The Bouncer (Sony Playstation 2)

The BouncerA Squaresoft desde que lançou o Final Fantasy para  a NES, que se tem focado maioritariamente nos JRPGs, tendo um ou outro lançamento mais esporádico noutros subgéneros. E dentro dos jogos de primeira geração da Playstation 2 estava precisamente  um destes exemplos em que a Square saiu da sua zona de conforto, com este The Bouncer que é um beat ‘em up em 3D, mas com alguns ligeiros elementos de RPG também. No entanto o jogo é curtinho e simples, pelo que não esperem um artigo particularmente longo. A minha cópia deste jogo entrou na minha colecção após ter sido comprada no ano passado na feira da Ladra em Lisboa por 5€.

The Bouncer - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa e manual

A história começa por ser bastante simples. Sion, Volt e Kou são “bouncers” no bar Fate da menina Dominique. O jogo decorre no futuro de uma cidade fictícia chamada Edge, onde a Shinra errr, Mikado, era uma grande empresa tecnológica e se preparava para desenvolver uma espécie de satélite que convertia a energia solar em energia eléctrica para ser utilizada na Terra. A certa altura o bar é tomado de assalto por tropas especiais dos Mikado que raptam Dominique. Esta trama de alguém ir salvar a donzela em perigo já foi vista vezes sem conta, mas ao longo do jogo lá vamos aprendendo que o motivo desse rapto tem por detrás planos conspiratórios da Shinra (lá estou eu outra vez) lá do sítio, e o background histórico por detrás de cada personagem também vai sendo descoberto.

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Tanto lutamos contra oponentes humanos, como contra robots ou cyborgs

Existem vários modos de jogo. O modo história coloca-nos em vários combates ao longo de diversos locais à medida em que a história se vai desenrolando. No início de cada nível, podemos escolher com qual protagonista queremos jogar. A história vai tendo assim algumas pequenas variações, excepto num ou noutro nível em que as coisas se tornam realmente diferentes, sendo assim necessário jogar pelo menos 3 vezes o jogo para ver todas essas variações no jogo. Acima disse que o jogo incorporava conceitos simples de RPGs, e isso acontece porque cada vez que derrotamos um inimigo, seja um boss ou o soldado raso somos recompensados com alguns pontos de experiência. Esses pontos podem depois ser trocados no final de cada nível, onde podemos, para a personagem com quem jogamos o tal nível, aumentar as suas stats de saúde, defesa e ataque, ou mesmo aprender novos golpes especiais. Para ter todas as personagens maxed out, teremos de jogar o jogo várias vezes, para isso podemos começar um Extra Game, onde herdamos a experiência de cada personagem de jogos anteriores.

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Antes de cada combate no modo história, podemos escolher qual a personagem com quem jogar.

Os controlos são simples. Um joystick para movimentar, os quatro botões faciais para golpes, um botão de cabeceira para defender, outro para “activar” os golpes especiais que adquirimos com os pontos de experiência, e por fim um outro botão para activar os Trinity Rush, ataques todos bonitinhos que usam as 3 personagens em jogo, mas não são tão úteis assim. Ainda assim, apesar de os controlos serem simples, devo dizer que a movimentação é bastante lenta e os golpes também não têm o “ouch factor” de outros jogos do género, como o Dynamite Cop da rival Dreamcast, por exemplo. Mas pior é mesmo a inteligência artificial, tanto dos inimigos que são bem burrinhos, como dos nossos colegas de equipa. O sistema de pontos de experiência podia ser melhor pensado, isto porque apenas ganhamos os pontos se formos nós a dar o golpe final no inimigo em questão. Ora isto aliado a uma IA não muito inteligente quer dizer que os outros 2 lutadores controlados pelo CPU vão-nos roubar muitos desses pontos. Depois ainda temos o problema do fluxo do jogo. Cutscenes – selecção de personagens – uma batalha. Passamos bem mais tempo a ver cutscenes do que propriamente em combate, que nunca são com tantos inimigos assim. Depois se morrermos, temos novamente de passar pelo ecrã de título, fazer load game, assistir à última cutscene, seleccionar a personagem e por fim voltar a jogar. Deveriam ter pensado isto melhor.

