The Smurfs Travel the World (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas para a Mega Drive, vamos ficar com o segundo jogo dos Smurfs que saiu para as consolas de 8 e 16bit da Sega e Nintendo. Produzido pela Infogrames, que na altura produzia imensos videojogos relacionados com personagens de banda desenhada franco-belga, como Astérix (apenas nas consolas Nintendo), Tintin ou Lucky Luke, este é mais um jogo de plataformas bastante colorido, embora não acrescente nada de verdadeiramente inovador à fórmula. Este meu exemplar foi comprado através de um bundle com vários jogos de Mega Drive no mês passado, tendo-me ficado algures nos 10€ por jogo.

Jogo com caixa e manual

A razão pela qual este artigo é uma rapidinha é o facto de ser uma versão practicamente idêntica à da Super Nintendo, que já cá trouxe antes. Basicamente controlamos um dos smurfs ou a smurfette que viajam pelo mundo em busca dos vários pedaços de um cristal mágico que os pode levar de volta à sua aldeia. Os controlos são simples, com um botão para correr, outro para saltar e outro para dar pontapés. A maior parte dos inimigos podem ser derrotados ao saltar-lhes em cima, já outros podem precisar antes de levar os pontapés. A ideia em cada nível é o de os explorar ao máximo para coleccionar todos os cristais por lá espalhados, sendo que depois somos transportados para o nível seguinte. Para isso teremos de evitar/derrotar uns quantos inimigos e por vezes ultrapassar alguns desafios um pouco mais exigentes de platforming, muitas vezes com a ajuda de alguns inimigos para servirem de plataforma.

As personagens que podemos escolher diferem apenas na estética, não na jogabilidade

Alguns níveis possuem mecânicas de jogo muito próprias, como o nível na caverna onde podemos tomar poções mágicas que alteram o nosso tamanho, sendo que quando estamos pequenos lá conseguimos nos esgueirar por passagens mais estreitas, enquanto que no tamanho normal conseguimos desbloquear algumas dessas passagens estreitas bem como derrotar inimigos. Ou o nível onde temos de guiar abelhas para as suas colmeias ou bananas para os macacos, sendo depois recompensados com cristais ou outros power ups. Uma coisa que me esqueci de referir no artigo da SNES é apesar de a nossa barra de vida transitar de nível para nível, quando a temos no máximo, mesmo que passemos por um power up de regeneração de vida não o apanhamos, ficando disponível para quando realmente precisemos dele. Foi um toque agradável por parte da Infogrames.

Apesar de ser um jogo colorido e bem detalhado, a versão SNES leva a melhor nos audiovisuais

A nível audiovisual é um jogo bonito, bem colorido, com cenários bem diversificados entre si e bem detalhados. Mas é inegável que a versão SNES seja superior. Essa versão possui ainda mais detalhe nos níveis, bem como alguns efeitos gráficos adicionais. A versão SNES possui também uma banda sonora melhor e tenho quase a certeza que foi a versão primária em desenvolvimento.

Portanto estamos aqui perante um jogo de plataformas competente, embora não seja propriamente revolucionário. A versão SNES apesar de idêntica em conteúdo, acaba por levar a melhor por ser tecnicamente superior. Mas não ficam mal servidos de todo nesta versão. Continuo com curiosidade em jogar o Smurfs 2 na Master System, mas esse será mesmo por emulação, pois os preços do jogo actualmente são altamente proibitivos.

Lotus II: R.E.C.S (Sega Mega Drive)

Tempo de voltar às rapidinhas na Mega Drive para ficarmos com mais um jogo de corridas bem competente. Tal como o seu predecessor na Mega Drive, que era na verdade uma adaptação do Lotus II do Commodore Amiga, este é também uma adaptação do Lotus III da mesma plataforma, pelo que as duas plataformas ficaram algo desfasadas nos seus numerais. Bom, e o meu exemplar foi comprado na CeX algures em Agosto e custou-me 6€.

