Mega Games 6 Volume 2 (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas na Mega Drive, hoje vamos abordar mais uma das compilações Mega Games. Após os Mega Games 1, 2 e 3 que continham cada uma 3 jogos diferentes da Mega Drive, a Sega decidiu começar uma nova trilogia de compilações, cada qual com 6 jogos. Mega Games 6 Volume 1 foi a primeira e consistia numa junção das compilações Mega Games I e Mega Games 2. O segundo volume é o que cá trago hoje, foi comprado numa Cash Converters algures em Fevereiro de 2016, tendo-me custado 8€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Portanto, que jogos novos traz esta compilação? Infelizmente, tal como o primeiro volume, não traz nenhum novo jogo que não tenha já sido lançado numa compilação Mega Games anterior. Esta compilação traz então os mesmos jogos que fazem parte da Mega Games I original (sim, outra vez), mais os que sairam na Mega Games 3. Teremos então Columns, Super Hang On e Italia 90, bem como Super Thunder Blade, Super Monaco GP e Alien Storm. Acho que se a Sega queria mais uma vez reciclar jogos que já sairam em compilações, poderia ao menos abordar alguns dos que sairam na compilação Classics Collection, em vez de apostar uma vez mais na Mega Games I. Para relembrar, essa compilação tem o Flicky, Alex Kidd, Altered Beast e o grande clássico Gunstar Heroes.

Mega Games 3 (Sega Mega Drive)

As compilações “Mega Games” para a Mega Drive eram, de maneira geral, excelentes opções para jogar alguns dos clássicos que sairam ainda relativamente cedo no ciclo de vida da consola. O segundo volume é uma compilação tão boa, com Golden Axe, Revenge of Shinobi e Streets of Rage, que para mim só veio a ser superada mesmo com as compilações que se seguiram e que começaram a ter 6 jogos por cartucho. Mas antes disso, a Sega lançou este Mega Games 3 que por alguma razão, raramente o vejo por estas paragens, pelo que meu acabou por vir do reino unido por um valor algo abaixo dos 10€.

Jogo com caixa e 2 manuais… mas também não sei onde caberia o terceiro

Este volume do Mega Games possui os seguintes jogos: Alien Storm, um interessante jogo de acção com algumas similaridades com Golden Axe mas que nunca teve o reconhecimento merecido; Super Thunder Blade, um dos primeiros shooters da plataforma e Super Monaco Grand Prix, um jogo de Formula 1 bastante competente para a sua época. Recomendo a leitura dos artigos acima mencionados para uma análise em maior detalhe para cada um dos jogos desta compilação, mas o sentimento que fica é que pelo menos para mim, dificilmente conseguiriam fazer uma melhor escolha de 3 jogos simples para uma compilação na Mega Drive que a do Mega Games 2.

Super Monaco GP (Sega Mega Drive)

A minha experiência enquanto criança com o Super Monaco GP sempre foi com a versão Master System, uma versão bem mais simplificada do original arcade e sua adaptação para a Mega Drive. A versão arcade tinha apenas um circuito baseado no circuito de Mónaco, mas era extremamente bem detalhada e um dos jogos de corrida inteiramente em 2D mais avançados da sua época. A versão Mega Drive natualmente perdeu muito desse detalhe gráfico, mas em contrapartida ganhou bastante em conteúdo. O meu exemplar foi comprado algures em Maio num evento relacionado com retrogaming e custou-me 9€.

Jogo completo com caixa e manual

A versão Mega Drive ganhou então um modo de jogo inteiramente diferente, o “World Championship”, que conforme o nome indica, teremos uma temporada inteira pela frente. Começamos a nossa carreira numa equipa modesta e o objectivo é ganhar a competição ao fazer mais pontos que os outros pilotos. Temos no entanto aqui um interessante sistema de rivalidades, onde somos convidados a escolher um rival de uma equipa adversária para competir directamente. Se terminarmos duas corridas à frente do mesmo rival, a equipa pela qual ele compete oferece-nos um lugar na sua equipa e se o aceitarmos, o rival é despedido, sendo posteriormente contratado por uma equipa mais fraca. Ora isto é um conceito interessante mas deve ser usado com precaução, pois caso sejamos nós a perder os confrontos directos, também somos penalizados. Se conseguirmos vencer na primeira temporada, somos convidados a competir pela equipa Madonna (equivalente à McLaren, que em 1989 era a melhor equipa da prova) e teremos depois uma segunda temporada para defender o primeiro título.

