Cogs (PC)

Tempo para mais uma análise blitzkrieg, de um jogo do qual eu devo ter jogado apenas uns 15/20 minutos e não irei pegar novamente. Não que o jogo seja assim tão mau, mas eu tenho um ódiozinho de estimação por tudo o que seja sliding puzzles e bom, Cogs é “apenas” isso. O jogo veio-me parar à colecção através do Humble Indie Bundle 3, cujo me foi oferecido por um utilizador do fórum NeoGAF.

Cogs

Cogs apresenta 50 diferentes puzzles, todos eles baseados em “sliding blocks”. Contudo os puzzles apresentam uma temática mecânica, ao invés de simplesmente formarem uma imagem. Aqui o jogador manipula um objecto com diversas telas, sendo que algumas poderão ter roldanas, tubos, ou outros equipamentos para caixas de música, como campainhas acústicas. A ideia do jogo é então arrastar as telas de forma a construir um mecanismo qualquer, com a particularidade de o objecto em si estar representado em 3 dimensões, podendo ser manipulado livremente. Isto acaba por fazer com que por vezes existam diferentes puzzles em diferentes faces do objecto, cuja solução tem de conjugar as várias faces para o mecanismo funcionar. Com esta “sliding-blocksception” acabam por introduzir um degrau bem maior na dificuldade para resolver alguns dos puzzles. Ao resolver cada puzzle é-nos atribuído um conjunto de estrelas mediante a nossa performance com o tempo e número de movimentos perdidos a resolver cada puzzle. É com estas estrelas que vamos ganhando que desbloqueamos os puzzles seguintes. Para quem quiser desafios ainda maiores, é possível jogar cada puzzle desbloqueado em dois diferentes desafios. O primeiro é uma espécie de time-attack, onde não podemos exceder um tempo limite para o completar, o segundo limita o número de movimentos. Para além disso o jogo permite aos utilizadores que criem os seus próprios puzzles e os partilhem com a restante comunidade.

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Aqui temos de “construir” uma caixa de música

O aspecto audiovisual é competente, embora não se espere grande coisa de um jogo puramente puzzle, como Cogs. O visual steampunk é notório, com todos os mecanismos de rodas dentadas e tubos de vapor que compõe o jogo em si, desde os puzzles à própria interface. Sinceramente, o tempo que perdi no jogo não deu para dar grande atenção à banda sonora, mas pareceu-me muito calminha e com melodias inspirada em caixas de música.

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Posso não gostar, mas admito que alguns puzzles até são bem criativos

Para quem gosta de puzzles “sliding block“, Cogs é um prato cheio, repleto de puzzles exigentes e que apresentam um bom desafio. Tendo em conta que hoje em dia está disponível para diversas plataformas, desde vários sistemas operativos no PC, Android, iOS e PS3, Cogs poderá ser uma boa escolha. Para todos os outros, passem longe.

Home (PC)

HomeMais um artigo blitzkrieg de um jogo indie igualmente curtinho. Home é produto de uma só pessoa – Benjamin Rivers, e foi lançado como sendo um jogo aventura de terror com um aspecto visual pixel-art. Infelizmente de terror tem muito pouco, e é um jogo curtíssimo que se termina em pouco mais de uma hora. Tem a vantagem de o jogador ir construindo a sua própria história, aumentando o replay value, mas já lá vamos. Este jogo entrou-me na colecção por altura das Steam Autumn Sales em Novembro, onde o comprei a menos de 1€.

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Apesar da personagem andar sempre munida de uma lanterna, isto é pouco explorado na jogabilidade

