Crash Team Racing (Sony Playstation)

Com o sucesso de jogos como Mario Kart 64 ou Diddy Kong Racing, alguém na Naughty Dog achou que seria boa ideia lançar um jogo de Karts na série Crash Bandicoot. Afinal ambos os seus rivais eram baseados em personagens “mascotes” de jogos de plataformas, tal como o próprio Crash Bandicoot. E o resultado até que foi um jogo bem competente! O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Feveiro de 2022, mas vou ter de substituir o CD pois possui algum disc rot. Entretanto como tinha sido desafiado por um amigo a jogar este jogo, lá tive de dar uso ao velhinho mas fiel ePSXe. Poderão ver/ouvir a minha opinião no mais recente episódio do Backlog Battlers, mas deixo cá também algumas notas escritas.

Ora tal como referi acima este é também um kart racer onde poderemos escolher representar uma de muitas das personagens do universo Crash Bandicoot, desde os seus inimigos como alguns aliados e todos eles conduzem karts com especificações algo distintas entre si. O Crash possui um carro com especificações medianas, enquanto temos outros mais rápidos mas pecam na maneabilidade e o inverso também. E dispomos também de vários modos de jogo como Time Trial, Arcade, Versus ou Battle (este último é uma espécie de modo deathmatch onde corremos numa arena), mas onde eu realmente investi o meu tempo foi no Adventure mode. Aqui temos mesmo uma história onde surge um novo vilão, o extra-terrestre Nitro Oxide que planeia invadir o nosso planeta, a menos que o consigamos vencer numa corrida. Antes disso acontecer teremos no entanto de participar em várias outras corridas e eventualmente vencer também outros bosses, mas já lá vamos.

Jogo com caixa e manual. Infelizmente o disco tem de ser substituído

No que diz respeito aos controlos as coisas são relativamente simples e funcionam bem. O analógico esquerdo ou o d-pad servem para virar o Kart, enquanto que os botões faciais servem para acelerar e travar (que também pode ser feito com o analógico direito) assim como utilizar os power ups que eventualmente iremos apanhar. Os botões de cabeceira servem para saltar (R1) e alternar a câmara (L2 e R2. Uma manobra fundamental para ter sucesso é dominar os power slides e turbos. Os primeiros são executados ao manter o R1 pressionado enquanto curvamos, sendo que depois poderemos activar um turbo no momento certo ao pressionar o L1. Esse momento é facilmente identificado através de duas dicas visuais. Uma é uma barra no canto inferior direito que quando fica vermelha durante um power slide nos indica que poderemos activar o turbo, a outra é estar atento aos canos de escape do nosso kart. Quando o seu fumo se torna negro, é sinal que podemos activar um turbo! De resto temos também toda uma série de power ups que poderemos apanhar como caixas de dinamite, bombas ou mísseis teleguiados que podem ser atirados contra os nossos oponentes e dão sempre um elemento extra de caos e diversão às corridas!

Ainda temos uns quantos modos de jogo diferentes e o modo Adventure também tem muitos desafios para desbloquear

Mas vamos então abordar um pouco mais o modo aventura em detalhe: aqui, tal como no Diddy Kong Racing, temos todo um mundo para explorar (de kart, claro) que nos dá acesso a várias corridas diferentes. Inicialmente temos apenas uma área para explorar e apenas duas corridas estão abertas. O objectivo é então o de competir em cada uma dessas corridas e terminar as mesmas em primeiro lugar, com as restantes corridas daquela parte do mapa a serem desbloqueadas em seguida. Tipicamente temos 4 corridas diferentes por “mundo” e uma vez terminadas as quatro desbloqueamos o confronto contra o boss daquela zona. Essas são corridas de 1 contra 1, onde o boss é extremamente agressivo e irá atacar-nos constantemente! Uma vez terminada essa corrida ganhamos uma chave que nos desbloqueia a porção seguinte do mapa, onde teremos de repetir todo esse processo para as corridas seguintes. Eventualmente lá teremos confrontar o próprio Nitro Oxide e se o derrotarmos… bom o final é qualquer coisa como isto: “perdi a corrida mas não me considero derrotado. Colecciona todos os tokens, rélicas e vence os campeonatos gem e defronta-me outra vez!”. Ou seja, se quisermos completar este jogo a 100% teremos mesmo de completar todos estes desafios adicionais que vão sendo desbloqueados à medida que vamos defrontando vários bosses.