Graficamente é um jogo bem competente embora esteja ainda uns furos abaixo do original arcade

De resto, antes de cada corrida podemos dar algumas voltinhas para ficar a conhecer o circuito, bem como a prova de qualificação, cuja nossa performance ditará a nossa posição na grelha de partida da prova em si. De resto, infelizmente, ao contrário de outros jogos de Formula 1 da época não temos grandes hipóteses de customização dos carros que conduzimos, a não ser a parte da transmissão que podemos escolher qual o número de mudanças que a caixa permite. Quantas mais mudanças, mais controlo poderemos ter do carro e mais rendimento lhe conseguimos tirar. De resto, para termos acesso a carros melhores, só mesmo com o conceito de desafiar rivais é que nos dará acesso a carros com melhor performance. Para além do World Championship temos também o Free Practice, que conforme o nome indica permite-nos practicar em qualquer um dos 16 circuitos disponíveis, e o Monaco GP que é uma adaptação da versão arcade. Aqui podemos competir apenas no circuito de Mónaco, a diferença é que à medida que vamos avançando checkpoints, o jogo obriga-nos a estar cada vez melhor classificados.

Nomear e derrotar rivais é uma maneira de irmos evoluindo no jogo e ficar com melhores carros.

A nível audiovisual, naturalmente que esta versão fica um bom bocado aquém do original arcade, até porque essa corre no sistema X-Board, bem superior ao que a Mega Drive consegue produzir. Portanto os circuitos acabam por ter menos detalhe que na versão arcade, ainda assim para um jogo de 1989/90 não deixa de impressionar na Mega Drive, quanto mais não seja pelas sprites grandinhas dos carros adversários, a fluidez, detalhe considerável das pistas e claro, o espelho retrovisor que ocupa uma boa parte do ecrã. Nada a apontar aos efeitos sonoros e as músicas são bastante agradáveis, embora só as ouvimos no ecrã título, menus entre corridas e nos créditos.

Portanto este Super Monaco GP para a Mega Drive acaba por ser um bom jogo, onde a Sega compensou bem os donos da Mega Drive com um bom modo de carreira, já que a nível audiovisual ficaria muito aquém do original arcade. Mas volto a reiterar que, mesmo com muitos cortes, não deixa de ser um jogo de corridas bonito para um sistema de 16bit, mesmo considerando que é um jogo ainda do início de vida da consola.

Black Hole Assault (Sega Mega CD)

A rapidinha de hoje leva-nos para mais um jogo da Mega CD, nomeadamente este Black Hole Assault que sinceramente nunca tinha ouvido falar do mesmo. Desenvolvido pela nipónica Micronet, este é um jogo de luta futurista entre mechas e sequela directa do Heavy Nova, um outro jogo da Micronet lançado para a Mega CD e Mega Drive, mas apenas em solo japonês e americano respectivamente. Bom, a jogabilidade não é grande coisa, mas devo dizer que fiquei bastante supreendido pela sua apresentação. Mas já lá vamos. O meu exemplar veio do reino Unido há uns tempos atrás, creio que me custou algo entre os 7,5 e os 10€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

40 anos após os acontecimentos de Heavy Nova, onde uma civilização alienígena conhecida pelo nome de Akirovianos, atacou o planeta terra, deixando-o à beira da ruína. Agora, com a humanidade ainda a recuperar, os aliens estão de regresso, ao posicionar uma série de robots em pontos fulcrais do sistema solar e que estão a atacar as nossas naves que para lá viajam em busca de recursos. Cabe-nos a nós então encarnar num piloto humano que irá conduzir o seu mecha e combater cada um destes robots, eliminando uma vez mais esta ameaça.

Apesar do jogo investir muito na sua apresentação, a jogabilidade deveria ser bem melhor.

Entre cada combate podemos escolher quais dois dois mechas queremos controlar, seja o Cyquest ou o Orion, cada um com diferentes habilidades. Depois nos combates em si, para além do tempo de combate que temos disponível, cada robot possui uma barra de vida que se vai esvaziando com o dano infligido e o nosso objectivo é naturalmente o de derrotar o oponente à pancada. Para além disso, cada robot possui também um certo nível de energia (medido em percentagem) que quando no máximo, nos permite executar o golpe especial do robot em questão, ao pressionar o mesmo botão dos socos. Portanto a nível de jogabilidade em teoria as coisas são bastante simples, mas quando começamos a jogar, o caso muda de figura. Os robots são lentos, os controlos nem sempre respondem (ou sou eu que não acerto no timing) e não há uma grande variedade assim de diferents golpes.

