Disney’s Magical Mirror Starring Mickey Mouse (Nintendo Gamecube)

14326_frontContinuando com as rapidinhas, hoje revisitarei a Nintendo Gamecube, uma das minhas plataformas preferidas, mas que não tenho tido tempo para a jogar. E o jogo que cá trarei hoje é um dos seus mais antigos exclusivos, um jogo de aventuras point and click com o rato Mickey e produzido pela Capcom. Sinceramente é um jogo que não fazia parte da minha wishlist, apenas o comprei por ser um exclusivo que poderia vir a falar no Crónicas Cúbicas, uma rubrica do meu canal que estará para ser relançada em breve. E o meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na Cash Converters de Alfragide, por cerca de 3€.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Disney’s Magical Mirror era um jogo que não fazia parte da minha wishlist por ser uma aventura demasiado simplista e infantil. Aqui encarnamos no rato Mickey que, a meio de uma noite de sono, vê o seu espírito ser “sugado” pelo espelho do seu quarto para uma outra dimensão, uma mansão aparentemente abandonada. Ao explorar a primeira sala, logo vemos  que algo está mal, e teremos a presença quase constante de um irritante fantasma que passará o tempo todo a nos pregar partidas. Para voltar ao seu mundo, Mickey terá de explorar a mansão de forma a encontrar todas as peças do espelho mágico que servirá de portal para o levar de volta ao seu quarto.

Este é o espelho que será partido em 12 pedaços e que teremos de reconstruir para voltar a casa
Este é o espelho que será partido em 12 pedaços e que teremos de reconstruir para voltar a casa

Dito isto, o resto do jogo é um simples point and click, onde o analógico servirá de rato apontando para onde nos devemos mover, interagir com objectos, abrir portas, etc. De forma a progredir no jogo teremos de encontrar e usar vários tipos de itens como uma lanterna para atravessar uma caverna escura, chaves para destrancar portas, entre outros. Muitas vezes encontramos estrelas e “star containers” que nos aumentam o número máximo de estrelas que podemos carregar. Estas servem para executar os tricks, algumas acções que em 90% envolvem partidas entre o fantasma e o mickey. Partidas essas que muitas vezes resultam em desbloquear algum item ou situação. Por vezes também iremos participar em mini-jogos, alguns rítimicos que fazem lembrar jogos como Dance Dance Revolution ou os futuros Guitar Heroes, outros mais tradicionais como descer uma encosta numa prancha de snowboard ou um minijogo onde temos de destruir barris de madeira, de uma forma muito semelhante a um certo Street Fighter II…

Apenas nos podemos mover onde o ponteiro ficar branco, indicando portas ou objectos que podem ser interagidos. Como o ângulo da câmara é fixo, por vezes torna-se complicado avançar para onde queremos
Apenas nos podemos mover onde o ponteiro ficar branco, indicando portas ou objectos que podem ser interagidos. Como o ângulo da câmara é fixo e não mostra tudo, por vezes torna-se complicado avançar para onde queremos

Agora as coisas que não gostei nada:A movimentação. Bom, não nos podemos mover para onde queremos, o que é uma chatice visto o jogo ter ângulos de câmara fixos que vão alterando mediante a nossa posição na sala. Apenas nos podemos mover para objectos que podem ser interagidos, o que não faz sentido nenhum. Sendo um jogo point and click, bastaria apontar e clicar para o local onde queremos levar o Mickey, mas isso não acontece. Apenas podemos levar o Mickey para onde o ponteiro “acende”, os tais objectos ou portas que podem ser interagidos. Depois perde-se imenso tempo entre acções. Abrir uma porta, usar um item do inventário são acções que deveriam ser simples, mas antes de as podermos executar temos de ver imensas animações infantis que não podem ser passadas para a frente. O mesmo acontece ao repetir os tricks que por algum motivo podemos ter falhado (alguns requerem pequenos QTEs ou outros tricks para serem feitos em cadeia). Uma vez feito a parte jogável do trick, deveria dar para avançar a cutscene.

Os star containers servem para aumentar o número de estrelas que podemos carregar
Os star containers servem para aumentar o número de estrelas que podemos carregar

Fora isso, é um jogo bastante simplista e infantil, como já referi. Até porque existe um “Kids mode” para além do modo normal, onde Mickey vai avançando sozinho na casa e apenas teremos de fazer algumas acções de vez em quando. No que diz respeito aos audiovisuais, é também um jogo simples, até porque foi lançado no início do ciclo de vida da Gamecube. É um jogo bastante colorido e relativamente bem detalhado, embora note-se perfeitamente que ainda deixa um pouco a desejar em alguns campos como os efeitos de luz. De resto, as músicas e efeitos sonoros são tipicamente Disney: O Mickey continua com aquela vozinha irritante, e as músicas são sempre bastante alegres.

