Alien Hominid (Sony Playstation 2)

Vamos agora voltar à Playstation 2 para um jogo muito curioso. Surgindo originalmente em 2002 no site Newgrounds como um pequeno jogo baseado na tecnologia Flash (lembram-se??), esse pequeno jogo acabou por ser um sucesso tremendo, tendo sido jogado várias milhões de vezes. Então a dupla que criou essa versão original acabou mais tarde por arriscar e criar um título mais completo, tendo-o convertido para todas as consolas domésticas daquela geração (embora a versão GC se tenha mantido como um exclusivo norte-americano) mais uma versão GBA, produzida por um estúdio diferente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Março do ano passado, tendo custado uns 10€.

Jogo com caixa e manual

Mas então o que é mesmo este Alien Hominid, para além de ter como suas origens um jogo flash? É um run-and-gun muito semelhante a nível de mecânicas a títulos como o Metal Slug, mas onde controlamos um pequeno extraterrestre cuja nave é atingida por um míssil assim que se aproxima do nosso planeta e ele só quer é voltar à sua vida, mas o FBI, exército vermelho e exército norte-americano não o deixam!

O que não faltam aqui são diferentes habilidades que poderemos desencadear!

Esperem então por um jogo de acção frenético e com visuais muito particulares, com uma direcção artística muito própria daqueles jogos flash dessa época. A nível de controlos, estes são explicados logo antes de começarmos a aventura, mas o direccional controla a personagem, X salta, o quadrado ataca, triângulo é usado para entrar/sair de veículos, os L1/R1 para evadir para a esquerda ou direita e o círculo para atirar granadas (estas disponíveis em números limitados). Existem no entanto muitas mais manobras que poderemos fazer, como nos enterrarmos temporariamente na terra e assim evadir de fogo inimigo, podendo inclusivamente matar alguns inimigos mais fracos a partir do chão. Outra técnica que poderemos fazer é a de saltar para cima de alguns desses inimigos mais básicos e controlá-los, podendo a qualquer momento comer-lhes a cabeça com o botão de ataque. A nossa arma principal possui munições ilimitadas, sendo que se mantivermos o botão de ataque pressionado durante alguns segundos conseguimos disparar uma bola de energia bem mais destrutiva! Existem também toda uma série de power ups a apanhar, desde diferentes armas ou escudos.

Tal como no Metal Slug, também podemos controlar alguns veículos

Apesar de não ser tão bom quanto os Metal Slugs, este é um shooter bastante divertido e os níveis até vão tendo bastante variedade nos seus desafios. Por exemplo, logo no segundo nível jogamos numa auto estrada onde teremos de saltar de carro em carro enquanto somos atacados por todos os lados, há outro segmento onde controlamos um pequeno disco voador e podemos sugar e atirar os inimigos para uma máquina picadora gigante e os últimos níveis dos mundos 1 e 2 até assumem algumas mecânicas de shmup, pois são todos combates aéreos/espaciais onde controlamos uma nave. E claro, o jogo vai tendo toda uma série de bosses e mini bosses, todos distintos entre si.

Confesso que inicialmente não gostei muito da arte deste jogo, mas acabou por crescer em mim

De resto, para além de poder ser jogado em multiplayer cooperativo, o jogo tem também toda uma série de desbloqueáveis, como diferentes chapéus que poderemos desbloquear para as personagens, bem como uns quantos mini-jogos. Os PDA Games já vêm desbloqueados desde o início e são um conjunto de níveis de plataformas monocromáticos, um pouco a simular o Game Boy original talvez. O modo challenge é uma espécie de score attack para certos desafios, o Super Soviet Missile Mastar já é um jogo com gráficos de Atari 2600 onde controlamos um míssil soviético e o objectivo é o de controlar durante a maior distância possível, sem colidir com nenhum outro objecto. O Neutron Ball é uma mini jogo de desporto e por fim temos o Piñata Boss que é uma espécie de boss rush, onde para além dos bosses vemos uma piñata voadora e o objectivo é o de sobreviver, atacar a piñata e apanhar o máximo número de doces possível. Basicamente qualquer um destes modos de jogo poderia ser um mini jogo flash!