Jogo com caixa e manual

O Lotus Turbo Challenge que a Mega Drive recebeu tinha-me deixado agradavelmente surpreendido, pela sua jogabilidade fluída, boa sensação de velocidade e excelentes gráficos para uma Mega Drive. Esta sequela não desaponta nesse aspecto. Na sua base continua a ser um jogo de corridas inspirado por OutRun onde iremos correr em diversas paisagens diferentes e o objectivo é sempre o de chegar ao checkpoint seguinte dentro do tempo limite. A principal diferença para o OutRun é que o Lotus continua a ser um jogo linear, com circuitos separados entre si e sem ramificações nas estradas. A menos que escolhamos antes jogar no modo campeonato, aí já teremos de ter em conta a classificação em que chegamos no final de cada corrida bem como o consumo de combustível durante cada corrida. Sinceramente prefiro o arcade. De resto podemos uma vez mais competir com o Lotus Esprit, Elan e também o M200, um protótipo da Lotus que nunca chegou a ser comercializado. Para além disso este jogo oferece também a habitual vertente em multiplayer através de split screen, bem como um editor de pistas, esta a grande novidade desta sequela. Mas confesso que não perdi grande tempo com isso.

Antes de cada circuito temos a hipótese de escolher qual música ouvir, tal como no Out Run

No que diz respeito aos audiovisuais, desta vez temos mesmo de separar os gráficos e som. A nível gráfico é um jogo excelente, tal como o seu antecessor. As pistas são bastante variadas entre si, desde montanhas, florestas, praias ou zonas mais urbanas, os circuitos estão cheios de relevo e as corridas decorrem a uma velocidade estonteante. É impressionante a sensação de velocidade que tanto este Lotus como o seu antecessor conseguiram introduzir na Mega Drive. Algumas pistas possuem alguns detalhes gráficos deliciosos, como a condução nocturna, ou outros detalhes meterelógicos como chuva, neve ou mesmo nevoeiro, onde apenas vemos um breve brilho dos faróis traseiros dos nossos oponentes a média distância.

Aqui temos uma vez mais alguns efeitos gráficos muito interessantes como o de nevoeiro

Já a nível de som, bom infelizmente deixa muito a desejar. Isto porque é um daqueles jogos em que temos de optar por ouvir efeitos sonoros ou música, mas não ambos em simultâneo. Quando isso acontece, tipicamente é porque os efeitos sonoros são bastante ricos e a Mega Drive fica sem recursos para processar ambos em simultâneo, mas infelizmente não é esse o caso. Aliás, o primeiro Lotus tinha melhores efeitos sonoros que este, com várias vozes digitalizadas. Aqui apenas ouvimos o ruído irritante dos carros e pouco mais. Já as músicas, sinceramente até as achei agradáveis, excepto aquela mais calma que já não apreciei tanto. Ainda assim, não consigo entender o porquê de não podermos ouvir ambas as coisas em simultâneo. Só com os efeitos sonoros o som torna-se algo irritante. Só com a música sente-se a falta de mais qualquer coisa.

Street Racer (Sega Mega Drive)

O Street Racer é um interessante jogo de corridas ao estilo Mario Kart que acabou por sair para uma série de diferentes sistemas, alguns de gerações distintas. Já cá trouxe a versão Sega Saturn no passado que, apesar de ser muito similar à versão Playstation, é dos poucos exemplos de jogos multiplataformas 3D em que a versão Saturn acabou por levar a melhor por incluir mais alguns detalhes gráficos não existentes na versão PS1. As versões para as consolas 16bit por outro lado são bastante diferentes entre si, com a versão SNES a usar o seu típico mode 7, enquanto que a versão Mega Drive, apesar de ser mais tradicional nesse aspecto, não deixa de até ter a sua graça do ponto de vista técnico. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um amigo algures em Julho deste ano, tendo-me custado uns 5€ creio.

Jogo com caixa e manual

Este Street Racer dispõe de vários modos de jogo, a começar pelo Practice que nos permite treinar com os carros de diferentes personagens ao longo de vários circuitos, bem como treinar em dois modos de jogo especiais: o Rumble e Soccer que detalharei mais à frente. O modo campeonato é o principal modo de jogo single player onde, como o nome indica, iremos participar num campeonato de diversos circuitos e vamos ganhando pontos mediante a posição em que terminamos a corrida. No fim do campeonato quem tiver mais pontos ganha e temos 3 níveis de dificuldade a experimentar, todos com circuitos diferentes e uma inteligência artificial cada vez mais agressiva. O modo head to head é o principal modo de jogo para o multiplayer que pode ser jogado até 4 jogadores em simultâneo e suporta corridas, rumble e soccer. Estes últimos são modos de jogo distintos que também podem ser jogados sozinhos. O rumble coloca-nos a correr num circuito circular, onde o objectivo é o de atirar os inimigos para fora da pista e tentar a todo o custo sobreviver e não sermos nós os atirados borda fora. O soccer, como o nome indica é uma adaptação de futebol onde a ideia é apanhar a bola num campo de futebol e levá-la até à baliza, marcando o máximo de golos possível. O problema é que este é um modo de jogo bastante caótico visto que são todos contra todos, então teremos 8 carros em simultâneo no ecrã, todos à pancada e a tentar roubar a bola entre si e em seguida marcar.

