Super Skidmarks (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas e visitando uma vez mais a Mega Drive, hoje trago-vos cá mais um clássico publicado pela Codemasters, se bem com as suas origens nos sistemas Commodore Amiga. Super Skidmarks é mais um jogo de corridas um pouco similar ao Micromachines, desta vez com uma perspectiva isométrica e os circuitos off-road, repletos de curvas apertadas, rampas e cruzamentos letais. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Outubro, na loja PlaynPlay de Almada, creio que por 15€.

Jogo com caixas e manual

Inicialmente podemos optar por entre o modo campeonato e o match race, onde neste último podemos jogar corridas amigáveis seja contra o CPU, ou contra mais amigos, até um total de 4 graças ao J-Cart. Aqui o jogo permite-nos jogar em split screen dividido até 4 ecrãs, o que numa Mega Drive é bastante impressionante. Mas voltando ao single player, aqui teremos vários conjuntos de circuitos para concorrer, onde cada conjunto passa-se em diferentes climas e com veículos próprios. Temos 6 veículos em cada pista, sendo que nas primeiras 3 corridas temos de obrigatoriamente ficar nos primeiros 4 lugares, enquanto que nas restantes somos obrigados a terminar sempre em primeiro lugar. No fim de contas, ganha quem tiver mais pontos! Após vencer o modo campeonato nas 3 localidades (floresta, praia, neve, deserto), desbloqueamos o modo Pro, onde os oponentes são mais ferozes. Completando o modo campeonato na dificuldade Pro, acabamos também por desbloquear outros modos de jogo, como o Acid Grand Prix, ou o Bovine Warriors, que consistem numa série de pistas remixed onde conduzimos carros de Fórmula 1 ou vacas com rodas. Sim, as tais que aparecem na capa do jogo!

Super Skidmarks apresenta uma série de circuitos todo-o-terreno com várias rampas, inclinações e saltos

A nível de jogabilidade sinceramente não gosto tanto deste jogo quando os Micro Machines, as coisas ficam frenéticas muito rapidamente com 6 carros no ecrã e é fácil perdermos o fio à meada do que está a acontecer no ecrã e depois será muito difícil de recuperar. Alguns circuitos também acabam por se tornar bastante confusos, com vários 8 e curvas apertadas, nem sempre é fácil, no meio de toda a confusão, saber qual o caminho certo a tomar. Mas deve ser tudo uma questão de práctica, creio. Os Micro Machines joguei bastante nos anos 90, tanto sozinho como com amigos, este Super Skidmarks não teve a mesma sorte. Tem tudo para ser um jogo multiplayer de luxo, até porque no início todos estarão tão confusos quanto nós!

A dificuldade é imperdoável, não é nada incomum terminar em último lugar

A nível audiovisual, o jogo possui músicas rock apenas nos menus e entre corridas, sendo que durante as mesmas, apenas ouvimos o rugido dos motores e buzinas, algo que numa consola como a Mega Drive deixa um pouco a desejar, mas não tem mal. Os níveis em si são divididos entre temáticas como a floresta, praia, neve e deserto, sendo que os mesmos estão repletos de vários relevos como lombas, rampas e curvas inclinadas, algo que não é tão notório na versão Mega Drive como no original de Amiga. As skidmarks, marcas deixadas pelos pneus nos circuitos, eram algo também presente no original, mas ausentes nesta conversão. Ainda assim, não deixa de ser tecnicamente um jogo impressionante, quanto mais não seja pela possibilidade do multiplayer em splitscreen dividido em 4 ecrãs, algo que nunca tinha visto numa Mega Drive.

Daffy Duck in Hollywood (Sega Mega Drive)

Já cá trouxe uma das versões 8bit do Daffy Duck in Hollywood, nomeadamente a versão Game Gear, mas essa versão não lhe faz justiça, pois é uma conversão modesta desta versão Mega Drive. Aqui temos um jogo de plataformas visualmente muito mais agradável e com melhor jogabilidade, apesar de os conceitos serem idênticos aos que já referi no artigo anterior. Por isso esta será mais uma rapidinha! O meu exemplar foi comprado algures em Julho/Agosto, através de um grande bundle de jogos e consolas que comprei a meias com um amigo.

