Tomb Raider Chronicles (Sony Playstation)

Tomb Raider ChroniclesA série Tomb Raider foi uma espécie de Assassins Creed na era das consolas de 32bit, isto é, a cada ano lançavam um novo jogo! E apesar de todos eles serem sucessos comerciais, o facto de desde o primeiro jogo até este Chronicles terem utilizado sempre o mesmo motor gráfico, nunca conseguiram evoluir muito na fórmula, pelo que apesar de as vendas deste Chronicles terem sido boas, já eram muito inferiores às dos anteriores. Como tal, a Eidos e a Core decidiram recomeçar do zero com o Angel of Darkness a sair anos mais tarde na Playstation 2, mas antes disso, decidiram fazer uma despedida desta era com este Chronicles. Este exemplar foi-me oferecido pelo Miguel Coelho do podcast The Games Tome e colega colaborador na PUSHSTART, a quem agradeço imenso!

Tomb Raider Chronicles - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E começando por um spoiler do jogo anterior, que no final de contas, a menos que ainda vivam numa caverna e por acaso do destino estão a ler esta review porque alguém a imprimiu e depois a deitou fora, acaba por nem ser spoiler nenhum. No final do Tomb Raider the Last Revelation, é dado a entender que Lara Croft morreu. Então neste jogo, Winston, o velho e leal mordomo da mansão Croft, convida uns 2 amigos de Lara e juntam-se numa sala, confraternizando e recordando algumas das aventuras de Lara Croft que nunca haviam sido contadas… até agora. Neste jogo iremos percorrer os subúrbios de Roma e das ruínas do seu coliseu na procura da Pedra Filosofal, visitar uma base militar russa na esperança de recuperar a Spear of Destiny de um submarino naufragado no fundo do oceano, retornar aos tempos da sua juventude, onde Lara deu uma escapadinha a uma ilha irlandesa após ouvir rumores de eventos paranormais que por lá se passavam, culminando numa aventura onde Lara se infiltrou num largo complexo empresarial/industrial para roubar o artefacto de Íris nada mais nada menos ao próprio Von Croy, acabando assim por ser uma espécie de introdução aos acontecimentos que decorreram antes do jogo anterior.

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Balançar-se numa corda… uma das novas habilidades de Lara.

A nível de jogabilidade pouca coisa mudou. A acrescentar ao já elevado número de “manobras” e saltos que Lara é capaz de fazer, temos a possibilidade de dar uma cambalhota ao sair de um túnel em que estivemos a rastejar, ou equilibrarmo-nos numa corda como fazem os trapezistas num circo. De resto, se jogaram qualquer um dos Tomb Raiders anteriores, a mesma fórmula mantém-se e certamente que se familiarizarão rapidamente com as mecânicas do jogo. Continuamos com muita exploração a fazer, saltos medonhos para dar, escalar escarpas perigosas, procurar chaves, arrastar blocos cúbicos, andar aos tiros contra humanos ou criaturas mitológicas, you name it. E embora existam só 4 diferentes localidades para explorar desta vez, os níveis em si são gigantescos, pelo que sim, vai-nos dar trabalho a conhecê-los de uma ponta à outra. Felizmente que podemos fazer save a qualquer momento. No entanto a Core ainda tentou trazer algo de novo, como missões em que estamos completamente indefesos e teremos de ter uma abordagem mais cuidada, ou outras secções em que ser-se furtivo é a palavra chave.

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…e inspecionar prateleiras e gavetas também!

Graficamente nota-se uma boa evolução desde o primeiro jogo, apesar de partilharem a mesma engine. Tanto Lara como os seus adversários têm muito mais detalhe e o mesmo pode ser dito dos cenários e efeitos como os da água. Infelizmente a câmara continua com alguns problemas e todos os cenários continuam a ser muito “quadrados”… heranças que ficaram desde o primeiro jogo. A música continua a surgir apenas em alguns momentos chave no jogo. Na maior parte do tempo somos deixados a explorar os cenários completamente sossegados no ruído ambiente, com pequenas melodias a surgirem quando descobrimos algo majestoso ou por outro lado, quando algo mau acontece, como emboscadas ou tiroteios, uma música mais tensa acompanha-nos. O voice acting também me parece ser o melhor da série até esse momento. Os diálogos são bem mais frequentes nas cutscenes e os mesmos acabaram por ser bem mais trabalhados e melhor interpretados pelos seus intervenientes.