O que não falta aqui é conteúdo de bónus ou desbloqueável

A nível audiovisual este é um jogo muito simples, porém com uma direcção artística fora do comum, pelo menos no que estaríamos habituados a ver nas consolas naquela época. Sim, o jogo tem mesmo um aspecto de jogo flash, mas ao mesmo tempo a direcção artística até que resulta bem e vamos tendo também alguns momentos de bom humor nos cenários de fundo. Estes que vão variando entre zonas urbanas (primeiro mundo), o interior da Rússia (segundo mundo) e uma base secreta norte americana em Roswell. As músicas são também bastante diversificadas nos seus géneros, pelo que a banda sonora até que tem alguns momentos agradáveis.

Posto isto, este Alien Hominid até que foi uma boa surpresa, particularmente para quem gostar de títulos como Contra ou Metal Slug. Aliás, em relação a este último as referências são bastante notórias, desde possibilidade de conduzir veículos, o facto de termos um ataque melee quando atacamos alguém a curta distância, ou até a maneira em como obtemos os power ups é bastante semelhante. Para além destas versões PS2, Xbox e GC, existe também uma versão para a Game Boy Advance que supostamente é também bastante bem conseguida. Nos anos seguintes foram também sendo relançados alguns remasters em HD para sistemas mais modernos.

NeoGeo Battle Coliseum (Sony Playstation 2)

Tempo de voltar à Playstation 2 para mais um jogo da SNK convertido para este sistema. Seguindo o King of Fighters Neowave, a SNK Playmore continuou a apostar no sistema Atomiswave da Sammy (que por sua vez é baseado no sistema Naomi/Dreamcast da Sega) para produzir vários títulos arcade, com este NeoGeo Battle Coliseum a ser um desses casos. Sinceramente já não me recordo quando e onde comprei o meu exemplar, mas terá sido seguramente barato.

Jogo com caixa e manual

Ora este é então mais um jogo de luta em 2D repleto de personagens da SNK, sim, ainda mais que a saga King of Fighters que para além de possuir os seus personagens próprios, sempre incluiu personagens de séries como Fatal Fury, Art of Fighting, Ikari Warriors ou Athena. Aqui para além de muitas caras já conhecidas por essas bandas, temos ainda personagens da saga Samurai Shodown, The Last Blade, World Heroes, Metal Slug, Savage Reign ou até do King of Monsters! Mesmo no caso de séries habituais, algumas personagens foram retiradas de títulos mais incomuns como é o caso do Mark of the Wolves (Fatal Fury), ou a versão do Ryo Sakazaki ser a do Buriki One, um jogo 3D do malfadado Hyper Neo Geo 64, na sua persona de Mr. Karate II.

Para além de personagens de todas as séries já mencionadas, a SNK criou ainda duas novas

Em relação ao jogo em si, este possui combates em formato tag team com equipas de 2 jogadores e onde poderemos alternar entre a personagem activa a qualquer momento, com aquela que ficar em standby a recuperar alguma vida passado alguns segundos. O esquema de controlo básico remete-nos para os botões faciais a servirem para socos e pontapés, fracos ou fortes, com o L1 a servir para provocar o nosso oponente e o R1 para trocar de parceiro, sendo no entanto possível desencadear toda uma série de golpes especiais, muitos deles que necessitam da barra de special que se vai enchendo à medida que distribuímos pancada. Um pormenor interessante nesse departamento são os ataques double assault, que usam ambas as personagens da nossa equipa em simultâneo para desferir um ataque poderoso. No caso de algumas equipas específicas (Kyo e Iori ou Haohmaru e Genjuro, por exemplo), teremos acesso a alguns golpes especiais adicionais deste género!

É um pouco estranho ver o Marco representado desta forma, mas os seus specials valem a pena!