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Ao longo da história principal podemos ir desbloqueando outras personagens a utilizar noutros modos de jogo

Para além do modo história temos também outros modos de jogo, incluindo o já habitual survival. Este também é um modo de jogo single-player e coloca-nos ao longo de uma série interminável de combates até que finalmente padecemos. Os outros 2  modos de jogo são mais focados no multiplayer em que um deles poderá ir até 4 jogadores, se tivermos um multi-tap. Esse é o modo Battle Royale, onde temos 4 contra 4 e quem sobreviver ganha. O outro modo de jogo, Team Battle, dá apenas para 2 jogadores, em que cada jogador faz uma equipa com outras 2 personagens controladas pelo computador e lançam-se também para a porrada.

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Como é típico da Square, as cutscenes têm uma óptima qualidade visual

Graficamente é um jogo bonitinho, se tivermos em conta que é um jogo da primeira geração da consola. Os cenários estão bem detalhados, embora não tenham texturas nada por aí além, mas as personagens estão bem detalhadas, tanto em polígonos como em texturas. Quem for fã dos Final Fantasy desde a era PS1, certamente irá gostar dos visuais deste The Bouncer. E sendo um jogo da Square, tem cutscenes com um excelente detalhe para a época. As músicas são também boas, sendo bastante variadas a nível de géneros. Tanto é possível ouvir hard-rock cheio de guitarradas como eu bem gosto, como outras melodias mais calminhas. O voice acting é competente e este é daqueles jogos que tem algo que eu dou muito valor. A oportunidade de ouvir o voice acting em inglês, ou o original japonês.

Posto isto, The Bouncer é jogo que para mim, como beat ‘em up é fraquinho. As movimentações foleiras, a má inteligência artificial, o facto de não existir suporte a 2 jogadores no modo história ou acima de tudo, existirem batalhas contra 3 ou 4 inimigos e depois levamos com 5 minutos de cutscenes, tiram muito do potencial que este jogo poderia vir a ter. Ainda assim, para quem for fã da Squaresoft, poderá encontrar algo que lhe interesse, pois todo o carisma do jogo faz lembrar os Final Fantasy da era moderna.

Fahrenheit (Sony Playstation 2)

FahrenheitA Quantic Dream de David Cage e companhia desde cedo se tentou desmarcar das demais produtoras, ao apresentar videojogos com uma narrativa muito forte e uma jogabilidade diferenciada da restante concorrência. Fahrenheit, também conhecido como Indigo Prophecy no outro lado do Atlântico é um desses jogos, sendo percursor dos mais recentes Heavy Rain e Beyond: Two Souls. Mas ao mesmo tempo que tenta ser revolucionário, na minha opinião falhou redondamente numa série de aspectos, mas já lá vamos. A minha cópia foi comprada algures no verão de 2013, na feira da Ladra em Lisboa, creio que me custou 5€.

Fahrenheit - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa e manual

Fahrenheit coloca-nos inicialmente no papel de Lucas Kane, uma pessoa que estava no local errado à hora errada. Ao iniciar o jogo somos logo presenteados com uma cutscene, onde vemos Kane numa espécie de transe e, sem conseguir controlar as suas acções, assassina um pobre coitado num WC de um restaurante nova-iorquino. Com o homicídio consumado, Lucas desperta do transe e vê-se metido no meio daquela embrulhada. A partir daí como Lucas teremos de descobrir o que esteve por detrás daquele acontecimento estranho e também tentar manter a sua inocência perante a polícia. Por outro lado também jogamos com Carla Valenti e Tyler Miles, uma dupla de detectives que investigam esse crime. Ao longo do jogo vamos entrar neste jogo de “gato e rato”. Logo no início do jogo temos de arranjar forma de esconder as provas do crime o melhor possível, mas quando passamos a jogar com a dupla de detectives, vamos investigar o rasto que deixamos. Há esta ligação muito interessante de detalhes que vão abrangir as possibilidades de ramificações na história, mas lá mais para a frente as coisas convergem todas num único caminho, onde na cena final podemos obter 3 finais diferentes. A história começa muito bem, nota-se que há uma grande atenção ao detalhe em cada personagem, a sua maneira de ser, e o que pequenas acções afectam nos diálogos que teremos no futuro. A história vai ganhando contornos paranormais e infelizmente o que no início estava muito bem feito, lá para a recta final do jogo não conseguimos deixar de nos sentir desapontados com o rumo das coisas. Digamos que a recta final do jogo não foi lá muito bem pensada e meteram lá um monte de coisas às 3 pancadas sem sentido nenhum, mas isso deixo para quem jogar que descubra.