O catálogo inicial de personagens jogáveis é algo generoso mas ainda temos alguns bosses para desbloquear se nos quisermos dar a esse trabalho

Cada corrida normal pode ser jogada novamente para dois tipos de desafios diferentes: os CTR tokens e relics. No primeiro competimos na mesma contra mais 7 oponentes e o objectivo não só é o de chegar em primeiro lugar, mas também de coleccionar as letras C T R que estão espalhadas pelo circuito, muitas vezes em locais não muito visíveis. No segundo desafio já competimos sozinhos e a ideia é a de fazer o melhor tempo possível, existindo 3 tempos a bater: sapphire (fácil), gold (difícil) e platinum (perfeccionista!), sendo que para desbloquear o final verdadeiro teremos de bater os tempos gold no mínimo. Para ajudar, vamos também ter acesso a uma série de caixas destrutíveis com os números 1, 2 ou 3. Sempre que destruímos uma destas caixas, o relógio deixa de contar esses mesmos segundos e, caso destruímos todas essas caixas, temos ainda um desconto de tempo adicional de 10s no final de cada nível, essencial para chegar aos tempos de platinum. Sempre que derrotamos um boss desbloqueamos também um desafio adicional onde numa arena teremos de apanhar uma série de cristais dentro de um tempo limite, também para granhar um token CTR. À medida que vamos amealhando estas medalhas CTR vamos também desbloquear as Gem Cups, que são pequenos campeonatos onde teremos de competir em 4 circuitos seguidos, onde o objectivo é também o de terminar em primeiro lugar. É aqui também onde poderemos desbloquear algumas personagens secretas! Portanto como podem calcular, conteúdo adicional é o que não falta. Se eu fosse novito e tivesse bem mais tempo disponível (e menos jogos em backlog) certamente ainda tentaria completá-lo a 100%, mas decidi não o fazer, pois o jogo obriga-nos a conhecer intimamente todos os circuitos, os seus atalhos e dominar as mecânicas de power slide e boost.

Apesar de não o ter experimentado, acredito também que o multiplayer seja bastante divertido. Caso tenhamos um multitap podemos também jogar com até 4 jogadores

No que diz respeito aos audiovisuais estamos perante um jogo bem colorido e detalhado, como tem sido habitual na série Crash Bandicoot. Os circuitos são bastante variados entre si, desde praias, montanhas e florestas, pistas subaquáticas, ruinas antigas, entre muitos outros. Todos eles apresentam gráficos poligonais bem detalhados, pelo menos para o standard dos sistemas 32bit daquela época e a draw distance até que é bem considerável. A sensação de velocidade, particularmente quando passamos por algum boost está também muito bem conseguida, pelo que é um jogo que apresenta uma boa performance como um todo. A banda sonora é também agradável, possuindo muitas daquelas sonoridades algo características dos primeiros jogos da série Crash, ou seja melodias alegres e com um toque algo tribal, por vezes.

Portanto estamos aqui perante um jogo de karts muito bem executado tecnicamente e bastante divertido de se jogar, com a mecânica do power slide + boost a ganhar o merecido destaque. Creio que foi também um jogo bem sucedido, pois apesar de existirem vários jogos do género na PS1, todos estavam a milhas de distância dos sucessos da Nintendo 64 e este CTR a meu ver até os pode ter superado. Tem também muito conteúdo adicional para quem o quiser completar a 100%, pelo que a sua longevidade pode ser também um factor positivo. De resto convém também mencionar que para além dos sucessores Crash Nitro Kart e Tag Team Racing que saíram para as consolas da geração seguinte, este CTR teve também direito a um remaster em 2019 que sinceramente nunca cheguei a jogar.

