Wonder Boy III: Monster Lair (Sega Mega Drive)

Wonder Boy é uma série altamente confusa por várias razões. Sejam lançamentos com diferentes nomes no Japão e Ocidente que lancem algumas confusões, seja pelo facto de a série Adventure Island ser uma derivação do primeiro Wonder Boy para as consolas da Nintendo, ou até pelas outras conversões para as consolas da NEC que também usam nomes e protagonistas diferentes. Outra das confusões está mesmo no facto de no ocidente existirem dois Wonder Boy III e que nada têm a ver um com o outro. Um é o excelente Wonder Boy III: The Dragon’s Trap para a Master System, o outro é este título que cá vos trago hoje para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado algures no passado mês de Abril, num leilão online por 21€.

Jogo com caixa e manual

Este WBIII: Monster Lair é uma adaptação de um outro Wonder Boy lançado originalmente nas arcades, mas ao contrário dos Monster Land/Monster World, não é propriamente um jogo de plataformas com elementos de metroidvania como tanto gostamos. É sim uma evolução do Wonder Boy original com o ecrã com auto scroll, misturando alguns conceitos de shmup. Aqui cada nível está dividido em duas partes, onde na primeira temos na mesma níveis de platforming, onde a única diferença é que Wonder Boy lança projécteis da sua espada. Na segunda parte do nível já voamos nas costas de um dragão, com o jogo a assumir as mecânicas de um shmup horizontal em pleno e no final desse segmento temos sempre um confronto contra um boss.

Se não fosse pelos projécteis que disparamos pela espada, inicialmente o jogo assemelha-se muito ao primeiro Wonder Boy

Tanto num caso como no outro podemos apanhar vários power ups que mudam o nosso tipo de disparos, existindo várias possibilidades, desde projécteis mais largos, outros que são disparados em diferentes direcções em simultâneo, outros perfurantes e capazes de atingir mais que um inimigo em simultâneo, entre outros. A diferença é que estes power ups duram apenas alguns segundos, retornando depois ao ataque normal. Nos segmentos de platforming temos mais outra mecânica do Wonderboy clássico. Se virem no canto superior esquerdo temos uma pequena barra de vida que vai diminuindo com cada dano que sofrermos, mas também diminui automaticamente com o tempo. Ao apanhar peças de fruta podemos restabelecer parte desta barra de energia, tal como no primeiro jogo. Nos segmentos onde voamos às costas de um dragão, esta barra só diminui mesmo caso soframos dano.

No final de cada nível, um boss espera-nos!

A nível audiovisual, é um jogo que cumpre bem o seu papel, ao apresentar gráficos coloridos e com detalhe quanto baste. As sprites do Wonder Boy e inimigos possuem aquele look familiar para quem é fã da série. As músicas são também agradáveis, mas não particularmente memoráveis. No entanto, tal como no primeiro Wonderboy, é um jogo que acaba por cansar um pouco ao fim de algum tempo, por se tornar algo repetitivo.

Eu prefiro de longe as mecânicas mais metroidvania introduzidas pelos Monster Worlds. O facto de terem introduzido aqui alguns mecanismos de shmup pode não ter sido uma má ideia de todo até porque o jogo foi desenvolvido para as arcades e as mecânicas de metroidvania, introduzidas no jogo anterior que também saiu nas arcades primeiro, não resultam bem nesse segmento do mercado. No entanto, para mim a Westone acertou mesmo na mouche no seu jogo seguinte, o outro Wonder Boy III e a partir daí a série teve sempre as consolas como mercado primário.

Alien Storm (Sega Mega Drive)

No final da década de 80 a Sega possuía imensos jogos de acção que se tornaram clássicos nas arcades. Jogos como Shinobi, Shadow Dancer, E-Swat, Golden Axe são apenas alguns exemplos desses jogos e que acabaram por sair também na consolas da empresa nipónica. Alien Storm é uma espécie de Golden Axe que decorre nos dias de hoje, onde uma série de aliens invadiram o planeta terra e nós encarnamos numa pequena força de mercenários para combater os invasores. O meu exemplar foi comprado no mês passado de Abril a um particular por 25€.

Jogo completo com caixa e manual

Tal como Golden Axe e Streets of Rage, temos 3 personagens que podemos escolher inicialmente: Gordon, Karla e o robot Slammer, sendo que cada um deles possui uma arma diferente. Gordon tem uma arma eléctrica e uma bazooka, Karla usa um lança chamas e o Slammer usa uma espécie de chicote de energia. Energia é o que cada arma usa, sendo que temos também um número limitado de ataques melee que podemos também usar, especialmente quando corremos de um lado para o outro. Infelizmente não há é muitos combos e algumas armas são um pouco difíceis de acertar nos inimigos, pelo que, especialmente nos níveis mais avançados, temos de nos manter sempre em movimento para evitar males maiores com os inimigos que já são mais resilientes e rapidamente nos tentam cercar. Para além disso, cada personagem possui um ataque especial capaz de fazer muito dano (como no Streets of Rage, é invocado ao pressionar o botão A), mas esses usam muito mais energia. Energia essa que, tal como a nossa barra de vida, são regeneradas ao apanhar power ups para esse efeito.

