Medal of Honor Heroes (Sony Playstation Portable)

MoH HeroesVoltando à segunda guerra mundial e à portátil da Sony para mais um jogo da série Medal of Honor que eu tanto gosto. Este Medal of Honor Heroes é um jogo relativamente simplificado, até porque é para uma portátil, mas com uma boa jogabilidade, tendo em conta a falta de um segundo analógico na consola. Creio que me custou uns 3.50€ algures no mês passado na Cash de Benfica, em Lisboa, estando completo e em óptimo estado.

 

Medal of Honor Heroes - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Neste jogo vamos jogando com 3 diferentes personagens que já conhecemos de outros Medal of Honor, daí o nome de Heroes. Temos então Jimmy Patterson do MoH original e do Frontline, John Baker do Allied Assault e por fim William Holt, do MoH Vanguard, ao longo de 3 diferentes campanhas, em Itália, na Holanda e por fim na Bélgica. A jogabilidade é simples e a falta de um segundo analógico é compensada com o uso dos botões faciais triângulo, quadrado e companhia, para servirem para mover a câmara e ao fim de alguns minutos já nos habituamos bem. O gatilho direito serve para disparar, já o esquerdo serve para activar o aiming down the sights ou simplesmente dar pancadas com a arma. As outras funções básicas como agachar,recarregar ou mudar de arma são efectuadas com os botões direccionais.

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Na primeira missão temos de fazer um assalto a um aeródromo nazi, destruir umas coisinhas e fugir

Infelizmente o jogo é demasiado simples. Poucas são as missões de sabotagem que sempre foram parte integral desta série, aqui a maioria das missões acabam por ter objectivos de captura e defesa de pontos fulcrais no mapa, defender-se contra waves de inimigos, ou eliminar x soldados nazis. O facto de termos apenas 3 campanhas com 5 missões cada, tornam este jogo também bastante curtinho. Por um lado entende-se, pois estamos a falar de uma portátil e convém as missões serem simples e curtas, mas por outro lado poderiam haver mais coisas para fazer. Temos sempre os objectivos secundários para completar (sempre marcados na bússola, assim como os primários), mas acaba por saber a pouco.

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O modo skirmish é essencialmente um deathmatch local contra bots

De resto outra coisa que me desagradou é o facto de os inimigos estarem sempre a fazer respawn e apesar de termos um esquadrão a nos acompanhar, os mesmos são algo burros e inúteis. De resto temos também a vertente multiplayer que sinceramente não cheguei a testar, embora exista o modo skirmish que nos deixa jogar contra bots. Desses modos de jogo temos claro as variantes habituais do deathmatch e capture the flag (infiltration), o demolition que é uma espécie de Counter Strike e por fim outros modos de jogo baseados em objectivos de captura e defesa.

Graficamente é um jogo simples, as texturas e modelos utilizados não são assim nada de especial, pouco melhores que os originais da PS1 são. Mas também é um jogo portátil e com o pouco conteúdo não esperaria nada de extravagante. A parte audio é boa como é habitual nesta série e como sempre temos algumas cutscenes com filmagens a preto e branco da época que são sempre agradáveis de se ver, pelo menos para mim que sempre tive um fascínio com este nosso período da História. Para quem gostar, podemos também desbloquear muitos uniformes adicionais para serem utilizados no modo multiplayer, mediante a nossa performance em cada nível no modo campanha.

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A vertente online parecia-me bem completa para um jogo de PSP, com direito a rankings e tudo.

No geral achei um jogo razoável, a nível de jogabilidade acho que realmente não há muito onde melhorar numa PSP e rapidamente me habituei aos controlos. Mas as missões deveriam ser mais diversificadas e acima de tudo, deveriam haver mais e eventualmente outras campanhas a explorar. Segue-se o Medal of Honor Heroes 2, que irá em breve entrar na minha PSP também. A ver o que melhoraram!

