Quackshot / Castle of Illusion (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma super rapidinha, desta vez para a Mega Drive e vamos ficar com uma compilação de luxo, com dois dos mais icónicos jogos da Disney para a Mega Drive. É uma compilação que inclui nada mais nada menos que Quackshot e Castle of Illusion, os primeiros jogos do Donald e Mickey (respectivamente) que chegaram até à máquina de 16 bit da Sega. Curiosamente ou não, ambos foram desenvolvidos pela empresa nipónica. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Outubro, tendo vindo de um bundle com vários outros jogos que me ficou a menos de 10€ por cada.

Jogo com caixa e manual

Ora ambos são jogos de plataformas clássicos da Mega Drive que recomendo vivamente que os joguem, caso sejam fãs de jogos de plataforma clássicos em 2D. No entanto, visto ser uma compilação que não traz nada de novo, recomendo que leiam os meus artigos de ambos os jogos em standalone. Basta seguir os links publicados no parágrafo acima.

Summer Games (Sega Master System)

Vamos a mais uma rapidinha, agora para a Master System a mais um daqueles jogos da Epyx que são uma compilação de diferentes eventos desportivos, todos eles com jogabilidade que requer combinações de botões em momentos precisos, o que irá exigir muita práctica. Desta vez a temática é a dos jogos olímpicos de verão. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Outubro por 5€.

Jogo com caixa e manual

O jogo foi lançado originalmente em 1984 para o Commodore 64, com esta conversão para a Master System a ser lançada bem mais tarde, em 1990. E enquanto o original possuía 8 eventos diferentes a competir, esta conversão tem apenas 5, pelo que ficaram pelo caminho duas vertentes de corrida de estafeta e o tiro. Tal como os restantes jogos da Epyx deste género, temos a possibilidade de competir num evento, competir em todos os eventos, treinar um evento à escolha e ver os recordes existentes. A competição propriamente dita pode ser jogada com um máximo de 8 jogadores que representam diferentes nacionalidades sendo que todos jogam à vez e no final ganha quem atingir mais medalhas.

O sprint dos 100m é o que tem a jogabilidade mais simples mas ainda assim uns botões turbo davam jeito

Cada evento possui controlos muito próprios e com timings exigentes, pelo que uma leitura atenta do manual é bem recomendada e claro, muita práctica. No salto à vara começamos por correr automaticamente e teremos pressionar para baixo para pousar a vara e começar a saltar. Muitas vezes iremos fazê-lo tarde demais e o salto será desqualificado. Mas mesmo que consigamos plantar a vara no tempo certo, depois temos de manter pressionados o botão 1 e os direccionais cima e direita e esperar que tudo corra bem. O sprint dos 100m é bem mais simples, mas é cansativo pois depois da partida apenas teremos de pressionar os botões 1 e 2 de forma alternada, o mais rapidamente possível. O evento de ginástica obriga-nos a saltar para um cavalete e fazer algumas acrobacias, o que se traduz em usar o botão 1 para saltar (uma vez mais com timings certos) e o direccional para as acrobacias, sendo que teremos de ter a preocupação de aterrar em pé, caso contrário a pontuação que nos será atribuída será desastrosa. Os últimos dois eventos são aquáticos, começando pelo mergulho de 10m. Aqui teremos uma série de 4 saltos para executar, onde saltamos com o botão 1 e usamos o direccional para fazer algumas acrobacias. Uma vez mais temos de ter a preocupação de entrar na água de cabeça, pelo que é mais uma vez uma questão de práctica. O último evento é o sprint de 100m a nadar em estilo livre, onde teremos de manter pressionado o botão direccional na direcção a nadar e pressionar o botão 1 repetidamente até à exaustão.

Não convém fazer uma chapa na água, os juízes são muito exigentes

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado, principalmente se comparado ao original da Commodore 64. As músicas não são nada desagradáveis, e este é outro dos casos de um jogo ocidental ter suporte a músicas FM, mesmo com o mesmo não tendo um lançamento japonês. Isso aconteceu pois esta conversão para a Master System não foi produzida pela Epyx mas sim subcontratada a um pequeno estúdio pela Sega of Japan. Aparentemente o som foi todo programado pela Sega Japan, talvez por essa razão lá tenham introduzido músicas em FM.

Portanto, este Summer Games é mais um daqueles jogos que sinceramente não envelheceu lá muito bem. Os seus diferentes eventos possuem controlos que nem sempre são intuitivos, resultando em experiências bastante frustrantes, principalmente para quem não tiver o manual que os explique. Nunca fui o maior fã deste estilo de jogos e sinceramente nem sei como esta série da Epyx teve assim tanto sucesso nos anos 80.

Jimmy White’s Whirlwind Snooker (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas, mas agora na Mega Drive, vamos ficar com mais um jogo desportivo, este de snooker. Publicado pela Virgin, este foi um jogo de simulação lançado originalmente para uma série de computadores, entre os quais o PC e Commodore Amiga em 1991. Três anos depois, sai esta conversão para a Mega Drive. É um jogo com o endorsement do Jimmy White que, para além de figurar em 2 jogos de bilhar, desconheço completamente. O meu exemplar foi comprado numa loja física, algures em Setembro e custou-me menos de 5€.

