Phantasy Star Portable (Sony Playstation Portable)

Phantasy Star PortableUltimamente tenho voltado a explorar a saga Phantasy Star, essencialmente o story arch de Phantasy Star Universe que nunca tinha jogado antes. Não contando com os spin offs Phantasy Star Gaiden e Adventure, exclusivos da Game Gear para o mercado japonês, Phantasy Star Portable foi o primeiro “grande” jogo da série especialmente para as consolas portáteis, trazendo consigo grande parte das mecânicas de jogo introduzidas em Phantasy Star Universe. A minha cópia foi adquirida na loja portuense TVGames, não me tendo custado mais de 7€, se a memória não me falha. Infelizmente é uma versão “Essentials”, mas pelo preço não me pareceu mau negócio.

Phantasy Star Portable - Sony Playstation Portable
Jogo completo com caixa e manual – versão Essentials

A história de Phantasy Star Portable serve de ponte entre Phantasy Star Universe e a sua expansão Ambition of the Illuminus, introduzindo algumas personagens que mais tarde iriam  surgir na expansão, como a instrutora dos GUARDIANs Laia Martinez, a vilã Helga ou a CAST topo de gama Vivienne. Encarnamos então num herói criado à nossa medida, algum tempo após o primeiro ataque SEED, logo na altura em que “graduamos” de trainee GUARDIAN para o cargo em si. Com essa graduação ficamos também responsáveis por treinar Vivienne, uma CAST bastante avançada, com traits mais humanos, como sentir emoções. Ao longo da aventura e das missões que vamos cumprindo como GUARDIANs, Vivienne vai sendo mais “educada” do mundo que a rodeia, bem como lidar com as emoções que vai sentindo. Em relação ao plot em si, é neste jogo que os conflitos com a organização misteriosa Illuminus começam, com o primeiro aparecimento da vilã Helga. A título de curiosidade, para quem jogou ou está a pensar em jogar a expansão Ambition of the Illuminus, o envolvimento da Illuminus no conflito bem como o de Helga só se tornam claros no Episode 3, cujo está acessível apenas online. Visto que todos os servidores oficiais do PSU foram encerrados, os fãs ficaram por fora da melhor parte da história. Felizmente houve quem gravasse todas as cutscenes, estando as mesmas disponíveis no youtube.

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Um dos bosses que iremos enfrentar

Não me vou adiantar muito sobre a jogabilidade, leiam os posts do PSU e Ambition of the Illuminus para o efeito. Aqui irei apenas mencionar o que foi feito de diferente. Bom, em primeiro lugar as 4 cidades que podemos visitar passaram a ficar completamente estáticas. Para entrar em lojas ou outros edifícios temos de o fazer através de menus. Para interagir com outros NPCs, o mesmo é feito como se um point-and-click se tratasse. Para piorar as coisas, os NPCs não estão representados como sprites, mas como pontos com um smiley no ecrã. Contudo, ao tocar num NPC é aberta uma janela de diálogo separada, onde se mostram artworks 2D detalhados das personagens. Ao menos desta forma o mundo de PSU acaba por ter mais alguma variedade de caras. O fluxo do jogo está na mesma dividido entre Story Missions, necessárias para se avançar no jogo, ou as Free Missions, que à medida que vão sendo desbloqueadas, podem (e devem!) ser jogadas sempre que o jogador assim o quiser. Em ambas as missões é possível escolher o grau de dificuldade, que varia de C até S. Mediante a escolha, os inimigos são mais fortes e o loot que podemos encontrar também é mais valioso. Felizmente neste jogo eliminaram por completo o contador de tempo nos trials, permitindo ao jogador que explore os mapas de uma forma mais calma.

