SiN (PC)

Produzido pela malta da Ritual Entertainment, que tinham desenvolvido anteriormente uma expansão para o primeiro Quake, este SiN é um interessante FPS que usa o motor gráfico do Quake 2 por base. Lembro-me perfeitamente de se falar deste jogo na altura em que saiu, mas o meu velhinho Pentium 133MHz já não o conseguia correr, pelo que só peguei nele muitos anos depois, quando os meus pais me ofereceram um Pentium 4. No que diz respeito ao coleccionismo, no entanto, só mesmo no mês passado é que lá me surgiu a possibilidade de comprar um exemplar, depois de o ter visto numa feira de velharias por 2€.

Jogo na sua caixa jewel case. A big box não apanhei.

O jogo decorre no futuro, onde encarnamos no John Blade, um coronel de uma empresa privada de segurança que é contratada para interceptar um mega assalto que estava a decorrer a um poderoso banco lá na cidade. À medida que vão investindo contra os bandidos, Blade apercebe-se que os assaltantes estão ligados à Sintek, uma outra mega corporação com as suas próprias forças militares. E à medida que vamos progredindo no jogo vamo-nos também aperceber que a Sintek, liderada pela sexy vilã Elexis Sinclaire, está por detrás de umas experiências genéticas questionáveis, bem como a preparar-se para lançar o seu plano de dominar o mundo. Claro que iremos estragar os seus planos!

Logo no primeiro nível teremos também alguns reféns para salvar

A nível de jogabilidade, este é ainda um FPS da velha guarda, onde podemos carregar com um poderoso arsenal de diferentes armas, bem como teremos de ter em conta diversos outros power ups como equipamento de armadura e medkits para regenerar a nossa barra de vida. No entanto tinha também algumas inovações, como a possibilidade de alvejar partes diferentes do corpo dos adversários (algo bem mais explorado no Soldier of Fortune), alguns segmentos mais furtivos onde não podemos ser descobertos, bem como teremos ocasionalmente a oportunidade de conduzir alguns veículos.

Este é também um daqueles jogos com inúmeras referências aos seus competidores

A nível audiovisual, bom para a altura em que o jogo saiu, era realmente impressionante pois usava uma versão melhorada do motor gráfico do Quake 2, que lhe permitia apresentar gráficos em 3D bem detalhados e efeitos de luz interessantes. Os níveis são grandinhos e bem detalhados, representando o tal banco a ser roubado, mas também os túneis do metro por onde os bandidos escapam, bem como diversas zonas urbanas, industriais ou até um mega complexo submarino. No que diz respeito à apresentação, bom este seria um jogo seguramente muito criticado se fosse lançado actualmente, pois está repleto de conteúdo algo sexista. Mas passando para o som, o jogo possui um voice acting bem competente para a época, bem como uma banda sonora electrónica, se bem que mais calma do que estaria à espera.

A cutscene final fez-me lembrar um certo filme em que entra a Sharon Stone

Este Sin é portanto um FPS muito interessante e competente para a época em que saiu. Foi no entanto completamente obfuscado pelo Half Life que saiu na mesma altura, isso e o jogo estar repleto de bugs terríveis por altura do seu lançamento, que foram entretanto corrigidos em versões mais recentes. No entanto o dano já estava feito e só anos mais tarde é que a Ritual tentou reviver a série com o SiN Episodes. Este seria um jogo completo lançado ao longo de 9 episódios, mas apenas o primeiro acabou por ver a luz do dia, e mesmo esse sinceramente não me traz grandes memórias. É pena.

Call of Duty Modern Warfare 3 (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, ficamos agora com mais um Call of Duty, desta vez para o terceiro capítulo da sub-série Modern Warfare, lançada originalmente em no final de 2011 pelos veteranos da Infinity Ward. Já o meu exemplar, lembro-me de o ter comprado no Jumbo de Alfragide, algures em Abril de 2013, por 15€. Ah, bons tempos onde ainda se encontravam os jogos AAA em formato físico para PC em qualquer esquina. É que eram sempre os primeiros a cair de preço!

Jogo com caixa e manual

A história continua os eventos retratados nos dois Modern Warfare lançados anteriormente, onde os E.U.A. e a Rússia tinham entrado em guerra, cujo conflito foi orquestrado por uma rede terrorista liderada por Vladimir Makarov. Então a narrativa vai-se focar em duas frentes principais: o confronto contra as forças Russas em solo norte-americano e Europeu, bem como uma série de operações mais furtivas no encalço de Makarov, lideradas pelos membros sobreviventes da Task Force 141, Soap, Yuri e o badass Captain Price.