Posto isto, Disney’s Magical Mirror é um point and click que apesar de ser nitidamente pensado para um público bastante jovem, poderia e deveria também ser um pouco melhor nas suas mecânicas de jogo, em especial a de movimento e de transições para se usar itens no inventário, onde se perde muito tempo em ver o Mickey a fazer expressões faciais inúteis. De bom, gostei das referências a jogos como Devil May Cry ou Street Fighter II, bem como de alguns filmes clássicos da Disney.

Resident Evil: Darkside Chronicles (Nintendo Wii)

Resident Evil The Darkside ChroniclesO Resident Evil Umbrella Chronicles para a Wii foi um jogo interessante, onde para além de recontar alguns dos acontecimentos vividos nos Resident Evil Zero, REmake, Resident Evil 3 Nemesis, ainda contava também com alguns capítulos extra, tanto passados em simultâneo com os acontecimentos narrados nesses jogos, como outros completamente inéditos. Tudo isto com uma jogabilidade muito similar à dos light gun shooters clássicos de arcade, mas com bem mais conteúdo do que um The House of the Dead clássico, por exemplo. Mas ainda assim havia margem para melhorar e não muito tempo depois a Wii acabou por receber um outro jogo deste género, o Darkside Chronicles, cujo meu exemplar foi comprado na mesma altura, na mesma Cex, mas mais barato, custando-me 6€. Se este é um jogo melhor que o seu predecessor, já lá vamos.

Jogo completo com caixa, manual e papelada
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Aqui são narrados parte dos eventos decorridos no Resident Evil 2 e Code Veronica, com uma vez mais com um capítulo extra (Operation Javier) decorrendo algures na América Latina, com Leon e Krauser (sim, um dos vilões do Resident Evil 4) como companheiros e protagonistas. A primeira diferença face ao Umbrella Chronicles está precisamente aí. Enquanto o antecessor tinha vários níveis extra com histórias inéditas, os mesmos eram mais curtos. Aqui temos apenas a Operation Javier, mas que por sua vez possui uma campanha quase tão longa quanto os capítulos alusivos ao Resident Evil 2 e Code Veronica.

Operation Javier é passada numa america latina bem solarenga, ao contrário dos outros capítulos
Operation Javier é passada numa america latina bem solarenga, ao contrário dos outros capítulos

A nível de controlos também houveram algumas mudanças. A mais drástica a meu ver é o facto das granadas já não terem um botão próprio para serem seleccionadas. Agora podemos sempre carregar com 4 armas distintas (com granadas ou não), com cada uma a ficar assignada a uma direcção do analógico do nunchuck. Por outro lado, podemos alterar o load out de armas disponíveis a qualquer momento do jogo com recurso a um menu próprio para isso, logo que já tenhamos desbloqueado essas mesmas armas. E as munições que apanhamos vão sendo transitadas nos vários capítulos. Ainda nas armas, mais uma vez elas podem ser alvo de upgrades, desta vez sendo possível fazer upgrades a várias categorias de forma separada, como o poder da arma, impacto, tempo de reload, ou capacidade. Isso é feito através de ouro, que tanto pode ser encontrado ao longo do jogo (quer a olho nu, quer através da destruição de objectos), e também com os pontos que nos são atribuídos no final de cada nível, onde é medida a nossa performance. A destruição de objectos, para além de ouro adicional pode também revelar ficheiros para serem lidos nos arquivos, ou armas/munições, pelo que é uma boa ideia disparar para tudo quanto é sítio, com o revólver normal visto que tem munições infinitas.

Os bosses também são frequentes, embora o Mr. X, tal como o Nemesis no RE3 seja recorrente no RE2
Os bosses também são frequentes, embora o Mr. X, tal como o Nemesis no RE3 seja recorrente no RE2

Existem também outros extras como um sistema de achievements interno, ou uma espécie de bestiário, com os diferentes tipos de zombies e criaturas que encontramos, bem como algum histórico das personagens mais relevantes. Existe ainda um outro modo secreto que podemos desbloquear, onde os zombies são substituidos por nacos gigantes de tofu. Terá sido alguma boca endereçada a grupos ambientalistas?? De resto convém também referir que este é um jogo on-rails e practicamente todo linear, onde por vezes podemos optar por qual caminho a seguir.