Street Fighter EX 2 Plus (Sony Playstation)

Depois do relativo sucesso do primeiro Street Fighter EX (cuja revisão Plus Alpha eu trouxe cá no passado para a Playstation), a Capcom e a Arika não perderam muito tempo a preparar uma sequela, cuja chegou originalmente para as arcades na primeira metade de 1998 como Street Fighter EX 2. No ano seguinte, chega o seu primeiro update (EX 2 Plus) cuja versão PS1 é baseada e acaba por ser lançada no ano 1999/2000 dependendo do mercado. O meu exemplar foi comprado algures em 2020 numa Cash Converters por cerca de 15€ se bem me recordo.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Portanto este é mais um jogo de luta da saga Street Fighter, embora a série EX seja considerada secundária e não canónica. Uma das razões que creio que para que isso seja, é o facto desta série ter um grande número de personagens jogáveis criadas pela Arika e que nunca mais apareceram em mais Street Fighters que não os EX. De resto, tal como o seu predecessor é um jogo que, apesar de ostentar gráficos em 3D poligonal (e agora bem mais detalhados), mantém na mesma uma jogabilidade completamente em 2D e com o sistema de controlo característico dos jogos Street Fighter. Também tal como o seu predecessor, durante os combates temos uma barra de energia que se vai enchendo em 3 níveis, cujos podem posteriormente serem utilizados para desencadear uma série de golpes especiais como os specials, super combos ou cancels. A grande novidade está na inclusão dos excel moves que nos permitem encadear uma série de golpes uns nos outros, entre golpes normais e especiais.

O elenco das 20 personagens iniciais está equilibrado entre clássicas e arika (em baixo). Mas com as personagens secretas/desbloqueáveis esse equilíbrio é totalmente perdido

No que diz respeito aos modos de jogo, contem com os habituais arcade e versus, sendo que este último permite-nos optar por entre combates simples de 1 contra 1, ou em equipas de vários lutadores que têm de ser derrotados consecutivamente. O Practice está também aqui representado, uma vez mais com duas opções distintas: a primeira é a training onde como o nome indica poderemos praticar livremente todos os golpes de cada personagem. A outra opção é o trial, que por sua vez nos dá acesso ao expert mode, semelhante ao introduzido no jogo anterior. Estas são “missões” que temos de desempenhar com cada personagem, que consistem maioritariamente em desencadear com sucesso uma série de combos e golpes especiais cada vez mais complexos. É nesse modo de jogo onde poderemos desbloquear legitimamente todo o conteúdo desbloqueável como personagens secretas, embora estas também possam ser desbloqueadas através de códigos. Aparentemente poderemos também desbloquear o Maniac Mode, que contém missões ainda mais complexas. Por fim temos também o Director e o Bonus Game. O primeiro, confesso que não experimentei, mas aparentemente permite-nos gravar combates e customizar vários detalhes como os cenários ou mesmo a câmara. O último é essencialmente uma compilação de vários mini jogos. Inicialmente temos apenas o Taru, um mini jogo onde teremos de partir uma série de barris de forma consecutiva, mas poderemos também desbloquear os outros mini jogos que são jogados no modo arcade (destruir o satélite e eliminar um inimigo com 3 excel moves). Portanto, uma vez mais, até que é um jogo de luta com bastante conteúdo para uma Playstation.

Graficamente é um jogo mais evoluído que o antecessor, embora os cenários sejam completamente desprovidos de vida.

Graficamente o jogo também segue os passos do seu antecessor, ao apresentar personagens em 3D poligonal assentes em arenas com backgrounds pré-renderizados. A diferença é que tudo em geral tem agora mais detalhe: os lutadores têm mais polígonos e melhores texturas e as imagens de fundo têm melhor resolução. Ainda assim achei as arenas bastante genéricas infelizmente. É verdade que são bem detalhadas, mas há coisas que o pixel art em 2D conseguiam fazer muito bem naquela época e os cenários de jogos de luta eram uma delas. Relativamente às personagens em si, estas estão mais detalhadas como já referi, mas infelizmente continua a haver um grande foco em personagens criadas pela Arika. Das 24 personagens jogáveis (incluindo as desbloqueáveis e/ou secretas), apenas 10 são personagens da Capcom. As restantes 14 são da Arika e há muitas que não têm lá grande carisma. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar aos efeitos sonoros e a banda sonora em si até que é bastante diversificada em diferentes estilos musicais (rock, jazz, electrónica, outras mais folclóricas, etc) e é no geral bastante agradável.