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Exemplo das respostas que podemos dar e do tempo limite que temos

Mas é nas mecânicas de jogo que as coisas ganham outros contornos. É indiscutível que Fahrenheit vai buscar muitos conceitos aos jogos de aventura point and click, pois temos na mesma imensos objectos para examinar, interagir, pessoas com quem falar e o enfâse que é dado à narrativa. Mas mais uma vez há esta coisa dos detalhes e a maneira como isso vai afectando o desenrolar do jogo. Logo no início, após Lucas ter assassinado o pobre coitado, há um polícia que estava no restaurante a comer qualquer coisa. Mais tarde ou mais cedo ele vai entrar na casa de banho e deparar-se com aquele cenário, pelo que temos de dar o nosso melhor para ocultar as provas do crime, e mesmo fora da casa de banho não aparentar um comportamento suspeito. Principalmente quando jogamos com Lucas há muitos momentos em que agimos sobre esta “pressão”, e se era essa a intenção dos desenvolvedores, então conseguiram-no. Alguns capítulos tive de os rejogar mais que uma vez para fazer tudo o que queria. Nos diálogos também temos um tempo limite para responder, onde cada resposta coincide com um movimento do joystick direito. Esta maneira de escolher as coisas também se aplica aos objectos que interagimos, em vez de surgir um pop-up para interagir com o objecto, carregando num botão facial, temos de movimentar o joystick direito na direcção que surge no ecrã. Isto também acontece em algumas acções, como por exemplo quando temos de escalar uma superfície qualquer, onde temos de movimentar o joystick direito de acordo com o movimento que aparece no ecrã.

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Em vários pontos do jogo vamos vendo vários ângulos de câmara diferentes, quando algo de importante está para acontecer.

Ainda nesta vertente de “exploração” há algo que eu tenho de criticar negativamente. Os controlos quando movimentamos a personagem e a câmara. É possível controlar a câmara, mas de uma maneira muito confusa. Ao utilizar mais uma vez o joystick direito, podemos deslocar a câmara em várias direcções, mas com os botões L e R podemos rodar o ângulo da câmara. Em alguns locais é possível rodar a câmara livremente, noutros locais mais apertados apenas podemos rodar a câmara em ângulos pré-determinados, ficando muitas vezes a personagem presa atrás de algum objecto. Depois as movimentações têm problemas que se prendem com a câmara. Ao movimentar a personagem numa direcção, e a câmara muda de ângulo, geralmente enquanto deixamos o joystick pressionado no mesmo sentido, a personagem continua a movimentar-se na direcção do ângulo anterior. Isto também acontece aqui, mas o problema é que quando largamos o joystick e tentamos apontá-lo para a direcção nova, o jogo parece que demora algum tempo a assimilar isso, então passamos a andar aos círculos feitos baratas tontas durante algum tempo…

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Depois do “Get Ready” os círculos coloridos ganham destaque e nem temos tempo de apreciar o que se passa no fundo.

Mas nem tudo em Fahrenheit é a exploração típica de um jogo de aventura. O grande defeito deste jogo na minha opinião são mesmo os quick time events em excesso. Em várias ocasiões surge a mensagem “Get Ready” e aí temos de olhar para o ecrã e nem pestanejar. Ao longo das cutscenes, aparecem mesmo no centro do ecrã 2 círculos coloridos, correspondentes ao joystick esquerdo e direito. Esses QTEs são essencialmente sequências do jogo “Simon Says”, onde temos de movimentar os joysticks nas direcções indicadas no ecrã, com as cores respectivas. Felizmente podemos falhar uma ou outra vez, mas falhando vários inputs faz com que percamos uma vida. Infelizmente estas cutscenes são muitas vezes demoradas e com toda essa atenção que temos de ter aos inputs, não conseguimos acompanhar com toda a atenção merecida a história que se vai desenrolando em background. Mas pior são ainda os QTEs em que temos de carregar alternadamente nos botões L e R. Esses ainda são mais cansativos e exagerados e por muitas vezes no final de uma dessas sequências decidi parar de jogar para descansar um pouco.

