Die Hard Trilogy (Sega Saturn)

Die Hard TrilogyTal como o nome indica, Die Hard Trilogy é um jogo sobre os primeiros 3 filmes da saga Die Hard, de Bruce Willis. Mas ao contrário de outros jogos que tentaram fazer o mesmo, tipo o Alien Trilogy, este acaba por ser 3 jogos completamente diferentes num só. O primeiro filme passa a ser um shooter na terceira pessoa, onde temos de limpar o sebo a tudo quanto é terrorista e resgatar reféns, o segundo filme tornou-se num shooter na primeira pessoa, com suporte à light-gun da Saturn, já o terceiro tornou-se numa espécie de Driver/Crazy Taxi que mais lá para a frente detalharei melhor. O jogo entrou-me na colecção após me ter sido vendido por um particular por 5€. Está completo e em óptimo estado.

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Jogo completo com caixa e manuais

Eu não vou falar da história do jogo, vejam os 2 filmes. Não são adaptações 100% fiéis dos filmes, como seria de esperar, mas essencialmente  segue os filmes, com o primeiro a decorrer inteiramente no arranha-céus Nakatomi Plaza, o segundo num aeroporto e por fim o terceiro coloca-nos a andar de carro de um lado para o outro numa vasta cidade de Nova Iorque para desarmar bombas.

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Ecrã de selecção do jogo

Então o primeiro jogo é um shooter na terceira pessoa, onde vamos percorrendo uns 20 andares do edifício Nakatomi Plaza com o único objectivo de limpar o sebo a todos os terroristas que nos apareçam à frente e eventualmente se resgatamos alguns dos reféns é bom. Após matar todos os terroristas presentes no andar em questão, é começado um timer de 30 segundos de uma bomba, onde temos de encontrar o próximo elevador a tempo de subir para o andar seguinte. Aqui começamos com um revólver, mas podemos encontrar espalhados no jogo vários powerups que podem restaurar a saúde ou oferecer um escudo, ou mesmo encontrar outras armas mais poderosas como metralhadoras ou shotguns bem como granadas que podemos utilizar para desvastar grupos eficazmente. Uma coisa que gostei particularmente deste jogo é podermos destruir grande parte dos cenários, desde vidros a outras tábuas de madeira e afins. Infelizmente acho que a draw distance deste jogo é muito curta, há muita coisa à nossa volta que deixamos de ver, felizmente o radar no canto inferior esquerdo vai sendo uma mais valia para nos dar uma ideia dos inimigos que andam à nossa volta. Convém também mencionar a terrível inteligência artificial dos inimigos, que são mais burrinhos que sei lá o quê.

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Sim, o jogo tem sangue q.b. Infelizmente os controlos é que não são grande coisa

O segundo jogo é um shooter on rails em que podemos utilizar a pistola lightgun da Sega Saturn. É um jogo inspirado no Virtua Cop e não propriamente no Time Crisis pois não tem a possibilidade de cover. Aqui o objectivo é também matar todos os terroristas que nos apareçam à frente e evitar acertar nos reféns infelizes que tentam sempre atravessar-se no nosso caminho. Aqui também podemos encontrar os mesmos powerups que no jogo anterior, bem como outras armas, granadas ou mesmo rockets que serão necessários para destruir alguns veículos que surgem em níveis mais avançados.

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O segundo jogo é um clone de Virtua Cop, mas com um framerate terrível.

Por fim o último jogo é uma mistura de Driver com Crazy Taxi, ou então não. Basicamente andamos com um carro a percorrer várias localidades de uma suposta Nova Iorque, onde temos de destruir uma série de bombas e carros armadilhados dispostos pela cidade, sempre em constante contra-relógio. E como desarmadilhamos essas bombas? Fácil, ir contra elas provocando uma enorme explosão. Faz sentido? Nem por isso, mas apesar de me parecer ter sido o jogo mais difícil dos 3, é também aquele que para mim foi mais divertido. Para nos orientarmos pela cidade temos no canto superior esquerdo uma bússola, com uns ponteiros vermelhos que nos indicam a posição do próximo alvo a abater. Por outro lado temos no canto inferior esquerdo um relógio que nos indica o tempo que temos para destruir essa bomba. Para nos ajudar, estão espalhados pelas estradas imensos power-ups, uns que simplesmente nos dão mais pontos, outros que nos dão mais tempo, esses devem ser sempre procurados, outros que nos dão um turbo, entre outros que nos permitem “saltar” sobre roadblocks da polícia e afins. Nos últimos níveis a coisa acaba por ficar muito apertada de tempo, pelo que saber quais as melhores rotas a tomar (ou seja, as que têm mais time-bonus) são uma mais-valia. Também convém mencionar que este jogo em particular é também uma espécie de Carmageddon, onde atropelar os peões de uma forma sangrenta é possível e apenas nos retira alguns pontos da pontuação geral.