Extermination (Sony Playstation 2)

Extermination PS2Com a quantidade absurda de videojogos que a Playstation 2 recebeu, é perfeitamente natural que me tenham passado alguns bons jogos ao lado, mesmo quando os mesmos tenham sido lançados em 2001, ainda nas primeiras levas de software da consola. Este Extermination é um desses exemplos, embora não seja de todo um jogo excelente. Numa altura em que o género do survival horror estava bem em alta, a Sony, por intermédio do seu estúdio Deep Space também tentaram apostar no género, lançando este jogo que me tinha passado completamente despercebido. A primeira vez que o vi, chamou-me à atenção pela sua capa foil. Depois de investigar e ver que era um survival horror, decidi-me a levá-lo da próxima vez que o visse a um preço convidativo. E isso aconteceu algures durante este ano, onde o levei na CEX do Porto por 3.50€.

Extermination - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O jogo coloca-nos no papel de Dennis Riley, um jovem (e algo inseguro) membro de um esquadrão especial dos U. S. Marines. A sua equipa recebeu um pedido de socorro para bombardear uma secreta base militar/investigação científica em plena Antárctida. Mas em vez de o fazerem, as ordens que recebem é de aterrarem na base e investigar qual o problema. Ora o avião despenha-se e o esquadrão separa-se todo, deixando-nos apenas com o companheiro Roger Grigman nas imediações da base, preparando-se assim para a infiltrar. O resto é o cliché do costume, com o jogador a encontrar a base aparentemente abandonada, mas depois não falta muito para encontrar estranhas criaturas e humanos mutantes. Mais uma vez alguém andou a investigar o que não devia e algumas pessoas querem tirar partido disso para servirem de armas biológicas, enquanto outros querem apenas sobreviver e exterminar a ameaça.

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O ecrã de pausa mostra-nos um menu em anel, onde podemos ver o inventário, mapa, customizar a arma, ou outros

Extermination tem algumas mecânicas de jogo algo distintas dos demais survival horrors da época. Apenas possuimos uma arma (e uma faca para os close encounters), para a qual iremos encontrar imensos upgrades, sejam novos modos de fogo, como shotgun, lança-chamas ou granadas, ou outros upgrades como diferentes miras, ou radares. As munições normais são as de uma metralhadora, e a capacidade de munição básica que podemos carregar vai sendo incrementada à medida em que vamos encontrando as magazines espalhadas pelo jogo. Essas munições básicas podem ser restabelecidas em certos locais, que geralmente também incluem savepoints, ou equipamento médico para nos curar completamente. Já as restantes munições são bem escassas, pelo que não as devemos desperdiçar.

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Tentem fugir desta gosma verde que as criaturas nos atiram, são dores de cabeça que evitamos

Muitas coisas no jogo, como fazer save, ou desbloquear certas portas, gastam-nos bateria, Essas baterias também podem ser recarregadas em certos pontos, mas também é algo mais a ter em conta para gerir. Os itens para nos regenerarem a vida também não são assim tão abundantes, em especial os que nos curam as infecções. Sim, porque os inimigos para além de nos quererem morder, muitas vezes cospem uma gosma verde qualquer. Se nos acertam, aumentam-nos o nível de infecção. Existem itens para regenerar o nível de infecção, mas são bastante escassos. Caso a infecção atinja os 100%, o nosso corpo começa a mutar-se e a vida decresce logo de 100 pontos para 60 no máximo. Quando chegarmos a esse ponto, não há nada a fazer a não ser visitar uma estação médica e usar uma vacina própria na maquineta, que nos deixa 100% regenerados. Ora como devem estar a imaginar, este é um jogo que deve então ser jogado de uma forma algo cuidada, e de facto imaginam bem. Infelizmente o pior é mesmo o combate. Os botões R1 e R2 servem para mirar e enquanto o R1 usa algum auto-aim se apontarmos a arma para perto de algum inimigo, o botão R2 deixa-nos mirar na primeira pessoa e o grande problema aqui é que movimento vertical está invertido. Ora tanto tempo a habituar-me a jogar FPS ou mesmo outros shooters de uma maneira e este jogo não tem sequer a opção de mudar o sentido do eixo vertical… é sem dúvida o que mais me chateou neste jogo e o maior causador de pânico, em especial em boss fights ou em combates contra uma série de inimigos mais poderosos.

