Ultimamente o tempo para jogar e escrever não tem sido muito, pelo que lá vai ter de ser mais uma rapidinha, novamente com um jogo de futebol para a Game Gear. E a escolha de hoje recai na conversão de um dos jogos de futebol mais famosos da década de 90, o Sensible Soccer, desenvolvido originalmente pela Sensible Software para o Commodore Amiga. Inspirado por outros jogos como Kick Off, Sensible Soccer mantinha uma perspectiva aérea, embora mais abrangente, e uma jogabilidade relativamente simples, mas frenética, sendo um jogo excelente para o multiplayer com amigos. Como esta versão se saiu? Já veremos. O meu exemplar veio de um bundle que comprei recentemente na feira da Vandoma no Porto por 5€ que continha vários jogos. Ficou-me muito barato assim sendo.
Apenas o cartucho, mais uma vez
O Sensible Soccer possuía uma jogabilidade frenética, onde com um botão apenas se fazia tudo. Correr com a bola era uma arte e o botão de chuto era usado tanto para fazer passes como remates, com a intensidade do remate a variar mediante o tempo aplicado na tecla. O aftertouch, a capacidade de controlar a curvatura da bola, foi também modificado, sendo possível também controlar a altura ao usar as diagonais do d-pad. Nesta versão modificaram ligeiramente os controlos para haver um botão de passe e outro de remate, mas dá para alterar nas opções para manter os controlos fiéis ao original se assim entenderem. De resto a outra coisa boa deste Sensible Soccer é a grande variedade e customização de modos de jogo e de equipas. A começar pelas equipas temos 40 selecções, incluindo Portugal, e 64 clubes, incluindo o meu FC Porto, o que só por si já é de louvar. No que diz respeito a modos de jogo, podemos jogar partidas amigáveis, torneios, campeonatos ou outros torneios especiais.
Pode não parecer pelos modestos menus, mas o jogo oferece muitas possibilidades de customização
Nos torneios normais, podemos customizar uma série de opções como a regra dos golos fora valerem mais, quantas equipas queremos, se pretendemos eliminatórias a 2 mãos ou uma única, entre outros. O modo campeonato permite fazer temporadas com até 20 equipas, a 1, 2 ou 3 voltas. O problema nestes 2 modos de jogo é que temos de o terminar de uma assentada só, pois o jogo não possui mecanismos de save game. As competições especiais são pré-definidas, consistindo em diferentes torneios ou campeonatos com equipas ou selecções, principalmente europeias. Aliás, todas as selecções e clubes desta versão são europeus, daí o título completo ser Sensible Soccer: European Champions.
É verdade que os jogadores são minúsculos neste ecrã, mas não é preciso muito detalhe em Sensible Soccer.
Graficamente é um jogo bastante simples, assim como as versões amiga já o eram. E mesmo não sendo tão rápido quanto o original, não deixa de ter uma jogabilidade bastante frenética, que sinceramente me agrada e apesar de estranhar um pouco no início, logo se entranha. As músicas existem apenas nos menus e até que são engraçadas, mas passando para as partidas em si então são substituídas pelos barulhos do estádio. E o barulho do público é muito irritante nesta versão infelizmente, pois é apenas ruído branco, aumentando de intensidade quando alguém marca um golo… De resto graficamente é um jogo muito simples, mas o original também o era.
Posto isto, acho este Sensible Soccer um jogo de futebol muito interessante e a versão Game Gear, mesmo com as suas limitações, pareceu-me ser bem competente. Fiquei com pena por esta versão não ter qualquer tipo de licenciamento de equipas, pois as mesmas são apenas identificadas pela sua cidade. Sporting e Benfica são Lisbon e Lisboa, por exemplo. Creio que o original de Amiga tinha tudo direitinho!
O Resident Evil 5 foi um jogo em que a Capcom tentou forçar uma jogabilidade cooperativa às mecânicas introduzidas anteriormente pelo Resident Evil 4, um jogo que marcou uma viragem radical nas mecânicas de jogo da série, deixando-a bem mais dinâmica e simples de controlar, mas despojando a série das suas raízes de survival horror em detrimento de um jogo com mais foco na acção. Mas infelizmente, mesmo que quiséssemos jogar sozinhos, tínhamos que cooperar sempre com uma outra personagem e a sua inteligência artificial deixou as coisas muito a desejar. Felizmente pelo menos nesse aspecto esta sequela melhorou e bastante as coisas. O meu exemplar veio da Mediamarkt de Alfragide se bem me lembro, foi comprado há uns anos atrás, deve-me ter custado algo à volta dos 20€ há uns anos atrás.