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Iniciamos o jogo ao volante de um táxi, como no filme, mas podemos usar outros carros se os descobrirmos

Graficamente falando, este é um dos melhores exemplos que ilustram as diferenças técnicas entre a Sega Saturn e a Playstation. Isto assumindo que estamos a falar de conversões onde os programadores não têm tempo, know-how, têm preguiça ou todas as anteriores, para tirar todo o partido do que a Sega Saturn poderia alcançar. Assim sendo, a versão Saturn apresenta transparências e outros efeitos gráficos com menor qualidade, como as explosões. O framerate também é pior (especialmente no segundo jogo). De resto é essencialmente a mesma coisa, tanto uma versão como outra nunca foram propriamente grandes feitos técnicos, mas cumprem bem o seu papel, tendo em conta que estamos a falar de um jogo de 1996. As músicas vão sendo variadas, mas devo dizer que não gostei nada da banda sonora do primeiro jogo, que é muito electrónica e repetitiva. Nos outros jogos, em especial no terceiro, as coisas já vão variando, desde músicas mais rockeiras ou até mais épicas e já ficam mais ao meu gosto. As vozes é que não são nada de especial, o jogo está repleto de one-liners retiradas dos filmes, mas são repetidas à exaustão e acabam por perder todo o seu sentido.

No fim de contas, acho este Die Hard Trilogy um produto muito interessante, pois tem realmente conteúdo para 3 jogos completamente distintos. No entanto não é um jogo perfeito, e mesmo a versão Playstation que graficamente é melhorzinha tem também os seus defeitos na detecção de colisões e a draw distance reduzida. Mas gostei bastante da ideia deste 3 em 1 e pelos vistos a Fox Interactive também gostou, pois algures no ano 2000 lançaram um Die Hard Trilogy 2 que seguiu a mesma fórmula. Mas esse jogo em particular não cheguei a experimentar. Para os donos de Saturn, existe um Die Hard bem melhor, e brevemente poderão ler sobre o mesmo aqui.

Sonic the Hedgehog 2 (Sega Game Gear)

Sonic 2Mais uma rapidinha que o tempo tem sido escasso. E este artigo será mesmo uma breve menção a este jogo, pois é essencialmente o mesmo que já tinha sido analisado para a Sega Master System. Assim sendo recomendo vivamente uma leitura a esse artigo pois é uma análise mais completa. Apesar de não ter Game Gear ainda, isso não me impediu de vir a ter um ou outro jogo entretanto. Este Sonic 2 foi comprado na feira da Ladra em Lisboa, sendo dos poucos jogos completos de Game Gear na minha colecção. Custou 3€.

Jogo completo com caixa e manuais

Essencialmente o jogo é o mesmo da Master System, uma versão do Sonic 2 que nada tem a ver com a principal da Mega Drive. Ainda assim, acho um jogo bem conseguido, embora confesso que já gostei bem mais do jogo do que gosto hoje em dia. Apesar de o Sonic 2 ter mais coisas próximas das versões Mega Drive, nomeadamente o spindash, loopings malucos, cenários destructíveis, tubos por onde andamos a grande velocidade, mas no entanto, ainda acho a versão 8bit mais bem conseguida, como jogo de plataformas.

