Tales of Monkey Island (PC)

Vamos voltar à série Monkey Island para aquele que foi o seu quinto lançamento e, pela primeira vez na série, não foi desenvolvido pelas Lucasarts (apesar de a mesma ter sido consultada). Foi então um lançamento da Telltale Games, que por sinal havia sido fundada por ex funcionários da Lucasarts e por esta altura já estava a começar a ganhar alguma fama com os seus jogos de aventura baseados em múltiplas outras propriedades intelectuais. O meu exemplar foi comprado algures em 2012/2013 numa Game por cerca de 5€ se a memória não me falha.

Jogo com sleeve exterior, caixa, manual e papelada

A narrativa leva-nos uma vez mais a controlar o carismático Guybrush Threepwood, o mais temível pirata de todos os tempos, ou pelo menos é o que ele gosta de afirmar. E a história começa já com um confronto entre Guybrush, acompanhado da sua esposa Elaine, contra o vilão LeChuck. Mas como sempre, Guybrush faz asneira e em vez de derrotar LeChuck, o artefacto que utilizada acaba por absorver todas as energias malignas do pirata, espalhando-as pela atmosfera das Caraíbas, o que irá acabar por infectar todos os restantes piratas, que começam a ficar bastante agressivos tal como LeChuck. Uma das mãos de Guybrush fica também afectada desde logo, practicamente ganhando vida própria. Para além disso, LeChuck é surpreendentemente transformado de volta num ser humano normal e aparentemente sem quaisquer más intenções. O resto da aventura irá então colocar-nos no encalço de uma cura para a mão de Guybrush e da tal névoa que está também a infectar todos os restantes piratas.

O point and click neste jogo serve apenas para interagir com objectos ou personagens. Para nos movermos pelos cenários teremos de utilizar o teclado

Tal como tem sido habitual nos jogos da Telltale, este Tales of Monkey Island é dividido em 5 episódios distintos, que haviam sido disponibilizados para download em diferentes datas. Cada episódio vai decorrendo em diferentes cenários e naturalmente mantém um fio condutor na narrativa. No entanto, não me pareceu que houvesse qualquer impedimento em jogar uns episódios em detrimento de outros se tal me apetecesse. De resto esta é uma aventura gráfica do género point and click, embora uma vez mais como tem sido habitual nos jogos da Telltale, os mesmos estão mais voltados para serem jogados com um comando do que o tradicional rato e teclado. Isto porque o rato movimenta um cursor que pode de facto ser utilizado para interagir com objectos e falar com outras pessoas, mas o movimento em si deve ser feito com o teclado, quer com as teclas WASD, quer com as setas. Podemos também manter o rato pressionado no próprio Guybrush e arrastá-lo para que este se movimente, mas esse é um método de controlo um pouco desagradável.

Felizmente o bom humor está sempre presente (apesar de alguns momentos bem dramáticos pelo meio) e novas personagens como este Marquis estão também bem conseguidas

De resto, contem com o bom humor do costume, muitas personagens icónicas da série a marcarem o seu regresso uma vez mais (como é o caso do chato do Stan, da senhora especialista em voodoo ou Murray, a caveira falante ), enquanto que muitas das novas personagens, como o novo vilão Marquis de Singe também estão bem conseguidas. Como é habitual teremos também vários puzzles para se resolver, muitos à volta da ideia das lutas de espada com insultos, mas aplicados em contextos diferentes. Existe no entanto um outro estilo de puzzle que é utilizado também recorrentemente, que envolve navegar em zonas labirínticas com ajudas de mapas que podem não ser tão claros. O último desses acabou por ser mais obtuso, mas nada que uma espreitadela num guia não ajude.

Também temos um momento Ace Attorney algures a meio da aventura!

