Andretti Racing (Sega Saturn)

Andretti RacingEu não sou um grande fã de jogos desportivos, o mesmo posso dizer dos desportos motorizados. Apesar de ter vários jogos de corrida na minha colecção, aqueles que gosto mesmo geralmente preenchem pelo menos um de dois requisitos: são jogos arcade, como Sega Rally ou Daytona USA, ou jogos futuristas, como F-Zero ou Wipeout. Andretti Racing é um jogo que já tenta passar uma imagem maior de simulação, pelo que já não faz muito o meu género. Para dizer a verdade, foi uma espécie de “impulse buy”, numa altura em que visitei a Cash de Alfragide no ano passado e vi lá uma série de jogos Saturn a bons preços. Acabei por levar este por arrasto também, ficou-me por 3€ se não estou enganado. Sendo assim esta será mais uma rapidinha.

Andretti Racing - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Essencialmente Andretti Racing é um jogo de corrida com o endorsement do famoso piloto norte-americano, oferecendo assim 2 modalidades distintas para jogar: Os stock-cars à la NASCAR e a Formula Indy, naturalmente cada modalidade com diferentes jogabilidades. E dentro de cada uma, temos diversos modos de jogo – o Exhibition Race, para quem como eu apenas quer jogar uma ou duas partidas sem grandes preocupações, e o Career Mode, modos de jogo naturalmente mais longos, feitos a pensar no campeonato anual. Para além desses temos o Racing School, um tutorial feito a pensar nos fãs de simulação e que se querem dar bem no Career mode. Mas mesmo no Exhibition Mode, que deveria ser algo mais divertido, temos de correr uma Qualifying Race e podemos escolher as modificações a vários aspectos do carro, como é habitual. Coisas como mudanças, pneus, ailerons, têm diversos parâmetros que podem e devem ser customizados para cada circuito. Claro que hoje em dia os simuladores são bem mais exigentes nesse aspecto.

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O jogo tem também os seus replays em diversos ângulos

O Exhibition Mode é ainda o único modo de jogo que nos permite jogar em multiplayer com mais um amigo. O modo de carreira é naturalmente muito mais extenso, onde no decorrer de várias temporadas podemos evoluir, de uma equipa menor, para a própria equipa de Andretti. Claro que não me dei a esse trabalho… até porque o espaço necessário para save nesse modo é enorme e eu ainda não tinha um cartão de memória da Saturn. De resto a jogabilidade é naturalmente bem mais exigente e só pelo facto de os carros sofrerem dano já teremos de ter uma condução mais cuidada. Isso e os pitstops e todas as customizações que podemos fazer.

Ainda assim, a versão Saturn deste jogo foi uma conversão directa da PS1, e como bem sabemos as arquitecturas das duas consolas eram muito diferentes, com a máquina da Sega a ser muito mais complexa. O resultado foi uma conversão que a nível gráfico ficou notoriamente atrás da versão para a máquina da Sony, com as pistas e carros a apresentarem menos detalhe e uma draw distance reduzida, com bastante pop-in. Mas isso faz parte do charme da época, na minha opinião, e jogar Daytona USA sem a pista a ser “construída uns 10 metros à nossa frente não seria a mesma coisa. As músicas são OK, geralmente mais rockeiras, tal como outros jogos da EA nos habituaram na altura, como o Road Rash e o primeiro Need for Speed.

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O jogo perde algum detalhe quando comparado com a versão Playstation

Por fim, para os fãs de jogos de corrida com essa vertente de simulação, calculo que este Andretti Racing, para além de ser das poucas alternativas na Sega Saturn deste género, ao contrário da sua rival Playstation, parece-me de facto ser a melhor. Para quem como eu apenas quiser um jogo de corrida para se divertir, Daytona USA ou Sega Rally são alternativas muito melhores.

Road Rash (Sega Master System)

RoadRash-SMSAs conversões de jogos 16bit para sistemas de 8bit geralmente ficam muito atrás da versão mais avançada. Muitos dos jogos multiplataforma que a Mega Drive recebeu geralmente ficam bem melhor, tanto a nível gráfico como na própria jogabilidade.  Embora sejam raros, há exemplos em que a versão Master System de um jogo no geral acaba por ser melhor que a versão Mega Drive, como é o caso do Astérix and the Great Rescue, por exemplo. No entanto há também outros jogos que são excelentes na Mega Drive e a versão Master System, apesar de inferior tecnicamente, consegue ser igualmente divertida e competente tecnicamente. Essa é a categoria que o Road Rash da Master System se enquadra, na minha opinião. A minha cópia foi comprada na feira da Ladra em Lisboa, em conjunto com outros lançamentos “portuguese purple“, tendo-me custado algo entre os 5 e os 8€.