No que diz respeito aos modos de jogo, podem contar aqui com um modo arcade, versus para 2 jogadores, modo tag, survival challenge e um modo treino. O modo arcade é, no entanto um pouco diferente do que estava à espera. Basicamente o conceito é o seguinte, durante 300s teremos de derrotar o máximo de oponentes possível. No fim desse tempo, mediante a nossa performance, iremos enfrentar um de 4 bosses distintos. Cada combate (com a excepção do último) é composto com equipas de 2 contra 2, mas apenas temos de derrotar apenas um dos membros da equipa para avançar para a fase seguinte. Ao fim de 3 lutas, muda o cenário, onde antes que isso aconteça poderemos também escolher um de 3 bónus disponíveis, seja dar-nos mais tempo extra, recuperar alguma vida ou a barra de special. O modo de jogo Tag é um pouco mais parecido ao modo arcade mais tradicional, onde temos um tempo limite mais apertado, somos obrigados a derrotar ambos os membros da dupla adversária e cada combate decorre numa arena distinta. O modo survival é um desafio onde teremos de derrotar o máximo de duplas de oponentes possível, até que ambas as nossas personagens sejam derrotadas. Por fim o modo practice dispensa apresentações pois é onde todas as técnicas podem ser aprendidas e practicadas.

Apesar de no geral eu gostar mais do pixel art dos clássicos de Neo Geo, os cenários neste jogo ficaram bem melhor conseguidos que no KOF Neowave

A nível audiovisual este é um jogo que me agrada mais que o KOF Neowave, particularmente as suas arenas. Aqui estas estão bem detalhadas, bem mais polidas do que o hardware da Neo Geo poderia fazer e mesmo assim mantém um feeling mais 2D, em linha com os jogos de luta tradicionais da SNK. Mas claro, continuo a preferir de longe uns visuais mais pixel art, mas isso é uma mera opção pessoal. E isso é o que acontece com as sprites dos lutadores, que são extremamente bem animadas e detalhadas como é habitual na SNK. No entanto, as mesmas continuam a ter um aspecto muito Neo Geo (o que é bom!) mas tal continua a destoar um pouco com os cenários mais realistas. Pontos bónus no entanto para todas as outras personagens SNK que vão surgindo em plano de fundo! Já a nível de som, nada de especial a apontar aos efeitos gráficos e vozes digitalizadas, que continuam óptimos. A banda sonora também me soou de forma agradável enquanto joguei, possuindo uma boa variedade de estilos.

Kudos para as referências a outras personagens!

Portanto este NeoGeo Battle Coliseum até que é um jogo de luta bastante agradável, apesar do seu modo arcade possuir mecânicas não lá muito convencionais. Foi interessante ver algumas personagens de outras séries aqui representadas, com pontos extra para as do Metal Slug, cujas sprites foram inteiramente redesenhadas para terem as mesmas proporções dos restantes lutadores. A SNK ainda lançou mais uns quantos títulos na Atomiswave, felizmente todos com conversões para a PS2 ou outros sistemas, incluíndo o KOF XI que sai inclusivamente no mesmo ano que este. Curioso em ver!

Rule of Rose (Sony Playstation 2)

Há uns meses atrás fui desafiado pelos meus colegas do podcast The Games Tome na nossa rubrica Backlog Battlers para jogar o Rule of Rose, um survival horror da PS2 que ficou infame pelas alegações de conter conteúdo de violência e erotismo infantil, o que fez soar toda uma série de alarmes antes do seu lançamento, levando a que o jogo acabasse mesmo por ser banido no Reino Unido pouco depois do seu lançamento. Isso tornou as versões britânicas do jogo bastante raras e toda essa infame história acaba também por se alastrar às restantes versões europeias do jogo, cujo preço também tem vindo a subir em flecha nos anos seguintes. A minha versão (francesa) foi comprada na vinted algures em Maio deste ano. Ficou-me por cerca de 50€, depois de ter lá vendido umas quantas coisas repetidas. Poderão assistir ao vídeo onde falo um pouco deste jogo aqui:

Bom, é difícil escrever sobre a história deste jogo visto ser tão única e por vezes algo desconcertante, mas digamos que anda à volta da jovem Jennifer e dos sádicos colegas do orfanato onde cresceu. Estes formaram um clube aristrocático com vários rankings sociais onde practicamente toda a gente é nobreza excepto a Amanda por ser gordinha e claro, a Jennifer, que está no fundo da escada social e é frequentemente vítima de bullying e humilhações por parte dos seus colegas. O clube aristrocático tem também uma série de regras, onde uma vez por mês os seus membros devem procurar um certo objecto para oferecer ao clube e a primeira vez que temos de o fazer é uma borboleta. Bom, digamos então que o jogo irá estar dividido ao longo de vários capítulos que decorrem ao longo de vários meses do ano de 1930 e é frequente a narrativa andar para trás e para a frente no tempo. Cada capítulo tem um certo tema, muitos deles inspirados nos contos clássicos dos irmãos Grimm e à medida que vamos jogando vamos descortinando um pouco mais do que se passa naquela sociedade insana e o passado de Jennifer.

