Crash Bandicoot 3 Warped (Sony Playstation)

Ao jogar os 3 primeiros Crash Bandicoot para a Playstation, é muito fácil entender o porquê de ter sido uma série tão bem acarinhada na época e porque muitos estão contentes de ver os clássicos a finalmente receberem um remake para os sistemas actuais. O primeiro Crash Bandicoot era mais modesto, mas um jogo que se adaptou muito bem numa época em que a transição para o 3D era ainda algo que dava muitas dores de cabeça aos developers, pelo que a Naughty Dog foi inteligente ao restringir de certa forma a liberdade de movimentos de Crash e mais concretamente da sua câmara. Os jogos seguintes foram evoluindo nesse conceito e este terceiro jogo está excelente. O meu exemplar custou-me menos 10€, já não consigo precisar bem o valor pois veio de um negócio do OLX que correu um pouco mal e no fim o vendedor lá me devolveu parte do dinheiro.

Jogo com caixa e manual, versão Platinum

O jogo decorre logo após os acontecimentos do Crash Bandicoot 2, onde a estação especial do Dr. Neo Cortex embate na terra e inadvertidamente solta o Uka Uka, o irmão gémeo malvado de Aku Aku, aquela máscara de madeira que sempre acompanhou Crash nas suas aventuras. Cortex alia-se então a Uka Uka e a um outro cientista maluco, o Dr. Nefarius Tropy, que planeiam juntar uma série de cristais do tempo e assim conseguirem conquistar a Terra. Crash e a sua irmã Coco vão então viajar a diversos locais e períodos no tempo à procura desses cristais e assim mais uma vez impedir Cortex de completar os seus planos. Isto faz-me lembrar um um ditado urbano interessante que li há pouco tempo: uma série que se prolongue tempo suficiente, eventualmente lá envolverá mecânicas de viagem no tempo, e no caso de Crash Bandicoot foi logo no terceiro jogo.

Começamos a aventura num hub que se vai completando à medida em que vamos desbloqueando mais níveis

Depois da intro somos largados num hub onde poderemos aceder aos níveis do jogo. Inicialmente apenas temos acesso a um corredor, mas assim que completarmos os níveis e defrontarmos o boss, desbloqueamos o corredor seguinte com mais níveis e por aí fora. O objectivo principal de cada nível é o de apanhar o cristal do tempo, que geralmente se encontra perto do final do nível. A excepção está claro nos confrontos com os bosses, que não têm essa preocupação. Mas para além dos cristais do tempo, poderemos (e deveremos se quisermos completar o jogo a 105% (sim, cento e cinco), existem outras pedras preciosas ou amuletos que podemos apanhar. Para as pedras preciosas, temos de destruir todas as caixas presentes no nível. Por vezes temos 2 destes cristais para apanhar em cada nível, isso acontece quando há caminhos alternativos ou secretos e muitas vezes temos de os rejogar e seguir esse caminho alternative para obter o cristal. Por fim, os amuletos apenas podem ser obtidos após completarmos o nível com sucesso pelo menos uma vez. Aí desbloqueamos o modo time trial e caso o completemos abaixo de um tempo pré-estabelecido, é-nos recompensado com o tal amuleto do nível.

Perseguições? Sim, de vez em quando lá temos de fugir a um ou outro dinossauro.

A nível de mecânicas de jogo, não há muita coisa que muda. Os níveis são 3D, mas ainda há algumas restrições de movimento ou câmara, com partes de jogo a serem jogadas como um sidescroller, ou outras como se um jogo de corridas se tratasse, com a câmara a posicionar-se atrás ou à frente da personagem. Os movimentos que podemos executar são os mesmos de antes com o crash a poder saltar e rodopioar tanto para derrotar inimigos como para destruir caixas. Ao defrontar os bosses vamos ganhando  também outros movimentos que se vão tornando bastante úteis nos níveis seguintes, especialmente quando quisermos alcançar todos os objectivos. As caixas que podemos destruir são também idênticas, com aquelas especiais de TNT que explodem ao fim de 3 segundos, as Nitro que explodem logo no contacto e outras especiais com pontos de exclamação que podem criar novas caixas ou detonar remotamente as de Nitro. Quando entramos num time trial temos umas novas caixas amarelas para ter em conta, que páram o relógio por 1, 2 ou 3 segundos respectivamente. São extremamente úteis para se obter tempos baixos! De resto, há aqui um foco também grande na condução de veículos como motos, motos de água, aviões ou outros animais e muitos desses níveis são jogados não com Crash, mas sim com a sua irmã Coco.

