Fatal Fury (Sega Mega Drive)

20737_frontPor norma não costumo comprar cartuchos soltos para consolas como a Master System ou a Mega Drive a menos que seja algum jogo raro/caro e o cartucho apareceu a um preço convidativo, ou quando é um jogo que quero mesmo ter na colecção e o cartucho aparece barato o suficiente. Pelo menos assim já dá para jogar! Foi o que aconteceu com este Fatal Fury, um dos primeiros clones de Street Fighter II e o jogo que iniciou toda aquela rivalidade saudável entre a Capcom e a SNK que nos serviu para trazer imensas pérolas vindas dos dois lados. Este meu exemplar veio da cash converters de Alfragide por cerca de 3€, algures neste Verão passado. EDIT: Recentemente comprei uma versão completa do jogo.

Jogo com caixa e manual

Fatal Fury deu início ao torneio “King of Fighters” que mais tarde viria a ser recordado noutra série, e tem algumas peculiaridades muito interessantes. A primeira é, se jogarmos sozinhos, apenas podemos escolher uma de três personagens: os irmãos Terry e Andy Bogard, ou o seu amigo Joe Higashi. Porquê? Porque esta é uma história de vingança, principalmente pelos irmãos Boggard, pois entram no torneio com o objectivo de se vingarem de Geese Howard, poderoso mafioso que está por detrás do torneio e assassinou o seu pai uns 10 anos antes. Iremos então percorrer uma série de combates, até chegarmos aos guarda-costas de Geese e ao vilão propriamente dito no final.

Hoje em dia é um pouco estranho um jogo de luta onde só podemos escolher uma de 3 personagens.
Hoje em dia é um pouco estranho um jogo de luta onde só podemos escolher uma de 3 personagens.

Se quisermos jogar com 2 jogadores, então poderemos jogar com as outras personagens do jogo. Se bem me recordo, isto não acontecia na versão original arcade, onde estaríamos sempre presos às 3 personagens principais. Esta foi portanto uma das mudanças trazidas na versão Mega Drive. Depois a jogabilidade também é um pouco diferente do que o Street Fighter II nos introduziu. Dispomos apenas de um botão para socos, outro para pontapés e um outro para agarrar e atirar o adversário. Mas há uma peculiaridade, na medida em que podemos alternar entre 2 planos de jogo, dando-lhe assim alguma liberdade extra de movimentos. A versão SNES deste Fatal Fury descartou esta mecânica de jogo, mas está aqui presente, tal como na original.

O elenco de personagens até é interessante, cada qual com golpes bastante distintos entre si.
O elenco de personagens até é interessante, cada qual com golpes bastante distintos entre si.

No entanto esta versão Mega Drive possui algumas outras diferenças notáveis. Personagens como Hwa Jai ou o notável Billy Kane estão completamente desaparecidas desta versão. Para os substituir temos a oportunidade de de lutar contra os nossos 2 aliados, dependendo da personagem que escolhemos no início. Outra diferença está nos mini jogos. A versão arcade, em cada 2 combates apresentava-nos um mini-jogo onde teríamos de ganhar um duelo de braço de ferro, obrigando-nos a carregar ferozmente num dos botões. Aqui na Mega Drive esses segmentos de bónus também desapareceram. Sinceramente não que me façam muita diferença, mas é uma pena que tenham sido retirados.

De resto a jogabilidade parece-me bem sólida nesta conversão, não que eu seja um entendido na matéria. Graficamente tiveram de ser feitos alguns sacrifícios, mas ainda assim acho que as personagens estão bem detalhadas e animadas, e o mesmo pode ser dito das arenas, com as paisagens a mudar um pouco entre cada round. Para além disso, aqui há uma compentente de história mais elaborada, pois entre cada combate temos uma pequena cutscene de Geese a comentar os nossos feitos e a ficar cada vez mais irritado com a nossa progressão no torneio. As músicas também são agradáveis, embora as originais de arcade também tenham mais qualidade.

Acho estas imagens entre cada combate bem mais interessantes do que as do Street Fighter II
Acho estas imagens entre cada combate bem mais interessantes do que as do Street Fighter II

E pronto, Fatal Fury é isto. Na verdade é um pouco redutor apelidá-lo de clone de Street Fighter II por várias razões. Por uma, porque estava a ser desenvolvido ao mesmo tempo que Street Fighter II. Por outra, porque um dos seus desenvolvedores era um dos criadores do Street Fighter original, que entretanto tinha saído da Capcom e ingressado na SNK. De certa forma ambos os jogos vão buscar as suas inspirações ao primeiro Street Fighter, e neste Fatal Fury houve muita coisa que saiu completamente diferente do que Street Fighter II. O facto de podermos jogar apenas com 3 personagens, ou as lutas entre 2 planos distintos. A versão arcade possui ainda um modo multiplayer cooperativo, onde 2 jogadores unem forças para defrontar os adversários. Aqui o multiplayer na versão Mega Drive é mais tradicional, como já referido acima.

