Bit.Trip Runner (PC)

De volta aos jogos indie no PC. A série Bit.Trip já por cá anda desde 2009, fruto da imaginação do estúdio Gaijin Games, ao longo de 6 diferentes jogos, todos eles lançados originalmente para a WiiWare. Cada Bit.Trip possui algo em comum, seja a personagem principal, a forte componente rítmica, os visuais e jogabilidade que prestam tributo ao old school gaming ou o elevado grau de dificuldade dos jogos. No entanto, este Runner é provavelmente o mais acessível, visto tratar-se de um jogo de plataformas. A minha cópia foi adquirida junto de um indie bundle qualquer, sinceramente já lhe perdi a conta. Certamente foi uma bagatela.

ScreenshotOs jogos Bit.Trip têm como protagonista um estranho alienígena chamado Commander Video, e cada jogo supostamente conta uma parte da sua vida, geralmente com algum significado mais introspectivo da sua vida. Como apanhei o comboio a meio (Runner é o quarto jogo) não me apercebi nada disto, e para mim o jogo consiste apenas em explorar o estranho mundo que nos rodeia. Enquanto que os jogos anteriores eram muito inspirados em Pong, este é mais parecido com outro clássico da Atari 2600, o Pitfall!, mas em ácidos. Isto porque não conseguimos controlar totalmente a personagem, que se limita a correr a uma velocidade constante, não parando por nada. Dispomos então de poucas acções que podemos fazer para nos desviarmos dos imensos obstáculos que temos pela frente. Desde o simples salto, um “slide” para desviar de inimigos aéreos, dar pontapés nalguns obstáculos específicos para os destruir, pressionar um botão próprio para saltar em algumas molas (caso contrário segue-se em frente como se nada fosse) e mais uma habilidade um pouco mais estranha que só nos níveis finais que tem utilidade.

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De vez em quando encontramos referências ao Super Meat Boy, já o próprio Commander Video é uma personagem extra nesse jogo.

Tal como referi, existe uma componente rítmica muito importante neste jogo. Em cada nível existe uma melodia base que vai tocando em loop. À medida em que vamos percorrendo o nível, vamos também construíndo a música. Como? Ora bem, sempre que nos desviamos correctamente de um obstáculo/inimigo, é tocada uma nota, sempre que apanhamos umas barras de ouro também vão sendo tocadas outras notas. Posteriormente vamos encontrando uns powerups em forma de um sinal “+”. Para além de dar mais pontos, faz com que a música aumente de intensidade, com a melodia base mais forte e com mais “instrumentos”. Ao 4º “+” que apanhamos entramos no modo “Extra”, em que a música fica bastante pacífica, quase que mágica, o que se calhar explica o arco-íris que o protagonista arrasta atrás de si. Ora isto é tudo muito bonito e realmente dá gosto ouvir as melodias que vamos construíndo. O problema é que Bit.Trip Runner é difícil. Não existe barra de energia, com apenas um toque temos de começar o nível de novo. Felizmente não existe um número limite de vidas ou “continues”, podemos tentar sempre que quisermos, mas o jogo chega a um certo ponto em que temos de ter uma precisão cirúrgica nos saltos que damos e restantes manobras até chegar ao fim.

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A partir do segundo conjunto de níveis, os mesmos começam a ter uma maior poluição visual, o que por vezes connfunde o jogador do que é um obstáculo e o que não é.

O jogo está dividido em 3 zonas, cada uma com um “setting” e melodias características. Em cada zona temos 12 níveis, sendo que no último enfrentamos um boss. Os primeiros níveis servem como tutorial para o jogador se ir habituando às mecânicas de jogo, depois as coisas começam a complicar, com várias manobras “impossíveis”. O nível “The Odyssey”, antes do primeiro boss, é um nível bastante comprido em que muita gente acaba por desistir aí. As barras de ouro que aparecem em cada nível servem para aumentar a pontuação. Se as conseguirmos apanhar todas em cada nível somos transportados para um “retro challenge”, inspirado no Pitfall! original, com visuais dignos de uma Atari 2600. O objectivo desses níveis bónus é o mesmo, mas a dificuldade é bem maior e apenas dispomos de uma tentativa para o completar. Se o falharmos, temos de recomeçar o nível principal e completá-lo a 100% mais uma vez para outra tentativa. Claro que só faz isso quem for masoquista ou achievement hunter, existem achievements para completar todos os níveis (regulares e bónus) a 100%. Não é para mim, já me bastou completar o jogo normal.

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Aqui o segundo boss.

O aspecto audiovisual como podem ver pelos screenshots é aparentemente simples, mas bastante colorido. Acho que conseguem fazer uma óptima simbiose entre visuais modernos e design de níveis da velha guarda. Os visuais dos níveis bónus são mesmo da velha guarda a imitar o que se fazia nos tempos da Atari 2600. A própria apresentação com o logo da gaijin no canto inferior esquerdo é uma tirada aos jogos da Activision nesses tempos. A música é o ponto forte do jogo, e eu diria de toda a série. Com uma toada electrónica mas sempre a lembrar o chiptune, a música lembra-nos sempre que estamos em frente a um videojogo e não algo que tenta emular experiências mais cinematográficas.

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Estes são os visuais que os níveis bónus apresentam

Posto isto, eu recomendo o Bit.Trip Runner a quem gosta de jogos de plataforma bastante desafiantes e/ou jogos rítmicos. A versão PC é a mais bonita e a mais completa para quem se importar com achievements e coisas do género. Para os coleccionadores e curiosos no geral que tenham gostado dos outros Bit.Trip lá vou recomendando as colectâneas que existem tanto para Wii como 3DS com todos os jogos disponíveis num suporte físico, ou então através dos canais digitais da Nintendo. Já para quem gostou mais deste Runner, a Gaijin irá lançar muito brevemente a sua sequela “Bit.Trip Presents Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien”. Apesar de ter um nome exageradamente longo, o jogo é um spinoff do original, apresentando gráficos em HD e novas habilidades.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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