Gosto bastante destas introuções semelhantes a programas de computador

De resto, para além do modo história, temos também alguns modos multiplayer, desde partidas casuais, que curiosamente possuem um editor muito interessante onde podemos customizar os nossos oponentes, a probabilidade de desferirem cada golpe, etc. Temos também modos de torneio (combates eliminatórios) e campeonatos (por pontos), o que até seria um ponto positivo, se a jogabilidade não fosse tão mázinha.

As cutscenes são excelentes para um jogo de Mega CD

Por outro lado a nível de audiovisuais este é um jogo decididamente surpreendente. O mesmo está repleto de cutscenes anime e com um voice acting bem melhor do que estaria à espera (o que também não quer dizer muito) e entre cada combate vamos tendo também uma série de animações que simulam uma linha de comandos, um toque que sinceramente me agradou. Infelizmente muitas das cutscenes têm história para encher chouriços, mas é de louvar o esforço que a Micronet colocou na apresentação do jogo. As arenas e lutadores possuem gráficos bons quanto baste, com os combates a decorrerem em diversas luas e planetas do sistema solar, cada qual com diferentes paisagens. As músicas são todas em CD-Audio e bastante agradáveis.

Chiki Chiki Boys (Sega Mega Drive)

Outro dos jogos arcade da Capcom que a Sega (desta vez com a ajuda da Visco) converteu para a Mega Drive é este Chiki Chiki Boys, um interessante jogo de plataformas que na arcade poderia ser jogado cooperativamente com um amigo, algo que infelizmente ficou de fora nesta conversão. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures durante o mês de Abril, tendo-me custado algo em volta dos 7.5€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos ao reino fantasioso de Alurea, cujo foi subitamente atacado por uma série de monstros e ninguém escapou à sua fúria, a não ser o par de príncipes, gémeos, que conseguiram sobreviver e ao fim de 15 anos decidem confrontar os vilões e restaurar a liberdade ao seu povo.

Apesar de dar a entender o contrário, esta versão Mega Drive só suporta 1 jogador

Este é então um jogo de acção / plataformas em 2D onde temos a liberdade de escolher a ordem pela qual queremos jogar os 3 primeiros níveis, todos eles com algumas particularidades entre si. O primeiro é um nível de plataformas mais tradicional, já o segundo e terceiros são níveis subaquáticos ou aéreos (com o protagonista a ter equipado um boné que lhe permite voar), pelo que nesses níveis teremos mais liberdade de movimentos. Podemos atacar com a nossa espada e, quando as desbloquearmos, poderemos também lançar algumas bombas mágicas que causam dano em todos os inimigos no ecrã, estas que possuem um número limitado e podem ser restabelecidas ao apanhar power ups. Mas ao contrário do original arcade onde poderíamos jogar cooperativamente com outro jogador e controlar ambos os irmãos em simultâneo, aqui só podemos escolher um, infelizmente. As diferenças entre os irmãos é que um deles é mais forte com a espada, o outro tem mais aptidão para a magia, ou seja, pode carregar com um maior número de bombas. Os power ups que encontramos são na sua maioria moedas que contribuem para um maior número de pontos, mas também as já referidas bombas mágicas, ou outros power ups que nos restabelecem a barra de energia ou melhoram a nossa espada. Ocasionalmente, entre cada nível, podemos também visitar uma loja e comprar alguns desses power ups usando as moedas que fomos amealhando.

Aquela concha que vemos no canto superior direito são os power ups das bombas mágicas. Cada irmão pode carregar um número máximo diferente deste itens.

De resto é um jogo de acção/plataformas bastante agradável e com níveis distintos entre si, como os já referidos níveis subaquáticos ou aéreos que nos dão mais liberdade de movimento. Sub bosses e bosses é algo que também não falta felizmente, não fosse este um jogo arcade. Felizmente também temos uma barra de vida para os bosses, pelo que dá para ter uma ideia de quanta vida lhes resta enquanto os combatemos. Ah, e já me ia esquecendo, podemos saltar entre paredes como no Ninja Gaiden o que é sempre bom!

A nível audiovisual acho este um jogo competente. Os cenários e as personagens são bem detalhadas e coloridas quanto baste. O jogo em si possui um aspecto muito cartoon que lhe assenta bastante bem e as músicas também são bastante agradáveis.

Graficamente e um jogo bastante competente e o design das personagens e monstros está muito cartoon e agradável

Portanto este Chiki Chiki Boys é mais uma boa conversão de um jogo da Capcom para a Mega Drive, pelas mãos da própria Sega. Isto foi algo que aconteceu em todos os jogos da Capcom lançados para a Master System e Mega Drive até ao Street Fighter II, que foi o primeiro jogo da Capcom para a Mega Drive convertido pela própria.