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Sempre gostei destes minecarts

Falando em concreto da versão Game Gear, esta é um pouco diferente da versão Master System, aliás, tal como o Sonic 1 o é. Mas ao invés de ser um jogo mais fácil, desta vez a versão Game Gear ficou com uma dificuldade acrescida. Tal como no primeiro jogo as diferenças devem-se ao tamanho do ecrã ser menor. A primeira coisa a notar-se é logo no primeiro boss, não conseguimos ver totalmente as bolas de metal que nos são atiradas, e tanto a sua velocidade como altura dos saltos são variáveis, ao contrário da Master System. Também são notórias diferenças noutros bosses, músicas ou mesmo no segundo acto da zona Aqua Lake, onde aqui temos uma secção com a água a subir.

Apesar de não ter o charme que a versão 8bit do primeiro jogo me causou, este jogo não deixa de ser um bom jogo de plataformas, essencial para qualquer colecção de Master System ou Game Gear que se preze, especialmente por ser um jogo de tão fácil acesso.

The Lion King (Sega Master System)

LionKing-SMS-PTE após a análise à versão SNES da adaptação do filme The Lion King para os videojogos, fica agora uma “rapidinha” a uma das versões 8bit existentes, nomeadamente a da Master System. Não possuo uma versão apenas deste jogo, mas sim duas. A primeira é a versão espanhola, dá para ver nitidamente na capa. Essa foi comprada por algures em 2011 na antiga Virtualantas, penso que me ficou algo entre os 4 e 5€, possuindo o manual multilínguas. Mas a versão que eu almejava ter desde cedo é mesmo a Portuguese Purple, comprada algures em Outubro/Novembro na Feira da Ladra, em Lisboa. Penso que me terá ficado em 6€.

The Lion King - Sega Master System
Em baixo, versão espanhola com manual multilínguas e catálogo. Em cima, versão portuguese purple com o manual em português e a capa com algumas manchas, infelizmente.

Ora e tal como a versão 16-bit, esta tem também os mesmos níveis, apenas com menor detalhe, como seria de esperar. O segundo nível, com os macacos, girafas e todos os outros animais, ficou mais simplificado, mas não deixou de ser frustrante, com os saltos e o timing exigente. O único nível que mudou radicalmente é o da perseguição pela manada. Nas versões 16bit a acção decorre de frente para Simba, aqui é mais um nível de plataformas banal. Mas é esperado, a Master System não teria capacidades de apresentar o mesmo detalhe que nas outras versões. Os níveis bónus são também ligeiramente diferentes, aqui consistem em ter o Pumba a comer o máximo de insectos possíveis que vão caindo. Os controlos estão aqui um bocadinho piores pela falta de botões da Master System, mas os movimentos de Simba, quer em criança, quer em adulto estão lá practicamente todos, exigindo por vezes é uma combinação de botões para os executar. A luta final com o Scar também exige uma estratégia diferente: temos de esperar que ele salte, para saltar também e atacá-lo no ar. Dessa forma iremos arrastá-lo consecutivamente até ao precipício, forçando-o a cair.

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O nível com a perseguição da manada foi alterado para um side scroller algo simples

Graficamente é um jogo bastante colorido, especialmente nos primeiros níveis em que Simba é apenas uma cria, mas naturalmente não faz justiça à versão Mega Drive ou Super Nintendo, que eram incrivelmente detalhadas. Ainda assim, as animações estão boas, em especial a das hienas, na minha opinião. Já no som, em especial nas músicas, conseguiram fazer um bom trabalho nesta conversão. Como já frizei por várias vezes, o chip de som da Master System é o calcanhar de aquiles do sistema, mas ainda assim conseguiram captar bem vários dos temas conhecidos do filme, logo aí já é um bom ponto.

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Mais uma vez, ao longo do jogoexistem vários bosses que teremos de lutar.

No final de contas, acho este um jogo de plataformas razoavelmente bom, não está de todo nos tops da plataforma, mas também não é mau. Ainda assim, para quem tiver as versões 16bit do jogo, apenas consigo recomendar esta versão meramente por coleccionismo.