Road Rash - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manual português.

Tal como a versão original da Mega Drive, Road Rash é um jogo de corridas ilegais de motos através de várias estradas estaduais norte-americanas. O twist é que podemos andar à porrada com os outros concorrentes e com os polícias que nos perseguem também! Mas claro que isto vocês já sabiam. Existem apenas 5 pistas, todas elas de diferentes zonas do estado da Califórnia, como a Sierra Nevada, Palm Desert ou Grass Valley. Após terminarmos as 5 pistas pela primeira vez, vamos subir na categoria e teremos de as voltar a jogar, contudo com a distância do circuito a aumentar, assim como a sua dificuldade: os oponentes e a polícia serão cada vez mais agressivos, as estradas terão mais trânsito e obstáculos como animais, barreiras de obras, manchas de óleo ou areias.

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Ter um acidente enquanto somos perseguidos pela polícia é sinal que a corrida termina ali.

O nível de dificuldade irá aumentar 5 vezes, pelo que no fim de contas acabamos por correr em 25 circuitos. No entanto teremos de chegar ao final de cada corrida pelo menos na terceira posição de forma a desbloquear a corrida seguinte. Também consoante a posição em que atravessamos recebemos mais ou menos dinheiro para depois podermos comprar novas motos. É essencial tentar chegar sempre em primeiro lugar pois nos níveis de dificuldade mais avançados teremos mesmo de ter motos mais “potentes”. De resto, para além de usarmos os nossos punhos ou pontapés para agredir os oponentes podemos tentar roubar um bastão a alguns dos nossos adversários. Esse bastão naturalmente é bem mais poderoso e torna-se mais fácil tirá-los da corrida.

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As 5 regiões onde podemos correr

Graficamente falando, este é um jogo que não deixa assim tanto a dever face à versão original para a Mega Drive. É certo que a versão Mega Drive possui sprites bem maiores e detalhadas, para além de um framerate mais fluído. Ainda assim, apesar disso, a versão para a Master System porta-se muito bem. Os cenários estão bem detalhados tendo em conta as capacidades da consola, os fundos possuem um scrolling em parallax bem convincente, e acima de tudo, as subidas e descidas que vamos vendo estão fantásticas. Não há jogo de corridas na Master System mais detalhado que este, na minha opinião. Outro dealhe que achei muito bom é o facto de na parte inferior do ecrã termos os 2 espelhos retrovisores da moto que nos mostram os oponentes que nos perseguem, ou mesmo os carros que vão passando por nós. Para além disso as imagens dos espelhos são ligeiramente diferentes entre si, tal como seria na realidade. Mais um toque bem interessante pela malta da Probe que tratou desta conversão.

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O dinheiro que vamos amealhando nas corridas deve ser utilizado para comprar melhores motos para as corridas seguintes.

Para além disso temos também aqueles diálogos antes de cada corrida, onde vemos retratos dos polícias ou os nossos adversários juntamente com as suas frases mais “picuinhas”. Os efeitos sonoros por si só não são nada de especial, mas as músicas estão noutro campeonato. Sempre disse que a Master System tem o seu calcanhar de Aquiles com o chip de som que possui (a FM Unit japonesa naturalmente não entra para estas contas), mas mais uma vez a Probe fez aqui um excelente trabalho. As músicas que na Mega Drive eram porreirinhas, aqui passaram a ser das chiptunes mais bem conseguidas dos sistemas 8bit. Vale bem a pena.

Por todas estas razões, apesar de numa análise fria a versão Mega Drive ser superior em practicamente todos os pontos, não pode deixar de ser louvado o fantástico trabalho da Probe que tornou esta versão para a Master System num excelente port, tendo em conta as restrições de hardware da Master System. Fossem todas as conversões assim, com todo este amor e carinho e esta indústria seria muito melhor.

The Need For Speed (Sega Saturn)

Need for SpeedThe Need for Speed, ou como lhe podemos chamar pelo seu nome completo “Road & Track Presents: The Need for Speed”, é o primeiro capítulo da famosa série de jogos de corrida da Electronic Arts. Como muitos dos primeiros jogos 3D da Electronic Arts nesse período dos anos 90, este jogo saiu originalmente para a mal amada 3DO, com conversões a sairem posteriormente para a Saturn, Playstation e PC. A minha cópia chegou-me às mãos após ter sido comprada há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, por 5€. Como todos os jogos da EA para a Saturn, vem com uma caixa bem grossa e um manual a condizer.