A nível audiovisual confesso que o jogo não é muito bom. Apesar de as animações estarem muito boas, os modelos poligonais das personagens são bastante simples, mas mesmo que fossem mais bem detalhados contiuaria a preferir de longe os visuais pixel art dos clássicos. Por outro lado, no entanto, o voice acting continua fantástico e muitas vozes conhecidas regressam para encarnar novamente em várias das personagens. A banda sonora também vai sendo agradável.

Portanto este Tales of Monkey Island foi um jogo de aventura bastante agradável de se jogar e apesar de estar longe dos clássicos tanto em carisma, humor e visuais, acho que a Telltale acabou por fazer um óptimo trabalho. A empresa veio no entanto a ganhar muito maior notoriedade a partir do lançamento do The Walking Dead, pelo que desde então se focou mais em fazer outros jogos de aventura com a mesma fórmula e sobre várias propriedades intelectuais mais conhecidas do universo de entretenimento audiovisual. Uma vez mais a saga Monkey Island (e várias outras da Lucasarts, visto que a Telltale havia também pegado nos Sam & Max) acabaram por ficar esquecidas uma vez mais. Até ao ano passado, pelo menos, visto que tivemos direito a mais um Monkey Island, desta vez com Ron Gilbert uma vez mais a assumir a produção. Irei jogar esse jogo em breve!

Master Games 1 (Sega Master System)

Vamos voltar agora à Sega Master System para mais uma rapidinha a esta compilação Master Games 1, que segue a mesma linha das compilações que a Sega foi lançado para a Mega Drive sob o nome de Mega Games. No entanto, ao contrário das versões 16bit que receberam nada mais nada menos do que 6 lançamentos sob esse nome, a Sega ficou-se por este primeiro volume na Master System, cuja compilação acabou mais tarde por ser incluída em bundles com a Master System II, o que terá acontecido certamente com o meu exemplar, pois vem com um manual único com os 3 jogos desta compilação mais o Sonic the Hedgehog, que vinha embutido na memória da consola.

Compilação com caixa e manual

A razão pela qual este artigo é então uma rapidinha é muito simples, a compilação inclui 3 jogos que já cá referi no passado. Um deles é o Columns, cuja versão Game Gear (e outras) já cá trouxe no passado, embora esta versão Master System possua umas ligeiras diferenças que irei mencionar em seguida. Os outros jogos são o Super Monaco GP e World Soccer que também já cá trouxe.

Ao contrário dos Mega Games, aqui não temos qualquer menu onde poderemos qual título jogar. Teremos então de reiniciar a consola várias vezes até iniciar o jogo que queremos.

Em relação ao Columns, esta foi a primeira resposta da Sega face ao sucesso do Tetris, pois na sua essência, este também é um jogo com algumas semelhanças, mas em vez de combinações de peças com 4 blocos e com o objectivo de limpar linhas horizontais, temos peças verticais com 3 blocos coloridos e o objectivo é o de ir fazendo linhas horizontais, verticais ou diagonais de 3 ou mais blocos da mesma cor/forma/figura. E tal como eu referi acima, a versão Master System é idêntica à da Game Gear salvo possuir uma maior resolução de ecrã e claro, os modos multiplayer. Aqui podemos jogar tanto competitivamente, como cooperativamente, onde no primeiro caso o objectivo é o de fazer combos e mandar “lixo” para o ecrã adversário. Já no segundo caso, bom, digamos que cada jogador joga à vez, ou seja cada peça é colocada por um jogador diferente, o que deve ser um pouco estranho quando a dificuldade/velocidade aumenta.

A principal novidade da versão MS do Columns são mesmo os seus modos multiplayer

Portanto estamos aqui perantes a primeira e única compilação Master Games e sinceramente é fácil de tirar um paralelismo com a Mega Games I, visto que também temos aqui uma versão do Columns, um jogo de corridas e um outro de futebol, embora este último seja francamente muito fraco. Presumo que as vendas da Master System já não fossem tão boas assim para novas compilações, mas seria interessante ver que outros jogos a Sega escolheria.

Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 2: Halo 2 Anniversary

OK, tenho de dar o braço a torcer. As minhas críticas à série Halo eram bastante infundadas. Quer dizer, continuo a achar o primeiro jogo bastante aborrecido por toda a repetição que nos obriga a fazer nos seus níveis gigantes, particularmente a partir da metade do jogo, mas a sequela melhora em tudo a experiência. Eu já tinha jogado o Halo 2 há mais de 10 anos atrás na sua versão de PC e ao reler as minhas impressões dessa altura eu já tinha achado a sequela bem melhor que o primeiro jogo. Mas jogá-lo novamente ao fim de mais de 10 anos, ainda por cima com esta versão graficamente superior, devo dizer que fiquei rendido. Este artigo será então uma rapidinha, onde me irei focar precisamente nas diferenças introduzidas pelo remake da sua versão de aniversário, que está aqui presente nesta compilação Halo: The Masterchief Collection.

Compilação com caixa

A história decorre pouco tempo após os eventos do primeiro jogo, onde os Covenant atacam o planeta Terra e uma vez repelido o ataque, iremos no seu encalço e atacá-los na sua casa. Por outro lado, a própria sociedade Covenant está a atravessar um certo período atribulado, com o jogo a levar-nos também a jogar alguns níveis na pele de um Elite de renome, entretanto renomeado (leia-se: fortemente despromovido) para Arbiter, após ter falhado a sua missão de nos impedir no primeiro jogo. Uma das coisas que a 343 Industries fez neste jogo foi refazer as cut-scenes e se por um lado não me recordo de todo se o diálogo foi expandido nas novas cut-scenes, existem no entanto vários terminais espalhados pelo jogo que, ao serem interagidos, nos mostram cenas adicionais que expandem a história e nos dão mais detalhes do que tem estado a acontecer.

Das poucas coisas que não gostei muito neste jogo são as áreas onde os inimigos parecem surgir sem fim, o que me levou a desistir de os combater a todos e simplesmente andar em frente

A nível de jogabilidade as mecânicas base do Halo mantêm-se, seja com a vida regenerativa (no entanto não temos mais a distinção entre vida e armadura), um arsenal bem variado de armas humanas e covenant que poderemos vir a utilizar (apesar de apenas podermos carregar duas de cada vez) assim como a existência de vários veículos que poderemos vir a conduzir. A grande novidade foi a introdução das mecânicas de “dual wield“, que nos permitia usar duas armas pequenas em simultâneo, com a penalização de não podermos atirar granadas. E claro, a introdução de um Elite como personagem jogável em certos pontos da história. A única diferença no entanto entre jogar com o Master Chief e o Arbiter é que este último se pode tornar temporariamente invisível. De resto é também um jogo com uma forte componente multiplayer e pela primeira vez no caso da versão original de Xbox, permitia partidas online e foi um tremendo sucesso na comunidade Xbox por isso mesmo. No entanto não me vou alongar nesse tópico pois não a cheguei a experimentar, nem nas versões originais, nem nesta nova versão.

O dual wield foi uma das introduções na jogabilidade do Halo 2

Visualmente este jogo é muito bom. Já a versão original teve um salto notório de qualidade desde o primeiro jogo na Xbox, mas este remake está muito melhor. O salto gráfico entre versões Anniversary é também bem bastante superior, visto que o Halo CE Anniversary foi desenvolvido originalmente para a Xbox 360, enquanto que este já foi para a Xbox One, um sistema da geração seguinte. As cut-scenes em CGI estão fantásticas e fora isso, a qualquer outro momento no jogo poderemos alternar entre os gráficos da versão original e os desta nova versão (e uma vez mais a diferença é abismal). Uma coisa que também alterna entre uma versão e outra é a banda sonora, algo que me passou completamente despercebido na versão original. E sim, a banda sonora continua excelente, bastante diversificada nos seus géneros musicais, alternando entre músicas épicas e orquestrais, outras mais electrónicas, ambientais ou mesmo grandes metaladas em momentos de maior aperto.