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Os Beasts podem activar o Nanoblast, transformando-se temporariamente em animais com elevado poderio físico

Tal como nos PSU, é possível criar jogadores de 4 raças diferentes, sendo que se pode ir alternando de classe (Hunter, Ranger ou Force) sempre que se queira. Neste jogo foram introduzidas algumas novas classes, sejam extensões das classes anteriores (permitindo utilizar novas e mais fortes armas e armaduras), ou classes que misturam um pouco das anteriores. O sistema de skills/bullets/tech também foi algo modificado: mediante a classe escolhida, apenas podemos “evoluir” as mesmas até um determinado nível. Foram também colocadas mais algumas restrições de equipamento, mediante a classe escolhida. Eu sempre joguei maioritariamente como Hunter, uma classe melee com grande porte físico e em jogos anteriores poderia na mesma utilizar algumas TECHs de Force, como a Resta que é bastante útil. Aqui como Hunter isso não é possível. A customização do nosso quarto também foi sacrificada neste jogo, não que isso me tenha interessado muito. No seu lugar implementaram uma série de outras coisas que me pareceram bem mais interessantes. Existe um bestiário que podemos consultar, com informação das criaturas/bosses que já tenhamos derrotado, bem como um logbook de todas as armas que nos vão passando pelas mãos. Ainda mais, o jogo tem um sistema interno de achievements que pode ser também lá consultado, sendo que o jogador é recompensado com bons items sempre que atinja um. A vertente multiplayer, especialmente o online, é o foco da série desde o lançamento de Phantasy Star Online em 2000, para a Dreamcast. Aqui o online foi inteiramente descartado, embora a PSP ter uma estrutura online que o permitisse. É possível jogar com até 4 jogadores, mas apenas numa rede local. Considerando que até o Phantasy Star Zero para a Nintendo DS (excelente portátil na minha opinião, mas com uma fraca estrutura online) suporta jogo online, é de estranhar que a Sega não tenha aproveitado esta característica, coisa que o fizeram nas sequelas Portable 2 e Infinity.

Graficamente é um bom jogo para a PSP. Ainda assim os assets são inteiramente partilhados com o PSU e sua expansão, o que pode acabar por cansar um pouco quem já tiver jogado os jogos anteriores até à expansão. Existem alguns inimigos novos, mas novas paisagens nem por isso. As cutscenes em 3D são mínimas, tanto em CG como utilizando o motor gráfico do jogo. A grande parte da história é contada através de balões de diálogo em conjunto com imagens 2D dos intervenientes, como se uma visual novel se tratasse. Contudo, todos os diálogos importantes possuem voice acting, algo que não foi feito em Ambition of the Illuminus. Para o bem ou para o mal, os actores que deram as vozes aos personagens parecem ser os mesmos (excepto para o Headmaster Nav que me parece ter uma voz diferente).

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Existem imensas armas, umas menos convencionais que outras…

Apesar de não possuir uma estrutura online, é um jogo que recomendo vivamente aos donos de uma PSP, seja para fãs da série Phantasy Star, como para fãs de RPGs hack and slash no geral. Ainda assim, comecei há pouco o Phantasy Star Portable 2 e a evolução é bem mais evidente, sendo aparentemente um jogo mais extenso, com mais possibilidades de customização e mais inovações à fórmula. Mas isso fica para outro dia.

Aliens vs Predator (2010) (PC)

Aliens vs Predator PCAliens vs Predator é um dos crossovers mais famosos do mundo da ficção científica, unindo 2 dois mais letais predadores do espaço. Mais tarde ou mais cedo o conceito teria de chegar aos videojogos, pelo que em 1999 saiu no PC o primeiro first person shooter com este conceito, apresentando 3 campanhas distintas: uma com os space marines, uma outra com o Predator e mais uma onde encarnamos no Xenomorph mais fofinho do espaço interestelar. Após uma sequela da qual eu não joguei e 2 filmes medianos no cinema, a Rebellion voltou à carga com mais um videojogo da saga, lançado em 2010. A minha cópia foi comprada na Amazon UK algures neste ano, por cerca de 7€. Estranho que me tenham enviado uma versão americana, mas sendo para PC não tem problema algum.