The Need for Speed - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Este é mais um artigo em jeito de “rapidinha”, pois também nunca joguei este Need for Speed assim tanto a fundo. Na biblioteca de jogos de corrida da Saturn, sempre preferi os jogos da Sega desse segmento. Mas adiante, este NFS é um jogo não tão arcade como os restantes jogos da época, e permite-nos estar ao volante de vários maquinões da época, como o Dodge Viper ou o Lamborghini Diablo. O jogo apresenta vários modos de jogo, desde o single race para quem quiser jogar uma partida rápida, até ao modo Tournament, onde temos de chegar em primeiro lugar em todos os circuitos para vencer este modo de jogo e também desbloquear um circuito bónus em Las Vegas. Existe também um Time Attack, mais voltado para as provas em contra-relógio, mas o que marca realmente a diferença em Need for Speed, é o Head 2 Head mode, que tanto pode ser jogado contra o CPU ou em multiplayer local. Este modo de jogo é um duelo entre 2 carros que, se for jogado num dos circuitos “abertos”, concorremos com tráfico local e polícias que vão patrulhando a estrada. Isso obviamente que resulta em perseguições policiais e se nos deixarmos apanhar levamos com uma multa. Na segunda multa somos logo desclassificados da corrida, o que tenho a ideia que acontece apenas na terceira multa noutras versões.

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As pistas decorrem em diferentes paisagens e climas, onde podemos escolher também o período do dia em que correr

No que diz respeito ao audiovisual é um jogo razoável. Isto porque é uma conversão do original da consola 3DO, um produto inferior tecnologicamente. Os cenários têm uma coisa boa, a sua draw distance é bem grandinha se comparada a muitos outros jogos de corrida da época, mas claro que isso está a custo de um detalhe menor nos cenários no geral. Os carros vistos de fora também não têm grande detalhe, parecem paralelipípedos com rodas, mas se passarmos para o interior, então é de admirar o trabalho feito com os interiores dos carros, que me parecem bem realistas e não era algo assim tanto comum de se ver nos jogos de corrida da época. Felizmente a banda sonora eu achei-a muito boa. Toda ela é composta pela dupla de artistas Jeff Dyck & Saki Kaskas, e tanto tem música electrónica, como outras bem mais a abrir e cheias de guitarradas como eu gosto.

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O interior dos carros dão um toque mais realista à coisa

Apesar dos seus visuais datados, acho que este Need For Speed não é um mau jogo a ter-se no catálogo da Saturn. Claro que a versão PC que saiu mais tarde para o Windows 95 é muito superior, mas ainda assim não achei nada mau o jogo, dá perfeitamente para nos divertirmos, e no fundo isso é o que interessa.

 

Road Rash (Sega Saturn)

Road RashRoad Rash remete-me logo para 2 memórias: A atitude “cool” dos anos 90 e o tempo em que a Electronic Arts era uma empresa realmente criativa e um colosso bem respeitado por todos. A série tem as suas raízes na Mega Drive, com a temática de violentas corridas ilegais de moto por estradas estaduais dos EUA. O facto de podermos andar à pancada com outros condutores e também fugir à polícia era algo que tornava Road Rash num jogo único na sua altura. E como todas as séries de sucesso na Electronic Arts, foram lançadas imensas sequelas e conversões ao longo de toda a década de 90. Um desses lançamentos foi um remake do primeiro Road Rash para a 3DO, versão essa que acabou por ser lançada também noutras consolas, entre as quais a Sega Saturn. A minha cópia foi comprada algures em Janeiro/Fevereiro deste ano por 5€, na feira da Ladra em Lisboa.

Road Rash - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Este Road Rash é um remake do primeiro jogo, pelo que toda a acção decorre em várias estradas estaduais da Califórnia, nomeadamente as localidades “The City, The Peninsula, Pacific Coast Highway, Sierra Nevada e Napa Valley”. Tal como os outros jogos da série, o modo “campeonato” coloca-nos a correr nesses 5 circuítos, ao longo de 5 níveis de dificuldade, com os mesmos circuitos a tornarem-se gradualmente mais longos e os oponentes mais agressivos. Nesse mesmo modo Championship é obrigatório chegar pelo menos em 3º lugar em cada corrida, de forma a podermos avançar para a próxima. Quando melhor classificados ficamos, mais dinheiro ganhamos, que será bem útil para comprar novas motos, reparar estragos ou pagar multas caso tenhamos sido caços pela polícia. Uma das novidades neste Road Rash é o facto de podermos ter amizades e rivalidades ao longo do jogo, o que até dá alguma pica extra para mandar umas boas patadas nos rivais em plena corrida.