Jogo com caixa, manual e papelada
A Capcom decidiu apresentar Resident Evil 6 de uma forma diferente, com o jogo a consistir em 4 diferentes campanhas distintas e interligadas, a ocorrer nos Estados Unidos, um país fictício na Europa de Leste e na China. Podemos jogar como Leon e Helena, Chris Redfield e o seu subordinado Piers, Sherry Birkin marca o seu regresso desde o Resident Evil 2, na aventura com o jovem e misterioso Jake Muller. Por fim a quarta campanha leva-nos pelos olhos de Ada Wong, uma personagem ainda mais envolta em mistério e cuja história une várias pontas soltas que ficaram das outras campanhas. A história envolve o C-Virus e a sua propagação por mais uma cidade norte-americana, algures num país da Europa de Leste e por fim na China. Isso implicou novas pragas de zombies (finalmente, zombies de volta!) ou dos J’avo, humanos capazes de sofrerem diversas mutações, um pouco como as Las Plagas dos Resident Evil 4 e 5.
Os zombies marcam novamente o seu regresso, em especial na campanha do Leon e Helena!
De resto a jogabilidade mantém-se muito semelhante àquela introduzida no Resident Evil 4, com a perspectiva over the shoulder e as mecânicas típicas de um shooter na terceira pessoa. Mas tal como no Resident Evil 5, o jogo possui um grande foco na vertente cooperativa, pois qualquer pessoa pode juntar-se ao jogo de outra a qualquer momento, logo que tenhamos essa opção activa nas configurações. Mesmo jogando completamente sozinhos, teremos sempre uma outra personagem a auxiliar-nos na campanha. A exepção é a Ada Wong, que típicamente joga sozinha, embora um dos patches lançados para o jogo deixa a opção de Ada jogar cooperativamente com um “Agente”, embora este não tenha nenhuma influência na história. O inventário é algo limitado, embora dê para carregar com umas quantas armas diferentes e respectivas munições. De resto, para além dos 1st Aid Sprays, podemos combinar ervas na forma de pastilhas que podem ser agregadas a uma espécie de atalho no ecrã, permitindo-nos curar a qualquer altura com recurso a um único botão do comando da Playstation.
Como sempre temos alguns bosses para derrotar, cada vez maiores e mais letais.
Claro que para quem jogar de forma cooperativa também tem que se preocupar com o seu parceiro. Já para quem jogar sozinho, felizmente o nosso parceiro não é tão burro como a Sheva Alomar do Resident Evil 5, sendo mais úteis e felizmente não desperdiçam as nossas munições. Por outro lado, apesar de ser um jogo sólido, este Resident Evil 6 possui também alguns defeitos. Os que mais me chatearam foram aqueles momentos onde temos de defrontar várias waves de inimigos, ou outros onde os inimigos parece que nunca páram de aparecer. Eu gosto de levar o meu tempo, jogar cuidadosamente e ir distribuindo head shots sempre que possível. Mas em certas alturas tudo fica mais caótico e o melhor remédio é mesmo correr. De resto a coisa que mais me chateou foi mesmo a longa duração de cada nível. Gostei bastante do facto do jogo possuir 4 campanhas distintas que nos levam a diferentes locais e sub-histórias para descobrir. Mas cada nível em si acaba por ser bastante longo, podendo levar inclusivamente várias horas para ser terminado, para quem gosta de explorar cada recanto como é o meu caso. Os níveis deveriam ser um pouco mais curtos para poder também jogar o jogo em doses menores. É verdade que existem checkpoints que nos permitem retomar a acção a qualquer altura, mas terminar um nível dá-nos uma sensação de realização bem maior do que avançar um checkpoint.
O modo Mercenaries está de regresso, desta vez logo desbloqueado de início
Por fim devo também referir um pouco o sistema de upgrades. Ao defrontar os inimigos e destruir caixas ou abrir cestos com itens, podemos encontrar pontos de skills. Esses pontos de skills podem depois ser gastos entre níveis, ao comprar skills que nos aumentam a proficiência com cada arma, melhoram as nossas defesas, aumentam a probabilidade dos inimigos largarem itens quando morrem, etc. Para além disso existem ainda outros modos de jogo. Um deles é o Mercenaries, um modo de jogo que já existe há algum tempo na série, se bem que desta vez já vinha desbloqueado de origem. Existem no entanto outros modos de jogo multiplayer, mas que tinham de ser comprados como DLCs. algo que eu não comprei logo não posso dar grandes detalhes. Modos de jogo como Onslaught, Predator, Survivor ou Siege fazem parte da lista dos modos de jogo que podem ser comprados à parte. Se bem me recordo o Resident Evil 6 teve a polémica de possuir vários conteúdos DLC já no disco, obrigando-nos a pagar por algo que já estaria pronto desde o primeiro dia. Isso não se faz Capcom!