Aliens vs Predator 2010 PC
Jogo completo com caixa e manual

Eu apenas joguei um pouco do primeiro Aliens versus Predator, e vi apenas o primeiro filme que achei muito mauzinho. Como me disseram que o segundo era ainda pior, ainda não ganhei coragem para o ver. De qualquer das formas, a história pareceu-me muito semelhante à do primeiro filme AvP, só que ao invés de ser na Terra e num futuro próximo, é passada num outro planeta. Basicamente o sr. Weyland descobre umas ruínas antigas utilizadas pelos Predators para combater contra os Xenomorphs, trazendo para lá toda uma equipa científica/militar para estudar os aliens e os segredos dos Predators. Claro que as coisas correm para o torto, os Aliens soltam-se, os Predadores querem reclamar o que é seu e os Space Marines receberam um pedido de socorro das gentes que estavam lá no massacre.

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Os xenomorphs têm ácido no lugar de sangue, é melhor evitar confrontos corpo-a-corpo

O modo single player inclui 3 campanhas relativamente curtas, com jogabilidades diferentes entre si. A campanha dos Space Marines é a que apresenta uma jogabilidade mais vulgar para quem já estiver habituado a jogos destas andanças. Encarnamos num soldado raso do esquadrão de Space Marines que vinha prestar auxílio à colónia Weyland-Yutani no tal planeta. As coisas não correm bem e os Marines foram atacados por uma nave camuflada de Predators, tendo-se despenhado perto na colónia que queriam salvar. Nesta campanha é possível carregar até 3 diferentes armas, sendo que uma delas é sempre um revólver com munição infinita. Este revólver é a nossa única arma no início, mas posteriormente iremos encontrar diversas outras armas que nos são familiares se acompanham os filmes Alien, tais como o lança-chamas, pulse rifle, ou a smart gun, uma metralhadora pesada com uma espécie de auto-aim dentro de uma determinada área. Para além destas ainda existem uma shotgun e uma sniper rifle que é bastante útil para atirar sobre os Aliens, pois faz com que os mesmos sobressaiam do resto do cenário. De resto os Marines podem também usar uma lanterna, flares temporários e podem carregar com alguns medkits. A vida é regenerativa, mas por blocos. Assim que um bloco de vida se “esvaziar”, só é possível voltar a preencher a barra utilizando um desses Medkits. O mesmo é válido para o Predator, já os Aliens possuem uma barra de vida completamente regenerativa. Ainda nos marines, existe também no HUD o típico radar de movimento que continua a causar aqueles momentos de maior tensão no jogo.

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Lovely

Os Predadores têm uma mecânica de jogo mais complexa e interessante. Em primeiro lugar são uma raça fisicamente bem mais capaz que os humanos, possuindo fortes ataques melee e capazes de saltos longos. Para além do mais possuem um arsenal bem mais interessante, que irá sendo adquirido ao longo do jogo. Inicialmente possuem um raio laser que usa uma certa energia, energia essa que pode ser restabelecida interagindo com geradores eléctricos dos humanos da colónia. Posteriormente também vão sendo descobertos um disco teleguiado, minas e uma poderosa lança. Para além do mais, os Predators possuem a liberdade de se tornarem quase invisíveis, ou utilizar diferentes vozes para distrair os inimigos. Já os Aliens foram a raça que mais prazer me deu a jogar. Apenas possuem ataques melee, mas são bastante ágeis, movendo-se muito rapidamente em qualquer superfície, sejam paredes ou mesmo tectos. As acções especiais de perfurar um ser humano com a cauda, com a segunda “dentadura”, ou mesmo forçar pobres civis a serem “infectados” por um facehugger, foram de longe os momentos que mais gostei neste jogo. Nas 3 campanhas vamos também encontrando alguns objectos escondidos que servem maioritariamente para obter uns achievements, excepto os da campanha Marine, que servem para dar um maior background à história. Estes consistem nuns pequenos audio logs de diversas personagens, sejam trabalhadores da colónia, cientistas, ou o sr. Weyland mesmo. Infelizmente com todo o caos de algumas secções do jogo, onde por vezes enfrentamos hordas intermináveis de aliens, é muito difícil prestar muita atenção aos cenários quando o que queremos é sobreviver, acabando por deixar escapar alguns destes logs desta forma.

