Brothers in Arms Earned in Blood (Sony Playstation 2)

Brother in Arms Earned in Blood PS2Este post à partida será um pouco mais pequeno que o habitual, pois vem no seguimento do Brothers in Arms: Road to Hill 30, cujo jogo partilha as mesmas mecânicas, gameplay e motor gráfico que este, sendo assim recomendo dar uma leitura prévia a esse artigo. Tal como o jogo anterior, este foi adquirido na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo entre os 3 e 4 euros e está completa, em bom estado.

Brothers in Arms Earned in Blood PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história desta vez segue Joe “Red” Hartsock, outrora membro do pelotão de Matt Baker. Metade do jogo segue alguns eventos que decorreram no jogo anterior, mas do ponto de vista de Hartsock. Outra parte do jogo já vai para além dos eventos decorridos em Road to Hill 30. A mecânica do jogo e o gameplay são exactamente os mesmo. Em Brothers in Arms preza-se uma abordagem estratégica na altura do combate. Enfrentar os inimigos “à Rambo” na maior parte das vezes apenas resulta num ecrã de game over. Hartsock geralmente tem consigo 1 ou 2 pequenos esquadrões (ou um tanque) e a ideia geralmente é colocar um esquadrão a dar fogo de cobertura nuns inimigos, enquanto o outro vai pelos flancos acabar com eles. O problema é que mais uma vez a versão PS2 tem problemas de IA em relação ao original de PC e o port de Xbox. Os esquadrões nem sempre respondem da melhor forma às nossas ordens, ficando muitas vezes descobertos a fogo inimigo. Os inimigos também quando percebem que estão a ser flanqueados costumam fugir logo também para céu aberto ficando também descobertos, o que acaba por tirar alguma “piada” a toda a estratégia. O design dos mapas também é um pouco mais linear, o que acaba por forçar um pouco mais a estratégia que teremos de adoptar.

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Vista posicional dos esquadrões e inimigos

O modo multiplayer é mais variado desta vez. Temos na mesma várias missões multiplayer a cumprir, seja chegar do ponto A ao ponto B, destruir infraestruturas alemãs, etc. Pode ser na mesma jogado em splitscreen para 2 jogadores, ou online com mais uns quantos. A táctica de comandar esquadrões mantém-se. Para além disto, Earned in Blood traz também um “Skirmish” mode com missões adicionais. Pode ser jogado sozinho ou em modo cooperativo, quer em splitscreen quer online. Existem 5 missões para o lado americano e outras 5 para o lado alemão. Para cada mapa podemos jogar de formas diferentes: “Objective” como se uma missão normal se tratasse; “Timed Assault” onde o objectivo é arrasar com todos os inimigos no menor tempo possível; “Defence” é um modo de sobrevivência onde enfrentaremos ondas intermináveis de inimigos nesse mesmo mapa, e finalmente o “Tour of Duty” que consiste em completar todas as missões numa dificuldade acrescentada apenas com uma vida, um esquadrão, sem checkpoints ou savegames de qualquer forma.

Screenshot
Multiplayer warfare!

A nível visual, o jogo tem o mesmo motor gráfico do anterior. São gráficos agradáveis para uma PS2, mas nada do outro mundo. Algo que não mencionei no jogo anterior foi o enorme trabalho (que pode ser visto nos extras) que a Gearbox teve ao sincronizar os lábios das personagens com as falas. Na versão PS2 não se vê nada disso infelizmente. A nível sonoro, ou o jogo foi feito muito à pressa ou está um pouco abaixo do anterior. As personagens continuam a interagir uns com os outros, mas acho que não o fazem tanto como no jogo anterior. A banda sonora permanece com a mesma qualidade. Da mesma forma que fizeram no Road to Hill 30, aqui ao jogar-se o jogo principal nos vários graus de dificuldade vão sendo desbloqueados vários extras, desde fases da produção do jogo, arquivo histórico e curiosidades várias das armas, veículos e infantaria presente no jogo.

Apesar das falhas da versão PS2, não deixa de ser um jogo agradável para quem gostar da temática. As falhas na IA são de facto o problema mais sério, mas com um pouco de mais cuidado e paciência vai-se jogando bem. A versão original de PC (e Xbox) são naturalmente mais bonitas, o design dos níveis está mais completo e os problemas de IA mais atenuados. Recomendaria também que ficassem longe da conversão para a Nintendo Wii que saiu uns anos mais tarde. É baseada nesta versão PS2 sem os modos multiplayer e com mais alguns problemas.