Outro dos extras desbloqueáveis são novas vestimentas para as personagens principais.
Outro dos extras desbloqueáveis são novas vestimentas para as personagens principais.

No que diz respeito aos audiovisuais, narrativa e acção em si também podemos verificar que existem aqui umas quantas mudanças. A primeira, e talvez a mais gritante, é a forma mais “realista” como a câmara foi implementada. Esta agora é muito dinâmica, abanando muito mais  que no primeiro jogo, como que reflectindo os movimentos da cabeça dos protagonistas. Isto torna a tarefa de destruir objectos dos cenários muito mais complicada. Também vão haver vários inimigos que não é obrigatório os destruirmos e a time window que temos para o fazer é muitas vezes reduzida. Depois a narrativa é mais extensa, há muitos mais diálogos que no primeiro jogo. A nivel gráfico, este sim, sofreu um belo upgrade face ao primeiro lançamento. Aqui tanto os cenários quanto as personagens são muito melhor detalhados, algo que é bem mais notório na Operation Javier, e as suas paisagens rurais e naturais bem coloridas e detalhadas. No audio não tenho nada a apontar, desde os efeitos sonoros como o voice acting que são competentes. A música também vai alternando entre melodias mais tensas ou mais aceleradas consoante o ritmo impulsionado pelo desenrolar da acção.

Invasão de Tofus! Não sei onde eles tinham a cabeça!
Invasão de Tofus! Não sei onde eles tinham a cabeça!

Em suma, este Darkside Chronicles é para mim um lançamento com resultados mistos. A nível gráfico é um jogo muito superior ao primeiro, e a forma como são feitos os upgrades nas armas também é algo que me agradou mais. No entanto, a câmara não tão fixa acabou por dificultar um pouco as coisas, principalmente quando queremos tentar procurar o máximo possível de itens escondidos. Depois, apesar da Operation Javier ter sido satisfatória quanto baste, o Umbrella Chronicles continha mais pequenos capítulos extra que teriam sido interessantes de colocar aqui também.

Resident Evil Umbrella Chronicles (Nintendo Wii)

Resident Evil Umbrella ChroniclesNa semana passada aproveitei para tirar algum pó à Nintendo Wii. Como eu não gosto quase nada de usar o Wiimote, tenho sempre evitado ligá-la, até porque grande parte dos jogos que possuo não suportam outros acessórios como o Classic Controller ou o fiel comando da Gamecube. No entanto, até que dou o braço a torcer em jogos do estilo de lightgun shooter, em que o Wiimote acaba por se enquadrar muito melhor, não deixando porém de ser algo desconfortável de usar em sessões de jogatana algo mais longas. Este Resident Evil Umbrella Chronicles é na sua essência um jogo deste género e que para ser sincero até me agradou bastante. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na CEX do Porto, creio que me custou 7€ se a memória não me falha.

Jogo completo com caixa, manual e papelada
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Neste jogo, os eventos de Resident Evil Zero, Remake e 3 são resumidos e recontados, na perspectiva de diferentes duplas de personagens, como Rebecca Chambers e Billy Cohen, Chris Redfield e Jill Valentine, ou Jill Valentine e Carlos Oliveira, nos 3 jogos respectivos mencionados acima. É então encorajada uma jogabilidade cooperativa para 2 jogadores, com cada jogador a tomar o papel de uma das personagens referidas. No entanto, na verdade este Umbrella Chronicles é mais que isso. Para além de recontar os eventos principais desses 3 jogos , temos outros novos capítulos que narram alguns acontecimentos com a Umbrella pós o desastre de Raccoon City, bem como outras pequenas histórias, que atravessam os 3 jogos: Como Rebecca Chambers e Richard Aiken chegaram à Spencer Mansion, o que aconteceu ao Wesker após ter sido derrotado na recta final do primeiro Resident Evil, ou como Ada Wong ou Hunk escaparam de morte certa no final do Resident Evil 3 Nemesis eram aperitivos bem apetitosos para qualquer fã de Resident Evil que se preze.