Jogo com caixa

Este é então um simulador de snooker, que nos permite jogar partidas em modo treino ou simulação completa, tanto contra o CPU como contra algum amigo. A diferença entre o modo treino e simulação é que no primeiro poderemos anular a jogada anterior e o CPU também nos pode dar uma ajuda a indicar qual a melhor jogada a fazer. De resto temos também o modo Trick Shot, que nos permite construir cenários específicos para treinar, ou seja, poderemos espalhar as bolas de snooker pela mesa da maneira que melhor entendermos e practicar mais um pouco. De resto, começando uma partida temos acesso a um interface por ícones numa barra na parte superior do ecrã. Aqui poderemos escolher diversas opções como posicionar a câmara directamente atrás da bola branca, bem como fazer um tilt da mesma para o lado, definir a força a aplicar em cada tacada, em que zona da bola queremos atingir, activar linhas de direcção da tacada, entre outros. Uma vez definidos todos os parâmetros desejados, temos também um ícone para efectuar a tacada propriamente dita. Este é um jogo que suporta o rato da Mega Drive, pois usamos um cursor para activar todas estas opções, mas o comando também se adequa bem pois este é um jogo metódico e temos o tempo que quisermos para planear cada jogada.

Graficamente até que é um título impressionante pela sua mesa renderizada em 3D

Do ponto de vista audiovisual sinceramente até me impressionou pela sua fluidez de jogo. A mesa de bilhar é um objecto poligonal em 3D, naturalmente com pouco detalhe, mas ainda assim é um detalhe interessante. As bolas são sprites 2D, mas deslocam-se com fluidez pela mesa. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, vamos tendo algumas reacções do público ocasionais, como aplausos ou assobios e as músicas apenas existem durante o ecrã título e menus, mas sinceramente não as achei nada de especial.

Portanto este Jimmy White’s Whirlwind’s Snooker até que é um jogo interessante na sua execução e dá bem para entreter. Pena que apenas tenha a modalidade de snooker e não outras modalidades como o “bilhar de café” que todos conhecemos.

Scramble Spirits (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas nas consolas da Sega, vamos ficar agora com este shmup chamado Scramble Spirits. Criado originalmente pela Sega nas arcades (através do hardware System 24, bem mais poderoso que a pobre Master System) este Scramble Spirits acabou por receber uma conversão para a Master System no final da década de 80, bem como uns quantos outros microcomputadores em voga na Europa. O meu exemplar foi comprado algures em Agosto a um amigo por 5€.

Jogo com caixa

A história é o cliché habitual. O planeta foi invadido por forças alienígenas e nós acabamos por ser a última esperança da raça humana, onde sozinhos (ou com a ajuda de um amigo) teremos de enfrentar todas as forças inimigas.

Ora eu nunca joguei o original arcade, mas esta versão Master System não traz muito de realmente novo nas mecânicas de jogo típicas deste género. Os únicos power ups que vamos encontrando são os tais aviões secundários que podem nos podem acompanhar (com um máximo de duas) e aumentar o nosso poder de fogo. Um botão para disparar, o outro alterna a formação das naves adicionais, seja para atingirem alvos aéreos ou terrestres. O ataque especial é dado pelos tais aviões opcionais e é despoletado ao pressionar os botões 1 e 2 em simultâneo. Quando o fazemos, um desses aviões mergulha uns metros e explode, não destrói todos os inimigos presentes no ecrã, mas apenas aos que forem apanhados no raio da explosão. Uma vez a explosão terminada, o avião ainda sobrevive, pelo que teremos de o apanhar novamente. Mas o avião regressa a deitar fumo, e se tivermos de o usar novamente para este ataque kamikaze, o mesmo acaba por ser destruído definitivamente.

Graficamente esta versão fica muito aquém do original arcade, apesar de até ter os seus momentos

Do ponto de vista audiovisual, bom o original arcade era um jogo bem bonito, pois foi desenvolvido para o hardware System 24 com capacidades de sprite scaling. A diferença entre versões é de facto colossal. A Master System possui cenários bem mais simplificados, em particular a transição para os pequenos níveis de bónus que apresenta aqui um sprite scaling muito modesto. As músicas até que são agradáveis, mas este é também um dos poucos exemplos de um jogo de Master System que nunca chegou a sair no Japão, mas inclui também suporte ao sistema de som FM, que para nós europeus não serve de muito pois as nossas consolas nunca tiveram suporte oficial a esse add-on. Talvez a Sega ainda estivesse a planear lançar este jogo no Japão, o que acabou por não acontecer. Mas o que quero dizer aqui é que essas músicas FM são naturalmente bem melhores!

Apesar de supostamente ser um jogo futurista, a sua estética é muito da 2a Guerra Mundial

Portanto este Scramble Spirits acaba por ser um lançamento algo ingrato na Master System. Sem dúvida que seria bem mais interessante tê-lo visto antes na Mega Drive que, apesar de certamente ter de sofrer algumas restrições, seria uma conversão bem mais fiel face ao original. Ainda assim não deixa de ser um jogo minimamente competente e a conversão para a Master System foi benvinda.

