Assassin’s Creed Revelations (Sony Playstation 3)

Voltando à saga Assassin’s Creed, terminei recentemente o quarto capítulo da saga, terceiro com o protagonista italiano Ezio Auditore, o Assassin’s Creed Revelations, lançado originalmente em 2011. Este meu exemplar é uma das muitas “edições limitadas/coleccionador/whatever” deste jogo, esta incluindo um cd bónus com a banda sonora e o primeiro Assassin’s Creed incluído no disco do Revelations. A razão pela qual o primeiro Assassin’s Creed vem incluído neste Revelations torna-se notória à medida que vamos avançando no jogo, pois iremos por várias vezes explorar o passado de Altair, descobrindo ultimamente como ele passou os seus últimos dias. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado já nem sei quando, mas creio que foi comprado na CeX do Porto já há uns aninhos e não me terá custado mais de 7.5€ na altura.

Jogo completo com caixa, papelada, manual e CD com banda sonora

Como sabem na série Assassin’s Creed vamos descobrindo os eventos de um confronto secular entre duas organizações, os Templários e os Assassinos. Aparentemente ambos pretendem obter a paz eterna entre na Terra, mas enquanto os Templários pretendem alcançá-lo ao manter a população humana sob o seu controlo, os Assassinos lutam pela liberdade absoluta. Por um lado o protagonista principal é o jovem Assassino Desmond Miles, mas que ao submeter-se ao Animus, um aparelho que permite explorar as memórias dos seus antepassados, permite-nos “viajar no tempo” e reviver os conflitos entre ambas as organizações ao longo dos séculos. Mas à medida que vamos jogando ficamos com mais questões pois estranhos artefactos de outras civilizações vão ganhando cada vez mais protagonismo. Neste capítulo em si a história leva-nos uma vez mais a explorar o passado de Ezio, agora já na sua meia idade, ao explorar a cidade de Istambul/Constantinopla em busca de uma série de chaves que lá foram escondidas por Niccolo Polo (filho de Marco Polo). E a que dão acesso essas chaves? À biblioteca de Altair em Masyaf e aos seus bem guardados segredos. Pelo meio contem também com tramas políticas com o conflito entre os Otomanos e Bizantinos pelo controlo da capital turca, estando assim lançados os dados para mais uma aventura.

Como no Brotherhood temos sempre um objectivo secundário em cada missão principal, que não é obrigatório

Naturalmente que o jogo traz de volta muitas das mecânicas dos seus antecessores, com um grande foco na agilidade e furtividade dos assassinos. Tal como no Brotherhood vamos poder conquistar territórios aos templários, para depois poder comprar uma série de lojas que por sua vez nos vão retribuindo com uma renda de 20 em 20 minutos. Vamos também poder treinar outros assassinos que nos podem ajudar nas nossas missões a abater alguns alvos, para além dos já habituais mercenários, ladrões e jovens moçoilas para distrair os guardas. Os nossos Assassinos podem também ser enviados para outras cidades e fazer algums missões que por sua vez nos trazem mais dinheiro e outras matérias primas. As matérias primas servem para criar uma série de bombas diferentes, esta que é uma das grandes novidadades introduzidas por este Revelations.

Tal como nos outros 2 jogos com Ezio, podemos comprar lojas e renovar alguns edifícios notáveis, algo que contribui positivamente para a renda que vamos recebendo

Podemos criar bombas explosivas, de fumo, de mau cheiro para atordoar os inimigos, de veneno, ou até aquelas sticky bombs que se podem agarrar a qualquer superfície (incluindo soldados inimigos!). Há de facto muitas possibilidades de diferentes bombas a criar. A outra novidade aqui introduzida está nos mini jogos de tower defense, algo que sinceramente já não gostei muito. Basicamente aquelas torres que libertamos e passam a ser bastiões assassinos, podem vir a ser atacados por templários algo que pode acontecer caso o nosso nível de notoriedade ultrapasse o máximo. Caso isso aconteça, vamos ter de posicionar assassinos e outros recursos como barreiras ao longo da nossa base, enquanto enfrentamos várias ondas de ataques templários. Tirando uma vez em que somos obrigados a experimentar este mini jogo algures no início da história, nunca mais deixei que uma das minhas bases fosse atacada.