Jogo com caixa e manual

Curiosamente achava que o jogo se passaria todo no orfanato, mas a maior parte da história é mesmo passada a bordo de um grande dirigível, onde o orfanato foi convidado a fazer parte da sua viagem inaugural. A jogabilidade é então a típica de um survival horror desta geração, onde teremos de explorar muito bem os cenários à nossa volta, encontrar chaves que nos desbloqueiem certas zonas, interagir ocasionalmente com outras personagens e claro, combater criaturas macabras. A parte da exploração é toda ela enriquecida com o facto de desde cedo encontrarmos o Brown, um cão da raça labrador que nos irá acompanhar ao longo de practicamente todo o jogo e a sua ajuda será precisosa. Isto porque os cães têm um excelente sentido de faro e para resolver muitos dos puzzles que envolvam tarefas do género “encontra a pessoa X ou o objecto Y” teremos de obrigar o cão a farejar um objecto que lhes esteja relacionado e depois apenas temos de o seguir pelos cenários até que este encontre o seu alvo. Estas mecânicas de jogo podem também serem utilizadas para encontrar toda uma série de objectos secretos, desde comida que nos regenere vida, coleccionáveis e muitos outros itens que poderão posteriormente serem trocados na sede do clube e que nos desbloquearão algum conteúdo extra, como armas poderosas ou roupas alternativas.

O pior deste jogo é mesmo o combate que não é nada bom. Felizmente são poucos os momentos onde somos mesmo obrigados a fazê-lo!

Infelizmente no entanto o combate não é o melhor. Também tal como muitos survival horrors desta época para atacar é necessário entrarmos numa postura de ataque (R1), para depois pressionar o botão de acção para atacar (X). Infelizmente no entanto, Jennifer é uma jovem rapariga, pelo que os seus ataques não são lá muito fortes. Mas o pior é mesmo quando entramos num postura de ataque ficamos completamente trancados no movimento, sendo impossível corrigir a nossa direcção (caso os ataques falhem o alvo) a menos que entremos novamente na postura normal, corrigir posição e activar a postura de ataque novamente. Ora enquanto fazemos isto seguramente já sofremos dano e como devem calcular os itens regenerativos não são tão abundantes assim (na verdade até podem ser se utilizarmos o Brown para os procurar regularmente). Para além disso, o próprio Brown nos pode ajudar no combate. Não podemos ordená-lo para atacar algum inimigo (como acontece no Haunting Ground por exemplo), mas o cão poderá morder e segurar temporariamente algum inimigo para nos dar mais algum espaço. Mas o cão não é invencível e se sofrer demasiado dano fica inanimado, onde teremos de lhe dar algum item regenerativo também (comida de cão) e esses sim, são mais raros. Ora tudo isto resultou no seguinte: apenas lutei quando a isso era mesmo obrigado, até porque quando não somos, os inimigos tipicamente fazem respawn constante, então acaba por ser bem mais proveitoso fugir.

O nosso companheiro Brown pode ser usado para procurar itens escondidos ao longo do jogo, muitos deles que nos darão acesso a alguns extras

A nível audiovisual este é no entanto um jogo muito interessante. Apesar da originalidade de grande parte do jogo se passar a bordo de um dirigível, também peca por os cenários aí não serem tão variados quanto isso. As criaturas estranhas que nos atacam não são propriamente assustadoras, mas todo o jogo tem uma atmosfera pesada, com cenários escuros acompanhados de uma música ambiental repleta de suaves, porém bastante melancólicas e por vezes sinistras, melodias de piano e/ou violino, o que acaba por resultar muito bem até tendo em conta que o jogo se passa em 1930. A acompanhar tudo isto vamos ter também algumas cut-scenes CGI muito boas para a época e repletas de cenas algo perturbadoras!