Coco Bandicoot é uma personagem jogável, embora ela participe apenas em níveis onde seja para conduzir alguma coisa

Graficamente é um jogo excelente para uma Playstation. Os níveis são variados e ricos em detalhes, assim como os inimigos, que muitas vezes têm um lado cómico. Podemos visitar a China antiga, castelos medievais, o Egipto ou outros cenários arábicos, a era dos piratas ou ir para um futuro altamente industrializado. Existem também níveis sub-aquáticos que por norma são também de progressão mais lenta mas não menos divertidos, especialmente quando usamos um mini-submarino capaz de disparar torpedos. As músicas são também bastante agradáveis e o voice acting é bastante competente, algo que ainda não era muito usual assim em 1998. Nota-se perfeitamente que a Naughty Dog sempre teve especial atenção ao detalhe e perfeccionismo no desenvolvimento dos seus videojogos.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado para uma Playstation

Em suma, Crash Bandicoot 3 Warped é mais um excelente jogo de plataformas. Quem já jogou e gostou dos Crash anteriores, certamente irá adorar esta sequela. É um jogo que qualquer fã de jogos de plataformas, quer 2D ou 3D irá certamente gostar e que resiste muito facilmente ao teste do tempo. A nível meramente pessoal, os artigos da série Crash vão ficar um pouco em suspenso, enquanto não me aparecer o Crash Team Racing, o único da série clássica que me falta na colecção, pelo menos até à data de escrita deste artigo.

Bubsy 3D (Sony Playstation)

Com o sucesso de Sonic, houve um ressurgir de jogos de plataforma com animais que serviriam de mascote para as suas empresas. A Accolade criou o Bubsy, que depois de alguns jogos de sucesso moderado, tentam entrar no mundo dos jogos de plataforma em 3D com o Bubsy 3D. O resultado final é catastrófico! O meu exemplar veio de uma loja de caridade do Porto. É apenas o disco.

Apenas disco

O restante da minha opinião a podem ler na PUSHSTART #63. Se um dia digitalizarmos alguns desses artigos podem crer que acualizarei aqui o link. De resto, só para terem uma ideia, é sim um jogo muito mau, que sofreu com um desenvolvimento atribulado e teve de sair para o mercado ainda algo inacabado, meses depois da obra prima Mario 64 já estar no mercado. É que os controlos são maus e os gráficos terríveis, mas sabiam que o jogo estava a ser desenvolvido para a 32X? Se o Bubsy 3D tivesse saído para a 32X com aqueles gráficos (que não deixavam de ser horríveis) talvez o público fosse mais compreensivo.

Quake II (PC / Sony Playstation)

quake-iiAh, o Quake II… adorei o primeiro jogo, assim como tudo o que a id software tinha feito até então. Mas o Quake II foi a primeira wake up call que tive que precisaria de fazer um upgrade ao meu PC, algo que só veio a acontecer muito depois. O primeiro Quake marcou a passagem dos FPS pseudo 3D (pois usavam sprites para inimigos e itens) para modelações completamente 3D. O segundo acabou por ser uma evolução do primeiro e foi talvez o maior responsável pela popularização e crescimento na adopção de placas aceleradoras 3D, o que a minha placa com 1MB de VRAM dificilmente faria. O jogo foi também convertido para algumas consolas e  a versão Playstation foi surpreendentemente boa. O artigo irá falar no Quake II no geral, destacando as particularidades da PS1 sempre que necessário. Os meus exemplares vieram de locais distintos. A versão Playstation foi a primeira que arranjei, em Julho ou Agosto de 2016 na Cash Converters de Benfica por 3.5€. A de PC veio logo no mês seguinte, na feira da Vandoma do Porto. Ficou-me por volta de 3€, o que foi um excelente preço visto ser a big box completa e aquela que eu sempre quis ter quando era miúdo mas o meu PC não aguentava.

quake-ii-pc
Big Box completa com manuais e papelada

Enquanto o primeiro Quake levava-nos por viagens interdimensionais a mundos algo medievais e com criaturas retiradas de algum universo Lovecraftiano, fruto também de um desenvolvimento algo atribulado, a história deste Quake II já é muito mais o que seria esperado de um estúdio como a id. Aqui a raça humana estava em Guerra com os Stroggs, uma civilização alienígena. O jogo começa com os Space Marines a prepararem-se para aterrar no planeta dos Stroggs e tentar eliminar o seu líder, de forma a prevenir uma eventual invasão ao nosso planeta. Mas as coisas não correm bem e todos os soldados acabam por ser mortos ou capturados assim que aterram no planeta. Todos, claro, menos nós que sofremos um pequeno acidente de percurso e acabamos por aterrar ilesos. Como todos os first person shooters da época, acabamos por ser nós sozinhos a lutar contra todo um exército, mas seria de estranhar se fosse de outra forma em Quake.