Agora temos também uns slides que podemos usar para nos movimentarmos na cidade

De resto, para além do modo história que uma vez mais é em mundo aberto, repleto de missões secundárias e coleccionáveis para encontrar que nos rendem umas valentes horas de jogo, temos também uma vertente multiplayer que sinceramente não cheguei sequer a experimentar, embora acredite que até talvez viesse a gostar das pequenas campanhas cooperativas que incluiram pela primeira vez.

A nível audiovisual não há muito a dizer, é um jogo competente, a cidade de Istambul está muito bem detalhada, mas desta vez temos menos localidades adicionais para explorar, apenas o castelo de Masyaf e sua aldeia, bem como uma outra cidade subterrânea que nunca tinha ouvido falar. Banda sonora e voice acting nada a apontar uma vez mais.

Mais uma vez podemos recrutar e treinar um pequeno exército de assassinos que nos podem ajudar directamente, ou podemos mandá-los para missões noutras cidades mediterrânicas

Portanto este é mais um jogo agradável na série, embora as novidades que tenha trazido em relação aos anteriores não tenham sido tão interessantes quanto isso, para mim. Para além das brincadeiras que podíamos fazer com as novas bombas, fiquei bem mais contente com facto de termos muito menos daquelas missões secundárias chatas, como aquelas onde temos de correr de um lado para o outro dentro de um tempo limite apertado. Ainda assim, creio que a Ubisoft também já se estava a aperceber que andava a esticar um pouco a corda e decidiu reinventar a série no próximo capítlo. Mas isso será tema para outro artigo!

The Wolf Among Us (Sony Playstation 3 / PC)

A Telltale já há muito que vinha a experimentar diferentes mecânicas de jogo nos seus jogos de aventura point and click, tendo encontrado finalmente uma fórmula de sucesso no primeiro The Walking Dead, que nos presenteou com uma óptima narrativa e com escolhas muito difíceis pela frente. Este The Wolf Among Us acaba então por ser um jogo muito similar nas suas mecânicas, mas com um background completamente diferente. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Março a um amigo meu, estando ainda selado, por 10€. A versão PC veio de um humble bundle comprado a um óptimo preço.

Jogo com caixa e manual

Confesso que a temática do jogo me surpreendeu bastante, pois não conhecia as suas origens. Sempre achei que era uma história algo negra com um protagonista lobisomem, mas é muito mais que isso. Baseado nas comics da Vertigo chamadas Fables, a nossa personagem é nada mais nada menos do que o Lobo Mau dos contos de fada da nossa infância, aqui apelidado de Bigby Wolf (diminutivo de Big Bad Wolf). Por algum motivo uma série de personagens dos contos de fada foge do seu mundo encantado e reunem-se na Fabletown, um distrito da cidade de Nova Iorque, misturando-se entre os humanos e tendo as suas próprias rotinas. As personagens humanas, como é o caso da Branca de Neve, Bela, ou a Pequena Sereia conseguem viver normalmente, enquanto as não humanas, como é o caso do Monstro e do próprio Wolf necessitam de usar uns encantamentos que os transformam em humanos. O problema é que esses encantamentos são caríssimos e nem todos os conseguem pagar. Nesses casos, os fables como é o caso de Colin, um dos três porquinhos, devem permanecer na Farm, uma quinta encantada afastada de tudo o resto, onde podem viver livremente nas suas formas normais.

O Lobo Mau a viver com um dos três porquinhos? Por essa não estavam a contar.