Por vezes temos alguns bosses para enfrentar

Cada nível possui um segmento de beat ‘em up, onde vamos percorrendo ruas e batalhando inimigos, culminando sempre numa de 3 coisas diferentes: ou enfrentamos um boss, ou exploramos uma sala numa perspectiva de primeira pessoa, com o jogo a assumir mecânicas de jogo algo semelhantes a outros light gun shooters da época como o Operation Wolf. É nestes segmentos de primeira pessoa onde a maior parte dos power ups que nos regeneraram a vida ou energia das armas podem ser apanhados, pelo que para além de enfrentar os aliens, também somos encorajados a destruir todos os cenários à nossa volta. Para além disto também podemos ter outros segmentos de jogo diferentes, os das perseguições. Aqui a nossa personagem corre a toda a velocidade pelas ruas da cidade enfrentando aliens pelo caminho e evitando alguns obstáculos. É quase como um shmup se tratasse!

As cenas na primeira pessoa são bastante agradáveis e distintas entre si

Estas diferentes mecânicas de jogo são benvindas, pois o número limitado de golpes que podemos desencadear, bem como o número reduzido de diferentes aliens que enfrentamos acabam por tornar o jogo um pouco aborrecido na sua reduzida variedade. De resto, para além deste modo arcade, que pode também ser jogado com um amigo, temos um modo versus para multiplayer competitivo e um “The Duel”, tal como em Golden Axe. Este é basicamente um modo survival, onde vamos enfrentando ondas de inimigos cada vez mais fortes, sobrevivendo com uma única vida.

Por vezes também temos alguns segmentos onde corremos muito rapidamente, com o jogo a assemelhar-se a um shmup

No que diz respeito aos audiovisuais sinceramente é um jogo bem competente. Os níveis decorrem quase todos em áreas urbanas que, apesar de não serem tão coloridas como outros jogos da Mega Drive, não deixam de estar minimamente bem detalhadas. Os últimos níveis já decorrem a bordo de uma nave alienígena, com os cenários a mudarem radicalmente nessa fase. Gosto também do aspecto bastante bizarro que os aliens têm, só é pena é serem poucos modelos diferentes. As músicas são excelentes, muito funky com linhas de baixo cheias de groove na maior parte das músicas! E se chegarem ao final do jogo, a sequência de créditos é simplesmente das melhores que já vi!

Portanto este Alien Storm é mais um jogo interessante para a Mega Drive, embora nunca tenha tido tanto reconhecimento quanto Shinobi, Golden Axe e Streets of Rage. E de certa forma até se compreende porquê, pois apesar de ser um jogo bastante agradável, não há muita variedade nos golpes que podemos executar e inimigos que enfrentamos.

Elemental Master (Sega Mega Drive)

Continuando pelos shmups, vamos agora para um muito mais interessante para a Mega Drive. Desenvolvido pela Technosoft (a mesma empresa por detrás de Thunder Force) e lançado em 1990 no Japão, só em 1993 é que chegou ao Ocidente por intermédio da publisher Renovation, em solo norte americano. Infelizmente nunca chegou a ser lançado na Europa, mas um amigo meu encontrou um exemplar num bundle que comprou no Reino Unido e acabou por me oferecer.

Jogo com caixa

A história leva-nos ao reino fantasioso de Lorelei, onde um poderoso feiticeiro (que logo na cutscene inicial descobrimos que afinal é o irmão perdido do protagonista) aprisiona o rei e tenta ressuscitar um deus maléfico qualquer. Nós encarnamos no feiticeiro Laden, que para derrotar as forças de Gyra (o tal mau da fita), terá primeiro de conquistar uma série de poderes elementais. Começamos com o poder da Luz, e para conquistar os outros temos liberdade de escolher a ordem pela qual queremos jogar os primeiros 4 níveis, cujos desbloqueiam novos poderes no final.

O powerup do espelho cria um clone que nos segue e também pode disparar

Este é um shmup vertical com autoscrolling, onde o nosso feiticeiro anda, não voa, pelos cenários, pelo que esperem por ter vários obstáculos para evitar, para além dos inimigos habituais. Temos um botão para disparar para cima, outro para baixo e o C permite-nos alternar entre poderes, à medida em que os vamos desbloqueando. Deixar um botão de disparo premido durante alguns segundos faz uma barrra de energia se carregar e quando estiver cheia, e largarmos o botão, faz desencadear uma grande explosão que causa muito dano numa certa área – óptimo para os bosses. Para além de poderes elementais, temos também uma série de power ups que podemos encontrar, desde escudos que nos protegem de algum dano sofrido, itens que nos regeneram ou extendem a nossa barra de vida, ou um espelho que cria clones do protagonista e que seguem os nossos movimentos.