Há aqui um grande foco pelo online, embora sinceramente eu não lhe ligue nenhum
No que diz respeito aos audiovisuais, acho este um bom jogo. A universidade e pequena cidade americana invadida por zombies está bem detalhada, e o mesmo pode ser dito dos outros cenários que vamos explorando, como o cemitérios sinistro e o seu sistema de cavernas, as bases submarinas, navios ou bairros chineses. Não tenho nada a apontar aos diálogos e a música é bastante épica e/ou tensa, mediante a situação.
Resident Evil 6 é um jogo que me surpreendeu pela positiva pela sua duração, embora ache que pudesse estar melhor fragmentado em níveis mais curtos. A jogabilidade mais voltada para a acção marca novamente o seu regresso e o foco no cooperativo também, tal como foi visto no Resident Evil 5. Mas felizmente, caso joguemos sozinhos, a inteligência artificial é muito melhor e revela-se bem mais útil para nos ajudar a varrer os inimigos, bem como não nos gasta as nossas munições.
Killzone Shadow Fall foi um dos jogos de lançamento da PS4, e tendo eu até gostado dos seus predecessores, não poderia falhar este jogo também. É um novo capítulo na série, 30 anos após os acontecimentos narrados nas prequelas, que culminaram com a destruição do planeta Helghan. A ISA decidiu então albergar os sobreviventes no seu planeta Vekta, dividindo-o a meio com uma muralha gigantesca. Naturalmente as tensões continuavam altas entre ambas as facções e eventualmente novos conflitos voltam a ocorrer. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide, algures no início do verão de 2016. Custou-me cerca de 12€ se bem me recordo.
Jogo com caixa e panfletos, já que manuais nesta geração são uma miragem.
Shadow Fall continua a tradição de um first person shooter futurista, mas com algumas novidades. Por um lado muito do armamento antigo volta a marcar cá a sua presença, embora com algumas modificações nas armas. Por outro temos o OWL, um pequeno drone que nos acompanha ao longo de practicamente todo o jogo e pode ser usado para nos auxiliar em várias circunstâncias. A função mais importante é a de ataque, onde o podemos mandar para um grupo de inimigos e o drone enfrenta-os por nós, o que nos pode ajudar bastante em manobras de distracção. Por outro lado temos de ter em conta que o OWL possui também uma barra de energia que vai sendo diminuída à medida que leva fogo inimigo. Quando se esvazia, o drone volta para nós e fica a recarregar em background. Isto também tem de ser tido em conta pois quando levamos com bastante dano e ficarmos incapacitados, o drone pode-nos ressuscitar se tivermos connosco algum medkit. No entanto, se o drone estiver a ser recarregado então nada podemos fazer e teremos de recomeçar do checkpoint.
Uma das outras funcionalidades que temos é a possibilidade de fazer um scan à area que nos rodeia, mostrando a posição dos inimigos e de alguns itens
O OWL pode também ser usado para outras funções, como as de disparar uma descarga electrostáctica, atarantando momentaneamente os inimigos. Isso é também útil para incapacitar temporariamente drones ou robots inimigos de nos atacarem, bem como a de destruir escudos. Outra das funções do OWL é a de criar precisamente um escudo para nos proteger do fogo inimigo, ou ser usado como gancho de forma a fazer slide para plataformas que estejam bem abaixo de nós. O drone pode ainda ser usado para interagir com computadores e outros terminais, seja para obter informação necessária para progredir no jogo, ou desactivar alarmes inimigos. Aliás, durante todo o jogo é notório que há toda uma atmosfera diferente em torno das missões. Enquanto que nos anteriores jogávamos num clima de guerra aberta e muitas das missões faziam parte de campanhas militares, onde até tinhamos a companhia de soldados NPCs, aqui a maior parte das missões são mais de infiltração, num ambiente bastante tenso entre as forças da ISA e os Helghast.