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É uma pena que não dê para reverter o eixo dos YY para a posição normal.

De resto, visualmente é um jogo bem competente, em especial se tivermos em consideração que em 2001 ainda se estava muito longe de tirar o melhor partido possível das capacidades técnicas da PS2. Não há uma grande variedade de cenários assim, afinal o jogo é todo passado numa base com os seus laboratórios, corredores, zonas de manutenção, recreativas e por aí fora, incluindo mesmo os próprios exteriores cheios de neve. Apesar de os modelos poligonais das personagens, em especial os dos cadáveres serem muito fraquinhos, nota-se bem que há uma boa identidade visual neste jogo. O que já não gostei tanto foi do voice acting, que muito sinceramente achei que ficasse aquém do esperado. As músicas, essas são óptimas e muitas vezes são bem tensas, mesmo nós sabendo que temos uma sala livre de inimigos, aquela música nunca nos deixa 100% seguros.

Extermination é um jogo interessante para a PS2. Recomendo em especial aos fãs de jogos de acção na terceira pessoa ou survival horrors no geral, mas têm mesmo de ter em conta que os controlos não são os melhores, em especial o combate. Sendo um survival horror é normal que as munições e itens regenerativos sejam escassos, mas quando os controlos são maus e prejudicam bastante os combates, bom… é um survival horror a todos os níveis.

Oni (Sony Playstation 2)

OniAlgures perto do virar do miléno, haviam 2 jogos da Bungie que pareciam bastante promissores e iriam deixar o estúdio definitivamente no mapa, eles que até então se tinham focado mais nas plataformas Macintosh. Um deles era um certo FPS futurista que até se tornou na killer app do lançamento da primeira Xbox, o outro era este Oni. E apesar de a Bungie ter-se tornado num estúdio da Microsoft, este Oni acabou por se anteceder a isso, tendo sido lançado para PC e PS2 apenas. A minha cópia foi comprada há uns meses atrás na Feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado algo em volta dos 3, 4€.

Oni - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual. Infelizmente tudo em francês.

Este é um jogo futurista com uma protagonista feminina. Já bem dentro do século XXI, os níveis de poluição tornaram-se tão elevados que as zonas habitáveis da Terra se reduziram imenso. Para complicar ainda mais as coisas para a humanidade, o governo era bastante restritivo e ainda tinhamos que lidar com uma organização terrorista implacável, os Syndicate. A nossa heroína, chamada Konoko, é uma agente da Technological Crimes Task Force (TCTF), e inicialmente vamos combatendo os actos terroristas dos Syndicate, que liderados pelo cyborg Kuro, planeiam toda a extinção humana. Pelo meio temos os plot-twists do costume, claro. O uso de cyborgs, e toda esta sociedade pós-apocalíptica fazem lembrar bastante o mítico anime Ghost in the Shell, a começar mesmo pelo próprio aspecto gráfico do jogo que tenta emular as animações japonesas.

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Um dos powerups que podemos apanhar deixa-nos temporariamente invulneráveis,

O que diferenciava Oni da concorrência era a mistura entre um shooter na terceira pessoa com a de um beat ‘em up. Com um esquema de controlo algo fora do comum. Os botões de cabeceira são os que servem para as acções principais, como saltar, disparar, dar socos e pontapés, enquanto os faciais servem para recarregar a arma, largá-la, usar items, etc. Com este esquema mais inusual de controlo, não é por acaso que Oni tem um nível tutorial obrigatório, onde vamos aprendendo os movimentos básicos. Nas primeiras missões os inimigos também são fraquinhos, o que também nos ajuda mais a habituar às mecânicas de jogo. E o facto de apenas podemos carregar uma arma de cada vez, tornando-as até algo descartáveis, o foco na porrada acaba mesmo por ser o mais importante. E como vamos aprendendo uma série de combos novos com throws poderosos, isso também torna o jogo um pouco mais apelativo.