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Os QTEs surgem noutros mini-jogos não essenciais à história e até em diálogos, embora por vezes não exista problema algum em falhar propositadamente.

Existem outros minijogos e segmentos da história principal que utilizam vertentes destes QTEs. Podemos practicar guitarra, jogar uma partida de basketball com um colega de trabalho, ou mesmo um combate de boxe entre Carla e Tyler. Há um minijogo que estamos numa galeria de tiro e podemos controlar Carla como se um lightgun game se tratasse, ou outras secções em que devido à claustrofobia de Carla teremos de controlar a sua respiração com os botões L e R. Entendo que a Quanticdream tenha querido fazer algo de diferente e no global conseguiram-no, mas há coisas que poderiam e deveriam ter sido melhor pensadas, nomeadamente estes QTEs em exagero. Há um outro segmento do jogo que também poderá chatear muita gente, pelo menos a mim chateou, que são os 2 capítulos stealth, onde teremos de nos esgueirar numa instalação militar sem ser descobertos. Infelizmente as coisas aqui também não foram muito bem pensadas e poderão dar muitas dores de cabeça a quem as jogar.

Graficamente é um jogo bem competente para uma PS2. As personagens têm bastante detalhe, principalmente a nível de expressões faciais que me parece ser do melhor que a PS2 apresentou neste campo. Os cenários também me parecem bem conseguidos e convincentes, embora mais uma vez afirmo, é uma PS2 que estamos a falar, não uma Xbox. As músicas e efeitos sonoros são óptimos e o voice-acting também está excelente, como é de esperar de um jogo da Quanticdream. Ao longo do jogo vamos encontrando algumas “Bonus Cards” que se traduzem em pontos. Esses pontos podem ser utilizados para comprar conteúdo bónus, de onde se encontra a banda sonora, artwork, e clips de vídeo variados, tanto de cutscenes alternativas em vários pontos do jogo, ou mesmo coisas do making-of, onde vemos o esforço que a Quantic Dream fez ao captar os movimentos das personagens e o voice-acting que esteve envolvido.

screnshot
O jogo tem vários momentos NSFW, especialmente a versão europeia com nudez explícita.

Posto isto, Fahrenheit é uma experiência mista. Por um lado entende-se perfeitamente que a Quantic Dream quis fazer algo de diferente, um jogo de aventura com uma história complexa, envolvente, com muitas atenções ao detalhe e várias peculiaridades que se vão modificando de acordo com as nossas acções no jogo. No entanto algumas más decisões de design tiram todo esse brilhantismo. Os maus controlos, QTEs muito extensos e fatigantes e a recta final da história retiram muito do mérito deste Fahrenheit. Ainda assim não deixa de ser um jogo interessante e para quem gostou de Heavy Rain ou Beyond Two Souls certamente irá encontrar algo de interesse nesta aventura.

Battlefield 2: Modern Combat (Sony Playstation 2)

Battlefield 2 Modern CombatMais tarde ou mais cedo hei-de escrever sobre o Battlefield 3, um dos melhores FPS com uma vertente multiplayer que já tive o prazer de jogar. Mas enquanto esse dia não chega vou escrever sobre a primeira incursão de um jogo da conhecida franchise nas consolas, nomeadamente este mesmo Battlefield 2: Modern Combat. Tal como o nome indica este jogo abandonou a temática da 2a Guerra Mundial, na qual os primeiros jogos da série se focaram, passando para a era actual. E ao contrário dos jogos no PC, este aqui inclui também um modo campanha single player, embora não seja grande coisa. E este jogo entrou na minha colecção algures no verão de 2013, após uma ida à feira da Ladra em Lisboa, pela módica quantia de 1€. Está completo e em excelente estado.

Battlefield 2 Modern Combat (Sony Playstation 2)
Jogo completo com caixa e manual

A campanha tem uma história muito estranha e confusa. Essencialmente coloca-nos no meio de um confronto entre forças da NATO e o exército Chinês, em pleno solo do Cazaquistão. Ao longo da campanha iremos alternar entre ambos os exércitos, onde entre cada missão somos também presenteados com os noticiários norte-americano e chinês, cada qual a contar a história do conflito da maneira que melhor lhes convém. O certo é que esse mesmo conflito é bastante confuso, mas lá para o final lá se vem a descobrir que afinal andavam terroristas metidos ao barulho, como não poderia deixar de ser.