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A melhoria a nível de polígonos e texturas do primeiro jogo até este é bem notável

Para concluir, este Tomb Raider Chronicles até é um bom jogo. Mas comer arroz com feijão 5 vezes seguidas acaba por ser cansativo, mesmo que se vá variando um pouco os seus condimentos. A Eidos e a Core estiveram bem em decidir dar um novo rumo à série com a chegada da PS2, pois aquelas mecânicas de jogo já estavam a ficar gastas. Agora se o Angel of Darkness foi a melhor maneira de reintroduzirem a Lara Croft ao mundo… bom… “não percam o próximo episódio, porque nós também não”!

Battlestations: Midway (PC)

De volta para os jogos com a temática da Segunda Guerra Mundial para mais uma rapidinha no PC. Battlestations Midway é um misto de shooter/estratégia em tempo real, na medida em que tanto podemos controlar um veículo directamente, bem como comandar outros que estejam à nossa disposição para atacarem ou se moverem para locais específicos, um pouco como é feito no Battallion Wars, mas para além de ser com um tom mais sério, as batalhas são todas em pleno Oceano Pacífico. E este jogo entrou na minha conta steam após ter sido comprado num recente Humble Bundle com jogos da Eidos, digo, Square-Enix, a um preço muito convidativo.

Battlestations MidwayO jogo coloca-nos principalmente no papel de Henry Walker, um marinheiro com aspirações a subir tanto na carreira militar como o seu pai, bem como com o seu amigo Donald Locklear, um piloto exímio. E tal como deve dar para adivinhar pelo nome, as batalhas que vamos travando decorrem no teatro de guerra do Oceano Pacífico, começando pela batalha de Pearl Harbour e culminando na de Midway, que serviu como ponto de viragem para os Norte-Americanos e o seu confronto com as forças Imperiais Japonesas.

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Inicialmente começamos o jogo com um barquinho de brincar destes

Inicialmente controlamos apenas um pequeno PT Boat para defender Pearl Harbour dos aviões nipónicos, mas à medida que vamos progredindo no jogo e também subindo na carreira militar, acabamos por ter ao nosso dispor um enorme batalhão naval, incluindo um porta-aviões com os seus caças e bombardeiros. Nessas batalhas maiores, o ideal é mesmo ir ao mapa e comandar directamente as rotas o os alvos a abater de todas as nossas unidades, mas como isso para mim sempre foi algo chato, nada nos impede de assumir o controlo de um submarino e disparar torpedos para cruzeiros inimigos, usar a artilharia antiaérea dos nossos navios, ou porque não controlar mesmo os nossos aviões para abater outros aviões inimigos, ou fazer os míticos voos picados sobre os navios inimigos e deixar-lhes um presente explosivo? Essa é a vertente do jogo que gostei, já o resto, não é mesmo a minha praia. Para além da campanha single player com as suas 11 missões, o jogo possui ainda uma vertente multiplayer que sinceramente nem testei, bem como os “Challenges”. Estes são uma série de desafios, pequenas missões com um grau de dificuldade mais elevado e que se dividem em missões de navios, submarinos ou aviões.

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Highway to the Danger Zone…

Graficamente é um jogo competente, com gráficos detalhados e um look muito clean, se calhar até demais para o meu gosto. Isto porque por vezes não parece que estamos num cenário de guerra, mas talvez seja a calma dos oceanos e céus azuis que nos trazem essa ilusão. Entre cada missão vamos vendo algumas cutscenes que estão bem feitas, mas o voice acting é um bocadinho mau e os diálogos são para esquecer. Mas isso é um mal menor. Os efeitos sonoros são bons e a música é o tradicional em jogos deste género: épica e orquestral.