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A HUD é um pouco confusa, com toda a informação de items, vida, munição e direcção do próximo objectivo a ficar condensada em 2 círculos

Infelizmente, apesar de os níveis serem bem grandinhos, cheios de inimigos para combater e diferentes objectivos para cumprir, no fim de contas tudo se resume à monotonia de lutar, interagir em computadores para abrir portas, lutar mais um pouco, repetir, repetir, repetir. E pelos níveis serem consideravelmente grandes, tiveram de sacrificar um pouco nos gráficos. Enquanto que pelo menos as personagens estão bem detalhadas, nem que seja pelos padrões de 2001, os cenários quase que nem têm texturas, tudo é cinzento à nossa volta e há realmente pouca coisa de diferente para ver ao longo do jogo. As músicas são OK, com uma componente electrónica, não fosse este um jogo ao estilo cyberpunk, mas apenas vão tocando em alguns momentos de maior tensão. O voice acting pareceu-me decente, mas infelizmente a versão que eu comprei é exclusivamente em francês. Tenho vários jogos com capas e manuais em outras línguas que não o inglês, mas no jogo em si sempre pude escolher o idioma pretendido. Infelizmente tenho também alguns jogos em francês onde não há mesmo mais nada a fazer a não ser calar e comer, o que foi o caso deste Oni.

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Embora os cenários tenham um aspecto muito simples, as personagens estão bem detalhadas

Oni é um jogo estranho, seja pelo level design não muito espectacular, ou pelos controlos fora do comum. Mas a verdade é que depois de nos habituarmos aos controlos, a vertente de beat ‘em up acaba por se tornar bastante interessante, principalmente pelos diferentes golpes que vamos aprendendo que se tornarão bastante úteis contra alguns inimigos bem fortezinhos. É definitivamente um jogo de altos e baixos, e talvez o facto de ter sido um jogo pensado originalmente para a PS1 tenha contribuído pela pouca variedade gráfica. Gostava de ver a Bungie a pegar nisto novamente.

Virtua Fighter 5 (Sony Playstation 3)

Virtua Fighter 5 - PS3Voltando à Playstation 3, para mais um jogo de luta que é um autêntico curso superior para o dominar. Depois de um Virtua Fighter 4 bem sucedido que viu 3 lançamentos principais nas arcades e 2 na Playstation 2, chegou a vez de a série entrar no fantástico mundo da alta definição e o primeiro resultado foi este Virtua Fighter 5. Numa primeira vista, para além do notório update gráfico e as novas personagens da praxe, pouco mudou na jogabilidade e modos de jogo disponíveis, não que me queixe. Este jogo foi comprado salvo erro em 2013, na GAME do Norte Shopping por 10€, estando completo e em bom estado.

Virtua Fighter 5 - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa e manual

 

Virtua Fighter 5 começou como sendo um lançamento arcade para o então novíssimo sistema Lindbergh que levou os jogos arcade à alta definição e com belíssimos gráficos. Ao longo do seu ciclo de vida, o jogo levou com muitos updates, conto pelo menos uns cinco, em que para além de balanceamento de personagens foram introduzindo várias novidades. Esta versão Playstation 3 é baseada na Version B arcade, tendo no entanto algum conteúdo extra tal como as versões caseiras do Virtua Fighter 4 o fizeram. E sendo eu um jogador quase casual deste género de jogos, não vou entrar nesses meandros a detalhar o que é que de facto trouxe este jogo de novo, para além de novos golpes, combos e duas novas personagens: a pequena Eileen e o seu Monkey Kung Fu e o wrestler de lucha libre El Blaze.

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Tal como no Virtua Fighter 4 e em muitos outros jogos de luta actuais podemos customizar o aspecto dos lutadores

Para além dos tradicionais modos arcade e versus, temos também o regresso do Quest Mode que já tinha sido abordado no artigo do Virtua Fighter 4 Evolution. Aqui mais uma vez vamos percorrer vários centros de arcade no Japão e participar numa série de lutas contra oponentes baseados em jogadores reais, com estatísticas retiradas do VF.NET. Aqui vamos ganhando pontos de experiência que nos podem fazer subir de ranking (ou descer se perdermos combates) e ganhar items que nos permitem customizer estéticamente as personagens. O grau de customização parece-me maior que no VF4, alguns items podem também ser comprados em lojas com o dinheiro virtual que vamos ganhando no Quest Mode, mas ao contrário do jogo anterior, aqui temos as arcades todas desbloqueadas logo de início. Sinceramente isso já não me parece tão aliciante, pois podemos logo de início combater contra os jogadores mais experientes (e levar uma carga de porrada), retira algum do desafio e sentido de progressão no jogo. No entanto este continua a ser um jogo bastante técnico e bem difícil de dominar.