Sair fora da pista? Sim vai acontecer muitas vezes

Mas vamos voltar às corridas normais que é sem dúvida o principal modo de jogo. Este é então um jogo de corridas inspirado no Mario Kart onde cada personagem possui o seu kart com características distintas e ao longo do jogo, para além de podermos saltar, agredir os oponentes com socos, também teremos uma série de power ups para apanhar ou evitar. Alguns, como as estrelas, poderão dar-nos pontos extra no final de cada corrida, outros como minas ou bombas explodem e custam-nos alguns segundos preciosos. Se bem que as bombas têm um timer para explodir e podem ser passadas aos veículos adversários! Outros power ups podem-nos regenerar a barra de vida do carro ou dar turbos. De resto, todas as personagens têm também ataques especiais que são distintos entre si.

No final de cada corrida são também atribuidos alguns pontos de bónus a quem fizer a volta mais rápida, a quem apanhou mais estrelas ou a quem distribuiu mais porrada

Até aqui tudo bem, mas o jogo infelizmente tem uma série de problemas, a começar pelos seus controlos que não são os melhores. O botão B serve para acelerar, já o botão C serve para activar os turbos. O botão direccional serve para virar o carro se pressionarmos para a esquerda ou direita, mas serve também para travar (baixo) ou saltar (cima). Para despoletar os diferentes ataques temos sempre de usar combinações de botões. Para dar socos para a esquerda ou direita temos de pressionar os botões A e B em simultâneo, ou B e C respectivamente. Já para os ataques especiais (side attack e front attack) temos de pressionar o botão A mais baixo ou cima respectivamente. Ou seja, temos bem mais funcionalidades do que botões num comando standard da Mega Drive e, mesmo com o jogo a suportar comandos de 6 botões, o seu mapeamento poderia e deveria ser melhor, pois nem assim evitamos combinações de botões para certas acções. Ora e depois de nos habituarmos aos controlos temos o problema das corridas. É muito fácil o nosso carro sair fora da pista em curvas apertadas pelo que teremos de desacelerar sempre, enquanto os nossos oponentes parecem não sofrer do mesmo mal. E depois em curvas apertadas a câmara do jogo não acompanha bem a curva, pelo que vamos acabar por ter algumas surpresas desagradáveis como bombas ou minas que não vamos conseguir evitar. No primeiro nível de dificuldade do campeonato isto até acaba por não causar muitos transtornos pois uns turbos bem colocados levam-nos de volta para a luta nos lugares cimeiros, mas à medida que vamos avançando no jogo a IA começa a ficar cada vez mais agressiva nos campeonatos seguintes e estes segundos que perdemos serão mesmo fundamentais.

Os modos de jogo adicionais são benvindos, mas pena este Soccer ser tão caótico!

De resto, a nível audiovisual sinceramente até gosto deste Street Racer. Todos os oponentes são bastante distintos entre si e são todas personagens algo carismáticas. Os carros possuem animações mesmo típicas de desenhos animados e os circuitos vão tendo sempre diferentes backgrounds, relacionados com cada uma das personagens. Por exemplo, as pistas da Surf Girl são sempre nas praias de Sidney, enquanto que as do Frankenstein são na Transilvânia. É também interessante a forma como implementaram os circuitos propriamente ditos, parece quase mode 7! De resto as músicas são também bastante agradáveis.

Portanto este Street Racer é um jogo interessante mas que acaba por ser prejudicado pelos seus controlos desnecessariamente complicados para um jogo de kart racing. O facto das curvas serem muito traiçoeiras por esconderem obstáculos também não é um ponto a seu favor, o que é pena pois do ponto de vista audiovisual até é um jogo bem competente. A ver um dia como se safou a versão SNES!

