Um dos jogos mais bonitos do Mickey durante a era dos 16bit foi sem dúvida o Mickey Mania, que serve de homenagem à mascote da Disney, levando-nos por vários níveis inspirados em diversos filmes do rato mais popular do mundo, desde o primeiríssimo Steamboat Willie, ainda a preto e branco, datado de 1928, até ao The Prince and the Pauper de 1990. Esse foi um jogo desenvolvido de base para a Mega Drive, mas convertido também para uma série de outras plataformas. Um ano depois, a Sony Playstation recebeu também uma conversão deste jogo, melhorando-o em vários aspectos e mudando o nome para Mickey’s Wild Adventure. O meu exemplar é um platinum que veio da Feira da Vandoma do Porto algures durante Junho por 2€.
Jogo com caixa e manual. Versão Platinum
Aconselho-vos a ler o meu artigo do Mickey Mania para a Mega Drive, pois este vai-se focar mais nas diferenças face a essa versão. A nível de jogabilidade é practicamente a mesma coisa, com um botão para saltar e outro para atirar objectos, cujas são as únicas maneiras de atacar os inimigos, embora por vezes apenas tenhamos de usar um destes métodos para os derrotar. A maior diferença aqui está no maior número de loadings, face à versão Mega Drive, como seria de esperar.
E também como seria de esperar, as maiores diferenças estão na parte gráfica. As sprites estão ainda mais bem animadas, detalhadas e coloridas. Os efeitos de transparência da água ou de partes das sprites como as asas dos insectos ou os próprios fantasmas, possuem transparências muito mais nítidas e bem conseguidas. Aqueles níveis como os segmentos da escada em espiral ou da perseguição do Alce, que possuiam bonitos efeitos pseudo-3D foram redesenhados para incluir polígonos tri-dimensionais. Para além disso, existe ainda um novo segmento de perseguição, por alturas do Beanstalk, onde o Mickey é perseguido por um gigante. As músicas e efeitos sonoros como as vozes mantêm-se idênticas à versão Mega CD, pelo que li. São músicas orquestrais e pelo que investiguei tiveram mesmo o dedo de pessoal da Disney que costumam trabalhar nos seus filmes.
Um nível exclusivo da versão Playstation
Portanto, mesmo sendo esta uma conversão mais musculada de um jogo de uma geração anterior, acaba por envelhecer muito melhor do que muitos jogos em 3D primitivo da biblioteca da Playstation. Se não jogaram nenhuma das outras versões e encontrarem esta a um preço agradável, recomendo que lhe peguem.
A Delphine Software fez coisas incríveis na primeira metade dos anos 90, para os vários sistemas 16-bit que suportou. Obras como Another World ou Flashback foram importantes marcos tanto a nível artístico, com os seus belíssimos gráficos e som que lhes conferiam uma atmosfera muito rica, bem como pela jogabilidade, muito similar ao que Prince of Persia já nos tinha trazido antes. Ora este Fade to Black é uma sequela do Flashback, mas desta vez feito inteiramente em 3D, a pensar nas consolas de próxima geração. E apesar de versões para a Saturn e Nintendo 64 terem sido inicialmente planeadas, o jogo acabou por sair apenas no DOS e na Playstation, cuja versão cá trago hoje. O meu exemplar foi comprado numa das minhas idas à Feira da Vandoma, algures em 2015 se bem me recordo. Creio que me custou uns 4€.
Jogo com caixa e manual
No Flashback, a história recaiu sobre Conrad Hart, um jovem cientista que inadvertidamente descobre a existência dos Morphs, uma poderosa raça alienígena que se faziam passar por humanos e planeavam a sua extinção. Mas no final, Conrad acabou por destruir o mundo dos Morphs, acabando a aventura à deriva no espaço, numa cápsula de salvamento, muito como no final do primeiro filme da saga Alien. Acontece que Conrad é resgatado 50 anos depois, infelizmente por uma nave Morph, que o leva de imediato para uma prisão de alta segurança. Na prisão ficamos a saber que os Morph conseguiram conquistar o planeta Terra e rapidamente somos contactados por um “amigo” que nos dá as ferramentas necessárias para escapar: um PDA e uma arma! Começamos então a aventura por escapar da prisão alienígena, viajando depois por vários outros locais, sempre com o objectivo em mente de derrotar uma vez por todas a ameaça dos Morphs, agora com a ajuda de um grupo de resistência.