Quake II para a Playstation, com caixa e manuais
Quake II para a Playstation, com caixa e manuais

O jogo continua rápido e visceral como seria de esperar. Há no entanto uma série de mudanças. O jogo já não está repartido em níveis mas sim em missões com diferentes objectivos para cumprir. Os níveis em si, ou digamos, áreas de jogo, são bem grandinhos e por vezes teremos mesmo de revisitar áreas antigas de forma a progredir no jogo. Algumas das armas presentes no primeiro jogo, como as shotguns ou os lança granadas/rockets, marcam aqui o seu regresso. Outras armas como metralhadoras, railguns ou armas futuristas foram introduzidas, incluindo uma nova versão da BFG do Doom. De resto, a jogabilidade mantém-se como se quer, com inimigos agressivos e violência a rodos, em acção non-stop. Podemos carregar todas as armas e a vida não é auto regenerativa, mas sim com recurso a medkits, mesmo como manda a lei. A versão Playstation naturalmente a nível de controlos não é tão boa, embora os mesmos se possam customizar bastante e possui também suporte ao rato official da Playstation. Essa versão é também mais curta, possuindo muito menos níveis que a versão PC e os mesmos estão algo diferentes, existindo muitos corredores que separam umas áreas das outras, devido aos loadings que vamos ter de passar. Essa é uma das grandes desvantagens da versão Playstation, os loadings.

Muitos dos Stroggs contra quem lutávamos eram antigos Space Marines que foram "transformados" em cyborgs grotescos
Muitos dos Stroggs contra quem lutávamos eram antigos Space Marines que foram “transformados” em cyborgs grotescos

Depois temos o multiplayer, que no PC era excelente, com variantes do deathmatch, capture the flag e podendo também jogar o modo história de forma cooperativa. Eu pouco joguei, pois na altura o meu PC não conseguia correr o Quake II. Mas nas LANs da escola isso já era outra conversa… A versão Playstation apenas permite multiplayer em split screen com até 4 jogadores, se bem que as arenas desta versão são exclusivas para a Playstation.

Uma das inovações do Quake II eram as marcas deixadas nos inimigos
Uma das inovações do Quake II eram as marcas deixadas nos inimigos

A  nível gráfico este era um jogo excelente para a época em que foi lançado, tirando partido das primeiras placas aceleradoras 3D, com os cenários e inimigos a ganharem mais detalhe, mais polígonos e texturas e efeitos de iluminação melhores. Detalhes dos ferimentos causados pelo combate foram uma das coisas novas que a tecnologia deste Quake II nos trouxe, algo que foi ainda mais explorado na série Soldier of Fortune, que usa versões modificadas do motor gráfico deste Quake II. Infelizmente não há é muita variedade de cenários, sendo na sua maioria instalações militares ou industriais, onde os tons de castanho de metal oxidado e cinza do cimento são uma constante. A versão Playstation surpreendentemente acaba por se portar muito bem. Os gráficos não são tão polidos e bastante mais pixelizados, mas ainda assim acaba por mostrar um nível de detalhe e fluidez impressionantes para uma Playstation 1. Diria ainda que é o jogo 3D mais bonito da consola! A nível de som é também um óptimo trabalho, com a banda sonora a assentar principalmente em rock e metal. As guitarradas ficam muito bem num jogo deste género. Na Playstation a banda Sonora também é similar, incorporando temas também das expansões. No entanto, cada vez que há um loading, a música muda, e com os loadings frequentes da versão Playstation não dá para apreciar tão bem a banda sonora.

Mesmo não sendo tão bom quanto a versão PC, a versão para a Playstation é impressionante tendo em conta as limitações de hardware.
Mesmo não sendo tão bom quanto a versão PC, a versão para a Playstation é impressionante tendo em conta as limitações de hardware.

Portanto Quake II é um clássico. Talvez dos últimos grandes FPS clássicos, antes de Half-Life ter surgido em cena e mudado por completo o paradigma dos FPS single player. O multiplayer de Quake II foi também muito forte, com a sua sequela, o Quake III Arena a focar-se exclusivamente nessa vertente de jogo.