Existe também um modo multiplayer, mas quando tentei lá ir os servidores estavam completamente desertos, pelo que acabei por não jogar nada. Para além de vários modos do tradicional deathmatch, o jogo contém também um modo de Domination, onde 2 equipas lutam pela posse de objectivos dispersos pelos mapas, um Survivor mode, onde é jogado em co-op para defrontar várias waves de Aliens, o Predator Hunt, em que um jogador encarna o papel de Predator e sempre que um Marine matar o predator, toma o seu lugar. Por fim existe o modo Infestation, onde apenas um jogador toma o papel de Alien, lutando contra outros Marines. Sempre que um Marine for assassinado, passa para a equipa dos Aliens. É possível adquirir pontos de experiência nos combates multiplayer, desbloqueando assim várias outras skins que possam ser utilizadas pelos jogadores.

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Os Predators possuem uma HUD com bastante informação, se utilizada com o “Focus”.

Graficamente é um jogo bastante competente, mesmo nos dias de hoje. As texturas dos cenários podem não ser nada de especial, mas gostei bastante da forma visceral como os Aliens foram representados, com animações muito bem conseguidas. Os combat androids também ficaram muito bem representados na minha opinião. O voice acting está bem conseguido, mas o que realmente brilha neste jogo são os efeitos sonoros, que conseguirarm reproduzir perfeitamente o que se ouvia nos filmes. O radar de movimento, os silvares dos Aliens nas escuras, o barulho das pulse-rifles, enfim, gostei bastante. O jogo peca por ser um pouco simples e com campanhas relativamente curtas, mas não deixa de ser uma experiência agradável a quem for um fã das séries. A Rebellion está a preparar para lançar o Aliens Colonial Marines em 2013. É bem possível que seja mais um FPS bastante linear e com pouco factor de replay como foi este jogo, mas eu mal posso esperar.

Nightshade (Sony Playstation 2)

nightshade PS2Nightshade é a sequela directa do Shinobi para a PS2 que já tive a oportunidade de falar do mesmo por aqui. A série Shinobi, que surgiu primeiramente nas Arcades nos anos 80, tornou-se uma das minhas séries preferidas com a temática ninja. Infelizmente, nem sempre a Sega tratou bem o que considero uma das suas melhores séries, com alguns lançamentos de qualidade menor para a Master System, Saturn e Gameboy Advance. Os jogos da PS2 já apresentam uma melhor qualidade, mas surgiram numa altura em que a Sega estava a atravessar uma fase difícil onde foram lançando diversos jogos medíocres pelo que estes acabaram por passar um pouco despercebidos ao público no geral. Com o lançamento do Shinobi para a 3DS, que acabou por receber críticas maioritariamente positivas, pode ser que a Sega volte a olhar com bons olhos para uma das melhores séries que teve desde os 16bit, onde na minha opinião o Shinobi III para a Mega Drive ainda hoje é dos melhores lançamentos da empresa. A minha cópia do Nightshade foi adquirida algures neste ano no ebay UK, não me tendo custado mais de 10€. Infelizmente o estado do disco não é o melhor, o que me causou alguns problemas ao carregar algumas cutscenes e músicas do jogo. Na altura em que o comprei parecia-me tudo OK, pelo que agora é tarde demais para resolver o problema. Paciência.