Bulls vs Blazers and the NBA Playoffs (Sega Mega Drive)

47153_frontAntes de NBA Live, havia NBA Shodown 94. E antes desse, a Electronic Arts lançava os seus jogos anuais de Basquetebol nas séries “versus”, primeiro com Lakers versus Celtics and the NBA Playoffs, depois os Bulls vs Lakers e agora Bulls vs Blazers que vos trago cá hoje. É um jogo mais de simulação, assim como FIFA se foi tornando no futebol. O meu exemplar veio de uma loja de coleccionismo em Belfast. Custou-me 2 libras, o dono da loja ficou bem contente por alguém finalmente o ter levado.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

O Bulls vs Blazers oferece-nos dois modos de jogo: uma partida amigável, ou o modo de torneio que simula uma temporada completa com as principais equipas norte-americanas. O jogo pode ainda ser jogado no modo “arcade” ou “simulação”, se bem que este último é obrigatório no modo de torneio. Aqui o que muda é o facto dos jogadores sofrerem de fatiga e termos de ter isso em conta, ao fazer as substituições que sejam necessárias. O multiplayer é diferente consoante o modo de jogo seleccionado: o versus contra um amigo apenas conta em jogos amigáveis, mas no modo torneio poderemos jogar de forma cooperativa.

Nada a dizer... mais um jogo de basquetebol da EA!
Nada a dizer… mais um jogo de basquetebol da EA!

De resto é um jogo com uma jogabilidade que não me agradou particularmente, pelo menos não depois de eu ter experimentado o Hyper Dunk, que é bem mais dinâmico, a meu ver. Mas este Bulls vs Blazers até tem algumas coisas engraçadas, como toda aquela apresentação do jogo e das equipas que os comentadores deixam passar. Graficamente é um jogo sólido com os pavilhões bem detalhados, mas o mesmo não posso dizer das músicas e efeitos sonoros. Apenas existem músicas nos menus e afins, durante o jogo temos apenas os sons da bola a ser passada de um lado e dos jogadores.

Sinceramente acho que este até foi um bom jogo para a altura em que saiu, para quem quisesse algo um pouco mais realista. Mas acabou por ser ultrapassado mesmo na própria geração de consolas, com a série NBA Live a mostrar-se bem mais completa e competente, apenas 2 anos depois com o NBA Live 95.

Road Rash 3 (Sega Mega Drive)

48015_frontVoltando à Mega Drive, o jogo que cá trago agora é o terceiro Road Rash, mais um exclusivo da consola de 16bit da Sega. Enquanto que o primeiro retratava corridas ilegais de motos ao longo do estado da California, o segundo jogo já era ao longo dos Estados Unidos. Nesta sequela damos a volta ao mundo, e curiosamente os EUA ficaram de fora. É também um jogo com algumas mudanças, mas já lá vamos. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide algures no verão de 2016, creio que me custou entre 8 a 10€.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

A maior diferença que vemos aqui é logo no aspecto gráfico. O Road Rash II era graficamente muito semelhante ao primeiro, visto que partilhavam o mesmo motor gráfico. Aqui a Electronic Arts decidiu seguir a moda de incluir sprites digitalizadas como em Mortal Kombat ou Donkey Kong Country e sinceramente acho que o resultado não é o melhor. Prefiro os gráficos do Road Rash II!

Não gostei muito destes gráficos digitalizados, o Road Rash II envelheceu melhor
Não gostei muito destes gráficos digitalizados, o Road Rash II envelheceu melhor

De resto, a nível de jogabilidade o conceito é o mesmo. Vamos participando em várias séries de 5 corridas por cada nível de dificuldade, onde o nosso objectivo é chegar sempre nos 3 primeiros lugares em cada corrida. Pelo meio podemos andar à pancada com os outros oponentes ou com a polícia que nos persegue. Os nossos adversários têm armas como bastões de basebol, correntes ou as “cattle prods” que podem ser roubadas com alguma sorte. A polícia desta vez não conduz só motos, também temos carros ou helicópteros que nos podem perseguir. Por cada acidente que tivermos somos projectados para fora da moto, pelo que temos de correr até à moto para nos safarmos. É aí que podemos ser caços pela polícia. De resto temos também de ter em conta a nosa barra de vida e a da nossa moto, que se ficar destruída desqualifica-nos logo da corrida. À medida em que vamos correndo e vencendo, também ganhamos dinheiro que pode ser usado para comprar outras motos ou upgrades, como melhor armadura, pneus ou suspensões. Temos mesmo de ir juntando algum dinheiro e ir comprando melhores motos pois à medida que vamos progredindo nos níveis de dificuldade a nossa moto fica cada vez mais fraca comparando com a concorrência.