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Ao cair da moto, às vezes voamos para bem longe e depois temos de voltar para trás a correr.

Infelizmente tem o grande problema de não ter um multiplayer em split screen, tal como o Road Rash II para a Mega Drive introduziu. Tal como o Road Rash original, o multiplayer existe apenas em jogar as corridas de forma alternada, o que é um bocadinho (muito) chato, especialmente nas últimas corridas onde as distâncias são bem grandinhas. Nos circuitos por vezes também há bifurcações que nos levam por caminhos alternativos, mas nada de especial. De resto as mecânicas de jogo são semelhantes e os controlos também: um botão para acelerar, outro para travar e um outro para atacar, onde podemos obter várias armas como os típicos bastões de baseball ou correntes de metal.

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O ecrã de selecção dos circuitos

Graficamente falando não é um jogo propriamente colossal. As motos, veículos no geral e pedestres são todos sprites digitalizados, tal como foi feito no Road Rash 3 para a Mega Drive. A única coisa em 3D poligonal pareceram-me ser mesmo os edifícios e desfiladeiros que não possuem assim tanto detalhe quanto isso mas o bom framerate da versão Sega Saturn chega bem para compensar essa falha. Outra coisa  engraçada são as cutscenes. Nos originais da Mega Drive essas cutscenes eram sempre algo engraçadas e aqui tentaram fazer o mesmo, mas em full motion video com actores reais. Existem várias cutscenes para vitórias, derrotas ou quando somos presos pela polícia. Umas até que têm piada, outras nem por isso. A banda sonora é que tanto é excelente como uma desilusão. Passo a explicar: o jogo está repleto de faixas licenciadas de bandas de rock como Soundgarden ou Monster Magnet. Isto é completamente OK in my books. Mas infelizmente isso apenas aontece nos menus e afins, pois durante o jogo em si já mudaram para músicas mais genéricas e o barulho das motas é tão forte que nem dá para as apreciar.

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O artwork das personagens do jogo está completamente caricaturado

Infelizmente este é o único jogo da série que chegou à Sega Saturn. Depois deste ainda sairam mais uns 3 jogos diferentes, já totalmente em 3D, mas apenas para as consolas Playstation e Nintendo 64. Apesar de ser um jogo que falhou no modo multiplayer – foi realmente uma oportunidade perdida, não acho este Road Rash um mau jogo de todo. A sensação de velocidade é bem convincente e poder distribuir pancada noutros motoqueiros é sempre divertido. É pena que a Electronic Arts nunca mais tenha voltado a pegar na série, após um port manhoso para a Gameboy Advance. Mas veremos o que o futuro lhe reserva. Ainda sobre este jogo, saiu também uma versão para a Mega CD, que herda a mesma banda sonora, vídeos e pouco mais, pois a parte gráfica do jogo em si já é muito semelhante a outros Road Rashs da Mega Drive.

Medal of Honor Allied Assault Deluxe (PC)

Medal of Honor - Allied Assault DeluxeA série Medal of Honor foi um marco importante no panorama dos videojogos, pelo menos pela lufada de ar fresco que deu aos FPS, lançando um produto que apesar de não ser o mais realista possível, tem uma componente histórica de grande interesse, pelo menos para mim. Claro que o sucesso dos primeiros jogos fizeram com que mais empresas lançassem FPS com a temática da Segunda Guerra Mundial (Call of Duty ou Brothers in Arms por exemplo), saturando o género ao fim de alguns anos. Mas não interessa. Este Allied Assault foi o primeiro jogo da série a ter saído nos PCs, e foi o primeiro jogo da série que eu joguei, lá nos idos de 2002/2003. Apenas no ano passado é que vim a ter o jogo na minha colecção, com esta edição Deluxe que também inclui a primeira expansão, a Spearhead, e um CD bónus com a banda sonora e uns quantos vídeos, incluindo o making-of. Foi comprada na cash converters do Porto por menos de 2€.

Medal of Honor Allied Assault Deluxe - PC
Jogo completo com caixa, manuais e 4 discos

Neste jogo tomamos controlo de mais um membro das OSS (Office of Strategic Services), uma espécie de serviços secretos americanos, onde os seus agentes participavam em operações de infiltração nas linhas inimigas e sabotagem. Desta vez a personagem que jogamos é o Tenente Mike Powell, ao longo de várias missões em diferentes teatros de guerra. Vamos então poder visitar bases militares na Algéria, na Noruega gelada onde os U-boats estavam a ser preparados, o famoso desembarque na Normandia, entre outros locais tanto urbanos como militares.