Neste jogo a história leva-nos a um ambiente de Guerra fria, onde a maior parte das missões são para prevenir conflitos maiores.
De resto a jogabilidade é a típica de um first person shooter, a Guerrilla Games não reinventou a roda e sinceramente nem era preciso. Existem alguns segmentos novos, como aquelas partes jogadas em pleno espaço e sem gravidade, ou a última missão, jogada com um outro protagonista que não a personagem principal, que possui uma jogabilidade completamente furtiva. Foi uma missão que me deixou com um sabor algo agridoce, pois por um lado não usamos o OWL, mas sim algumas habilidades furtivas, como a possibilidade de ficar temporariamente invisível (embora as câmaras de segurança nos consigam detector), ou a possibilidade de usar spider bots para precisamente destruir câmaras de segurança. A primeira parte da missão gostei bastante, mas a última foi um martírio para a completar. Quem jogou este Killzone provavelmente terá a mesma opinião que eu. Basicamente temos de percorrer uma cidade de forma completamente despercebida, evitar sermos descobertos por civis, militares ou câmaras de segurança e tudo dentro de um tempo limite de aproximadamente 3 minutos e meio. Até aí tudo bem, mas o mecanismo de camuflar não funciona tão bem assim e com os soldados 100% alertas torna o objectivo final bastante difícil. Se formos descobertos uma vez, muito dificilmente conseguiremos recuperar. Mas eventualmente lá consegui fazer o que era pretendido e terminei o jogo.
Existem várias variantes de jogo no multiplayer. Infelizmente é coisa que não tenho tempo para explorar
Temos também vários modos de multiplayer à disposição, embora sinceramente não tenha perdido nenhum tempo com eles. Pelo que entendi, para além de vários modos de jogo como o team deathmatch, variantes do capture the flag ou modos de conquista de objectivos, existem também várias classes com diferentes habilidades e afins. Para além disso existe um modo de jogo co-operativo na forma do DLC Intercept, que obviamente também não testei porque não o comprei. Pelo que investiguei é uma espécie de Left 4 Dead contra Hellghasts… De resto existem vários outros DLCs, alguns gratuitos, como mapas extra para o multiplayer, outros coisas inúteis como novas skins e afins, mas é o mercado que temos…
De resto, no ponto de vista audiovisual, Shadow Fall é um jogo naturalmente bastante competente. Quando os primeiros trailers foram revelados e mostraram aquelas cidades de Vekta tão imponentes e detalhadas, mostravam também o poder de processamento que a PS4 possuía. Acho que é um jogo com gráficos bem competentes, embora sinceramente acho que estamos a atingir um patamar tal, em que não vale a pena estar a focar demasiado nos gráficos, pois nos jogos AAA para estas consolas, se há coisa que os developers vão fazer bem, é precisamente todo o eye candy. E este Killzone a meu ver cumpre bem com o seu propósito. As músicas também vão sendo épicas como se quer e o voice acting parece-me competente. No entanto, sinceramente não achei que a história fosse tão boa assim. Talvez se me tivesse dado ao trabalho de procurar todos os coleccionáveis (comics, logs de texto e áudio, páginas de jornal, etc), talvez me conseguisse envolver mais na história. Assim já nem tanto, pois fiquei com a sensação que aquela relação entre o Kellan e o comandante Sinclair e o escalamento dos conflitos ficou muito forçada com o decorrer das coisas.
Graficamente é um jogo competente que mostra o poder da nova geração de consolas. Agora se era algo realmente necessário em 2013, bom, isso é outra história.
Posto isto, acho este Killzone Shadow Fall um FPS bem competente para quem for fã do género. Possui os seus altos e baixos, na minha opinião não é tão bom quanto os anteriores até porque os Helghast, aqueles space nazis que tão intimidadores eram nos jogos anteriores, não me pareceram tão ameaçadores assim neste jogo. Mas ainda assim é um jogo bastante competente e felizmente vai ser daqueles que certamente irá ser encontrado ao desbarato no futuro.