Os excel (custom combos) são a grande novidade de mecânicas de jogo

Portanto estamos perante mais um jogo de luta bem decente. Apesar de ser renderizado em 3D, a jogabilidade continua em 2D e de uma forma bastante fluída como a série Street Fighter bem nos habituou. Continuo a preferir no entanto os SF clássicos em 2D, não só pelo aspecto gráfico na minha opinião ter envelhecido melhor (apesar que este jogo já representou um bom salto qualitativo perante o seu antecessor), mas também por haver aqui muitas personagens criadas pela Arika e que nunca mais entraram em Street Fighters para além dos EX.

Colony Wars Vengeance (Sony Playstation)

Vamos voltar à saga Colony Wars da Psygnosis para a velhinha Playstation, após o seu primeiro jogo ter-se revelado numa agradável surpresa. Tal como o seu antecessor, estamos perante um shooter espacial de muita qualidade para a época em que foi lançado e possui também uma certa não linearidade no seu progresso, onde mediante a nossa performance em certas missões poderemos seguir por caminhos alternativos que nos levarão a finais distintos. O meu exemplar foi comprado, se bem me recordo, numa loja alemã algures no final de 2017. Já não me recordo quanto custou mas foi seguramente menos de 10€.

Jogo com caixa e manual

Este Colony Wars Vengeance é então uma sequela directa do seu antecessor, decorrendo um século após os eventos do primeiro jogo, que retrataram a revolta da League of Free Worlds contra as forças terrestres, que governavam com punhos de ferro todas as suas colónias extra-planetárias. O twist é que nesta sequela encarnamos num piloto da Terra cujos líderes planeiam um contra ataque às forças coloniais e assim restabelecerem o seu império. A história terá alguns plot twists interessantes no entanto, mas deixarei isso para quem o for jogar.

Tal como o antecessor, teremos briefings detalhados antes de cada missão. Poderemos é escolher (e customizar) naves diferentes à medida que as vamos desbloqueando

A nível de controlos, estes parecem-me muito similares aos do Colony Wars original. Os botões faciais servem para alternar entre, ou disparar armas principais e secundárias. Estas últimas, tipicamente bombas e mísseis, possuem munições limitadas. Por sua vez, as armas principais (tipicamente raios laser) possuem munições infinitas, mas o seu uso contínuo causa sobre aquecimento dos canhões. Toda esta informação é constantemente visível no ecrã, independentemente da câmara utilizada. Os botões de cabeceira servem para acelerar, travar, efectuar os barrel rolls ou activar os after burners, algo que teremos de ter em conta nas inúmeras dogfights que teremos de travar. Um detalhe interessante é que iremos desbloquear diferentes naves e armas durante o jogo, bem como pontos que poderão posteriormente serem atribuídos para melhorarem os seus atributos de velocidade, escudos, agilidade ou longevidade do afterburner.

Independentemente da câmara, temos no ecrã toda a informação que precisamos de saber em relação às armas seleccionadas, a nossa barra de vida e no centro do ecrã, um radar 3D

As missões, apesar de menores em número quando comparadas com o primeiro jogo, são mais variadas. Sim, a maioria ainda tem como objectivos destruir tudo o que mexa, bem como teremos outras missões de escolta ou captura de objectivos. Pela primeira vez na série, no entanto, teremos algumas missões que decorrem não no espaço, mas sim na superfície de diferentes planetas. Outras são ainda mais originais (e frustrantes se não soubermos o que temos de fazer!), como uma missão mais furtiva onde teremos mesmo de passar despercebidos, ou outra onde teremos de atacar uma nave gigante que é imune às nossas armas. Para isso o jogo sugere rebocar asteróides e atirá-los contra a nave, o que não é tão simples quanto possa parecer.

As dogfights são mesmo do melhor que podemos jogar aqui!

Graficamente é um jogo muito interessante tal como o primeiro, particularmente quando estamos em plenos confrontos no espaço, que costumam ter sempre algum planeta e/ou estrelas em background. O escuro do espaço contracenando com todos os raios laser coloridos que vamos vendo é sempre um espectáculo bonito e as próprias naves espaciais têm desta vez um design mais interessante e mais detalhado. Já os combates à superfície não têm o mesmo impacto gráfico. O primeiro jogo estava repleto também de cutscenes muito bem feitas e narradas para a época, mas aqui infelizmente as cutscenes apesar de existirem, estão uns bons furos abaixo. São muito mais curtas, a narração não é grande coisa e a qualidade em si do CGI não é tão boa. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel, já as músicas, quando existem, são tipicamente bastante épicas, o que até resulta bem neste tipo de jogo.