Trocar de moto para melhor e fazer os upgrades é obrigatório se queremos continuar a ser competitivos
Trocar de moto para melhor e fazer os upgrades é obrigatório se queremos continuar a ser competitivos

Ao longo do jogo vamos correr em países como o Brasil, Reino Unido, Alemanha, Itália, Quénia, Austrália ou Japão. Cada nível possui apenas 5 circuitos, pelo que estas localizações vão alternando, ficando sempre duas de fora. O jogo possui alguns detalhes interessantes, como os carros a conduzirem pela esquerda no Reino Unido, os diferentes tipos de animais que podemos ver na estrada, os carros por vezes até batem uns nos outros e os oponentes são bem mais agressivos do que aquilo que eu me lembrava. Uma novidade interessante são as segundas hipóteses que pore vezes recebemos: se formos caços pela polícia, ou com a moto destruída e não tivermos dinheiro suficiente para pagar a multa ou o reparo da moto, poderemos vir a ser abordados para um desafio interessante. Da parte da polícia, teremos de mandar abaixo um oponente chave para que a polícia o apanhe. Da parte do dono da loja das motos, a missão é idêntica. Se o conseguirmos fazer na corrida seguinte, então poderemos continuar o jogo.

Caindo da moto temos de literalmente correr atrás do prejuízo, perdendo segundos preciosos. O truque é fazer os oponentes cair da moto!
Caindo da moto temos de literalmente correr atrás do prejuízo, perdendo segundos preciosos. O truque é fazer os oponentes cair da moto!

Depois temos também o modo multiplayer que sinceramente nunca experimentei neste Road Rash 3, mas o que o manual diz é o seguinte: Podemos jogar o modo “campanha” de forma alternada e usando um comando apenas, ou em split screen. Existe ainda a opção “Mano a Mano” que consiste em correr um contra o outro, em split screen, e sem mais nenhum oponente na pista.

No que diz respeito à banda sonora, os temas são na sua maioria de rock ou até metal (era capaz de jurar que ouvi uns blast beats aqui e ali), o que me agrada bastante. Alguns locais como o Brasil ou o Quénia possuem músicas com algumas influências étnicas, como os apitos brasileiros ou os ritmos tribais africanos. A música que se ouve quando corremos em Itália estranhamente possui umas melodias russas. Depois no final de cada corrida temos sempre uma pequena cutscene algo cómica para os casos em que nos tenhamos apurado ou não, bem como comentários dos nossos oponentes.

No final de cada corrida temos sempre um bitaite de algum dos nossos oponentes.
No final de cada corrida temos sempre um bitaite de algum dos nossos oponentes.

Portanto, Road Rash 3 é para mim um jogo sólido para quem for fã da série, e a escolha de fazer uma “world tour” foi a meu ver acertada. Alguns pormenores interessantes como a segunda chance num ecrã de Game Over foram bem pensados! O que não foi acertado, ou pelo menos não envelheceu nada bem, foi a escolha de usar sprites digitalizadas nos gráficos. É uma pena. Mas mais pena ainda é nunca mais ter havido um Road Rash há mais de 15 anos…

Pinnochio (Sega Mega Drive)

pinocchioA rapidinha de hoje leva-nos de volta à Mega Drive, para mais um dos jogos da Disney da era 16bit, daqueles desenvolvidos pela Virgin e que possuiam excelentes gráficos e animações. E apesar de Pinnochio não fugir a essa regra, pois é um jogo bonito, acaba também por deixar um pouco a desejar na sua jogabilidade, embora tenha também alguns momentos interessantes e originais. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto algures há uns bons meses atrás. Custou-me 2€.