E qual o papel de Wolf? Bom, é o xerife lá do sítio e devido ao seu passado é temido e pouco respeitado por todos os que o rodeiam. E a aventura começa com Wolf a receber um pedido de ajuda de Mr. Toad (sim, um sapo) a alertar que algo de grave se passa num dos apartamentos do seu prédio. E quando lá chegamos descobrimos nada mais nada menos que o lenhador do Capuchinho Vermelho, completamente bêbedo, a agredir uma prostituta. Após um inevitável combate e uma breve conversa com a rapariga no final, Bigby segue a sua vida. Horas depois, descobre à porta do seu prédio nada mais nada menos que a cabeça decapitada da prostituta com quem falou há pouco tempo. Ao longo do jogo iremos investigar esse homicídio, numa trama que se vai tornando cada vez mais complexa e com uma série de reviravoltas.

Como sempre temos alguns QTEs pela frente

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são muito similares às de Walking Dead, sendo um jogo de aventura gráfica com várias sequências de acção compostas por Quick Time Events, onde temos de seguir as indicações visuais no ecrã de que botões devemos pressionar naquela altura. Temos alturas de exploração, onde podemos nos movimentar não tão livremente quanto isso ao longo dos cenários e interagir com objectos ou outras personagens, que são sinalizados no ecrã, facilitando-nos a tarefa de ter de procurar coisas com que interagir. Ocasionalmente podemos apanhar alguns itens que podem posteriormente ser usados para interagir com outros objectos, ou mesmo com outras personagens através dos seus diálogos. Para os diálogos temos um tempo limite para responder, e caso não escolhemos nenhuma resposta, Bigby mantém-se em silêncio, o que por si só já é uma resposta válida, e pode alterar um pouco a forma como as personagens à nossa volta nos percepcionam, ou mesmo alterar ligeiramente os acontecimentos seguintes.

Na maior parte das vezes, as escolhas que podemos tomar têm um tempo limite.

A nível audiovisual considero o jogo excelente. A nível gráfico tudo está renderizado em cell shading, o que dá um look muito fiel às bandas desenhadas dos Fables. Por outro lado, o mundo de Fabletown é sombrio, e toda a ambiência do jogo dá um aspecto de um filme noir da década de 80, o que por si só me agrada bastante. A caracterização das personagens, e a maneira decadente como representam algumas personagens que todos nós conhecemos da nossa infância está também muito bem elaborada. O voice acting é igualmente muito bem conseguido por todas as personagens, o que uma vez mais também contribui para uma narrativa muito noir.

Fabletown não é uma cidade particularmente afável, vamos visitar muitos locais não recomendáveis a boas famílias

No fim de contas este jogo agradou-me bastante. Mantém as mesmas mecânicas de jogo dos The Walking Dead, onde as nossas escolhas vão alterando ligeiramente o desenrolar da história, mas nunca as alteram tão radicalmente assim quanto a Telltale nos quer fazer pensar. No entanto, devo dizer que fiquei bastante agradado pela narrativa negra e adulta que o jogo tem, pois isto de contos de fadas para crianças não tem nada, e o rating para maiores de 18 é perfeitamente compreensível. Aparentemente The Wolf Among Us serve de prequela aos acontecimentos narrados na comic Fables, fiquei bastante curioso e muito provavelmente vou começar a lê-la em breve. A Telltale estava a trabalhar numa sequela, mas como abriram falência há relativamente pouco tempo, esse projecto acabou por ser enfiado no saco, o que é pena.

Warhawk (Sony Playstation 3)

Vamos para mais uma rapidinha, agora para a Playstation 3 e sobre um jogo unicamente multiplayer, algo que sinceramente nunca foi muito do meu interesse. Na verdade eu comprei este Warhawk já há uns anos atrás numa loja no Porto pois estava novo, vinha com um headset bluetooth, e só me custou 5€. Quando li recentemente que a Sony ia fechar os servidores deste jogo neste mês, deixando-o practicamente inutilizável (parece que não mas já se passaram quase 12 anos) lá me decidi experimentá-lo antes que nunca mais tivesse a oportunidade.