Brothers in Arms: Road to Hill 30 (Sony Playstation 2)

brothers in arms road to hill 30Numa altura repleta de Call of Duty, Medal of Honor e outros FPS com a temática da 2ª Guerra Mundial, uma nova série para ter sucesso tem de se desmarcar das restantes. Foi o que aconteceu com Brothers In Arms, onde se dá muito mais enfase ao realismo, precisão histórica e acima de tudo, ao companheirismo de um grupo de soldados. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo em torno dos 5€. Está em óptimo estado e o jogo vem com um mapa das missões que teremos de enfrentar.

Brothers in Arms Road to Hill 30 PS2
Jogo completo com caixa, manual e poster com mapa e tacticas no verso

Brothers in Arms é um jogo baseado em factos reais. Bem mais que qualquer outro FPS sobre a WW2 lançado até à data. Os locais foram recreados o melhor possível, as missões também. A gearbox empenhou-se bastante neste campo, e de acordo com os vários extras que vão sendo desloqueados podemos ver fotos, mapas da época, e documentos oficiais que relatam as várias missões que vamos poder jogar. Para além desta contextualização histórica, em Brothers in Arms (tal como a série de TV Band of Brothers) dá-se um grande destaque ao grupo de soldados que nos acompanham. A história deste Road to Hill 30 segue o dia-a-dia de um regimento de paraquedistas norte-americanos, desde o dia D, invasão de forças aliadas nas praias da Normandia, até à captura e segurança da Hill 30, perto da cidade de Carentan, 8 dias depois.

A jogabilidade de Brothers in Arms é o outro argumento forte desta série. Nós encarnamos directamente o sargento Matt Baker que, como sargento terá de dar ordens aos elementos do seu esquadrão. Geralmente Baker tem ao dispor 2 equipas diferentes, uma para dar fogo de apoio enquanto que a 2a equipa é geralmente utilizada para flanquear o inimigo e tirar vantagem dessa posição. Por vezes uma das equipas é substituída por um ou mais tanques. Baker pode dar várias ordens diferentes aos grupos de soldados. Obrigá-los a serem proactivos, recuar para procurar abrigo, obrigar a dar tiro de apoio ou a atacar “à Rambo” um grupo de soldados inimigos. Mesmo num nível de dificuldade baixa, atacar à rambo sem ter alguma vantagem posicional nunca é boa ideia e 2 ou 3 tiros são o suficiente para matar qualquer um dos elementos do esquadrão ou o próprio jogador, dando mais algum realismo à experiência. O realismo não se fica por aí, a própria hit detection das balas é propositadamente errática, e mesmo a acção de mirar pela arma não é nada estável, o que até pode acabar por frustrar um pouco (principalmente nas sniper rifles). As próprias armas estão muito bem caracterizadas, conseguindo-se de facto diferenciar a performance das diferentes armas, quer americanas quer alemãs. De resto, enquanto todas as ideias de planeamento estratégico foram boas, a própria IA dos elementos do esquadrão não é a melhor. Muitas vezes eles não perceberam as minhas ordens de se deslocarem para um certo sítio e acabaram mortos. Outras vezes ficavam presos contra uma rocha e não sabiam dar a volta, etc. O facto de os elementos do esquadrão morrerem não serve de muito, no final da missão eles voltam à vida (excepto os que de acordo com a história do jogo morrem mesmo).

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Ironsight. Boa sorte a tentar acertar nesse aí.

Graficamente o jogo até que é bonitinho para a PS2. Datado de 2005 já possuia um efeito “gloom” sobre a iluminação (coisa que foi usada até à exaustão nos primeiros jogos de X360 e PS3), e os próprios modelos das armas, soldados, e meio ambiente em geral são agradáveis. Mas se formos comparar este jogo com a versão PC ou Xbox então digo-vos que não tem nada a ver. Para além do jogo ser bem mais bonito, os próprios mapas estão mais completos e detalhados, acabando por ser uma experiência melhor. Passando para o som, bem aqui é algo muito bem conseguido na minha opinião, preciamente por o jogo passar um espírito bem maior de camaradagem do que qualquer outro até então. Enquanto as cut-scenes de introdução ao nível em questão são bastante introspectivas, no decorrer do próprio jogo sentimos que realmente temos o apoio dos “colegas”. Eles avisam quando descobrem alemães, respondem às ordens, quando nos armamos em Rambo é habitual ouvir “Baker! Go back!”, entre várias outras falas. Neste ponto acho que o jogo é realmente imersivo. Num total, apesar de ser um jogo com um passo mais moderado comparando a outros jogos do género como Medal of Honor ou Call of Duty, toda esta imersão do jogador no contexto, bem como uma jogabilidade mais realista, acabam por tornar a experiência mais gratificante. A última missão foi aterradora.