Jogo completo com caixa e manuais
Jogo completo com caixa e manuais

Tal como o nome indica, este videojogo é uma adaptação do clássico filme da Disney, que conta a história de uma marionete construída por Gepetto e que ganha vida através de uma fada mágica. Pinocchio é o seu nome, o nariz cresce quando mente, e tem o sonho de se tornar um rapaz de carne e osso. Acho que todos conhecemos a história e o jogo até se adapta muito bem aos acontecimentos do filme. Os controlos são também simples com um botão para saltar e outro para atacar. Mas o que eu esperava que fosse um simples jogo de plataformas, Pinnochio acabou por me surpreender pela sua variedade, embora não seja necessariamente uma coisa boa. No primeiro nível controlamos Pinocchio pelas ruas da sua cidade, esquivando-se de todos os perigos que nos perseguem, até porque em grande parte do nível não podemos atacar. No seguinte já controlamos o grilo falante, onde estamos num candeeiro público a defrontar uma série de insectos. O terceiro nível é passado num teatro de marionetas, onde temos de imitar uma coreografia apresentada por outras marionetas. Um bocadinho como o dance dance revolution mas sem as indicações da sequencia de botões a pressionar, temos de os memorizar. Os níveis restantes já vão sendo mais característicos de um jogo de plataformas, embora ainda tenham os seis quês. Desde saltitar de balão em balão na Pleasure Island, os níveis subaquáticos, incluindo aquele em que nos vamos balanceando de peixe em peixe para fugir de Monstro, a baleia que comeu Gepetto. E claro, o nível final é também um bocadinho chato, onde mais uma vez fugimos da baleia, mas desta vez com Gepetto e termo-nos de desviar de vários calhaus.

Não, o screenshot não está ao contrário. Num dos níveis sub aquiáticos por vezes temos estas mecânicas de "inversão de gravidade"
Não, o screenshot não está ao contrário. Num dos níveis sub aquiáticos por vezes temos estas mecânicas de “inversão de gravidade”

Graficamente é um jogo bastante bonito, como a Virgin bem nos habituou nos seus jogos da Disney em sistemas de 16bit. Para além dos níveis estarem bem detalhados, as personagens também o são e as suas animações ficaram bastante fluídas. Mais ou menos entre cada nível vamos tendo também pequenas cutscenes que nos vão contando a história do jogo, na forma de páginas de um livro. As músicas são também muito boas e se não me engano foram buscar muitas melodias ao filme clássico da Disney.

Os gráficos continuam excelentes e as animações também. Não há como negá-lo!
Os gráficos continuam excelentes e as animações também. Não há como negá-lo!

Sinceramente, Pinocchio é para mim um jogo algo estranho. Por um lado dou o mérito à equipa de ter ousado criar níveis completamente diferentes entre si, tanto nos objectivos a cumprir como na jogabilidade, mas por outro acho que a execução ficou muitas vezes aquém das expectativas. No aspecto técnico é um excelente trabalho, como tem sido habitual.

Hyperdunk (Sega Mega Drive)

hyperdunkContinuando pelas rapidinhas de videojogos desportivos, agora para um jogo de basquetebol da Mega Drive. Produzido pela Konami, Hyperdunk é na verdade uma sequela do Double Dribble, um clássico da NES e um dos melhores, senão mesmo o melhor, jogos de basquetebol em sistemas 8bit. A versão americana deste Hyperdunk é até chamada de Double Dribble: The Playoffs Edition, mas no que diz respeito à qualidade da sequela, bom, pelo menos na apresentação gráfica já ganha pontos. Na verdade foi um daqueles jogos que comprei mais por ter o selo da Konami do que outra coisa, mas valeu a pena, pois ó jogo tem um feeling muito arcade. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide, algures durante o verão, tendo-me custado cerca de 12€.

Jogo completo com caixa e manuais
Jogo completo com caixa e manuais

Os controlos são simples, com um botão para passar e outro para rematar caso estejamos a jogar ofensivamente, quando não temos a posse da bola temos um botão para trocar de jogador, outro para tentar roubar a bola ao adversário e um outro para a interceptar. No que diz respeito aos modos de jogo temos o tradicional encontro amigável, e os Playoffs que tradicionalmente se jogam depois da época normal. Aqui podemos escolher uma entre 16 diferentes equipas, embora o jogo não possua a licença NBA, pelo que os nomes dos jogadores são fictícios. Depois temos o modo multiplayer e aí acredito que o jogo seja bastante divertido. Isto porque é possível jogar com um máximo de 8 jogadores em simultâneo, com recurso a 2 multi taps. Infelizmente nunca experimentei este modo de jogo, mas deve ser interessante, se bem que meter 8 pessoas na mesma sala a jogar o mesmo jogo pode ser um desafio em termos de logística.

Afundanços? Sim, claro que é possível!
Afundanços? Sim, claro que é possível!

A nível técnico acho o Hyperdunk muito bem conseguido, desde a cutscene inicial (que me faz lembrar de certa forma a abertura do International Superstar Soccer), passando pelo ecrã título e no jogo propriamente dito. Aí os pavilhões estão muito bem detalhados, as partidas são jogadas com música também agradável e os efeitos sonoros estão bons~,com um público bastante entusiasmado! No ponto de vista audiovisual, a Konami esteve muito bem.

Posto isto, apesar do Hyperdunk não ter aquele “realismo” que a série NBA Live da EA impôs, nem a mesma diversidade de equipas, a sua jogabilidade parece-me bem mais agradável, e o facto de possibilitar um multiplayer para tanta gente é também algo de enaltecer.