Toy Story (Sega Mega Drive)

Toy StoryEste artigo podia ser resumido numa frase: “Quando joguei este jogo pela primeira vez, apenas experimentei os primeiros níveis e não gostei muito, mas decidi dar-lhe uma segunda oportunidade e afinal o jogo até é bom”. Basicamente é isso, mas vou desenvolver um pouco mais nos próximos parágrafos. E o meu exemplar foi comprado algures na feira da Vandoma no Porto, creio que me custou uns 5, 6€ e veio num lote de jogos que comprei a um vendedor por lá. Está sem manuais, infelizmente.

Jogo com caixa e manual

O filme original do Toy Story é um dos meus filmes de animação preferidos da Disney e foi revolucionário para a época em que foi lançado devido às suas animações serem inteiramente geradas por computador. A história onde os brinquedos ganhavam vida estava muito bem conseguida e este jogo até faz um bom papel ao adaptá-la para este formato jogável. Se viveram estes anos todos debaixo de uma rocha e não conhecem Toy Story… não, não vou fazer isto, vejam o filme! 🙂

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Cada nível tem objectivos diferentes e por vezes mecânicas de jogo inesperadas

A razão pela qual eu não gostei do jogo à primeira vez é porque os primeiros níveis não me foram muito cativantes e não gostei muito dos controlos, que apesar de simples… faltava ali qualaquer coisa. Aqui apenas controlamos Woody, cujos controlos lhe permitem saltar e mandar chicotadas com à lá Castlevania, embora aqui o chicote apenas neutralize temporariamente os “inimigos”, vulgo outros brinquedos. Mas também pode ser usado para nos balancearmos de plataforma em plataforma, algo obrigatório em alguns níveis. Até aqui tudo bem, mas não gostei muito do design dos níveis de plataforma que, apesar de serem fiéis ao filme, passando-se no quarto do Andy, um típico quarto de rapaz, desarrumado e cheio de brinquedos espalhados, havia ali qualquer coisa que nunca me agradou muito e sinceramente também não consigo explicar muito bem o porquê.

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Aquelas pernas gigantes não devem ter sido nada fáceis de programar, ainda com animações fluídas.

Mas decidi dar-lhe outras oportunidades e aí me apercebi de várias particularidades deste jogo. A primeira, e logo a mais óbvia é o facto de em cada nível termos diferentes objectivos para cumprir. Ao contrário de outros jogos de plataformas da mesma época, aqui o objectivo nem sempre é chegar do ponto A ao ponto B e seguir para o nível seguinte, mas o jogo tenta reproduzir com alguma fidelidade os acontecimentos do filme. Logo no segundo nível quando Andy traz para o seu quarto o novíssimo Buzz, o objectivo consiste em ajudar os restantes brinquedos a serem “arrumados” no local onde estavam, e temos de o fazer dentro de um tempo limite. Para isso temos de derrubar alguns obstáculos ou encaminhar alguns brinquedos para sítios específicos. O nível seguinte marca uma corrida entre Buzz e Woody para ver “quem é o melhor brinquedo”, depois mais lá para a frente é que comecei a ver alguma variedade real: temos um nível em que controlamos um carro telecomandado, jogado numa perspectiva semelhante à dos Micro-Machines, outro nível em que é jogado inteiramente na primeira pessoa como se um FPS se tratasse, embora não tenhamos de fazer grande coisa, infelizmente. Até um nível de corridas em “3D” lá temos e o último nível é jogado quase como se um shmup horizontal se tratasse, mas mais uma vez sem quaisquer disparos. Só por aí este jogo já vale a pena, por toda a sua originalidade e variedade.

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É verdade que não fazemos muito mais do que andar de um lado para o outro aqui, mas não estava nada à espera deste nível na primeira pessoa.

Graficamente o Toy Story sempre foi um bom jogo. Tal como o Donkey Kong Country, os gráficos não são constituídos por sprites e backgrounds convencionais, mas sim digitalizações de modelos 3D, o que lhe dá logo um aspecto “muito à frente”. Mas este jogo é bem mais impressionante a nível visual na Super Nintendo, onde a melhor paleta de cores da consola acaba mesmo por levar a melhor. As cores na Mega Drive são mais fracas e isso nota-se bem. No entanto não deixa de ser uma óptima conversão, com algumas sprites enormes como o cão de Sid, ou os miúdos a correrem de um lado para o outro na pizzaria. Aí o jogo esteve de facto muito bem. As músicas são boas e a versão Mega Drive não se porta nada mal neste aspecto.