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As classes com que podemos jogar e o seu equipamento que vamos desbloqueando

Mas a jogabilidade tem algumas ideias muito interessantes. Começamos cada missão como um determinado soldado, mas podemos alternar entre os restantes companheiros no campo de batalha sempre que o quisermos, bastando olhar para eles até que o seu identificador que paira sobre as suas cabelas se ilumine. Aí é só carregar no quadrado do comando que o passamos a controlar. E a ideia é mesmo ir fazendo isso ao longo do jogo. Tanto podemos jogar com tropas de assalto para matar infantaria inimiga, como depois passar para um engineer equipado com um rocket launcher para atacar veículos inimigos, ou para um sniper numa outra posição estratégica, ou mesmo para algum veículo como um tanque ou helicóptero. Como já devem ter percebido a infantaria está dividida em várias classes como é habitual nos Battlefield. Soldados de assalto, snipers, engineers e suporte, cada qual com as suas armas e geringonças, por exemplo os snipers podem identificar alvos inimigos a uma grande distância, para que apareçam no mapa a toda as nossas tropas, os engineers podem reparar ou destruír veículos e por aí fora.

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Mesmo as turrets têm munição limitada. Teremos de esperar algum tempo para voltar a ter munições

Este mecanismo do hotswap é uma excelente ideia, infelizmente a sua execução não é a melhor. As missões são passadas em mapas grandinhos, com objectivos próprios, seja fazer reconhecimento a certos locais, destruir outros, ou mesmo tomar de assalto algumas posições e defendê-las. Isto requer uma componente estratégica e infelizmente a inteligência artificial não dá conta do recado como deveria. Pelo menos falando na versão PS2, não sei se as versões Xbox e X360 são assim. Assim sendo, com a IA não tão eficiente como seria suposto, era bom que pudéssemos comandar algumas tropas para fazer o que quiséssemos, um esquema como o de Battalion Wars seria muito interessante. E o facto de apenas podermos fazer hotswap para as tropas que estejam visíveis no mapa também é um ponto que poderia ser modificado. Uma opção de abrir o mapa geral da missão e seleccionar a tropa/veículo para trocar deveria ter sido implementada.

Na maioria das missões vamos tendo reforços a chegar constantemente de pára-quedas, pelo que mesmo que alguns soldados nossos morram, reforços acabarão por chegar. Ainda assim, há outras missões com um número limitado de tropas e veículos, e deixá-las todas morrer é sinal de repetir a missão. Infelizmente as tropas inimigas também vão fazendo respawn em várias missões, pelo que tal como um jogo multiplayer se tratasse, ficar muito tempo no mesmo sítio não é uma boa política. A jogabilidade também é um pouco arcade e menos realista do que habitual na série. Por exemplo, é possível matar tropas com um tiro certeiro de shotgun, mesmo que estejam a uma distância considerável. A gravidade das balas nos snipers também é algo que não entra na equação e depois o sistema de pontuação que nos premeia com medalhas sempre que fazemos algumas combos, ou matamos vários inimigos com as mesmas armas/classe, é algo que também contribui para esta jogabilidade quase arcade.

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Existem vários veículos que podemos manobrar, mesmo barcos.

No final de cada missão os pontos amealhados, as medalhas, o tempo da missão e as casualidades entram nas contas para um ranking final. Ao subir de ranking, tal como os outros Battlefields, vamos podendo desbloquear várias armas/equipamentos para as 4 classes de infantaria, ou upgrades para as armas que já tivermos. Para além do mais desbloqueamos alguns desafios que poderemos jogar mais tarde, também em single player. Esses desafios são mesmo como o nome indica: desafios.  Alguns requerem que façamos o hotswap de soldados do ponto A ao ponto B no menor tempo e número possível, outros são corridas com os veículos ou mesmo desafios para testar a nossa habilidade com algumas armas. Também aqui a nossa performance é recompensada em medalhas para subir no ranking.