Continuam a haver muitas cutscenes, mas são bem mais curtas, de menor qualidade e não tão cinemáticas como as do primeiro jogo

Portanto este Colony Wars Vengeance é mais um jogo bastante sólido. Gostei de algumas das novidades aqui introduzidas, como novas naves, armas e missões diferentes, no entanto continua a ser um jogo desafiante, particularmente para quem o jogar sem ser por emulação e quiser alcançar o final verdadeiro. Algumas das missões são muito desafiantes e o facto de os pontos de save estarem bastante espaçados entre si torna as coisas ainda mais frustrantes. Abençoados save states!

Street Fighter EX Plus Alpha (Sony Playstation)

Com o surgimento de Virtua Fighter, Tekken e outros jogos de luta em 3D poligonal nas arcades, a Capcom naturalmente também quis entrar nessa onda. E que melhor propriedade intelectual para isso que não o Street Fighter? Essa tarefa acabou por ficar a cargo da Arika, empresa fundada por ex-funcionários da Capcom, que lançaram na recta final de 1996 o Street Fighter EX nas arcades. No ano seguinte seguiram-se dois updates: O Street Fighter EX Plus que, para além dos habituais balanceamentos na jogabilidade inclui uma série de novas personagens e, ainda em 1997 sai também uma esperada versão para a Playstation (até porque o lançamento original sai no sistema Sony ZN, com uma arquitectura semelhante à da PS1) que é a que cá trago hoje. O meu exemplar foi comprado em Dezembro numa loja online por menos de 20€, estando em óptimo estado.

Jogo com caixa e manual

Apesar dos gráficos (ainda primitivos) em 3D poligonal, na sua essência este é ainda um jogo que mantém uma jogabilidade 2D, embora possua uma câmara dinâmica que vai mudando os seus ângulos à medida que os confrontos vão decorrendo. De resto contem com os controlos habituais de um Street Fighter, com 3 botões para socos e outros 3 para pontapés de diferente intensidade. À medida que vamos dando/apanhando porrada vamos também enchendo uma barra de energia que poderá atingir até 3 porções e que poderemos gastar para aplicar special moves e super combos. Introduziram também um sistema de cancel que nos permite encadear esses golpes especiais uns nos outros, com cada um a consumir uma porção dessa barra de special.

Sakura foi a única personagem do Street Fighter Alpha que marcou a presença neste primeiro EX.

No que diz respeito aos modos de jogo, esta versão da Playstation até que é bastante generosa no seu conteúdo. Para além dos habituais arcade e versus, podem também contar com o team battle, time attack, survival e um modo de treino. O modo team battle permite-nos escolher equipas de 5 lutadores e o objectivo é o de derrotar 5 lutadores adversários, de forma sequencial. O modo time attack leva-nos a lutar contra uma sequência fixa de oponentes e o objectivo é o de os derrotar no menor tempo possível. O survival, tal como o nome indica, leva-nos a uma série de combates seguidos e o objectivo é vencer o maior número de combates possivel, com a nossa barra de vida a ser ligeiramente regenerada entre cada combate vitorioso. Por fim resta-me referir o modo expert, que é na verdade uma espécie de challenge mode. Mediante a personagem escolhida, o jogo vai-nos obrigar a completar uma série de objectivos, realizar alguns super combos e encadeá-los uns nos outros. Para um jogo de luta de 1997, até que tem bastante conteúdo adicional na sua versão doméstica!

Apesar de a jogabilidade ser ainda 2D, a câmara vai mudando dinâmicamente os seus ângulos

Mas o que mais me surpreendeu aqui foi o elenco de personagens. A série Street Fighter EX não é considerada canónica por parte da Capcom e provavelmente uma das razões para isso ter acontecido é o grande número de personagens inteiramente novas que a Arika criou. Esta versão EX Plus Alpha é a que possui um maior leque de personagens e das 22 personagens jogáveis ao todo (incluindo secretas), apenas 9 são caras já conhecidas da Capcom, como Ryu, Ken, Chun-Li ou Guile. As restantes 13 são personagens inteiramente novas, algumas muito peculiares como é o caso do Skullomania com o seu fato de esqueleto, que sempre foi a que achei mais memorável. No entanto, a maior parte das novas personagens são algo desinspiradas a meu ver.