A história começa com o cliché do protagonista acordar num local estranho sem quaisquer memórias do que lhe tenha acontecido. Logo no início encontramos um cadáver numa casa desconhecida, o herói, sem se lembrar como lá foi parar, apenas tem no pensamento regressar para junto da sua esposa, Rachel em sua casa. Ao procurar escapar da tal casa, vai descobrindo vários outros cadáveres e pistas para o que se sucedeu, em diversos locais espalhados pela cidade onde o jogo decorre. A jogabilidade é bastante simples, com controlos de movimentação básicos e um botão de interacção com objectos. Os objectos que podem ser interagidos ganham um contorno brilhante sempre que o jogador se cruza com os mesmos. E é nesta interacção de objectos que vamos construindo a nossa história. Sempre que o herói encontra algo, é sempre feita a pergunta ao jogador “Eu fiquei com este objecto?”, “eu peguei nesta arma?”, “eu escapei por aqui?”. Todo este conjunto de acções acaba por ter um papel importante para desenrolar a história e “desvendar” o mistério. Coloquei o desvendar entre aspas pela simples razão que no meu caso nada ficou desvendado. NADA. Fiquei sozinho numa cidade repleta de cadáveres e uma conclusão final assumida pelo protagonista com base nas escolhas que fiz. Embora apenas tenha jogado uma vez, pelo que me deu a entender todos os finais seriam em “aberto”, podendo ser comentados pela comunidade no próprio site do jogo.

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Os “monólogos” surgem nestas caixas de texto

De qualquer das maneiras o jogo não me convenceu a jogar uma nova partida. É realmente bastante curto e simples, com um simples puzzle de válvulas e os outros que consistem em procurar chaves para abrir certas portas. Apesar de encontrarmos algumas armas, não lhes damos qualquer uso prático, o foco no jogo é inteiramente na exploração. E para um jogo que supostamente é de terror, não houve literalmente nada que me tenha deixado algo tenso. Poderá existir um ou outro barulho do meio ambiente que levante um pelito na nuca pelo susto, mas não passa disso. Falando no audiovisual, para quem gosta de pixel art é um jogo interessante, mas com o mesmo conceito, Lone Survivor está muito superior em todos os aspectos.

To the Moon (PC)

Este artigo foi escrito originalmente para a PUSHSTART #28 que pode ser lida aqui. O jogo entrou na minha colecção através de uma oferta de alguém que comprou um bundle em que o jogo fazia parte e já o tinha na sua colecção.

To the Moon

To the Moon é um jogo indie muito interessante principalmente pela forte história emocional que contém. Mas o que é mais curioso na minha opinião, é que o mesmo jogo foi desenvolvido utilizando a popular ferramenta RPGMaker, uma engine utilizada maioritariamente para desenvolver RPGs em 2D, que já existe desde o final da década de 80 em computadores japoneses. A maior parte dos jogos desenvolvidos com esta ferramenta são disponibilizados gratuitamente para download, poucos são os que acabaram por ser comercializados e este To the Moon é um deles.

O visual “pixel art” é algo que tem estado bastante em voga nestes últimos anos no seio da comunidade indie, e apesar de To the Moon ter sido desenvolvido com uma ferramenta algo limitada não deve ser visto com maus olhos, muito pelo contrário, pois apresenta uma história bastante interessante e emotiva quanto baste, quase que forçando o jogador em terminar o jogo de uma assentada só. Sem querer entrar muito detalhe na história, para não estragar a surpresa, To the Moon decorre um futuro próximo, colocando o jogador no papel dos Drs. Eva Rosaline e Neil Watts. Os protagonistas pertencem a uma empresa cujo objectivo consiste em realizar os sonhos de vida de doentes em fase terminal. Fazem-no através de um equipamento que os permite “invadir” a mente dos seus pacientes, visitando as suas memórias das mais recentes até às mais antigas, procurando encontrar a raíz do seu desejo, para que possam em seguida implantar novas memórias virtuais no seu paciente, realizando assim de certa forma o desejo.

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Preparem-se que vão ver este farol imensas vezes

O paciente desta aventura é um idoso de nome John que se encontra em coma e apenas com alguns dias de vida. Tem um desejo inexplicável de ir à Lua, pelo que a dupla que controlamos irá percorrer várias memórias da sua vida, descobrindo o passado misterioso de John até encontrar o motivo da sua vontade de ir à Lua. É nessa viagem pela mente de John que a história se vai desenrolando com uma forte carga emocional, com grande foco na relação de John com a sua falecida esposa River. Mas nem tudo é “lamechas”, para contrapor toda esta carga emocional, os diálogos e interacções entre Eva e Neil são habitualmente cómicos e sarcásticos, com Neil sempre a utilizar referências a pop-culture e Eva constantemente a falar mal de Neil.