Foi por cenas como esta que o jogo acabou por ser banido nalguns locais

Portanto este Rule of Rose acaba por ser um jogo bastante interessante, com uma componente visual forte e muito bem definida pela Punchline que, com um catálogo de jogos bem reduzido antes de produzirem este Rule of Rose, conseguiram criar um jogo bem interessante, apesar dos seus defeitos. O maior defeito para mim é o sistema de combate e se calhar fiquei também um pouco decepcionado por todo o hype que se gerou em volta do jogo e do seu cancelamento no Reino Unido. Consigo entender bem o porquê de alguns alarmes terem soado na Europa em 2006, mas apesar de perturbador, o jogo não tem nada que seja verdadeiramente escandaloso e que justificasse o seu banimento no UK.

Yakuza Fury (Sony Playstation 2)

Vamos voltar à Playstation 2 para mais um daqueles títulos baratos que a 505 Games (nesta altura ainda conhecida por 505 Gamestreet) trouxe do Japão para cá. Lançado originalmente no Japão sob a colecção de títulos budget Simple Series 2000, este Yakuza Fury é um beat ‘em up que surpreendentemente até traz alguns conceitos interessantes, embora seja naturalmente um jogo muito simples nos seus visuais e mecânicas de jogo. O meu exemplar sinceramente já não me recordo como veio cá parar à colecção mas creio que veio de uma feira de velharias e a um preço barato.

Jogo com caixa, manual e papelada. A capa é só um bocadinho ridícula.

O jogo coloca-nos no papel de Asuka Ryou, um recém recrutado membro de um poderoso clã de Yakuza, cujo entra rapidamente em declínio após o seu líder ter sido assassinado por uma facção rival. Quaisquer semelhanças entre Asuka Kyou e Kazuma Kiryu são mera coincidência (ou será?) pois ambos os títulos saíram no mesmo ano, com este Yakuza Fury a ser lançado uns bons meses antes que o primeiro jogo da conhecida saga da Sega.

Quaisquer semelhanças com o Kazuma Kiryu são mera coincidência. Ou não, mesmo este jogo tendo saído uns meses antes que o primeiro Yakuza.

O primeiro impacto que o jogo nos causa é que é francamente mau, pois Asuka move-se lentamente e o sistema de combate também não é o mais fluído de todos. Mas se aguentarmos essa pancada inicial e sobrevivermos até ao segundo capítulo, rapidamente vemos que as coisas podem ficar bem mais toleráveis. Isto porque ganhamos acesso a uma loja onde poderemos comprar novas roupas, armas ou acessórios que não só melhoram a nossa agilidade ou outros stats, mas também nos poderão desbloquear uma série de habilidades novas. O jogo está então dividido em duas fases distintas: a de exploração, onde temos uma pequena parte da cidade para explorar livremente, falar com NPCs e visitar a tal loja que referi acima, ou os níveis de beat ‘em up propriamente ditos. Mesmo durante as fases de exploração poderemos andar à pancada com alguns bandidos que nos atacam, o que serve bem para ir amealhando dinheiro. Temos é de estar atentos à nossa barra de vida, visto que os itens regenerativos não são abundantes. Para avançar no jogo lá teremos de ir falando com todos os NPCs e ir visitando todos os locais possíveis (tipicamente a sede do nosso clã) para que um evento aconteça e que nos leve ao nível de beat ‘em up propriamente dito onde no final temos sempre um boss para defrontar.

Cada special que executamos é precedido por uma brilhante animação como esta. Craptastic!