Graficamente está longe de ser o jogo mais bonito da Playstation mas até que sinto uma certa nostalgia quando vejo jogos assim

De resto a nível gráfico este é um jogo com lutadores em 3D inteiramente poligonal mas ainda algo primitivo, com um número de polígnos bastante reduzido, resultando em personagens muito “quadradas”. Por um lado sinto uma certa nostalgia dos anos 90 quando vejo videojogos com este aspecto, mas por outro lado, acabo por preferir de longe os visuais 2D bem detalhados e com belíssimas animações e cenários com óptimo pixel art da série principal. Para além das personagens em 3D poligonal, os cenários são no entanto imagens pré-renderizadas, que até vão rodando de forma algo dinâmica juntamente com a câmara. Já a banda sonora até que é bastante agradável, possuindo músicas que abrangem os mais variados géneros musicais como o rock, pop, jazz ou até temas mais tradicionais e folclóricos de culturas orientais.

Infelizmente a maior parte do elenco são personagens criadas pela Arika e que não voltaram a ser reaproveitadas nos Street Figters fora dos EX

Portanto este Street Fighter EX Plus Alpha é um jogo que me desperta alguns sentimentos mistos. No que diz respeito à jogabilidade não tenho nada de especial a apontar, é bastante competente. No entanto o facto de se terem introduzidas tantas novas personagens (a maioria sem grande charme) que acabaram por ficar retidas nestes Street Fighter EX (e outros jogos de luta que a Arika veio a desenvolver no futuro), ao invés de terem incluido mais personagens clássicas, não me pareceu uma boa decisão. A nível gráfico é também um jogo algo divisor de opinião, pois eu até que gosto (pela nostalgia) de jogos em 3D poligonal primitivo como é este o caso, mas é inegável que os visuais 2D que a Capcom conseguiu incutir nos seus jogos de luta que foram saindo nos sistemas CPS2 e CPS3 resistiram bem melhor ao teste do tempo.

Discworld II (Sony Playstation)

Adorei o primeiro Discworld, apesar de ter puzzles ridiculamente complicados, mas o seu fantástico sentido de humor, bom voice acting e cenários muito bem detalhados faziam esquecer tudo o resto. Portanto as expectativas eram elevadas para a sua sequela que acabou por sair em 1996/1997 dependendo da plataforma e região. O meu exemplar é o da Playstation 1, que foi comprado numa feira de velharias algures em Julho de 2018 por 5€, mas acabei antes por jogar a versão PC que é compatível com o ScummVM, por razões que detalharei mais à frente.

Jogo com caixa e manual

Este é, tal como o seu predecessor, uma aventura gráfica em 2D do estilo point and click, colocando-nos uma vez mais no papel do aprendiz a feiticeiro Rincewind, que continua a não ter jeito nenhum para magia, mas o seu sarcasmo está ainda mais aguçado. A história anda à volta da própria Morte que se farta da sua profissão e decide tirar umas férias prolongadas, causando que ninguém consiga efectivamente morrer. A imortalidade acaba no entanto por não ser uma coisa boa, pois quem estaria para morrer torna-se num zombie ou num fantasma, o que acaba por causar alguns problemas lá na cidade de Ankh-Morpork. Inevitavelmente cabe-nos a nós resolver essa situação e, tal como o próprio Rincewind muitas vezes vai comentar, lá teremos de participar numa série de fetch quests ridículas para resolver o problema.

Já tada a gente sabe o que vamos ter de fazer àquela “Marylin Monroe” ali

No que diz respeito à jogabilidade contem com o habitual dentro do género. A versão PS1 até suporta o rato, acessório que não tenho, tendo essa sido uma das razões que me tenha levado a jogar antes a versão PC. Todas as acções podem no entanto ser realizadas com o comando normal da Playstation, com os direccionais a mover o cursor e os botões quadrado, triângulo e círculo a servirem para nos deslocarmos para a posição do cursor, interagir com o objecto apontado pelo cursor, ou comentar sobre os mesmos, respectivamente. Tal como no primeiro jogo existem dois inventários, o principal é um baú com pernas que nos segue constantemente, mas Rincewind também possui um inventário limitado a 2 itens, que teremos de usar habilmente para resolver alguns puzzles em locais onde o baú não nos consegue perseguir. Para quem estiver a jogar com o comando da PS1, poderá usar os botões L1 e R1 para abrir estes inventários mais rapidamente, no entanto.

