Blackwell Legacy (PC)

Tempo para mais um artigo relativamente curto de um jogo indie. Blackwell Legacy é a primeira iteração de uma série de jogos de aventura point and click desenvolvidos por Dave Gilbert do estúdio Wadget Eye Games. O jogo coloca-nos napele da escritora/jornalista amadora Rosangela Blackwell e o seu companheiro fantasma Joey Mallone, que tentam auxiliar almas penadas a aceitar a sua morte e seguir em frente. A minha cópia chegou-me por intermédio de um dos muitos indie bundles disponíveis por aí, onde consegui comprar os 4 jogos actualmente disponíveis desta série por um valor irrisório.

Blackwell LegacyRosangela é uma rapariga independente que muito cedo na sua infância perdeu os seus pais, tendo sido criada pela sua tia Laureen Blackwell. Por sua vez, Laureen também teve de abandonar Rosangela devido a ser internada numa instituição psiquiátrica, onde lá ficou até à sua morte. E agora vem um pequeno spoiler, mas tem mesmo de ser. Acontece que alguns elementos da família Blackwell têm poderes de medium, ou seja, conseguem ver e falar com espíritos. Neste caso são “assombradas” por Joey Mallone, um misterioso fantasma dos anos 30 que as acompanha 24/7 até à hora da sua morte, assombrando depois o Blackwell seguinte. Isso tem vindo a acontecer nas 3 últimas gerações da família e quando Laureen morre, os poderes de medium acordam em Rosangela, conhecendo assim pela primeira vez Joey, que lhe apresenta o legado da família Blackwell: Auxiliar todos os espíritos que vagueiam o mundo material a assumirem a sua morte e seguirem em frente. O primeiro mistério que Rosangela encara é o de um estranho suicídio de uma jovem universitária, o que se vai tornando mais complicado e interessante à medida em que o jogo vai progredindo.

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Este é o local onde devemos encaminhar o espíritos aprisionados

As mecânicas de jogo são as típicas de um jogo deste tipo. Utilizando o rato e clicando ao longo do cenário, faz com que Rosangela se desloque e interaja/fale com objectos, pessoas ou outros espíritos. Para além disso, Rosangela possui um bloco de notas onde vai anotando algumas pistas sobre os mistérios que tem para resolver. É possível interrogar as pessoas sobre cada elemento dessas notas, bem como combinar diferentes notas de forma a obter algum elo de ligação ou nova pista para resolver os seus mistérios.

O único defeito que aponto a este jogo é mesmo a sua curta duração, levando cerca de 2h a terminar. Fora isso, mesmo durante as 2h de jogo que temos pela frente, as personagens deste jogo têm tudo o que um jogo deste género necessita: carisma. Enquanto Rosangela é naturalmente tímida, Joey por sua vez é bastante sarcástico, uma característica que tanto aprecio. O voice acting está muito competente para um jogo deste calibre, mas o que mais me agradou sem dúvida foi mesmo o visual da velha guarda, remetendo de imediato paraos bons adventure games dos finais dos anos 80, inícios dos 90. Enquanto o jogo saiu originalmente durante o ano de 2006, foi relançado em 2011 com novos diálogos e a atriz que interpretava Rosangela foi substituída por Rebecca Whittaker, de forma a tornar a série mais consistente entre si, utilizando os mesmos actores. Enquanto o jogo original já trazia um modo comentário onde ouvimos o que Dave Gilbert nos tem para dizer, este relançamento traz ainda um segundo modo de comentários, onde Dave Gilbert aproveita para fazer uma retrospectiva do jogo e das coisas que mudaram entre versões.

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Por vezes tomamos o controlo dos diálogos do Joey

Resumindo, os jogos Blackwell apesar de serem curtos parecem-me ser muito interessantes na medida em que misturam o trabalho de detective com o de um “exorcista”, sempre com uma óptima narrativa por detrás e personagens carismáticas. O visual pixel art está também bem implementado, apesar de ter vindo a evoluir junto com a série. Mas isso ficará para um próximo artigo.

PUSHSTART #34

PUSHSTART desde mês já disponível nas “bancas”!

– Old Vs New: Castlevania 2D Vs CASTLEVANIA 2D

– 4×4: Dear Esther

– Reviews: The Last Of Us; Animal Crossing New Leaf; Mario and Donkey Kong Minis on the Move; The Night of the Rabbit; Dishonored; Grid 2; Magic the Gathering Online; Solarola; Frisbee Forever 2; Subway Surfers; IK+; Star Wars

– Entrevista: Gonçalo Neto (Ciaran Gultnieks);

– Tutorial: Arduino – Acender um candeeiro

– TOP 10: Séries que precisam de regressar

– Acompanhem também a nossa nova rubrica Gamer em Tempos de Crise (N; Off; Cry of Fear)

Para download aqui.