Ballz 3D (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas na Mega Drive, hoje vamos ficar com este Ballz 3D, um jogo de luta que possui um conceito bastante original confesso, mas a sua jogabilidade é uma valente bosta e que deita tudo o resto a perder. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu em Agosto deste ano, tendo-me custado 5€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um jogo de luta onde todos os lutadores são personagens construidas com uma série de berlindes ligados entre si. Visto que nos podemos movimentar livremente pela arena, o objectivo era dar uma impressão que estaríamos a jogar um jogo inteiramente em 3D, o que não é verdade pois tudo no ecrã são sprites e backgrounds. Mas há que dar a mão a torcer na originalidade. Os lutadores são bastante distintos entre si, mesmo sendo todos feitos com berlindes, e a variedade de golpes que podemos executar também é interessante, pois alguns deles até faz com que se transformem em diferentes criaturas (na mesma todas feitas de berlindes).

O ecrã principal que surge no background vai debitando vários comentários à medida que vamos combatendo

O problema principal a meu ver está nos controlos. Aqui o botão A serve para socos, B para pontapés e C para saltar. O botão direccional serve para nos movimentarmos no ecrã, mas naturalmente teremos também uma série de golpes especiais que requerem também o uso do direccional, tipicamente em simultâneo, quando é necessário carregar para cima ou baixo. Só que nem sempre os controlos respondem como gostaríamos e o facto de nos podermos movimentar livremente pelas arenas também não ajuda, as coisas podem ficar bastante confusas no ecrã.

A nível audiovisual, bom… o jogo tem a sua originalidade. Os lutadores sendo compostos por berlindes até que dão um efeito gráfico interessante e a câmara vai ampliando ou não consoante a nossa distância perante o adversário. O design de alguns lutadores até que é bastante criativo mas as arenas são muito similares entre si, pois a única coisa que muda verdadeiramente vão sendo os cenários de fundo. As arenas parecem ser um plano circular, sendo que junto ao background vamos tendo também alguns ecrãs que vão mostrando mensagens diversas e algumas animações, algumas delas cheias de innuendo visto que balls é um termo de calão para testículos, como nós dizemos “tomates”. Essas pequenas animações por vezes até que são engraçadas, mas a versão SNES é superior graficamente a esta versão Mega Drive, ao usar efeitos de transparência nalguns desses ecrãs e o solo da arena é texturizado ao usar o efeito mode 7. Mas a performance da versão SNES é muito má, pelo que esta versão da Mega Drive ao menos é bem mais fluída. Já no que diz respeito ao som, bom… este é horrível. Algumas músicas tentam ser mais rock, mas o resultado é demasiado barulhento e caótico. Outras músicas possuem vozes digitalizadas muito estranhas, com gemidos um pouco embaraçosos.

É ingeável que algumas personagens possuem um design muito interessante e original

Portanto este Ballz 3D é um jogo de luta bastante original no seu conceito, mas infelizmente a sua execução deixa muito a desejar, tanto na implementação dos seus controlos e mecânicas de jogo, como de certa forma nos audiovisuais, principalmente o som que ficou muito mau nesta versão Mega Drive. Para mim é um jogo a evitar, mas a sua originalidade de conceito merece pelo menos que o experimentem. Para coleccionar só mesmo se o apanharem muito baratinho.

Quackshot / Castle of Illusion (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma super rapidinha, desta vez para a Mega Drive e vamos ficar com uma compilação de luxo, com dois dos mais icónicos jogos da Disney para a Mega Drive. É uma compilação que inclui nada mais nada menos que Quackshot e Castle of Illusion, os primeiros jogos do Donald e Mickey (respectivamente) que chegaram até à máquina de 16 bit da Sega. Curiosamente ou não, ambos foram desenvolvidos pela empresa nipónica. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Outubro, tendo vindo de um bundle com vários outros jogos que me ficou a menos de 10€ por cada.

Jogo com caixa e manual

Ora ambos são jogos de plataformas clássicos da Mega Drive que recomendo vivamente que os joguem, caso sejam fãs de jogos de plataforma clássicos em 2D. No entanto, visto ser uma compilação que não traz nada de novo, recomendo que leiam os meus artigos de ambos os jogos em standalone. Basta seguir os links publicados no parágrafo acima.