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O quest mode permite-nos ficar colado ao ecrã durante horas a fio, até ganhar calos nos dedos.

Para ajudar a dominar as mecânicas do Virtua Fighter 5 temos mais uma vez o Dojo mode. Aqui é onde podemos treinar os movimentos de cada lutador, em 3 diferentes variantes: Em Free Sparring podemos fazer o que bem nos apetece contra um oponente inofensivo, em Command Training como o próprio nome indica serve para treinar todos os movimentos de um lutador, é sem dúvida o modo de jogo a experimentar para todos os que querem treinar a sério sem lixar as estatísticas no Quest Mode. Mas ainda dentro do Dojo temos o Time Attack, onde basicamente competimos para ter o melhor tempo possível a dominar os movimentos de cada lutador. Mais um para os masters!

Graficamente é um excelente jogo, como seria de esperar. Os lutadores estão muitíssimo bem detalhados e o mesmo pode ser dito das arenas, que são variadas, tanto em locais naturais, urbanos, ou outros mais tradicionais, como aquelas arquitecturas asiáticas. Qualquer que seja o local, os cenários estão muito bem detalhados e com belos efeitos de luz. Realmente um jogo “next gen“. As músicas são o tradicional da série Virtua Fighter. Tanto temos aquele hard-rockzinho cheio de guitarradas como eu tanto gosto, como outras faixas mais folclóricas com temas asiáticos. Uma boa banda sonora, mas confesso que é algo que não presto assim tanta atenção quando estou é preocupado em não perder um combate.

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Em imagens estáticas pode não parecer, mas este jogo em movimento é belíssimo

Virtua Fighter 5 é então um excelente jogo de luta em 3D, mas não é esta a versão que eu recomendo, a menos que sejam por razões de coleccionismo ou se a encontrarem a um bom preço. A versão Xbox 360, que saiu uns meses depois desta é baseada na Version C Arcade, e para além dos balanceamentos introduzidos na revisão tem suporte à jogatina online devido à estrutura da Xbox Live Arcade. Se bem se lembram, a PSN nos primeiros tempos não era lá grande espingarda. Mas para além disso, embora tenha saído apenas em formato digital, para muita pena minha, a versão definitiva do Virtua Fighter 5 é a Final Tuned, baseada no último update do jogo na Arcade e com muito mais conteúdo, para além de mais 2 lutadores, incluindo o regresso do lutador de Sumo Taka-Arashi.

Drácula: A Ressurreição (Sony Playstation / PC)

Dracula The ResurrectionHoje o artigo que trago cá é de 2 versões do mesmo jogo, uma para a PS1, cuja tenho em edição físíca e totalmente em português, a outra edição é para PC, sendo em inglês e em suporte digital (steam). Drácula: A Ressurreição é a primeira entrada da conhecida série de jogos de aventura point and click da Microids, baseadas no romance de Bram Stoker, acabando por ser uma espécie de sequelas não oficiais. A versão que usarei de base neste artigo será a da PS1, pois foi a que me despertou mais curiosidade em experimentar, tendo sido comprada algures neste ano na Cash Converters de Alfragide por 2€. A versão PC veio num bundle que foi comprado por um preço muito reduzido e trouxe em conjunto os restantes jogos desta série.