Quando entramos em combates, a câmara muda para uma perspectiva de quase primeira pessoa
A maior novidade na jogabilidade deste Fade to Black está no facto de na transição para o 3D, se ter perdido aquelas mecânicas de jogo que assentavam no platforming. Aqui temos um botão de salto, mas é para coisas a muito curta distância, geralmente para evitar armadilhas que estejam no chão. Fade to Black é então um jogo com mais foco na acção e exploração, com os ocasionais puzzles e mecânicas de jogo que também víamos o Flashback, como procurar por várias chaves, evitar obstáculos como chão electrificado, ou ir alternando entre equipamento do nosso inventário, como um escudo que nos protege ligeiramente do fogo inimigo, ou outros como fatos anti-radiação para se usar em zonas radioactivas. Na verdade tanto com fato como sem fato vamos perdendo vida, mas ao menos não morremos tão rapidamente. A perspectiva é na terceira pessoa, com a câmara a posicionar-se quase sempre nas costas de Conrad. Nos combates a câmara passa para uma perspectiva quase de primeira pessoa, aproximando-se da nuca do protagonista, e o jogo apresenta uma espécie de radar que nos indica a posição do inimigo mais próximo. Estamos equipados de uma arma com munição ilimitada, embora a tenhamos de recarregar, e ocasionalmente lá encontraremos algumas minas que nos ajudarão a progredir em zonas mais infestadas.
Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes em CGI para ver
O maior problema neste jogo acaba por ser mesmo os seus controlos. Afinal este é ainda um videojogo de primeira geração da Playstation, o dualshock ainda estava bem longe de chegar às nossas vidas. Controlar o Conrad é um martírio, especialmente nos combates, onde devemos ser o mais ágeis possíveis pois os Morphs têm a capacidade de se desintegrar e surgirem posteriormente bem mais próximo de nós, representando muito mais perigo. E perder a vida aqui é tarefa dura, pois se não gravarmos o nosso progresso no jogo de forma regular pode implicar ter de recomeçar o nível do zero, e sem os itens que trazíamos antes no inventário.
Quando surge este cursor, quer dizer que temos um inimigo prestes a disparar sobre nós.
Do ponto de vista audiovisual já o acho um jogo bem mais competente. É certo que o 3D ainda é algo primitivo, mas mesmo assim, para um jogo de primeira geração da Playstation devo dizer que fiquei impressionado pelo detalhe dos cenários, que tanto nos podem levar para estações espaciais todas futuristas e high-tech, como para mundos alienígenas misteriosos e ruínas antigas. As músicas vão sendo minimalistas, o que resulta bem para a atmosfera do jogo. Sobre o voice acting, bom, não é perfeito, mas está longe de ser mau, na minha opinião.
Portanto, no fim de contas, infelizmente este Fade to Black, apesar de possuir boas ideias, acaba por não envelhecer tão bem quanto a sua prequela, o Flashback. Numa era onde se fazem muitos remasters e remakes, fazia muito mais sentido pegar nalguns destes jogos mais obscuros, que saíram numa fase de transição não muito famosa, e relançá-los com mecânicas de jogo mais intuitivas e uns audiovisuais melhorados. Este jogo merecia-o, sem dúvida.
A série Ace Combat foi largamente ignorada por mim nos últimos anos. Mas após ter jogado títulos como o Aero Fighters Assault da Nintendo 64 ou o Deadly Skies da Dreamcast, apercebi-me que se calhar até poderia vir a gostar desta série, pois nunca foi propriamente um simulador, mas sim um shooter mais arcade, até porque são essas precisamente as suas origens. E eventualmente há coisa de uns 2 meses atrás, por acaso do destino encontrei o primeiro Air Combat, versão black label, por 5€. Não hesitei.
Jogo com caixa e manual.
Aqui nós tomamos o papel de um mercenário de elite, contratado por um país que está em plena guerra civil, após um golpe de estado de uma facção dissidente. Ao longo do jogo iremos participar em diversas missões, que tanto podem ser de destruição de frotas aéreas, navais, infrastruturas como bases militares ou refinarias de petróleo, mas também uma ou outra missão de escolta. Inicialmente voamos sozinhos, mas a certa altura é-nos dada a opção de subcontratar um outro piloto mercenário que nos poderá auxiliary nas missões, seja tomando posturas mais ofensivas, ou mais defensivas, protegendo-nos a retaguarda. No final de cada missão, a nossa performance é avaliada com o número de alvos abatidos, sendo que cada tipo de alvo é recompensado de maneira diferente. Despesas como os danos sofridos na nossa aeronave, ou o salário do nosso companheiro são também retirados da nossa conta. Mas vamos tendo também vários diferentes aviões que poderemos ir comprando, desde aviões norte-americanos como os F-4, F-14, F-15 ou F-16, soviéticos como os SU e MIG, europeus como o SF-2000 ou fictícios. Cada avião possui diferentes estatísticas como agilidade, velocidade ou defesa, que poderão ser mais ou menos importantes dependendo da missão.