Visualmente o remake está muito bom, facilmente uma geração à frente face ao remake do Halo original.

Portanto devo dizer que gostei bastante de ter voltado a jogar este Halo 2, que na sua versão Anniversary possui visuais muito mais apelativos. Já não me lembrava também que o jogo termina num grande cliffhanger, pelo que entendo perfeitamente a ansiedade dos fãs da série pelo terceiro jogo. Vou agora fazer uma pequena pausa na série Halo, sendo que irei jogar futuramente o Halo 3 ODST, algures nas próximas semanas.

Atomic Runner (Sega Mega Drive)

Vamos voltar agora à Sega Mega Drive para mais um dos jogos desenvolvidos pela Data East para esta consola. Este Atomic Runner é então um jogo de acção 2D sidescroller que por vezes mais parece um shmup. É também uma adaptação do Atomic Runner Chelnov, jogo arcade de 1988, embora esta versão Mega Drive muda consideravelmente o seu aspecto gráfico e som, felizmente para melhor! O meu exemplar foi comprado numa CeX algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos a controlar Chelnov, filho de um cientista que acaba por ser atacado aliens e também raptam a sua irmã Chemi. O pai de Chelnov aparentemente já sabia da existência dessa raça alienígena e dos seus planos para dominarem a Terra, pelo que preparou uma armadura especial para que Chelnov os pudesse combater! Aparentemente a versão original arcade possui uma história diferente que envolve ensaios nucleares falhados pela União Soviética, uma clara inspiração do desastre de Chernobyl.

As mecânicas de jogo são um pouco estranhas ao início. Este é mais que um run ‘n gun, pensem mais num shmup com elementos de plataforma. Isto porque o ecrã faz scrolling automaticamente e Chelnov também está constantemente a correr na direcção de scrolling do ecrã, mesmo que não pressionemos nenhum botão. Para além disso, por defeito Chelnov apenas dispara na direcção para o qual está virado e mesmo que pressionemos o direccional para trás, Chelnov irá andar para trás, mas mantendo-se virado para a frente. Podemos também atacar os inimigos ao saltar em cima deles, o que faz com que Chelnov ressalte nos mesmos, pelo que também os poderemos usar como plataformas temporárias, algo que inclusivamente teremos de fazer forçosamente nalguns segmentos mais desafiantes de platforming. Tendo em conta todas estas premissas, os controlos por defeito funcionam da seguinte forma: o direccional movimenta Chelnov para a esquerda ou direita, enquanto se mantém voltado na mesma direcção. O botão A serve para saltar (sendo que se pressionado em conjunto com o direccional para a esquerda ou direita permite-nos fazer um mortal), botão B para disparar e botão C (em conjunto com o direccional) serve para Chelnov se virar de um lado para o outro. Existem outros controlos alternativos que simplificam um pouco as coisas, com o botão C a ser usado para virar de direcção sem necessitar do direccional. Um outro esquema de controlo usa o botão B para saltar e os A e C para disparar para a esquerda ou direita, com Chelnov a virar-se automaticamente para essa direcção.

A história desta versão foi modificada para remover referências à USSR e ao desastre de Chernobyl, que estavam presentes no original arcade.

Independentemente do método de controlo seleccionado, estas mecânicas requerem alguma habituação, pelo que a curva de aprendizagem é considerável e claro, sendo este um jogo com origens arcade, esperem que o mesmo seja desafiante, com vários inimigos a surgirem de todos os lados e alguns segmentos de platforming mais exigentes. Felizmente teremos muitos power ups à nossa disposição, que tanto podem melhorar o alcance dos saltos, dos disparos, velocidade dos ataques bem como o dano que infligem. Outros itens como moedas apenas nos dão pontos extra. Inicialmente dispomos apenas de uma arma que dispara raios laser, mas também poderemos encontrar outros itens com armas diferentes como bumerangues, mísseis teleguiados, esferas metálicas com espinhos que são disparadas em múltiplas direcções, entre outros, sendo que cada arma terá diferentes características no dano infligido, área afectada e velocidade. Naturalmente, ao mínimo dano sofrido perdemos logo uma vida e todos os power-ups e armas coleccionados.