No fim de contas este Battlestations Midway para mim não foi um jogo que me encheu as medidas, muito por causa de toda a componente estratégica que é algo que eu nunca fui grande fã, mas também por o foco do jogo serem as batalhas navais, algo que também nunca me encheu as medidas. Mas não posso dizer que seja um mau jogo e certamente terá algo que agrade tanto a entusiastas de jogos da Segunda Guerra Mundial como a fãs de estratégia em tempo real.

 

Ninja Shadow of Darkness (Sony Playstation)

Ninja Shadow of DarknessEste jogo foi mais um daqueles que comprei como se estivesse em 1994, ou seja, completamente às cegas sem o conhecer de lado nenhum. Tinha uma vaga ideia de a capa do jogo me ser algo familiar, provavelmente vi nalguma revista ou catálogo da época, mas ao ver os nomes de Eidos e Core, resolvi arriscar e trazer este jogo para casa. Tal como muitos outros desde que me mudei para a zona de Lisboa, foi comprado na feira da Ladra, por uma quantia entre os 2 e os 3€ se a memória não me falha.

Ninja Shadow of Darkness - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manuais

A história do jogo é simples, duas facções distintas de lordes feudais japoneses andavam em guerra já há muitos anos, mas as suas forças eram bastante equilibradas e a guerra não chegou a lugar nenhum. Então lá decidiram assinar umas tréguas de forma a trazer a paz ao Japão novamente. Mas um desses lordes feudais, o espertinho lá do sítio, tenta tirar partido da situação, ao invocar demónios para lutarem ao lado dele. O plano saiu furado e os demónios invadiram por completo o Japão. O outro lorde lá envia o seu melhor ninja para resolver a situação e o resto não será difícil de adivinhar.

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Os níveis são consideravelmente longos e não é possível fazer save durante os mesmos. Felizmente existem vários checkpoints (o leque voador da figura)

O jogo mistura os conceitos de um beat ‘em up em 3D, com elementos de platforming. A jogabilidade é simples, mas a dificuldade é elevada. O jogo está dividido em vários níveis grandinhos e obriga-nos muitas vezes a derrotar todos os inimigos de forma a progredir, inimigos esses que teimam em nos cercar e atacar “aos magotes”. Como beat ‘em up, podemos executar algumas combos de pontapés e murros e temos também um ataque de longo alcance, onde podemos atirar kunais/shurikens. Mas voltando aos ataques melee, nos cestos que encontramos ao longo do jogo, ou nas lojas que visitamos entre cada nível, podemos encontrar/comprar outras armas (e demais powerups). Existem várias armas diferentes como katanas ou machados, sendo umas mais fortes que outras. Dos outros powerups disponíveis, para além de itens que restabelecem saúde, vidas e powerups de ataque, dispomos também de outros items especiais como as bombas ou ataques mágicos, bastante úteis em lutas contra bosses ou grupos de inimigos.

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O jogo vai tendo algumas cutscenes renderizadas em CG, que até têm boa qualidade

Como referi acima, estes itens podem ser comprados em lojas que visitamos no final de cada nível, onde também podemos fazer savegame, ou podem ser encontrados em cestos espalhados ao longo dos níveis. Este cestos podem também ter chaves necessárias para abrir portas de forma a que consigamos progredir no jogo, ou então podem também estar armadilhados, pelo que é sempre recomendada caução ao abri-los. Para além da vertente beat ‘em up, o jogo tem também um grande foco no platforming, onde temos também de nos esquivar das mais variadas armadilhas, como no Tomb Raider. Mas isto tem uma grande desvantagem face à câmara do jogo que passo a explicar: O jogo tem maioritariamente uma perspectiva isométrica com uma câmara que não podemos controlar. A câmara vai-se movimentando de forma simples, fazendo scroll em várias direcções à medida em que vamos avançando no caminho e vai mudando o ângulo mediante a complexidade do nível. Ora isto dificulta bastante o platforming, pois o ângulo muitas vezes não é o melhor. Quem jogou o Landstalker sabe do que falo.