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Outro nível bem diferente do platforming que estava à espera

E é por esses motivos que Toy Story até acabou por me agradar. Por um lado os níveis de puro platforming continuam a não me cativar particularmente, mas toda a variedade, aliada a um óptimo trabalho no campo dos audiovisuais acabaram por fazer a diferença. Venham mais boas surpresas assim!

FIFA Soccer 97 (Sega Mega Drive)

FIFA 97Mais uma rapidinha a um jogo desportivo, desta vez o FIFA 97 para a saudosa Sega Mega Drive, possivelmente o jogo de futebol que mais joguei na vida, no entanto não tenho muito mais a acrescentar ao que já foi escrito em artigos como o do FIFA 95 e 96, daí a rapidinha. E ao contrário desses 2 jogos, que os tenho com caixa e manual, este FIFA 97 apenas o cartucho veio cá parar, tendo sido comprado juntamente com a consola por 15€, ficando-me a um preço muito barato. Edit: Eventualmente em Agosto de 2017 ofereceram-me uma caixa do jogo.

Jogo com caixa

Tal como nos anteriores, este jogo contém uma vasta selecção de diferentes equipas, campeonatos e selecções, embora infelizmente a nossa portuguesa tenha ficado no esquecimento. Já ter a selecção não é mau! Mas podemos criar as nossas próprias equipas, tal como no FIFA 96. A nível de modos de jogo é exactamente a mesma coisa: podemos jogar um amigável, torneios, campeonatos e playoffs. A grande novidade está é no tipo de estádio que podemos escolher: outdoor e indoor. Nos estádios normais, nada muda, mas nos indoors a história já é outra. Aqui é jogada uma variante de futebol de salão, onde apenas temos 5 ou 6 jogadores em campo para cada equipa e podemos fazer tabelinhas com as paredes, resultando em partidas mais frenéticas. Foi na minha opinião uma boa adição ao jogo que já ia na sua quarta iteração a utilizar o mesmo motor gráfico.

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A adição do indoor soccer é sem dúvida a grande novidade deste jogo

Fora isso não reparei em grandes diferenças a nível de jogabilidade, pois apesar de ter sido o jogo de futebol que mais joguei até agora, nunca deixou de ser de uma forma mais casual. De resto, a nível gráfico também não existem muitas diferenças face aos anteriores, talvez exceptuando o facto de podermos jogar em diferentes condições climatéricas e isso nota-se no relvado. As músicas quando existentes cumprem bem o seu papel, embora não sejam propriamente memoráveis. Já os efeitos sonoros continuam excelentes e não tenho nada a apontar nesse campo.

FIFA 97 é mais um bom jogo de futebol para a Mega Drive, sendo na minha opinião o mais interessante dos cinco que a consola de 16bit da Sega acabou por receber, quanto mais não seja pela adição do indoor soccer.

The Jungle Book (Sega Mega Drive)

Jungle BookMais uma rapidinha de Mega Drive, a um jogo que já analisei, pelo menos a sua incarnação de 8bit que apesar de ser um pouco diferente devido às limitações da Master System, no seu conceito acaba por ser um jogo semelhante. O Jungle Book é um dos filmes clássicos da Disney que conta a história de Mowgli, um jovem rapaz que foi abandonado na selva e criado por uma série de animais, como o urso Balu, a pantera Bagheera, entre outros bichos. Esta minha cópia do jogo foi comprada no mês passado na feira da Vandoma do Porto e custou-me 6€, estando sem manual.

The Jungle Book - Sega Mega Drive
Jogo com caixa apenas

Tal como referi acima, o jogo segue a história clássica do Livro da Selva, mas a interpretação do filme da Disney, não a obra original. A jogabilidade é a de um jogo de plataformas e excepto nos níveis em que tenhamos de enfrentar algum boss como o macaco King Louie ou o vilão Shere Khan, os restantes consistem em guiarmos Mowgli por várias diferentes localidades da Selva, desde as densas florestas, riachos ou templos em ruínas, sempre à procura de um determinado número de pedras preciosas que nos permitam depois avançar para o nível seguinte. Apesar de existirem 15 dessas pedras espalhadas em cada nível, não precisamos necessariamente de as apanhar a todas (existe uma opção que nos permite mudar esse número de joias mínimas para apanhar), mas caso encontremos as 15 podemos jogar um pequeno nível de bónus onde num curto intervalo de tempo tentamos obter a melhor pontuação possível e claro, vidas extra.