Passando para o multiplayer, confesso que não lhe prestei muita atenção, mas é algo mais “mission based“. Seja destruir uma ponte, levar um objecto do ponto x ao ponto y, o jogo passa por ser entre 2 ou 4 jogadores. Cada jogador tem um pequeno esquadrão para comandar como no jogo single player, pelo que acaba por ser algo mais original que um simples deathmatch. O multiplayer local está limitado a 2 jogadores em splitscreen (o que acaba por estragar um pouco o efeito surpresa), mas o modo online suportaria os tais 2 ou 4 jogadores mais respectivos esquadrões. Não sei como será no PC ou Xbox, mas os servidores da PS2 estão encerrados, portanto não tenho muito a dizer.

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Esta missão teve a sua graça.

Apesar de ter tido várias frustrações com a mecânica de jogo inicialmente, posso dizer que fiquei agradado com este jogo. Ainda continuo a preferir o gameplay mais directo dos jogos da concorrência, mas esta interacção com o “grupo” é de facto uma mais-valia. Eu estou aqui a falar bem da versão PS2, mas os vídeos que vi da versão PC não tem comparação, o jogo é bem mais bonito e detalhado. Pelo que li numa ou noutra review, parece-me que a dificuldade e os problemas de AI desta versão PS2 são menores no PC e Xbox, pelo que na minha opinião são as versões definitivas deste jogo. Este Road to Hill 30 e o Earned in Blood sairam em conjunto na Wii, alguns anos mais tarde, mas esqueçam esse port. Para além de não ter o multiplayer, fizeram conversão da versão PS2, o resultado foi pior. Agora com licença que vou dar uns tiros no Earned in Blood.

Devil May Cry 3: Dante’s Awakening – Special Edition (Sony Playstation 2)

Devil May Cry 3Devil May Cry 3 foi tudo o que os fãs pediram após terem ficado desapontados com o DMC2. O jogo deixou de ser puramente de acção como em DMC2 e passou a integrar novamente elementos de puzzle e exploração, bem como o próprio sistema de batalha está parecido com o do primeiro jogo, mas bem mais avançado. Um ano e qualquer coisa após o DMC3 ter chegado ao mercado, a Capcom decide relançá-lo com mais conteúdo e a metade do preço, de modo a capitalizar no sucesso da série. A minha cópia foi comprada há poucas semanas no ebay UK por cerca de uns 1,5€ mais portes de envio. Uma pechincha, tendo em conta que o jogo está em óptimo estado.

DMC 3 Special Edition PS2
Jogo completo com caixa e manual

Devil May Cry 3 é na verdade uma prequela do primeiro jogo da série. Aqui as raízes de Dante são um pouco mais exploradas, mais concretamente o seu passado de rivalidade com o irmão gémeo Vergil. Para além de Dante e Vergil existe outra dupla de rivais humanos, Arkham e Lady. Vergil é o evil twin de Dante e neste jogo junta-se a Arkham (que se quer tornar num demónio) para roubar o colar oferecido a Dante pela sua mãe. Este colar, conforme já foi visto em Devil May Cry, juntamente ao colar do Vergil permite abrir as portas do Inferno que tinham sido seladas pelo pai de Dante e Vergil, o poderoso demónio Sparda. Sem querer revelar mais pormenores, Lady é também uma caçadora de demónios, que embora não se junte a Dante por ele ser meio-demónio, também tenta impedir o plano de Arkham e Vergil.