Apesar de o jogo ter sido desenvolvido com o uso do RPGMaker, e visualmente se assemelhar a um RPG de Super Nintendo, de RPG não tem practicamente nada, a não ser uma pseudo-batalha entre Neil e um esquilo, logo nos primeiros momentos do jogo. Todo o resto do jogo comporta-se quase como uma visual novel e um jogo de aventura point and click. Ao longo do jogo podemos explorar o mundo que nos rodeia, recolhendo algumas notas e/ou objectos que sejam úteis para o resto do jogo. Quando invadimos a mente de Johnny, a ideia consiste em explorar as memórias em que estamos, ouvir os diálogos entre os intervenientes e começar a procurar objectos que sirvam de links para um memento que nos transporte a uma memória mais antiga. Quando estamos prontos para avançar para a memória seguinte (ou seja, recuar na vida de John) temos de resolver um pequeno puzzle, onde temos uma imagem quadrada do memento em si, coberta com alguns painéis. A ideia consiste em revirar filas inteiras de painéis até que a imagem fique a descoberto, sendo transportados em seguida para a outra memória e recomeçar todo o processo. Infelizmente estes puzzles são bastante simples, e enquanto existe a vontade de os completar com o mínimo número de movimentos possível, não existe nenhuma recompensa para o efeito.

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Neil e as suas tiradas…

Para além de uma escrita brilhante, To the Moon está acompanhado de uma banda sonora de qualidade. Com uma predominância no piano, To the Moon inclui uma série de músicas que se adequam perfeitamente à história e ao clima criado pela mesma. Temas tristes, tensos ou que provoquem um clima de suspense são dos mais habituais, mas ocasionalmente também ouvimos uma ou outra balada mais alegre. Os visuais são simples, lembrando os RPGs da era 16bit, conforme já foi referido. Contudo em certos pontos da história vão sendo exibidas algumas simples cutscenes com algum artwork mais trabalhado. É verdade que a escolha do RPGMaker para criar uma espécie de Visual Novel parece algo inusitada, mas os pontos fortes deste jogo são sem qualquer margem para dúvidas a sua excelente história e banda sonora. Os jogos indie cada vez mais tomam uma posição importante neste mercado, com imensos lançamentos criativos como este To the Moon. No final do jogo deu-se a entender que iria existir uma sequela, com Eva e Neil a dirigirem-se a um próximo paciente. Cá estarei à sua espera.

Bit.Trip Runner (PC)

De volta aos jogos indie no PC. A série Bit.Trip já por cá anda desde 2009, fruto da imaginação do estúdio Gaijin Games, ao longo de 6 diferentes jogos, todos eles lançados originalmente para a WiiWare. Cada Bit.Trip possui algo em comum, seja a personagem principal, a forte componente rítmica, os visuais e jogabilidade que prestam tributo ao old school gaming ou o elevado grau de dificuldade dos jogos. No entanto, este Runner é provavelmente o mais acessível, visto tratar-se de um jogo de plataformas. A minha cópia foi adquirida junto de um indie bundle qualquer, sinceramente já lhe perdi a conta. Certamente foi uma bagatela.

ScreenshotOs jogos Bit.Trip têm como protagonista um estranho alienígena chamado Commander Video, e cada jogo supostamente conta uma parte da sua vida, geralmente com algum significado mais introspectivo da sua vida. Como apanhei o comboio a meio (Runner é o quarto jogo) não me apercebi nada disto, e para mim o jogo consiste apenas em explorar o estranho mundo que nos rodeia. Enquanto que os jogos anteriores eram muito inspirados em Pong, este é mais parecido com outro clássico da Atari 2600, o Pitfall!, mas em ácidos. Isto porque não conseguimos controlar totalmente a personagem, que se limita a correr a uma velocidade constante, não parando por nada. Dispomos então de poucas acções que podemos fazer para nos desviarmos dos imensos obstáculos que temos pela frente. Desde o simples salto, um “slide” para desviar de inimigos aéreos, dar pontapés nalguns obstáculos específicos para os destruir, pressionar um botão próprio para saltar em algumas molas (caso contrário segue-se em frente como se nada fosse) e mais uma habilidade um pouco mais estranha que só nos níveis finais que tem utilidade.