Nightshade - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa e manual

A história decorre algum tempo após os acontecimentos do jogo anterior, onde o ninja Hotsuma equipado da sua espada amaldiçoada Akujiki salvou Tóquio de uma invasão demoníaca. Hotsuma era um dos últimos ninjas do mítico clã Oboro, de onde Joe Musashi dos jogos clássicos pertencia. Com o final do conflito, Hotsuma desapareceu, deixando para trás a sua espada amaldiçoada. Akujiki é uma espada que se alimenta de almas. Quando inimigos são assassinados pela Akujiki, a espada vai ganhando poder, podendo desferir mais dano. Por outro lado, se estiver muito tempo sem combater, a espada começa a alimentar-se da própria alma de quem a utiliza. Este aspecto foi um dos que mais contribuiu para o elevado grau de dificuldade do jogo anterior. De qualquer das formas, o clã Oboro está desfeito e neste jogo controlamos Hibana, uma jovem ninja que trabalha para o governo japonês. Hibana teve como seu mestre um outro Ninja do clã Oboro, que actualmente trabalha à margem da lei. Hibana tem como missão aniquilar vários membros da organização Nakatomi Conglomerate, e adquirir a espada amaldiçoada Akujiki para o governo japonês.

Shinobi para a PS2 é um jogo extremamente difícil, com controlos bastante exigentes, e níveis onde era necessário um domínio practicamente perfeito dos mesmos, de forma a atravessar diversos abismos “sem fundo”, derrotanto alguns inimigos aéreos entretanto, não esquecendo que a espada também nos obrigava a estar constantemente a lutar, não dando muita margem de manobra para jogar com mais calma. Nightshade é um jogo mais fácil neste aspecto, mas ainda exigente. A começar pela espada de Hibana, que apesar de ir adquirindo poder enquanto se combate, não consome a alma de quem a enverga. Depois existem alguns checkpoints nos níveis (não em todos), pelo que nem sempre é necessário recomeçar o nível do zero. Ainda assim a jogabilidade continua a ser bastante precisa e exigente. Tal como no jogo anterior, é possível executar duplos saltos, andar sobre paredes e fazer “dash” tanto em terra como no ar. O combate aéreo foi expandido desde o jogo anterior, onde agora é possível utilizar pontapés para quebrar defesas dos inimigos e aproveitar o facto de se estar no ar para prolongar os saltos (desde que os inimigos sejam atingidos), podendo assim desencadear diversos combos aéreos com o risco algo elevado de as coisas correrem mal e Hibana cair num precipício que são abundantes em níveis mais avançados.

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Hibana a “kickar” alguém

Para além da barra de energia normal, existe uma outra barra de energia, mas para a espada. Assim que esta estiver completa, é possível desencadear um golpe devastador que é bastante útil nas lutas contra os bossses. Para além do combate melee normal, é possível atirar kunais para os inimigos (o botão de lock-on é o grande amigo), que os paralisam momentâneamente. Nem todos os inimigos são afectados por estas armas, e como o arsenal é limitado, devem ser utilizadas com discrição. Também existem magias, tal como os jogos antigos, que podem ser adquiridas através de powerups. Estas tanto podem ser explosões que afectem os inimigos ao alcance de Hibana, invencibilidade temporária, ou um ataque eléctrico de longo alcance. O mecanismo de Tate introduzido no jogo anterior faz também o seu regresso. Ao derrotar rapidamente todos os inimigos no ecrã, surgem algumas cutscenes cheias de estilo, com todos aqueles clichés habituais de animes ninja/samurai, onde os inimigos ficam paralisados durante alguns segundos e depois que o herói faz uma pose toda cheia de pinta é que os inimigos jorram sangue, são desmembrados, etc. Desencadear Tates aumenta mais rapidamente a barra de energia da espada, bem como atribui uma maior pontuação final. Tal como no jogo anterior, existem diversas moedas escondidas ao longo dos níveis, geralmente em locais de difícil acesso. Coleccionar estas moedas e outros items secretos acaba por desbloquear diverso conteúdo no jogo, como artwork. Existem diversos modos de dificuldade, e ao completar o jogo em todos os modos desbloqueia também outros conteúdos, como algumas outras personagens jogáveis ou novos trajes. Como não podia deixar de ser, o fan service está presente, com um traje sexy para Hibana. As outras personagens desbloqueáveis são Hisui, uma outra ninja feminina rival de Hibana, e o regresso de Hotsuma e Joe Musashi, com uma jogabilidade um pouco diferente.

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Um dos primeiros bosses. Este nem é muito difícil.