Antes de cada missão temos um briefing onde nos é mostrado os objectivos e os oponentes que enfrentamos
De resto a jogabilidade é simples e agradável, com a nossa maior preocupação a ser sempre o dano sofrido no avião, bem como o combustível que nos resta. Para o primeiro, temos um número generoso de mísseis que são mais que suficientes para completar as missões, sendo que apenas os deveremos disparar quando os alvos estão locked. Também podemos sofrer algum dano, dependendo do avião escolhido, e o status está sempre visível no ecrã. Atacar alvos no solo obriga-nos sempre a algum cuidado extra, pois acabamos por ficar quase sempre vulneráveis ao fogo inimigo, e devemos também evitar ter outros aviões nas nossas traseiras, pois podem-nos atingir com mísseis. O combustível disponível em cada missão também costuma ser mais do que suficiente, e podemos recorrer ao radar ou mesmo ao mapa, para nos indicar a posição dos alvos a abater ou dos objectivos a alcançar.
Com o dinheiro amealhado nas missões, podemos comprar e vender aviões e melhorar a nossa frota
Graficamente é um jogo simples, afinal é um jogo ainda da primeira geração da consola. Os cenários são simples, as áreas de jogo ou são desertos, mares e pequenas ilhas com pouca vegetação. Nota-se aqui e ali algum pop-in, o que é normal devido à área bem abrangente que o CPU tem de calcular. Os efeitos sonoros estão são competentes, mas a banda sonora essa felizmente é excelente, com as músicas a terem sempre grandes guitarradas e uma toada muito hard rock, que me agrada bastante.
Apenas devemos disparar mísseis quando o alvo está trancado, mas nem assim é certo que os atingiremos
No fim de contas devo dizer que fiquei satisfeito com este Air Combat, o primeiro jogo da série Ace Combat. Para um primeiro jogo que teve as suas origens em 1992 nas arcades, acho que ficou uma conversão bem competente e com bastante conteúdo. Vou ficar atento a ver se me aparecem os dois Ace Combats seguintes na Playstation, antes de me aventurar nos da Playstation 2.
Ao jogar os 3 primeiros Crash Bandicoot para a Playstation, é muito fácil entender o porquê de ter sido uma série tão bem acarinhada na época e porque muitos estão contentes de ver os clássicos a finalmente receberem um remake para os sistemas actuais. O primeiro Crash Bandicoot era mais modesto, mas um jogo que se adaptou muito bem numa época em que a transição para o 3D era ainda algo que dava muitas dores de cabeça aos developers, pelo que a Naughty Dog foi inteligente ao restringir de certa forma a liberdade de movimentos de Crash e mais concretamente da sua câmara. Os jogos seguintes foram evoluindo nesse conceito e este terceiro jogo está excelente. O meu exemplar custou-me menos 10€, já não consigo precisar bem o valor pois veio de um negócio do OLX que correu um pouco mal e no fim o vendedor lá me devolveu parte do dinheiro.
Jogo com caixa e manual, versão Platinum
O jogo decorre logo após os acontecimentos do Crash Bandicoot 2, onde a estação especial do Dr. Neo Cortex embate na terra e inadvertidamente solta o Uka Uka, o irmão gémeo malvado de Aku Aku, aquela máscara de madeira que sempre acompanhou Crash nas suas aventuras. Cortex alia-se então a Uka Uka e a um outro cientista maluco, o Dr. Nefarius Tropy, que planeiam juntar uma série de cristais do tempo e assim conseguirem conquistar a Terra. Crash e a sua irmã Coco vão então viajar a diversos locais e períodos no tempo à procura desses cristais e assim mais uma vez impedir Cortex de completar os seus planos. Isto faz-me lembrar um um ditado urbano interessante que li há pouco tempo: uma série que se prolongue tempo suficiente, eventualmente lá envolverá mecânicas de viagem no tempo, e no caso de Crash Bandicoot foi logo no terceiro jogo.