As mecânicas de jogo aqui introduzidas são algo invulgares o que nos obrigam a uma maior curva de aprendizagem

Uma das grandes mudanças deste jogo perante a sua versão arcade são mesmo os seus audiovisuais e felizmente esta foi uma mudança para melhor. Apesar do original arcade ser de 1988, nessa altura as arcades já tinham outros videojogos em 2D com um detalhe gráfico bem superior, basta ver o que empresas como a Sega, Namco, Capcom, SNK ou a própria Data East estavam a fazer (a versão arcade do Robocop é deles e é um óptimo exemplo visto ser do mesmo ano). Portanto, felizmente os gráficos foram refeitos para a esta versão Mega Drive, apresentando cenários muito mais ricos em detalhe, bonitos efeitos gráficos como parallax scrolling e os inimigos e bosses estão igualmente bem detalhados. Os cenários vão sendo bastante variados, tendo no entanto uma inegável influência de antigas culturas. Vamos explorar ruínas em selvas mutantes, maias, egípcias ou tibetanas, com o jogo a culminar em confrontos em plena cidade de Nova Iorque, para contrastar um pouco. A banda sonora foi também melhorada e sinceramente acho que é de longe o melhor desta adaptação! As músicas não só são boas por si mesmo, como soam bastante bem. Parabéns à Data East por ter conseguido tirar bom partido das capacidades do chip de som da Mega Drive, cuja má fama acho muito injusta.

Visualmente esta versão é bem mais detalhada que o original arcade, com este nível no Egipto a ser o meu favorito.

Portanto este é um jogo algo estranho e desafiante pelas mecânicas de jogo que nos introduz, obrigando-nos a uma curva de aprendizagem num contexto de jogo exigente onde ao mínimo dano perdemos uma vida e todos os power ups coleccionados. É também algo bizarro nos seus cenários e inimigos, mas isso já digo mesmo no bom sentido, assim como a banda sonora que é excelente. Apesar de não ser de longe um clássico incontornável na biblioteca da Mega Drive, acho-o um bom exemplo de como adaptar um jogo arcade nesta consola!

Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 1: Halo CE Anniversary

Vamos então continuar pela compilação Halo: The Masterchief Collection. Visto que já tinha jogado os primeiros 2 Halo nas suas versões PC, o meu plano original era jogar apenas os restantes, mas visto que até gostei do do Halo 3 e não me recordava nada da história do que aconteceu anteriormente, lá me decidi também a rejogar as prequelas novamente visto que os mesmos estão aqui incluídos nas suas versões Anniversary, ou seja, remakes. O meu plano seguinte era o de apenas actualizar o artigo que já havia publicado em 2013 sobre o primeiro Halo, mas na verdade ao fim de tanto tempo a minha opinião sobre esse jogo já é consideravelmente diferente pelo que preferi então escrever um novo artigo focado precisamente nesta versão.

Compilação com caixa

Ora o Halo foi um jogo originalmente desenvolvido pela Bungie que já havia trabalhado noutros títulos no passado, sempre com um grande foco nas plataformas Mac (como é o caso da série Marathon que gostaria de cá trazer num dia destes). A Microsoft ficou impressionada com o trabalho a ser desenvolvido pela Bungie no que se viria a tornar neste Halo e com a sua primeira consola à porta, precisavam de um título bastante forte para fazer frente à concorrência, pelo que acabaram por comprar a própria Bungie e tornar Halo num jogo exclusivo de Xbox. Para além de enormes níveis e a introdução de veículos jogáveis, Halo foi também responsável por de certa forma modernizar o género, ao introduzir vida regenerativa, progresso salvo em checkpoints e a possibilidade de apenas carregarmos 2 armas em simultâneo, mas com um grande leque das mesmas à nossa escolha. Ora este Halo Combat Evolved Anniversary foi um jogo lançado originalmente em 2011 para a Xbox 360 para celebrar o décimo aniversário do lançamento original.