Graficamente o jogo não é nada de especial, utilizando o mesmo motor gráfico do jogo anterior. As texturas são pobres e as cores também não são muito vivas. O sangue algo cor-de-rosa também não me agradava, e neste jogo permanece idêntico. De qualquer das formas gosto bastante do artwork, do design de Hibana e dos restantes bosses no geral. Fazem-me lembrar o anime de Ninja Scroll, com aqueles ninjas com vestimentas e armas invulgares. As cutscenes, apesar de não terem um CG do nível da Square-Enix, evidenciam este bom gosto no design das personagens. Infelizmente o voice acting foi traduzido para inglês, que apesar de não ser muito mau, nestes jogos orientais especialmente se estivermos a falar de ninjas, preferia de longe ouvir o voice acting original, visto que é possível activar legendas. A música e os efeitos sonoros já são outra história. É a típica Sega que eu tanto gosto. Muitos efeitos sonoros vão provocar alguma nostalgia devido a serem semelhantes aos jogos clássicos, e a música é bastante mexida, mesmo a lembrar as músicas dos jogos arcade que sempre foram a especialidade da empresa.

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Hibana em trajes menores, enquanto caminha sobre paredes e destrói um espelho (nestes níveis é necessário destruir um certo número de espelhos de forma a avançar para a secção seguinte). O “selo” em frente a Hibana impossibilita-a de avançar mais.

No final de contas, tanto Shinobi como Nightshade não são nenhuns Ninja Gaiden modernos, este último apresentou um sistema de combate bem mais “bonito”, para não referir os gráficos que são bastante melhores. Ainda assim, para quem gosta de jogos com a temática Ninja e tiver uma PS2, não perde nada em jogá-los. São jogos bastante difíceis e frustrantes, embora este Nightshade seja mais bonzinho. Ainda assim, terminá-los mesmo no modo Normal é sempre bastante recompensador.

Phantasy Star Universe: Ambition of the Illuminus (Sony Playstation 2)

PSU Ambition of the IlluminusDe volta ao sistema solar de Gurhal, para mais uma aventura no universo de Phantasy Star Universe (passe a redundância). Ambition of the Illuminus foi a primeira expansão que a Sega lançou para o jogo original, não sendo o mesmo necessário para se jogar este capítulo. Contudo, visto que a jogabilidade é idêntica ao original, não me irei alongar nesse aspecto, consultem o artigo referente ao jogo original para mais detalhe aqui. A minha cópia foi adquirida algures em 2011, no ebay UK, não me tendo custado mais de 10€. Está aparentemente completa e em bom estado.

Phantasy Star Universe - Ambition of the Illuminus - PS2
Jogo com caixa e manual

A história coloca-nos na pele de um jovem GUARDIAN, como aprendizes da experiente e irreverente Laia Martinez, da raça Beast. A acção decorre pouco tempo após os eventos do último jogo, em que a ameaça da SEED embora esteja mais controlada ainda não foi completamente erradicada e Ethan Waber, herói da aventura anterior, é acusado de tentar assassinar o actual presidente dos GUARDIANs. Laia Martinez, sendo rebelde e irreverente, coloca na sua mente a todo custo que deve capturar Ethan e, no meio de todos os acontecimentos surge uma nova ameaça sob a forma de uma organização secreta chamada Illuminus, cujo propósito consiste em erradicar todas as raças do sistema solar de Gurhal, excepto a raça humana. Apesar de os diálogos em si estarem algo pobres tal como no jogo anterior, a história pareceu-me interessante quanto baste. Infelizmente o jogo termina num cliffhanger jeitoso, e a SEGA foi um bocado mázinha com os fãs neste aspecto. Isto porque existe um “Episode 3” que segue imediatamente os acontecimentos do Ambition of the Illuminus (Episode 2). Visto a PS2 não ter condições de receber grandes updates dos seus MMOs, isto porque são pouquíssimos os jogos que dão suporte ao disco rígido externo da consola (e mesmo este não é compatível com todos os modelos da consola), o rico conteúdo deste Episode 3 (muito diálogo, novas cutscenes, inimigos e áreas a explorar) está bloqueado no disco do Ambition of the Illuminus, forçando os jogadores a usufruirem do serviço online para o desbloquear. Para além desse serviço online ser originalmente pago, hoje em dia os servidores deste jogo foram encerrados globalmente, dando destaque ao novo Phantasy Star Online 2. Portanto quem estiver interessado em saber o resto da história, enquanto não são criados servidores privados, a única solução está em ver algumas playthroughs no youtube.