Jogo com caixa

a história é simples: Yosemite Sam (o pistoleiro dos Looney Tunes) pede ao Daffy Duck que resgate os seus prémios cinematográficos, que foram roubados por um vilão qualquer e estão em Hollywood, espalhados ao longo dos estúdios dos filmes em que Daffy Duck participou. Será então uma espécie de Mickey Mania, onde fazem uma homenagem à personagem da Warner Bros e reviver alguns dos seus cartoons clássicos.

A pistola de bolhãs de sabão, essa arma letal

A jogabilidade é interessante. Em cada nível Daffy Duck terá de explorar os mesmos até à exaustão, não só para descobrir passagens secretas que nos podem levar a power ups interessantes, como às tais estátuas de ouro e bombas de dinamite que temos de procurar e desarmar. Na verdade cada nível está dividido em vários segmentos temporizados de 99 segundos cada, onde só conseguimos avançar para a zona seguinte após termos encontrado todas as barras de dinamite. Daffy está também munido de uma arma de bolas de sabão ou de outra gosma letal e ao longo do jogo vamos poder encontrar vários itens que não só nos podem fortalecer a arma, como contribuir para vidas extra, regeneradores da barra de energia ou mesmo garantir invencibilidade temporária. Por vezes a maneira como Daffy se movimenta e ataca pode ser diferente. Por exemplo, há um conjunto de níveis passado no oriente onde Daffy já salta como um ninja e a sua arma é substituída por shurikens.

Ocasionalmente lá temos alguns bosses para defrontar também. E estes também têm estátuas de outo escondidas!

A nível audiovisual, bom, por curiosidade fui ver o que as revistas clássicas acharam do jogo e uma das coisas que eles referem é precisamente os gráficos aborrecidos desta versão Mega Drive. Sinceramente não poderia estar mais em desacordo. Os gráficos são muito bem detalhados, com sprites grandinhas, bem animadas e cheias de detalhe. É certo que não tem o nível de atenção ao detalhe de um Earthworm Jim, mas está longe de ser um jogo aborrecido visualmente. As músicas também as achei bastante agradáveis, muitas delas começam calmamente, de forma lenta e algo silenciosa, para depois evoluirem para temas bem catchy.

Portanto, para mim este é mais um bom jogo de plataformas na Mega Drive e que aparentemente é um exclusivo europeu, por algum motivo. Tal como já referi, existem outras versões 8bit que são uma conversão directa desta versão, mantendo a mesma estrutura de mecânicas de jogo e níveis similares, mas com resultados muito mais modestos.

ATP Tour (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, ficamos agora com mais um jogo de desporto na Mega Drive. Este ATP Tour é nada mais nada menos que o sucessor da série Wimbledon, herdando muitas particularidades da versão Mega Drive que cá trouxe recentemente. E o meu exemplar foi comprado algures num bundle de vários jogos de Mega Drive que comprei algures em Setembro numa feira de velharias. Custou-me algo em volta dos 3€ se bem me recordo.

Jogo com completo com caixa e manuais

Aqui temos vários modos de jogo desde partidas amigáveis que podem ser de 1 contra 1 como de 2 contra dois, onde neste caso podem ser até jogadas em multiplayer de 1 até 4 jogadores em simultâneo. Para além disto temos diversos torneios, desde um torneio “simples”, um outro “sénior” onde supostamente só entram grandes tenistas do passado e por fim temos o ATP Tour, um modo temporada onde poderemos participar numa série de torneios de ténis ao longo do mundo. Visto que cada partida de ténis é composta por um número (configurável) de sets, cada torneio tem o potencial de demorar imenso. Aqui, tal como no Wimbledon, temos a possibilidade de escolher um tenista anónimo e, tal como um RPG, teremos 10 pontos para distribuir como bem entendermos em diversos atributos. À medida que vamos progredindo no jogo e vencendo torneios, o nosso jogador vai melhorando os seus atributos. De resto a jogabilidade é algo similar à do Wimbledon, com os 3 botões faciais a servirem para executar diferentes tipos de raquetadas.