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Antes de entrar no jogo podemos ir para o campo de treinos aprender as mecânicas envolvidas

A jogabilidade é algo parecida com a dos Medal of Honor da PS1, embora os controlos com rato/teclado sejam muito melhores, naturalmente. Neste jogo ainda não havia o já habitual aiming down the sights, a menos que tivéssemos em posse de uma sniper rifle. A regeneração de vida ainda era feita através de medkits e apesar de ter autosave points, podíamos fazer save game a qualquer altura, não havendo checkpoints chatos. Bons tempos. Ainda assim foram introduzidos vários elementos novos de jogabilidade também. Em algumas missões temos alguns NPCs a acompanharem-nos, que obviamente também teremos de os proteger (detesto escort missions), mas também nos ajudam nos tiroteios. Uma das coisas que eu não me lembrava mesmo de acontecer, pelo menos da primeira vez em que joguei este jogo lá para 2002/2003, é o facto dos snipers inimigos estarem tão bem escondidos. Existem níveis em que o sniping é o prato do dia, e tive imensas dificuldades em encontrar de onde vinham os tiros mesmo. Talvez como utilizei uma resolução customizada as coisas não tenham ficado tão visíveis. Mas adiante, existem outros níveis com uma maior componente de stealth e infiltração pura, onde usamos pistolas com silenciadores e vamos tendo de roubar uniformes e “papers” para mostrar a outros guardas. Isto já tinha sido feito logo no primeiro Medal of Honor, mas voltou a ser utilizado aqui. Por fim, a outra grande novidade está mesmo na condução de tanques, existe uma missão em particular em que roubamos um Tiger I ao exército alemão e depois andamos para lá a semear o terror.

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O desembarque da Normandia é uma das batalhas mais icónicas de toda a guerra

Para além da campanha single-player, que se encontra dividida em 6 missões principais, sendo que cada uma possui 3 ou 4 sub-missões, temos também vários modos de jogo no multiplayer, não fosse este um FPS para o PC. No entanto os modos de jogo multiplayer por norma não são lá muito originais. Existem variantes do deathmatch (free-for-all, team, e round based, onde não há respawn de jogadores até ao final da ronda) e existe um “objective based” que é muito inspirado em Counter Strike, onde um lado precisa de colocar bombas em locais específicos e o outro terá de o defender. Mas como este Allied Assault foi um jogo de sucesso, existem vários mods que oferecem outros modos de jogo no multiplayer, mas isso já sai fora do scope desta análise.

screnshot
Em algumas missões o stealth é mesmo o mais recomendado

Graficamente é um jogo que tem uns bons visuais, para os padrões de 2002. Utiliza uma verão modificicada do motor gráfico id Tech 3, o mesmo de Quake 3 Arena ou Return to Castle Wolfenstein. As armas, uniformes e veículos militares estão bem representados, assim como os cenários no geral. As vilas em ruínas, os bunkers e as metralhadoras colocadas em locais estratégicos dão sempre um feeling especial num jogo que tenta retratar uma época muito conturbada da história do século XX. O voice acting está ok, a voz que faz de narrador parece-me ser a mesma dos jogos da Playstation e ainda há algumas referências à Manon do Medal of Honor Underground. Como não poderia deixar de ser, as músicas épicas continuam excelentes, apesar de ter reconhecido algumas dos jogos anteriores da PS1.

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Neste jogo, para além de destruir tanques, também podemos conduzir um

Para além do jogo normal esta edição Deluxe inclui também a expansão Spearhead, a primeira de duas expansões que sairam para este Allied Assault. Na Spearhead encarnamos no papel de Jack Barnes, pertencente ao grupo da divisão 1o1 de páraquedistas norte-americanos, um grupo militar referenciado em muitos outros jogos deste género. O jogo possui 3 missões, que cobrem diferentes batalhas cruciais na 2a guerra mundial: novamente a invasão da Normandia, a batalha das Ardenas, e o assalto final a Berlim, em conjunto com o exército soviético. É uma óptima expansão repleta de conteúdo, que nos faz pensar 2x antes de pagar full price por qualquer DLC de hoje em dia.

É pena que a série Medal of Honor tenha ido para o galheiro após o Warfighter. Gostava de ver um novo episódio da série e reviver todas estas batalhas num HD glorioso. Este Allied Assault é um bom jogo, embora tenha as mecânicas mais old-school e viva num mundo de fantasia de “one man-army” a maior parte do tempo, dá perfeitamente para nos divertirmos.