Jogo com caixas, manual e headset bluetooth

Este foi o jogo que a Sony usou para mostrar o SixAxis e as suas capacidades de controlos por movimentos (uma primeira resposta da Sony ao WiiMote), pois podemos usar o comando para controlar os veículos, sejam eles jipes, tanques, ou claro, o grande factor diferencial do jogo, aviões. Mas eu como gosto de jogar à vontade e não ter de estar costantemente atento em que posição tenho o comando, prefiro jogar de forma mais tradicional, algo que até é a opção por defeito do jogo. De resto este é essencialmente um shooter na terceira pessoa com uma temática militar, onde podemos participar numa série de modos de jogo, seja online, seja por rede LAN ou splitscreen até 4 jogadores. Bem, mas este multiplayer em split screen não é completamente o que estariam à espera, pois temos de estar online, ou criar um servidor LAN. Pelos vistos para qualquer partida de Warhawk temos sempre de criar um servidor que autorize outros jogadores a entrar, seja online, seja por LAN. E não há bots! Daí ter dito acima que o jogo ficará practicamente inutilizável a partir do final do mês.

À medida que vamos ganhando ranks no jogo, podemos customizar a aparência da nossa personagem e avião.

Mas vamos para os modos de jogo em si. Aqui dispomos de várias variantes do deathmatch, seja todos contra todos ou vermelhos contra azuis. Os mapas tanto podem ser pequenos, não dando espaço para veículos, como temos mapas bem maiores e inclusivamente o modo dogfight, onde combatemos apenas com aviões. O modo Hero é uma variante do DM onde um dos jogadores é um herói e só as mortes causadas pelo herói e ao herói contam como pontos para ambas as equipas. O tradicional capture the flag também marca aqui a sua presença, bem como uma variante chamada Cores, onde cada equipa tem de coleccionar o máximo número de núcleos atómicos e levá-los para a sua base. Por fim temos o Zones, onde cada equipa luta para conquistar e manter várias posições em cada mapa.

De resto, este é um jogo muliplayer ainda algo primitivo tendo em conta o que temos hoje. É verdade que temos vários ranks que podemos subir e medalhas para vencer mediante a nossa performance nos diferentes modos de jogo, veículos e armas que vamos usando. A jogabilidade não achei das melhores, principalmente quando estamos a jogar em pé, ou seja, sem conduzir nenhum veículo. O foco do jogo está mesmo nos aviões, que podem ser controlados de diferentes formas: temos o hover mode, onde o avião está estacionário, comportando-se como um drone e o flight mode, que é onde temos mais flexibilidade, algo que precisamos mesmo de dominar para evitar os mísseis inimigos. É também com os aviões onde temos mais power ups e diferentes armas, como diferentes tipos de mísseis teleguiados (incluindo um tipo de míssil cuja trajectória pode ser directamente controlada por nós). Agora, na minha experiência, no pouco tempo que joguei, ainda não conseguia controlar os aviões decentemente, mas ainda joguei umas partidas online e vi outros jogadores a controlá-los de forma graciosa, portanto deve ser mesmo falta de jeito da minha parte.

Os combates aéreos sempre foram um dos selling points do jogo.

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente não acho que tenha sido um jogo que envelheceu lá muito bem. É um jogo com texturas simples e cenários não muito detalhados. Não me pareceu estar assim tão longe de um jogo de Xbox, mas de certa forma compreende-se, pois é um jogo unicamente multiplayer e que foi lançado ainda muito no início de vida da Playstation 3. No fim de contas, não foi um jogo que me tenha cativado muito, mas por outro lado, antes de ser completamente descontinuado pela Sony, penso que poderiam ter feito pelo menos uma de duas coisas: oferecerem as expansões umas semanas antes do fim do jogo, já que o vão cortar e vão, ou lançar um patch qualquer que permitisse multiplayer local, com split screen, mas sem a necessidade de andar a criar servidores.