Visualmente não anda muito longe do Wimbledon

A nível audiovisual, bom infelizmente o jogo não evoluiu muito graficamente desde o Wimbledon. As arenas possuem pouco detalhe (se bem que desta vez o público parece mais animado), assim como os tenistas e restantes NPCs como o árbitro e apanha bolas. Mas só pelo facto de termos apanha-bolas a interagir no jogo já é um pormenor interessante! A nível de som, nada de especial a apontar nas poucas músicas existentes, já os efeitos sonoros, bom, aqui temos muitas mais vozes digitalizadas que no Wimbledon. Para além de anunciarem os pontos, faltas e afins, desta vez também anunciam o nome dos tenistas. Há portanto uma amostragem muito maior de samples de voz, mas infelizmente a qualidade das mesmas é inferior. Não se pode ter tudo, parece-me.

Uma das coisas interessantes deste ATP Tour é a quantidade de retratos de tenistas, se bem que eu apenas tenha reconhecido o Pete Sampras

Portanto este ATP Tour até que me parece um jogo de ténis bastante sólido para uma consola 16bit. É certo que existem outros jogos da mesma era visualmente muito mais interessantes, mas a nível de conteúdo, confesso que este jogo me surpreendeu bastante.

Hard Drivin’ (Sega Mega Drive)

Quando comecei a conhecer melhor o catálogo da Mega Drive através de emulação, algures no final dos anos 90, este Hard Drivin’ sempre foi daqueles que me deixava confuso, pois para além de não entender o conceito do jogo e a sua jogabilidade, também achava que tinha gráficos horríveis. Bom, hoje em dia sei que temos de olhar para este Hard Drivin com uns óculos de 1989, onde o jogo se apresentou nas arcades como um dos primeiros jogos de corridas inteiramente poligonais e, ao contrário de muitos racers no mercado, este apresentava-se como possuindo uma jogabilidade muito mais realista, mais próximo de um simulador. O meu exemplar foi comprado na loja Play ‘n Play algures no mês de Outubro, creio que por 12€.

Jogo com caixa e manual

Na verdade o conceito deste Hard Drivin’ é muito simples. Temos um único circuito por onde competir, que a certa altura se diverge entre a speed track, e stunt track, esta já repleta de obstáculos como saltos, curvas inclinadas ou mesmo um loop que temos de atravessar. Apesar de este ser um suposto simulador, pois as curvas não são fáceis de fazer se estivermos a acelerar como desalmados e facilmente podemos ter acidentes, não deixa também de ser um jogo arcade, na medida em que temos tempo limite para completar o circuito, cujo vai sendo incrementado à medida que vamos passando por checkpoints. Se conseguirmos manter uma boa performance, eventualmente somos desafiados para competir directamente contra um carro controlado pelo CPU.

Este vidro vai rachar mais vezes do que as que conseguem contar

Mas a jogabilidade não é a mais intuitiva, pois a aceleração e travagem não é são lá muito precisas baixo framerate do jogo também não ajuda. Por exemplo, na primeira vez que vão fazer o salto, se acelerarem demais, o carro destrói-se quando aterra, Para além disso, temos trânsito, carros a conduzir em sentido contrário que também nos causam dificuldades e caso colidirmos, ficamos com o carro destruído e o jogo coloca-nos de volta na pista, mas geralmente mais atrás, junto do último checkpoint que tenhamos atravessado, o que nos pode dificultar também a vida ao restar pouco tempo disponível. Por isso é importante que no início joguemos muito o modo Practice, precisamente para ter uma boa percepção da pista e de como atravessar os seus obstáculos. E mesmo quando estivermos mais habituados, há sempre o risco de colidir com um carro aleatório, nem sempre temos tempo de reagir oportunamente.