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Se há coisa que não falta, são armadilhas para nos esquivarmos

Graficamente é um jogo minimamente competente. O jogo utiliza o mesmo motor gráfico visto nos Tomb Raiders, embora isso possa não ser imediatamente perceptível devido à câmara ser mais fixa e não ser possível de controlar. No entanto ao olhar com atenção dá para perceber algum clipping nos polígonos do chão e plataformas, todos eles blocos “quadrados”, tal como em Tomb Raider. Os cenários vão tendo alguma variedade, desde bosques, cavernas, fortalezas até chegar às profundezas da terra, onde a lava é um perigo constante. Não gostei muito do design tanto da personagem principal como dos próprios inimigos (excepto aqueles com trajes mais samurai ou ronin, esses gostei). Os efeitos sonoros também não são nada de especial e a música, apesar de ter alguma variedade, não é algo que fique na memória.

No fim de contas, este é um jogo que na minha opinião não envelheceu muito bem. Não propriamente pela dificuldade elevada, que muitos jogadores mais hardcore até possam apreciar, mas pela “linearidade” e simplicidade que nos acompanha ao longo de todo o jogo. É sempre “arroz”durante todo o jogo, não há grande variedade, e por isso não fica a vontade de lhe voltar a pegar. A Core já fez jogos muito melhores.

Tomb Raider: The Last Revelation (Sony Playstation)

Tomb Raider The Last Revelation

Tomb Raider: The Last Revelation, ao contrário do que o nome indica, está longe de ser o último jogo da longa saga que conta as aventuras de Lara Croft e, spoiler alert para os que estão quase 15 anos atrasados no tempo, era suposto Lara morrer no final deste jogo. A série Tomb Raider era na altuma uma espécie de Call of Duty dos dias de hoje, com um jogo novo a cada ano, sempre utilizando as mesmas mecânicas de jogo, mas que no entanto tinha sempre bastante sucesso. A minha cópia do jogo foi comprada há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado 4€, e estando completa e em bom estado.

Tomb Raider The Last Revelation - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual

Ao contrário dos outros Tomb Raiders até à data, desta vez não temos um nível tutorial que decorre na mansão de Lara Croft ou nos seus exteriores. Existe um tutorial sim, mas serve de prelúdio à aventura principal. Este coloca Lara, na sua adolescência, a aventurar-se com o seu mentor Werner Von Croy, na busca de um artefacto misterioso. É aí que vamos aprendendo a movimentar Lara e executar os seus diferentes saltos e habilidades. Mais tarde somos então largados na aventura principal, colocando Lara nos túmulos de Set, onde adquire um talismã misterioso e inadvertidamente liberta o espírito maligno de Set pelo Egipto. Depois de ter feito essa borrada, temos então de remediar essa situação, viajando por outros monumentos e localidades egípcias em busca de uma maneira de selar novamente Set. Para além de criaturas sobrenaturais e as armadilhas do costume, Lara tem ainda de evitar um grupo de mercenários liderados por Von Croy que pretende ficar com o amuleto de Set para si mesmo.

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O bonito ecrã título

Infelizmente, jogando um dos primeiros 5 Tomb Raiders para a PS1, é como se os tivessemos jogado todos. A jogabilidade travada com os tank controls, os saltos precisos, os puzzles de mexer uma alavanca num sítio que abre uma porta no outro lado do nível infestado de armadilhas estão todos aqui presentes. Lara herda as mesmas habilidades dos jogos anteriores, tal como o sprint temporário ou a possibilidade de se agachar, mas também ganha algumas novas habilidades, como a capacidade de se balancear em cordas, ou disparar algumas armas na primeira pessoa (as que usam mira telescópica). O inventário também foi alterado, deixando de ser o sistema em anel, para um em linha, onde agora podemos combinar alguns items ou mesmo armas. Lara pode também conduzir veículos mais uma vez, e neste jogo existem alguns segmentos em que vamos precisar e bem deles, nem que seja para dar uma de “Carmageddon” em alguns inimigos, ou alcançar outras zonas que de outra forma não seria possível.

Os níveis vão sendo apresentados de uma forma mais encadeada, onde podemos por várias vezes revisitar alguns níveis anteriores. Podemos não, devemos. Neste jogo o backtracking que a série já era conhecida foi expandido de forma a que ao mover uma alavanca num nível, uma porta poderá se abrir num outro nível anterior. Isto para mim é um bocado chato pois por muitas vezes os níveis são labirínticos e nem sempre é fácil memorizar tudo direitinho. Mas isso já é normal nestes primeiros jogos da série.