Prince of Persia Trilogy – Parte 2: Warrior Within (Sony Playstation 2)

Prince of Persia Warrior Within PS2O Prince of Persia The Sands of Time foi um reboot da série Prince of Persia lançado em 2003, tendo obtido bastante sucesso quer pela crítica, quer pelos jogadores. Nessa altura a Ubisoft começou a aproximar-se mais da Electronic Arts na bela arte de milking de franchises e um ano depois tivemos esta sequela. Infelizmente, a bela direcção de arte e todo aquele clima de magia do jogo anterior foi completamente descartada, apresentando desta vez um jogo bem mais “teenager”, repleto de cenários deprimentes, uma atitude mais “bad-ass” por parte do príncipe, mulheres com menos roupa e uma banda sonora “mallcore”. A minha cópia do jogo veio junto da Prince of Persia Trilogy, comprada na GAME do Maiashopping por pouco menos de 5€.

Prince of Persia Trilogy - Sony Playstation 2
Trilogia completa com caixa e manuais.

Este Warrior Within decorre uns 7 anos após Sands of Time, onde encarnamos num príncipe amaldiçoado por ter liberto as Sands of Time no primeiro jogo. Está escrito no destino de cada pessoa que liberta as Sands of Time deve morrer, e tendo o Príncipe escapado à morte no jogo anterior, tem agora à perna uma criatura infernal que tudo faz para lhe limpar o sebo (à lá Nemesis do Resident Evil). Disposto a alterar o seu destino, o príncipe decide viajar até à uma longínqua ilha, onde planeia regressar no tempo e defrontar a Empress of Time de modo a que as Sands of Time nunca tenham sido criadas. Óbvio que a sua viagem não será facilitada pelos constantes inimigos que vão surgindo e o príncipe terá de viajar constantemente para trás e para a frente no tempo para melhor explorar o enorme palácio da Imperadora.

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O combate está bem mais violento e complexo, mas continua acrobático

O jogo na sua essência é bastante semelhante ao anterior, no que diz respeito às mecânicas de jogo. É igualmente dado um grande ênfase às capacidades atléticas e acrobáticas do príncipe, ao oferecer vários desafios de platforming que exigem ao jogador tirar todo o partido destas habilidades. Como antes, teremos também de realizar saltos impossíveis de plataforma em plataforma, correndo sob paredes, saltitando de poste em poste, rodopiando em barras ou equilibrando-se em vigas estreitas. O que sofreu a maior alteração foi sem dúvida o sistema de combate, que está bem mais complexo, oferecendo uma série de novos golpes e combinações, algumas tirando partido do meio ambiente envolvente. Ao longo do jogo iremos adquirir diferentes armas principais que desencadearão diferentes golpes e habilidades. Para além do mais, é possível ficar com uma arma secundária, retirada do cadáver dos inimigos, existindo muitas dessas armas com diferentes características. Também tal como o jogo anterior, as Sands ot Time permitem-nos controlar de certa forma o tempo. A mais útil é o breve rewind que podemos realizar sempre que um salto nos corra mal, uma armadilha que nos apanhou, ou mesmo uma batalha que não correu muito bem. Habilidades em pleno combate de abrandar o tempo para os inimigos ou mesmo paralisá-los completamente são também utilizadas. Tal como em The Sands of Time, é possível expandir o número de slots de areia e a barra de energia do príncipe. Ainda no que diz respeito às mecânicas de jogo, noto que neste Warrior Within as armadilhas apresentam um desafio bem maior que no jogo anterior.

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As armadilhas tornaram-se mais complexas

E enquanto a jogabilidade permanece boa, na minha opinião estragaram com tudo o resto. Onde outrora os palácios eram majestosos e tinham uma aura com um certo misticismo, a música ambiente tinha uma certa beleza e exoticismo oriental, agora foram substituídos por cenários bem mais austeros e escuros e a música por um metal do mais comercial e fatela que existia na altura. Eu gosto (e muito!!) de metal, mas aquele mallcore com riffs aborrecidos repetidos à exaustão nem por sombras. E mesmo que colocassem lá uns, sei lá, Orphaned Land com o seu metal de influências do médio oriente, eu continuaria a achar deslocado, principalmente tendo em conta o excelente resultado que obtiveram no jogo anterior. A personalidade do príncipe também foi totalmente alterada, transformando-o num pseudo bad-ass, com uma mentalidade mais agressivia, contudo também achei isso bastante forçado. Como se não bastasse toda esta “tesão de mijo” para impressionar os adolescentes borbulhentos (desculpem a expressão, mas algum dia tinha de começar a proferir algumas barbaridades por aqui), as referências sexistas são constantes, desde os decotes avantajados, passando por inimigas que gritam que têm prazer na dor… yay hormones! Isto até teria algum cabimento num Duke Nukem, mas não num Prince of Persia, não faço a mínima ideia do que se tenha passado na cabeça da Ubisoft quando planearam este jogo.