Se sairmos fora da pista, temos 10 segundos para regressar, caso contrário somos penalizados

Graficamente, bom, o original arcade era um jogo impressionante para a sua época visto ser um dos primeiros racers completamente poligonais, ainda que com muitos poucos polígonos em simultâneo no ecrã. É verdade que não envelheceu nada bem, mas em 1989 devia ser impressionante vê-lo nas arcades. A versão Mega Drive possui gráficos poligonais sem qualquer recurso a hardware adicional para isso, mas naturalmente que os gráficos são ainda mais modestos que o original e o framerate muito mais lento. Envelheceu ainda pior portanto, mas para a época, existem conversões muito piores. No som as coisas poderiam ser diferentes, mas infelizmente as músicas são practicamente inexistentes e as poucas que há não são propriamente vulneráveis. Os efeitos sonoros também deixam algo a desejar.

Um detalhe interessante são os instant replays que somos presenteados sempre que fazemos asneira

Portanto este Hard Drivin é um jogo que não envelheceu nada bem. Por um lado a jogabilidade não é grande coisa, mas quero acreditar que o original arcade fosse muito melhor nesse aspecto. Por outro, o seu grafismo em 3D poligonal primitivo, por muito impressionante que fosse em 1989, um bocadinho menos em 90/91 na Mega Drive,  também envelheceu bastante mal, pelo que este Hard Drivin’ hoje em dia acabe por ser mais uma curiosidade do que propriamente um jogo divertido.

Wimbledon (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, agora pela Mega Drive, vamos ficar com mais um Wimbledon, mais um título de Ténis que usa a licença do famoso torneio britânico de Wimbledon. Na Master System tinham sido lançados dois jogos desta série, e em 1993 a Sega disponibilizou também uma versão para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado em Setembro na Play ‘n Play por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual

Aqui podemos participar em partidas individuais, que podem ser jogadas contra o CPU, contra ou com um amigo, no caso de optarmos pelos doubles, onde temos 2 tenistas contra 2. Também temos um modo torneio, onde iremos participar no torneio de Wimbledon, mas já lá vamos. A jogabilidade é relativamente simples, com os 3 botões faciais da Mega Drive a serem usados para realizar diferentes raquetadas: altas ou baixas, rápidas ou lentas. Tipicamente os jogos de ténis das eras 8 e 16bit são simples de aprender e este não é excepção. A única coisa que eu não gostei muito na jogabilidade é o facto de por vezes ser difícil adivinhar a que altura vai realmente a bola, o que nos pode induzir em erro e não conseguir dar seguimento a uma jogada.

No modo torneio a nossa personagem vai evoluindo os seus atributos à medida em que formos progredindo na competição

Mas voltando ao tal modo de torneio, aqui podemos optar entre jogar em torneios masculinos ou femininos, sendo que começamos sempre com um jogador com stats baixos. À medida que vamos avançando no jogo e completando partidas, os stats do nosso jogador vão aumentando, o que vai dar jeito pois os oponentes também vão sendo cada vez mais habilidosos. Mesmo se chegarmos a vencer um torneio, somos convidados a participar na temporada seguinte, onde poderemos continuar a evoluir a nossa personagem.

A nível audiovisual confesso que é um jogo bastante simples e estava a contar com algo mais elaborado, principalmente por ter vindo da própria Sega. Os jogadores são genéricos, assim como os estádios, parece que a SIMS pegou na versão Master System e acrescentou-lhe uns pózinhos mágicos só. Por outro lado, no som, já é um jogo bem mais elaborado principalmente nos voice samples, que são bastante nítidos. As músicas no entanto apenas tocam entre partidas e são agradáveis, mas nada de especial.

Confesso que estava à espera de algo graficamente um pouco melhor nesta versão

Portanto este Wimbledon, apesar de não ser propriamente um mau jogo, e como muitos outros jogos de ténis desta época serem bastante fáceis de pegar e viciar, não deixo de ficar um pouco desiludido com esta iniciativa da Sega. Para uma consola 16bit esperava algo um pouco melhor.