The Lion King (Super Nintendo)

The Lion King SNESComo muitos da minha geração, o filme The Lion King, que faz este ano 20 anos (o tempo passa), é muito possívelmente o meu filme de animação preferido da Disney. E já nessa altura um videojogo a promover o filme era também lançado, de forma a capitalizar ainda mais o sucesso da franchise. Hoje em dia, muitos videojogos que são adaptações de filmes acabam por ser produtos medíocres, mas estes jogos da Disney na era dos 16-bit ainda tinham uma boa qualidade. O Aladdin para a Mega Drive que o diga! Para alem de ser um bom jogo de plataformas, tinha uns excelentes gráficos e animações. E mais uma vez a Virgin Interactive lança mais um jogo pela Disney Interactive, desta feita também com o nome da Westwood Studios, aquele responsável pela criação de franchises como Dune e Command and Conquer, que acabou por ser mandado às favas pela Electronic Arts em 2003. Essa empresa com o seu toque de Midas, mas ao contrário. Mas chega de divagações, este jogo entrou na minha colecção algures durante o ano de 2013, por alturas em que comprei um bundle SNES a um colega de trabalho. O preço individual por jogo + consola e acessórios acabou por ser um excelente negócio.

The Lion King - Super Nintendo
Jogo completo com caixa, manual e papelada. Versão alemã, como se pode ver na capa.

Não me vou alongar na história, estou certo que todos conhecemos a aventura de Simba, com os seus amigos Timon e Pumba, para recuperar o seu título de “Rei da Selva”, ursupado pelo seu tio Scar (mas quem é que está a secar? – lembra-me o filme). Devo sim dizer que o jogo retrata fielmente (dentro dos possíveis, estamos a falar de uma máquina 16-bit) os acontecimentos narrados no filme. Começamos com um Simba criança a “brincar” na selva, onde as suas únicas preocupações são uns porco-espinhos e camaleões que se metem no seu caminho, passando por um nível frustrante em que nos andamos a balancear entre macacos, rinocerontes, avestruzes e demais animais. As partes onde temos de fugir de uma manada, refugiar numa outra selva e finalmente quando crescemos e regressamos para derrotar Scar, são todas passagens que estão registadas no jogo.

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Supostamente as animações deste jogo estiveram mesmo por conta dos estúdios da Disney

Exceptuando o nível em que estamos a fugir de uma manada, cuja câmara está de frente para Simba e temos de nos esquivar dos animais que nos vão passando, ou das rochas à frente do caminho, todos os outros níveis jogam-se como um sidescroller, um jogo de plataformas com saltos precisos e por vezes frustrantes. Como cria e adulto, Simba possui diferentes habilidades. Na sua infância, Simba pode derrotar os inimigos saltando em cima deles (excepto alguns como os porco-espinhos), rugir para assustar inimigos, ou rebolar sobre si mesmo, útil para se esquivar ou mesmo descobrir algumas passagens secretas. Já como adulto, o seu rugido é mais forte, e pode atacar os inimigos atirando-se sobre eles, ou atacá-los com as garras.

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Este infame nível… ao menos é muito colorido.

O “problema” do jogo está mesmo na sua dificuldade. Logo no segundo nível a dificuldade escala bastante, por um lado temos mesmo de ter bons reflexos pois os saltos são bastante precisos, por outro também temos de ter uma boa capacidade de memorização, para saber a quais macacos cor-de-rosa deveremos rugir, para que nos lancem para o sítio correcto, de outra forma não vamos a lado nenhum. Um outro nível bastante frustrante é o “Hakuna Matata”, onde temos de defrontar um gorila muito chato. Quando Simba se torna adulto, os combates tornam-se mais interessantes, mas os saltos precisos continuam lá, e com mais obstáculos pelo meio com que nos teremos de preocupar. Um outro ataque que Simba ganha como adulto é bastante útil na luta final contra o Scar, e não me importo de mandar o spoiler pois toda a gente já viu o filme, mas consiste em mandar o Scar pelo precipício abaixo. Entre os níveis normais temos também 2 tipos diferentes de níveis bónus, em que controlamos Timon ou Pumba. Nos níveis do Pumba, temos o Timon a atirar vários insectos e que Pumba tem de os comer, se algum cai ao chão, o nível bónus termina. Nos outros níveis temos Timon a coleccionar insectos, espalhados ao longo de um nível com diversas plataformas, durante um determinado intervalo de tempo. Também espalhadas por esses níveis estão aranhas venenosas que não devemos apanhar.