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O jogo tem alguns efeitos de luz interessantes tendo em conta a altura em que saiu

De resto, tecnicamente falando o jogo está bem conseguido, apresentando alguns efeitos gráficos mais bem trabalhados e uma maior variedade de inimigos. Ainda assim, a versão PS2 é a que mais sofre com quebras de framerate, texturas de baixa resolução e mais “serrilhados” pela falta de antialiasing. Mas o que mais me chateia mesmo são os cenários quase monocromáticos, tal como já referi. Das versões originais, mais uma vez a versão Xbox e PC levam a melhor, embora tenha sido lançado recentemente uma conversão com tratamento HD para a PS3 e PSN, sendo possivelmente essa a melhor versão disponível nos dias que correm. Antes de terminar, convém também referir que existe diverso conteúdo bónus para desbloquear, tal como várias imagens de artwork, videos, trailers e pequenos making ofs.

Wizorb (PC)

O artigo que trago cá hoje é mais ligeiro, sendo de um jogo indie que também não traz tanto conteúdo assim. Wizorb é uma interessante mistura de um Arkanoid com um RPG, embora os aspectos de RPG pudessem ser mais trabalhados. O meu jogo chegou-me às mãos através do Humble Indie Bundle 6 que trazia entre outros os populares Torchlight ou Dustforce, como sempre comprado a um valor muito apetecível. Produzido pelo pequeno estúdio Tribute Games, Wizorb é um jogo que faz plena justiça aos seus criadores, remetendo de imediato para uma jogabilidade e audiovisuais da velha guarda que têm estado em voga ultimamente.

Wizorb PCO jogo coloca-nos na pele de um velho feiticeiro, que tem um poder estranho de se transformar numa daquelas barrinhas à lá Arkanoid/Breakout. Ao chegar à vila de Clover, encontra-a em ruínas, mas felizmente com todos os habitantes sobreviventes. Parece que o reino de Gorudo foi invadido por forças malignas, destruindo tudo por onde passa. Sendo o nosso herói uma personagem com poderes mágicos, já sabemos o que acontece a seguir. E tal como os jogos da era 8/16bit, não esperem que a história seja muito desenvolvida com grandes cutscenes intermédias, nem por sombras.

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O nivel termina quando se destruirem todos os blocos e inimigos

Tal como descrevi acima, Wizorb apresenta-se como um jogo em que mescla a jogabilidade de um Arkanoid, com a de um RPG, mas infelizmente os elementos de RPG são muito subaproveitados. A vila de Clover é o único local onde Cyrus (o nosso feiticeiro) pode-se deslocar livremente e falar com os NPCs. Aqui podemos levar a cabo algumas side quests, seja doar algum dinheiro aos habitantes para que reconstruam as suas habitações, ou procurar as crianças desaparecidas que acabam por conferir ainda mais poderes a Cyrus. Mas os elementos RPG ficam-se por aí, não há grande interacção com os NPCs após restaurarmos a vila por inteiro (podemos comprar items numa loja e practicamente é só), não existe nenhum mecanismo de experiência ou level-up, penso que o jogo poderia ter sido melhor aproveitado neste aspecto. Como um clone de Arkanoid, aí já é um jogo bem competente, oferecendo uma jogabilidade desafiante, com vários power ups e que podemos apanhar. Estes powerups tanto podem ser positivos como bolas múltiplas, bolas com dano duplo, extensão da barra, como negativos que nos roubam dinheiro, colocam a barra mais lenta, ou simplesmente destroem-na. Para além dos power ups temos também uma barra de magia que pode ser utilizada para utilizar poderes destrutivos (cuspir bolas de fogo), ou controlar a bola à nossa medida, como invocar rajadas de vento que mudam a trajectória da bola, ou teleguiar a bola para onde nos der mais jeito.