As grandes novidades deste jogo estão no gameplay. Começando pelas armas “devil arms“, estas são adquiridas após se defrontar um determinado boss, ao invés de serem simplesmente encontradas como nos 2 jogos anteriores. Para além de armas melee, Dante poderá utilizar vários tipos de pistolas, que estas são encontradas ao longo do jogo. Os níveis estão novamente separados por missões, desta vez com mais foco na exploração e resolução de alguns puzzles. O combate foi o que recebeu mais alterações. Existem 4 estilos base de luta (podendo depois serem desbloqueados mais alguns), cada estilo tem algumas técnicas mais exclusivas. Trickster (o inicial) é um estilo balanceado, onde o esquivar de golpes é focado. Swordmaster e Gunslinger, com especialização em melee weapons ou armas de fogo respectivamente e Royal Guard, que aposta num gameplay mais defensivo. Estes estilos de luta podem ser alterados quer no início de cada missão, quer quando se visita uma “Statue of Time”. Ao lutar vamos ganhando experiência no estilo de luta, podendo depois aprender novas técnicas. Outra novidade reside no facto de Dante apenas poder transportar consigo um par de armas melee e outro de armas de fogo, podendo ser alternadas usando os botões L2 e R2.A escolha das armas a utilizar também é feita antes das missões ou na Statue of Time. Também de volta está o mecanismo das “orbs”, com orbs de várias cores e funções diferentes. Amarela/dourado representam novas vidas ou continues, azul para aumentar a barra de vida, vermelho para comprar items ou fazer upgrades às armas, etc. Mais uma vez, à semelhança do primeiro jogo, cada “devil arm” tem as suas habilidades próprias (como o double jump por exemplo) e isso transpõe-se para o Devil Trigger – a forma demoníaca e poderosa de Dante que pode ser utilizada temporáriamente – que também terá diferentes habilidades consoante a arma equipada.

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Ecrã título

A grande novidade desta Special Edition está no facto de se poder jogar com Vergil. Vergil tem menos armas que dante e apenas um estilo de luta, mas também tem habilidades próprias que podem ser desbloqueadas. Para além disso, nesta Special Edition fez-se uma revisão na dificuldade do jogo (existem mais níveis de dificuldade), e melhorou-se o sistema de continues, permitindo o jogador recomeçar o nível ou ressuscitar instantaneamente no local onde morreu. Para além disso existe um “Turbo” mode que deixa o jogo 20% mais rápido, bem como o regresso do “Survival Mode” de Devil May Cry 2, o “Bloody Palace”. Existem também vários extras como imagens de artwork ou trailers que podem ser desbloqueados, bem como novas roupas para Dante e Vergil. Para isso tem de se ir completanto o jogo em todas as dificuldades, bem como obter o melhor rank possível em cada missão. É possível a qualquer altura rejogar uma missão anterior para melhorar o resultado.

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Vergil a dar cartas!

Graficamente, não acho que o jogo esteja muito mais bonito que o Devil May Cry 2. Mais variado sem dúvida, os cenários estão muito mais bem trabalhados, há novamente uma preocupação pela arquitectura “gótica” sempre presente, quer em cenários abertos de exteriores, quer em corredores apertados de castelos e afins. Já os modelos (principalmente das personagens principais) não estão assim tão bons, na minha opinião. Nota-se que tiveram um bom trabalho com as cut-scenes, agora bem mais “cinematográficas” e com bastante diálogo, algo que deixou a desejar no jogo anterior. A história deixou de ser uma coisa contada à pressa e aqui as coisas fazem todo o sentido. É um jogo agradável visualmente, mas já vi melhor na PS2 e o próprio DMC2 deixou-me mais agradado neste aspecto. A nível de som é o habitual, música ambiente (ou música nenhuma) em fases de exploração, quando começa o combate há uma explosão sonora e começa logo a dar música bastante mexida numa onda mais rock/electrónica, que acaba por agradar. O voice acting não está nada mau, bem como os efeitos sonoros, aqui apresentados em Dolby Pro Logic II (coisa que não tenho, mas pronto).

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Belos polígonos! (Screenshot de PC)

Apesar de ter gostado do caminho mais “simples” que o Devil May Cry 2 seguiu, não posso negar que prefiro este jogo dentro dos 3 existentes para a PS2. Os cenários são bastante variados como já referi, a história é mais empolgante e o próprio carisma do Dante está bem mais acentuado neste jogo. O sistema de batalha é um pouco mais complexo e requer bastante treino para se chegar ao fim. Obviamente que esta Special Edition é a versão a comprar (também existe no PC), tornando a versão original completamente obsoleta. A diferença de preço é practicamente nula (falando de ebay e amazon), portanto esta escolha acaba por ser a mais natural.