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O primeiro nível serve de tutorial, e jogamos com uma Lara adolescente

Graficamente o jogo recebeu um facelift, obviamente bem mais perceptível para quem jogar a versão PC com uma resolução maior. Mas mesmo no hardware da Playstation nota-se que Lara está mais curvilînea, os inimigos também estão mais detalhados e as próprias animações foram melhoradas, assim como alguns efeitos especiais, como a àgua e iluminação. Infelizmente, com o jogo a decorrer apenas no Egipto (embora em localidades diferentes como o Vale dos Reis, as grandes pirâmides ou Alexandria), há uma pouca variedade de cenários, comparando com os jogos anteriores onde tanto estavamos na neve, como em selvas ou desertos. Na segunda metade do jogo, quando as coisas na história começam a ficar mesmo más, os cenários vão sendo cada vez mais escuros, coisa que sinceramente não me agradou muito. Infelizmente ainda assim esta engine já começava mesmo a mostrar a sua idade. Embora não esteja a ver a PS1 a fazer níveis 3D não “quadrados”, para mim a série teria tido mais a ganhar se passasse a utilizar uma engine menos restritiva, mesmo na questão dos controlos como já referi atrás. As cutscenes em CG já são outra história, estas aqui têm uma óptima qualidade para a altura.

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Existe uma grande variedade de inimigos, muitos deles sobrenaturais.

Em relação ao som, tal como os jogos anteriores, Tomb Raider é um jogo contido. Na maior parte do tempo vamos ouvindo música mais atmosférica, e nos momentos de maior espanto quando entramos numa área nova, ou resolvemos um puzzle, as habituais bonitas melodias vão surgindo. Nos momentos de maior tensão também vão ter músicas mais aceleradas, como seria de esperar. Os efeitos sonoros apesar de manterem a mesma matriz que caracteriza os primeiros jogos da série foram alterados na sua maioria e o voice acting está completamente OK, na minha opinião.

No fim de contas este é um jogo que para mim é uma espécie de divisor de águas. Enquanto uns o acharam muito bom, para mim é aqui que a curva começa a ficar descendente. Por um lado possui umas cenas de acção bem conseguidas, mas por outro, mantém a mesma jogabilidade que já estava a ficar moribunda, e aumentando ainda mais o backtracking de forma a visitar níveis anteriores. Mas a saga não se ficou por aqui e Tomb Raider Chronicles acabaria por sair ainda com este motor gráfico no ano seguinte, antes de a série se ter finalmente revolucionado. Mas isso será tema para um artigo futuro.

Fear Effect (Sony Playstation)

Fear EffectVoltando agora para a primeira consola doméstica da Sony, para um jogo que, apesar de já ter saído num ciclo já avançado do tempo de vida da plataforma, é na minha opinião um jogo bastante original com diversos novos conceitos de jogabilidade, embora não executados da melhor forma. E os visuais próximos de um cell shading adequam-se perfeitamente às capacidades gráficas da Playstation, conforme irei referir com mais detalhe mais à frente. A minha cópia foi comprada a um particular algures no Verão deste ano, estando em bom estado, porém com o manual em falta. Mas como me custou algo na ordem dos 5€, não me queixo.

Fear Effect - Sony Playstation
Jogo com caixa e os seus 4 discos

Uma das coisas que mais me interessou em Fear Effect, na altura em que saiu, sendo eu um adolescente cheio de borbulhas, era a sua narrativa madura que ainda era algo incomum nos videojogos de então. Fear Effect coloca-nos então no controlo de uma pequena equipa de 3 mercenários, com Hana Tsu-Vachel no papel principal. O jogo decorre então no futuro, em várias regiões da China, onde uma filha de um poderoso homem de negócios desaparece misteriosamente, havendo uma enorme recompensa pela sua procura. Hana, Glas e Deke vão assim infiltrando-se nos meandros de tríades, bordéis e aldeias orientais, até que a história chega a um ponto em que começa a abordar o sobrenatural, com vários zombies e demónios da mitologia chinesa à mistura.