Mas Battlefield é maioritariamente uma experiência multiplayer. E aqui inclui-se uma vertente multiplayer online com capacidade para até 26 jogadores, nos modos de jogo Conquest, onde temos de conquistar e defender algumas posições em mapas grandinhos, ou o Capture the Flag, que dispensa apresentações, apesar de decorrerem em mapas mais pequenos. Até há bem pouco tempo ainda haviam servidores online em vários jogos de PS2, mas infelizmente desde que me mudei para Lisboa que deixei de poder ligar a minha PS2 à rede, pelo que nem sequer experimentei esta vertente. Aparentemente teria tudo para ser um bom jogo. Por outro lado não dá para jogar localmente em split screen, o que é pena, mas até é compreensível que a PS2 tenha alguns problemas de performance em renderizar mapas grandes várias vezes, e jogar Battlefield com 2 jogadores e bots, não é a mesma coisa.

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Apesar de ser um pouco “arcade”, entrar à Rambo nem sempre é a melhor solução

Graficamente não achei o jogo nada de especial, as texturas são pobres, os modelos de soldados e veículos apresentam pouco detalhe, mas tendo em conta o tamanho dos mapas, sem loadings intermédios e a quantidade de veículos e tropas inimigas no ecrã por vezes, acabam por justificar o porquê de os visuais no geral não serem nada por aí além. Os efeitos sonoros, voice acting e a tradicional música mais militar também foram coisas que me pareceram medianas, cumprem o seu propósito, mas não são por si só memoráveis.

Assim sendo apenas consigo recomendar este jogo aos mais entusiastas de FPS. Não sei se o online ainda está activo, se o tiver, é bem possível que este jogo seja bem divertido. Para quem for a jogar sozinho, existem na PS2 shooters militares na era moderna bem melhores. Black, por exemplo. O esquema de hotswap é a meu ver uma ideia excelente, mas ainda poderia ser bem mais polida.

Cold Winter (Sony Playstation 2)

Cold Winter PS2Vamos então voltar ao colosso da PS2 para mais uma análise a um FPS que se calhar passou debaixo do radar de muita gente o que é pena, pois o jogo até é bem porreirinho! Este Cold Winter foi lançado em 2005 em exclusivo para a PS2, sendo um first person shooter com a temática de espionagem e luta anti-terrorismo, quase que poderia ser um jogo do Tom Clancy, em conjunto com uma jogabilidade muito interessante e um vasto número de armas que podemos utilizar ou mesmo criar. O jogo entrou-me na colecção algures em Julho deste ano, a memória já me está turva, não me recordo onde o comprei nem quanto custou, mas quase de certeza que foi comprado em Lisboa e não me terá custado mais de 5€.

Cold Winter - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelzinho

O jogo coloca-nos no papel do agente dos serviços secretos britânicos Andrew Sterling, que foi aprisionado enquanto se encontrava numa missão secreta na China. De forma a evitar um escândalo internacional, o Reino Unido negou a sua envolvência no incidente e apagou todos os dados referentes a Sterling, deixando-o a apodrecer numa cadeia asiática. Até que na véspera da sua execução Sterling é resgatado por uma antiga companheira sua, que posteriormente o convence a trabalhar para uma empresa de segurança privada, como forma de pagamento pela sua libertação. E é da China que vamos algures para o médio oriente, onde terroristas estão envolvidos em negócios de armas. O habitual em shooters militares, mas sendo este um jogo algo “furtivo”, as coisas têm um gostinho diferente.

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Os níveis, ou missões, são guiadas por objectivos, cujos indicadores vão surgindo também no ecrã.

Isto devido à jogabilidade. Em primeiro lugar, este é mais um daqueles FPS em que só podemos carregar com duas armas (existindo imensas ao longo do jogo que podemos utilizar – vários modelos de metralhadoras, revólveres, sniper rifles, RPG Launchers ou shotguns), mas por outro lado podemos carregar com um enorme arsenal de explosivos. Sem contar com as normais granadas e granadas de fumo, todos os outros explosivos que carregamos somos nós que os assemblamos aproveitando alguns objectos que podemos encontrar ao longo do jogo. Por exemplo, ao achar garrafas, farrapos de pano e combustível, podemos preparar uns cocktails molotov. Explosivos plásticos em conjunto com um relógio, permitem-nos fazer uma bomba-relógio. Se ainda lhe juntarmos combustível podemos fazer uma bomba incendiária. Ou com um detector de movimento, fazemos bombas que apenas explodem quando alguém se aproxima. E ainda existem mais uns quantos tipos de explosivos diferentes que podemos construir, o que nos dão sempre bastante variedade de estratégias que podemos adoptar para matar elevados números de inimigos de uma só vez.