No que diz respeito aos controlos, o quadrado é o principal botão de ataque, podendo desencadear combo de 3 golpes consecutivos, enquanto que o círculo serve para equipar/guardar alguma arma que tenhamos comprado/apanhado. No canto superior esquerdo, para além da nossa barra de vida vemos uma barra de specials que vai enchendo à medida em que vamos distribuindo pancada e pode ir até um máximo de 3 níveis. Essa barra serve para desencadear uma série de specials com o botão triângulo (ou em conjunto com o R caso tenhamos acesso a mais habilidades). O special com que começamos faz com que todos os inimigos à nossa volta sejam afastados por uma onda de choque e recebam algum dano, mas mediante as roupas/acessórios que tenhamos equipado, poderemos vir a ter acesso a mais habilidades. O que o botão X faz está também directamente relacionado com as roupas que tenhamos equipado no momento, pois pode-nos permitir executar alguns golpes especiais como pontapés rotativos, ataques em corrida ou throws. As roupas e acessórios que podemos comprar são bastante diversas e convém mesmo estarmos atentos às melhorias que cada peça nos dá, por mais ridícula que a nossa personagem no final ficar.

Mesmo ao vaguear pelas ruas da cidade iremos encontrar bandidos para andar À porrada. Devemos é evitar atingir NPCs se queremos chegar a um bom final.

Outro dos aspectos interessantes deste jogo é a sua não-linearidade. Mediante a nossa performance, e por isto entenda-se sistema de honra, a história poderá-se desenrolar de maneiras completamente distintas, assim como os diferentes níveis de beat ‘em up que teremos acesso. O sistema de honra é simples: nas áreas de exploração não devemos atacar os NPCs, mesmo que eles nos digam coisas estúpidas e no que diz respeito às armas… bom, devemos evitar utilizá-las de todo, principalmente se atacarmos inimigos que não estejam armados. As armas de fogo são especialmente poderosas neste jogo, podendo dizimar qualquer boss em segundos, mas se abusarmos na sua utilização rapidamente chegamos ao pior final, que não nos dá acesso a practicamente nada. Existem então 7 finais ao todo para alcançar, sendo que o melhor final nunca pode ser atingido logo na primeira tentativa. Para além disso, ao alcançar qualquer final que não seja o pior, desbloqueamos um outro modo de jogo: o Double Justice. Este é um modo arcade que pode ser jogado por 2 jogadores e onde poderemos vir a desbloquear uma série de personagens jogáveis neste modo apenas.

A loja que podemos visitar permite-nos comprar armas, mas também várias peças de roupa, acessórios ou penteados! Muitos destes conferem-nos habilidades adicionais ou fortalecem-nos de alguma forma, mesmo que pareçamos ridículos no final.

Passando para os audiovisuais… bom, é bem visível o facto deste ser um jogo de orçamento (e preço!) reduzido, pois os gráficos não são nada de especial, especialmente os cenários que possuem muito pouco detalhe gráfico no geral. As personagens são um pouco melhor detalhadas e acho engraçado o aspecto completamente ridículo que a nossa personagem pode ter mediante as peças de roupa que escolhermos. As músicas não são más de todo, já os efeitos sonoros é que não são grande coisa. A versão original japonesa possui voice acting que infelizmente não está aqui presente. Sinceramente não vejo motivo para a 505 o ter retirado, mas foi certamente decisão deles.

Portanto este Yakuza Fury está longe de ser um bom jogo (a começar logo pela capa!), mas confesso que até tem algumas ideias engraçadas e o facto de ser não linear e possuir tantas ramificações distintas até foi uma boa ideia para lhe dar alguma longevidade.

Yakuza 3 (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Tem-me sabido muito bem recuperar o tempo perdido com a série Yakuza, tendo agora terminado este Yakuza 3, lançado originalmente originalmente em 2009 para a PS3 no Japão e no ano seguinte no resto do mundo. Já tenho o meu exemplar da PS3 há uns valentes anos, comprado em Janeiro de 2013 numa Mediamarkt por cerca de 20€. Pouco tempo depois dessa compra fui viver e trabalhar para Lisboa, pelo que talvez tenha sido essa a razão pela qual não comecei logo esse jogo. Entretanto a Sega lançou os Yakuza 0 e Kiwamis pelo que fiquei algo dividido entre apostar directamente no Yakuza 3 ou voltar atrás à prequela e jogar novamente os remakes, decisão que tomei finalmente no final do ano passado. Entretanto a Sega lança também uma compilação dos Yakuza 3, 4 e 5 nas suas versões Remastered para a Playstation 4, algo que eu comprei em pre-order (a minha primeira em vários anos!) e foi essa versão para a PS4 que efectivamente joguei.