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Infelizmente apenas existe uma aldeia onde podemos interagir com NPCs, e mesmo assim não se interage grande coisa

Estes poderes são bastante úteis quando o jogo começa a decorrer a uma velocidade alucinante, já fui muitas vezes salvo por mudar a trajectória da bola no momento “h”. Os níveis vão ficando cada vez mais complexos e temos de jogar um capítulo de rajada para termos depois tempo para respirar. Cada “zona” é composta por 12 níveis mais um boss final, sendo que mediante o grau de dificuldade escolhido temos um número diferente de vidas atribuidas por defeito para concluir cada capítulo, bem como alguns continues. Esgotando-se os continues atribuidos pelo jogo, podemos obter mais continues, pagando do gold que vamos obtendo. Felizmente, alguns dos powerups que podemos apanhar ou comprar nas lojas ou níveis de bónus escondidos no jogo são mesmo as preciosas vidas que não são assim tão caras.

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Esta é uma das lojas em que podemos adquirir alguns power ups

Graficamente é um jogo com um pixel art muito bom, e bastante colorido. O que já não gosto tanto é da música. Não que a música seja toda má, tal como os gráficos a música também tem um estilo chiptune muito anos 80/90 que a um retrogamer como eu agrada. O que me queixo é da pouca variedade de músicas, que é sempre a mesma ao longo de 12 níveis mais um boss, sem contar as imensas vezes em que perdemos vidas, continues ou mesmo recomeçar o capítulo do zero. De resto os efeitos sonoros também são competentes, mais uma vez transportando-nos para os bons tempos dos 8/16bit, onde um videojogo soava a um videojogo.

Resumidamente este Wizorb deve ser olhado apenas como um bom clone de Arkanoid, sendo bastante competente nesse aspecto. Acho que as influências de RPG seriam uma óptima ideia, mas poderiam e deveriam ter sido mais aproveitadas.

Prince of Persia Trilogy (Sony Playstation 2) – Parte 1: The Sands of Time

Prince of Persia the Sands of TimeUltimamente o tempo para jogar e escrever tem sido mesmo curto. Eu bem disse no artigo anterior que iria focar-me mais em artigos de jogos que já tenha terminado, mas nem isso. De qualquer das maneiras não faço qualquer questão de desistir, mesmo que continue a escrever a conta-gotas. Ainda assim, decidi trazer cá hoje um grande clássico da geração passada, um jogo que fez uma espécie de reboot à mítica série Prince of Persia, que após um jogo menos bem conseguido na actual geração de consolas, voltou ao seu silêncio. O primeiro Prince of Persia de Jordan Mechner é um clássico incontornável dos videojogos, um dos primeiros que joguei para PC e foi portado para practicamente tudo o que fosse consola, portátil ou computador, mesmo muitos anos após ter saído originalmente. Ainda assim, depois de uma sequela 2D que não atingiu o mesmo sucesso, e um jogo em 3D saído para PC e Dreamcast que toda a gente prefere esquecer, a Ubisoft decide meter mãos à massa e lançou no ano de 2003 para PC e consolas (PS2, Gamecube e Xbox) uma nova reimaginação da série, trazendo tudo o que o jogo original tinha de bom e muito mais, desta vez em 3D. Este Sands of Time foi um sucesso, e apesar de a versão PS2 ser a versão com a pior performance visto ter um hardware um pouco mais fraco que as suas concorrentes, ainda assim foi uma versão que vendeu bastante, o suficiente para que fosse lançada uma compilação com os 3 jogos que compõe esta história. A minha versão foi comprada na infelizmente já extinta GAME do Maiashopping algures no ano passado, tendo-me custado cerca de 5€, estando em completa e em bom estado.

Prince of Persia Trilogy - Sony Playstation 2
Trilogia completa com caixa e manuais.

Este Prince não é o mesmo dos primeiros jogos, muito menos o artista pop dos anos 80. Em The Sands of Time a Ubisoft decidiu mostrar uma história completamente diferente, embora existam algumas referências ao primeiro jogo conforme já irei referir. Este The Sands of Time coloca-nos mais uma vez na pele de um príncipe Persa (como se não adivinhassemos esta), cujo seu exército se encontra a invadir uma nação vizinha. O príncipe, motivado em oferecer ao seu pai algo de grande valor, decide aventurar-se sozinho para o palácio inimigo, em pleno clima de guerra, onde consegue obter a mística dagger of time, um precioso artefacto que lhe permite de certa forma controlar o tempo, algo que decide oferecer ao seu pai. A campanha militar dos Persas é um sucesso, com a ajuda preciosa do Vizir que traiu a sua nação, auxiliando os Persas neste esquema. Como forma de pagamento pelos seus serviços, o Vizir exige a dagger of time, algo que lhe torna a ser recusado pelos Persas. Assim sendo, o Vizir decide convencer o jovem príncipe a utilizar a dagger of time nas místicas Sands of Time algo que ele faz, mas libertando um enorme mal que assola o seu palácio, transformando todos os seus habitantes numa espécie de zombies agressivos. Os únicos sobreviventes são mesmo o príncipe e Farah, uma bela jovem que tinha sido tomada prisioneira pelo exército persa, mas decide ajudar o Príncipe em buscar a sua vingança pela traição do Vizir.