A campanha traz de volta algumas caras conhecidas dos MW anteriores

Portanto, no que diz respeito à campanha single player, que devo dizer que é bem curtinha, vamos tendo diversas missões com objectivos distintos, desde reconquistar posições estratégicas, sabotar/destruir estruturas inimigas, ou operações mais furtivas onde é imperativo passarmos despercebidos. Tal como nos Call of Duty anteriores, apenas podemos equipar 2 armas de cada vez e a vida é regenerativa. Ocasionalmente poderemos utilizar outro tipo de equipamento, como comandar drones de suporte, ou indicar posições inimigas para serem alvo de artilharia. Quando temos de ir desbravando terrendo sob fogo inimigo, a fórmula é sempre a mesma: ir limpando as ruas de soldados inimigos e avançar lentamente. À medida que o vamos fazendo, as nossas forças também nos vão acompanhando e conquistam essas posições aos poucos, precavendo que os inimigos as ocupem novamente.

O conflito é levado até vários países Europeus,incluido a França e sua capital

De resto, para além da campanha single player (já disse que esta é bastante curta?) temos o modo multiplayer que, no caso dos Call of Duty, é sempre aquele que acaba por agarrar mais os seu público alvo. Mas não foi o meu caso, pelo que não me posso alongar. Temos modos cooperativos e competitivos, onde nos primeiros temos o regresso dos Special Ops, pequenas missões cooperativas e o modo Survival, onde teremos de defender a nossa posição face a ondas inimigas cada vez mais numerosas. Depois lá temos o multiplayer competitivo, que é certamente o que os fãs de Call of Duty gastam mais tempo. Não é o meu caso pois tenho muito mais para jogar, pelo que não vale a pena estar a escrever de algo que nem sequer experimentei.

Como seria de esperar, o jogo possui uma fortíssima componente multiplayer, que eu acabei por não explorar

A nível audiovisual, nada de especial a apontar. É um jogo que apresenta cenários variados, desde paisagens urbanas em Nova Iorque, Paris ou Berlim, bem como aldeias remotas em África ou outros locais mais invulgares, como uma missão a bordo do avião presidencial Russo. Graficamente não esperem por grandes melhorias face aos jogos anteriores pois o motor gráfico é practicamente o mesmo. Há alguns pequenos melhoramentos visuais, como alguma geometria adicional nos cenários. Os personagens e suas expressões faciais pareceram-me mais bem conseguidas também. De resto, no que diz respeito ao voice acting e som no geral, nesse campo a série sempre foi excelente e aqui não tenho nada a apontar.

Portanto para este Call of Duty Modern Warfare 3, tenho de o analisar apenas pela sua campanha single player, que já na altura não era de todo o factor mais importante para a maioria dos seus fãs. E a sua campanha, apesar de competente e variada, é extremamente curta. Demorei cerca de 5h a passar a campanha num nível de dificuldade médio, e ainda tive algumas pausas pelo meio para alguns telefonemas mais longos. Mas a jogabilidade é sólida e claro, para quem gosta de jogos multiplayer, certamente que encontrou aqui muitas horas de divertimento. No meu caso não justificaria o full price.

Call of Duty: Black Ops (PC)

Produzido pela Treyarch, que já nos tinha trazido no passado o Call of Duty World At War, e sendo lançado uma vez mais no meio da série Modern Warfare da Infinity Ward, a Treyarch decidiu desta vez apresentar-nos um jogo que decorre em plena Guerra Fria nos anos 60. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, creio que na Game do Maia Shopping e se bem me recordo custou-me uns 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A  história centra-se à volta de Alex Mason, um operativo norte-americano da CIA, que está a ser interrogado e vamos revivendo várias das missões secretas em que participou entre 1961 e 1968, a começar por uma tentativa falhada de assassinato do Fidel Castro em Havana, onde acabou por ser feito prisioneiro e enviado para uma prisão soviética. As restantes missões irão-nos revelar como Mason conseguiu escapar-se da prisão Soviética, bem como outras missões que nos colocarão no encalço de uns certos alvos Soviéticos que estão a preparar um ataque de larga escala nos Estados Unidos. Iremos então visitar vários teatros de guerra como o Vietname, Laos, Hong Kong, mas também algumas localizações no União Soviética. Sinceramente gostei bastante da campanha. Acho o período da Guerra Fria um período muito interessante da nossa história moderna, e todo o conceito de espionagem, contra-informação e os sleeper agents estão aqui bem representados.