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Este é o único nível que jogamos numa perspectiva diferente.

Mas o que chama realmente à atenção deste jogo é a sua qualidade audiovisual. A Virgin Interactive já tinha feito um excelente trabalho com Aladdin para a Mega Drive e apesar deste Lion King não ser produzido pela mesma equipa, o resultado audiovisual é muito bom. Apesar de a versão Mega Drive deste jogo ter uma resolução mais larga, o que permite ver mais nos níveis, é para mim a versão SNES que acaba por levar vantagem no geral. Os cenários estão bastante coloridos e representam fielmente (com as limitações óbvias) vários momentos passados no filme. Simba, Timon, Pumba e os inimigos têm excelentes animações, mas gosto especialmente das hienas. Para além do mais, em alguns momentos do jogo temos direito a algumas cutscenes animadas que têm uma excelente animação. Logo no início do jogo vemos Timon a dizer “It starts“, os seus movimentos e qualidade da voice sample são mesmo muito bons. E vários momentos destes vão sendo apresentados ao longo do jogo.

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Algumas das cutscenes apresentam uma qualidade muito boa

E sim, o som é também excelente, a começar pelas voice samples que são perfeitamente audíveis, sem aquele “arranhar” que muitas vezes ouvimos em outros jogos 8 ou 16bit. A música também é muito boa, indo buscar imensas melodias que nos são familiares para quem viu o filme. A SNES tem um chip sonoro com muito boa qualidade e em jogos em que o mesmo é bem utilizado, a qualidade das músicas aproxima-se bastate do MIDI. Algumas até possuem coros que ficaram muito bem conseguidos.

No fim de contas acho este jogo um platformer interessante. A sua dificuldade poderá alienar alguns jogadores, concordo que alguns níveis, especialmente o segundo, poderiam ser repensados, ou até serem mais generosos com os saltos. No entanto não deixa de ser um feito técnico muito interessante para a Super Nintendo, e a versão Mega Drive também lhe fica muito próxima. Brevemente devo escrever um outro artigo complementar sobre a versão Master System deste jogo, da qual eu possuo duas cópias.

Virtua Racing (Sega Mega Drive)

Virtua RacingContinuando com a Mega Drive, desta vez para uma análise a um jogo muito importante na biblioteca da consola de 16bit da Sega, que no entanto não tem grande conteúdo que justifique uma análise longa, o seu background já merece uma. Virtua Racing é um jogo lançado originalmente nas Arcades no ano de 1992, sendo o primeiro jogo do famoso sistema Model 1 da Sega, com foco em jogos em 3D poligonal, onde vimos também Virtua Fighter ou Star Wars Arcade. Apesar de não ser o primeiro jogo de corridas em 3D Poligonal, essa honra vai para o Winning Run da Namco, Virtua Racing foi o primeiro jogo da Sega nesse campo, sendo bem mais detalhado e rápido que os seus predecessores.

Jogo completo com caixa e manuais

Reza a lenda que o Virtua Racing inicialmente era apenas uma demo técnica para demonstrar as capacidades da Model 1, mas o resultado foi tão bom que a Sega decidiu poli-lo mais um pouco e lançá-lo no mercado. Como o jogo chegou à Mega Drive, bom, nativamente a Mega Drive não teria condições de receber um jogo deste calibre, a conversão do Hard Drivin’ não é exemplo para ninguém. A solução passaria por a Sega adoptar a mesma estratégia que a Nintendo fez com a Super Nintendo, ou seja, lançar jogos com hardware adicional que lhe permitam expandir as capacidades nativas do sistema. O resultado foi o chip SVP (Sega Virtua Processor), que conferiu à Mega Drive as capacidades necessárias em apresentar gráficos em 3D poligonal com maior qualidade. A minha cópia do jogo chegou-me às mãos há umas semanas atrás, estando completa. Foi comprada na cash converters de Alfragide, por cerca de 5€.