A Playstation 2 é uma consola que teve um sucesso comercial tremendo. E como todas as consolas que vendem assim tanto, têm um pouco de tudo, desde pérolas escondidas, grandes clássicos e jogos de lixo. Uma das coisas que mais gosto ao coleccionar na PS2 é precisamente descobrir algumas pequenas pérolas escondidas e tesourinhos deprimentes. No Japão há uma série de pequenos jogos budget chamada Simple 2000 series, com jogos de todos os géneros possíveis. Dessa série, foram lançados 123 jogos no Japão e alguns deles chegaram cá à Europa. E se por um lado aí também há muito jogo que não vale todo o packaging que foi usado para o criar, também há algumas entradas mais interessantes, como os Zombie Hunters que já cá trouxe. Este Street Boyz é um deles. O meu exemplar veio de uma loja de Matosinhos algures no verão deste ano. Acho que me custou 7.5€, bem mais do que o que eu normalmente estaria disposto a dar por um jogo deste género, mas acabei por o levar na mesma.
Jogo com caixa e manual.
Street Boyz é um beat ‘em up em 3D onde controlamos o jovem Shin que, numa disputa com o seu irmão mais novo, se vê preso. Na sua cela, encontra-se com outro arruaceiro de nome Ginji, que também foi preso sem saber muito bem o porquê. E o porquê parece ser que o Hell Black Heaven, o mais poderoso gangue do Japão, controla a polícia e ordenou a prisão de outros arruaceiros suficientemente fortes, para solidificar a posição do gangue no seu poder. O resto não é muito difícil de adivinhar, é pancadaria para tudo o que seja polícia e outros bandidos também! Começando por fugir da prisão, para depois explorar outros locais da cidade até encontrar o líder do gangue e fazer justiça.
Aqui tudo vale para andar à pancada!
É um jogo de porrada surpreendentemente competente, com um primitivo sistema de combos, e onde podemos pegar em qualquer item no ecrã e atirá-lo contra os nossos adversários, seja um caixote do lixo, uma cadeira, uma mesa ou mesmo um dos nossos adversários, tudo serve para dar pancada. Também podemos apanhar algumas armas brancas que dão sempre jeito. No final de cada nível podemos navegar num mapa da cidade e falar com outros rufias para obter informações, visitar lojas para comprar alguns itens, gravar o progresso no jogo e começar o nível seguinte. Juntamente connosco, anda sempre um NPC que nos ajuda (ou não) a distribuir pancada. Vamos fazendo novos amigos à medida que vamos progredindo no jogo e podemos depois fazer alguns golpes em conjunto, que são especialmente úteis para defrontar alguns bosses. Cada NPC possui diferentes estatísticas, uns possuem mais vida que outros, outros são mais fortes, etc. Podemos também equipá-los com alguns itens que compremos nas lojas para os deixar mais fortes nalguns campos. Nas lojas também podemos mudar completamente o look da personagem principal.
No final de cada nível temos sempre um boss. É importante saber defender para além de atacar.
Do ponto de vista técnico, nota-se a milhas que este é um jogo barato. As animações são deliciosas, como a maneira ridícula como o herói corre, ou a forma em como pega nos objectos (ou pessoas!) e os usa para bater nos inimigos são impagáveis! Para além disso os gráficos não são nada de especial, parecendo por vezes que estamos a jogar algo de Nintendo 64, tal é o pouco detalhe das personagens e dos níveis. Não existe qualquer voice acting, o diálogo é todo apresentado em texto. Por outro lado a banda sonora é na sua maior parte composta por músicas hard rock cheias de guitarradas, o que me agrada bastante.
Para mim, este Street Boyz é um daqueles jogos maus, mas que valem bem a pena serem jogados. É verdade que graficamente são muito pobrezinhos, mas a jogabilidade nem é má de todo, apesar de haverem alguns problemas com a inteligência artificial, principalmente a do nosso companheiro. Mas mesmo com esses defeitos, há ali qualquer coisa que me faz gostar do jogo, sem dúvida as bizarrices japonesas que aqui vemos!
Tempo de voltar à Playstation 2 para mais uma conversão de um clássico arcade. Tal como Virtua Cop, Time Crisis é outra das séries de ligthgun shooters mais populares da arcade. Mas ao contrário de Virtua Cop, Time Crisis felizmente tem vindo a ter muitas mais sequelas. Time Crisis 3 é mais um jogo da série a ter uma conversão para a PS2, e tal como vários outros jogos típicamente arcade da época, a Namco deu-se felizmente ao trabalho de incluir muito mais conteúdo na versão caseira. O meu exemplar já foi comprado há um ou dois anos na cash converters de Benfica. Não me lembro quanto custou mas certamente terá sido menos de 3€.
Jogo com caixa, manual e um pequeno catálogo de outros jogos da Namco para a PS2.