Eventualmente vamos ter acesso a outras localidades para além da capital

O primeiro Discworld era um jogo extremamente frustrante pelo facto de termos de falar várias vezes com as mesmas personagens, ou entrar várias vezes nos mesmos cenários para que certos eventos pudessem acontecer. E isto aliado ao mapa da cidade ser enorme e de difícil navegação, bem como as soluções dos próprios puzzles serem muito rebuscadas, tornaram o primeiro jogo muito difícil para quem não usasse um guia. Aqui vamos ter na mesma alguns puzzles rebuscados, mas os cenários estão mais espaçados entre si, tornando a sua identificação e navegação mais óbvia e os diálogos que vamos tendo, bem como as respostas que o Rincewind nos dá quando tentamos combinar itens no inventário, acabam por ser mais elucidativos também. Para além da Unseen University e várias localizações da cidade de Ankh-Morpork, vamos poder também explorar outras áreas de jogo como a cidade de Djelibeybi, claramente influenciada pelo Egipto, o centro cinematográfico de Holy Wood, entre outros locais que prefiro não spoilar. A narrativa é sempre bastante interessante, com muito humor e sarcasmo à mistura. O próprio Rincewind farta-se de queixar que está farto de quests estúpidas e para procurar por itens bizarros para soluções mirabolantes, mas a verdade é que acabamos por ter de as fazer na mesma. Tal como o primeiro, o este está dividido em vários actos mas os últimos (e o próprio epílogo) são mais curtos e algo desinspirados comparando com os primeiros, o que me leva a crer que o desenvolvimento do jogo teve de ser algo apressado.

Uma vez mais o sarcasmo e o bom sentido de humor estão sempre presentes. A anã fêmea foi hilariante!

Graficamente estamos perante um jogo muito bem feito. Eu adorei o primeiro Discworld por possuir cenários muito bem detalhados, assim como as personagens que também tinham boas animações, e tudo isto com um pixel art bastante interessante. Com a sequela, a Perfect Entertainment decidiu “melhorar” as coisas ao apresentar cenários ainda bem mais detalhados com qualidade muito próxima a desenhos animados que poderíamos ver na televisão. Sinceramente eu prefiro o pixel art, mas entendo perfeitamente a decisão em optar por estes visuais mais trabalhados. Enquanto no primeiro Discworld a versão PC, PS1 e Saturn eram practicamente idênticas nos visuais, nesta sequela isso já não é verdade. A versão PC corre numa resolução superior e vem em 2 CDs, ao contrário das versões Saturn e PS1. Portanto a versão PC acaba por ter gráficos mais detalhados no geral e cutscenes menos comprimidas, tendo sido essa a outra razão pela qual decidi optar antes por jogar a versão PC. De resto a nível de audio, contem uma vez mais com um voice acting de luxo, repleto de diálogos sempre bem humorados ou sarcásticos. Tal como no primeiro jogo, existem no entanto personagens mais carismáticas que outras, ou personagens onde o seu voice acting acaba por resultar melhor. Mas é um excelente trabalho uma vez mais.

A versão PC corre numa maior resolução e com gráficos mais bem detalhados, tendo sido essa a versão que optei por jogar.

Portanto este Discworld II é mais um excelente jogo de aventura gráfica, repleto de um óptimo sentido de humor e muito sarcasmo como eu bem gosto. Visualmente é também um jogo mais elaborado, embora como tenha referido há pouco prefiro o estilo mais pixel art do primeiro jogo. Continua no entanto absolutamente recomendado e foi mais um título que me deixou cheio de vontade de ler os livros do Terry Pratchet. A série Discworld, no que diz respeito aos videojogos não se ficou por aqui, com o lançamento do Discworld Noir a levar a série noutra direcção. Irei jogar esse em breve e veremos!