Devil May Cry 2 (Sony Playstation 2)

Devil May Cry 2 coverQuando se faz uma sequela de um jogo de sucesso, normalmente as expectativas são postas numa fasquia muito alta. Talvez por isso o Devil May Cry 2 tenha desapontado muita gente. Como só comprei a minha PS2 neste ano, só comecei a jogar estes jogos já muito depois do hype inicial, talvez por isso a minha perspectiva seja diferente e seja dos poucos que até preferem este jogo ao original. A minha cópia foi comprada neste ano no ebay UK, tendo-me custado apenas 3£ mais portes de envio, cerca de 7€ no total. Está completa e em bom estado.

Devil May Cry 2 PS2
Jogo completo com caixa e manual

Devil May Cry 2 é um jogo em que inicialmente poderemos usar 2 personagens. O já conhecido Dante, filho do demónio Sparda que salvou a raça humana há muitos anos atrás, e de mãe humana. Acompanhando Dante temos também uma personagem feminina que podemos escolher desde o início, Lucia, também semi humana. A história desta vez prende-se  com um tal de Arius, que se encontra à procura de uns items mágicos chamados “Arcanas” para libertar um poder demoníaco e assim conquistar o mundo. Lucia pede a Dante que vá com ele à Dumary Island, sua ilha de nascença e local onde Arius procura ressuscitar o demónio Argosax. Este jogo encontra-se dividido em 2 discos, sendo cada disco dedicado a uma personagem, podendo ser jogados de forma independente. As 2 histórias são semelhantes, sendo apenas a perspectiva de cada uma das personagens. Muitas áreas são idênticas, mudando apenas o caminho que Dante ou Lucia tomam. Sinceramente preferia que os níveis fossem sendo jogados de maneira alternada, e se calhar com mais alguma variedade entre os mesmos, seria melhor até para o desenvolvimento da história.

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Dante a dar uso às suas pistolas

A jogabilidade sofreu várias alterações desde o jogo original, e de facto aqui é algo que não gostei muito neste jogo. Passo a explicar: O sistema de combate básico a meu ver parece ter sido melhorado, com mais acrobacias e movimentos. O passo atrás está na variedade de “gameplay”. Em DMC1, se usássemos Alastor ou Ifrit, o estilo de luta mudava completamente, mesmo as próprias Devil Trigger. Aqui o facto de termos mais ou menos armas não traz nada inteiramente novo. Dante continua a usar espadas grandes e armas de fogo, já Lucia é mais uma “melee fighter”. Tem algumas espadas mais pequenas que usa ao mesmo tempo que luta com o corpo. Já de projécteis Lucia especializa-se mais em atirar facas, dardos, etc. Já o mecanismo do Devil Trigger a meu ver foi algo que mudou para melhor. O equipamento de Dante/Lucia não se resume apenas a armas, mas também uma espécie de joias que podem ser colocadas num colar. Essas jóias conferem habilidades especiais quando se utiliza o Devil Trigger, isto é, quando Dante ou Lucia alteram a sua forma humana para a demoníaca. O Devil Trigger é um “estado” especial, que usa uma barra de energia especial para ser consumida, tal como descrevi no Devil May Cry. Enquanto que no jogo original a forma de Devil Trigger de Dante e as suas habilidades modificavam consoante a sua “arma branca” escolhida, aqui é sempre a mesma. As habilidades são customizadas através da escolha das tais jóias que referi. A capacidade de voar, correr mais rápido, utilizar poderes elementais, curar-se mais depressa, entre outras, são alguns exemplos. Outra coisa que não gostei na jogabilidade foi o facto de o CPU fazer “auto-lock” aos inimigos para lutar. Nem sempre o CPU faz a melhor escolha do lock, e várias vezes nem quero lutar, apenas activar alguma switch e esse “auto lock” impede-me. Felizmente se carregar em R2 o lock desaparece, mas é desconfortável jogar dessa forma. Uma boa notícia foi a inclusão da habilidade de fazer o double jump logo de raiz, e torná-la independente do equipamento escolhido.