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Laia, à esquerda, e a personagem principal que pode ser customizada

A jogabilidade é idêntica ao jogo anterior, mas ao invés de se jogar a história principal com uma personagem pré determinada, temos a liberdade de criar uma personagem à nossa medida, podendo alternar entre as 4 diferentes raças. Podemos também importar a personagem do Extra Mode do Phantasy Star Universe original, com toda a sua experiência, dinheiro e equipamento. Suponho que o mesmo fosse possível no modo Network, mas como nunca o experimentei não posso estar a assumir coisas. Para os saudosistas de Phantasy Star Online, alguns inimigos ou bosses regressaram em secções específicas do jogo, como o boss De Rol Le que ficou ainda mais chato. Existe também uma variedade muito maior de armas, equipamento e técnicas especiais, conforme seria de esperar.Ainda no modo história, o jogo segue na mesma dinâmica como se um anime se tratasse, mas de forma mais contida. Isto porque no início de cada novo capítulo é feito um resumo dos eventos do capítulo anterior, seguido de uma música tema a anunciar o jogo. Desta vez não são incluídas cenas “não percam o próximo episódio”, nem outro genérico para encerrar o capítulo. Durante o jogo existe também uma interacção muito menor com os NPCs disponíveis nas várias cidades do jogo. Não que no jogo anterior os mesmos tivessem diálogos lá muito interessantes, aqui continuam a dizer coisas completamente desinteressantes, simplesmente os NPCs são em muito menor quantidade que no jogo anterior. Uma coisa que melhoraram neste jogo foi a questão dos Trials. No original, era bastante comum existirem imensos Trials temporizados para concluir uma determinada missão, aqui acontecem apenas em algumas Story Missions. As Free Missions, no jogo original todas tinham timers, neste não possuem nenhum. Ainda bem. Uma outra diferença face ao jogo original é que neste é possível rejogar as Story Missions sempre que se queira, sendo também possível escolher a dificuldade pretendida para a missão, com o nível dos inimigos a variar na escolha. O mesmo é possível para as Free Missions.

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Magashi, um dos vilões do jogo anterior, volta a aparecer nesta aventura.

A música e os efeitos sonoros são identicos ao Phantasy Star Universe, pelo que não há nada a dizer neste campo, a não sei que o voice acting é practicamente nulo desta vez. Não que no PSU fosse exemplar, mas era melhor que nada. Aqui os diálogos são todos apresentados na forma de balões de banda desenhada. Graficamente pareceu-me haver algumas melhorias face ao original, com os modelos a apresentarem-se mais detalhados e os cenários com menos aliasing. Mas também pode ter sido wishful thinking da minha parte. De qualquer das maneiras as quebras de framerate mantêm-se, em secções mais povoadas de inimigos e “party members“. No fim de contas acaba por ser um jogo que mais uma vez recomendo aos fãs acérrimos da série Phantasy Star. As melhores versões são mais uma vez as versões PC e X360, mas visto actualmente os servidores estarem todos desligados eu diria que a versão PC é a que tem maior probabilidade de vir a obter servidores privados, pelo que recomendaria essa versão entre todas as restantes.