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De vez em quando encontramos referências ao Super Meat Boy, já o próprio Commander Video é uma personagem extra nesse jogo.

Tal como referi, existe uma componente rítmica muito importante neste jogo. Em cada nível existe uma melodia base que vai tocando em loop. À medida em que vamos percorrendo o nível, vamos também construíndo a música. Como? Ora bem, sempre que nos desviamos correctamente de um obstáculo/inimigo, é tocada uma nota, sempre que apanhamos umas barras de ouro também vão sendo tocadas outras notas. Posteriormente vamos encontrando uns powerups em forma de um sinal “+”. Para além de dar mais pontos, faz com que a música aumente de intensidade, com a melodia base mais forte e com mais “instrumentos”. Ao 4º “+” que apanhamos entramos no modo “Extra”, em que a música fica bastante pacífica, quase que mágica, o que se calhar explica o arco-íris que o protagonista arrasta atrás de si. Ora isto é tudo muito bonito e realmente dá gosto ouvir as melodias que vamos construíndo. O problema é que Bit.Trip Runner é difícil. Não existe barra de energia, com apenas um toque temos de começar o nível de novo. Felizmente não existe um número limite de vidas ou “continues”, podemos tentar sempre que quisermos, mas o jogo chega a um certo ponto em que temos de ter uma precisão cirúrgica nos saltos que damos e restantes manobras até chegar ao fim.

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A partir do segundo conjunto de níveis, os mesmos começam a ter uma maior poluição visual, o que por vezes connfunde o jogador do que é um obstáculo e o que não é.

O jogo está dividido em 3 zonas, cada uma com um “setting” e melodias características. Em cada zona temos 12 níveis, sendo que no último enfrentamos um boss. Os primeiros níveis servem como tutorial para o jogador se ir habituando às mecânicas de jogo, depois as coisas começam a complicar, com várias manobras “impossíveis”. O nível “The Odyssey”, antes do primeiro boss, é um nível bastante comprido em que muita gente acaba por desistir aí. As barras de ouro que aparecem em cada nível servem para aumentar a pontuação. Se as conseguirmos apanhar todas em cada nível somos transportados para um “retro challenge”, inspirado no Pitfall! original, com visuais dignos de uma Atari 2600. O objectivo desses níveis bónus é o mesmo, mas a dificuldade é bem maior e apenas dispomos de uma tentativa para o completar. Se o falharmos, temos de recomeçar o nível principal e completá-lo a 100% mais uma vez para outra tentativa. Claro que só faz isso quem for masoquista ou achievement hunter, existem achievements para completar todos os níveis (regulares e bónus) a 100%. Não é para mim, já me bastou completar o jogo normal.

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Aqui o segundo boss.

O aspecto audiovisual como podem ver pelos screenshots é aparentemente simples, mas bastante colorido. Acho que conseguem fazer uma óptima simbiose entre visuais modernos e design de níveis da velha guarda. Os visuais dos níveis bónus são mesmo da velha guarda a imitar o que se fazia nos tempos da Atari 2600. A própria apresentação com o logo da gaijin no canto inferior esquerdo é uma tirada aos jogos da Activision nesses tempos. A música é o ponto forte do jogo, e eu diria de toda a série. Com uma toada electrónica mas sempre a lembrar o chiptune, a música lembra-nos sempre que estamos em frente a um videojogo e não algo que tenta emular experiências mais cinematográficas.

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Estes são os visuais que os níveis bónus apresentam

Posto isto, eu recomendo o Bit.Trip Runner a quem gosta de jogos de plataforma bastante desafiantes e/ou jogos rítmicos. A versão PC é a mais bonita e a mais completa para quem se importar com achievements e coisas do género. Para os coleccionadores e curiosos no geral que tenham gostado dos outros Bit.Trip lá vou recomendando as colectâneas que existem tanto para Wii como 3DS com todos os jogos disponíveis num suporte físico, ou então através dos canais digitais da Nintendo. Já para quem gostou mais deste Runner, a Gaijin irá lançar muito brevemente a sua sequela “Bit.Trip Presents Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien”. Apesar de ter um nome exageradamente longo, o jogo é um spinoff do original, apresentando gráficos em HD e novas habilidades.