Assassin’s Creed Brotherhood (Sony Playstation 3)

A saga Assassin’s Creed era bastante original na altura em que saiu. Conta-nos o conflito secular entre a ordem secreta dos templários que tentava controlar toda a população e por outro lado os Assassinos, que pregavam a liberdade absoluta. Por um lado o jogo decorre nos tempos de hoje, onde controlamos Desmond Miles, que, através da tecnologia Animus, conseguíamos reviver as memórias dos seus ancestores asassinos que estavam alojadas no seu ADN, vivendo as suas experiências em diversas fases da nossa História. Começamos na idade média, no tempo das Cruzadas e com o assassino Altair, já no segundo jogo principal da série revivemos as histórias de Ezio Auditore da Firenze, no período dourado do Renascimento, em pleno século XV e XVI, na Itália.

Jogo com caixa e manual

Este AC Brotherhood continua a história exactamente do ponto onde o jogo anterior nos deixou, e vamos mais uma vez reviver as memórias de Ezio, desta vez com o jogo centrado na cidade de Roma, desde o pequeno distrito do Vaticano, passando para a cidade “moderna” e todas as suas ruínas do Império Romano. Ocasionalmente lá visitaremos outras localidades, como pequenos flashbacks em Florença ou algumas missões secundárias noutras localizações, como o monte Vesúvio. Mas já lá vamos. Sinceramente não me recordo bem onde e quando foi comprado o meu exemplar, creio que foi numa Cash Converters ou CeX, certamente antes de 2016 e não deve ter custado mais de 7€.

Uma das coisas que mais gostei neste jogo (e no anterior também) eram estes momentos trivia sobre algumas personagens e localidades notáveis que visitamos

O jogo herda as mesmas mecânicas do seu antecessor, apresentando um mundo em open world (embora nem todas as áreas do jogo estejam abertas logo no início), onde poderemos fazer várias missões, algumas obrigatórias para progredir na história, outras meramente opcionais mas que também dão jeito quanto mais não seja para ganhar dinheiro ou desbloquear alguns extras. Também tal como os seus predecessores, há aqui um foco numa jogabilidade furtiva, onde teremos de passar despercebidos por entre os guardas, Aliás, muitas das missões obrigam-nos mesmo a não ser detectados de forma alguma. Para isso temos algumas artimanhas como andar misturados nas multidões ou escondidos em fardos de palha, poços ou outros lugares menos suspeitos. Assassinar os guardas por trás (mesmo à traição!) e depois esconder os seus corpos também pode ser uma opção, mas convém que seja num local reservado senão de outra forma a população também entra em pânico e chama à atenção dos restantes guardas.

Lembram-se da cidade de Monteriggioni que tão carinhosamente reconstruiram no jogo anterior? Pois, é reduzida aqui em ruínas.

Se formos apanhados podemos fugir e aí o parkour ganha especial relevância pois teremos de escalar paredes, saltar entre telhados o mais rápido possível para perder os guardas de vista. Caso decidamos combater, o jogo mantém o mesmo tipo de armas que tínhamos antes, desde a lâmina escondida, veneno, pequenas facas que podem ser atiradas, ou armas mais pesadas como grandes espadas ou machados, passando também por armas de fogo algo primitivas. As habilidades base como o contra-ataque ou a possibilidade de desarmar os inimigos também se mantêm aqui. As grandes novidades estão no facto de podermos equipar um pára-quedas (desbloqueado algures a meio do jogo, por intermédio do grande Leonardo DaVinci), a de formar um pequeno esquadrão de assassinos que nos podem ajudar – daí o jogo ter o sobrenome de “Brotherhood”, ou as tarefas de renovação da cidade de Roma.