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O arsenal de Dante

Apesar de a jogabilidade ter alguns altos e baixos, gosto mais deste jogo que o original pelo simples motivo de ser um jogo mais voltado para a acção, e não uma mistura estranha de um jogo de porrada com um jogo de exploração e puzzles. DMC2 continua a ser um jogo dividido em missões, embora desta vez os níveis não sejam contínuos entre si. As secret missions do jogo original não existem, passando a existir as secret rooms que como o próprio nome indica são salas secretas espalhadas nas missões. Nestas salas secretas apenas há combates normais, no fim do mesmo o jogador recebe uma recompensa sob a forma de várias orbs, orbs essas que mantêm as mesmas funções que serviam no jogo original. Infelizmente aqui a câmara apesar de não ser de ângulos totalmente fixos, a mesma continua a não poder ser controlada, o que resulta mais uma vez em nem sempre termos o melhor ângulo do caminho que queremos tomar e dos inimigos que temos pela frente. Graficamente Devil May Cry 2 está superior. Muitos dos níveis são passados em exteriores, que apesar de não serem exteriores tão detalhados, apresentam arquitecturas que pessoalmente me agradam. Desde edifícios rurais que me fazem lembrar algumas aldeias do interior do nosso País, passando para cidades abandonadas que parecem terem ficado congeladas desde os anos 50, até zonas urbanas que, apesar de novamente desertas e não tão agradáveis como as anteriores, não deixam de ser bonitas. Quando passamos para os interiores então sim, acho que são tão ou mais detalhados que os de DMC1, até porque ao contrário do jogo original, aqui as coisas são mais variadas.

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As cut-scenes geralmente utilizam o motor gráfico do jogo, mas também existem CGs

A nível de som, o jogo continua a ter uma boa banda sonora apropriada para os combates, quando surgem, passando de música ambiente para  musicas mais mexidas na onda de um rock/industrial/electrónico. O voice acting sinceramente achei-o competente. Apesar de a história ainda ser contada um bocado aos trambolhões, achei melhor que o jogo original. Devil May Cry 2 tem bastante conteúdo para desbloquear, desde vários níveis de dificuldade, novas roupas para Dante e Lucia (mais para Lucia), a hipótese de se jogar com a Trish de DMC1, e um novo modo de jogo de nome “Bloody Palace”. Bloody Palace é nada mais nada menos que um conjundo de “secret rooms” com vários inimigos e bosses repetidos ad aeternum. Ou então ao longo de 9999 níveis. Não tenho paciência para isso.

Para finalizar, Devil May Cry 2 é um jogo com os seus altos e baixos. Compreende-se que os fãs se tenham sentido desiludidos, mas na minha opinião não deixa de ser um jogo divertido, e até o prefiro ao jogo original. De qualquer das maneiras, pelo pouco que já joguei do DMC3 parece que a Capcom acabou por dar ouvidos aos seus fãs e melhorou muitos dos problemas que DMC2 trouxe.

Devil May Cry (Sony Playstation 2)

Devil May CryA Capcom foi uma das software houses mais criativas da geração passada, como já tive a oportunidade de dizer em artigos anteriores. Devil May Cry, apesar de inicialmente ter sido projectado para ser o Resident Evil 4, ao longo do seu desenvolvimento Shinji Mikami acabou por lhe dar uma grande reviravolta, tanto no conceito como na jogabilidade, criando assim uma nova franchise de sucesso. A minha cópia foi comprada algures este ano no ebay UK, por 1 libra mais portes de envio. Daquelas bagatelas que às vezes temos a sorte de apanhar! O jogo está completo e em bom estado.

Devil May Cry PS2
Jogo completo com caixa e manual

O herói da série chama-se Dante, filho de um pai demónio e mãe humana. O pai, de nome Sparda, foi um poderoso demónio que se insurgiu há 2000 anos atrás contra os planos de Mundus (imperador do Underworld) de invadir e destruir a Terra. Mundus foi também responsável pela morte da família de Dante, 20 anos antes dos acontecimentos deste jogo. Desde então que Dante se torna numa espécie de mercenário, aceitando apenas trabalhos que envolvam o sobrenatural, para se tentar vingar dos demónios que mataram a sua família. A certa altura, Dante fica a conhecer a loiraça Trish que lhe avisa dos planos de Mundus voltar ao activo e indica o castelo da ilha de Mallet que funciona como portal entre as duas dimensões. Na cena seguinte, Dante já se encontra às portas do tal castelo e a acção começa a partir daí.