Ultima: Worlds of Adventure 2: Martian Dreams (PC)

Já há bastante tempo que não voltei a pegar na série Ultima, uma das mais influentes de sempre nos Western RPGs e não só. A última vez que lhe peguei foi justamente com o Worlds of Ultima: The Savage Empire, um spin-off da série principal que usou o mais recente motor gráfico do Ultima VI para contar uma aventura bem longe de Britannia. E a Origin ainda reaproveitou o mesmo motor gráfico para mais uma dessas aventuras secundárias, nomeadamente este Martian Dreams. O meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa, algures em 2014, tendo-me custado 5€. Foi um bundle bem interessante de jogos em big box de alguém gostava bastante da Origin Systems, pois ainda tinha trazido também o Ultima V e mais uns quantos Wing Commander.

Jogo em formato big box com 5 disquetes, mapa, manuais e papelada diversa – bons tempos das big box cheias de goodies!

A história até que é bastante interessante. A cutscene inicial leva-nos ao final do século XIX na Expo de 1893, onde um canhão espacial estava a ser mostrado pelo astrónomo Percival Lowel. Este era capaz de disparar uma cápsula cheia de gente directamente para o planeta Marte. Ora, quando uma série de celebridades da época estavam dentro da cápsula para demonstração, alguém sabota o canhão e todas aquelas personagens ilustres (como Thomas Edison, Theodore Roosevelt, Marie Curie, Lenine, Rasputin, entre outros) acabam por ser disparadas para Marte e ficam lá à espera de resgate. Entretanto, fast forward para 100 anos depois, o Avatar recebe uma visita de uma pessoa desconhecida que pede a sua ajuda para ir resgatar todas aquelas pessoas de Marte. Em conjunto com o seu amigo Dr. Spector (Warren Spector, uma vez mais o produtor do jogo a dar a sua cara), acabam por usar o poder das Moonstones para viajar no tempo para o passado e juntarem-se a Nikola Tesla que lança mais uma cápsula para Marte e partimos assim à aventura na exploração do planeta vermelho. Quando lá chegamos descobrimos uma civilização marciana em ruínas, pelo que teremos de voltar a reactivar uma série de edifícios e ir interagindo com os restantes terráqueos que por lá andam. Eventualmente iremos mesmo interagir com os marcianos, que eram uma forma de vida vegetal extremamente avançada e inteligente. Não querendo revelar muito mais, deixem-me só reiterar que achei a história muitíssimo interessante, desde a interacção com todas aquelas personalidades da época, bem como toda a trama por detrás dos marcianos e o declínio da sua civilização.

Aqui temos o mesmo sistema de diálogos onde poderemos usar uma série de palavras chave para falar com os NPCs. A diferença é que temos muitas personalidades ilustres da era Victoriana para interagir

E tal como é habitual na série Ultima, começamos a aventura a ser interrogados e as respostas que vamos dando irão definir alguns traços da nossa personalidade e claro, os stats da nossa personagem. A diferença é que quem nos faz as perguntas desta vez é nada mais nada menos do que o Sigmund Freud. Uma vez chegados a Marte temos toda a liberdade de explorar da forma que quisermos, embora nem todas as localizações estejam disponíveis inicialmente, enquanto não desbloquearmos o seu acesso ao terminar alguma quest. De resto, as mecânicas de jogo são muito similares ao Ultima VI e ao The Savage Empire, pois o jogo utiliza o mesmo motor. Ou seja, apesar de ainda termos muitas teclas que representem acções, há já uma maior utilização do rato para uma série de coisas, incluindo o inventory management de cada personagem (o que por vezes é bem chato). No que diz respeito aos combates, magias desta vez não há, mas teremos acesso a imensas armas da época como caçadeiras ou carabinas, bem como armas de fogo e eventualmente armas “futuristas” marcianas.

Warren Spector continua a dar a sua cara, sendo desta vez uma personagem jogável.

Analisando agora os seus gráficos, confesso que gostei bastante deste jogo nesse aspecto. Esta é sem dúvida uma carta de amor à ficção científica do final do século XIX de autores como Julio Verne ou H. G. Wells (este último aqui representado na aventura). Pelo que esperem por visuais muito steampunk, mesmo na civilização marciana! Depois claro, todas as personalidades daquela época que conseguiram aqui incluir, bem como a quantidade de diálogos que possuem, também foi outro ponto muito forte, a sua narrativa. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já as músicas confesso que também as achei bastante agradáveis.

Portanto este segundo Worlds of Ultima é um outro spinoff muito interessante. É um RPG bem competente tal como os Ultima principais, simplesmente não acrescenta nada de novo na jogabilidade pois utiliza o mesmo motor de jogo que o do Ultima VI. Mas a sua história bastante original, narrativa elaborada e audiovisuais bem competentes para a época tornam-o num clássico, a meu ver. E é um jogo gratuito no gog.com, pelo que recomendo vivamente que o experimentem.