Neste jogo iremos revisitar vários locais familiares, mas por vezes com outros pontos de vista (o de Wesker, por exemplo)
Neste jogo iremos revisitar vários locais familiares, mas por vezes com outros pontos de vista (o de Wesker, por exemplo)

A nível de mecânicas de jogo, estes são bem mais lineares e on-rails do que a série Gun Survivor da Capcom. São muito mais fiéis ao conceito de light gun shooter. Começamos o jogo munidos de um revólver com munição infinita, mas poderemos ir encontrando várias outras armas como diversos tipos de armas automáticas, shotguns, lança granadas e rockets, armas essas que inicialmente não possuem munições infinitas e devem ser usadas com alguma cautela. Granadas normais são também usadas à parte e são extremamente úteis para destruir grandes ondas de inimigos, algo mais comum nos níveis mais avançados. Itens como as ervas e first aid kits podem também ser encontrados e servem para regenerar alguma da nossa vida. No caso das ervas o efeito é instantâneo mal as apanhemos, já os sprays são usados automaticamente se fôssemos perder uma vida. A destruição de objectos nos cenários é fortemente encorajada, tanto para encontrar itens escondidos como as armas e munições acima referidos, mas também para descobrir aqueles tradicionais ficheiros com informações da história e personagens do mundo de Resident Evil.

Por vezes temos alguns QTEs para executar, principalmente nos confrontos com os bosses.
Por vezes temos alguns QTEs para executar, principalmente nos confrontos com os bosses.

Algumas destas missões secundárias apenas podem ser desbloqueadas se tivermos uma boa performance em alguns dos níveis, e o número de objectos destruídos, ficheiros encontrados bem como a quantidade de críticals que conseguimos inflingir (headshots certeiros que “matam” os zombies com um só tiro) são parâmetros tidos em conta! E apesar de ser um jogo on rails, por vezes temos alguma não linearidade, com a possibilidade de explorar salas opcionais (em alguns casos isso apenas acontece se destruirmos certas portas), ou mesmo tomar alguns caminhos alternativos. Mas no geral tudo leva-nos ao mesmo desenrolar da história e como não poderia deixar de ser, temos sempre um boss no final de cada nível. E apesar de não haver nenhum puzzle como nos jogos originais, as referências aos mesmos podem ser vistas ao encontrarmos alguns objectos especiais, que são posteriormente adicionados em galerias.

No que diz respeito aos audiovisuais, é um jogo que francamente deixa um pouco a desejar, para quem jogou o Remake e o Zero na Gamecube na sua altura de lançamento, como é o meu caso. É verdade que esses jogos possuem gráficos pré-renderizados, o que lhes confere um nível de detalhe muito superior aos que são aqui mostrados. Mas essa degradação do detalhe gráfico é também notória nos modelos das personagens principais, que outrora estavam muito melhor detalhadas que aqui. É certo que Raccoon City está muito mais bonita graficamente neste jogo que as suas versões originais de Playstation, mas no que ao resto diz respeito acho que deixou um pouco a desejar. O Resident Evil 4 para a Gamecube não tinha nada pré-renderizado e mesmo assim tinha melhor aspecto que isto, mas também foi desenvolvido pelas principais equipas de desenvolvimento da Capcom, ao contrário deste Umbrella Chronicles. Mas os gráficos também não são propriamente maus, eu é que sinceramente estava à espera de algo um pouco melhor. No que diz respeito à banda sonora e voice acting não tenho nada a apontar, são ambos competentes. Apenas acho que em algumas situações a música é mais upbeat do que deveria ser, já noutras é tão tensa que acaba por ser bem adequada.

No final de cada nível a nossa performance é recompensada com uma nota. Para além disso são-nos atribuidas estrelas que podem posteriormente ser utilizadas para fazer upgrades às armas que desbloqueamos
No final de cada nível a nossa performance é recompensada com uma nota. Para além disso são-nos atribuidas estrelas que podem posteriormente ser utilizadas para fazer upgrades às armas que desbloqueamos

Sinceramente, mesmo não sendo um jogo que prime pelo seu esplendor gráfico, acho esta uma entrada muito interessante no catálogo da Wii e no da série Resident Evil em geral. Apesar de eu ser um fã de light gun shooters, o que por si só já seria algo não muito imparcial da minha parte, acho que o conteúdo extra que é aqui introduzido para a história da saga já vale a pena para todos os fãs. Este jogo e a sua sequela (Darkside Chronicles, que espero começar a jogar nos próximos dias) foram também lançados numa compilação para a Playstation 3, com visuais um nada melhores (simplesmente com uma maior resolução), pelo que essa versão também vos poderá ser pertinente.

