Ultima: Worlds of Adventure 2: Martian Dreams (PC)

Já há bastante tempo que não voltei a pegar na série Ultima, uma das mais influentes de sempre nos Western RPGs e não só. A última vez que lhe peguei foi justamente com o Worlds of Ultima: The Savage Empire, um spin-off da série principal que usou o mais recente motor gráfico do Ultima VI para contar uma aventura bem longe de Britannia. E a Origin ainda reaproveitou o mesmo motor gráfico para mais uma dessas aventuras secundárias, nomeadamente este Martian Dreams. O meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa, algures em 2014, tendo-me custado 5€. Foi um bundle bem interessante de jogos em big box de alguém gostava bastante da Origin Systems, pois ainda tinha trazido também o Ultima V e mais uns quantos Wing Commander.

Jogo em formato big box com 5 disquetes, mapa, manuais e papelada diversa – bons tempos das big box cheias de goodies!

A história até que é bastante interessante. A cutscene inicial leva-nos ao final do século XIX na Expo de 1893, onde um canhão espacial estava a ser mostrado pelo astrónomo Percival Lowel. Este era capaz de disparar uma cápsula cheia de gente directamente para o planeta Marte. Ora, quando uma série de celebridades da época estavam dentro da cápsula para demonstração, alguém sabota o canhão e todas aquelas personagens ilustres (como Thomas Edison, Theodore Roosevelt, Marie Curie, Lenine, Rasputin, entre outros) acabam por ser disparadas para Marte e ficam lá à espera de resgate. Entretanto, fast forward para 100 anos depois, o Avatar recebe uma visita de uma pessoa desconhecida que pede a sua ajuda para ir resgatar todas aquelas pessoas de Marte. Em conjunto com o seu amigo Dr. Spector (Warren Spector, uma vez mais o produtor do jogo a dar a sua cara), acabam por usar o poder das Moonstones para viajar no tempo para o passado e juntarem-se a Nikola Tesla que lança mais uma cápsula para Marte e partimos assim à aventura na exploração do planeta vermelho. Quando lá chegamos descobrimos uma civilização marciana em ruínas, pelo que teremos de voltar a reactivar uma série de edifícios e ir interagindo com os restantes terráqueos que por lá andam. Eventualmente iremos mesmo interagir com os marcianos, que eram uma forma de vida vegetal extremamente avançada e inteligente. Não querendo revelar muito mais, deixem-me só reiterar que achei a história muitíssimo interessante, desde a interacção com todas aquelas personalidades da época, bem como toda a trama por detrás dos marcianos e o declínio da sua civilização.

Aqui temos o mesmo sistema de diálogos onde poderemos usar uma série de palavras chave para falar com os NPCs. A diferença é que temos muitas personalidades ilustres da era Victoriana para interagir

E tal como é habitual na série Ultima, começamos a aventura a ser interrogados e as respostas que vamos dando irão definir alguns traços da nossa personalidade e claro, os stats da nossa personagem. A diferença é que quem nos faz as perguntas desta vez é nada mais nada menos do que o Sigmund Freud. Uma vez chegados a Marte temos toda a liberdade de explorar da forma que quisermos, embora nem todas as localizações estejam disponíveis inicialmente, enquanto não desbloquearmos o seu acesso ao terminar alguma quest. De resto, as mecânicas de jogo são muito similares ao Ultima VI e ao The Savage Empire, pois o jogo utiliza o mesmo motor. Ou seja, apesar de ainda termos muitas teclas que representem acções, há já uma maior utilização do rato para uma série de coisas, incluindo o inventory management de cada personagem (o que por vezes é bem chato). No que diz respeito aos combates, magias desta vez não há, mas teremos acesso a imensas armas da época como caçadeiras ou carabinas, bem como armas de fogo e eventualmente armas “futuristas” marcianas.

Warren Spector continua a dar a sua cara, sendo desta vez uma personagem jogável.

Analisando agora os seus gráficos, confesso que gostei bastante deste jogo nesse aspecto. Esta é sem dúvida uma carta de amor à ficção científica do final do século XIX de autores como Julio Verne ou H. G. Wells (este último aqui representado na aventura). Pelo que esperem por visuais muito steampunk, mesmo na civilização marciana! Depois claro, todas as personalidades daquela época que conseguiram aqui incluir, bem como a quantidade de diálogos que possuem, também foi outro ponto muito forte, a sua narrativa. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já as músicas confesso que também as achei bastante agradáveis.

Portanto este segundo Worlds of Ultima é um outro spinoff muito interessante. É um RPG bem competente tal como os Ultima principais, simplesmente não acrescenta nada de novo na jogabilidade pois utiliza o mesmo motor de jogo que o do Ultima VI. Mas a sua história bastante original, narrativa elaborada e audiovisuais bem competentes para a época tornam-o num clássico, a meu ver. E é um jogo gratuito no gog.com, pelo que recomendo vivamente que o experimentem.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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