Medal of Honor Frontline GCN
Jogo completo com caixa e manual.

A minha cópia foi comprada há uns meses atrás no eBay, foi um bom preço, embora o jogo não esteja nas melhores condições (infelizmente é algo que me acontece a quase todos os MoH na minha colecção). Medal of Honor Frontline coloca-nos na pele do Tenente Jimmy Patterson (a mesma personagem do primeiro jogo da série para PS1), envolvido em várias batalhas históricas na Europa. Medal of Honor Frontline pegou no sucesso de “Resgate do Soldado Ryan” e tentou aplicar a mesma atmosfera cinematográfica no videojogo. Começamos o jogo no Dia D, o Desembarque da Normandia, num barco Higgins de transporte de infantaria. Estamos presos ao chão e só movemos a cabeça. Ouvimos o briefing e conselhos do nosso superior, quando começam a surgir tiros de morteiro provenientes dos bunkers na costa. Após várias explosões somos finalmente colocados na praia e com liberdade total de movimento, onde numa chuva de balas, temos de tomar de assalto o bunker inimigo. Toda esta atmosfera cinematográfica ainda não era algo comum como o é nos dias de hoje, tendo sido um “selling point” do jogo. Sendo uma conversão da versão PS2, a versão GC e Xbox herdaram, para além de uma ligeira melhoria gráfica, um modo multiplayer em split screen, com a versão GC suportar até 4 jogadores.

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Alguém está prestes a levar um tiro

O gameplay segue a tendência habitual nas várias consolas até então. Joystick esquerdo para se mover, joystick direito (C button) para apontar a arma. Botão de cabeceira direito para disparar, enquanto que o esquerdo apresenta os vários modos de zoom da arma equipada, caso a arma os suporte. Os restantes botões são usados para ajoelhar, saltar, recarregar e trocar de arma. Pessoalmente nunca fui grande fã deste modo de jogo, demoro sempre imenso tempo a apontar a arma para alguém, e a própria mira é bastante imprecisa. Pode ser mais fácil, mas eu prefiro de longe um esquema como o de Metroid Prime com locking target. Ou então jogar no PC com o bom e velho rato. O jogo em si é linear, com vários eventos pré-determinados. Mover de A a B, destruir C, etc. Não acho que isto seja algo mau, para um jogo épico de guerra com vários momentos cinematográficos até é algo que seja benvindo. O jogo tem sensivelmente 20 missões, sem nenhum save point. A única maneira de salvar o percurso é completando o nível em si.

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Ena, serrilhados

Graficamente o jogo não é nada de especial, mesmo para os padrões de 2002 (olhem o Metroid Prime), e as texturas simples e pouco detalhadas denotam perfeitamente que o jogo é uma conversão de PS2. Os modelos dos jogos ficaram ligeiramente superiores mas em 2002 também não se poderia pedir assim muito. O frame rate é mais constante (a 30fps) embora quando se encontram muitos inimigos no ecrã podem haver pequenas quebras mas nada de muito incomodativo. A nível de som aí é outra história. Medal of Honor apresenta uma soundtrack bastante interessante, com momentos épicos, ambiente, dependendo se estamos num momento de tensão ou de puro caos. As armas têm todas barulhos diferentes e bastante convincentes. Medal of Honor Frontline tem também suporte a Dolby Surround, e apesar de eu nunca o ter experimentado, a imprensa diz que tem qualidade. Apesar de algumas falhas a nível gráfico, toda esta “ambiência” dá de facto um feeling de que estamos realmente na Segunda Guerra Mundial e que queremos derrotar os Nazis a todo o custo. Infelizmente existem vários outros bugs, como soldados a atravessar paredes quando morrem, e a inteligência artificial deixa algo a desejar.

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Multiplayer warfare!

O modo multiplayer, o diferencial da versão original de PS2 é bastante fraquinho na minha opinião. Os mapas não são mais do que mapas reaproveitados do modo single player e o único modo de jogo é o Deathmatch, apesar de se poderem configurar alguns parâmetros como tempo limite, número de mortes, tipo de armas a serem utilizadas, etc.

No fim, o jogo é um clássico para quem gosta desta temática e mesmo sendo um jogo de 2002, onde as capacidades das consolas de última geração não tinham sido completamente exploradas, acaba na mesma por ser uma experiência agradável, seja para que plataforma for, até porque se encontra o jogo com preços bastante acessíveis nessa Internet fora. Contudo se preferirem gráficos modernaços existe uma versão HD do jogo, disponível para quem comprar o Medal of Honor de 2010 para PS3.