Resident Evil 3: Nemesis (Sega Dreamcast)

Resident Evil 3O outro artigo extremamente breve de hoje é a versão Dreamcast do Resident Evil, cujo jogo já foi aqui abordado na sua incarnação para a Gamecube que poderão ler na íntegra aqui. Esta versão para a Dreamcast foi comprada recentemente, num bundle de Dreamcast que lá me apareceu por 15€.

Jogo com caixa, manual e papelada
Jogo com caixa, manual e papelada

E então em que se difere esta versão da versão Gamecube? As únicas diferenças realmente visíveis é o facto do modo Mercenaries e os uniformes extra estarem desbloqueados logo de início, para além do que existem 2 uniformes extra que a versão Gamecube não tem. Para além disso, no gameplay, o VMU da Dreamcast serve para mostrar o estado  de vida, algo útil que evita uma ida ao menu só para verificar isso. A outra possível diferença está nos gráficos. Há quem diga que a versão Gamecube, como sendo uma conversão directa da versão PS1, tenha gráficos ligeiramente inferiores aos da Dreamcast, mas sinceramente não notei grandes diferenças. São ambos superiores à versão PS1 no entanto, quanto mais não seja pela maior resolução.

Street Fighter II (Nintendo Gameboy)

Street Fighter IIPrevejo que esta vai ser uma semana bem complicada de trabalho, portanto vamos lá continuar com as rapidinhas. E a rapidinha de hoje é a conversão para Gameboy do jogo de luta mais famoso de sempre, o Street Fighter II. E naturalmente escusado será dizer que é uma conversão muito, muito aquém do lançamento original. Este meu cartucho foi comprado na cash converters de Alfragide por cerca de 2€.

Apenas cartucho
Apenas cartucho

Todos nós conhecemos o Street Fighter II, e o quão importante este videojogo foi, por marcar definitivamente um padrão de um género de videojogos que ainda não tinha uma identidade muito própria. Excelente jogabilidade, gráficos, música, personagens bem diferentes entre si e carismáticas quanto baste tornaram o Street Fighter II num dos maiores sucessos de sempre das arcadas, com imensas revisões e conversões para outros sistemas e claro, com o seu sucesso deu-se uma explosão de fighting games, alguns meros imitadores, outros  que ousavam em fazer algo diferente. E no meio dessa miríade de conversões, a Game Boy também recebeu uma versão já algo tardia, em 1995.

Mesmo com o downgrade gráfico, as arenas continuam inconfundíveis
Mesmo com o downgrade gráfico, as arenas continuam inconfundíveis

Naturalmente é uma versão com alguns cortes, pois o hardware da Gameboy não é de todo o mais indicado para receber uma conversão fiel à arcade por várias razões. A primeira é a falta de botões necessários para se poder desencadear uma série de golpes. A maneira de diferenciar entre um soco/pontapé forte ou fraco depende do tempo que mantivermos o dedo a pressionar o botão respectivo, o que é algo que vai atrapalhar um bocado. A outra restrição óbvia é o ecrã monocromático deixando as personagens sem quaisquer uniformes alternativos. É possível por o Ryu a lutar contra outro Ryu, mas vão ser indistinguíveis no ecrã. Mas esta versão tem também mais cortes, como a não inclusão de algumas das personagens jogáveis como o Dhalsim, E. Honda e Vega.

Os modos de jogo disponíveis nesta versão
Os modos de jogo disponíveis nesta versão

E se a nível de jogabilidade esta é uma versão que naturalmente deixa muito a desejar, o seu desempenho técnico também, com os movimentos das personagens a serem muito pouco fluídos. A nível gráfico propriamente dito a Gameboy faz o que pode. Os cenários são tão parecidos quanto possível aos originais, embora com menos detalhes. O design das personagens é inspirado nas sprites da versão Super Street Fighter II  e as músicas, embora com um chiptune 8bit, mantêm a sua essência e continuam a ser bastante agradáveis. Sinto é a falta das vozes digitalizadas, e ouvir coisas como Sonic Boom ou Shoryuken!

Elenco reduzido na conversão para a Gameboy
Elenco reduzido na conversão para a Gameboy

Posto isto, esta para mim é uma versão do Street Fighter II que vale a pena mais pela curiosidade em ver o downgrade necessário para meter essa pérola a correr em hardware bem mais limitado. Isso ou se estiverem nalguma ilha deserta e as baterias da PSP ou Gameboy Advance já se tiverem esgotado.