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O jogo começa com Sterling feito prisioneiro numa prisão chinesa, onde teremos de escapar a qualquer custo.

Mas não são apenas explosivos que podemos construir. Lockpicks para abrir algumas portas/armários e afins, ou hacking devices à lá Deus Ex, também fazem parte desse rol de dispositivos. No entanto apesar de ter essa semelhança a Deus Ex, o jogo é muito mais linear. É muito raro existir mais que um caminho a seguir para alcançar os objectivos, objectivos esses que vão sendo marcados com setinhas na HUD (heads-up display). Para além dos objectivos principais existem também outros opcionais que não nos dão nada mais que uma melhor nota no ranking final de cada nível. Esses objectivos principais consistem essencialmente em colectar documentos secretos, sabotar artilharia, veículos, ou outro armamento. O jogo tem ainda mais algumas mecânicas interessantes. Podemos revirar vários objectos como mesas ou outros caixotes de forma a que sirvam de cover conta os inimigos, e eles por vezes também fazem o mesmo. No entanto o jogo não possui naturalmente um sistema de covers como hoje em dia muitos possuem. Outro aspecto a ter em conta é o sistema de regeneração de vida. Existem duas barras no ecrã às quais temos de ter em atenção, uma de armadura, outra de vida. A armadura vai sendo regenerada à medida em que vamos encontrando outras armaduras no jogo, ou mesmo ao inspeccionar os cadáveres dos soldados inimigos, se os matarmos com um headshot, a sua armadura ainda estará intacta. Se no entanto abusarmos das granadas e outros explosivos, então não se vai aproveitar grande coisa. Já a vida podemos regenerá-la ilimitadamente, ao utilizar um stock infinito de umas injecções curativas, o que acaba por tirar alguma dificuldade ao jogo. É verdade que regenerar vida é um processo que demora algum tempo em que estamos completamente indefesos e com uma mobilidade extremamente reduzida, mas basta levar o jogo com cuidado que conseguimos sempre regenerar vida em momentos de calma.

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Em alguns aspectos até me faz lembrar o Soldier of Fortune, com o seu sistema de dano localizado e gore

Falta-me ainda referir brevemente os modos multiplayer, que tanto pode ser jogado de forma offline em splitscreen até 4 jogadores, ou online com até 8 jogadores. Não cheguei a experimentar nenhuma das versões, mas posso ir adiantando desde já o que oferecem. Existem 6 diferentes modos de jogo que podemos experimentar, embora nenhum seja propriamente revolucionário. Deathmatch, King of the Hill, Domination, Last Man Standing e duas variantes do flag-tag, que basicamente consiste num jogador capturar uma bandeira e conseguir sobreviver com a bandeira o maior tempo possível, sendo que nessa altura estamos completamente indefesos. Nada de transcendente, até porque não existem grandes customizações. Ainda assim terem incluído um modo online foi uma boa adição.

Visualmente não é um jogo muito impressionante. As texturas são pobres, os modelos das personagens não são assim tão detalhados e o jogo abusa muito dos castanhos e cinzentos. No entanto não deixou de me divertir por ter uns gráficos mauzinhos. O voice acting pareceu-me muito bem conseguido por parte dos actores contratados, embora a qualidade do audio em si também me tivesse deixado algo a desejar. Para compensar de certa forma os maus gráficos, vão havendo intercalados com os níveis diversas cutscenes em CG que vão sendo bastante longas, e o jogador não tem a oportunidade de as pausar ou mesmo de as rever no futuro.

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Furar testas com uma sniper rifle é sempre divertido.

Mas no geral, apesar não ser o jogo com melhores gráficos da PS2, Cold Winter é um FPS que me divertiu bastante de qualquer das formas. Parece uma espécie de sucessor espiritual do Golden Eye da Nintendo 64, e quando se faz uma afirmação deste tipo não há realmente muito mais a acrescentar. Gostei do jogo, de algumas das suas mecânicas de jogabilidade em particular e acho que deve ser jogado por todos os fãs de first person shooters que possuam uma PS2 em casa.