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Como seria de esperar, este jogo é bem mais colorido e detalhado que o original da Master System

Mowgli é um rapaz bem ágil, e como em vários jogos do género pode derrotar alguns inimigos simplesmente ao saltar-lhes para cima. Contudo nem sempre dá jeito, ou simplesmente resulta essa abordagem. Para isso podemos usar várias “armas”, algumas por defeito como um reservatório infinito de bananas que podem ser atiradas, já as outras podem ser encontradas como power-ups ao longo dos níveis, entre as quais bumerangues, bananas duplas ou as mais poderosas pedras (ou serão antes côcos?), que vêm sempre em números limitados. A fruta que vamos poder encontrar ao longo do jogo apenas nos dão mais pontos, já os corações restabelecem alguma da vida perdida. De resto a jogabilidade é bem intuitiva, com um botão para saltar, outro para disparar bananas/etc, e um outro para mudar de “arma”. O platforming tanto pode ser simples como bem exigente, como é o caso do nível onde acabamos por enfrentar depois o King Louie, que nos coloca a saltitar de pedrinha a pedrinha e muitas delas desaparecem segundos depois de serem pisadas.

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A maior parte dos inimigos acabam por ser macacos. Estão em todo o lado!

No que diz respeito aos audiovisuais, os jogos da Disney desenvolvidos a cargo da Virgin Interactive para a Mega Drive sempre foram obras bem competentes nesse campo. Tal como em Aladdin temos gráficos muito coloridos, quase que parece que estamos a jogar um jogo de SNES, e a música também é bastante acima da média, não só por usar como base a banda sonora do filme (e só de escrever isto já fiquei com a música principal na cabeça), mas também por tirar muito bem partido do hardware de audio da Mega Drive, muitas vezes mal-aproveitado em vários jogos o que causou uma certa fama de a Mega Drive não ter um som bom. Não é esse o caso com este Jungle Book, felizmente.

Posto isto, para quem cresceu a ver os filmes clássicos da Disney e gosta de jogos de plataformas da época das 16bit, esta é mais uma boa proposta, felizmente a Mega Drive está cheia delas. Curiosamente a versão Mega Drive saiu um ano depois da Master System e é um jogo diferente, apesar de possuir os mesmos conceitos e jogabilidade básica, pelo que mesmo que tenham a versão SMS como é o meu caso, não deixem de verificar esta.

Gods (Sega Mega Drive)

GodsMais uma rapidinha para a Mega Drive, a um jogo que quando era mais novo e o joguei pela primeira vez em emulador nunca me deixou muito entusiasmado. Mas com o burburinho que tenho visto por aí em vários sítios ao apelidá-lo de uma hidden gem, despertou-me novamente a curiosidade e quando finalmente tive a oportunidade de o comprar a um bom preço, acabou por me desiludir uma vez mais. Mas não é um jogo mau. Entretanto o meu exemplar foi comprado algures durante o passado mês de Dezembro na Player (antiga Virtualantas), no Porto por 3€, após ter servido de moeda de troca de um outro jogo que eu tinha repetido para a Mega Drive.

Gods - Sega Mega Drive
Jogo com manual multilínguas. Infelizmente o cartucho está cheio de stickers, era de algum videoclube. A artwork é óptima, embora esta versão esteja algo censurada, faltando as espadas nas mãos do nosso herói

O jogo é levemente baseado na mitologia grega, onde 4 guardiães de qualquer coisa invadiram a cidade dos deuses e os mesmos oferecem uma recompensa, na forma de concederem um desejo ao mortal que conseguir derrotar os guardiães e reconquistar a cidade. Pois bem, um herói chegou-se à frente e o seu único desejo é o de se tornar num próprio deus iguais aos restantes do Olimpo. O seu nome é Hércules.