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Este é um lugar misterioso onde o príncipe consegue extender a sua barra de energia

A jogabilidade deste novo jogo é algo que foi realmente fora de série para a altura. O príncipe possui imensos dotes atléticos e acrobáticos, sendo capaz de executar saltos impossíveis, andar temporariamente em paredes, saltitar de coluna em coluna ou rodopiar de haste em haste. Estas habilidades são constantemente postas à prova ao longo do jogo, onde o príncipe tem de atravessar imensos segmentos de plataformas, evitando diversos obstáculos ou armadilhas mortais, muito como se fazia no primeiríssimo jogo, agora muito bem executado em 3D. Em conjunto com isto estão os dotes de guerreiro do príncipe. O esquema de combate é bastante fluído, onde podemos (e devemos) utilizar as acrobacias para defrontar os inimigos. Inimigos esses que apenas podem ser permanentemente derrotados se utilizarmos a Dagger of Time enquanto eles estão inconscientes, em caso contrário voltam à vida. Ao utilizar a dagger of time para finalizar os combates faz com que o príncipe vá coleccionando alguma areia mágica. Isto para quê? A habilidade de controlar o tempo é algo que também entra bastante neste jogo, podendo o jogador voltar atrás no tempo sempre que desejar. Um salto que saiu mal? Volta atrás com o rewind. Um inimigo que nos limpou o sebo? Volta atras com o rewind. Obviamente que não podemos abusar desta habilidade, apenas a podemos utilizar algumas vezes, mediante o número de “slots” de areia que dispomos no momento e que vão sendo restabelecidos sempre que finalizamos um inimigo. Estes slots vão sendo aumentados à medida em que o jogo vai progredindo, bem como a barra de vida do príncipe, que vai aumentando sempre que encontramos alguns locais específicos. Para além disto, a dagger of time possui também outros poderes que nos podem auxiliar no combate, como tornar a movimentação em câmara lenta ou mesmo paralizar temporariamente alguns inimigos.

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O combate acrobático é uma imagem de marca deste jogo.

Mas nem tudo se resume a combates fancy ou acrobacias, existem também diversos segmentos do jogo em que temos de resolver alguns puzzles para progredir, e a interacção de Prince com Farah vai ficando cada vez mais interessante, com Farah a auxiliar nos combates ou a cooperar na resolução de puzzles. A vida de Prince pode ser restaurada a beber àgua de fontanários ou outras piscinas, e podemos ir fazendo save ao longo do jogo em diversos pontos em específico, espalhados ao longo da aventura e que vão dando algumas dicas dos obstáculos que o príncipe enfrentará no futuro. Existe também algum conteúdo escondido, nomeadamente uma conversão completa do primeiro jogo escondida no meio da aventura.

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Os puzzles aparecem de várias formas e feitios

Para além de uma jogabilidade fluída e bem conseguida, o aspecto audiovisual de The Sands of Time é algo que chama inevitavelmente à atenção. Por um lado é verdade que não há uma variedade muito grande cenários, a sua maioria são palácios e suas ruínas, mas os mesmos estão majestosamente construídos. Apesar de ser um jogo de acção, a Ubisoft conseguiu manter ao longo do jogo uma faceta sempre mística nos seus cenários e jogos de luzes, que nos fazem querer perder algum tempo a apreciar os grandes salões e corredores que esta aventura nos presenteia. Para acompanhar a beleza visual este The Sands of Time apresenta uma banda sonora igualmente mística, repleta de toques do médio oriente. Infelizmente o jogo seguinte – Warrior Within foi um passo atrás nestes aspectos, mas isso fica para um próximo artigo.

Assim sendo, este Prince of Persia é, na minha opinião um dos melhores jogos da geração anterior, fruto de um belo período criativo que a Ubisoft atravessava na altura, tendo lançado este jogo quase em simultâneo com outros grandes jogos da passada geração como Splinter Cell, XIII ou Beyond Good and Evil. Sendo um jogo multiplataforma, existem versões que oferecem uma melhor performance, o que neste caso são todas as outras versões. Mas ainda assim a versão PS2 é um port bastante sólido, as suas limitações de hardware face às da concorrência não lhe tiram a diversão. De qualquer das formas talvez queiram experimentar a conversão que foi lançada para a PS3 em formato digital na PSN, que sofreu um facelifting para resoluções em HD.