Começamos a aventura num hub que se vai completando à medida em que vamos desbloqueando mais níveis
Depois da intro somos largados num hub onde poderemos aceder aos níveis do jogo. Inicialmente apenas temos acesso a um corredor, mas assim que completarmos os níveis e defrontarmos o boss, desbloqueamos o corredor seguinte com mais níveis e por aí fora. O objectivo principal de cada nível é o de apanhar o cristal do tempo, que geralmente se encontra perto do final do nível. A excepção está claro nos confrontos com os bosses, que não têm essa preocupação. Mas para além dos cristais do tempo, poderemos (e deveremos se quisermos completar o jogo a 105% (sim, cento e cinco), existem outras pedras preciosas ou amuletos que podemos apanhar. Para as pedras preciosas, temos de destruir todas as caixas presentes no nível. Por vezes temos 2 destes cristais para apanhar em cada nível, isso acontece quando há caminhos alternativos ou secretos e muitas vezes temos de os rejogar e seguir esse caminho alternative para obter o cristal. Por fim, os amuletos apenas podem ser obtidos após completarmos o nível com sucesso pelo menos uma vez. Aí desbloqueamos o modo time trial e caso o completemos abaixo de um tempo pré-estabelecido, é-nos recompensado com o tal amuleto do nível.
Perseguições? Sim, de vez em quando lá temos de fugir a um ou outro dinossauro.
A nível de mecânicas de jogo, não há muita coisa que muda. Os níveis são 3D, mas ainda há algumas restrições de movimento ou câmara, com partes de jogo a serem jogadas como um sidescroller, ou outras como se um jogo de corridas se tratasse, com a câmara a posicionar-se atrás ou à frente da personagem. Os movimentos que podemos executar são os mesmos de antes com o crash a poder saltar e rodopioar tanto para derrotar inimigos como para destruir caixas. Ao defrontar os bosses vamos ganhando também outros movimentos que se vão tornando bastante úteis nos níveis seguintes, especialmente quando quisermos alcançar todos os objectivos. As caixas que podemos destruir são também idênticas, com aquelas especiais de TNT que explodem ao fim de 3 segundos, as Nitro que explodem logo no contacto e outras especiais com pontos de exclamação que podem criar novas caixas ou detonar remotamente as de Nitro. Quando entramos num time trial temos umas novas caixas amarelas para ter em conta, que páram o relógio por 1, 2 ou 3 segundos respectivamente. São extremamente úteis para se obter tempos baixos! De resto, há aqui um foco também grande na condução de veículos como motos, motos de água, aviões ou outros animais e muitos desses níveis são jogados não com Crash, mas sim com a sua irmã Coco.
Coco Bandicoot é uma personagem jogável, embora ela participe apenas em níveis onde seja para conduzir alguma coisa
Graficamente é um jogo excelente para uma Playstation. Os níveis são variados e ricos em detalhes, assim como os inimigos, que muitas vezes têm um lado cómico. Podemos visitar a China antiga, castelos medievais, o Egipto ou outros cenários arábicos, a era dos piratas ou ir para um futuro altamente industrializado. Existem também níveis sub-aquáticos que por norma são também de progressão mais lenta mas não menos divertidos, especialmente quando usamos um mini-submarino capaz de disparar torpedos. As músicas são também bastante agradáveis e o voice acting é bastante competente, algo que ainda não era muito usual assim em 1998. Nota-se perfeitamente que a Naughty Dog sempre teve especial atenção ao detalhe e perfeccionismo no desenvolvimento dos seus videojogos.
Graficamente é um jogo muito bem detalhado para uma Playstation
Em suma, Crash Bandicoot 3 Warped é mais um excelente jogo de plataformas. Quem já jogou e gostou dos Crash anteriores, certamente irá adorar esta sequela. É um jogo que qualquer fã de jogos de plataformas, quer 2D ou 3D irá certamente gostar e que resiste muito facilmente ao teste do tempo. A nível meramente pessoal, os artigos da série Crash vão ficar um pouco em suspenso, enquanto não me aparecer o Crash Team Racing, o único da série clássica que me falta na colecção, pelo menos até à data de escrita deste artigo.
Com o sucesso de Sonic, houve um ressurgir de jogos de plataforma com animais que serviriam de mascote para as suas empresas. A Accolade criou o Bubsy, que depois de alguns jogos de sucesso moderado, tentam entrar no mundo dos jogos de plataforma em 3D com o Bubsy 3D. O resultado final é catastrófico! O meu exemplar veio de uma loja de caridade do Porto. É apenas o disco.
Apenas disco
O restante da minha opinião a podem ler na PUSHSTART #63. Se um dia digitalizarmos alguns desses artigos podem crer que acualizarei aqui o link. De resto, só para terem uma ideia, é sim um jogo muito mau, que sofreu com um desenvolvimento atribulado e teve de sair para o mercado ainda algo inacabado, meses depois da obra prima Mario 64 já estar no mercado. É que os controlos são maus e os gráficos terríveis, mas sabiam que o jogo estava a ser desenvolvido para a 32X? Se o Bubsy 3D tivesse saído para a 32X com aqueles gráficos (que não deixavam de ser horríveis) talvez o público fosse mais compreensivo.