Out Run (Sega Master System)

out-runOut Run é das memórias mais antigas que tenho de videojogos. Foi o primeiro jogo arcade que eu alguma vez joguei, num centro commercial perto de casa. Para além dessas memórias nostálgicas, Out Run é também uma obra-prima de Yu Suzuki. O seu conceito era bastante inovador para a época, onde ao contrário dos outros jogos de corrida onde o objectivo era chegar em primeiro lugar, em Out Run apenas tínhamos de desfrutar a viagem, a bordo de um Ferrari Testarossa e de uma loiraça como companheira de viagem. Bom, na verdade sendo este um jogo arcade com o objectivo de nos sugar todas as moedas do bolso, também não podemos conduzir tão descontraídamente assim, pois teríamos de chegar ao checkpoint seguinte dentro de um tempo limite. Mas o conceito estava lá, e juntando à tecnologia super scaler, Out Run era mesmo um dos jogos mais bonitos e fluídos das máquinas arcade na segunda metade da década de 80. Out Run levou com imensas conversões para as mais variadas plataformas, e a Master System foi uma delas. O meu exemplar veio de uma troca com um particular.

Jogo com caixa e manual europeu
Jogo com caixa e manual europeu

Tal como referi no parágrafo acima, o conceito de Out Run é diferente. É uma viagem onde a nossa maior preocupação é desviarmo-nos do trânsito e conduzir depressa o suficiente para alcançar o checkpoint seguinte dentro do tempo. Antes de chegar a esse checkpoint temos no entanto uma escolha a fazer, pois o caminho bifurca-se. Essa escolha vai-se repetindo algumas vezes até finalmente chegarmos a uma meta. Existem 5 metas diferentes, pelo que aumenta a longevidade do jogo se quisermos descobrir todos os diferentes percursos. Cada meta possui também uma cinemática final diferente.

A versão Master System é um esforço notável, mas está muito longe da glória da arcade
A versão Master System é um esforço notável, mas está muito longe da glória da arcade

Tecnicamente, a versão original de arcade era um colosso. Os gráficos eram muito bem detalhados com sprites grandes, bem detalhadas e a tecnologia Super Scaler da Sega que consistia em ampliar as sprites de uma forma dinâmica, contribuía bastante para a fluídez e sensação de velocidade. Os cenários eram também muito bem detalhados, as estradas tinham subidas e descidas e tudo era muito fluído. Naturalmente a Master System não possui hardware tão pomposo pelo que esta é uma versão bem mais modesta nesse aspecto. Os cenários estão muito mais minimalistas, as estradas continuam com os seus altos e baixos que até atrapalham um pouco porque podem ocultar o trânsito, mas a fluídez e sensação de velocidade não é a mesma. As músicas estão boas, a versão arcade possuía 3 músicas que poderiamos seleccionar no início do jogo qual quiséssemos ouvir. Todas elas com excelente qualidade e apesar de continuarem agradáveis na versão Master System, não é a mesma coisa que nas máquinas.

Em suma este Out Run nem é um mau jogo, de todas as adaptações de jogos super scaler para a Master System (Space Harrier, Hang-On, Galaxy Force, por exemplo), esta até é das versões que se porta melhor na minha opinião. A versão Mega Drive que saiu anos depois, é mais próxima da versão arcade, mas mesmo aí foram feitos sacrifícios. A primeira versão bem fiel à original surgiu apenas na Sega Saturn, na compilação Sega Ages Volume 1.

Mortal Kombat (Sega Game Gear)

mortal-kombatO próximo dos artigos super-rápidos por serem sobre conversões idênticas a jogos que já tenha analisado, desta vez trouxe a versão Game Gear do primeiro Mortal Kombat. Como estariam à espera, esta versão é muito idêntica à da Master System, o que por si só não é muito abonatório ao seu favor. Tal como a versão SMS, aqui também faltam lutadores, nomeadamente o Kano e o Reptile. Algumas das arenas também foram cortadas e a jogabilidade não é tão boa. A grande diferença está uma vez mais na menor resolução do ecrã da Game Gear.