Bomberman Fantasy Race (Sony Playstation)

bomberman-fantasy-raceMais uma vez uma rapidinha pois o tempo não tem sido muito favorável. Creio que todos nós conhecemos os jogos da série Bomberman e como o seu multiplayer é tradicionalmente tão divertido, principalmente se for jogado na mesma sala. Também todos conhecemos Mario Kart e a sua influência que teve no seio dos jogos de corrida mais divertidos do que propriamente realistas. Este Bomberman Fantasy Race tenta juntar o melhor dos dois mundos ou seja, é um clone de Mario Kart, no universo Bomberman. O meu exemplar veio da Cash de Alfragide, algures no ano passado. Foi barato.

Jogo com manual e papelada, numa edição budget.
Jogo com manual e papelada, numa edição budget.

A grande diferença deste jogo para o Mario Kart está no facto que aqui não conduzimos Karts, mas sim animais. Fora isso as influências estão todas lá, com os vários power ups  que podemos apanhar, o combate em corrida e a possibilidade de jogar em multiplayer. No que diz respeito aos animais, podemos montar em Louies ou Tirras. Os primeiros parecem cangurus, os outros rinocerontes, onde cada animal possui diferentes características como velocidade, resistência ou salto. No modo principal de jogo, o objectivo é ir amealhando dinheiro suficiente para desbloquear o circuito seguinte e progredir. Somos recompensados sempre que cheguemos pelo menos em terceiro lugar, e caso cheguemos em primeiro lugar, poderemos jogar uma partida de bónus onde podemos coleccionar ainda mais moedas dentro de um tempo limite. Ir amealhando dinheiro também nos permite ir comprando outros Louies e ou Tirras, bem como power ups que poderemos levar antes da corrida. Eventualmente lá desbloqueamos também os mesmos circuitos mas no modo espelhado. Fora este modo principal de jogo temos também o time attack e o multiplayer em split screen para 2 jogadores, que sinceramente não cheguei a testar.

Inicialmente começamos por escolher qual a dupla de bomberman + animal queremos jogar. Posteriormente poderemos comprar outros animais
Inicialmente começamos por escolher qual a dupla de bomberman + animal queremos jogar. Posteriormente poderemos comprar outros animais

A jogabilidade é surpreendentemente variada. Ao longo dos circuitos teremos vários obstáculos pela frente, desde abismos sem fundo, palmeiras por todo o lado, ou mesmo um jardim de minas que nos abrandam se as pisarmos. Para isso temos de “conduzir” com cuidado, mas também o mais rápido possível, pois a concorrência também por vezes é feroz. Cada animal tem uma barra de stamina que pode ser aproveitada para sprintar. Em circuitos com curvas apertadas, também devemos aproveitar o “triangle jumping“, que consiste em saltar nas paredes e ganhar balanço para melhor mudar de direcção. Depois, como qualquer jogo “inspirado” em Mario Kart, não lhe faltam os power ups que podemos apanhar ao longo das corridas, só para infernizar a vida aos nossos oponentes. Como é um jogo do universo Bomberman, dá para adivinhar que a maioria são diferentes tipos de bombas que podem ser atiradas aos nossos oponentes. Mas o que se calhar não estariam à espera é que podemos (e devemos!) usar também as bombas em nós mesmos, para ter o mesmo efeito do rocket jumping de Quake.

Como não poderia deixar de ser, o que não faltam aqui são power ups com bombas!
Como não poderia deixar de ser, o que não faltam aqui são power ups com bombas!

A nível gráfico é um jogo minimamente competente, com os cenários a serem variados, bem detalhados e bastante coloridos. Iremos percorrer praias, florestas, cidades, montanhas e cavernas, ou mesmo o interior de uma zona toda high tech com a temática do espaço. A draw distance não é muito grande mas não é algo que me preocupe tanto. As músicas também vão sendo diversas, abrangendo diferentes géneros musicais, mas sinceramente não me ficaram lá muito na memória.

Fatal Fury Battle Archives Volume 1 (Sony Playstation 2)

fatal-fury-battle-archives-volume-1Infelizmente tenho estado bastante ausente nos últimos tempos, pelo que volto hoje às rapidinhas e às colectâneas. E este é mais um excelente exemplo do quão grande a Playstation 2 é para mim. Para além de ter recebido centenas de jogos interessantes e muitos deles que considero essenciais, também recebeu bastantes compilações de jogos mais antigos. Apesar de o valor comercial de muitas destas compilações também ter vindo a subir nos últimos anos, continuam a ser uma alternativa mais barata ao comprar os jogos individualmente. O artigo de hoje é uma compilação dos primeiros Fatal Fury, uma das mais famosas séries da SNK cujo primeiro jogo foi desenvolvido na mesma altura do Street Fighter II. O meu exemplar veio de uma CeX na zona de Lisboa e custou-me 15€.