Tanto exploramos a Roma moderna e renascentista, como as ruínas do seu império

Mais detalhes destes últimos: a cidade de Roma está dividida em pequenas regiões, cada uma com uma torre comandada por um capitão do exército de Borgia. Nós somos encorajados a assassinar esses capitães e posteriormente destruir as suas torres. Quando o fizermos, poderemos abrir uma série de lojas como bancos, ferreiros, comerciantes de arte, médicos ou alfaiates e comprar alguns monumentos históricos, renovando assim a cidade de Roma, e ao mesmo tempo ir ganhando algum dinheiro de 20 em 20 minutos mediante a quantidade de lojas/monumentos que renovamos. Para além disso, a certa altura do jogo ganhamos a habilidade de recrutar candidatos a assassinos. Basicamente por cada torre de Borgia que destruimos, poderemos recrutar mais um candidato. Depois podemos mandá-los em missões para que ganhem experiência (e dinheiro para nós), para que subam de nível e fiquem mais fortes. Os assassinos que estejam em standby podem-nos ajudar sempre que desejarmos. Ao pressionar o botão L2, lá aparece um ou outro assassino que esteja livre e começa a combater com os guardas que estejam à nossa volta, criando manobras de diversão perfeitas para quando temos alguma missão em que tenhamos de passar despercebidos. Por outro lado, quanto mais fortes forem os nossos assassinos, melhor se safam no combate. E para além disso, se tivermos 6 assassinos em standby, podemos também usar a habilidade Arrow Storm que, como o nome indica, é uma chuva de flechas que atinge todos os inimigos visíveis no ecrã.

Os assassinos que recrutamos podem ser evoluídos à medida em que os mandamos fazer algumas missões pela Europa fora, Lisboa incluida.

Para além disso temos outras facções com as quais colaboramos como os ladrões de La Volpe, os mercenários de Bartolomeo ou as “acompanhantes de luxo”, que podem ser contratados também para distrairem os guardas, para além de nos presentearem com um número considerável de missões opcionais e outros desafios. Portanto este Assassin’s Creed possui imenso conteúdo para quem não se quiser restringir apenas à história principal e nem sequer referi os DLCs que não cheguei a jogar (só mais tarde é que me apercebi que supostamente o DLC Copernicus Conspiracy é gratuito). Temos ainda uma vertente multiplayer que sinceramente também não experimentei, pelo que não me vou alongar.

Saltos suicidas? Yep, continuamos a fazer disso.

Na parte técnica, este jogo usa o mesmo motor gráfico do seu predecessor, pelo que podem contar com o mesmo detalhe gráfico. No entanto, se no Assassin’s Creed II poderiamos viajar livremente entre diferentes cidades, aqui o jogo passa-se principalmente em Roma, possuindo um mapa bem maior. Acredito que isso se traduza em mais carga para processamento, pois desta vez vi várias quebras de framerate bem notórias e por muitas vezes. Ainda assim, para quem jogou o Assassin’s Creed II, já dá para ter uma ideia com o que contar. A cidade de Roma está bem ilustrada e é muito interessante ver o contraste entre uma cidade no centro do Renascimento, com as ruínas de um antigo e imponente império. Mais uma vez nada a apontar ao voice acting que é bem competente e a banda sonora que é dinâmica, alternando entre melodias bem atmosféricas e outras mais tensas ou épicas quando a acção aperta mais.

Portanto, este é mais um jogo sólido na franchise Assassin’s Creed. Neste ponto (ainda não joguei os seguintes), consigo perceber o porquê da Ubisoft ter entrado numa onda de lançar um AC novo a cada ano. Até à altura têm sido jogos bem executados e com uma boa evolução na história e na jogabilidade. A ver em breve como se safou o AC Revelations, que fecha a trilogia de Ezio.

Assassin’s Creed II (Sony Playstation 3)

Depois do sucesso do Assassin’s Creed original, não faltava muito até que a Ubisoft lançasse uma sequela. O primeiro jogo tinha o assassino Altair como protagonista, e os cenários cidades do médio Oriente como Jerusalém ou Damasco, no pico das cruzadas levadas a cabo pelos Cavaleiros Templários. Aqui encarnamos num outro assassino, num período completamente diferente, mas já lá vamos. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo bem de onde veio nem quanto custou mas certamente não foi caro. Só tenho pena de não ter comprado uma versão já com os DLCs incluidos pois confesso que fiquei com vontade de os jogar.