The Jungle Book (Sega Master System)

JungleBook-SMS-PTE para desenjoar um pouco de artigos de jogos de PC, fui ao baú das recordações buscar um dos meus primeiros jogos. A Virgin Interactive foi um dos estúdios mais prolíferos nas consolas 8 e 16-Bit da Sega na primeira metade dos anos 90, trazendo diversos jogos de plataforma com óptimas animações e gráficos, tal como o Aladdin para a Mega Drive. Claro que tecnicamente o mesmo não seria possível numa Master System ou Game Gear, mas ainda assim a Virgin lançou uma série de jogos sólidos. A minha cópia do jogo foi adquirida algures em 1996/7, tendo custado o equivalente a 20€. É uma das “Portuguese Purples”, jogos relançados exclusivamente no mercado português com as capas roxas.

The Jungle Book (Sega Master System)
Jogo completo com caixa e manual – Edição Portuguese Purple

Não vou perder muito tempo a contar a história por detrás do jogo, vejam o filme! Ou melhor ainda, leiam os livros originais de Rudyard Kipling. De qualquer das maneiras, para os que têm vivido debaixo de uma pedra, The Jungle Book conta a história da pequena criança Mowgli, que foi abandonada muito cedo no coração da selva da Índia, tendo sido adoptada por uma alcateia local. Mowgli acabou também por ser educado por para além dos lobos que os acolheram, por uma série de outros animais como o urso Baloo, ou a pantera Baguira. O jogo segue o clássico filme da Disney, que por sua vez tinha deturpado um pouco as personagens do livro original. Mas isso agora também não interessa.

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Ecrã de título simples e eficaz

Como era normal na primeira metade dos anos 90, este é um jogo de plataformas. O objectivo é conduzir Mowgli por 12 diferentes níveis em várias localizações da selva. A maneira como se completa um nível diferencia-se: antes de se começar o nível em si é mostrado ao jogador um ecrã com o objectivo que se deve cumprir. Em alguns níveis devemos explorá-los ao máximo de modo a coleccionar 8 “gems” para terminar, em outros devemos simplesmente ir do ponto A ao ponto B, noutros ainda temos alguns bosses para defrontar. Mowgli está equipado com um arsenal infinito de bananas que pode atirar, defrontando assim os inimigos. Ainda assim, existem uma série de items espalhados no ecrã, para além das gems que já referi: os mais comuns são as frutas que servem apenas para aumentar a pontuação. Corações servem para restabelecer saúde, e depois existem alguns power ups, seja um “rapid fire” para as bananas, ou um bumerangue capaz de mais dano. Apesar de infantil, The Jungle Book para a Master System é um jogo de plataformas bastante exigente, repleto de saltos bastante chatos e cuidadosos. Para além do mais existe um timer ao qual temos de prestar atenção.

Graficamente é um jogo bastante competente para uma Master System, repleto de cores vibrantes (especialmente nos níveis bónus e do rio). Infelizmente as sprites não são as melhores, existindo algumas que são mesmo mázinhas na minha opinião, como as cobras que vão surgindo. Os visuais dos últimos níveis infelizmente são também uma reciclagem do primeiro, mudando as plataformas em si e o esquema de cores. Os efeitos de som não são nada de especial pois estamos a lidar com uma Master System. No entanto acho que as músicas ficaram muito bem conseguidas. Bastou-me ir buscar a caixa do jogo à gaveta e veio-me logo à memória a música-tema do jogo. Não que o processador de som da Master System tenha feito milagres, as músicas são adaptadas das oiriginais do filme da Disney, sendo as mesmas muito alegres e sonantes.

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A imagem da cobra Kaa (canto superior esquerdo) funciona como a barra de vida de Mowgli.

É um bom jogo de plataformas para a Master System, no entanto a versão Mega Drive é indubitavelmente muito melhor, pelo menos no aspecto audiovisual, com gráficos bem mais detalhados e coloridos. A jogabilidade e a estrutura de níveis em si parece-me muito parecida com os jogos 8bit, pelo que provavelmente essa versão 16bit seria mesmo a melhor opção. No entanto como já referi, o parente pobre não se porta nada mal. Existe também da Virgin uma versão para SNES que graficamente é muito boa, mas pelo que vi a nível de jogabilidade já é um pouco diferente das versões nas plataformas Sega.