O nosso arsenal é bastante vasto. Uma shotgun com cartuchos incendiários? Sim por favor!

Tal como muitos outros Call of Duty modernos, teremos um grande arsenal de armas de diferentes exércitos que poderemos vir a usar, embora apenas possamos carregar com 2 armas de cada vez, mais granadas e ocasionalmente teremos também de usar outro tipo de equipamentos, como os “marcadores” de alvos para artilharia. Vamos tendo missões variadas, umas com um maior foco em abordagens furtivas, outras grandes perseguições de veículos, ou mesmo uma missão onde pilotamos um BlackBird para a estratosfera e estamos a suportar uma missão de infiltração na superfície. Ocasionalmente também vamos tendo outros momentos interessantes, por exemplo adorei quando descemos um rio de barco, a destruir imensas estruturas do exército vietnamita, ao som de Sympathy for the Devil dos Rolling Stones, foi um momento muito Apocalypse Now! De resto, para além da curta campanha o jogo trouxe uma vez mais o seu modo Zombies, que já tinha sido introduzido no World At War, também da Treyarch. Este é um modo de jogo cooperativo, onde teremos de defender uma base de ataques zombies cada vez mais numerosos e agressivos. Sinceramente não perdi muito tempo com isto, até porque não tinha ninguém com quem jogar. O modo multiplayer competitivo também foi algo que não experimentei, mas tradicionalmente os Call of Duty são muito fortes nesse aspecto, ao introduzir vários modos de jogo, pontos de experiência que nos irão desbloquear novas armas e a possibilidade de as customizar ao nosso gosto.

Ocasionalmente teremos de controlar alguns veículos. Felizmente os helicópteros são bem mais fáceis de controlar que no Battlefield

A nível audiovisual, este Black Ops é um jogo que usa um motor gráfico já algo antigo, sendo derivado do próprio World At War. Portanto não esperem por um jogo que possua muita geometria nos cenários e modelos com muitos polígonos, mas ainda assim é um jogo que cumpre bem o seu papel. Os níveis vão sendo algo variados entre si, desde uma cidade de Havana desvastada pela guerra no início da década de 60, passando por vários níveis na Ásia, uns nas selvas de Laos e Vietname, outros mais urbanos como em Hong Kong. Outros níveis na Sibéria em instalações militares Soviéticas ou mesmo a cena do escape da prisão Soviética vão-nos levando ao longo de cenários algo distintos entre si. E sendo um jogo que se passa durante a década de 60, vamos ver imensa tecnologia retro espalhada ao longo dos seus vários níveis. O voice acting e o som no geral é bem competente, já a música possui até algumas músicas de artistas licenciados, como os já referidos Rolling Stones ou Creedence Clearwater Revival, bem como alguns artistas mais modernos nos seus modos multiplayer.

O jogo possui também os seus segredos, como este mini jogo escondido

Portanto este Call of Duty Black Ops, tenho de o analisar apenas pela sua campanha single-player, visto que não perdi tempo com os seus modos multiplayer, que seriam certamente os modos de jogo onde a sua comunidade de jogadores torrou mais tempo. E devo dizer que gostei bastante da sua campanha, mesmo sendo bastante curta. Mas tendo em conta que apenas tinha pago 10€ pelo jogo novo, acho que foi um valor mais que justo tendo em conta o que tirei do jogo. Estou curioso em ver como a Treyarch evoluiu este arco da história nas suas sequelas, mas o próximo Call of Duty que jogarei será mais um jogo da Infinity Ward, o Modern Warfare 3.

Blue Stinger (Sega Dreamcast)

Sendo eu um grande SEGA fanboy na minha infância e adolescência, acompanhei com grande expectativa o lançamento da Sega Dreamcast, tanto no Japão, como nos EUA e claro, por cá no nosso continente. E a Dreamcast, quando finalmente foi lançada cá em 1999, até que possuía um catálogo de jogos de lançamento interessante, sendo que este Blue Stinger, produzido pela Climax (Landstalker, Dark Saviors, etc) sempre foi um dos que me despertou mais interesse, embora nunca tenha tido a oportunidade de o jogar antes. O meu exemplar foi comprado a um particular por uns 16/17€ salvo erro, algures em Maio do ano passado.