Fallout Trilogy parte II – Fallout 2 (PC)

screenshotWar. War never changes. O Fallout original foi um jogo bastante importante no panorama de RPGs para computador, apresentando um mundo pós apocalíptico onde tinhamos uma enorme liberdade de irmos para onde quisermos, fazer as quests que achássemos necessárias e da maneira que mais nos desse jeito, com cada decisão a ter um certo peso no desenrolar da história e por conseguinte o final alcançado. Esta sequela herda todas as mecânicas de jogo anterior, mas apresenta a meu ver um maior número de coisas a fazer, bem como uma história ainda mais madura, repleta de conteúdo adulto repleto de referências a álcool, drogas e sexo. Raios, para quem quiser jogar com uma personagem feminina até tem a vida mais facilitada graças aos seus “dotes”… Este artigo é uma continuação do Fallout Trilogy, uma colectânea com os primeiros 3 jogos da série, que tinha comprado por uma bagatela.

Fallout Trilogy PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

A narrativa decorre uns 80 anos após os acontecimentos de Fallout 1, com o mundo ainda desolado após os incidentes nucleares que desvastaram o planeta. Quem não quiser saber spoilers do jogo anterior (e talvez um deste mesmo jogo) é melhor avançar para o parágrafo seguinte. Ora o Fallout original teve um final algo surpreendente, onde o herói havia conseguido recuperar o “water chip” que o seu Vault 13 necessitava para a população sobreviver, e ter livrado o mundo de uma ameaça mutante que ameaçava exterminar todas as outras raças. Posto isto, é inacreditavelmente expulso da sua comunidade, de forma a que a mesma não fosse influenciada pelas suas aventuras do mundo exterior e quisesse abandonar a “segurança” do Vault 13. Exilado, o herói mudou-se para umas montanhas a norte e fundou a pequena tribo de Arroyo. 80 anos depois, a tribo enfrenta uma enorme seca, prejudicando as suas culturas. Para a sobrevivência da aldeia, a anciã pede ao novo herói que se aventure até ao Vault 13, para trazer o aparelho GECK (Garden of Eden Creation Kit). Ao longo da aventura, muitas outras cidades e comunidades vão sendo encontradas, cada uma com várias quests próprias que muitas vezes se interligam entre si. Tal como no jogo anterior, onde trazendo water chip de volta ao Vault 13 não significava o fim da aventura, aqui também acontece um outro contratempo muito interessante, envolvendo conspirações do próprio governo norte-americano. Aliás, isso é notório logo na cutscene inicial que algo de sinistro se passava.

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A interface é semelhante à prequela

Spoilers à parte, falemos então da jogabilidade. Pelo que me lembro, não há mudanças de maior face ao jogo anterior, pelo que não me vou alongar muito neste aspecto. Inicialmente podemos escolher uma entre várias personagens já estabelecidas ou, como eu gosto, criar uma à nossa medida, escolhendo vários pontos para diversas características como inteligência, agilidade, força física, carisma, entre outros. Com esses pontos escolhidos posteriormente podemos também atribuir pontos a diversas skills diferentes, como “first-aid” para regenerar alguns pontos de vida, steal e lockpicking para andarmos aí a assaltar o pessoal (muito importante, na minha opinião pois a vida de Fallout é mesmo dura), science para utilizar computadores, repair para reparar equipamentos mecânicos/eléctricos, entre vários outros. Ser bom nestas skills auxilia e muito o progresso no jogo, mesmo em diversas sidequests que nos vão surgindo. Para além disso, podemos também escolher algumas perks à medida em que vamos ganhando experiência ou completemos algumas sidequests. Estas perks trazem também resultados benéficos para a personagem.