Desert Strike (Sega Master System)

Desert Strike
Caixa Desert Strike Master System

Lembram-se no início dos anos 90 onde Electronic Arts era sinónimo de qualidade e inovação? Desert Strike é definitivamente um jogo que entra nessa categoria. Criado por Mike Posehn para a Sega Mega Drive, foi um sucesso imediato, tendo sido posteriormente convertido para várias outras plataformas. Uma delas foi a Sega Master System, tendo a conversão ficado ao cargo da Domark que por sua vez a relegou para o seu estúdio interno “The Kremlin”. Estes “The Kremlin” foram responsáveis por várias conversões de software para a Master System, como o Prince of Persia de Jordan Mechner, por exemplo, bem como a versão de Game Gear deste mesmo jogo.

Desert Strike é uma óptima simbiose entre simulação militar e acção mais descomprometida. Contextualizado na guerra do Golfo dos inícios dos anos 90, somos introduzidos a um ditador lunático de um país do Médio Oriente (inspirados em Saddam Hussein) em vias de iniciar um conflito internacional. A bordo de um helicóptero AH-64 Apache das Forças Armadas dos E.U.A. somos postos à prova de modo a colocar um fim nos planos do general.

Durante o jogo é-nos incumbido executar várias ordens, sejam de resgate de prisioneiros de guerra, soldados desaparecidos em combate, destruição de vários alvos militares, escolta de VIPs, etc. As missões estão bem pensadas e seguem alguma lógica, tanto na atribuição, como na ordem de execução das mesmas. Antes de entrar “à Rambo” nas bases inimigas, convém destruir os radares e as centrais energéticas, reduzindo assim a capacidade de retaliação do inimigo. A componente estratégica não se fica por aqui, sendo que as munições e o combustível não são limitados, pelo que têm de ser bastante racionados. Uma coisinha que eu sempre gostei foi que, sempre que se pausasse o jogo, veríamos para além das estatísticas do nível e do helicóptero, tínhamos um mapa e uma série de descrições com figuras ligadas às missões, veículos inimigos ou até items como munições.

Desert Strike
Screenshot do jogo

Quem conhecer as versões superiores 16Bit e PC, irá ficar impressionado com a qualidade da conversão do jogo na Master System.  Quase todo o conteúdo está lá. Todos os inimigos e edifícios com um bom grau de detalhe, todas as missões. A nível de som é que não se pode fazer milagres, toda a gente sabe que o som na Master System (e mesmo na Mega Drive) não é grande espingarda, comparando com as consolas da concorrência. Graficamente mantém-se a perspectiva isométrica, de modo a simular um efeito 3D. A nível de jogabilidade simplificou-se as coisas um pouco devido ao comando da Master System ter menos botões. O botão 1 serve para disparar a metralhadora pesada, o botão 2 serve para disparar os mísseis Hydra (projécteis de média “potência” explosiva, mas com uma taxa de disparo muito elevada), e os botões 1+2 ao mesmo tempo para disparar os escassos mísseis Hellfire (bastante potentes, porém lentos).

A minha cópia do jogo foi-me oferecida por um amigo de infância num dos meus aniversários, juntamente com o Global Gladiators (um dia destes falarei sobre ele). São ambos os jogos em 2ª mão e não trazem o manual, infelizmente. Fora isso estão em óptimo estado.

Desert Strike SMS
A minha cópia do jogo

Infelizmente a Master System não recebeu mais nenhum jogo da saga “Strike”, enquanto a “prima” Game Gear recebeu também conversões das sequelas Jungle Strike e Urban Strike (também disponíveis na Mega Drive, SNES, PC, etc). A série “Strike” viria a receber ainda mais 2 jogos nomeadamente o Soviet Strike e o Nuclear Strike, já na era dos 32/64bit.

Após o Nuclear Strike, e sem contar com o gorado “Future Strike” que nunca chegou a ver a luz do dia com esse nome, não se ouviu mais falar na série até 2002, altura em que converteram o primeiro jogo da saga para a Game Boy Advance. Infelizmente até à data nada mais se falou da série.

Concluindo, Desert Strike é um óptimo jogo para quem gosta de dar uns tiros, mas também com um twist de estratégia militar. Apesar de gostar muito da versão da Master System, recomendaria que jogassem as versões superiores de 16Bit ou PC/Amiga. Se não tiverem essas versões disponíveis, ainda assim ficam com um bom jogo entre mãos.