Jogo completo com caixa, manual, papelada, CD com a banda sonora e um código para resgatar alguns DLC que a edição inicial norte americana não incluía

O jogo decorre uns dois anos após os acontecimentos do Yakuza 2, onde Kiryu Kazuma se retira da clã de Tojo, após entregar a “pasta” ao Daigo Dojima e assegurar que Majima o apoia para deixar o clã em boas mãos. Kiryu muda-se então para Okinawa, onde toma conta de um orfanato para ajudar aquelas crianças desafortunadas. Tudo corria às mil maravilhas, tirando o ocasional drama causado por tanta criança junta, até que a certa altura o governo japonês decide investir em dois mega projectos para as ilhas de Okinawa: uma nova base militar em conjunto com os EUA que iria albergar um novo super sistema de defesa aérea e um luxuoso resort de férias. O problema? O orfanato de Kiryu está na localização desse futuro resort, pelo que este começa a ser pressionado para o abandonar. Existe um interesse financeiro de muitos milhões que naturalmente desperta o interesse de organizações mafiosas, tanto de Okinawa, como do próprio clã de Tojo. Daigo Dojima, pelo respeito que tem com Kiryu, decide não perseguir esses interesses financeiros, mas acaba por ser alvejado por uma entidade desconhecida. E o mesmo acontece com o líder de um clã da Yakuza de Okinawa, com o qual Kiryu tinha acabado de travar uma certa amizade. Está então lançada mais uma trama, onde iremos explorar uma pequena zona urbana de Okinawa e uma vez mais a região de Kamurocho em Tokyo para desvendar quem está por detrás de ambos os atentados.

Edição limitada da remastered collection com sleeve exterior de cartão, caixa de cartão desdobrável com uma arte interessante, um pequeno manual, autocolante e uma caixa vazia do Yakuza 5 para a PS3, cujo lançamento físico ocidental nunca se concretizou.

A nível de mecânicas de jogo confesso que foi um pouco estranho pegar neste Yakuza 3. Isto porque eu já vinha habituado a um sistema de combate mais fluído e alguns outros pequenos detalhes de melhoria de qualidade de vida que foram introduzidos nos Yakuza 0 e Kiwamis, como por exemplo a falta de um botão que nos levasse directamente a consultar o mapa da zona que estivéssemos a explorar no momento, ou o facto de termos menos save points. Mas na verdade, tirando uma ou outra mecânica que irei detalhar em seguida, não há assim tanta coisa que muda nas mecânicas de base. Continua a ser um jogo de exploração em mundo aberto em áreas urbanas com combates aleatórios nas ruas, muitas sidequests e conteúdo opcional para explorar se assim o quisermos. Tal como no Yakuza 2/Kiwami 2, não existem múltiplos estilos de luta para alternarmos com 4 categorias distintas a poderem ser evoluídas com pontos de experiência e que nos irão aumentar as barras de vida ou heat (a que nos permite fazer specials), melhorar certos atributos físicos ou aprender novos golpes. A experiência é ganha com combates, comer em restaurantes, ou ao completar sidequests e outros desafios opcionais, como os combates no coliseu, assim que o desbloquearmos.

A história anda à volta de Kiryu e o orfanato que gere em Okinawa que está em perigo de deixar de existir

Uma das mecânicas novas aqui introduzida são as perseguições. Durante várias alturas iremos ter de perseguir algum oponente pelas ruas de Kamurocho, onde teremos de ter cuidado com as outras pessoas ou objectos na rua, pois se colidirmos com eles perdemos segundos preciosos. Teremos também de ter em atenção ao nosso nível de fadiga, que também baixa sempre que colidimos contra alguma coisa ou alguém. De resto contem com imenso conteúdo adicional, como vários mestres espalhados pelo jogo que nos irão ajudar a aprender novas técnicas, podemos ir às arcades jogar qualquer coisa (embora infelizmente sem nenhum jogo clássico da Sega), jogar casino, mahjong, shogi e outros jogos tradicionais ou até pescar em Okinawa! E claro, podemos também engatar hostesses em bares, fazer massagens duvidosas ou até treinar algumas hostesses num clube em Okinawa. Uma versão bem mais aborrecida do que o mini jogo dos Cabaret que a Sega viria a introduzir mais tarde, diga-se de passagem.