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O sistema de inventário apenas nos deixa carregar 4 coisas de cada vez

A jogabilidade é provavelmente a coisa mais interessante deste jogo, visto ser o misto de um platformer, shooter e com puzzles para resolver. O jogo está dividido em quatro áreas diferentes, incluindo a tal cidade, um templo ou um labirinto, todos eles divididos em vários níveis com um boss final, um dos tais guardiães. O objectivo acaba sempre por ser o de chegar à saída de cada nível e derrotar os bosses, mas a maneira como é feita é que é o diferencial neste jogo. De platformer temos claro os conceitos de saltos de plataformas, saltos esses que por vezes são até algo exigentes. De shooter temos o facto de podermos comprar e equipar até 3 diferentes armas  a serem usadas em simultâneo, com vários projécteis que fazem o nosso herói parecer uma nave do R-Type com 2 pernas. A parte dos puzzles existe pois temos um inventário que pode albergar até 4 items, como chaves que nos permitam abrir portas, ou outros objectos que poderão servir também para desbloquear acesso a passagens secretas com itens que nos aumentam a pontuação/dinheiro e para além disso também temos várias alavancas para interagir. Isto faz com que exista algum backtracking em cada nível.

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Existem lojas onde podemos comprar vários powerups, como armas melhores

Depois temos a dificuldade e a forma como a mesma se comporta. Aparentemente o jogo consegue ser um pouco mais gracioso para os jogadores mais rookies, recompensando-os com mais itens que regenerem a nossa “barra de energia” ou mesmo vidas extra, mas sinceramente não o joguei vezes suficientes para reparar nesse aspecto. Depois a posição dos inimigos e o momento em que os mesmos surgem no ecrã são todas activadas com base nas nossas acções e para onde nos vamos movendo. Por essa razão, este Gods é um jogo que recompensa quem tenha paciência e vá avançando de forma mais lenta e cuidadosa ao longo dos níveis. Isto porque podemos ser logo rodeados de vários monstros que não morrem logo de um momento para o outro e podem-nos fazer a vida muito negra.

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Os bosses também costumam ser grandinhos e chatinhos

Mas o que não gostei neste jogo, para além do movimento não tão fluído da nossa personagem, foi mesmo da pouca variedade de gráficos. Não que seja um jogo muito feio, mas estar a ver sempre os backgrounds demasiado parecidos entre si acaba por cansar um pouco. Por outro lado temos músicas excelentes, e sinceramente cada vez mais começo a notar essa particularidade na maioria dos jogos desta época e de origem britânica que tenho jogado até agora, muitos têm músicas muito boas.

Depois temos também alguns pormenores interessantes, como o sistema de dicas que o jogo nos vai dando, ou a maneira não convencional que temos em tentar apanhar alguns itens que não conseguimos alcançar: esperamos que apareça um ladrão, apanhe o loot, e depois temos uma curta margem de tempo para o apanhar. No fim de contas acho este Gods um jogo original, não lhe retiro esse mérito, mas como um todo acaba por não me agradar assim muito. Tal como referi acima, teria muito mais a ganhar se houvesse uma maior variedade nos visuais e também controlos mais fluídos.

Another World (Sega Mega Drive)

Another WorldDe volta para a Mega Drive para uma breve análise a uma conversão de um jogo clássico da Delphine Sofware, o Another World. O produto original foi desenvolvido unicamente por uma pessoa, o francês Eric Chahi e é uma obra prima a nível de narrativa e audiovisuais. A conversão para a Mega Drive não é tão boa quanto o original ou outros lançamentos para os computadores da época, mas não deixa de ser um óptimo jogo. A minha cópia foi comprada algures durante o Dezembro do mês passado, tendo-me custado 5€ e faltando-lhe apenas o manual multi-língua. Edit: Arranjei muito recentemente numa feira de velharias uma edição completa por 2€.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

A história é simples. O herói é o cientista Lester Knight Chaykin que tinha acabado de chegar de Ferrari ao seu laboratório todo high-tech e preparava-se para fazer mais uma experiência com o seu acelerador de partículas. No entanto, no momento em que a experiência se iniciou, o laboratório leva com um raio da trovoada que se fazia sentir lá fora e que tomou proporções catastróficas. O laboratório de Lester explode e o cientista é transportado para uma outra dimensão, num mundo alienígena aparentemente deserto e austero. Após alguns encontros imediatos com a fauna local, somos aprisionados e escravizados por uma outra raça de vida inteligente, passando o resto do jogo a tentar escapar daquela fortaleza.