Jogo com caixa e manual

Por esta altura o género dos survival horrors era um dos mais populares da indústria, muito por culpa de jogos como Resident Evil e Silent Hill. E este Blue Stinger tenta replicar as mecânicas de jogo base desse tipo de jogos, onde teremos de enfrentar vários monstros, resolver alguns puzzles e procurar uma série de chaves ou cartões para abrir certas portas. Mas nunca chega a ser um jogo minimamente assustador, e a parte do survival, bom, jogando com paciência, raramente ficaremos sem munições. Mas já lá vamos.

Ocasionalmente teremos alguns puzzles para resolver, como habitual neste tipo de jogos.

Este Blue Stinger coloca-nos principalmente no controlo de Eliot, um agente da ESER (Emergency Sea Evacuation and Rescue) que estava a gozar as suas merecidas férias num barco ao largo de uma ilha. Essa ilha era ocupada por uma grande corporação, a Kimra, onde para além de todos os seus laboratórios scretos, também possuiam uma pequena cidade com todas as sua comodidades, onde viviam todos os funcionários da Kimra. A certa altura cai um objecto estranho do céu, atingindo precisamente o centro da ilha, causando uma grande explosão e uma barreira de energia que a circulou, isolando a ilha do mundo exterior. Eliot foi apanhado nesta confusão e acaba por acordar já na ilha, esta agora repleta de monstros e humanos mutantes. Portanto para além de lutar pela nossa sobrevivência, vamos também acabar por investigar o que aconteceu ao certo por lá. Mas Eliot não está sozinho, desde cedo que somos acompanhados por Dogs, um capitão de um navio que abastece a ilha e com uma personalidade muito peculiar.

Podemos comprar esta T-Shirt e se o Dogs a vestir, torna-se num mestre de Sumo

E o primeiro facto interessante deste Blue Stinger é mesmo a possibilidade de irmos alternando entre jogar com Eliot ou Dogs, sendo que ambos possuem algumas características que os diferenciam. Eliot é mais ágil, podendo nadar e equipar tanto armas de fogo como armas brancas para combates corpo a corpo, como por exemplo um taco de basebol, ou um machado ou até um sabre de luz à Star Wars. Já o Dogs é mais gordinho, não nada, nem usa armas brancas mas sim outras de fogo mais pesadas como uma rail gun ou uma metralhadora pesada. Pode no entanto vestir t-shirts que lhe o tornam num mestre de artes marciais, como uma t-shirt a dizer Karate, ou outra a dizer Wrestling, por exemplo! Só aqui já dá para ter uma ideia que não é um jogo para ser levado muito a sério. Agora muitos dos itens consumíveis que usamos, como armas, munições, comida ou bebida que nos regeneram (ou até extendem) a nossa barra de vida, podem não só serem encontrados ao longo dos cenários, bem como comprados em máquinas de vending que vamos encontrando um pouco por todo o lado. Portanto é importante irmos encontrando dinheiro para gastar nestas máquinas de vending, pelo que quem tiver paciência consegue-se ir abastecendo bem ao longo de toda a aventura. Isto porque para amealhar dinheiro podemos não só usar cartões de crédito que vamos encontrando (se bem que temos de adivinhar o seu pin) mas também apanhar as moedas que são cuspidas pelos mutantes humanos assim que os derrotarmos. Ora sempre que entramos e saimos na mesma sala, os monstros humanóides voltam à vida e mais uma vez carregadinhos de mais dinheiro, pelo que podemos ir repetindo este processo as vezes que forem necessárias para ir juntando mais dinheiro.

Podemos alternar entre ambas as personagens livremente

De resto, os controlos são relativamente simples, tendo em conta que estamos a falar de um jogo de acção em 3D, mas para uma consola que dispõe apenas de um analógico. Então a câmara prega-nos por vezes algumas partidas, visto que não a podemos controlar enquanto jogamos normalmente. Quando estivermos parados é possível alternar para uma perspectiva de primeira pessoa e olhar para os cenários livremente em 360º, mas não é a mesma coisa até porque não podemos fazer mais nada assim. Curiosamente a versão japonesa deste jogo possui ângulos de câmara fixos à lá Resident Evil clássicos, mesmo sem ter gráficos pré-renderizados.