A nível gráfico é um jogo muito interessante, pois gosto do design dos níveis e dos inimigos. Possui uns rasgos de dark fantasy que eu aprecio bastante! Para além disso, ocasionalmente temos algumas cutscenes em anime, que só pecam por estarem pouco animadas. Os gráficos, para um jogo de 1990 considero-os bons, com níveis diversos e bem detalhados. As músicas são também muito agradáveis!

Por vezes temos algumas cutscenes anime para conduzirem a história

Portanto este Elemental Master revelou-se uma óptima surpresa, não só pelas suas mecânicas de jogo peculiares, mas também pelos cenários fantasiosos e ritmo de jogo bastante frenético, algo que a Technosoft fazia muito bem. É uma pena que practicamente todos (senão todos mesmo) os jogos que a Renovation publicou para a Mega Drive não tenham saído cá na Europa, pois são todos títulos interessantes e infelizmente mesmo nos Estados Unidos o seu preço tem vindo a encarecer bastante.

Mystic Defender (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas para a Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é o Mystic Defender, uma sequela do Spellcaster da Master System, mas que acaba por ser um jogo muito diferente. Enquanto o original era uma interessante mistura de jogo de acção/plataformas, RPG e aventura gráfica (ao explorar cidades ou outras localizações), este Mystic Defender é todo um jogo de acção. O meu exemplar foi comprado no Reino Unido algures em Março passado, tendo-me custado algo em torno das 12 libras.

Jogo com caixa e manual

Tanto este jogo como o seu antecessor na Master System são baseados num anime algo obscuro e sinceramente não sei bem qual a relação entre ambos os jogos na história geral. Mas aqui a história reduz-se ao cliché habitual onde temos de derrotar um vilão que raptou uma jovem donzela, aparentemente com o objectivo de ressuscitar uma divindade maléfica. Claro que não podemos deixar isso acontecer!

Começamos a explorar florestas como no Spellcaster, mas rapidamente o jogo ganha contornos de cenários de terror

Ao contrário do Spellcaster, aqui inicialmente o herói possui apenas a capacidade de disparar bolas de energia, sendo que podemos também “carregá-las” para um disparo bem mais potente, sendo que desta vez não temos de nos preocupar com “munições”. Mas ao longo do jogo vamos também encontrar outros feitiços como uma espécie de lança-chamas ou disparar bolas de energia que fazem ricochete em superfícies. Todos esses feitiços podem ser carregados para mais potência. Outros feitiços que podemos encontrar, mas estes sim, são de uso único, são uns raios eléctricos capazes de causar dano a todos os inimigos presentes no ecrã em simultâneo. Portanto, este Mystic Defender a nível de jogabilidade acaba por ser bem mais simples que o Spellcaster.

Uma vez mais vamos tendo diferentes poderes para usar.

No que diz respeito aos audiovisuais, gosto bastante do design dos níveis. Há aqui toda uma temática de horror que mistura temas do Japão feudal ou outros até algo futuristas ou mesmo inspirados nas obras de H.R. Giger. No entanto, ainda assim se nota que este é um jogo do início do ciclo de vida da Mega Drive e seria interessante vê-lo desenvolvido mais tarde, num cartucho com mais capacidade para armazenar gráficos mais detalhados. Já no que diz respeito aos efeitos de som e músicas, sinceramente já não gostei tanto. Os efeitos sonoros são um pouco irritantes e as músicas não são muito cativantes.

Portanto este Mystic Defender é um jogo que me provoca sentimentos mistos. Por um lado, como jogo de acção puro, é melhor que o seu antecessor. Por outro lado, a estranha mistura de géneros do Spellcaster também lhe dava um certo toque único e seria também interessante que tivessem refinado essa fórmula.

Golden Axe (Sega Mega Drive)

O Golden Axe é um dos videojogos preferidos da minha infância. Apesar de só muito mais tarde, já quando comecei a coleccionar mais a sério, é que vim a ter uma Mega Drive na colecção, este era daqueles que jogava imensas vezes em casa de amigos. E como na maioria dos casos em Portugal nos anos 90, jogávamos este jogo numa das várias compilações Mega Games, muitas vezes vendidas em bundle com a consola. Eu já analisei o Golden Axe com detalhe quando escrevi sobre a compilação Mega Games 2, pelo que recomendo a sua leitura.

Jogo com caixa e manual

O meu exemplar foi comprado no passado mês de Abril a um particular por 25€. Confesso que é mais do que eu gostaria de dar pelo jogo, mas este primeiro Golden Axe não é muito comum de aparecer por cá sem ser nas compilações, pelo que os preços têm vindo a subir.