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Um exemplo dos diálogos que podemos optar

Posto isto é seguir para a aventura. Embora a nossa aldeia de Arroyo necessite com alguma urgência do tal GECK, não me pareceu que existisse um prazo para que o fizéssemos, tal como no jogo anterior. De vez em quando nas viagens pelo overworld lá recebia uma visão do shaman da aldeia a dizer que nos apressássemos, mas não me pareceu que existisse de facto uma deadline. Isto tinha sido o que mais me tinha irritado no jogo anterior, o jogo é enorme, cada localização tem muita coisa para descobrir e eu gosto de explorar o mundo com calma. De resto é mesmo assim, Fallout 2 está repleto de diferentes comunidades, cada uma com sociedades completamente diferentes. Vault City e a sua democracia hipócrita, The Den o antro de criminalidade e escravatura, pequenas aldeias, comunidades apenas de Ghouls, entre muitas outras surpresas. Ao completar as quests que cada localidade possui, vamos tendo vários pontos de karma, mediante se formos bonzinhos. Podemos também ser maus, levando a que toda a comunidade nos odeie e o final seja mais negro. Não existe uma progressão linear no jogo, podemos ir logo do ponto A ao Z, mas depressa descobrimos que ainda estamos muito verdinhos para os desafios que enfrentamos. Resta então vaguear pelo overworld, e ir completando as várias quests (que muitas vezes envolvem combates) para ganharmos experiência e dinheiro para ter acesso a armamento superior. Mediante as carecterísticas da nossa personagem e reputação, os diálogos vão variando e várias quests até podem se concluídas por uma via mais diplomática, evitando combates desnecessários e por vezes até ganhando mais com isso. O combate em si pareceu-me semelhante ao do jogo anterior, mas não sei se foi por eu já estar mais habituado, aqui pareceu-me um pouco mais dinâmico e rápido. Ainda assim no modo de combate a nossa personagem dispõe de um certo número de Action Points, que podem ser gastos a movimentar-se, consultar o inventário, utilizar items e atacar. Acabando os APs, o nosso turno termina e passa para um dos NPCs que “contratamos” para nos acompanhar ou para os inimigos.

A apresentação do jogo é mais uma vez excelente. O futuro distópico onde a tecnologia se funde entre ruínas dos anos 50 a válvulas com armas “laser” todas futuristas foi um conceito muito bem explorado, a começar pelos próprios items a que temos acesso. Tal como o primeiro jogo, a cutscene inicial é muito bem elaborada e consegue mesmo transportar-nos para aquele clima de anos 50 que vemos hoje em dia nos filmes, com todos os clichés daqueles vídeos educativos que se passavam nas escolas. No jogo, poucas são as personagens com diálogos audíveis, mas as que têm estão mais uma vez excelentes. Para além do artwork da sua cara, as expressões faciais estão muito bem conseguidas para um jogo de 1998, existindo um sincronismo de lábios interessante. O voice acting está muito bom, com as personagens a serem convincentes daquilo que estão a dizer, dá mesmo vontade de fazer save antes e escolher as opções de diálogo mais parvas/ofensivas só mesmo para ter a reacção das mesmas. Então se o nosso personagem tiver um valor de Inteligência muito baixo, é de rir mesmo. As músicas são discretas, algo que a meu ver até é adequado ao ambiente desolador que acompanha o jogo.

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Aqui o sistema VATS que permite escolher em que pontos queremos acertar no inimigo, com as respectivas probabilidades. É um bom sistema para focar nos pontos fracos.

As mecânicas de jogo podem estar obsoletas hoje em dia, mas ultrapassando a curva de aprendizagem, tanto este como o Fallout original ainda hoje são RPGs de muita qualidade. A liberdade de progressão que o jogo oferece e todos aqueles pequenos pormenores que vão sendo diferenciados face às nossas decisões ou mesmo dependendo das características da personagem são impressionantes. Tá certo que noutros jogos como Shadowrun já muito disto se fazia, mas dêm-me o desconto de só re-descobrir os RPGs ocidentais há pouco tempo. Desta compilação fica assim a faltar o Fallout Tactics, que devo demorar algum tempo a pegar nele, não sou grande apreciador de jogos de estratégia. Entretanto continuo pelos RPGs no PC, mas desta vez mudando o cenário para a fantasia. 🙂