fatal-fury-battle-archives-vol1-sony-playstation-2

Como habitualmente, não me vou focar muito nos jogos da compilação. Espero fazê-lo quando um dia os arranjar em standalone, para já apenas o primeiro Fatal Fury é que teve essa sorte e foi a versão da Mega Drive. Avançando então para a sequela, o Fatal Fury 2 já se aproximou mais da fórmula de sucesso do Street Fighter II, pois já desde o início poderemos jogar com bem mais personagens ao contrário das 3 principais que protagonizaram o primeiro jogo. Temos então um total de 8 personagens para escolher, com várias caras novas incluindo a Mai Shiranui, que se veio a tornar num dos maiores sex symbols dentro do género. No entanto, não podemos escolher nenhum dos 4 bosses que enfrentamos. No que diz respeito à jogabilidade esta mantém-se bastante coesa, agora aproveitando os 4 botões da Neo-Geo para aplicar socos e pontapés fortes ou fracos. O esquema da troca de planos (foreground e background) torna a regressar e a outra maior novidade a meu ver está na inclusão dos Desperation Moves, assim que estivermos com muito pouca vida. A nível audiovisual é um jogo muito bem detalhado, tanto nas personagens como nos cenários e nas músicas.

No Fatal Fury 2 as coisas já se aproximaram bem mais de um Street Fighter II
No Fatal Fury 2 as coisas já se aproximaram bem mais de um Street Fighter II

O Fatal Fury 2 teve direito depois a um update chamado Fatal Fury Special. Na verdade é um jogo não-canónico na história da série, pois para além de incluir os 4 bosses do Fatal Fury 2 como personagens jogáveis, traz ainda os lutadores do primeiro Fatal Fury que tinham ficado de fora no jogo anterior (incluindo o Geese Howard que supostamente teria morrido), bem como o Ryo da série Art of Fighting como personagem desbloqueável. A série Art of Fighting é uma espécie de prequela da série Fatal Fury e King of Fighters. De resto a nível de jogabilidade é essencialmente o mesmo, com algumas personagens a ganhar alguns golpes novos e pouco mais. Nos audiovisuais continua a ser um óptimo jogo, com muitos dos cenários do Fatal Fury 2 a decorrerem agora em diferentes alturas do dia.

O FF Special traz um ecrã de selecção de lutadores bem maior
O FF Special traz um ecrã de selecção de lutadores bem maior

O último jogo presente nesta compilação é o Fatal Fury 3, que já não é tão popular quanto os seus antecessores. Para além de 5 das personagens principais como Joe, Terry, Andy, Mai e Geese (sim, o homem voltou!), juntam-se 5 personagens inteiramente novas, para além de mais alguns bosses que não podem ser desbloqueados. Este é um jogo mais rápido e que apresenta algumas novidades na jogabilidade, para além de incluir novos golpes, e alguns secretos. O sistema de alternar entre planos usa agora 3 planos de referência e é possível alternar entre ambos de uma forma bem mais rápida e dinâmica, sem ter de saltar de um lado para o outro. Isso torna também os combates muito mais fluídos. Na sua apresentação, é um jogo que me faz lembrar o primeiro Fatal Fury, pelo seu foco maior na história. Nos primeiros 4 oponentes podemos escolher qual a ordem pela qual os enfrentamos, sendo que entre cada nível temos direito a pequenas cutscenes com diálogos, ou ver a nossa personagem a deslocar-se pelo mapa para o próximo combate. Graficamente continua a ser um jogo que apresenta bastante detalhe nas arenas e as personagens foram inteiramente redesenhadas. Acho que as cores não são tão vívidas como nos outros jogos, mas não deixa de ser também um bom trabalho.

Qualquer semelhança com Final Fight é mera coincidência. Ou não.
Qualquer semelhança com Final Fight é mera coincidência. Ou não.

Infelizmente esta compilação ficou-se por aqui. O segundo volume da mesma não chegou a sair na Europa infelizmente, mas também mesmo que tivesse saído pecaria sempre por não incluir o fantástico Mark of the Wolves, apenas os Real Bout Fatal Fury. Era bom poder ter a saga principal completa num só disco, e um DVD aguentaria bem tal façanha na minha opinião. Mas ainda assim, este primeiro volume não deixa de ser uma excelente escolha para quem gostar de jogos de luta 2D.