Resident Evil 4 – Limited Edition (Sony Playstation 2)

Resident Evil 4 LE

Tempo para mais uma “rapidinha”, embora este jogo mereça um artigo longo. Resident Evil 4 é na minha opinião um dos melhores videojogos lançados na geração DC-PS2-GCN-XBox, tendo mudado radicalmente a jogabilidade dos Resident Evil e não só. É um excelente jogo de acção com uma perspectiva “over the shoulder” que foi sendo popularizada com muitos shooters que lhe seguiram. A razão pela qual não me vou estender muito neste artigo é porque o Resident Evil 4 já foi aqui analisado na sua plataforma de origem, a Nintendo Gamecube. Recomendo a leitura desse artigo para uma análise mais aprofundada, pois aqui vou-me incidir apenas nas diferenças apresentadas por esta versão. E este jogo foi um que me veio parar à colecção de forma completamente acidental, ao ter comprado a um vendedor na Amazon o Ico também para a PS2, tendo recebido por engano esta versão limitada do RE4, que vem num steelbook e inclui como extra um guia de jogo. Felizmente o vendedor enviou-me posteriormente na mesma o Ico e deixou-me ficar com este jogo.

Resident Evil 4 LE - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e guia de jogo

Como já devem saber, Resident Evil 4 coloca-nos numa região remota em Espanha, onde Leon S. Kennedy tem a missão de resgatar a filha do presidente norte-americano das mãos de um estranho culto religioso, o “Los Iluminados”. Acontece que esses senhores são portadores de um parasita capaz de controlar seres humanos e também transformá-los em bonitas e dóceis criaturas, ficando assim lançado o mote para mais uma arma biológica. Este jogo inclui todos os conteúdos da versão original, mais o “Separate Ways”, onde tal como o Ada’s Assignment controlamos Ada Wong. Ao longo da aventura normal, Leon e Ada Wong vão ter diversos encontros e este “capítulo extra” leva-nos na aventura de Ada, por alturas em que ela se separava novamente de Leon. Por exemplo, ficamos a saber que foi Ada quem tocou o sino da Igreja, salvando Leon da chacina na aldeia.

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Este boss continua a ser dos mais impressionantes do jogo

Ao contrário de Ada’s Assignment, este “mini jogo” extra é bem maior, estando dividido em 5 capítulos, cobrindo vários locais, desde a aldeia, o castelo de Salazar, até à ilha onde os acontecimentos finais do jogo tomaram lugar. O vendedor misterioso está também aqui presente, onde podemos mais uma vez comprar e vender itens e armas, fazer upgrades às mesmas ou mesmo à mala onde carregamos tudo. Também existem uma série de tesouros e pedras preciosas para descobrir. Isto juntando ao facto de Ada ser uma personagem misteriosa, e muitos detalhes novos vamos aprendendo sobre a história da série, tornam este capítulo Separate Ways algo essencial. Existem também mais alguns bónus nesta versão face à original, como armas e roupas novas para a personagem.

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You gotta love them shotguns

Infelizmente jogá-lo numa PS2 não é a melhor das ideias. Resident Evil 4 foi um jogo feito de raiz para a Nintendo Gamecube e desde cedo a Capcom queria tirar o máximo proveito possível do hardware da consola da Nintendo. E isso vê-se muito bem. Resident Evil 4 é facilmente dos melhores jogos que a plataforma recebeu, não só a nível de jogabilidade, mas também a nível gráfico. Os cenários, os inimigos e as personagens principais apresentam um nível muito grande de detalhe, comparativamente a muitos outros jogos da Gamecube, inclusivamente jogos first party. Assim sendo, a conversão para um sistema inferior acabou por sofrer. Apesar de ser na mesma um jogo bonito para uma PS2, é bastante notório que os cenários e personagens apresentam modelos com menos polígonos e alguns efeitos de luz e partículas estão também piores nesta versão. Mas lá está, não deixa de ser um excelente jogo. No entanto, sempre recomendo a versão que saiu para a Wii ou o upscale em HD que saiu na Xbox 360 e PS3. Têm os mesmos extras que esta versão PS2 e os gráficos iguais ou superiores (no caso das versões HD) à versão Gamecube.