Vamos tendo vários monstros diferentes para combater, mas nunca chega a ser um jogo propriamente assustador.

No que diz respeito aos gráficos, bom, estamos perante um jogo de lançamento da Dreamcast. Ou seja, em 1999 garantidamente que não havia nada melhor graficamente, tanto na Playstation 1, quanto na Nintendo 64. Mas mesmo assim não é um jogo que tenha envelhecido propriamente bem. As personagens possuem pouco detalhe poligonal e parecem feitos de plasticina! Mas ainda assim, nota-se perfeitamente que houve um esforço por parte da Climax em deixar tudo o mais realista possível, princpalmente quando exploramos o que resta da cidade construída para os funcionários de Kimra. O jogo decorre em plena época natalícia, embora seja nos trópicos pelo que é um bocado estranho ver motivos de Natal em pleno bom tempo. Ainda asssim, as lojas, os cinemas e outros sítios vão possuindo algumas texturas interessantes, inúmeras publicidades e luzinhas. Até um club de strip a Kimra construiu para os seus funcionários, e claro que o iremos explorar também. Mas no som, bom… as músicas são muito operáticas e épicas… o problema é que as vamos ouvindo vezes sem conta, mesmo quando tal não se justifica. Quando visitamos a zona da cidade, a música é ridicularmente alegre, quase que de fanfarra, o que mais uma vez se acaba por ser algo bizarro e chato.

Graficamente é um jogo onde até tiveram uma interessante atenção ao detalhe

Já no que diz respeito ao voice acting, é engraçado que todas as versões, incluindo a japonesa, possuem o mesmo voice acting em inglês. A qualidade dos actores sinceramente não é má de todo, já presenciei muito, muito pior e em jogos mais recentes que este. Mas a narrativa… bem, essa é tão surreal que só por isso já faz todo o jogo valer a pena. Desde as piadas más que vão mandando ocasionalmente, passando por algumas cenas muito bizarras, como o Dogs a insistir com o Eliot para tomarem um banho de água quente numa sauna, ou do nada, depois de Eliot ser infectado (desculpem o spoiler), urinar para um lago e sair um jacto verde das suas calças.

Mas também temos alguns momentos awkward deliciosos

Portanto, este Blue Stinger, apesar dos seus problemas de câmara e acting dignos de um filme de série B, até que se nota bem que a Climax se esforçou bastante para fazer uma obra prima. E apesar do jogo não ter envelhecido tão bem quanto isso, na verdade para mim até se revelou numa surpresa interessante.

Call of Duty Modern Warfare 2 (PC)

Agora que arranjei um PC novo, está na hora de ir jogando uma série de jogos que estavam em fila de espera há muito tempo. Este Modern Warfare 2 era um deles e mesmo apesar de ser já um jogo relativamente antigo e o meu portátil ter todos os specs necessários para o correr minimamente bem, a verdade é que o meu velhinho portátil já estava longe de ter a mesma performance de outros tempos, pelo que este acabou por ficar na gaveta até agora. Já nem me lembro muito bem quando arranjei o jogo, creio que foi algures em 2012 e na New Game do Maia Shopping. Quanto custou? 5 ou 10€, foi numa altura onde andaram a despachar uma série de jogos de PC a baixo preço.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Este Modern Warfare 2 como devem calcular continua a história do seu predecessor, onde encarnamos em diversos soldados de elite na sua luta contra o terrorismo, partindo no encalço de Vladimir Makarov, líder de um movimento ultranacionalista Russo, que esteve na base dos conflitos narrados no primeiro jogo. Desta vez as coisas acabam por correr ainda pior, com as forças Russas a acabar por invadir a costa Leste norte-americana, dando início a um conflito em larga escala entre as duas potências militares.