Dracula a Resurreição - Sony Playstation
Jogo completo com 2 discos, caixa e manual

E o jogo começa como Dracula acabou, com o conde a ser derrotado e Mina ser libertada da sua influência. Alguns anos depois, Mina inexplicavelmente sente um ímpeto para se deslocar de Londres para a Transilvânia e Jonathan Harker, seu noivo, suspeita que mais uma vez Drácula esteja por detrás disso, partindo logo a seguir também para a Transilvânia para trazer Mina de volta. E começamos a aventura durante a noite, à porta de uma estalagem bem perto do castelo do vampiro. É aí que começamos a ter pistas de como prosseguir, já que os caminhos para o castelo estão impedidos por uns bandidos ao serviço de Drácula.

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Sempre que vamos falar com alguém temos uma imagem estática da pessoa

O jogo é um point and click jogado na primeira pessoa, algo semelhante a outros jogos da Microids como o Post Mortem, por exemplo. Com o D-Pad, ou os analógicos, podemos mover o cursor livremente pelo ecrã e quando o mesmo muda para uma figura para uma setinha, quer dizer que nos podemos mover nessa direcção, com o jogo a apresentar depois uma nova imagem de fundo. Isto também é usado para interagir com o cenário ou outras pessoas, com o cursor a mudar também de figura, indicando que num sítio em específico podemos usar algum objecto que tenhamos apanhado, pegar objectos ou interagir com alavancas e afins. Quando metemos conversa com as personagens vemos à nossa direita umas pequenas imagens que ilustram o tópico, por exemplo logo de início vemos uma figura com um castelo e o tema é saber como raio lá chegamos. Infelizmente pareceu-me um jogo bastante curto e com poucos puzzles, cheguei ao fim em poucas horas e a maior parte do tempo foi perdida em procurar aquele pontinho no ecrã onde realmente poderia fazer algo, por razões que descreverei em seguida.

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O mesmo acontece quando tentamos examinar alguma coisa mais aprofundademente

Sendo um point and click na primeira pessoa em que nos dá uma liberdade de quase 360º para olharmos à nossa volta, as imagens de fundo são pré-renderizadas e estáticas. E embora para os padrões de 2000 de uma Playstation até poderiam não ser más de todo, no PC a conversa já era outra, com os cenários em maior resolução. Infelizmente, a versão PS1 pareceu-me ser também mais escura do que a de PC, o que me dificultou bastante em certos locais saber ao certo o que tinha de procurar, ou para onde ir. O jogo está também repleto de cutscenes em CGI que apesar de não serem graficamente impressionantes, são sempre benvindas. Mas o que realmente me impressionou foi o trabalho a que se deram a traduzir tudo para português, desde os menus, créditos finais, falas, e até as mensagens codificadas nas CGs foram traduzidas para Português. Ora isto até pode ser muito bonito, embora banal nos tempos que correm, pois cada vez mais temos jogos para as consolas a ser integralmente traduzidos, mas eu prefiro sempre o voice acting original, apenas numa perspectiva de ter sido o trabalho envisionado pelos seus criadores. E para além deste voice acting para português ser muito mauzinho, não temos qualquer hipótese de seleccionar outros idiomas, o que me deixou muito frustrado.

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A versão PS1 pareceu-me ser bem mais escura que a original e pelos screenshots que encontrei, não era problema da minha TV

De resto, gostei bastante dos cenários que sempre foram austeros, solitários e obscuros, e todos os barulhos ambiente causavam uma atmosfera bastante tensa, mesmo sabendo que é um jogo onde é impossível morrer (pelo menos nunca me aconteceu nada, mesmo quando haviam potenciais confrontos). O que me desagradou também, para além do mau voice acting que já falei, foi mesmo a sua curta duração e embora o jogo não tenha terminado num cliffhanger, ainda ficou com muita margem de manobra para progredir, o que me parece que foi feito na sua sequela que irei jogar em breve.

Em suma este Dracula Resurrection não é um jogo perfeito, mas é interessante o suficiente para recomendar aos fãs de point and clicks para que lhe dêm uma oportunidade caso o encontrem a um bom preço. Tecnicamente a versão PC é naturalmente superior, mas a versão PS1 não deixa de ser divertida. Se forem como eu recomendo-vos que arranjem antes a versão inglesa, até porque a original francesa não deve vir com nenhumas legendas em inglês.