A história passa-se 6 anos depois dos acontecimentos de Time Crisis II, onde uma ilha fictícia de um país mediterrânico acaba sendo invadida por um outro país vizinho. E como tem sido habitual nos outros jogos desta série, nada como enviar uma dupla de agentes da V.S.S.E. para resolver um conflito armado internacional. Por acaso a sequência de níveis até tem a sua lógica e as coisas vão ficando bem encadeadas ao longo do jogo, desde a chegada à ilha pela praia, passando pela cidade, florestas e rios até chegar à base militar das forças invasoras, onde defrontaremos os bosses finais e tentar impedir que sejam lançados mísseis para destruir aquele país.
Não é muito habitual começarmos um jogo destes num dia todo solarengo e na praia
As mecânicas de jogo na sua essência são similares às dos Time Crisis que lhe antecederam. Existe um botão de cover que também serve para recarregar a arma, que nos deixa completamente em segurança enquanto estivermos abrigados. Mas para não se abusar disso, temos um tempo limite para completar as várias sequências de jogo e limpar todos os inimigos do ecrã. Temos então de ter em conta as balas que temos no revólver antes de recarregar, bem como os inimigos que vão surgindo no ecrã. Quando estamos prestes a ser atingidos, há uma espécie de clarão vermelho à volta do oponente durante uns milissegundos, mesmo para nos alertar que estamos prestes a levar um tiro. Existem no entanto outras armas e a principal mudança nas mecânicas de jogo está mesmo aí. Podemos ir alternando livremente entre a pistola, metralhadora automática, shotgun e lança granadas, sendo que apenas a pistola normal possui munições infinitas. As outras têm de ser arrancadas a ferro dos nossos inimigos, geralmente os soldados com armaduras amarelas têm munições. Ainda sobre os soldados inimigos, alguns possuem uma barra de vida, pelo que temos de ter também isso em conta.
Cada jogador vai assumindo posições diferentes no ecrã, o que quer dizer que no multiplayer as experiências vão ser ligeiramente diferentes.
O fluxo do jogo é bastante dinâmico e cinemático. Acho que a Namco está de parabéns pela forma como foi apresentando as sequências, sempre cheias de acção e coisas novas a acontecer, como um barco a afundar-se, ou um comboio prestes a cair de uma ponte, obrigando-nos a lutar pela sobrevivência. A dinâmica de termos o segundo jogador (ou CPU) a tomar posições diferentes nos cenários e termos de lhe dar fogo de cobertura e vice-versa está novamente aqui presente. Isso implica que, no caso de jogarmos o modo multiplayer com um amigo, cada jogador vai ter uma experiência ligeiramente diferente. Falando do multiplayer, para além de suportar multiplayer em split screen, este é um dos poucos jogos que aceita a possibilidade de jogar em 2 televisões diferentes, com recurso a um cabo especial que liga 2 Playstation 2.
De resto, para além do modo arcade que pode ser concluído em cerca de uma hora se formos bons nisso (ou tivermos continues ilimitados), a versão Playstation 2 deste Time Crisis traz ainda outros modos de jogo. Um deles são as Rescue Missions de Alicia Winston, personagem não jogável no modo arcade, mas central na história. Aqui jogamos uma side story inteiramente protagonizada por ela, com jogabilidade idêntica à versão arcade, ocasionalmente com alguns segmentos de sniper shooting, que me fazem lembrar bastante a série Silent Scope. Depois temos também as Crisis Missions, pequenas missões com objectivos definidos, tal como apareceram também no Time Crisis II.
A escolha de cenários tipicamente mediterrâneos é algo incomum, mas agradável
Graficamente é um jogo muito bem conseguido para a altura, com gráficos bem detalhados, e cenários variados. A pequena cidade mediterrânica está muito bem detalhada, conseguiram mesmo capturar o feeling típico dessa zona. Depois os cenários vão sendo destrutíveis, desde os objectos que podemos partir, aos veículos que podemos explodir, ou mesmo às marcas das balas deixadas nas paredes ou rochas. No que diz respeito ao audio, as músicas são cativantes, bastante épicas e orquestradas, representando bem a magnitude de todo o caos que vemos no ecrã. O voice acting não é brilhante, nem precisa de o ser, mas cumpre bem o seu papel.
No fim de contas temos aqui um light gun shooter muito sólido. Talvez o melhor de todos os que joguei até agora na PS2, faltando-me ainda o Crisis Zone desta série em específico. Mas não há-de estar para muito longe esse eventual novo artigo.