Spoiler com 10 anos! Neste jogo os Estados Unidos acabam por ser invadidos pelos Russos

Aqui dispomos de três modos jogo principais: a campanha, que nos levarão a diversos teatros de guerra, tanto no médio oriente, na Rússia, regiões suburbanas da costa Norte-Americana ou mesmo a favelas do Rio de Janeiro. Aqui as mecânicas de jogo assentam nos conceitos já trazidos no Modern Warfare anterior, onde começamos cada missão com um conjunto de armas pré-definido, mas onde, à medida que vamos progredindo, poderemos trocar as nossas armas por muitas outras que surgirão, tanto modelos norte-americanos/NATO, como armas estrangeiras envergadas pelos nossos adversários. Revólveres, armas automáticas, metralhadoras pesadas, shotguns ou vários explosivos são o prato do dia. Ocasionalmente lá teremos de usar algumas armas especiais, como designadores laser para artilharia ou mesmo controladores de drones, que podemos usar para bombardear posições inimigas. O progresso é salvo através de vários checkpoints, embora por vezes já me tenha acontecido o jogo gravar o progresso quando estou debaixo de intenso fogo inimigo, o que não dá muito jeito para o respawn. Também tal como o seu antecessor não temos quaisquer medkits, com a nossa vida a regenerar-se automaticamente assim que encontrarmos um abrigo que nos proteja do fogo inimigo. Mas nem todas as superfícies dão cobertura suficiente, desta vez as balas atravessam madeira ou lata, o que não dá muito jeito nas missões nas favelas brasileiras.

A história está repleta de momentos dramáticos

Os modos de jogo restantes resumem-se ao multiplayer e Spec Ops. Estas últimas são pequenas missões standalone que servem de desafios à nossa perícia e podem ser jogadas cooperativamente. Estas consistem em missões como matar uma série de adversários no menor tempo possível, defender pontos de interesse de várias waves inimigas, incluindo artilharia e pesados, missões furtivas onde temos de passar despercebidos, entre outros desafios cuja dificuldade vai aumentando à medida que vamos desbloqueando novas missões. Por fim temos a vertente multiplayer competitiva, bom sinceramente nem a experimentei pois o meu backlog, principalmente no PC é gigante e prefiro dedicar-me a outros jogos do que gastar milhentas horas em multiplayer, por mais divertido que seja. Mas lembro-me de amigos meus perderem muitas horas no multiplayer do MW2, mesmo depois de vários outros Call of Duty mais recentes serem lançados, ainda preferirem o multiplayer deste jogo. Pelo que vi dispomos de várias vertentes, desde variantes de deathmatch e capture the flag, passando por outros modos de jogo com objectivos de conquistar e/ou destruir pontos de interesse. À medida que vamos jogando matando adversários ou completar objectivos, a nossa personagem vai ganhando pontos de experiência, que nos vão desbloqueando novas armas e/ou acessórios/customizações para as mesmas, como diferentes miras, silenciadores, etc. Vamos também desbloqueando alguns perks que podemos equipar na nossa personagem, coisas como a capacidade de correr sem cansar, causar mais dano seja com balas, seja com explosões, ficar invisível para turrets e outras armas automáticas, andar silencioso entre muitas outras.

A campanha é curta, mas as Special Ops e o modo multiplayer acrescentaram-lhe muitas horas de diversão

A nível audiovisual, este era um jogo bem competente para a sua época, levando-nos a visitar cenários bastante distintos entre si, desde florestas, bases militares modernas, outras improvisadas em cavernas, cidades americanas, no médio oriente, um aeroporto ou até um gulag russo são apenas alguns dos cenários que iremos explorar, todos eles bem detalhados. Jogando sem qualquer mod de texturas HD e com tudo no máximo, é um jogo que não envelheceu nada mal. Está também repleto de momentos cinematográficos e com uma narrativa muito competente, que nos consegue imergir completamete na acção que se passa à nossa volta. E sim, o voice acting está excelente, mesmo durante os tiroteios o jogo está repleto de detalhes agradáveis, como é o caso das missões nas favelas brasileiras, onde vamos ouvindo os  bandidos a falarem em português uns com os outros, avisando-os da nossa posição. As músicas, como já é habitual na série, são geralmente bastante épicas, enfatizando todo o drama que vamos vivenciando.

Portanto este Call of Duty Modern Warfare 2 acaba por ser uma excelente sequela nesta já longa série de first person shooters militares. Apesar de termos tido o World at War pelo meio, este Modern Warfare 2 acabou por popularizar definitivamente os shooters mais modernos, algo que séries como Medal of Honor e Battlefield acabaram por consolidar logo depois. Para além de uma curta, porém sólida campanha single player, os desafios e o modo online que se manteve extremamente popular anos a fio, tornaram este Modern Warfare 2 em mais um caso sério de sucesso.