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A cutscene inicial é das coisas mais bonitas que se pode ver numa Mega Drive

O charme do jogo é mesmo a atenção ao detalhe em todos os cenários, e a sua jogabilidade minimalista. Não há uma linha de diálogo e mesmo assim conseguimos perceber perfeitamente as coisas a acontecerem à nossa volta. Não há nenhuma indicação do que temos ou não de fazer, temos mesmo de tirar dicas através do que conseguimos observar em nossa volta e muitas é preciso avançar pela tentativa-erro. Logo quando começamos o jogo somos largados num lago profundo, vemos luz em cima e uns tentáculos a surgirem por baixo. O nosso instinto é logo o de subir até à superfície, caso nos deixemos ficar as coisas não correm bem para o nosso lado. Ao longo de todo o jogo vamos ter muitas vezes de tomar decisões rápidas, caso contrário podemos sofrer várias mortes dolorosas, quase como em Dragon’s Lair.

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Infelizmente a palete de cores da Mega Drive não permitiu uma conversão mais fiel, a nível gráfico

O grande problema deste jogo são os seus controlos que não são lá muito intuitivos. Existe um botão para saltar, outro para atacar que por sua vez também serve para correr se for pressionado juntamente com uma direcção no D-Pad. Na primeira parte do jogo, antes de sermos capturados pelos estranhos nativos, apenas podemos dar alguns pontapés, algo obrigatório para evitar umas certas sangessugas que vemos logo no início. Depois mais lá para a frente encontramos uma arma, e é aqui que as coisas se tornam um pouco mais complicadas. Existem 3 modos de disparo, todos eles com o mesmo botão de ataque. Pressionar levemente o botão A solta um disparo de um raio laser. Se deixarmos o dedo a pressionar o botão por cerca de um segundo, é criada uma pequena bola de energia na ponta da nossa pistola. Ao largar o botão nessa altura, é gerado um escudo temporário que nos protege dos disparos inimigos. Por outro lado, se deixarmos o dedo a pressionar A durante cerca de 3 segundos, surge uma grande bola de energia que ao ser disparada é capaz de destruir pequenas paredes, portas ou escudos.O truque do combate está mesmo aqui, temos de criar um escudo para nos proteger, mas o inimigo também faz o mesmo, então temos de tentar gerir as coisas da melhor forma. Mas a arma também serve para resolver alguns pequenos puzzles do jogo, ao destruir alguns objectos ou passagens que de outra forma estariam interditas.

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É impossível negar a beleza artística deste jogo.

Graficamente o original é um jogo impressionante, com um fluidez de movimentos muito boa. Afinal as animações foram feitas utilizando a mesma técnica de captura de movimentos que vimos nas obras primas de Jordan Mechner, Karateka e Prince of Persia. Os gráficos em si são uma mistura de gráficos vectoriais e poligonais, e o resultado final é excelente. Mesmo com a versão Mega Drive a ficar uns furos abaixo da qualidade visual que existe noutras versões para computadores ou mesmo para a SNES devido à limitada palete de cores da plataforma, não deixa de ser facilmente um dos jogos tecnicamente mais impressionantes da consola. A própria cutscene de abertura é um clássico absoluto, sendo possivelmente a cutscene mais cinemática alguma vez vista em videojogos até à altura e ainda se deve ter aguentado bem nos anos seguintes. As músicas também são bastante minimalistas e cinemáticas, mas infelizmente mais uma vez a versão Mega Drive fica um pouco aquém das outras versões.

De resto, e apesar da sua dificuldade baseada um pouco na jogabilidade de tentativa erro, quando finalmente conhecermos o jogo de trás para a frente vemos que o mesmo acaba por ser bastante curto, e o seu final deixa muitas questões em aberto e a ideia de uma sequela fica sempre no ar. O que acabou por acontecer, apenas para a Mega CD com o lançamento de Heart of the Alien, que curiosamente foi desenvolvido sem grande vontade do criador original. Mas isso são outras contas, e o que interessa aqui reter é que apesar de hoje em dia Another World parecer um jogo datado e com mecânicas de jogo não convencionais, temos de olhar para as coisas na perspectiva de 1991, e para essa época, então Another World é realmente um jogo genial.