Jogo com caixa e manual

A saga Assassin’s Creed, pelo menos até ao jogos que presenciei, coloca-nos em duas realidades alternativas. Numa estamos num futuro próximo algo distópico, onde descendentes da ordem dos templários e dos assassinos continuam a lutar entre si. Aqui neste período a personagem principal é o jovem Desmond, descendente do clã de assassinos, onde através do Animus, uma máquina que nos permite explorar as memórias genéticas, conseguimos voltar ao passado e reviver as memórias dos nossos antepassados. No primeiro Assassin’s Creed fomos até à Idade Média, mesmo no auge das Cruzadas, onde tivemos a história de Altair na sua busca pela Maçã de Éden, um artefacto misterioso, capaz de controlar a mente das massas, que seria usado pela ordem dos templários para controlar o mundo. Aqui continuamos à procura de respostas no passado, com Desmond a reviver as memórias de um outro seu antepassado, o Ezio Auditore da Firenze, um jovem de uma família rica de Florença, em pleno período Renascentista.

Eventualmente poderemos usar duas espadas escondidas, o que deixa o combate com mais possibilidades

Basicamente Ezio vê parte da sua família a ser enforcada publicamente, após terem sido atraiçoados por um magistrado corrupto, que plantou falsas provas. Ezio foge com a sua mãe e irmã para o interior, onde é acolhido pelo seu tio Mario que lhe revela que tanto ele como o pai eram Assassinos, começando a treiná-lo para o mesmo. No resto do jogo vamos procurar vingança e assassinar os traidores da sua família, ao mesmo tempo que vamos descobrir os seus motivos e mais uma vez acabamos por encontrar os templários no centro das tramóias. Mas a transição de Ezio e Desmond acaba por ser bastante interessante e a história acaba por levar-se por vários contornos de conspirações históricas, o que também me agrada. Ao longo do jogo vamos também interagir com várias personagens históricas como Leonardo Da Vinci, que se torna amigo de Ezio, ou o Rodrigo de Borgia, o principal antagonista que na vida real acabou por se tornar Papa.

Após encontrar os locais secretos com mensagens do Subject 16, temos de descodificar as mensagens recorrendo a vários puzzles

A jogabilidade também levou alguns upgrades. As suas bases mantêm-se, com o jogo a assumir uma natureza algo não-linear em cenários open-world, onde podemos vaguear algo livremente pelas diferentes cidades e fazer as missões pela ordem que quisermos, excepto claro, as que dão seguimento à história. Há também uma preocupação em mantermos uma jogabilidade furtiva, passando despercebido no meio da multidão enquanto nos esquivamos de guardas e vamos assassinando quem tiver de ser. E depois lá temos o parkour, a possibilidade de escalar paredes e saltitar entre os telhados, muros e outros obstáculos para nos movermos de uma forma mais ágil possível. Felizmente há uma série de coisas que melhoraram face ao primeiro jogo, a que mais me agradou foi mesmo o facto de chamarmos menos à atenção dos guardas. No primeiro jogo bastava correr pela cidade, aqui os guardas são bem mais tolerantes nesse aspecto. Mas claro, se agredirmos alguém, ou simplesmente dermos um encontrão num transeunte que estava a carregar qualquer coisa, lá vêm os guardas nos pedir satisfações. Também temos guardas nos telhados que nos obrigam a descer, mas se formos rápidos conseguimo-los assassinar sem grandes problemas.

Distrair os guardas nunca foi tão fácil! Podemos contratar um bando de mercenários, de ladrões ou prostitutas para o efeito

Claro que quando um guarda nos apanha a fazer algo de errado, temos duas hipóteses: ou combatemos ou fugimos. Fugir por vezes é a melhor opção e aí temos de nos afastar o suficiente e depois procurar um sítio onde possamos passar despercebidos, seja num fardo de palha, ou simplesmente misturado entre a multidão. Se decidirmos combater, bom, o combate também sofreu alguns melhoramentos face ao jogo original. Temos mais tipos diferentes de armas que podemos usar, incluindo uma lámina envenenada, bombas de fumo que atordoam os nossos inimigos, um pequeno revólver e no caso da lâmina escondida, a arma de marca dos assassinos, agora podemos equipar uma em cada mão, permitindo-nos assassinar 2 alvos em simultâneo, se estiverem juntinhos. De resto, para além de esquivar e contra-atacar, agora temos também a possibilidade de desarmar os inimigos.