Como se já não houvessem distracções que cheguem, alguns dos novos mini jogos consistem no golf e pesca

O lançamento original do Yakuza 3 no ocidente causou alguma polémica pois foi-lhe retirado imenso conteúdo pela equipa responsável pela sua localização para o ocidente, nomeadamente várias sidequests e mini jogos, nestes últimos incluiu-se o mahjong, shogi, as massagens e um jogo arcade chamado Answer X Answer, uma réplica dos quizz games que os japoneses por algum motivo gostam. De certa forma entende-se terem retirado alguns desses mini jogos, pois mahjong e shogi são intrisecamente asiáticos e têm pouca relevância no ocidente, mas visto que os jogos anteriores na PS2 os tinham, poderiam perfeitamente terem sido incluídos na mesma. O dos quizz também se entende pois as questões provavelmente apenas fariam sentido para o público japonês e seria algo difícil de localizar, até porque se as questões fossem mais genéricas de cultura ocidental saía um pouco do contexto. Já as massagens e sidequests achei uma decisão estúpida. Ainda houve mais conteúdo cortado, como as Haruka Requests e modos de jogo adicionais, que acabaram por ser reintroduzidos através de DLCs gratuitos. Já a versão remastered para a PS4 inclui todo esse conteúdo cortado, excepto o jogo dos quizz (que também não existe na versão remastered japonesa) e algumas sidequests novas. A excepção está no entanto num conjunto reduzido de sidequests que envolviam uma mulher trans que perseguia o Kiryu em situações hilariantes e essas foram cortadas nas versões remastered (em todos os territórios) devido ao tema ser algo sensível nos dias que correm. Sinceramente tenho pena que o tenham feito, mas compreendo. Outras das diferenças em relação ao lançamento original está nas hostesses que foram alteradas, visto que as do lançamento original eram baseadas em pessoas reais que tinham licenciado a sua imagem para o efeito.

É sempre um prazer explorar Kamurocho!

A nível visual, bom, suponho que para um jogo de PS3 esteja ok? Este foi outro dos impactos que senti ao pegar neste jogo depois de ter jogado o Yakuza Kiwami 2, que por sua vez utilizava o mesmo motor gráfico do Yakuza 6 e aí já se sentia um feeling bem mais next-gen quando comparado aos lançamentos anteriores. Quer isto dizer, quando comparado com esses jogos, o Yakuza 3 Remastered vai parecer pouco polido, com personagens e cenários com menos polígonos, texturas mais simples e piores efeitos de luz. Mas sinceramente ao fim de algum tempo lá me habituei e acabou por não fazer assim tanta diferença. O Yakuza 0, por exemplo, é um jogo cross-gen que sai tanto na PS3 (no Japão apenas) como na PS4 e restantes sistemas contemporâneos e já aí se notava que as personagens genéricas tinham um detalhe gráfico bem abaixo das principais. Aqui é practicamente a mesma coisa, embora as personagens principais não estejam muito melhores que as genéricas. A nível gráfico, este remaster a única coisa que faz é o upscale para a resolução 1080p e pouco mais. De resto, a banda sonora, apesar de agradável, pareceu-me um pouco mais contida que a banda sonora do Yakuza 0 e Kiwamis. Aqueles temas mais rock que ouvimos principalmente durante as batalhas são menos pujantes. Já a nível de som, absolutamente nada a apontar, pois o voice acting é inteiramente em japonês e pareceu-me bastante convincente.

As hostesses são diferentes da versão PS3 por questões de licenciamento das suas imagens

Portanto, e apesar deste ter sido o Yakuza que menos gostei de jogar até agora, continua a ser um excelente jogo, com uma narrativa empolgante e que dá muitas voltas e uma jogabilidade que já se começa a tornar familiar. Acredito que o impacto de ter jogado o Yakuza 3 na Playstation 3 na altura do seu lançamento tenha sido bem melhor, mas o facto de essa localização para o ocidente ter muito conteúdo cortado acaba por ser um factor determinante para jogar antes esta versão remastered que restaura muito desse conteúdo cortado.