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Cenários bonitos...

Devil May Cry foi um jogo revolucionário pelo seu combate “estiloso” para a época. É um hack ‘n slash com alguma exploração à mistura, fruto da sua herança de Resident Evil. Dante é um “caçador de demónios” equipado com 2 pistolas automáticas e uma larga espada, podendo tanto esquartejar o que lhe apareça à frente, encher os inimigos de chumbo ou até uma mistura dos 2. Há um grande ênfase na execução de combos e de manobras acrobáticas, tornando o gameplay bem mais dinâmico e livre dos tank controls que Resident Evil sempre teve no passado. Inicialmente Dante apenas tem as 2 pistolas e uma espada, mas ao longo do jogo vão sendo descobertas outras armas que conferem diferentes habilidades, como o salto duplo. Existem 2 barras de energia diferentes, a barra de vida normal, e uma outra usada para o Devil Trigger. Devil Trigger transforma Dante na sua versão demoníaca, ficando mais rápido, mais forte, com mais habilidades (como voar, por exemplo), a sua vida vai regenerando lentamente. Mas como tudo o que é bom acaba depressa, essa barra de energia do Devil Trigger é utilizada num certo tempo limite, mediante a percentagem de energia “Devil Trigger” disponíveis. Existem vários powerups sob a forma de “orbs” de várias cores. Uns restauram a barra de energia, outros extendem-na, bem como à barra Devil Trigger, novas vidas, e finalmente existem as red orbs, que são uma espécie de unidade monetária do jogo, permitindo a aquisição de items e novas habilidades ao longo do jogo. Existem outros items para além das orbs, mas este artigo não pretende ser um manual 😛

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Phantom, um dos primeiros bosses

Mesmo a jogabilidade ser completamente diferente dos Resident Evil clássicos, Devil May Cry ainda herdou algumas das suas características. A mais notória são os ângulos de câmara, que são fixos em salas grandes e abertas, e seguem o movimento do jogador em corredores mais apertados. Contudo, mesmo nesse caso a câmara não é controlada pelo jogador, o que pode ser um pouco irritante na altura de fazer alguns saltos delicados entre plataformas. A outra parecença reside no facto de o jogo não ser só porrada e ter uma elevada dose de exploração e um ou outro puzzle, sendo que a maioria assenta no princípio “encontrar o objecto A, levá-lo ao local B, para poder aceder a C”. De outra forma, apesar de ser possível fazer backtracking em vários momentos do jogo, o progresso do mesmo é separado por missões. Essas missões são coisas simples: encontrar objecto X, derrotar inimigo XYZ, descobrir o caminho para chegar a A. Existem também missões secretas que não são obrigatórias para se concluir o jogo. Essas missões geralmente consistem em derrotar um certo inimigo de uma determinada maneira, ou travar um combate dentro de um tempo limite. Estas missões secretas geralmente recompensam o jogador com powerups.

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Dante a mostrar quem manda

Passando para a questão gráfica, os jogos 3D geralmente envelhecem pior que os clássicos 2D, portanto temos de nos contextualizar no ano de 2001. Nessa perspectiva não me lembro de um jogo mais bonito na PS2 que tenha saído até então (talvez o Ico). Os cenários estão bem desenhados e com bastante detalhe, principalmente se compararmos este jogo com um seu sucessor Chaos Legion, que apresentava cenários bastante simples. A arquitectura do castelo, das salas, os efeitos de iluminação, a modelação das personagens e dos inimigos macabros, acho que no total está um artwork bem conseguido, aliando a uns bons gráficos para a PS2 na era 2001. A banda sonora segue na mesma a imagem rock/gótico deixada pelo estilo de Dante, com uma banda sonora orientada ao rock/industrial, dando também lugar a uma ambiência sonora mais sinistra quando os inimigos são derrotados.

Devil May Cry foi um jogo muito bem conseguido por parte da Capcom, gerando várias sequelas e inspirando outros jogos como o recente Bayonetta. É um jogo que se encontra muito facilmente e muito barato nesses amazon e ebays por aí fora. Foi recentemente anunciado um remaster em HD para PS3 e X360, têm o potencial de se tornar a melhor versão deste jogo, mas a ver o que foi feito no RE4, as mudanças não serão assim muitas.