Há mais alterações, a meu ver para melhor. A saúde não se regenera automaticamente (bom, na verdade só um quadradinho), e para nos curar temos de procurar um médico e/ou usar medkits. Temos dinheiro que pode ser usado para comprar medkits, armas, armaduras ou bolsas que nos permitem carregar mais facas de atirar, frascos de veneno ou medkits. Também temos uma pequena cidadela só para a família Auditore, na região de Monteriggioni, que acabamos por tomar conta. Para além de incluir montes de segredos, a certa altura podemos investir na cidade e na nossa mansão, ao melhorar as suas lojas, infrastruturas, ou aumentar o valor da nossa mansão, ao coleccionar todas as armas, armaduras e comprar várias pinturas renascentistas. Isto faz com que a cada 20 minutos vamos recebendo uma “renda” dos habitantes da cidadela, o que vai acabar por nos facilitar bastante o processo de compra de mais equipamento ou itens.

Estas mensagens com contexto histórico agradaram-me bastante!

Vamos tendo também vários tipos de missões a executar, desde as típicas missões de assassinamento, onde grande parte das vezes temos de as executar de forma furtiva. Por vezes temos temos de seguir algumas pessoas chave até que nos levem a um esconderijo com outros alvos a abater. Temos missões para encher de porrada maridos infiéis, outras para bater tempos em corridas parkour (estas foram as que mais me irritaram), entre outras. Coleccionáveis como as penas do nosso pequeno irmão Petruccio, os puzzles do misterioso subject 16, ou as catacombas de outros assassinos que podemos explorar para desbloquear a armadura de Altair, são exemplos de algum conteúdo opcional que podemos fazer.

Ao longo do jogo vamos visitar as cidades de Florença, Toscana, Forli, Veneza, e parte de Roma (Vaticano), na recta final do jogo. À medida que vamos avançando no jogo e explorar as cidades, vamos preenchendo uma base de dados com dados históricos de várias localizações reais das cidades em questão, bem como pequenas biografias das várias personagens com que nos vamos cruzando. Não sei se são dados inteiramente verdadeiros (alguns certamente não são, para se adaptarem à ficção do jogo), mas são detalhes que me agradaram bastante.

Outra das novidades perante a prequela é que, apesar de podermos caminhar ou cavalgar entre cidades, agora podemos usar também o conveniente fast travel!

A nível audiovisual não tenho nada de especial a apontar. As personagens não estão incrivelmente detalhadas (excepto algumas das vestimentas de Ezio que possuem um bom nível de detalhe e animação). Por outro lado, as cidades estão muito bem representadas, gostei bastante de toda a atenção ao detalhe nesse sentido. No que diz respeito ao voice acting não tenho mesmo nada a apontar, está bastante competente e a narrativa é muito superior à do primeiro jogo, a meu ver. As músicas é que vão passando algo despercebido, mas num jogo com uma ambiência como o Assassin’s Creed é esperado, pois as músicas vão-se adaptando às situações. Isto é, tanto podemos ir ouvindo algumas melodias tipicamente renascentistas em plano de fundo, como a música irrompe com temas mais épicos quando estamos a combater e/ou a fugir.

Portanto, devo dizer que gostei bastante deste Assassin’s Creed. Só tenho pena da Ubisoft ser uma empresa gananciosa e ter incluido 2 capítulos extra (que inicialmente eram para ser parte integral da história) como DLC. O jogo foi relançado várias vezes mesmo na própria PS3, com algumas versões a incluir estes DLCs, o que não é o meu caso infelizmente. E os mesmo continuam caros, o que não faz sentido nenhum para um jogo de 2009. Mas pronto, é a vida! De resto fiquei ansioso para experimentar o Brotherhood!