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Os circuitos que podemos escolher

Dispomos então de três modos de jogo: Virtua Racing, Free Run e 2Players VS. O primeiro é uma conversão do modo arcade, onde podemos escolher um de três circuitos com diferentes graus de dificuldade  – Beginner, Medium e Expert. Em todos os circuitos temos de completar 5 voltas e jogamos contra outros 15 adversários. Tal como os outros jogos arcade, para além de fazermos todos os possíveis para chegar em primeiro lugar, temos também de lutar contra o relógio até atravessar cada checkpoint. O modo Free Run é um modo treino, onde podemos aperfeiçoar as nossas habilidades e conhecer melhor os circuitos, sendo possível jogar sessões de 5, 10, 15 ou 20 voltas. Como seria de esperar, o outro é um modo multiplayer para 2 jogadores em splitscreen. E também como seria de esperar perde-se algum detalhe gráfico, nomeadamente algumas estruturas no horizonte. Ainda assim, a sensação de velocidade continua muito boa. Podemos também desbloquear um modo de jogo adicional, que nos permite jogar as pistas ao contrário.

Graficamente é natural que o jogo não possua todas as qualidades do original na arcade. Mesmo com o SVP, a paleta de cores da Mega Drive ainda é algo reduzida e mesmo os próprios modelos poligonais têm uma qualidade pior que na arcade. Ainda assim, a fluidez de jogo, longe de estar dos 60 frames por segundo que faziam do original um êxito, é bastante boa, dando ao jogador uma sensação de velocidade que sinceramente não estou a ver outro jogo de corrida na Mega Drive, ou até na SNES a fazer. Infelizmente o jogo tem uma draw distance reduzida, resultando em frequentes pop ups dos cenários, o que é ainda mais agravado se jogarmos com a perspectiva de câmara na primeira pessoa, aumentando o risco de colisões. Ainda assim gosto bastante do detalhe dado ao cockpit e às mãos do piloto nessa perspectiva. Para além da perspectiva em primeira pessoa, podemos seleccionar outros 3 ângulos de câmara, cada vez mais afastados do carro.

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As box estão também aqui presentes. Olhem para aqueles mecânicos quadrados. Tecnologia de ponta!

Um outro pormenor técnico que achei delicioso, são os instant replays no final de cada corrida. Estes mostram a nossa partida do início ao fim, em vários ângulos panorâmicos. Não tenho olho de lince para ver se o replay é 100% fiel da partida, ainda assim parece-me um feito tecnológico impressionante. No quesito do som as coisas parecem-me divididas. Por um lado tenta manter-se como uma conversão fiel ao jogo nas arcades, com apenas pequenos clipes de músicas no início e final da corrida, ou quando passamos algum checkpoint. O jogo merecia que as músicas continuassem pois algumas parecem ser mesmo catchies. Por outro lado, tirando os efeitos sonoros parecem-me bons, tirando o som que ouvimos ao ultrapassar o carro dos adversários ou mesmo algumas das voice samples, em especial a que ouvimos a passar os checkpoints.

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Os replays estão muito bons, tendo em conta que estamos a falar de uma Mega Drive

Porque não vimos mais jogos a utilizar o SVP na Mega Drive, tendo sido este jogo tão bom, apesar de caro? Bom, a resposta está precisamente em serem jogos que seriam bastante caros. Para contrariar isso, a Sega decidiu “inventar” a 32X, um infame add-on que conferia à consola da Sega melhores capacidades técnicas, capazes de correr jogos num 3D poligonal (pouco melhor que o apresentado neste jogo), ou jogos 2D mais detalhados. A ideia da Sega era precisamente contrariar o facto desses jogos “especiais” serem mais caros. Assim tinha-se um investimento inicial ao comprar o add-on, mas a longo prazo compensaria, pois os jogos de 32X custariam o mesmo que os restantes. Todos sabemos que essa estratégia saiu furada pelas mais variadas razões, mas isso será assunto para um outro artigo no futuro, se eventualmente comprar uma 32X.

Ainda assim, uma outra pergunta pertinente surge: esta versão “simples” e cara para a Mega Drive seria mesmo necessária, com uma versão largamente superior nos planos para a 32X lançada cerca de meio ano depois? Conjecturas à parte, Virtua Racing para a Mega Drive é uma excelente conversão arcade para o sistema. Para quem procurar algo mais, então existem outros jogos de corrida na própria Mega Drive com muito mais conteúdo.