Apenas cartucho
Apenas cartucho

O meu exemplar veio também da Feira da Vandoma no Porto, num bundle em que comprei a consola mais uns quantos jogos por 10€. Para mais informações sobre esta adaptação do primeiro Mortal Kombat, recomendo passar pelo artigo da Master System.

Super Monaco G.P. II (Sega Game Gear)

21628_frontOs próximos artigos serão apenas muito breves entradas, isto porque são de conversões que já foram por aqui analisadas. Este caso é o de Ayrton Senna’s Super Monaco G.P. II, a última sequela desta série de corridas de F1 da Sega, com as suas origens nas arcades. Este jogo foi conhecido pela importante participação do famoso piloto Ayrton Senna no seu processo de desenvolvimento, principalmente da versão da Mega Drive, que o tornou no jogo mais realista no mercado (para consolas caseiras, visto que nos computadores a história era outra). O jogo saiu então para as 3 principais consolas da Sega na altura, entre as quais a versão Master System que já analisei aqui.

Apenas o cartucho
Apenas o cartucho

O meu exemplar foi comprado na feira da Vandoma no Porto, num bundle da consola com uns 7 ou 8 jogos que me ficou por 10€. A versão Game Gear é idêntica à da Master System, com as principais diferenças a estarem no facto do ecrã da Game Gear ser mais pequeno e a informação a ter de ser adaptada à menor resolução. A outra grande diferença está no suporte a multiplayer para 2 jogadores. Enquanto que na Master System isso foi uma das coisas que falhou, aqui existe com recurso ao cabo de ligação entre 2 Game Gears.

Sonic Mega Collection Plus (Sony Playstation 2)

60323_frontA rapidinha de hoje leva-nos de volta à Playstation 2 e a mais uma das várias compilações que a consola acolheu. Esta em especial é uma reedição da compilação Sonic Mega Collection, que tinha sido lançada algum tempo antes em exclusivo para a Nintendo Gamecube. O que trouxe esta nova versão Plus? Bom, essencialmente mais jogos e conteúdo extra! Este meu exemplar veio da Cash Converters e Alfragide, algures durante o verão de 2016 e não me terá custado mais de 2.5€.

Compilação com caixa e manual
Compilação com caixa e manual

A versão original de Gamecube trazia por defeito todo o catálogo de jogos do Sonic lançados para a Mega Drive, incluindo o Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine. Para além desses clássicos poderiamos vir a desbloquear as combinações de Sonic & Knuckles e os seus predecessores, mais dois outros clássicos da Mega Drive: Flicky, o velhinho jogo arcade cujos pássaros viriam a ter um importante papel no Sonic 3D e Ristar, um outro jogo de plataformas desenvolvido pela Sonic Team que mais tarde acabarei por trazer cá num artigo em separado. A versão japonesa dessa compilação trazia ainda mais 2 jogos de Mega Drive escondidos, nomeadamente o clássico Comix Zone e o estranho The Ooze, ambos jogos da Sega Technical Institute, o estúdio americano que desenvolveu Sonic Spinball e Sonic 2. Felizmente esta versão PS2 traz também esses dois últimos jogos que anteriormente estavam exclusivamente na versão japonesa da Game Cube. Para além disso, incluíram ainda mais uns 6 jogos de Sonic para a Game Gear, como o Sonic the Hedgehog, Sonic Chaos, Sonic Blast, Sonic Labyrinth, a versão 8bit do Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine e o primeiro Sonic Drift, o jogo de corridas que apenas havia sido lançado em território japonês.

A versão Plus inclui uma série de jogos da Game Gear também
A versão Plus inclui uma série de jogos da Game Gear também

Para além de todos esses jogos, podemos aceder a scans de todos os manuais de instruções, códigos de batota, e uma série de diferentes galerias, desde artwork de cada personagem, scans de várias bandas desenhada da Archie Comics, ou vídeos do Sonic Heroes com algum making off pelo meio. Não está nada mau, embora eu preferisse ter conteúdo extra como entrevistas aos produtores ou algum making off mais concreto.

