Vamos lá para mais um artigo super curto, pois é sobre um jogo que sinceramente não me diz muito, mas como “a cavalo dado não se olha o dente”, cá vai. Monster’s Inc é um filme da Pixar que por acaso nunca cheguei a ver mas como seria de esperar, uma adaptação para o mundo dos videojogos seria inevitável. Por essas alturas a GBC ainda era uma portátil importante pelo que também acabou por receber uma adaptação do filme. E como também seria de esperar, o género escolhido acabou por se ficar no platforming. Tal como referi atrás, este jogo foi-me oferecido por um particular, já há uma data de anos atrás.
Jogo, apenas cartucho e mal tratado
Ora como não vi o filme, não posso precisar a 100%, mas suponho que o jogo tente seguir a história e os acontecimentos do filme. Controlamos tanto o monstro grandalhão azul, como seu companheiro, o olho gigante de verde, sendo que ambos têm habilidades diferentes. O azul, apesar do seu tamanho, não consegue atacar inimigos, pelo que deveremos evitar ao máximo o seu contacto directo contra tudo o que mexa. No entanto consegue arrastar objectos, partir algumas paredes finas, ou assustar criancinhas, o que é até pedido logo nos primeiros níveis. Já o baixinho consegue dar duplos saltos e agachar-se para passar por zonas mais estreitas, bem como atacar os inimigos. Para isso devemos coleccionar uma série de latas que vamos ver ao longo dos níveis, que por um lado tanto servem de medidor de vida que nem o Croc, por outro conseguimos ganhar vidas extra se cleccionarmos bastantes. Mas também servem de arma de arremesso, sendo essa a única forma de atacar os inimigos, pelo menos até onde eu joguei. Alguns dos níveis são obrigatoriamente jogados com uma ou outra personagem, mas a partir de certo ponto podemos alternar livremente entre ambos para dar uso das suas habilidades.
Nos primeiros níveis, o objectivo é atravessar quartos de criança cheios de obstáculos e assustá-las no final
No campo do audiovisual, este é um jogo até bem competente. Os gráficos são bastante coloridos, com sprites detalhadas e o pixel art das “cutscenes” até que está muito bem conseguido para uma Gameboy Color. As músicas por sua vez também são bastante agradáveis. Mas enquanto que a nível técnico este Monster’s Inc até acabou por me surpreender pela positiva, as suas mecânicas de jogo não me agradam muito, acabando por tornar este jogo num platformer bastante mediano.
Alladin é mais um jogo da Disney baseado num filme do mesmo nome. Mas é um jogo bastante importante no catálogo da Mega Drive e não só, pois marcou o início de uma nova era de jogos da Disney. Existem 2 grandes versões distintas de Aladdin, uma produzida pela Capcom para a SNES, e uma outra pela Virgin para os sistemas da Sega e outras plataformas como o PC e Amiga. O motivo destas 2 versões distintas prende-se com o facto de que era a Capcom quem detinha a licença da Disney para produzir videojogos, mas apenas para consolas da Nintendo, enquanto que noutras plataformas eram outras as empresas que detinham os mesmos direitos, incluindo a própria Sega. Este jogo entrou na minha colecção há umas semanas atrás, através da oferta de um particular, ao qual agradeço imenso.
Jogo com caixa e manuais
E tal como todas as adaptações de filmes para videojogos, Aladdin tenta seguir fielmente os acontecimentos do filme, pelo menos dentro do que é possível num jogo de plataformas. E nisto lá andamos pelo meio das ruas de Agrabah a fugir à guarda real do Sultão, passando pela misteriosa caverna onde encontramos a lâmpada mágica e por fim vagueamos pelo Palácio Real para dar uma tareia no Jaffar e Iago.
Ao iniciar o jogo temos uma breve explicação do que é o quê e o que faz
A jogabilidade é a de um sidescroller tradicional, onde podemos andar de um lado para o outro, saltar e realizar algumas habilidades “parkour”, ao balancear em estacas ou escalar cordas, defrontar inimigos e ocasionalmente uns bosses da praxe. Os inimigos vão sendo bastantes e com ataques variados, mas Aladdin não está indefeso. Para além da sua espada, podemos também coleccionar maçãs que podem servir como arma de arremesso para lutas à distância. Felizmente essas maçãs são abundantes ao longo de todo o jogo, e podemos carregar até um máximo de 99. E tal como qualquer jogo de plataformas que se preze, o que não falta são itens no ecrã para coleccionar. Para além das já referidas maçãs, temos também itens que restabelecem a energia de Aladdin, pedras preciosas que podem ser trocadas por vidas ou continues nos vendedores ambulantes que vão surgindo nos vários níveis, checkpoints, vidas extra e itens que nos levam a níveis de bónus, que tanto podem ser do Génio da Lâmpada, ou do macaco Abu. Nos níves de Abu, controlamos o pequeno macaco num ecrã fixo, onde tem de se esquivar dos objectos que vão caindo de cima e apanhar as jóias que também vêm à mistura. Já os níveis do génio, se é que podem ser chamados assim, são bastante simples. Vemos uma espécie de uma roleta de itens dentro da boca do génio, com os itens a alternar de forma aleatória. Sempre que pressionarmos um botão, ficamos com o item que aparecia no ecrã no momento, se porventura tivermos azar e escolhermos o Jaffar, então o nível bónus termina.
Este é um dos vários jogos que possui uma intro da SEGA customizada
Mas vamos avançar para a questão do audiovisual pois é mesmo aqui que Aladdin realmente brilha. Este jogo é bastante conhecido pelas suas animações fantásticas. Liderado por David Perry, que mais tarde veio a fundar a Shiny Entertainment (estúdio que nos trouxe jogos como Earthworm Jim ou MDK), este Aladdin teve o apoio de animadores da Disney, que contribuiram para que as sprites do jogo para além de serem bem grandinhas e detalhadas, possuem frames de animação deliciosos. A expressão facial do Abu, em especial nas animações que vemos no ecrã do final de cada nível está fantástica. Vou mesmo mais longe, ainda hoje acho que há muitos jogos deste género que não têm a fluidez de animação que este Aladdin de 1993 (raios, já passaram mais de 20 anos??). Por outro lado, os níveis também vão sendo variados dentro dos possíveis, visto que o jogo decorre nos mesmos ambientes do filme. Mas mais uma vez, o detalhe gráfico nos próprios níveis também é bem acima da média e este é também um jogo que faz um excelente uso do máximo de 64 cores em simultâneo que a Mega Drive apresenta nativamente.
Entre cada nível há uma cutscene que nos vai pondo ao corrente da história, para quem não conhecer o filme.
Tendo em conta as limitações de som da Mega Drive face à SNES, os efeitos sonoros de Aladdin são bons, mas a música é muito superior. Repleto de melodias memoráveis que vieram do filme, foram muito bem adaptadas ao chiptune da Mega Drive, resultando em músicas que ficam na cabeça muito depois de termos desligado a consola e a TV.
O detalhe das sprites e suas animações é excelente para um jogo de 1993
Esta é uma análise algo curta para um dos melhores sidescrollers existentes na biblioteca da Mega Drive, mas o essencial foi dito. Para além da versão Mega Drive, este jogo também tem um lançamento para PC e Amiga, que naturalmente possuem um nível de detalhe maior. A versão SNES, produzida pela Capcom, apesar de não ser a minha versão preferida, é também um excelente jogo de plataformas, tal como a Capcom tão bem nos habituou.