Uma das coisas que o Halo original impressionou na altura era mesmo a imensidão dos seus níveis, tanto que a Bungie originalmente até queria que este fosse um jogo open world.

O que traz de novo esta edição? O que salta logo à vista são os seus gráficos modernizados, com cenários e personagens muito melhor detalhados e com texturas de maior resolução. Um detalhe interessante é a possibilidade de, a qualquer momento com o pressionar de um botão, alternar entre os visuais antigos e os modernos, o que nos dá uma grande perspectiva do esforço que tiveram em modernizar os visuais. Mas não foi apenas um mero update gráfico, a geometria dos cenários também foi alterada ligeiramente, com certos obstáculos como arbustos ou rochas apenas existirem na versão moderna. Por exemplo, várias vezes utilizei o a funcionalidade de alternar entre os visuais novos e antigos para conseguir acertar em inimigos que se escondiam por detrás de objectos apenas existentes na versão moderna, por exemplo. A banda sonora foi também regravada e sinceramente gostei do resultado e o multiplayer, que no lançamento original na Xbox apenas permitia split screen, aqui também estaria disponível como online. Mas uma vez mais, nem sequer toquei no multiplayer, pelo que não me vou alongar nesse tópico.

Uma das novidades do remake é mesmo os visuais modernizados, com mais detalhe, polígonos e melhores texturas

A história também foi ligeiramente expandida, principalmente com a introdução de vários terminais espalhados pelos níveis e que, quando interagidos, mostram algumas cut-scenes que melhor detalham a narrativa com os eventos dos jogos seguintes. E a história, que foi uma das minhas maiores críticas quando escrevi o artigo sobre o Halo original, até que se mostrou bem mais interessante agora que o joguei novamente (e também com os eventos do Halo 3 bastante frescos na memória). Aparentemente tanto a Bungie como a 343 Industries têm vindo a trabalhar bastante no lore desta série ao longo dos anos, pelo que há que lhes dar o devido crédito também. Ainda assim, alguma backstory adicional antes de começar a aventura, por exemplo, quem são os covenant e de onde é que eles vieram, também teria sido bem-vinda.

Posso estar mesmo mal habituado, mas estes indicadores de objectivo poderiam ser um pouco mais comuns. Várias vezes fiquei algum tempo preso sem saber o que fazer só porque o interruptor para abrir uma passagem me passou completamente despercebido!

No entanto, apesar de ter apreciado mais este Halo agora do que nas minhas primeiras tentativas, há uma crítica que preciso mesmo de manter. A partir da segunda metade do jogo, o mesmo começa a ficar bastante repetitivo. Não tenho nada contra níveis grandes (até porque esse era também um dos selling points do jogo), mas quando os níveis tornam-se em tarefas de atravessar os mesmos corredores vezes sem conta, com layouts idênticos entre si, começa a cansar. E os últimos níveis têm muito disto, infelizmente.

Portanto devo reiterar que dou mais valor ao primeiro Halo agora que joguei esta versão mais recente, principalmente pela grande variedade de armas que poderemos utilizar, particularmente as armas alienígenas que são bastante originais no seu design e funcionalidade. O uso ocasional de vários tipos veículos também foi bastante agradável, embora tivesse sentido a falta de uma IA que me permitisse conduzir os jipes, enquanto eu próprio tratava da metralhadora pesada, o que acontece no Halo 3. No entanto o design de grande parte dos níveis acabou por se tornar, para mim, de longe o ponto mais fraco deste jogo. É que a certa altura já não me estava a divertir mas só a esperar que o próximo corredor igual aos outros fosse o último! Segue-se então o remake do Halo 2 que o iniciarei muito em breve!