Portanto, Sonic Mega Collection Plus é uma excelente compilação para quem quiser ter todos os Sonic clássicos da Mega Drive num só disco. A escolha dos jogos da Game Gear é um pouco estranha, deixando buracos como o Sonic 2 ou o Triple Trouble, mas esses estarão na Sonic Gems Collection, cujo artigo também cá trarei em breve.

Pinnochio (Sega Mega Drive)

pinocchioA rapidinha de hoje leva-nos de volta à Mega Drive, para mais um dos jogos da Disney da era 16bit, daqueles desenvolvidos pela Virgin e que possuiam excelentes gráficos e animações. E apesar de Pinnochio não fugir a essa regra, pois é um jogo bonito, acaba também por deixar um pouco a desejar na sua jogabilidade, embora tenha também alguns momentos interessantes e originais. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto algures há uns bons meses atrás. Custou-me 2€.

Jogo completo com caixa e manuais
Jogo completo com caixa e manuais

Tal como o nome indica, este videojogo é uma adaptação do clássico filme da Disney, que conta a história de uma marionete construída por Gepetto e que ganha vida através de uma fada mágica. Pinocchio é o seu nome, o nariz cresce quando mente, e tem o sonho de se tornar um rapaz de carne e osso. Acho que todos conhecemos a história e o jogo até se adapta muito bem aos acontecimentos do filme. Os controlos são também simples com um botão para saltar e outro para atacar. Mas o que eu esperava que fosse um simples jogo de plataformas, Pinnochio acabou por me surpreender pela sua variedade, embora não seja necessariamente uma coisa boa. No primeiro nível controlamos Pinocchio pelas ruas da sua cidade, esquivando-se de todos os perigos que nos perseguem, até porque em grande parte do nível não podemos atacar. No seguinte já controlamos o grilo falante, onde estamos num candeeiro público a defrontar uma série de insectos. O terceiro nível é passado num teatro de marionetas, onde temos de imitar uma coreografia apresentada por outras marionetas. Um bocadinho como o dance dance revolution mas sem as indicações da sequencia de botões a pressionar, temos de os memorizar. Os níveis restantes já vão sendo mais característicos de um jogo de plataformas, embora ainda tenham os seis quês. Desde saltitar de balão em balão na Pleasure Island, os níveis subaquáticos, incluindo aquele em que nos vamos balanceando de peixe em peixe para fugir de Monstro, a baleia que comeu Gepetto. E claro, o nível final é também um bocadinho chato, onde mais uma vez fugimos da baleia, mas desta vez com Gepetto e termo-nos de desviar de vários calhaus.

Não, o screenshot não está ao contrário. Num dos níveis sub aquiáticos por vezes temos estas mecânicas de "inversão de gravidade"
Não, o screenshot não está ao contrário. Num dos níveis sub aquiáticos por vezes temos estas mecânicas de “inversão de gravidade”

Graficamente é um jogo bastante bonito, como a Virgin bem nos habituou nos seus jogos da Disney em sistemas de 16bit. Para além dos níveis estarem bem detalhados, as personagens também o são e as suas animações ficaram bastante fluídas. Mais ou menos entre cada nível vamos tendo também pequenas cutscenes que nos vão contando a história do jogo, na forma de páginas de um livro. As músicas são também muito boas e se não me engano foram buscar muitas melodias ao filme clássico da Disney.

Os gráficos continuam excelentes e as animações também. Não há como negá-lo!
Os gráficos continuam excelentes e as animações também. Não há como negá-lo!

Sinceramente, Pinocchio é para mim um jogo algo estranho. Por um lado dou o mérito à equipa de ter ousado criar níveis completamente diferentes entre si, tanto nos objectivos a cumprir como na jogabilidade, mas por outro acho que a execução ficou muitas vezes aquém das expectativas. No aspecto técnico é um excelente trabalho, como tem sido habitual.