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Alguns puzzles só lá vai por tentativa erro, outros com algumas dicas manhosas

A jogabilidade de Fear Effect tem então algumas peculiaridades interessantes, misturando jogabilidade stealth de Metal Gear Solid, com Resident Evil e os seus cenários e câmara fixa. Mas não é a única semelhança com Resident Evil, pois Fear Effect também herda os seus infames “tank controls“. Mas é o sistema de saúde que achei mais interessante, Fear Effect não tem esse nome por acaso, a saúde dos nossos protagonistas mede-se pelo medo. E as personagens amedrontam-se quando se vêm encurraladas por criaturas estranhas, ou são atingidas. É possível recuperar alguma desse medo ao lutar contra inimigos sem ser atingido, entrar em salas/corredores que não tenham ninguém, ou em alguns momentos específicos, como iniciar ou finalizar uma luta com um boss, ou avançar um momento chave no jogo, geralmente quando se troca de personagem é o que acontece. As componentes stealth são utilizadas para apanhar os inimigos desprevenidos e matá-los com um golpe apenas. Isto dá algum jeito no início, onde os inimigos ainda são algo descuidados, depois existem alguns momentos em que o melhor a fazer é mesmo fugir, com imensos inimigos no ecrã e uma barra de “medo” a crescer vertiginosamente.

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Pois, lá tinha de ter uma shower scene…

O sistema de combate infelizmente também não é muito intuitivo, pois não se consegue apontar correctamente para os inimigos. Felizmente existe uma espécie de auto-aim, até porque é possível disparar para 2 inimigos ao mesmo tempo, se tivermos 2 armas equipadas. De resto o jogo conta com imensos puzzles também à lá Resident Evil, onde a sua resolução muitas vezes é algo confusa e também perigosa, quase que forçando o jogador a salvar o jogo o mais regularmente possível. Para se fazer save também apenas pode ser feito em certos locais, locais esses onde o telemóvel das personagens toca. Nessas alturas podemos então ir ao inventário e seleccionar o telemóvel para gravar o progresso do jogo. Mas tirando estes inconvenientes, gostei bastante da maneira em que a história do jogo vai progredindo, e como as diferentes personagens vão sendo alternadas de forma automática pelo jogo.

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No bordel, equipar Hana com esta indumentária, deixa-a passar despercebida por entre os guardas

Em relação à componente audiovisual, não é por acaso que o jogo está dividido em quatro discos. Os cenários e câmara são fixos sim, mas ao contrário de Resident Evil e outros jogos onde são pré-renderizados, aqui são pequenos segmentos de full motion video a correrem em loop, com as personagens, items, inimigos e outros objectos por cima. Mas o jogo está igualmente repleto de cutscenes que por sinal usam também os mesmos recursos gráficos do jogo. As personagens e inimigos têm um visual muito próximo das animações orientais, e estão renderizados com uma tecnologia muito semelhante ao Cel-shading, que foi posteriormente popularizado em jogos como Jet Set Radio ou o Wind Waker. E devo dizer que resulta maravilhosamente tendo em conta o hardware ainda algo primitivo que as consolas 32bit possuiam para renderizar modelos tridimensionais. Isso, em conjunto com a tecnologia “MotionFX” utilizada nas animações, tornam Fear Effect um jogo muito bonito na Playstation, embora também a custo de loadings constantes. Mas tal como o velhinho Dragon’s Lair (aqui também há várias maneiras de morrer), estes visuais são uma máscara para algumas más decisões de jogabilidade. Por outro lado, mais um ponto positivo: o voice acting também está muito convincente. É daqueles jogos que se unissem todas as cutscenes dava um bom anime.

Infelizmente ainda não cheguei a jogar o Fear Effect 2: Retro Helix, o segundo (e último) jogo que na verdade é uma prequela a este. Pelo que li por aí, melhoraram vários aspectos menos bons deste jogo, mas é algo que tirarei a prova dos nove assim que esse jogo chegar à minha colecção. Não deixo de pensar que se não fosse pelos belos visuais, a história mais matura e as referências sexuais, provavelmente Fear Effect seria um jogo que teria caído no esquecimento.